Problemas de Filosofia Política
Ant ónio Paulo Cost a
Índice
Índice . . . 1
Int rodução. . . 2
A. Delimit ação da Filosof ia Polít ica . . . 3
Nat ureza dos problemas de Filosof ia Polít ica . . . 3
A Filosof ia Polít ica f ace a out ros saberes . . . 3
B. Conceit os e problemas cent rais da Filosof ia Polít ica . . . 4
O conceit o de Igualdade e o problema da discriminação posit iva . . . 4
De que f alamos quando f alamos de igualdade?. . . 4
Formulação do problema da discriminação posit iva . . . 5
Argument os a f avor e cont ra a discriminação posit iva . . . 5
O conceit o de Liberdade . . . 7
«Liberdade» em sent ido polít ico e em sent ido met af ísico . . . 7
Liberdade negat iva e liberdade posit iva. . . 7
Formulação do problema da privação da liberdade . . . 8
Privação da liberdade – argument os a f avor e cont ra. . . 8
Formulação do problema da desobediência civil . . . 9
Desobediência civil e obj ecção de consciência . . . 10
Desobediência à lei – argument os a f avor e cont ra . . . 10
C. Leit uras int rodut órias . . . 12
D. Recursos na Int er net . . . 12
E. Para debat e. . . 13
Discriminação Posit iva. . . 13
Privação da Liberdade . . . 13
Introdução
O novo programa de Fi l osof i a do 10. º ano propõe um t rat ament o int rodut ório de alguns conceit os cent rais de Filosof ia Polít ica no seio da unidade de Ét ica. Ef ect ivament e, na secção
«3.1. A
dimen-são ético-política - Análise e compreendimen-são da experiência convivencial»
apresent a-se um t ópico com a designação«3.1.4. Ética, direito e política - liberdade e justiça social; igualdade e diferenças;
justiça e equidade».
O meu obj ect ivo nest e t ext o1 é o de sugerir a abordagem dest e t ópico programát ico a part ir de al-guns problemas de Filosof ia Polít ica que me parecem ser bast ant e signif icat ivos para os alunos da f aixa et ária com a qual t rabalhamos e que me parecem muit íssimo import ant es do pont o de vist a de uma educação para a cidadania. Embora o programa mencione alguns t emas e conceit os e não f or-mule explicit ament e quaisquer problemas, penso que ensinar f ilosof ia (e a f ilosof ar) a part ir da discussão de pr obl emas cl ar ament e f or mul ados f az maior j ust iça à int errogação crít ica que é apa-nágio de uma longa t radição f ilosóf ica e const it ui, por isso, a opção didáct ica mais correct a.
Começarei por f azer algumas considerações sobre a nat ureza da Filosof ia Polít ica, apresent ando uma del imit ação do âmbit o da discipl ina.
Em seguida, f ormularei alguns dos pr obl emas mais signif icat ivos que envolvem os conceitos de i gual dade e de l iber dade, apresent ando algumas posições f ilosóf ico-polít icas e discut indo os princi-pais argument os que milit am a seu f avor e cont ra. Por razões prát icas, não abordarei t odos os con-ceit os e problemas dest a especialidade f ilosóf ica, t endo deixado de f ora alguns t ão import ant es como os que abordo, como é o caso da j ust if icação da igual dade pol ít ica e dos f undament os da democracia.
Finalment e, apresent arei uma list a de leit uras út eis para iniciar a preparação dest a unidade pro-gramát ica e ref erirei alguns recursos exist ent es na Int ernet (que são escassos em língua port ugue-sa).
Espero que est e pequeno t ext o t ant o possa ser út il aos prof essores como aos alunos. Comentários, observações e crít icas são bem-vindas.
1Est e t ext o é uma adapt ação do que serviu de base à conferência «O que é a Filosofia Polít ica?», que t ive a oport unidade de
A. Delimitação da Filosofia Política
Nat ureza dos problemas de Filosofia Polít ica
A Filosof ia Polít ica é a disciplina f ilosóf ica na qual se discut e o modo como a sociedade deve est ar or ganizada. A melhor maneira de abordarmos est a disciplina (como quaisquer out ras) é conhecendo os problemas de que t rat a. Ant es disso, f arei algumas considerações sobre a nat ureza dest e proble-mas.
Os problemas de Filosof ia Polít ica possuem um elevado grau de gener al i dade e de abst r acção: i st o signif ica que não se t rat a de analisar problemas sociais e polít icos cont ext ualizados num dado país ou num det erminado moment o mas, ant es, de ref lect ir sobre quest ões social e polit icament e t rans-nacionais.
