Leonardo Vieira Neto
Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de
Janeiro
Serviço de Endocrinologia do Hospital Federal da Lagoa
Conflitos de interesses
Conselho Federal de Medicina (1595/2002) e resolução da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (RDC 102/2000).
Não há conflitos a declarar.
Bolsas de fomento
CNPq – Universal (2014)
FAPERJ – Jovem CienMsta do Nosso Estado (2015)
CNPq – Bolsa de ProduMvidade (2015)
Agenda
ü
Epidemiologia
ü
Avaliação laboratorial & imagem
ü
Hipersecreção
ü
Risco de malignidade
Definição & Epidemiologia
ü
Lesão ≥ 10 mm na adrenal descoberta ao acaso por meio de
exames abdominais de imagem, na invesMgação de distúrbios
não relacionados a patologias adrenais
ü
Prevalência
ü
Autópsias: 1,4 – 2,9%
ü
Aumenta com a idade: de <1% entre os indivíduos com menos de
30 anos de idade
vs
. 10% naqueles ≥70 anos.
Condição médica da modernidade e do envelhecimento
Geelhoed e Druy, Surgery 1982; Prinz et al., J Am Med Assoc 1982; Aron et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012; Arnaldi e Boscaro, Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012; Barzon, Eur J Endocrinol 2003.
Epidemiologia
Barzon et al., Eur J Endocrinol 2003.
Prevalência de incidentaloma adrenal em séries de autópsias
Nº de pacientes
Prevalência (%)
Total Mulheres Homens Rineheart et al. 1941 100 3,0 -‐ -‐ Russi et al. 1945 9000 1,45 2,0 1,2 Commons & Callaway 1948 7437 2,86 2,84 2,88 Schroeder 1953 4000 1,38 -‐ -‐ Devenyi 1967 5120 3,55 3,62 3,61 Kokko et al. 1967 2000 1,05 -‐ -‐ Hedeland et al. 1968 739 8,7 7,16 10,34 Yamada & Fukunaga 1969 948 5,4 -‐ -‐ Granger & Genest 1970 2425 2,52 2,43 2,58 Russell et al. 1972 35000 1,97 2,05 1,92 Abecassis et al. 1985 988 1,90 -‐ -‐ Meagher et al. 1988 2951 5,0 -‐ -‐ Reinhard et al. 1996 498 5,0 -‐ -‐
Epidemiologia
Percentual de indicações mais comuns de solicitação de exames de
imagem em tórax/abdome
Arruda et al. Características Clínicas e Laboratoriais dos Pacientes com Incidentaloma Adrenal de um Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Pôster apresentado no CBEM 2016.
33 17 16 9 5 3 17 Dor abdominal Aparelho Urinário Trato GastrointesYnal Lombagla Aparelho respiratório Metástases Outras causas
Epidemiologia
ü
Pico de incidência entre a 5
a
e a 7
a
décadas
ü
Não há predileção por sexo
ü
Em 50 – 60% dos casos adrenal D; 30 – 40% adrenal E
ü
Bilateral em 10 – 15% dos casos
ü
Metástases, hiperplasia adrenal congênita, infecção, síndrome de
Cushing ACTH-‐dependente e feocromocitoma
Geelhoed e Druy, Surgery 1982; Prinz et al., J Am Med Assoc 1982; Aron et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012; Arnaldi e Boscaro, Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012; Barzon, Eur J Endocrinol 2003; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2011.
Incidentaloma
adrenal: ambulatório de doenças
adrenais do HUCFF/UFRJ
Epidemiologia
Frequência
Idade (anos)
60 (28-81)
F/M (%)
81,9/18,1
Brancos/Não
brancos (%)
56,9/43,1
Total de
pacientes
144
Idade expressa em mediana (min-máx) F = feminino; M = masculino
Arruda et al. Características Clínicas e Laboratoriais dos Pacientes com Incidentaloma Adrenal de um Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Pôster apresentado no CBEM 2016.
