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MATERIAL DIGITAL PARA GESTOR

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Academic year: 2021

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Arnaldo Bento Rodrigues

Bacharel em Ciências com habilitação em Matemática pela Universidade de Guarulhos (SP).

Licenciado em Pedagogia pela União das Faculdades Francanas (SP).

Professor de Matemática no Ensino Fundamental.

Júnia La Scala Teixeira

Licenciada em Matemática pela Faculdade Paulistana de Ciências e Letras (SP).

Licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofi a, Ciências e Letras Nove de Julho (SP).

Professora de Matemática no Ensino Fundamental.

Margaret Presser

Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP).

Especialista em Educação Infantil pela Universidade Metodista de São Paulo.

Bacharel em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado.

Autora de materiais pedagógicos voltados à Educação Infantil.

Pesquisadora na área da educação. Maria Regina de Campos

Graduada em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).

Autora de materiais pedagógicos voltados à Educação Infantil.

Patricia Moreira Barboza de Castro

Graduada em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Atua no atendimento a crianças com difi culdades na fala e na linguagem e apresentando trocas fonêmicas na escrita. Raoni Vazquez La Scala Teixeira

Curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade de Tecnologia da Baixada Santista (Fatec).

Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Católica de Santos.

Autor de materiais pedagógicos voltados à Educação Infantil.

Consultor de Negócios Sênior e desenvolvedor de interfaces.

Sorel Hernandes Lopes da Silva

Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).

Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental.

Professora de Literatura no Ensino Médio. Vanessa Ferraresi

Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Professora de Educação Infantil.

Atua no atendimento clínico de crianças em consultório e supervisão nas áreas de psicanálise e inclusão escolar.

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Estação criança : material digital para gestor : educação infantil : volume único / Arnaldo Bento Rodrigues...[et al.]. 1. ed. --São Paulo : FTD, 2020.

Outros autores: Júnia La Scala Teixeira, Margaret Presser, Maria Regina de Campos, Patricia Moreira Barboza de Castro, Raoni Vazquez La Scala Teixeira, Sorel Hernandes Lopes da Silva, Vanessa Ferraresi Bibliografia.

ISBN 978-65-5742-130-7 (material digital PDF) 1. Educação infantil 2. Escolas - Organização e administração 3. Gestão escolar I. Rodrigues, Arnaldo Bento. II. Teixeira, Júnia La Scala III. Presser, Margaret. IV. Campos, Maria Regina. V. Castro, Patricia Moreira Barboza de. VI. Teixeira, Raoni Vazquez La Scala. VII. Silva, Sorel Hernandes Lopes da. VIII. Ferraresi, Vanessa.

20-44118 CDD-372.21

Índices para catálogo sistemático: 1. Gestão escolar : Educação infantil 372.21 Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

EDITORA FTD

Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo-SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970

www.ftd.com.br [email protected]

Material disponibilizado em licença aberta do tipo Creative Commons – Atribuição não comercial (CC BY NC – 4.0 International). Permitida a criação de obra derivada com fins não comerciais,

desde que seja atribuído crédito autoral e as criações sejam

Sorel Hernandes Lopes da Silva, Vanessa Ferraresi, 2020.

Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira Direção editorial adjunta Luiz Tonolli Gerência editorial Natalia Taccetti

Edição Luciana Leopoldino (coord.), João Paulo Bortoluci (coord.) Lucas dos Santos Abrami, Lucimara Regina de Souza Vasconcelos, Marilda Pessota Lima, Paula Signorini, Rafael Braga de Almeida Preparação e revisão de textos Viviam Moreira (sup.) Gerência de produção e arte Ricardo Borges Design Daniela Máximo (coord.)

Arte e Produção Rodrigo Carraro Moutinho (sup.) Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno

Supervisão de audiovisuais Diego Vieira Cury Morgado de Oliveira

Coordenação editorial Duda Albuquerque / DB Produções Editoriais

Iconografia e licenciamento de textos Márcia Sato Coordenação de produção Fênix Editorial Editoração eletrônica Fênix Editorial

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Sumário

Apresentação ...

...5

As funções do gestor escolar no dia a dia ...

...6

Construindo o projeto pedagógico da escola ...

...7

O que é um Projeto Político-pedagógico? ...

...7

Qual

é a importância do projeto pedagógico? ...7

O que o projeto pedagógico deve contemplar? ...

...7

O que os gestores devem observar ao elaborar o PPP? ...

...8

O que o Plano de Ação deve contemplar? ...9

Como relacionar o Plano de Ação à comunidade escolar? ...9

Gestão escolar: o papel de cada um ...

...11

O diretor ...

...11

O orientador educacional ...11

O coordenador pedagógico ...12

Quem é meu aluno? ...15

Trabalhando a diversidade em sala de aula ...

...15

Transtornos de aprendizagem ...

...17

A educação inclusiva ...18

O papel do gestor na preparação para a alfabetização ...30

(4)

Atividades voltadas para a Educação Infantil ...34

Brincar e jogar ...34

Exercícios que estimulam o raciocínio lógico ...34

Massinha de modelar ...35

Atividades que exploram sequenciamento ...35

Atividades com música ...

...36

Caminhando em linha ...36

Amarelinha ...36

Ouvir e interagir com histórias ...37

Entra, sai e troca lugar na roda ...37

Atenção aos detalhes ...37

Criação coletiva de histórias ...38

Dominó ...38

O faz de conta ...39

Desafios em forma de brincadeira ...39

Gestores, professores e a literacia familiar ...

...40

Experiências educacionais com a família ...41

É hora do feedback: como conversar com os familiares ...48

Considerações finais ...50

(5)

Apresentação

Olá, gestor!

Este é o Material digital para gestor, composto por este PDF e por 6 videotutoriais.

Neste PDF você vai encontrar orientações sobre a gestão de creches e pré-escolas, sugestões para organizar o Projeto Político-pedagógico da escola, maneiras de olhar individualmente os alunos e orientações sobre atividades com intencionalidade pedagógica.

Nos videotutoriais são abordados os seguintes assuntos:

Vídeo 1 – O papel do gestor

O vídeo mostra quais são os principais assuntos tratados nos videotutoriais e apresenta as principais funções da gestão escolar e o papel de cada tipo de gestor escolar.

Vídeo 2 – Construindo o Projeto Político-pedagógico

Este vídeo traz orientações sobre a elaboração do Projeto Político-pedagógico e explica a importância do mapeamento da comunidade escolar, da elaboração de planos de ação e de se conhecer as diretrizes educacionais dos governos.

Vídeo 3 – A preparação para a alfabetização sob o olhar do gestor

O vídeo apresenta a Literacia e a Numeracia, traz sugestões para algumas situações cotidianas da escola e mostra a importância de se observar os estudantes.

Vídeo 4 – Trabalhando a diversidade em sala de aula

Este vídeo mostra a importância da observação diária dos alunos e do olhar global que deve ter o coordenador pedagógico para identificar e trabalhar com crianças com dificuldades ou com transtornos de aprendizagem.

Vídeo 5 – A Educação Inclusiva e o atendimento educacional especializado

Vídeo sobre Educação Inclusiva que apresenta quais crianças devem ter Atendimento Educacional Especializado dentro da escola.

Vídeo 6 – A Literacia familiar e a interação do gestor com as famílias

Este vídeo apresenta sugestões para manter um canal aberto com os familiares dos alunos e para incentivar a literacia familiar.

