GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
RELATÓRIO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
DA
GAMMA- Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
ÍNDICE
ÓRGÃOS
SOCIAIS
4
ENQUADRAMENTO
MACROECONÓMICO
5
ATIVIDADE
DA
SOCIEDADE
17
SITUAÇÃO ECONÓMICA E FINANCEIRA
18
PERSPETIVAS FUTURAS
19
PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS
20
NOTAS FINAIS
21
ANEXO AO RELATÓRIO DE GESTÃO
23
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Senhores Acionistas,
No cumprimento das disposições legais, vem o Conselho de Administração submeter à
aprovação de V. Exas. o seu relatório de gestão, bem como as contas relativas ao exercício
de 2017.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
ÓRGÃOS
SOCIAIS
Até 31 de dezembro de 2017
Mesa da Assembleia Geral
Presidente: José Manuel Galvão Teles
Vice-presidente: António Maria Pinto Leite
Secretário: Raquel Branquinho Garcia
Conselho de Administração
Presidente: Manuel António Amaral Franco Preto
Vogal:
José Fernandes Caeiro
Conselho Fiscal
Presidente: José Duarte Assunção Dias
Vogais:
Fernando Jorge Marques Vieira
Ricardo Manuel Duarte Vidal Castro
Suplente:
José Luis Areal Alves da Cunha
Revisor Oficial Contas
PricewaterhouseCoopers & Associados - Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda,
representada pelo Senhor Dr. Aurélio Adriano Rangel Amado
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
ENQUADRAMENTO
MACROECONÓMICO
Economia Internacional
A economia mundial acelerou, em 2017, para o ritmo de crescimento mais forte desde o início
da crise económica e financeira, em 2008, assim prolongando a recuperação cíclica iniciada
em meados de 2016.
Este maior dinamismo foi o resultado de um crescimento conjunto das economias
desenvolvidas, que prolongam o ciclo favorável dos últimos anos, e das economias
emergentes, com a correção em curso de desequilíbrios vários que tinham penalizado a
atividade nos anos mais recentes.
Crescimento Económico Mundial
2015 2016 2017 Mundo 3,4 3,2 3,7 Países Avançados 2,2 1,7 2,3 EUA 2,9 1,5 2,3 UEM 2,0 1,8 2,4 Reino Unido 2,2 1,9 1,7 Japão 1,1 0,9 1,8 Países em Desenvolvimento 4,3 4,4 4,7 África 3,4 1,4 2,7 Ásia 6,8 6,4 6,5 China 6,9 6,7 6,8 Europa de Leste 4,7 3,2 5,2 Médio Oriente 2,7 4,9 2,5 América Latina 0,1 -0,7 1,3 Brasil -3,84 -3,5 1,1
Fonte: FMI (janeiro de 2018)
A recuperação cíclica da economia mundial esteve bem patente na dinâmica do comércio
internacional, que alimentou uma aceleração do investimento, em especial nas economias
desenvolvidas, e no aumento da produção da indústria transformadora. A taxa de
desemprego desceu, na generalidade das economias, contribuindo para a melhoria da
confiança dos consumidores e alimentando uma recuperação da despesa de consumo.
Para esta recuperação contribuíram igualmente as condições financeiras favoráveis, com
baixos níveis de taxas de juro, assim como baixos níveis de volatilidade, apesar de os bancos
centrais das economias desenvolvidas estarem a iniciar o processo de remoção dos
estímulos e políticas não-convencionais implementados na última década. Esta reversão de
políticas foi sempre acompanhada de uma estratégia de comunicação aos mercados visando
mitigar os impactos adversos e perturbações que pudessem comprometer a confiança e a
recuperação económica.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Nos EUA, a economia evoluiu positivamente, acelerando face a 2016. O crescimento de 2,3%
estimado para 2017 está alinhado com o crescimento potencial e marca o oitavo ano de
expansão consecutivo, num ciclo económico particularmente longo.
Este crescimento foi particularmente explicado pela melhor dinâmica de investimento, que
teve um contributo positivo, ao nível do investimento fixo, e um menor contributo negativo do
lado da variação de existências. O contributo do consumo privado para o crescimento
permaneceu basicamente inalterado, sendo que a taxa de desemprego desceu ligeiramente,
para 4,4% em média anual (-50p.b. face a 2016).
No final de 2017, o Senado e a Câmara dos Representantes chegaram a acordo para uma
reforma fiscal, com uma descida generalizada dos impostos, em especial para as empresas,
que pode produzir um importante estímulo para a atividade no ano de 2018, sobrepondo-se
aos riscos associados à incerteza quanto à política comercial da Administração Trump.