Os problemas de Filosof ia Polít ica são, sobret udo, problemas concept uai s, por oposição aos proble-mas empíricos t rat ados em disciplinas como a Ciência Polít ica, a Sociologia ou a Economia. Por mui-t o que observemos as sociedades, ou por mais que descrevamos os seus sismui-t emas polímui-t icos, não en-cont raremos respost a para a quest ão f undament al da Filosof ia Polít ica: como dever emos or gani zar a sociedade? Algo análogo se passa com a Ét ica: por mais que psicólogos e sociólogos descrevam como é que os seres humanos agem, não respondem ainda à quest ão ét ica de saber o que devemos f azer. Ist o most ra, f inalment e, que os problemas de Filosof ia Polít ica, t al como os problemas de Ét ica, originam uma ref lexão que é sobret udo normat iva, por cont rast e com os est udos descr it ivos f eit os em sede cient íf ica.
A Filosofia Polít ica face a out ros saberes
As t eorias de Filosof ia Polít ica est ão part icularment e enraizadas nos cont ext os hist óricos, sociais, económicos e polít i cos em que emergiram e em que os f ilósof os viveram, e ist o é mais sensível do que quando est udamos met af ísica ou epist emologia. No ent ant o, f azer Filosof ia Polít ica não consist e em analisar o cont ext o hist órico, em descrever as circunst âncias polít icas em que os f ilósof os vive-ram ou em t raçar a hist ória das ideias dos f ilósof os polít icos – isso é algo que compet e ao hist oria-dor, não ao f ilósof o.
Também a Ciência Polít ica descreve sist emas polít icos concret os, analisando as suas caract eríst icas, comparando-as com as de out ros sist emas e explicando a origem das suas leis. É evident e que o f ilósof o polít ico não pode ignorar os dados empíricos que a Ciência Polít ica, bem como out ras ciên-cias, lhe proporciona. Porém, mais do que descrever os sist emas polít icos, a Filosof ia Polít ica con-sist e numa análise crít ica dos f undament os desses sist emas.
Não sendo possível dissociar a organização polít ica da act ividade económica dos estados, é claro que das t eorias de Filosof ia Polít ica se podem deduzir consequências em t ermos de pensament o económico. De f act o, propor um modo como devemos organizar a sociedade inclui propor um modo como devemos organizar a economia dessa sociedade. Mas ist o não t ransf orma a Filosof ia Pol ít ica num ramo da Economia, t al como a Lógica não se t ransf orma num ramo da Ét ica por est a ser o lugar do raciocínio prát ico.
um acent uado cont eúdo ét ico: por exemplo, o f ilósof o polít ico discut e o que deveria ser uma soci e-dade j ust a; mas o f ilósof o moral int erroga-se sobre o que é a Just iça mesma.
Uma out ra área que mant ém grande cont iguidade t emát ica com a Filosof ia Polít ica é a Filosof ia do Direit o. Nest a discut em-se quest ões como a da nat ur eza do dir eit o; analisam-se conceit os como os de di r ei t o e dever j ur ídicos; esclarece-se o que é um act o j ur ídi co, o que é a r esponsabi l i dade ou em que consist e a i ni mput abi l i dade; analisam-se os mecani smos dasdeci sões j ur ídi cas; e di scut e-se quais as inst it uições mais adequadas para o f uncionament o do est ado. Há, assim, uma f ort e conexão ent re a Filosof ia do Direit o e os sist emas j urídicos e inst it uições concret as sobre as quais ref lect e. Mas em Filosof ia Polít ica analisa-se o próprio âmbit o do direit o, i. e. , o lugar e alcance que deve t er na sociedade, discut indo, por exemplo, at é onde pode ir o est ado na regulação das int eracções dos indivíduos. Podemos, ent ão, concluir que a Filosof ia Polít ica é uma disciplina mais abst ract a e mais geral que a Filosof ia do Direit o.
B. Conceitos e problemas centrais da Filosofia Política
O f ilósof o polít ico analisa conceitos como os de i gual dade, l i ber dade, est ado, democr aci a, t olerân-cia, obediência, cast i go, et c. , a part ir dos quais discut e proble mas como:
O que é a l i ber dade? Em que consist e a igual dade? Será possível at ingi-l as ou realizá- las? Se assim f or, como deveremos organizar- nos para as conseguir?
O que é a discr iminação? Serão inj ust as t odas as f ormas de discriminação? Exist e alguma j ust if icação para dar um t r at ament o desigual a cert os cidadãos? Ou deveremos sempre orient ar-nos para a igualdade de t r at ament o?
Que j ust if icação se pode dar para as rest rições impost as pelo Est ado aos que violam a lei? Como f undament ar a pr ivação de l iber dade impost a a cert os cidadãos?
E exist irão algumas circunst âncias nas quai s devamos violar a lei? Quais e com que razões? E que argument os exist em para não o f azer?
O conceit o de Igualdade e o problema da discriminação posit iva
De que falamos quando falamos de igualdade?