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As funções do gestor escolar no dia a dia

A gestão escolar envolve profissionais que desenvolvem um trabalho em parceria, visando a evolução dos alunos e da instituição de ensino. As principais funções do gestor escolar são:

• Alinhar os interesses dos alunos, da instituição de ensino e dos profissionais que nela trabalham.

• Liderar a elaboração do Projeto Político-pedagógico (PPP), envolvendo professores,

funcionários e familiares, a fim de garantir os direitos de aprendizagem de todos os alunos.

• Conhecer os hábitos, os valores, as crenças e as prioridades da comunidade em que atua,

respeitando-os em quaisquer âmbitos de sua atuação, ao buscar atingir as metas do projeto pedagógico escolar.

• Exercer uma liderança participativa, oferecendo aos professores os instrumentos

necessários para que cada um possa desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível.

• Promover a formação continuada com programas de treinamento alinhados à realidade e

às necessidades individuais e coletivas, incentivando que cada educador busque e atinja seu potencial máximo.

• Fazer o atendimento aos pais ou responsáveis sempre que necessário.

• Administrar os recursos financeiros da escola, elaborando um planejamento realista

quanto à distribuição de recursos e estabelecendo metas e prioridades.

• Avaliar a aprendizagem dos alunos, verificando se há deficiências e, a partir dessa análise,

reorientar a prática pedagógica, ajustando-a de acordo com as necessidades deles.

Os gestores escolares são o principal ponto de apoio para os professores, garantindo a autonomia desses, dentro de uma gestão orientada e compartilhada. Essa parceria deve buscar a

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Construindo o projeto pedagógico da escola

O que é um Projeto Político-pedagógico?

O Projeto Político-pedagógico (PPP) é um documento no qual deve se estabelecer com clareza qual é a missão da escola, o seu propósito, o que a comunidade escolar pretende alcançar com sua atuação e de que forma isso será feito. Esses princípios nortearão a atuação do gestor escolar. Partindo de diretrizes comuns determinadas pelas secretarias de educação, projetos pedagógicos podem diferir de escola para escola, de acordo com as particularidades de cada uma.

Qual

é a importância do projeto pedagógico?

O PPP é importante para gerar engajamento em relação aos objetivos comuns da comunidade escolar, fortalecendo a visão participativa e democrática. Por meio dele, é possível identificar o “momento” em que a escola se encontra, os objetivos que pretende atingir e como atingi-los, identificar seus pontos fortes e as dificuldades que professores e alunos enfrentarão, assim como estabelecer planos de ação para esse enfrentamento.

O que o projeto pedagógico deve contemplar?

Entre os principais elementos que o PPP deve contemplar, estão:

• Características sociais, culturais e físicas da comunidade em que a escola está inserida.

• Características da escola, como organização da gestão pedagógica, tempo de trabalho

coletivo dos professores, horário das atividades, descrição dos espaços físicos, dos equipamentos e dos materiais pedagógicos.

• Descrição da proposta educacional da escola.

• Informe dos recursos financeiros e indicação dos parceiros da gestão, como o conselho

escolar, por exemplo.

• Relação e perfil dos profissionais que atuam na comunidade escolar e a quantidade de

profissionais e de alunos, visando ao equilíbrio, para garantir equidade e uma educação inclusiva.

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O que os gestores devem observar ao elaborar

o PPP?

Os gestores precisam conhecer em detalhes os conteúdos, os campos de experiência e os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento contemplados no material didático utilizado na escola para garantir o alinhamento com o projeto pedagógico da instituição, levantando também outras questões ligadas à especificidade da comunidade escolar e contemplá-las.

Mesmo atendendo às necessidades da escola, o PPP deve ser pautado em diretrizes estabelecidas por órgãos municipais, estaduais e federais. Deve, portanto, ser embasado nessas diretrizes e estabelecer-se dentro desses limites.

Ao elaborar o Projeto Pedagógico, os gestores devem:

1. Contemplar as bases legais consideradas na elaboração desse projeto: documentos

normativos nacionais, estaduais e municipais.

2. Observar as características das crianças em cada fase escolar, da creche (de 0 a 3 anos e 11

meses) e da pré-escola (de 4 anos a 5 anos e 11 meses) em suas diferentes etapas.

3. Dispor sobre a organização dos ambientes e espaços escolares.

4. Detalhar a proposta curricular para todas as etapas da Educação Infantil, contemplando:

Os direitos de aprendizagem e desenvolvimento (conviver, brincar, participar, explorar,

expressar, conhecer-se); os campos de experiência (O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações) e os objetivos de

aprendizagem e desenvolvimento, relacionados à Base Nacional Comum Curricular

(BNCC).

• As habilidades e competências relacionadas à Política Nacional de Alfabetização (PNA).

• Questões locais voltadas especificamente para a comunidade escolar a que se destina.

• O Atendimento Educacional Especializado (AEE).

5. Contemplar diagnósticos de indicadores educacionais:

• Indicadores de acesso (matrícula, evasão); de fluxo (distorção de idade); de aprendizagem

(com base nos Parâmetros e Indicadores da Qualidade da Educação Infantil).

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O que o Plano de Ação deve contemplar?

• Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e a forma como a escola garantirá essas

aprendizagens.

• As metas de resultados educacionais (indicadores da qualidade da Educação Infantil e

avaliações cognitivas, psicomotoras e socioemocionais).

• Diretrizes para a escolha e produção de materiais, como livros didáticos e paradidáticos,

brinquedos, materiais pedagógicos de manipulação, jogos.

• Objetivos e estratégias para promover a formação docente em ambiente escolar,

detalhando o tempo necessário e a metodologia empregada, voltada para cada profissional dentro do processo.

• Formas e critérios de avaliação individual da aprendizagem do aluno e da formação

oferecida aos professores.

• Critérios para avaliar a execução do Plano Pedagógico e para uma autoavaliação da

instituição.

Como relacionar o Plano de Ação à comunidade

escolar?

Na elaboração do Plano de Ação, abra espaço para uma ampla discussão com toda a comunidade escolar, promovendo a gestão democrática e participativa. Proponha uma reflexão profunda sobre as particularidades da comunidade em que a escola está inserida, recursos disponíveis e metas a serem alcançadas. Pensado de forma coletiva, esse plano será único e terá mais chances de alcançar o objetivo primordial da educação, que é garantir a formação integral dos alunos, tornando-os cidadãos críticos, autônomos e responsáveis.

Ao estabelecer um Plano de Ação, é preciso estabelecer prioridades e garantir que seja possível aplicá-las dentro do tempo disponível. É necessário estabelecer um caminho claro e objetivo para sua execução, garantindo a participação de toda a comunidade escolar na implementação, no acompanhamento e na revisão desse plano quando necessário.

Cabe aos gestores disponibilizar esse documento às secretarias de educação, para que seja avaliado, e alinhar suas políticas de formação de educadores e disponibilização de recursos

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didáticos (livros, materiais pedagógicos de apoio etc.) aos currículos validados. A partir do amplo conhecimento desse documento é que os professores planejarão suas aulas.

FAUXELS/PEXELS.COM

A elaboração do PPP deve ser coletiva e deve levar em conta as dificuldades que professores e alunos podem enfrentar.

O mundo é dinâmico, a sociedade é dinâmica, portanto, não podemos imaginar uma escola estática, presa a um planejamento que em determinado momento pode deixar de funcionar para a comunidade em que atua. O olhar atento e crítico do gestor é fundamental e o PPP deve ser revisto no início de cada ano e sempre que necessário.

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Gestão escolar: o papel de cada um

O diretor

O diretor precisa se comunicar e estabelecer parcerias com toda a comunidade, de gestores a professores, de funcionários a alunos e seus responsáveis, tendo como objetivo alcançar os melhores resultados para a escola.