A Reserva Federal dos EUA, ao longo do ano, manteve a sua política de remoção gradual
dos estímulos, subindo a principal taxa de juro de referência por três vezes, em passos de
25p.b., para o intervalo de 1,25%-1,50%, enquanto a sua indicação de atuação futura
continuou a suportar expetativas de entre duas a três subidas, de igual dimensão, em 2018.
Em junho de 2017, a Reserva Federal detalhou o seu plano de remoção gradual dos
estímulos, que tinha comunicado três meses antes: a partir de setembro, o banco central dos
EUA deixou de reinvestir mensalmente um determinado montante de ativos, a iniciar em 10
mil milhões de dólares e aumentar gradualmente ao longo do tempo, até atingir 50 mil milhões
mensais decorridos doze meses.
Na zona euro, o ano de 2017 foi de consolidação do crescimento económico, aprofundando e
reforçando a recuperação iniciada em 2017. As taxas de crescimento são mais homogéneas
entre os diferentes países, destacando-se a recuperação em França e Itália, após a quase
estagnação dos anos anteriores.
O pesado ciclo eleitoral europeu não penalizou o crescimento, apesar da incerteza existente
no início do ano quanto à eventual ascensão de forças populistas ao poder em alguns países,
em especial em França, mas a vitória de Emanuel Macron e a sua agenda europeísta e
reformista tiveram um contributo positivo para a confiança. Na Alemanha, as eleições gerais
de setembro ditaram, após um impasse negocial, à repetição de um Governo de coligação
entre a CDU/CSU e o SPD.
Em Espanha, o crescimento abrandou, numa consolidação da recuperação, mas também
devido à instabilidade causada pelo processo independentista na Catalunha, que conduziu
inclusive à mudança de sede social (e tributária) por muitas das empresas que tinham a sua
sede na Catalunha. Ainda assim, Espanha cresceu acima de 3% em 2017.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
PIB Inflação UEM 2,4 1,5 Alemanha 2,2 1,7 França 1,8 1,2 Espanha 3,1 2,0 Itália 1,5 1,3 Fonte: CE (janeiro 2018)
Fruto da dinâmica de crescimento, o Banco Central Europeu reavaliou a sua política
monetária, em especial as medidas não convencionais. Deixou inalteradas as taxas de juro de
referência mas, em março de 2017, reduziu o volume de aquisição de ativos financeiros, em
20 mil milhões de euros mensais, para 60 mil milhões de euros. Já em dezembro, o BCE
comunicou que, com efeitos a partir de janeiro de 2018, o volume de aquisição de ativos seria
reduzido em metade, para 30 mil milhões de euros mensais, e que o programa terminaria,
salvo situações que requeiram medidas excecionais, em setembro de 2018. Posteriormente, o
BCE substituirá as emissões de dívida em carteira que vençam por novas aquisições, assim
mantendo inalterado o volume total de ativos adquiridos.
No Reino Unido, o processo do Brexit prosseguiu, mas num quadro político mais difícil, após
as eleições antecipadas de 8 de junho terem resultado numa perda da maioria absoluta do
Governo conservador na Câmara dos Comuns. A erosão de poder político refletiu-se numa
menor capacidade negocial com os restantes 27 estados-membro da União Europeia, após a
ativação do artigo 50.º do Tratado de Lisboa, em março. No término da primeira fase negocial,
quanto aos termos do “divórcio”, o Reino Unido cedeu em alguns pontos-chave, como a
fronteira com a República da Irlanda ou os direitos dos cidadãos europeus que residem no
Reino Unido. A data de efetivação do Brexit foi fixada nas 23 horas do dia 29 de março de
2019. Os “27” acordaram que o período de transição terminará a 31 de dezembro de 2020,
sendo que o Reino Unido pretendia um período mais extenso.
A economia britânica continuou a desacelerar, ainda que de forma gradual, e “contrariando”
alguns cenários que colocavam a possibilidade de uma recessão no imediato. A depreciação
da libra, associada aos baixos níveis de desemprego, contribuiu para que a inflação
ultrapassasse a barreira de 3%, pelo que o Banco de Inglaterra subiu a principal taxa de
referência, pela primeira vez desde julho de 2007, para 0,5% (+25p.b.).
