USO DA CRASE NA LÍNGUA PORTUGUESA
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O QUE É CRASE?
CONCEITO
O temo "crase" tem origem grega e significa: junção, mistura ou fusão.
Na Língua Portuguesa, é a junção de duas vogais idênticas. Para isso, utiliza-se o acento grave ( ` ).
Seu uso ocorre quando há a mistura da preposição a com o artigo feminino a.
Basicamente:
A + A = À
SITUAÇÃO GERAL
ao
preposição a
a
exigida pelo verbo
o
artigo que precede o substantivoIremos
Verbo Transitivo Indireto (exige a preposição "a")
supermercado
substantivo masculino
Nessa situação, não houve a necessidade de crase porque não houve junção entre duas vogais iguais, mas sim diferentes.
Perceba que na próxima situação, no entanto, houve a cobrança do acento grave devido à junção do verbo (ir a algum
lugar) com o substantivo feminino feira.
à
preposição
a
a exigida pelo verbo
a
artigo que precede o substantivoIremos
Verbo Transitivo Indireto (exige a preposição "a" )
feira
substantivo feminino
Por isso que, de maneira geral, analisar a
ocorrência da crase significa verificar a existência de um verbo transitivo indireto e de um
substantivo feminino.
REGRAS
Sempre ocorrerá crase:
Diante de palavras femininas sempre irá ocorrer crase, desde que haja um verbo para exigir a preposição a:
Conheço a cidade.
Exemplos:
Não há ocorrência da crase pois o verbo conhecer é transitivo direto, isto é, não exige a preposição a.
Refiro-me à reitora.
Há ocorrência da crase pois o verbo "referir" é transitivo indireto, isto é, exige a preposição a que se liga ao artigo a, exigido pelo substantivo feminino "reitora".
Artifício: para saber se a palavra aceita "a" como artigo, basta
colocar "da" antes dele - o que significa que aceita "a" como artigo.
Se apenas "de" se encaixar, significa que o termo não aceita ser precedido de "a".
Como sei se a palavra aceita ou não "a" como artigo?
Vim da Itália (aceita).
Vim de Brasília (não aceita).
Vim de Roma (não aceita).
Artifício 1 (mais utilizado para cidades e outros locais):
Fui à farmácia .
Fui ao teatro (aceita, pois trocado por uma palavra no masculino varia para
"ao").
Artifício 2 (trocar o substantivo feminino por um equivalente masculino):
REGRAS
Sempre ocorrerá crase:
Fui àquele novo teatro
Preposição "a" + aquele(a), aquilo
O verbo "ir" exige a preposição "a", a qual, junto com o "a"
de "aquele", deve ser marcada pelo acento grave.
Sairei às 14 horas.
Horário definido
Em casos de horários exatos, a ocorrência de crase é
verdadeira. Entretanto, nos casos em que uma preposição anteceder o horário, a crase não ocorrerá.
Estou aqui desde as 14 horas.
O culto será da uma às duas horas (horário delimitado)
Horário é diferente de duração
O culto terá de uma a duas horas (duração)
à medida que às vezes
à noite
à direita/esquerda
Termos em que sempre ocorrerá crase
Quero uma pizza à moda italiana.
Pedi um bife à (moda) milanesa.
à moda
Comprei a prazo.
Cheguei a tempo.
Antes de palavras masculinas
Pôs-se a meditar.
Antecedendo verbos
"Por "exige a preposição "a", mas o verbo "meditar"
não exige um artigo. Então, não há fusão de a+a.
REGRAS:
nunca ocorrerá crase
Levou o filho a uma clínica.
Antes de artigos indefinidos
O verbo levar exige, nessa situação, a preposição a, no entanto o artigo indefinido uma jamais exigiria o artigo definido a antes dele. Portanto, não há ocorrência de crase.
Entreguei-me a duas pessoas seguidas.
Antes de numerais
Não devo nada a ninguém.
Antes de pronomes indefinidos
Por "ninguém" não exigir preposição a, não há motivos para a fusão a+a, isto é, crase.
Entreguei as notas a esta mulher.
Antecedendo pronomes demonstrativos Com exceção dos casos de "aquele(a)" e
"aquilo", como visto anteriormente.
Entreguei a comida a ela.
Antes de pronomes pessoais
O verbo entregar exige, nessa ocasião, a preposição a.
No entanto, o pronome pessoal do caso reto ela jamais exigiria o artigo definido a antes dele. Portanto, não há ocorrência de crase.
Prosseguindo dia a dia.
Antes de palavras repetidas
REGRAS:
nunca ocorrerá
crase
Refiro-me a histórias antigas.
"A" seguido de plural
Se o artigo está no singular, significa que o "a" é mera preposição exigida do verbo referir. Se fosse artigo definido do substantivo "histórias", estaria no plural, concordando com o substantivo.
Perceba
O "a" de "Refiro-me a histórias antigas" se refere a tais histórias de maneira genérica. Contudo, o "às"
de "Refiro-me às histórias antigas" trata de histórias antigas específicas.
Refiro-me às histórias antigas.
Nessa situação, o "a" revela que concorda com substantivo histórias (por estar no plural), sendo, assim, seu artigo definido que entra em "fusão"
com a preposição exigida pelo verbo referir.
O almoço foi marcado para as oito horas.
Outras preposições
Não existe preposição "a", apenas o artigo a no plural.
REGRAS:
nunca ocorrerá
crase
Volta da: crase há!
Volta de: crase para quê?
Nomes de cidades
Fui à África do Sul (volto da África do Sul - crase há!) Fui a Minas Gerais (volto de Minas Gerais - crase para quê?)
Caso exista uma especificação depois do nome do local, haverá crase.
Entretanto
Fui à Natal de Nísia Floresta.
CASOS ESPECIAIS
A moça à qual me referi está esperando.
À qual
Seria o mesmo que dizer: Referi-me à moça.
Esta rua é paralela à (rua) que passamos.
À que ou a que?
Rua é suprimida na oração, tornando-se reiterada, então, é caso de crase.
A minha opinião é igual à (opinião) de todos.
À de ou a de?
O opinião também é subentendido, o que gera caso de crase.
CASOS ESPECIAIS
Determinados: sim!
Indeterminados: não!
Terra, casa e distância
- Os navegantes chegaram à terra de seus familiares (determinação, tem crase).
- Os navegantes chegaram a terra.
(indeterminação, sem crase).