Cabe também ao diretor garantir a ordem e a limpeza do ambiente escolar, assim como o funcionamento de todos os equipamentos e recursos pedagógicos necessários. Deve gerir o fluxo de caixa, mantendo as contas pagas e distribuir de maneira ordenada os investimentos para que

todos os setores sejam contemplados da melhor maneira possível. Além disso, precisa também

manter os funcionários motivados e a comunidade participativa. O diretor tem que estar sempre pronto para eventuais problemas que possam aparecer, isto é, diante de desafios, tomar decisões eficazes e rápidas, sempre que necessário.

O diretor precisa ter liderança, assumir toda a comunidade escolar como uma equipe participativa, que acredita no potencial de seus profissionais e investe em treinamentos, para que esses possam progredir, pois a escola tem de ser dinâmica. A forma como se relaciona com a comunidade faz toda a diferença, participando de todas as atividades e festividades realizadas em sua escola.

Quem exerce essa função tem de conhecer com profundidade a legislação relativa a tudo o que diz respeito à comunidade escolar. Deve, também, intermediar o diálogo entre professores e gestores, administrando possíveis desajustes ou conflitos.

É um verdadeiro líder, que trabalha junto com sua equipe em busca dos melhores resultados e benefícios para a escola.

O orientador educacional

Um dos membros da equipe gestora e também um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento pessoal de cada aluno é o orientador educacional. Ele auxilia o professor a compreender e a lidar com o comportamento da criança em sala de aula e a resolver conflitos. Lida, também, com a aquisição de valores e com o desenvolvimento das relações interpessoais dos alunos.

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O orientador educacional faz um atendimento do ponto de vista pedagógico, não terapêutico, e deve ser um observador cuidadoso do comportamento do aluno.

Um dos trabalhos mais importantes do orientador escolar é procurar conhecer a realidade da comunidade e escutar o ponto de vista de cada um, atuando como mediador de conflitos entre comunidade e escola. Na ausência de um orientador educacional, cabe a diretores, coordenadores pedagógicos ou até mesmo professores desempenhar esse papel.

O coordenador pedagógico

O coordenador pedagógico é responsável por harmonizar as relações entre aluno, professor, diretor e comunidade, tendo sempre em vista a proposta pedagógica da escola e focando na excelência do processo ensino-aprendizagem. Sua gestão deve valorizar a troca de experiências entre todos os envolvidos nesse processo e deve manter uma assessoria permanente e continuada ao trabalho do professor. O trabalho do coordenador pedagógico é dinâmico por excelência: mantendo os olhos e os ouvidos sempre atentos, ele deve moldar seu trabalho no dia a dia, de acordo com sua percepção da realidade.

Deve desenvolver a percepção de como o processo ensino-aprendizagem está caminhando no espaço escolar, avaliar sua relação com o professor e a relação do professor com os alunos, detectar as demandas do professor e definir meios para auxiliar o docente em suas práticas.

O coordenador pedagógico tem de acreditar no projeto escolar e incentivar que ele se consolide da melhor forma possível, fazendo com que a equipe de professores seja colaborativa. Além de acompanhar o professor em suas atividades de planejamento, docência e avaliação, o coordenador deve fornecer subsídios para que ele se atualize e se aperfeiçoe constantemente em sua prática educativa. O coordenador deve, ainda, estimular o professor para que seja um entusiasta de sua prática docente, disponibilizando-se como principal apoio na prevenção e enfrentamento de desafios.

Parceria entre coordenador e professor

Professor e coordenador pedagógico podem trabalhar juntos de muitas formas, sempre voltados para garantir o sucesso da aprendizagem do aluno. Enquanto o professor é responsável pelo processo de ensino-aprendizagem, o coordenador é corresponsável pela sala de aula e pela formação continuada dos professores. Tanto professores como coordenadores podem fazer o

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atendimento às famílias dos educandos. Dependendo da situação, esse atendimento poderá ser feito em conjunto.

O coordenador pedagógico deve ser um observador constante da sala de aula. Para evitar constrangimentos, tanto de professores quanto de alunos, é conveniente que essas visitas tenham dia e hora marcados e objetivos compartilhados com o professor. Ao entrar na sala, o coordenador deve pedir licença e trocar algumas palavras com os alunos de forma breve.

Após cada visita, o coordenador deverá fazer um relatório do que foi observado e compartilhar com o professor.

Esses relatórios devem ser os mais construtivos possíveis e auxiliar o professor a melhorar seu desempenho.

CHRISTINA MORILLO/PEXELS

Após cada visita à sala de aula, é fundamental que o coordenador dê o retorno ao professor.

Observando as dificuldades individuais dos alunos, tanto de aprendizagem quanto de relacionamento ou adaptação, o coordenador poderá encontrar uma solução conjunta com o professor ou a melhor maneira de encaminhar cada caso.

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O início do ano letivo

Como já vimos, o coordenador pedagógico deve fazer um acompanhamento periódico dos alunos, identificar como eles estão evoluindo e auxiliar o professor a elaborar estratégias para a sala de aula. Para isso, as expectativas de aprendizagem da escola têm de estar bem ajustadas com as atividades pensadas para cada faixa etária, aulas diversificadas e otimização do espaço escolar e das rotinas de sala de aula.

No início do ano, seria interessante preparar dinâmicas de acolhimento para os alunos. Leve em conta bebês e crianças que não frequentaram creche. Para eles, tudo é novo e desafiador, assim como para seus responsáveis. É preciso proporcionar um ambiente acolhedor em que eles se sintam seguros e confiantes.

No ato da matrícula, a família deve ser informada do período de adaptação do bebê e da criança. Seria interessante levar os novos alunos para conhecer o espaço físico da creche ou escola com antecedência e ouvir a explicação de como ela funciona. Para bebês ou crianças com mais dificuldade de se desligar da família, recomenda-se que o responsável os acompanhe à escola nos primeiros dias, até que se sintam confiantes.

Nos primeiros dias de aula, sugere-se priorizar atividades coletivas, mas sem protagonismos. Uma recepção acolhedora fará com que a criança se sinta bem e descubra que a escola é um espaço em que ela fará novas amizades. Crianças tímidas ou pouco sociáveis precisam de mais tempo para se adaptar.

PIKREPO.COM

Os primeiros dias de aula são importantes na adaptação das crianças.

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Quem é meu aluno?

Trabalhando a diversidade em sala de aula

Como já vimos, a observação diária e constante dos alunos deve ser feita tanto por professores quanto por gestores, em especial pelos coordenadores pedagógicos. Também as informações trazidas pela família são fundamentais nesse processo. Juntos, todos podem e devem refletir se a metodologia da escola favorece a aprendizagem significativa do aluno. Nessa parceria, é estabelecido o acompanhamento dos estudantes, que garantirá o sucesso da aprendizagem.

O incentivo em sala de aula deve ser suficiente para motivar o aluno a aprender, fazer novas descobertas e construir sua identidade. Dessa dinâmica, nasce a necessidade de a escola abrir espaço para lidar com as dificuldades de aprendizagem, buscando recursos para isso e sempre contando com a parceria escola, família e comunidade. É importante também refletir sobre as possíveis mudanças de estratégia de ensino, se houver necessidade.