Nas economias emergentes, o ano foi igualmente caracterizado pela recuperação da
atividade económica. Na China, que nos últimos anos tem estado sob especial escrutínio e
sido foco de alguma incerteza, as medidas adotadas pelas autoridades permitiram uma
estabilização do crescimento. Em 2017, o PIB terá crescido 6,8%, mas os temas de
desaceleração estrutural da atividade permanecem, também com a alteração do modelo de
crescimento.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Na América Latina, a atividade evoluiu também de forma mais favorável, saindo da situação
recessiva que caracterizou os últimos anos, em grande medida devido à recuperação
observada no Brasil que, em 2017, cresceu em redor de 1%, após a contração acumulada de
aproximadamente 8% nos dois anos anteriores. No México, a incerteza associada à evolução
da relação comercial com os EUA e o futuro da NAFTA, contribuiu para uma moderação do
crescimento.
Os mercados financeiros evidenciaram uma relativa acalmia, patente nos reduzidos níveis de
volatilidade e nos baixos níveis de taxas de juro, apesar da reversão que se inicia no ciclo
monetário, com os bancos centrais a subir taxas de juro de referência e a reduzir ou mesmo
reverter os volumes de liquidez injetados no mercado.
As taxas de juro de curto prazo, nos EUA e no Reino Unido, refletiram as alterações de taxas
de referência pelos respetivos bancos centrais, subindo, em especial nos EUA, onde a
Reserva Federal mantém a orientação de subida. A divergência com a dinâmica de taxas na
zona euro ampliou-se, na medida em que o BCE, apesar de reduzir os volumes de aquisição
de ativos, continua a sinalizar que poderá agir se, e quando, necessário.
Fonte: Bloomberg
Taxas de Juro 3 Meses
-0,5% 0,0% 0,5% 1,0% 1,5% 2,0%
dez-16 fev-17 mar-17 mai-17 jun-17 ago-17 set-17 nov-17 dez-17 UEM
EUA Reino Unido
O movimento de repricing das taxas de juro de longo prazo, que já se tinha iniciado no ano
transato, prosseguiu, embora de forma diferenciada. Nos EUA, as taxas de juro a 10 anos
consolidaram em redor de 2,5%, refletindo expetativas de que o ciclo de subida das taxas de
referência será gradual, num contexto de inflação controlada. Na Alemanha, as yields
consolidaram em níveis positivos, embora abaixo de 0,5%, após terem estado em terreno
negativo durante parte do ano de 2016.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Fonte: Bloomberg
Taxas de Juro 10 Anos
0,0% 0,5% 1,0% 1,5% 2,0% 2,5% 3,0% 3,5% 4,0% 4,5% 5,0%
dez-16 fev-17 mar-17 mai-17 jun-17 ago-17 set-17 nov-17 dez-17
Alemanha EUA Portugal
O melhor enquadramento económico na Europa suportou a correção dos desequilíbrios
orçamentais, com a generalidade dos países a reduzir os défices e a estabilizar ou mesmo
descer o rácio da dívida pública face ao PIB.
Em Portugal, as yields desceram, de forma sustentada ao longo do ano, até cerca de 2%, no
prazo dos 10 anos. O mais sólido crescimento económico e o compromisso com as metas
orçamentais materializaram-se na melhoria do rating atribuído à República pelas agências
S&P e Fitch, para níveis de investment grade.
Fonte: Bloomberg
Diferenciais de taxas de juro de longo prazo face Alemanha (pb)
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450
dez-16 fev-17 mar-17 mai-17 jun-17 ago-17 set-17 nov-17 dez-17 França Itália Espanha Portugal Irlanda
Neste enquadramento, e na zona euro, os spreads face à Alemanha estreitaram de forma
generalizada, mas com especial destaque para o da dívida pública portuguesa, que se
reduziu de quase 400p.b. no início do ano para 150p.b. no final de 2017, chegando mesmo a
situar-se abaixo do spread da dívida italiana.
No mercado cambial, a principal dinâmica caracterizou-se pela apreciação do euro face à
generalidade das divisas. Apesar das diferenças de política monetária e de taxas de juro de
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
política anterior, a Administração Trump por várias vezes referiu que um dólar mais fraco era
do interesse da economia norte-americana.
A libra esterlina registou uma depreciação mais moderada, até porque um movimento mais
forte já se tinha registado em 2016, após o referendo do Brexit. Face ao dólar, a libra reverteu
parte da depreciação registada em 2016.
Fonte: BCE
Principais Taxas de Câmbio (Dez-2016 = 100) 85 90 95 100 105 110 115 120
dez-16 fev-17 mar-17 mai-17 jun-17 ago-17 set-17 nov-17 dez-17 EUR/USD EUR/GBP
EUR/JPY Indice de Taxa de Câmbio Efectivo
A generalidade dos mercados acionistas registou uma valorização no ano de 2017, num
movimento que se reforçou a partir do segundo trimestre, quando os dados de crescimento
económico reforçaram as expectativas de que a recuperação era sustentada.
