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BCCS Newsletter - n.7 julho/09

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Academic year: 2021

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CVM define entendimento a respeito das Poison Pills

‘Pétreas’

Em 23 de junho de 2009, o Colegiado da CVM aprovou a edição do Parecer de Orientação nº. 36, fixando o entendimento do órgão a respeito das “disposições estatutárias que impõem ônus a acionistas que votarem favoravelmente à supressão de cláusula de proteção à dispersão acionária”. Tal parecer originou-se de minuta proposta ao Colegiado da CVM por dois Diretores da Autarquia, Otávio Yasbek e Marcos Barbosa Pinto, submetida à audiência pública para receber comentários do mercado. O Parecer foi elaborado, portanto, com o objetivo de veicular a interpretação da CVM apenas a respeito das poison pills “pétreas”.

Em linhas gerais, as poison pills – no modelo que foram instituídas no Brasil – consistem em cláusulas estatutárias que obrigam acionistas (ou terceiros) que adquirirem determinada quantidade de ações em circulação a realizar uma oferta pública visando à aquisição das ações de titularidade dos demais acionistas por um determinado preço, acrescido de elevado prêmio. Ocorre que, em certos estatutos, há disposições acessórias a essas cláusulas, as quais impõem um ônus aos acionistas que votarem pela supressão ou alteração de tais cláusulas, obrigando-os, para tanto, a realizar uma oferta pública de aquisição das demais ações da companhia.

A CVM entende que a existência de cláusulas no estatuto que não podem ser suprimidas ou modificadas é incompatível com o previsto na legislação. De acordo com a lei societária, deve-se preservar o princípio da soberania da assembléia geral, que tem poderes para decidir sobre todos os negócios da companhia e, inclusive, para dispor de certos direitos dos acionistas, desde que observados os comandos legais.

A CVM identificou, ainda, os custos e benefícios que as poison pills oferecem ao mercado. Sob esse aspecto, chegou à conclusão que as poison pills, em sua modalidade “pétrea”, são desnecessárias para o alcance dos benefícios genericamente esperados das poison pills convencionais, tais como a proteção contra ofertas “hostis” pela aquisição do controle e o aumento do poder de barganha dos acionistas na negociação do controle acionário. Tais cláusulas “pétreas” podem, por outro lado, aumentar significativamente os custos relativos às poison pills, dentre os quais a CVM destacou o impedimento de realização de negociações eficientes.

Segundo o memorando subscrito pelos Diretores da CVM, o parecer reforça o direito de propriedade sobre as ações, uma vez que permite aos acionistas dispor livremente dos referidos valores com maior facilidade. As cláusulas pétreas, nesse sentido, impediriam a livre disposição dos valores mobiliários, bem como o exercício de outros direitos previstos em lei.

O Parecer define, por fim, que a CVM não aplicará penalidades, em processos administrativos sancionadores, aos acionistas que votarem pela supressão ou alteração da cláusula de poison pill “pétrea”, ainda que não cumpram com a obrigação de realizar oferta pública.

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Muito embora os pareceres de orientação da CVM veiculem apenas interpretações do órgão sobre o texto da lei que visam a prevenir ou a corrigir situações anormais do mercado, já se podem verificar reflexos imediatos do Parecer. Com efeito, já se tem notícia de uma companhia aberta divulgando comunicados para informar ao mercado que está sendo convocada assembléia geral para alterar a sua cláusula de poison pill, relativa a mecanismos de defesa contra aquisições hostis do controle.

Criação do Comitê para Gestão da Rede Nacional para

Simplificação do Registro e Legalização de Empresas e

Negócios: Decreto nº 6.884

O Decreto nº 6.884, de 25 de junho último instituiu o Comitê para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (CGSIM), com o objetivo de administrar e gerir a implementação e o funcionamento da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM), criada pela Lei nº 11.598 de 3 de dezembro de 2007, e publicada no dia 4 do mesmo mês.

A REDESIM objetiva: a) propor ações e normas direcionadas à facilitação, integração e compatibilização de procedimentos de registro e legalização de empresários e pessoas jurídicas nas diversas instâncias administrativas; e b), garantir maior eficiência em tais procedimentos, mitigando as hipóteses de duplicidades e ambigüidades no que tange às exigências eventualmente formuladas para registro e suas eventuais alterações.

Uma das medidas de simplificação instituídas pela referida Lei é a previsão de manutenção de portais eletrônicos na rede mundial de computadores, que contenham informações, orientações e pesquisas prévias às etapas de registro, inscrição, alteração e baixa de empresários e pessoas jurídicas (art. 4º). Foram unificados os requisitos de segurança sanitária, controle ambiental e prevenção contra incêndios (art. 5º), e vedada a realização de exigências documentais ou formais, restritivas ou condicionantes, que excedam o estrito limite dos requisitos pertinentes previstos no diploma (art. 7º).

Pode-se criticar a Lei nº 11.598 pela limitação de seu escopo. Apesar de ir em direção à desburocratização na legalização da atividade empresarial, seu art. 2º estabelece que a participação na composição da REDESIM é obrigatória para órgãos federais, porém, facultativa a autoridades e entidades estaduais e municipais. Embora observada a independência dos entes federativos, note-se que a disposição poderá se mostrar um obstáculo substancial para o alcance dos objetivos que, inicialmente, fundamentaram a edição da Lei.

Já o Decreto nº 6.884 ocupou-se em, além de criar o CGSIM, complementar as disposições da Lei da REDESIM prescrevendo a competência genérica daquele Comitê, sua estrutura administrativa e

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funcional, e sua composição. Foi estabelecido que o CGSIM será presidido pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e contará com a participação de dirigentes de diversas autoridades, tais como da Receita Federal, do INSS e do Departamento Nacional de Registro do Comércio.