As mudanças de estratégias de ensino podem contribuir para que todos aprendam. Em alguns casos, as estratégias de ensino não estão de acordo com a realidade do aluno. A prática do professor em sala de aula é decisiva no processo de desenvolvimento dos educandos. Esse talvez seja o momento de o professor rever a metodologia utilizada para ensinar seu aluno; através de outros métodos e atividades, ele poderá detectar quem realmente está com dificuldade de aprendizagem, evitando os rótulos muitas vezes colocados erroneamente, que prejudicam a criança e trazendo-lhe várias consequências, como a baixa estima e até mesmo o abandono escolar.

(COELHO, 1999, p. 12)

Ao receber o aluno com deficiência física ou qualquer transtorno de aprendizado,

professores e gestores devem estar atentos a como esse aluno estabelece a

comunicação e quais são as necessidades particulares dessa criança. A partir daí, o coordenador pedagógico, o professor da sala comum e o professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) podem discutir estratégias para planejar as aulas e definir as ações educativas para que o aprendizado do aluno ocorra da melhor forma possível.

Seguem, como sugestão, algumas perguntas que podem ser utilizadas para elaborar seu plano de atendimento:

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• Quem é o aluno?

• Quais as principais habilidades manifestadas por ele?

• Quais suas necessidades específicas? (decorrentes da deficiência ou apresentadas pelo ambiente escolar)

• Quais são as barreiras existentes para a participação do aluno e de seu aprendizado nas atividades escolares e que poderão ser eliminadas com a utilização de recursos pedagógicos acessíveis?

• Quais são as necessidades relacionadas a recursos pedagógicos ou de

acessibilidade apontadas pelos professores para atingir os objetivos propostos para o aluno?

• Quais são as condições de acessibilidade física da escola e da sala de aula para o aluno? Há rampas, banheiros adaptados, portas alargadas, entre outros? • Os materiais pedagógicos são adequados para uso do aluno? Há lápis e canetas

adequados à condição do aluno, alfabeto móvel, pranchas com letras e palavras, computador, teclados e mouses especiais, acionadores e outros?

• Como é a participação do aluno nas atividades propostas para sua turma? • Elaborar quantas perguntas forem necessárias para traçar um plano pedagógico

destinado ao aluno.

(BRASIL, 2014, p. 26)

Qualquer tipo de dificuldade de aprendizagem requer um desafio para o aluno, para a escola e para a família. Crianças que apresentem dificuldade devem ser respeitadas em sua individualidade. Professores e coordenadores pedagógicos devem se empenhar em elaborar projetos que envolvam essa criança no processo educacional, procurando estabelecer com ela um canal efetivo de comunicação, de modo que ela se sinta confiante e capaz de lidar com suas dificuldades.

Geralmente, crianças que possuem qualquer tipo de dificuldade de aprendizagem necessitam de mais atenção. Então, é importante que professores e coordenadores valorizem cada atividade que ela faz, cada conquista alcançada, para que ela se sinta menos insegura, mais valorizada e em situação de igualdade perante seus pares.

É importante ressaltar que algumas crianças podem apresentar dificuldades de aprendizagem ou pouca concentração, que podem estar relacionadas a outros fatores, como problemas na família, desnutrição, problemas de relacionamento com professores ou colegas, entre outros. Esses casos exigem um acompanhamento mais próximo, porém não costumam ser

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tão difíceis de resolver. Entretanto, há crianças com dificuldades de aprendizagem de natureza neurobiológica.

Vamos conhecer alguns possíveis transtornos de aprendizagem.

Transtornos de aprendizagem

Quanto mais cedo os transtornos de aprendizagem forem identificados, melhor para o bebê ou a criança, pois existem tratamentos que minimizam sua influência no processo de aprendizagem e desenvolvem as habilidades da criança, fazendo com que ela possa aprender da melhor maneira possível.

Assim, em âmbito escolar e familiar, todos devem ficar atentos a algo diferente no desempenho pedagógico das crianças, de forma que os responsáveis possam buscar a análise e o diagnóstico de um especialista.

A seguir, apresentamos os transtornos de aprendizagem mais comuns.

TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurológico de provável origem genética que costuma aparecer na infância e pode acompanhar a pessoa a vida toda. Ele é caracterizado pela incapacidade involuntária da criança em manter a atenção no que está sendo ensinado, além de problemas com disciplina e organização.

Dislexia

É um distúrbio neurobiológico e genético no qual a criança apresenta uma desordem nas informações recebidas que acabam atrapalhando o processo de entendimento das letras e interferindo na escrita.

Disgrafia

A criança que apresenta esse distúrbio tem como característica uma escrita ilegível, decorrente de alterações na coordenação motora fina, ritmo e movimento, o que sugere um transtorno motor.

Discalculia

É uma desordem neurológica específica que dificulta a habilidade de a criança compreender e manipular números, e não está ligada a problemas de visão ou audição.

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A educação inclusiva

A Constituição Federal de 1988 determina a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola para todos e, também, a oferta de Atendimento Educacional Especializado (AEE), preferencialmente no ensino regular.

Portanto, a inclusão de crianças com necessidades especiais na escola é direito garantido por lei. Os gestores precisam estar atentos para garantir as melhores condições de aprendizagem.

A oferta de Atendimento Educacional Especializado é uma das ações que têm proporcionado mudanças significativas na organização da escola e na qualidade das respostas dadas às necessidades dos alunos.

O atendimento referente à Educação Inclusiva não é o mesmo destinado aos alunos em recuperação, com problemas de comportamento, indisciplina ou dificuldades de aprendizagem ou de relacionamento com os colegas e professores, pois são coisas diferentes.

Necessitam das ações destinadas à Educação Especial, os alunos com:

• Deficiência.

• Transtornos globais de desenvolvimento.

• Altas habilidades/superdotação.

Vamos conhecer algumas condições que requerem atenção especial.

Deficiência física

Deficiência física não é sinônimo de déficit cognitivo. Alunos com algum tipo de deficiência poderão ter dificuldades para escrever ou falar, mas essas dificuldades ocorrem em função do comprometimento da coordenação motora. Portanto, a aprendizagem da leitura e da escrita deve ser abordada de forma conceitual, e não mecânica.

Estratégias para o atendimento especializado do aluno com deficiência física

O aluno com deficiência física precisa de espaço físico adequado e de ações pedagógicas individualizadas, tendo como suporte materiais pedagógicos que atendam às necessidades motoras e as formas de comunicação desse aluno.

Juntos, professores e coordenadores pedagógicos devem avaliar as possibilidades do aluno quanto a acuidade visual, habilidades perceptivas e motoras, preensão manual, movimentos dos membros superiores e inferiores, habilidades cognitivas de compreensão e expressão, para fazer a escolha de recursos de comunicação alternativos para a educação especial, que consiste em um

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conjunto de procedimentos técnicos e metodológicos direcionado a pessoas com alguma

deficiência. Para facilitar o acesso à escrita e à leitura de pessoas com deficiência física,

muitas alternativas estão disponíveis e podem ser construídas, como, por exemplo: o uso de pranchas de comunicação, computador, lápis e canetas adaptados.

A avaliação do aluno com deficiência física deve levar em consideração a forma de se comunicar desse aluno. Nesse processo, convém contar com o auxílio do professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que poderá indicar os elementos necessários para a comunicação alternativa com esse aluno.

No portal do MEC, é possível encontrar diversas ideias de recursos de comunicação alternativa que você pode adotar, realizando as adaptações necessárias para seus alunos e sua escola. Disponível em: https://livro.pro/qitrud. Acesso em: 21 set. 2020.