As ideias de igual dade e de equi dade são caras ao pensament o ocident al e desempenham um papel cent ral na const rução de uma concepção f i l osóf i co-pol ít i ca i gual i tarist a. Que concepção é est a? Num cert o sent ido, o Crist ianismo pode ser vist o como uma concepção igualit arist a, pois def ende que somos t odos iguais aos olhos de Deus; e na linguagem popular é f requent e dizer-se que t odos os cidadãos são iguais aos olhos da lei. Mas, o que signif ica dizer-se que «somos t odos iguais»? Não pode t rat ar-se de uma af irmação empír i ca, que rapidament e seria desment ida pelo f act o de algu-mas pessoas serem mais alt as, mais saudáveis, mais int eligent es, mais bonit as ou mais bem sucedi-das, enquant o out ros o são menos. Só pode t rat ar-se de alguma espécie de af irmação normat iva. Mas se «somos t odos iguais» signif ica «dever íamos ser t odos iguais», represent ará ist o um desej o de complet a uni f or mi dade? «Igualdade» signif ica «unif ormidade»? Ninguém est ará dispost o a def endê-lo, e aqueles que se opõem ao igualit arismo escusam de apelar às dif erenças f act uais ent re as pes-soas para at acar o igualit arismo, pois não é de unif ormidade que se t rat a.
Note-se que alguns grupos racistas quiseram deduzir de uma eventual diferença genética entre raças a
justifica-ção da tese anti-igualitária de que é legítimo discriminar negativamente com base na raça.
signif ica que eu sej a unif ormist a, ist o é, que eu desej e que t odos t enham os mesmos lugares públi-cos, os mesmos cênt imos ou a mesma prof issão. Também não est aria a def ender que qual quer cida-dão possa t er qual quer emprego, mas apenas que indivíduos em condições semelhant es – por exem-plo, com as mesmas habilit ações, apt idões f ísicas e psíquicas, mot ivação e experiência - possam benef iciar de i dênt i ca opor t uni dade no acesso a uma dada prof issão. Pode-se, pois, ser igualit arist a em cert os aspect os, mas não nout ros. Por isso, é dif ícil encont rar uma def inição explícit a e abran-gent e de igualit arismo.
De uma f orma minimalist a, designam-se «igualit arist as» t odas as posições que def endem que a vida social e polít ica deveria promover a igualdade ent re as pessoas. O problema da discriminação posi-t iva é um dos que mais inposi-t erpela as nossas concepções igualiposi-t arisposi-t as. Vej amos em que consisposi-t e.
Formulação do problema da discriminação positiva
Definição - a discriminação posit iva (t ambém designada «acção af irmat iva») é a criação int encional de condições desi guai s para f avor ecer as vít imas das desigualdades. Trat a-se de conceder um t ra-t amenra-t o pr ef er encial, em diversas circunst âncias, a indivíduos de grupos minor it ár ios e reconheci-dament e desf avor ecidos.
Formulação - Deveremos dar t r at ament o pr ef er enci al aos membros dos grupos sociais mai s
desfa-vor ecidos?
Argumentos a favor e contra a discriminação positiva
A favor - analisemos primeirament e dois argument os a f avor da discriminação posit iva. Qualquer
um deles t em como pano de f undo uma cert a concepção de igual dade.
Argument o da Comp ensação pelas Desigualdades Criadas no Passado – est e é um argument o
deon-t ol ógico orient ado sobret udo para o passado e cont ém algumas premissas f act uais. Que nos diz o argument o? Muit as pessoas f oram, no passado, vít imas de condições desiguais, das quais result ou o seu desf avor eci ment o em relação a out ros cidadãos. Ora, t ais desigualdades são inj ust as. Uma soci-edade j ust a deve compensar as vít imas de desigualdade. A discriminação posit iva é a melhor f orma de o f azer. Logo, uma sociedade j ust a deve discriminar posit ivament e as vít imas de desigualdade.
Este tipo de argumento tem sido utilizado frequentemente pelos antigos combatentes e deficientes das forças armadas. Chamam a atenção para o facto de, no cumprimento das suas obrigações militares, terem perdido apti-dões físicas e psíquicas, o que os colocou em desvantagem face aos cidadãos que não pisaram teatros de guerra. Por exemplo, perderam o acesso a certos empregos; e as suas despesas com a saúde são, em regra, maiores que as dos outros cidadãos. Consequentemente, reclamam ser discriminados positivamente, a título de compensação, e o tipo de compensação que exigem é, frequentemente, de natureza pecuniária.
Argument o da Prevenção das Desigualdades Fut uras – est e é um argument o ut il i t arist a orient ado
sobret ud o para o f ut uro. Muit as pessoas são discriminadas devido ao seu sexo, raça, religião, naci o-nalidade, comport ament o sexual ou out ros f act ores, mesmo em sociedades cuj as leis impedem f or-mal ment e essa discriminação. Tal discriminação produz desigual dades prof undas na dist ribuição de bens sociais como o di nheiro, o emprego, a part icipação polít ica, a educação, et c. , o que é i nj ust o. Ora, numa sociedade j ust a é út i l combat er af irmat ivament e est as inj ust iças, pois isso promove a igualdade de oport unidades no f ut uro. A discriminação posit iva é a melhor f orma de combat er act i-vament e essas inj ust iças. Logo, é um dever prat icar a discriminação posit iva.
míni-mo permitirá que, no futuro, cada um vá criando as condições para se reinserir socialmente e aceder a esses bens sociais, o que justifica a medida.