Nos EUA, os mercados acionistas valorizaram de forma continuada, mas reforçaram a
tendência após o verão, não só com a consolidação do crescimento, mas sobretudo pela
aprovação da reforma fiscal pelo Congresso, com uma descida da carga fiscal sobre as
empresas.
Fonte: Bloomberg Mercados Acionistas (Dez-16 = 100) 90 95 100 105 110 115 120 125 130dez-16 fev-17 mar-17 mai-17 jun-17 ago-17 set-17 nov-17 dez-17 Portugal Europa
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Na Europa, a recuperação dos mercados acionistas foi mais tímida, pontualmente afetada
pelos processos eleitorais em países de relevo, como a Holanda, a França e a Alemanha. No
final do ano, regressou um sentimento de alguma incerteza, devido aos desenvolvimentos
políticos na Catalunha e às expetativas de eleições antecipadas em Itália.
Em Portugal, o principal índice PSI-20 registou uma valorização de cerca de 15%, com a
generalidade das cotadas a evoluir positivamente, embora algumas empresas tenham
refletido sobretudo temas de reorganização da estrutura acionista. O melhor momento
macroeconómico, do ponto de vista de crescimento e de correção dos principais
desequilíbrios, e a melhoria da notação de risco da República, para investment grade,
contribuíram para esta evolução.
Fonte: Bloomberg
Preços do petróleo Brent, em dólares por barril e Índice de matérias-primas (variação homóloga)
-60 -40 -20 0 20 40 60 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 Brent (US$/barril, esq.)
Índice Matérias-Primas (var. homóloga, dir.)
O preço do petróleo valorizou cerca de 19%, para 66 dólares por barril, no final do ano, assim
recuperando os níveis mais elevados desde 2015. As perspetivas de forte procura, os
acordos entre a OPEP e outros produtores para a redução da produção e a instabilidade
geopolítica sentida na região do Médio Oriente contribuíram para esta valorização.
Uma dinâmica similar foi registada para as demais matérias-primas, desde os metais de base
até, embora em menor escala, aos cereais.
O ouro, apesar dos baixos níveis de volatilidade, manteve o seu papel de ativo de refúgio, em
parte no quadro de instabilidade na península da Coreia, tendo atingido um máximo de 1.360
dólares no verão, para terminar o ano em redor de 1.330 dólares por onça.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Economia Portuguesa
A melhoria da conjuntura económica internacional, entre 2015 e 2017, potenciou uma
recuperação mais rápida da economia portuguesa, suportada pelo crescimento das
exportações, reflexo da capacidade das empresas portuguesas em reorientarem os seus
produtos e serviços para um mercado externo mais diversificado.
Dados Macroeconómicos 2015 2016 2017 PIB 1,8 1,6 2,7 Consumo Privado 2,3 2,1 2,2 Consumo Público 1,3 0,6 0,1 Investimento 6,4 0,8 8,4 Exportações 6,1 4,4 7,9 Importações 8,5 4,2 7,9 Inflação média 0,5 0,6 1,4 Desemprego 12,4 11,1 8,9
Saldo Orçamental (% do PIB) -3,1 -2,0 -0,9 Dívida pública (% do PIB) 128,8 129,9 125,7 Bal. Corrente e Capital (% do PIB) 1,3 1,6 1,4 Fonte: INE, Banco de Portugal, Ministério das Finanças
Em 2017, a economia portuguesa cresceu cerca de 2,7%, com as exportações a crescerem
7,9% e a serem o principal motor de crescimento com uma contribuição de 3,3p.p. para o
crescimento total. O segundo motor foi a formação bruta de capital fixo (FBCF), que cresceu
8,4%, com todas as suas componentes a registarem crescimentos positivos, em especial o
investimento em transportes (+19,6%), máquinas e equipamentos (+14,5%) e construção
(+8%). A FBCF contribuiu 1,4p.p. para o crescimento total da economia. O terceiro motor foi o
consumo privado, que cresceu 2,2%, suportado em particular pela aquisição de bens
duradouros (+6,0%).