Deficiência intelectual

Alunos com deficiência intelectual possuem dificuldades específicas de aprendizagem, mas nem todos os alunos com dificuldades de aprendizagem têm essa deficiência. O desempenho escolar desse aluno dependerá essencialmente das oportunidades e possibilidades que o professor e o ambiente escolar proporcionar a ele, evitando simplesmente oferecer atividades de repetição, memorização e de treino motor, procurando sempre envolvê-los em situações reais.

Do que o aluno com deficiência intelectual precisa? Em termos gerais, do mesmo que os demais alunos: oportunidades, motivação, desafios para vencer os próprios limites, inserção em tarefas de cooperação e convívio social, atividades próximas aos interesses deles e com base em experiências que tenham vivenciado.

Estratégias para o atendimento especializado do aluno com deficiência intelectual

A parceria entre professores e coordenadores pedagógicos é essencial para fazer a inclusão do aluno com deficiência intelectual no processo de ensino-aprendizagem. O primeiro passo é incluí-lo no planejamento diário. Mesmo que ele não adquira os conhecimentos na mesma etapa de desenvolvimento que os demais alunos, as atividades propostas devem ser ajustadas para que

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ele participe da aula tanto quanto os demais alunos e faça progressos no seu aprendizado individual.

No documento Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Educação Inclusiva (BRASIL, 2014) é possível encontrar imagens de materiais confeccionados nas salas de Recursos Multifuncionais pelas professoras Simone Alves Piardi, da Escola Municipal Aroldo de Freitas, e Márcia Marchette, da Escola Municipal Clementina Cruz, ambas no município de Pinhais (PR), para o uso em atividades com alunos com deficiência intelectual.

O uso de recursos pedagógicos como tangram, material dourado e geoplano podem auxiliar os alunos na aprendizagem dos conceitos de numeracia. Esses materiais são indicados não somente para alunos com alguma deficiência, mas para todos os alunos da Educação Infantil.

Deficiência auditiva: surdez

Conforme Decreto Federal nº 5.626/2005, considera-se a pessoa surda “[...] aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras”.

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Um aluno surdo só terá possibilidade de aprendizado em um ambiente com recursos que possibilitem a ele as condições necessárias, como um mediador que faça a tradução em Libras das aulas.

Tendo em vista que o processo de aquisição de linguagem acontece da mesma forma em crianças surdas e ouvintes, é importante que as crianças surdas sejam expostas o mais cedo possível a um ambiente linguístico em Libras para que possam vivenciar as experiências que a linguagem possibilita.

Estratégias para o atendimento especializado do aluno com deficiência auditiva

O atendimento educacional especializado para os alunos surdos envolve três momentos didáticos pedagógicos:

1. Todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares são explicados em Libras

por um professor, preferencialmente surdo. A fluência em língua de sinais e o uso de imagens visuais são requisitos essenciais para a compreensão e formação de novos conceitos.

2. Os alunos terão aulas de Libras. Nos anos iniciais, é fundamental que o professor trabalhe

com contação de histórias, que promova situações didáticas e lúdicas que favoreçam o processo de aquisição da linguagem e conhecimento de mundo das crianças surdas.

3. Os alunos surdos também terão o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua.

O coordenador pedagógico deve:

a) Articular sistematicamente, e durante todo o ano letivo, o planejamento das aulas voltadas para o aluno surdo feito pelo professor da sala comum e pelo professor do AEE,

contemplando atividades que favoreçam a interação social e escolar do aluno. b) Colocar a família a par de todo o trabalho pedagógico desenvolvido na escola.

c) Atuar para garantir a diversidade de materiais pedagógicos para a sala e para evitar que essa sala se transforme em um espaço de reforço escolar. Os cadernos de Alfabetização Matemática, por exemplo, estão repletos de atividades lúdicas e com materiais que podem ser adaptados no sentido de promover a participação de todos.

(22)

Deficiência visual: cegueira

O processo de aprendizagem dos alunos cegos se faz a partir dos sentidos remanescentes: tato, audição, olfato e paladar, exigindo o uso de brinquedos e materiais que facilitem a discriminação de tamanho, textura, volume, peso, identificação de sons, desenvolvimento da consciência corporal e que despertem a curiosidade, a vontade e a coragem para movimentar-se e participar em atividades coletivas, tanto com autonomia quanto com ajuda e apoio dos colegas.

A criança cega tem o mesmo potencial de desenvolvimento e aprendizagem que as outras

crianças, desde que se eliminem ou contornem as barreiras ou os obstáculos que dificultem

esse processo.

O trabalho de sistematização da escrita deve utilizar o Sistema Braille.

IMAGENS: ALFABETO BRAILLE

Alfabeto e algarismos em Braille.

A falta de acessibilidade física ou de comunicação prejudica de modo decisivo o processo de aprendizagem da pessoa cega. Essas crianças – como qualquer criança – precisam de um ambiente que favoreça seu processo de alfabetização e letramento, para isso precisam ter as possibilidades de brincar e participar de todas as situações no contexto escolar.

Deficiência visual: baixa visão

A baixa visão é caracterizada por pessoas que apresentam comprometimento do funcionamento visual em ambos os olhos, mesmo depois de tratamentos de correção.

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Ao lidar com alunos com baixa visão, deve-se considerar que cada aluno é diferente do outro. Assim, é importante que gestor e professor identifiquem qual é a distância mais adequada para aquele aluno enxergar, se o local em que ele se senta na sala de aula tem luminosidade suficiente e qual o tamanho ideal para letras e ilustrações, por exemplo.

Há equipamentos destinados a alunos com baixa visão que devem ser utilizados tanto na sala comum como na sala de AEE, como, por exemplo, a prancheta inclinada, que permite ao aluno manter uma postura adequada.

Deve-se usar cores fortes nos materiais para aumentar o contraste, cadernos com pautas acentuadas e largas, lápis com grafite mais escuro e mais grosso.

Existem muitos equipamentos que permitem a ampliação do material, como lupas

manuais, óculos especiais e telescópios. Eles devem ser utilizados sempre com a orientação de um oftalmologista.

DS_30/PIXABAY

Estratégias para o atendimento especializado do aluno com deficiência visual

Além do AEE, a área da Deficiência Visual conta também com serviços de apoio especializados nos Centros de Apoio Pedagógico e Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAPs).

O professor do AEE tem como um de seus objetivos ensinar o Sistema Braille aos alunos cegos. A necessidade desse sistema deverá ser introduzida de forma gradual em situações cotidianas.

(24)

J P DAVIDSON/FLICKR

Como preparação para o ensino do Sistema Braille, os alunos devem ter contato com jogos e atividades que estimulem o tato.

O coordenador pedagógico deve trabalhar junto com o professor do AEE e o professor da turma no planejamento de todas as estratégias metodológicas a serem utilizadas com alunos com deficiência visual e na confecção de materiais pedagógicos adequados.

É interessante a aplicação de jogos que estimulem o tato o mais cedo possível, adaptando brincadeiras conhecidas ou produzindo materiais didáticos acessíveis.

De acordo com o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: Educação Inclusiva (PNAIC):

Um trabalho específico a ser desenvolvido é o da Orientação e Mobilidade (OM) para que a pessoa cega possa desenvolver autonomia na locomoção, tanto no ambiente escolar quanto fora dele. Mover-se de forma orientada, com sentido, direção e utilizando de

várias referências, é importante para se chegar ao local desejado e este é um trabalho

de referência importante no contexto da alfabetização matemática.

(BRASIL, 2014, p. 47)

Veja a seguir algumas sugestões de atividades para serem trabalhadas com crianças com deficiências visuais. Esse momento pode servir de apoio para os educadores aplicarem o acompanhamento individual dos alunos. Esse acompanhamento tem por objetivo guiar o educador para garantir o sucesso da aprendizagem e a formação integral dos alunos.