Contra - Analisemos agora os argument os cont ra a discriminação posit iva. Em geral, est es
argumen-t os salienargumen-t am que a discriminação posiargumen-t iva não real iza o ideal de j ust iça e equidade que j ust if ica a sua implement ação, e disput am a premissa segundo a qual a discriminação posit iva é a melhor ma-neira de promover a igualdade. Para most rar que a discriminação posit iva não promove realment e a igualdade, os seus part idários recorrem a argument os f act uais e a argument os morais.
Argument o dos Ressent iment os - com est e argument o, def ende-se que a discriminação posit iva gera r essent iment os e o preconceit o de que as pessoas que pert encem a grupos desf avorecidos não conseguem t er sucesso por mérit o próprio. Est e preconceit o t ant o se espalha ent re aqueles que não são discriminados posit ivament e, gerando- lhes maiores sent iment os racist as, xenóf obos, sexist as, et c. , como se espalha ent re aqueles que benef iciam da discriminação posit iva, gerando-lhes inércia.
Confrontados com uma mulher discriminada positivamente ao candidatar-se a um emprego, os homens podem reagir dizendo coisas como «Ela só conseguiu o emprego porque é mulher» ou «As mulheres andam a ficar com os empregos que nos pertencem». Na apresentação da Proposta de Lei sobre o Rendimento Social de Inserção, em 14/06/2002, o Ministro da Segurança Social e Trabalho parecia partilhar o preconceito da inércia do benefi-ciário, quando afirmou: «A pobreza combate-se, não se profissionaliza ou fideliza por inércia».
Em geral, os argument os f act uais cont ra a discriminação posit iva apoiam-se na ideia de que geram r essent iment os e em exemplos de como não f unciona. Ora, uma sociedade j ust a não se const rói sobre pensament os pr econceit uosos ou acções inconsequent es. Mas há out ro t ipo de argument os cont ra a discriminação posit iva que são sobret udo argument os morais:
Argument o da Violação dos Direit os – De acordo com est e t ipo de argument os, a discriminação
posit iva exemplif ica um caso em que os f ins que se pret endem at ingir (uma sociedade mais igualit á-ria), sendo louváveis, não podem servir para j ust if icar os meios (as discriminações posit ivas), que não são moralment e aceit áveis. Vej amos o seguint e exemplo, ref erido no livro de Pet er Singer, Ét ica Pr át ica:
O caso Bakke é talvez o mais célebre nos EUA. Alan Bakke candidatou-se à Faculdade de Medicina da Univer-sidade da Califórnia. A Faculdade de Medicina, para aumentar o número de alunos provenientes de minorias desfavorecidas, reservou 16% dos lugares para tais alunos. Deste modo, alguns alunos de origem europeia que não foram admitidos, tê-lo-iam sido caso essa opção não tivesse sido tomada. Bakke contava-se entre esses alu-nos de origem europeia que não foram admitidos. Considerando-se vítima de uma injustiça, processou a Univer-sidade. E ganhou a causa, tendo o juiz afirmado que «Os programas preferenciais só podem reforçar estereótipos comuns que sustentam que certos grupos são incapazes de obter êxito sem protecção especial».
Face a est e exemplo e out ros, é inegável que af inal alguém acaba por ser prej udi cado em f unção do seu sexo, raça, sit uação económica, et c. , por causa de medidas discriminat órias. Ora, isso const it ui uma viol ação dos dir eit os das pessoas. Logo, ninguém deveria ser discriminado posit ivament e.
Contra-argumento de Peter Singer – viola qual direito? «[...] Em primeiro lugar, [estes candidatos] não têm
qualquer direito especial de admissão; foram os felizes beneficiários da anterior política da universidade. Agora que essa política mudou, beneficiam outros, e não eles. Se isto parece injusto, é apenas porque nos acostumámos à antiga política. Logo, a acção afirmativa não pode justificadamente ser condenada com base na ideia de que viola os direitos dos candidatos à universidade ou que tem menos consideração pelos seus interesses. Não existe qualquer direito inerente de admissão e a igualdade na consideração dos interesses dos candidatos não intervém nos exames de admissão normais. Se a acção afirmativa está sujeita a objecções, terá de ser porque os objectivos que procura promover são maus ou porque na realidade não promove esses objectivos». Peter Singer, Ética
Prática, 1993, pp. 65-7.
que sej a ele a t er de os compensar, f icando f ora da Universidade para lhes dar lugar? De f act o, ar-gument am, est a t ransf erência da responsabilidade pela compe nsação acaba por ser t ão inj ust a como a inj ust iça que a discriminação posit iva int ent ava reparar. E, port ant o, est a não deveria t er lugar.
Observação - numa parte dos casos, já não é possível serem aqueles que prejudicaram a fazer a compensação
dos cidadãos desfavorecidos, pois esse prejuízo pode ter sido causado por gerações remotas. Daqui conclui-se que não deveríamos de todo discriminar positivamente, pelo menos a título compensatório. Resta saber se a discriminação positiva se justifica como medida de prevenção de desigualdades futuras.