Etiologia
Adaptado de Arnaldi e Boscaro, Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012
N = 380
Adenoma não-funcionante
Cushing subclínico
Feocromocitoma
Mielolipoma
Carcinoma adrenocortical
Metástase
Aldosteronismo primário
Questões
Benigno X Maligno
Status funcional
Tipo
N
ocasos/N
oincidentalomas
funcionantes (IF)
[%]
N
o
casos IF/Total
casos
(%)
Adenoma secretor de
corYsol
92/150
(61,30)
92/1004
(9,2)
Feocromocitoma
42/150
(28,0)
42/1004
(4,2)
Aldosteronoma
16/150
(10,7)
16/1004
(1,6)
Study Group of the Italian Society of Endocrinology on Adrenal Incidentaloma J. Clin Endocrinol Metab 2000
Etiologia
Arruda et al. Características Clínicas e Laboratoriais dos Pacientes com Incidentaloma Adrenal de um Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Pôster apresentado no CBEM 2016.
Secreção autônoma de cortisol (SAC)
Evidência
bioquímica de
hipersecreção
autônoma de
corMsol
Ausência de
sinais e
sintomas
relacionados a
Síndrome de
Cushing
SAC
Associação
com
complicações
metabólicas e
ósseas
Fassnacht M et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline. Eur J Endocrinol 2016 175 G1-G34.
Secreção autônoma de cortisol
ü
Causa mais comum de adenoma funcionante
ü
Associação com síndrome metabólica e risco cardiovascular
ü
Maior prevalência de HAS, DM Ypo 2, obesidade e síndrome metabólica
ü
Pequena parcela evolui para síndrome de Cushing manifesta
ü
Benercio de adrenalectomia?
ü
Insuficiência adrenal seguida da remoção cirúrgica ~18-‐20%
ü
Supressão parcial do eixo HHA pode persisMr por vários meses após
adrenalectomia
Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Nieman L, J Clin Endocrinol Metab 2010; Barzon, Eur J Endocrinol 2002; Liebe et al., Eur J Endocrinol 2002; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2009; Vassilatou et al., Clin Endocrinol 2009; Terzolo et al., Endocrinol Metab Clin N Am 2005;
Wachenfeld et al., Eur J Endocrinol 2001; Chiodini et al., J ClinEndicrinol Metab 2009; Terzolo et al., J Clin Endicrinol Metab 2002; Elamin et al., J Clin Endicrinol Metab 2008.
Secreção autônoma de cortisol
ü
Causa mais comum de adenoma funcionante
ü
Associação com síndrome metabólica e risco cardiovascular
ü
Maior prevalência de HAS, DM Ypo 2, obesidade e síndrome metabólica
ü
Pequena parcela evolui para síndrome de Cushing manifesta
ü
Benercio de adrenalectomia?
ü
Insuficiência adrenal seguida da remoção cirúrgica ~18-‐20%
ü
Supressão parcial do eixo HHA pode persisMr por vários meses após
adrenalectomia
Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Nieman L, J Clin Endocrinol Metab 2010; Barzon, Eur J Endocrinol 2002; Liebe et al., Eur J Endocrinol 2002; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2009; Vassilatou et al., Clin Endocrinol 2009; Terzolo et al., Endocrinol Metab Clin N Am 2005;
Wachenfeld et al., Eur J Endocrinol 2001; Chiodini et al., J ClinEndicrinol Metab 2009; Terzolo et al., J Clin Endicrinol Metab 2002; Elamin et al., J Clin Endicrinol Metab 2008.
PESQUISAR
SEMPRE
Secreção autônoma de cortisol
≤ 1,8 mcg/dL
Excluída SC
> 5,0 mcg/dL
Provável SAC
Entre 1,9 e 5,0 mcg/dL
FenóMpo intermediário
(possível SAC)
Dosagem do corYsol plasmáYco na manhã do dia seguinte às 08:00
Teste de supressão noturna com dexametasona
Dexametasona 1mg VO às 23hs
Fassnacht M et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline. Eur J Endocrinol 2016 175 G1-G34.