(25)

A caixa passa figuras e os jogos de encaixe abrem muitas possibilidades de compreensão para a criança com deficiência visual, pois, com a possibilidade de manusear objetos, ela elabora as informações sobre tamanho, forma, peso, consistência, espessura, densidade, textura, dentre outras. Além disso, desenvolve-se trabalho com o tato.

SIGMUND/UNSPLASH.COM

O ábaco ajuda na compreensão dos números e do sistema de numeração decimal e facilita a realização de contagens e de operações matemáticas para as pessoas com deficiência visual. É um material de baixo custo e grande durabilidade e pode ser usado a partir da pré-escola.

O tangram é outro material

sólido importante, pois favorece a

percepção das relações geométricas, o

raciocínio e a criatividade. Na internet, é possível encontrar muitas sugestões para explorar o tangram em sala de aula.

KATHY CASSIDY

O material dourado pode ser usado para auxiliar crianças com deficiência visual em atividades simples de contagens, para auxiliar em operações fundamentais (algoritmos) e na aprendizagem do sistema de numeração decimal. Com o material dourado, as relações numéricas abstratas passam a ter uma representação concreta, facilitando a compreensão do conteúdo pelos alunos e tornando a aprendizagem da matemática mais agradável.

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GENEVIEVE

O geoplano é um excelente recurso didático e pedagógico para trabalhar com os alunos cegos ou com baixa visão pois auxilia a construção da representação mental e uma etapa para o caminho da abstração, proporcionado experiências de aprendizado significativas para os alunos e facilitando o trabalho de exploração das habilidades espaciais.

Com potes de margarina, tampinhas de garrafa PET, numerais feitos em EVA e o

correspondente em Braille, é possível construir uma oficina para trabalhar a ideia de quantidade.

O pote com o número em alto-relevo auxilia na compreensão entre o número e a quantidade que ele representa. Dentro de cada pote deve ter a quantidade de tampinhas correspondente.

Outra sugestão é confeccionar um jogo de memória tátil com figuras geométricas planas. Para isso, é só recortar as figuras geométricas em uma lixa bem fina, para que não machuque as crianças, e colar as figuras em cartelas de papelão reciclável de forma a construir os pares do jogo da memória.

Veja o trabalho com outros materiais no documento Pacto Nacional

pela Alfabetização na Idade Certa: Educação Inclusiva. Brasília:

MEC/SEB, 2014. p. 42-44. Disponível em: https://livro.pro/tf9w6w (acesso em: 15 set. 2020).

Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)

Alunos com TGD apresentam alterações qualitativas nas interações sociais e na comunicação, tendo um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Uma estereotipia é, por exemplo, balançar os braços em situações diferentes de sentimentos. Nessa categoria, encontram-se os alunos com autismo ou com psicose infantil. A partir da promulgação da Lei Federal nº 12.764/12, em dezembro de 2012, as pessoas com transtorno do espectro autista passam a ser consideradas como pessoas com deficiência.

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Estratégias para o atendimento especializado do aluno autista

Lidar com autistas no processo de ensino-aprendizagem é altamente desafiador, pois as manifestações desse transtorno variam de pessoa a pessoa. Além de dificuldades na interação social e comprometimentos na fala, por exemplo, o autista costuma apresentar interesse por rotinas diárias com enorme resistência a mudanças.

O ambiente escolar é de suma importância para o aluno autista, pois, como ele apresenta dificuldade em interagir socialmente, se forem isolados, isso contribuirá para reforçar suas dificuldades.

É importante que o gestor esteja ciente que o ambiente escolar é algo totalmente novo para o autista, a presença de crianças e funcionários, que são pessoas com quem ele não está acostumado a interagir, pode ser desafiador em um primeiro momento. Por esse motivo, cabe ao gestor em parceria com o professor proporcionar à criança autista uma primeira experiência no ambiente escolar bem próxima àquela que ela está acostumada.

Algumas ações podem auxiliar no processo de ensino e aprendizagem da criança autista:

• o aprendizado deve ser realizado a partir de situações reais;

• valorizar o processo e a singularidade de cada aluno, evitando comparações sem sentido;

• estabelecer a organização de rotinas para a criança;

• proporcionar atividades em dupla e em grupos, possibilitando a referência de modos de agir e participação por meio de seus pares;

• proporcionar ações com envolvimento de outros alunos;

• dirigir-se verbalmente ao aluno autista durante as atividades em sala de aula; • propor práticas e intervenções novas e diferenciadas, considerando a

organização do trabalho ao tempo e necessidade dos alunos;

• pensar formas de avaliação que contemple a heterogeneidade da sala de aula, e não uma avaliação pautada na homogeneidade que contribua para a exclusão.

(BRASIL, 2014, p. 48-49.)

Se o aluno com TGD precisar de apoio educacional especializado, é necessário que ele frequente o AEE para complementar sua escolaridade, em um trabalho articulado entre o professor da turma comum e o professor de AEE. Assim, as atividades propostas devem ampliar as habilidades do aluno e promover sua aprendizagem.

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Para um bom resultado no trabalho com o aluno com TGD, principalmente aquele com transtorno do espectro autista, além da escola, é fundamental o envolvimento da família e das áreas de saúde e de assistência social.

Alunos com altas habilidades/superdotação

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), os alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse.

O aluno superdotado faz parte do público-alvo da Educação Inclusiva e também necessita de estratégias pedagógicas específicas, pois nem sempre ele alcança desempenhos satisfatórios em suas tarefas escolares, além de muitas vezes apresentar um comportamento agitado.

A identificação da superdotação nem sempre é algo fácil de ser realizada durante o processo de escolarização. Conforme descreve Guimarães e Ourofino (2007), entre alguns traços comuns presentes nos alunos com altas habilidades/superdotação, destacam-se:

• Alto grau de curiosidade; • Boa memória;

• Atenção concentrada;

• Persistência; independência e autonomia; interesse por áreas e tópicos diversos; facilidade de aprendizagem; criatividade e imaginação;

• Iniciativa; liderança;

• Vocabulário avançado para sua idade cronológica; riqueza de expressão verbal (elaboração e fluência de ideias);

• Habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas; • Facilidade para interagir com crianças mais velhas ou com adultos; • Habilidade para lidar com ideias abstratas;

• Habilidade para perceber discrepâncias entre ideias e pontos de vista; • Interesse por livros e outras fontes de conhecimento;

• Alto nível de energia;

• Preferência por situações/objetos novos; senso de humor; • Originalidade para resolver problemas.

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Estratégias para o atendimento especializado dos alunos com altas habilidades

No caso de alunos superdotados, o trabalho do AEE deve ser articulado com o gestor e o professor da sala de aula comum e deverá ter por objetivo suplementar a formação do aluno com execução de atividades que enriqueçam o ensino regular voltadas principalmente para as áreas de maior interesse e habilidade do aluno.

O aluno superdotado deve frequentar a sala regular como aluno comum em um turno e no outro frequentar o AEE.

Os objetivos do atendimento educacional especializado são:

• Maximizar a participação do aluno na classe comum do ensino regular, beneficiando-se da interação no contexto escolar;

• Potencializar a(s) habilidade(s) demonstrada(s) pelo aluno, por meio do enriquecimento curricular previsto no plano de atendimento individual;

• Expandir o acesso do aluno a recursos de tecnologia, materiais pedagógicos e bibliográficos de sua área de interesse;

• Promover a participação do aluno em atividades voltadas à prática da pesquisa e desenvolvimento de produtos; e

• Estimular a proposição e o desenvolvimento de projetos de trabalho no âmbito da escola, com temáticas diversificadas, como artes, esporte, ciências e outras.