O conceit o de Liberdade
«Liberdade» em sentido político e em sentido metafísico
O conceit o de liberdade prest a-se f requent ement e a uma conf usão decorrent e do seu uso em sent i-do polít ico e i-do seu uso em sent ii-do met af ísico.
Quando usamos o t ermo em sent ido met af ísico est amos geralment e a ref erir-nos à capacidade de aut odet erminação dos agent es. O problema do livre-arbít rio consist e em saber como compat ibilizar a crença de que as nossas acções, enquant o acont eciment os espácio-t emporais, est ão suj eit as às mesmas leis det erminíst icas que regem o mundo com a crença de que somos livres, capazes de au-t odeau-t erminação e responsáveis por essas acções. Esau-t e problema é claramenau-t e um problema meau-t af í-sico – t rat a-se de saber como se int egram as nossas acções no mundo.
Mas a liberdade em sent ido polít ico t raduz um ideal que preside à det erminação dos deveres e di-reit os dos indivíduos enquant o membros de uma sociedade. É nest e sent ido que abordaremos agora o conceit o de liberdade.
Liberdade negativa e liberdade positiva
Segundo Isaiah Berlin (no seu ensaio «Dois Conceit os de Liberdade»), exist em ainda duas acepções em que podemos f alar de liberdade:
Liberdade Negat iva - a liberdade em acepçã o negat iva ou rest rit a consist e na ausênci a de coer ção,
ist o é, numa ausência de obst ácul os ou de imposições. Nest a acepção, o indivíduo diz-se «livre» se não f or i mpedi do de agir como desej a, ou se não f or obr igado a agir cont ra a sua vont ade. A j ust if i-cação para que o est ado rest rinj a coercivament e a liberdade dos indivíduos assent a no reconheci-ment o social da necessidade de pr ot ecção dos mais f racos. Presume-se que sem um mecanismo regulador, imperaria cert ament e a «lei do mais f ort e», e que isso é inj ust o. No ent ant o, um f ilósof o como John St uart Mill def endeu, no seu ensaio Da Li ber dade, que os indivíduos devem poder condu-zir as suas próprias «experiências de vida» sem int erf erência do est ado, desde que ninguém sej a por i sso prej udicado. No ent ant o, como a própria ideia de pr ej uízo al hei o se revel a prof undament e imprecisa, a coerção da liberdade volt a a est ar j ust if icada por razões prát icas. Assist e-se aqui a um conf ront o ent re uma posição consequencialist a (a de Mill) e uma posição deont ológica (a que justi-f ica a acção coerciva do est ado, que t erá o dever de proteger os mais f racos).
Liberdade Posit iva – a liberdade em acepção posit iva é ent endida como uma l i ber t ação, emanci
pa-ção ou aut onomi zação do indivíduo f ace às f orças sociais e cult urais que o impedem de se r eal i zar pl enament e.
sobretudo se nos momentos em que está sóbrio o alcoólico se arrepende dessas patuscadas. Pelo contrário, temos tendência para pensar que o alcoólico estava sob efeito do álcool: um escravo dos impulsos. Apesar de [do ponto de vista da liberdade negativa] não existir constrangimento, no ponto de vista da liberdade positiva o alcoólico não é genuinamente livre.» Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, 1998, p.124.
Est a passagem t orna clara a dist inção das duas acepções de liberdade, mas cont ém uma sugest ão ainda mais f ort e: a t ese de que a liberdade posit iva depende crucial ment e da coerção da liberdade negat iva. De f act o, o indivíduo que não sej a impedido de beber, é livre na acepção negat iva; mas a sua condição de alcoólico compromet e a sua realização plena, ist o é, a sua liberdade posit iva. O mesmo acont ece se não impedirmos os indivíduos de mat ar, roubar e violent ar – act os que impedem a realização plena das suas vít imas; ou se não os obrigarmos a pagar os impost os, com os quais o est ado deve promover a realização igualit ária dos cidadãos. Parece, pois, part ir-se do pressupost o de que sem qualquer coerção os indivíduos prej udicariam l i vr ement e os out ros (ou a si mesmos) em f unção dos seus próprios int eresses (dout rina do egoísmo psi col ógi co), o que j usti f i ca a coerção da liberdade negat iva. No ent ant o, sendo o est ado o agent e dest a coerção, muit os crít icos salient am que, em nome de se garant ir a liberdade posit iva, geram-se abusos dos mecani smos coercivos das liberdades individuais. Est a obj ecção é conf irmada por inúmeros exemplos hist óricos e conduz-nos ao problema da j ust if icação da coerção.
Vamos analisar agora um caso part icular de coerção – a pr i vação da l i ber dade. Out ros exempl os seriam o t rabalho comunit ário f orçado e a pena capit al.