Secreção autônoma de cortisol
Fassnacht M et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline. Eur J Endocrinol 2016 175 G1-G34.
• Pouco sensível para detectar discretos incrementos na
produção de corMsol
CorMsol Livre Urinário
• LogísMca do exame dificulta a realização
CorMsol plasmáMco da
meia noite
• Estudos mostraram baixa sensibilidade para detectar a SAC
CorMsol Salivar
CorMsol pós 1mg de
dexametasona
Liddle 1
ACTH, SDHEA
•
Teste de escolha para rastreio de SAC nos IA
•
Mais falso negativos. Preferir em DM2, etilistas ou
doença psiquiátrica
Conduta
Fassnacht M et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline. Eur J Endocrinol 2016 175 G1-G34.
Incidentaloma adrenal
Dosagem sérica do cortisol após 1 mg de dexametasona
SAC excluída
Avaliar causas de falso positivo
≤ 1,8 µg/dL 1,8-5,0 µg/dL Teste de Liddle 1 Possível SAC ≤ 1,8 µg/dL > 1,8 µg/dL >5,0 µg/dL SAC confirmada
Feocromocitoma
ü
2ª causa mais comum na maioria das séries
ü
Causa rara de HAS – ~0,01 – 0,1%
ü
~50% dos pacientes Mnham HAS
ü
Condição de elevada letalidade
Grumbach et al., Ann Intern Medicine 2003; Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Young WF, New Eng J Medicine 2007; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2011; Arnaldi e Boscaro, Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012.
Feocromocitoma
ü
2ª causa mais comum na maioria das séries
ü
Causa rara de HAS – ~0,01 – 0,1%
ü
~50% dos pacientes Mnham HAS
ü
Condição de elevada letalidade
Grumbach et al., Ann Intern Medicine 2003; Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Young WF, New Eng J Medicine 2007; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2011; Arnaldi e Boscaro, Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012.
PESQUISAR
SEMPRE
Feocromocitoma
Lenders et al., JAMA 2002
Sensibilidade
Especificidade
Metanefrinas plasmáMcas livres
99%
89%
Metanefrinas urinárias
97%
93%
Catecolamina urinária
86%
88%
Catecolamina plasmáMca
84%
81%
Ácido vanil mandélico
64%
95%
Excluído feocromocitoma
Confirmado feocromocitoma
Hiperaldosteronismo primário
Teste de rastreamento para hiperaldosteronismo primário
Relação =
Hiperaldosteronismo: Relação > 30;
CAP > 15 (preferencialmente)
Concentração de aldosterona plasmáMca (CAP) em ng/dL
AMvidade plasmáMca de renina (APR) em ng/mL/h
Hiperaldosteronismo primário
Relação aldosterona/atividade plasmática de renina (RAA)
Rastreamento Positivo
RAA≥30 RAA<30
Excluído HAP
Proceder teste confirmatório: - Sobrecarga salina
- Sobrecarga oral de sódio - Teste da Fludrocortisona - Teste do captopril
Teste negativo
Teste positivo Confirmado HAP
Funder et al, J Clin Endocrinol Metab 2008
HipoK espontânea
APR indetectável
CAP > 20 ng/dL
Confirmatório
Hiperaldosteronismo primário
Relação aldosterona/atividade plasmática de renina (RAA)
Rastreamento Positivo
RAA≥30 RAA<30
Excluído HAP
Proceder teste confirmatório: - Sobrecarga salina
- Sobrecarga oral de sódio - Teste da Fludrocortisona - Teste do captopril
Teste negativo
Teste positivo Confirmado HAP
Funder et al, J Clin Endocrinol Metab 2008
HipoK espontânea
APR indetectável
CAP > 20 ng/dL
Confirmatório
PESQUISAR
Características da imagem
Boland et al., Radiology 2008
Sinais sugestivos TC
RM
BENIGNIDADE
-‐Margens lisas e bem definidas
-‐Homogêneo
-‐Baixa atenuação de densidade (<10
HU)
-‐Realce homogêneo e discreto pelo
contraste com rápida eliminação
(>40-‐60%)
-‐Iso ou hipointenso em
T1 e T2