(DELPRETTO et al., 2010, p. 23)

Indicamos a seguir alguns artigos com sugestões interessantes para trabalhar a inclusão na escola:

DINIZ, Giovanna. 7 materiais de apoio para a inclusão de alunos com deficiência na escola. Nova Escola, Gestão escolar, jun. 2019. Disponível em: https://livro.pro/3bmgke.

GONZAGA, Ana. Materiais adaptados ajudam a incluir. Nova

Escola, Gestão escolar, jul. 2012. Disponível em: https://livro.pro/8ywh8b.

LOPES, Noêmia. 24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão. Nova Escola, Gestão escolar, jun. 2010. Disponível em: https://livro.pro/vtkwri.

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O papel do gestor na preparação para a

alfabetização

O Brasil é um país de extensões continentais e cada uma de suas regiões tem suas particularidades, o que faz com que também existam variações significativas de uma região para outra quanto à gestão educacional.

Considerando a importância do gestor na elaboração e execução de planos de trabalhos para atender às necessidades das aprendizagens da criança, sem dúvida alguma, cabe a ele, em parceria com professores e comunidade, estabelecer as diretrizes que a escola seguirá em relação ao processo de preparação para a alfabetização, principalmente no que diz respeito às atividades relacionadas a literacia e numeracia.

É importante ressaltar que o documento da PNA (BRASIL, 2019b), com base na ciência cognitiva da leitura, define alfabetização como o ensino das habilidades de leitura e de escrita em um sistema alfabético, aquele que representa com os caracteres do alfabeto (letras) os sons da fala.

Para desempenhar bem seu papel em uma função de tamanha responsabilidade, o gestor deve conhecer profundamente os processos de ensino-aprendizagem, assegurando a construção das competências e habilidades necessárias para a emancipação dos alunos.

Pesquisas descritas no documento National Early Literacy Panel (2009) mostram que o desenvolvimento de certos conhecimentos e habilidades de leitura e escrita na pré-escola favorece não só o processo de alfabetização formal da criança, mas toda sua vida escolar.

É durante a primeira infância, na creche, na pré-escola e também dentro de casa, que o bebê ou a criança deve ter contato com diferentes práticas de literacia, mesmo que de forma emergente, ouvindo histórias lidas e contadas, cantando quadrinhas, recitando poemas e parlendas, familiarizando-se com materiais impressos (livros, revistas e jornais), reconhecendo as letras, seus nomes e sons, tentando representá-las por escrito, identificando sinais gráficos ao seu redor, entre outras atividades de maior ou menor complexidade.

Por esse motivo, gestores e professores devem estabelecer um plano de aula que contemple de maneira efetiva e, ao mesmo tempo lúdica, os componentes essenciais de preparação para a alfabetização estabelecidos pela PNA, que são:

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• Consciência fonológica e fonêmica;

• Conhecimento alfabético;

• Desenvolvimento de vocabulário;

• Compreensão oral de textos;

• Produção de escrita emergente.

Também é nesta fase, na escola ou em casa, que a criança passa a ter o primeiro contato com conhecimentos elementares de numeracia. Esse contato ocorre desde a descoberta da própria idade, mostrando-a com os dedos da mão, dos números de telefone e números associados a seu endereço residencial, até o reconhecimento dos algarismos, das quantidades, das ideias de adição, subtração e proporções simples, formas geométricas, além de noções de localização, posicionamento, espacialidade, direcionalidade, tempo, tamanho, peso e volume, sempre estimulando o raciocínio lógico e o raciocínio matemático.

Outras atividades desenvolvidas também podem contribuir diretamente no

desenvolvimento da criança visando à futura alfabetização formal. O desenho, a pintura, a colagem e a modelagem, por exemplo, são atividades muito apreciadas pelas crianças, por trabalhar com materiais coloridos e com texturas variadas e por permitir-lhes comunicar-se e expressar sentimentos.

É no conjunto das experiências, interações, explorações e conhecimentos desenvolvidos na creche e na pré-escola, de forma lúdica, que a criança se desenvolve de maneira natural. Concomitantemente, a prática sistemática de atividades voltadas para a literacia emergente e a numeracia, seguindo um planejamento elaborado com fundamentação científica, constituirá uma base sólida para o prosseguimento da alfabetização formal. E o gestor, como peça fundamental em toda essa engrenagem envolvendo o processo de ensino-aprendizagem ao longo da primeira infância, precisa estar atento a cada detalhe que envolve essa etapa.

Algumas rotinas podem ser implementadas pelo gestor para auxiliar no processo de avaliação, monitoramento e ajuste do plano de ensino, visando garantir na Educação Infantil as habilidades necessárias para a futura alfabetização formal:

• Reuniões de planejamento com os educadores a fim de estabelecer, com eles, a melhor

maneira para alfabetizar;

• Grupos para a criação e confecção de jogos que estimulam a literacia e a numeracia;

• Monitoramento dos níveis de aquisição de leitura e escrita pelos alunos ao longo do ano

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• Reuniões com os pais ou responsáveis pelas crianças para abordar sugestões de práticas relacionadas à literacia familiar e também para dar feedback a respeito da evolução ou dificuldade do aluno.

O coordenador deve adotar como rotina o acompanhamento dos alunos em sala de aula, observar, registrar em relatórios e discutir com os professores, orientando e dando sugestões de acordo com as dificuldades apresentadas pelas crianças. Conhecer muito bem os alunos, a melhor maneira de inseri-los em grupo e com quem podem interagir de forma mais produtiva são condições para o planejamento de atividades em aula. Isso não deve ser feito para vigiar as crianças e fazer cobranças, mas sim como um trabalho de parceria e um diagnóstico para levantamento das necessidades de aprendizagem.

Por esse motivo, o coordenador precisa estar atento aos movimentos que acontecem em sua escola, identificar os problemas e procurar por soluções. As respostas são encontradas quando todos podem ver claramente que existe uma dificuldade. Depois disso, faz parte do trabalho coletar, quantificar e analisar dados específicos.

Esse monitoramento simples muitas vezes permite que a coordenação possa acompanhar e intervir, principalmente quando se percebe as dificuldades de aprendizagem por parte dos alunos. Para que possa produzir mudanças, o educador precisa buscar novos conhecimentos e saber como aplicá-los em sala de aula, contando com o auxílio da formação continuada. Alfabetizar é uma das maiores dificuldades dos professores e, por isso, o tema precisa ser trabalhado constantemente pelo coordenador pedagógico.

Portanto, o processo de formação precisa ser menos idealizado e mais próximo da realidade, levando em conta a experiência cotidiana e os saberes adquiridos na prática.

Cabe ao coordenador pedagógico orientar, observar e avaliar os encaminhamentos constantemente, pois sempre é possível qualificar, melhorar e aperfeiçoar a rotina, as atividades, a comunicação com as famílias e vários outros aspectos que podem ser foco de tematização nos grupos de formação. É na reflexão coletiva que encontramos as melhores soluções.

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Dicas de projetos de alfabetização

Alguns projetos voltados à alfabetização podem colaborar com o trabalho dos gestores e professores no processo de desenvolver as habilidades preparatórias para alfabetização. Confira:

Alfaletrar

A plataforma, idealizada pelo Cenpec em parceria com a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Magda Becker Soares, apresenta conteúdos teóricos e práticos sobre alfabetização e letramento, por meio de vídeos, infográficos, fotos, textos e cursos on-line. (Disponível em: https://livro.pro/gejh3q, acesso em: 21 set. 2020.)