Formulação do problema da privação da liberdade
A par com o corpo das leis pelas quais se regem, as sociedades dispõem de sist emas penais que des-crevem os cast i gos a aplicar nos casos de inf racção. A pr i vação da l i ber dade const it ui a f orma de cast i go mais vulgarment e aplicada. A par com os cemit érios, as prisões encont ram-se um pouco por t odo o mundo, mesmo naqueles países onde f alt am escolas ou hospit ais.
Formulação – o problema da privação da liberdade consist e em saber que razões há que j ust i fiquem
a privação da liberdade como f orma de cast igo.
Privação da liberdade – argumentos a favor e contra
A favor - Exist em quat r ot ipos de argument os a f avor da privação da liberdade. O primeiro deles é
um argument o deont ol ógi co; os rest ant es são sobret udo argument os consequenci al i st as. Vej amo-l os acompanhados das obj ecções que classicament e lhes são f eit as.
Argument o da Ret ribuição – de acordo com est e argument o, a sociedade t em o dever de ret ribuir o
mal causado pelo inf ract or da lei, pois ele próprio causou mal à sociedade. Aqueles que violam a lei merecem ser punidos e a subt racção da liberdade é, argument avelment e, o meio mais ef icaz para concret izar essa punição.
Obj ecções - Aos ret ribut ivist as não import am as consequências do próprio cast igo – não est á sob consideração se a privação da liberdade é benéf ica para a sociedade ou para o criminoso. O castigo é um «pagament o na mesma moeda». O problema é que est a medida pode acarret ar consequências mais negat ivas para a sociedade – por exemplo, t endo que se gast ar muit o dinheiro nos est abeleci-ment os de reclusão; além disso, nem sempre é claro o que seria uma ret ribuição «na mesma moe-da» - obrigar-se-ia um chant agist a a cumprir uma pena de seis meses sob chant agem? Um violador a ser violado? O que é uma ret ribui çãoj ust a?
desencoraj ados a violá-la. E, assim, as inf racções à lei diminuem. É est a ideia que subj az às chama-das «penas exemplares».
Obj ecções – uma obj ecção f requent e a est e t ipo de argument o é que, dando excessiva import ância ao obj ect ivo de dissuadir, pessoas inocent es (ou mesmo culpadas) incorrem no risco de ser cast i ga-das inj ust ament e. Se a dissuasão do crime se t orna um f im obsessivo, pode mais f acilment e t er lu-gar a aplicação de penas desproporcionadas, e isso é inj ust o.
Out ra obj ecção import ant e consist e em sublinhar que a dissuasão é compl et ament ei nef icaz. Est e cont ra-argumento f act ual sublinha que, por exemplo, nos países em que vigora a pena de prisão perpét ua (e mesmo a pena capit al) cont in uam a exist ir criminosos; e naqueles países em que t ais penas f oram abolidas a criminalidade não aument ou.
Argument o da Prot ecção Social - a privação da liberdade pode j ust if icar-se t ambém como medida de prot ecção social. Há que recolher os criminosos às prisões para prot eger os rest ant es cidadãos das suas possíveis e prováveis reincidências.
Obj ecções – uma primeira obj ecção baseia-se na ideia de que devemos dif erenciar os criminosos: há, de f act o, pessoas que reincidem na inf racção à lei – caso dos condut ores port ugueses; mas há pessoas que inf ringem ocasionalment e a lei – caso do marido que assassina o amant e e a esposa quando os apanha em f l agrant e delit o. Ora, é inverosímil que est e inf eliz const it ua um verdadeiro perigo para a sociedade. Em casos semelhant es, o argument o da prot ecção da sociedade não colhe. Uma out ra obj ecção sublinha que a privação da liberdade para prot ecção da sociedade é uma medi-da com ef icácia a prazo, e at é perigosa. De f act o, ao encarcerarmos alguém est amos a pô-lo em cont act o com grandes criminosos; como a sua pena t em uma duração limit ada, o cast igado const it u-irá uma ainda maior ameaça para a sociedade ao sair do cá rcere. As únicas soluções para evit ar ist o seriam o isolament o complet o ou o encarcerament o perpét uo, clarament e despr opor ci onadas. Argument o da Reabilit ação – um últ imo argument o consist e em def ender que o cast igo incent iva reabilit ação. O cast igado pode ref lect ir sobre os malef ícios da sua acção e t ender a desej ar reabili-t ar-se aos olhos da sociedade.
Obj ecções – em primeiro lugar, é claro que nem t odos os criminosos necessit am de reabilit ação, como acont ece com o homicida passional; em segundo lugar, há criminosos que resist em a qualquer iniciat iva de reabilit ação; em t erceiro lugar, e mais import ant e, como a privação da liberdade é vivida nos est abeleciment os de reclusão e como est es rarament e proporcionam as condições ade-quadas para uma reabilit ação psicológica, prof issional ou social, a medida assim j ust if icada revela-se complet ament e inef icaz.