-‐Discreto realce pelo
contraste
MALIGNIDADE
-‐Margens irregulares
-‐Heterogêneo
-‐Alta atenuação de densidade
(>10HU)
-‐Realce heterogêneo e intenso pelo
contraste com retardo na eliminação
-‐Iso em T1 e
hiperintenso em T2
-‐Realce intenso e
duradouro pelo
contraste
Exame de imagem
Coeficiente de atenuação ≤ 10 HU ð sensibilidade 96-‐100%; especificidade
50-‐100% na diferenciação de lesões benignas e malignas
Exame de imagem
Lavagem > 50% após 10 min ðsensibilidade e especificidade de quase
100% para diferenciação entre adenomas e outras lesões
Exame de imagem
Exame de imagem
Incidentalomas menores que 4cm → menos que 2% carcinoma
Incidentalomas entre 4-‐6cm → 6% são carcinomas
Incidentalomas maiores que 6cm → ≈25% são carcinomas
Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Nieman L, J Clin Endocrinol Metab 2010; Barzon, Eur J Endocrinol 2002; Liebe et al., Eur J Endocrinol 2002; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2009; Vassilatou et al., Clin
Endocrinol 2009; Terzolo et al., Endocrinol Metab Clin N Am 2005; Wachenfeld et al., Eur J Endocrinol 2001; Chiodini et
Conduta
Sim
Incidentaloma adrenal
Características radiológicas sugestivas
de malignidade
Cirurgia
FEO: CAT e
MTNF na U 24h
NãoSAC:
TSD 1mg
Avaliação hormonal
HAP: ARP
e AP
Fassnacht M et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline. Eur J Endocrinol 2016 175 G1-G34.
Conduta
Adrenalectomia
ü
Suspeita radiológica de malignidade; Massas > 4 cm; Crescem >
20% cm durante acompanhamento
ü
Feocromocitoma e hiperaldosteronismo primário
ü
Síndrome de Cushing subclínica se: comorbidades atribuíveis ao
excesso de corMsol (HAS, DM, osteoporose) de início recente ou
resistentes ao tratamento clínico/medicamentoso oMmizado ou
que estejam rapidamente deteriorando
ü
Nos pacientes operados
ð
Reposição de glicocorMcoide é mandatória!
Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Nieman L, J Clin Endocrinol Metab 2010;
Barzon, Eur J Endocrinol 2002; Liebe et al., Eur J Endocrinol 2002; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2009; Vassilatou et al., Clin Endocrinol 2009; Terzolo et al., Endocrinol Metab Clin N Am 2005; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2011, Alrnadi et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2012
Acompanhamento
Hormonal
ü
A progressão hormonal é excepcionalmente rara – Não repeMr as
dosagens
ü
Desenvolvimento de sinais e sintomas sugesMvos de hipersecreção
hormonal
ü
Bilateralidade: 17OH progesterona e corMsol basal para IA
Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Nieman L, J Clin Endocrinol Metab 2010; Barzon, Eur J Endocrinol 2002; Liebe et al., Eur J Endocrinol 2002; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2009; Vassilatou et al., Clin Endocrinol 2009; Terzolo et al., Endocrinol Metab Clin N Am 2005;
Acompanhamento
Imagem
ü
RepeMr a imagem 6 – 12 meses após a imagem inicial
Biópsia
ü
Lesão não funcionante
ü
Lesões indeterminadas aos métodos de imagem
ü
Informação importante para mudar a conduta
Terzolo et al., Best Pract Res Clin Endocrinol Metab 2009; Nieman L, J Clin Endocrinol Metab 2010; Barzon, Eur J Endocrinol 2002; Liebe et al., Eur J Endocrinol 2002; Terzolo et al., Eur J Endocrinol 2009; Vassilatou et al., Clin Endocrinol 2009; Terzolo et al., Endocrinol Metab Clin N Am 2005;
Fassnacht M et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline. Eur J Endocrinol 2016 175 G1-G34.