Projeto Trilhas

O portal tem como objetivo dar suporte aos professores e gestores durante o processo de alfabetização. Nele, é possível participar de cursos à distância gratuitos, referenciados pela BNCC, e fazer download do kit de apoio que contém cadernos de orientação e de indicações literárias, jogos de linguagem e cartelas para atividades. (Disponível em: https://livro.pro/cxtknu, acesso em: 21 set. 2020.)

Tempo de Aprender

Desenvolvido pelo MEC a partir das diretrizes da PNA, este programa de alfabetização tem como objetivo enfrentar as principais causas das deficiências da alfabetização no país, oferecendo formação continuada de profissionais da alfabetização, apoio pedagógico, aprimoramento das avaliações e valorização dos professores. (Disponível em: https://livro.pro/n59mn7, acesso em: 21 set. 2020.)

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Atividades voltadas para a Educação Infantil

São apresentadas a seguir sugestões de atividades para serem compartilhadas com professores e coordenadores pedagógicos, as quais favorecem o trabalho com literacia e numeracia, trabalham a concentração, a organização espacial, a lateralidade, a coordenação motora, além de promover o desenvolvimento da oralidade e a sociabilização das crianças. São brincadeiras simples, sendo que muitas delas ultrapassam gerações.

Uma vez identificados os alunos que precisam de mais atividades desse tipo, professores e gestores podem, em parceria, estabelecer uma estratégia que garanta a aplicabilidade delas em sala de aula, em atendimentos individuais ou no ambiente familiar, garantindo a aprendizagem dos alunos.

Lembramos que essas são apenas algumas sugestões e que outras opções devem ser buscadas, principalmente levando em conta as preferências e interesses individuais dos alunos, ou a necessidade de reforçar uma ou outra habilidade, de forma a garantir o sucesso da aprendizagem.

Brincar e jogar

As brincadeiras e jogos estimulam, desenvolvem e aprimoram aspectos como criatividade, coordenação motora e cooperação. A escolha de jogos e brincadeiras com intencionalidade pedagógica deve ser responsabilidade dos gestores e professores.

Exercícios que estimulam o raciocínio lógico

Jogos de memória, jogos com cartas ou quebra-cabeça e jogos de encaixe são exemplos de atividades que exigem concentração, planejamento e memorização. É possível variar esses jogos explorando imagens, palavras e números.

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Massinha de modelar

A criança pode brincar com massinha, modelando livremente objetos, animais, pessoas ou o que ela imaginar.

As modelagens podem ser enfeitadas com pequenos pedaços de papel, palitos, folhas, gravetos etc. Pode-se também pedir que modelem determinadas figuras.

Nessa atividade, aparentemente tão simples, as crianças desenvolvem a orientação espacial e de temporalidade, a coordenação motora e a criatividade.

SHARON MCCUTCHEON/PEXELS

Atividades que exploram sequenciamento

Há vários jogos que exploram sequência de figuras ou de cores, sequências numéricas ou sequência alfabética. A ideia de sequência também pode ser explorada seguindo os passos de uma receita culinária, sempre supervisionada por um adulto. Todas essas atividades são excelentes para o desenvolvimento do raciocínio lógico.

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Atividades com música

As músicas podem estar associadas a brincadeiras que exploram concentração, movimento e organização espacial, como a tradicional brincadeira da dança da cadeira. Convém utilizar músicas que as crianças conheçam bem para que elas não encontrem mais dificuldades ao ter de dividir a atenção entre os movimentos e a letra da música.

Caminhando em linha

Trace uma linha que pode ser reta ou sinuosa usando giz ou fita adesiva presa ao chão. A criança deve se deslocar sobre a linha colocando pé ante pé, sem sair da marca, até o final. Pode-se variar a brincadeira pedindo à criança que percorra a linha reta pulando em um pé só.

Essa brincadeira trabalha consciência corporal, equilíbrio e coordenação motora ampla.

Amarelinha

Basta um pedaço de giz e está pronta a brincadeira.

Essa tradicional brincadeira popular é excelente para trabalhar:

• numeracia;

• equilíbrio;

• consciência corporal;

• coordenação motora fina.

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Ouvir e interagir com histórias

Ao ler para o aluno, é possível pausar de vez em quando a leitura e fazer perguntas a respeito do que aconteceu ou do que ele acha que vai acontecer na história. Há, também, disponíveis no mercado, vários livros de história em áudio.

Entra, sai e troca lugar na roda

O professor deve organizar as crianças em roda e em pé e pedir que observem os colegas atentamente para memorizar a posição de cada um na roda. Uma criança sai da sala e dois alunos trocam de lugar na roda. A criança que saiu retorna e deve identificar quais crianças trocaram de lugar.

Essa brincadeira é ótima para trabalhar concentração, motricidade, orientação espacial e lateralidade.

Atenção aos detalhes

Nessa atividade, solicita-se à criança que desenhe ou escreva espontaneamente nomes de elementos encontrados na sala de aula. Pode-se associar essa brincadeira ao sorteio de uma letra do alfabeto e, nesse caso, os objetos escolhidos devem iniciar por essa letra. É uma atividade que exige bastante atenção do aluno na busca de detalhes.

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Criação coletiva de histórias

As crianças devem folhear revistas para escolher figuras para recortar e colar em folhas de sulfite. Cada criança escolherá uma figura para ser colada em uma folha. Em seguida, sorteie as crianças para que, uma a uma, colem a folha com a figura em um barbante comprido, que, depois, será esticado, formando um varal de imagens. Cada criança, ou dupla, percorre o varal inventando uma história para a sequência formada.

Essa atividade exige concentração, organização e planejamento, além de desenvolver a coordenação motora fina, a noção espacial, a oralidade, a socialização e a noção de temporalidade.

Dominó

Esse jogo antigo é perfeito para trabalhar com as crianças números e as ideias de adição e subtração. Exige foco, atenção, coordenação motora e raciocínio lógico. Trabalha o respeito às regras e a socialização, além de ser indicado para ser jogado em família.

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O faz de conta

Crianças distraídas podem passar muito tempo em suas fantasias. É importante abrir espaço para que essas crianças possam manifestar suas emoções e expressar seus sentimentos, imitando animais, personagens de desenhos infantis ou super-heróis preferidos.

Proponha uma atividade interativa em que as crianças possam se divertir em um teatrinho de faz de conta com improvisação de um cenário ou uso de fantoches.

Desafios em forma de brincadeira

Crianças com dificuldade de concentração e que demonstrem hiperatividade enfrentam desafios em algumas brincadeiras. Na brincadeira “Estátua”, por exemplo, as crianças devem se movimentar e, a um sinal do professor, ficar imóveis, parando na posição em que estavam no momento desse sinal – ganha o jogo aquela que ficar mais tempo sem se mexer. Já na brincadeira “Vivo ou morto”, as crianças devem se agachar quando ouvirem o termo “morto” e permanecer em pé quando ouvirem o termo “vivo” – o professor deve alternar os termos sem uma lógica estabelecida, procurando prender a atenção da criança. A brincadeira “Lenço atrás” também exige a atenção do aluno, que deve ficar atento para o momento em que o lenço for colocado no chão, para perceber se não foi ele o escolhido. Essas brincadeiras exploram também consciência corporal, lateralidade e o equilíbrio.

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