Apesar de a privação da liberdade poder ser crit icada sob qualquer j ust if icação, as soci edades e est ados não a dispensam, acent uando variavelment e a f unção que aquela medida visa cumprir. Em-bora psicologicament e reconf ort ant e para a soci edade, a subt racção da liberdade aos inf ract ores não parece, por si, poder resolver as carências e problemas que est ão na base das violações da lei. Const it ui, pois, um desaf io ao f ilósof o polít ico encont rar mais e melhores argument os que a j ust if i-quem, ou ent ão mais e melhores alt ernat ivas que a permit am evit ar.
Formulação do problema da desobediência civil
Definição - a desobediência civil é uma f orma de prot est o pacíf ica na qual se inf ringe deliberada-ment e a lei para combat er publicadeliberada-ment e uma grande inj ust iça.
«[...] Ao recorrer à desobediência civil, deseja-se apelar ao sentido de justiça da maioria e advertir de forma pública que, na nossa opinião sincera e ponderada, as condições para uma cooperação livre estão a ser violadas. Apelamos aos outros que reconsiderem, que se coloquem na nossa posição e que reconheçam que não podem esperar indefinidamente o nosso consentimento quanto às condições que nos impõem.» John Rawls, Uma
O desobedient e civil não prot est a dest a f orma para obt er benef ícios pessoais. Aliás, muit os prat i-cant es da desobediência civil est ão dispost os a sof rer sanções pelo seu prot est o e alguns chegaram mesmo a ser assassinados.
Formulação do problema - será que devemos obedecer sempre à lei? Ou há circunst âncias em que, por razões ét icas, se j ust if ica desobedecer?
Desobediência civil e objecção de consciência
Distinção - a obj ecção de consciência part ilha com a desobediência civil o f act o de const it uir uma f orma pacíf ica de prot est o; e de ser f undament ada com base em razões ét icas.
Dif ere por const it uir um prot est o sem caráct er público. Consequências: o obj ect or de consciência não parece pret ender que a lei sej a alt erada, mas apenas que não sej a aplicada no seu caso; e pa-rece não pret ender persuadir a maioria de que é necessário alt erar o quadro legal de que discorda, mot ivo por que prot est a de f orma não pública.
Desobediência à lei – argumentos a favor e contra
A favor - os f act os hist óricos most ram que a desobediência civil cont r i bui u si gni f icat i vament e para acabar com inj ust iças graves. De f act o, f oi à cust a de act os de desobediência civil que muit as mu-lheres conseguiram adquirir direit os em paridade com os homens; f oi at ravés de um prot est o ilegal não violent o que Mahat ma Gandhi levou ao f im da sob erania brit ânica sobre a Índia; Mart in Lut her King combat eu o preconceit o racial at ravés dest e meio e aj udou a garant ir direit os civis básicos para os negros nos Est ados americanos do sul; alguns cidadãos americanos recusaram publicament e part icipar na guerra do Viet name, cont ribuindo para enf raquecer a det erminação belicist a dos seus governant es; Henry Thoreau, um escrit or e poet a americano do séc. XIX, escreveu o ensaio «Deso-bediência Civil» onde t ornou público que se recusou a pagar impost os ao est ado por est es cont ribuí-rem para duas graves inj ust iças – a guerra com o México e a permanência da escravat ura. Out r os exemplos conf irmam a ideia de que a desobediência civil t em const it uído um import ant e meio para alcançar uma sociedade mais j ust a.
Contra – no ent ant o, exist em adversários dest a f orma de prot est o. Há vários argument os cont ra a desobediência civil:
Falso dilema - o desobedient e civil parece obrigar-nos a aceit ar o dilema «ou desobedecemos ou perpet ua-se a inj ust iça». Mas est e pode ser um f al so dil ema: ainda que se reconheça que há leis inj ust as, é sempre possível alt erá- las por meios est r it ament e l egai s. Se o part ido da maioria f az aprovar uma lei inj ust a, é possível vot ar num out ro part ido que alt ere a lei sem recorrer à desobe-diência civil.
Obj ecções - é claro que o argument o só colhe nos regimes democrát icos e nem todos os est ados são
democr át icos; e a mudança por meios legais acarret a o problema de a el iminação da inj ust iça ser demasiado lent a.
Ant idemocrát ica – um segundo argument o considera precisament e a desobediência civil um act o ant i democr át i co e que desr espeit a a vont ade da maior ia. As leis aprovadas, ainda que sej am sent i-das como inj ust as por uma minoria, exprimem a vont ade da maioria e é nisso que consist e o governo pelo povo.
Derrapagem para a anarquia – os adversários da desobediência civil argume nt am que est a f orma de prot est o pode acarret ar o risco de der r apagem par a a anar quia. A desobediência civil, sendo públi-ca, pode encoraj ar out ras pessoas a desobedecer às leis. Não é possível verif icar, ent re os desobe-dient es, quem é que o f az por razões est rit ament e ét i cas e em prol do bem alheio e quem é que o f az com mot ivações merament e egoíst as. Dest e modo, o risco da anarquia é muit o grande.