Há previsão da participação de outros órgãos e entidades, públicas ou privadas, através de instituição de subcomitês e grupos de trabalhos, o que acreditamos ser um grande avanço para democratizar as discussões das temáticas relacionadas à atuação do CGSIM, permitindo, assim, o alcance de resultados mais condizentes com a realidade empresarial.

Além das matérias já regulamentadas por ambos esses diplomas, o parágrafo único do artigo 2º do Decreto determinou que este Comitê expeça, até 31 de dezembro deste ano, as instruções relativas à sua competência, que repute necessárias para o cumprimento dos objetivos que fundamentaram sua criação.

Deliberações Coremec - Suitability e Estratégia

Nacional de Educação Financeira

Foram publicadas, no dia 30 de junho de 2009, as Deliberações nº 7 e 8 do Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e de Capitalização (Coremec), colegiado integrado também pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC).

A Deliberação nº 7 trouxe regras de suitability (cabimento, adequação), recomendando às entidades integrantes do Coremec a edição de normas relativas à aferição da adequação dos produtos e serviços ofertados ou recomendados às necessidades, interesses e objetivos dos destinatários (no caso das entidades fechadas de previdência complementar, dos participantes de seus planos de benefícios).

A Deliberação nº 8 constituiu um grupo de trabalho com o propósito de coordenar os atos necessários à instituição da Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Instrução MPS/SPC n° 31/2009

A Instrução da Secretaria de Previdência Complementar - SPC do Ministério da Previdência Social nº 31, de 21 de maio de 2009, estabelece os procedimentos a serem observados pelas entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) para solicitação de autorização prévia à SPC para realizar operações, por meio de negociações privadas, com ações de emissão de companhias abertas negociadas em bolsa de valores ou admitidas à negociação em mercado de balcão organizado, nos termos do art. 65, inciso VII do Regulamento anexo à Resolução CMN 3.456/2007.

Como requisito para a efetivação da operação privada com ações, faz-se necessária a realização de um Estudo Técnico pela EFPC que contemple

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um rol mínimo de exigências, tais como seu objetivo, as razões para implementação e os elementos econômicos e financeiros da operação. Impõe-se, ainda, um processo decisório interno com determinados estágios, como, por exemplo, a análise pelo comitê de investimentos da correlação entre a política de investimento e o negócio privado pretendido e sua aprovação pela diretoria executiva e pelo conselho deliberativo.

A Instrução SPC nº 31/2009 prevê ainda as hipóteses que não requerem a autorização expressa da SPC, a saber: (i) a venda pela EFPC de ações de baixíssima liquidez na BM&FBovespa; e (ii) a venda ou compra de ativos relevantes numa sociedade, que representem, no mínimo “10% (dez por cento) do capital com direito a voto da companhia”.

Deve-se ressalvar que por força da regra de equiparação prevista no art. 42 da Resolução CMN 3.456/2007, a Instrução SPC 31/2009 abrange eventuais negociações privadas com ações realizadas por meio de carteira administrada ou por meio de fundos de investimento, exceto Fundos de Investimento em Participações (“FIP”) e Fundos de Investimento em Empresas Emergentes (“FIEE”), pois esses veículos apresentam características próprias de operações privadas com ações de empresas, as quais podem gerar retornos superiores à média de mercado, proporcionais ao maior risco e à baixa liquidez do investimento.

Portanto, a edição dessa Instrução está vinculada à necessidade de melhoria do processo interno de avaliação e decisão de investimento pelas EFPC, como vem sendo exigida pelos órgãos de controle em diversos outros instrumentos regulatórios. Com isso, objetiva-se reduzir os riscos operacionais e, assim, mitigar os demais riscos de mercado e de desequilíbrio econômico-financeiro dos planos previdenciários.

Por fim, para aqueles que pretenderem um mais detalhado conhecimento da Instrução, sugere-se a leitura do artigo denominado “Instrução SPC 31/2009: Negociações privadas com ações. Maiores cuidados no processo decisório das EFPC”, publicado na Revista Fundos de Pensão, nº 353 – junho/2009.

Regime Tributário de Patrocinadores de Fundo de

Pensão

Em 16 de junho de 2009, foi publicada a Lei nº 11.948, resultante da conversão da Medida Provisória nº 453/2009.

STJ manifesta entendimento de que a fraude à

execução pode se configurar ainda que a alienação do

bem ocorra antes da citação do devedor

Ainda que a jurisprudência do STJ estabeleça que só possa configurar fraude à execução quando a alienação do bem ocorra após a citação válida

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do devedor, em julgamento recente de Recurso Especial relatado pelo Ministro Sidnei Beneti, decidiu-se diversamente, tendo em vista as peculiaridades do caso concreto.

No caso em comento, a alienação do bem realizada em julho de 2006 ocorreu antes da citação do devedor, realizada em novembro do mesmo ano. Com efeito, o Acórdão de origem esclareceu que, ainda que a citação tenha ocorrido posteriormente, a parte teria sido citada validamente em abril de 2006, no mesmo processo, na qualidade de representante do espólio de seu pai, a quem pertenciam originariamente os imóveis e, contra quem havia sido proposta inicialmente a execução em questão.

Entendeu a Turma julgadora que tal fato, o recebimento da citação válida como representante do espólio, já era circunstância suficiente para configurar a fraude à execução, ficando, portanto, satisfeita a condição do conhecimento prévio da execução pela parte alienante.

Escritórios

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O conteúdo desta Newsletter é simplesmente informativo, não devendo ser entendido como opinião legal. Quaisquer esclare-cimentos sobre as matérias aqui expostas devem ser solicitados formalmente aos advogados de BCCS

Referências

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