Obj ecções – há duas obj ecções a est a crít ica: primeiro, os f act os históricos não a apoiam de t odo; em segundo lugar, pode argument ar-se por analogia e sugerir que uma obediência cega à lei t am-bém pode acarret ar o risco de der r apagem par a o despot i smo. Port ant o, o argument o não é sat isfa-t ório.
Argument o do Crít on plat ónico: anal isemos agora um argument o clássico cont ra a desobediência às
leis, cont ido no Crít on de Plat ão. Trat a-se de um diálogo ent re Sócrat es e o seu amigo Crít on, em que o primeiro aguarda no calabouço a execução da sua condenação à mort e, onde é visit ado pelo segundo. Crít on sugere- lhe que desobedeça à sent ença que dit a a sua mort e e que f uj a (a única alt ernat iva seria abandonar compulsivament e At enas para sempre). Argument a que, não só a sen-t ença é inj ussen-t a, como o povo censuraria que, f ace a essa inj ussen-t iça, nem Sócrasen-t es nem os seus ami-gos f izessem a única coisa possível para a cont rariar: a f uga, em desobediência à decisão dos j uízes. A respost a de Sócrat es const it ui um dos mais ant igos argument os cont ra a desobediência às l eis.
«Sócrates - É, então, preciso nunca cometer injustiça? Críton - Certamente.
Sócrates - Nem pagar o mal com o mal, como diz a multidão, uma vez que há que não ser injusto de nenhuma maneira.
Críton – Parece que não.
Sócrates – Então, não devemos fazer o mal? Críton – Com certeza que não, Sócrates.
Sócrates – E é justo ou injusto que aquele que sofre retribua o mal, como dizem as gentes? Críton – É injusto.
Sócrates – Pois, fazendo o mal aos homens que são injustos, em nada diferimos deles. Críton – Dizes a verdade.
Sócrates – É então preciso não pagar o mal com o mal, nem fazer mal a qualquer homem de quem nos venha mal. [...] Saindo nós daqui sem que a cidade o consinta, fazemos mal a alguém e, precisamente, a quem menos deveríamos fazer. Ou não será assim?
Críton – Não tenho resposta para o que perguntas, Sócrates, pois não sei.»
Platão, Críton, 49b – 50a.
O argument o pode ser esquemat izado, de f orma muit o simplif icada, da seguint e maneira:
C. Leituras introdutórias
• Plat ão, «Crít on» in Êut i f r on, Apol ogi a de Sócr at es, Cr ít on (Imprensa Nacional – Casa da Mo-eda, 1990). Um diálogo sobre o problema da desobediência à lei.
• Rawls, John «Dever e Obrigação», in Uma Teor i a da Just i ça (Edit orial Presença, 1993). Est e capít ulo apresent a uma t eoria det alhada sobre a desobediência civil e a obj ecção de cons-ciência.
• Singer, Pet er «A Igualdade e as suas Implicações», in Ét ica Pr át ica (Gradiva, 2000). Uma perspect iva ut ilit arist a sobre a igualdade que inclui uma apreciação da discriminação posi-t iva.
• Singer, Pet er «Fins e Meios», in Ét ica Prát ica (Gradiva, 2000). Uma perspect iva ut ilit arist a sobre diversos t ópicos da f ilosof ia polít ica, incluindo a desobediência civil.
• Swif t , Adam, Pol it ical Phil osophy: A Beginner ’ s Guide f or St udent s and Pol it icians (Polit y Press, 2001). Uma excelent e int rodução.
• Warburt on, Nigel «Polít ica», in El ement os Bási cos de Fi l osof i a (Gradiva, 1998). Est e capít u-lo consist e numa int rodução element ar à f i u-losof ia polít ica.
• Wolf f , Jonat han, Pol it ical Phil osophy: An Int r oduct i on (Oxf ord Universit y Press, 1996). É uma int rodução minuciosa que aborda um vast o leque de t emas nest a área da f ilosof ia.
D. Recursos na
Internet
Página de Filosof ia Polít ica da ESMTG:
ht t p: / / www. esec-m- t eixeira-gomes. rct s. pt / orgaos_serv icos/ depart ament os
/ dep_csociais_humanas/ grupo10b_f ilosof ia/ f ilosof ia_polit ica/ index. ht m
«Ut ilit arismo Moral e Polít ico», art igo de Sara Bizarro na revist a on-line Int el ect u:
ht t p: / / www. int elect u. com/ arquivo. ht ml
«Crít ica, Revist a de Filosof ia e Ensino», sit e organizado por Desidério Murcho:
ht t p: / / www. crit icanarede. com/ f ilos_et ica. ht ml
«Ét ica Prát ica», sit e organizado por Rodrigo Guedes:
ht t p: / / www. via-rs. com. br/ pessoais/ guedes/ et icaprat ica. ht m
Para pesquisar na Int ernet qualquer t ema f ilosóf ico em qualquer língua, sugere-se o uso dos índices de sit es present e nas páginas do CEF e da SPF:
ht t p: / / www. cef -spf . org/ web. ht ml