Fonte: INE
Contributos para o Crescimento do PIB (tvh) -1,1% 0,9% 1,8% 1,5% 2,7% -3% -2% -1% 0% 1% 2% 3% 2013 2014 2015 2016 2017
Consumo privado Consumo público Investimento Exportações líquidas Produto interno Bruto (Real)
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
O mercado de trabalho continuou a melhorar ao longo do ano de 2017, com a taxa de
emprego efetiva (contratos permanentes) a rondar os 60% da população ativa em 2017. Em
2017, foram criados +161,3 mil postos de trabalho. A taxa de desemprego reduziu-se para
8,1% no quarto trimestre, o nível mais baixo desde 2009, enquanto em média anual a taxa se
reduziu para 8,9%.
Fonte: INE Taxa de Desemprego (%) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 Desemprego >2 Anos Desemprego 1-2 Anos Desemprego < 1 ano Taxa de DesempregoApesar da melhoria da atividade económica e do mercado de trabalho, no terceiro trimestre
de 2017, a taxa de poupança das famílias diminuiu para 4,4% do rendimento disponível bruto,
fruto de um crescimento mais pronunciado do consumo (+3,4%) face a um crescimento mais
moderado do rendimento disponível (1,7%), em termos homólogos.
Resultado da melhoria da competitividade das empresas exportadoras portuguesas,
verificou-se um aumento sustentado do peso das exportações no PIB, com estas a pesarem 43% do
PIB em 2017 (em termos nominais), enquanto em 2008 representavam 27%.
Consequentemente, a balança comercial passou de défices recorrentes médios anuais de 8%
do PIB, para excedentes comerciais de 2% do PIB, desde 2013. Em 2017, a balança
comercial situou-se em 1,5% do PIB nominal.
Merece destacar o aumento das exportações de bens, contribuindo para a redução efetiva da
posição deficitária em 8,8p.p. do PIB, nos últimos 8 anos (ou seja, passando de um défice de
15,3% em 2008 para 6,5% em 2017). Na origem desta melhoria expressiva esteve o aumento
das exportações de metais e máquinas que, no seu conjunto representam 34% do total das
exportações de bens.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Fonte: Banco de Portugal, INE
Balança Corrente e de Capital (% PIB) -20,0 -15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 2001 2005 2009 2013 2017 Bens Capital Serviços Rendimentos
As exportações de serviços continuam a reforçar a sua posição excedentária, com o turismo a
contribuir em +5p.p. do PIB, de um saldo total de +7p.p., em 2017. Atualmente, as
exportações de turismo pesam 7% do PIB.
O elevado endividamento da economia (338% do PIB nominal no quarto trimestre de 2017) é
ainda uma restrição ao crescimento económico, com especial incidência sobre o investimento,
bem como continua a ser o maior fator de risco no médio prazo. Apesar do processo de
desalavancagem, no quarto trimestre de 2017, o sector privado registou um rácio de
endividamento de 212% do PIB, dos quais, 74% são das famílias (53% em crédito habitação
e 21% crédito ao consumo) e 138% é das empresas não financeiras. O sector público
registou um rácio de 125,7% do PIB, descendo de forma pronunciada no final do ano, com a
amortização antecipada de uma parte significativa dos empréstimos ao FMI.
A evolução das finanças públicas, em 2017, registou um défice orçamental de 0,9% do PIB,
melhor do que o inicialmente previsto, no orçamento de Estado para 2017, que era um défice
de 1,4%, fruto do crescimento superior ao esperado das receitas totais (+4,9%), em particular,
das fiscais indiretas (+6%) e do aumento das contribuições sociais (+4%), associado a uma
despesa pública com um crescimento +3,5%.
A queda do custo com o serviço da dívida pública (-2,5%) limitou um crescimento mais
acentuado da despesa pública. O orçamento de Estado para 2018 prevê défice orçamental
das administrações de públicas de 1,0% do PIB.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Fonte: Ministério das Finanças
Receita Efetiva e Despesa Primária (€ mn) 78.042 81.003 73.994 75.278 2016 2017 2016 2017
Receita Efetiva Despesa Primária
As taxas de juro da dívida da República Portuguesa continuam a registar níveis mínimos, fruto
da redução da perceção do risco soberano por parte dos investidores, alavancada pela boa
performance económica e pela evolução das contas públicas, e que se materializou na
melhoria da notação de rating da República para “BBB-“, já em investment grade, pela
Standard and Poors, em setembro, e, em dezembro de 2017, para “BBB” pela Fitch. Em
janeiro de 2018, a taxa de juro a 10 anos cotava em níveis abaixo dos 2,0%, e o diferencial
face à dívida alemã era inferior a 150p.b. (e inferior ao correspondente spread da dívida
italiana).
Fonte: Ministério das Finanças Défice Orçamental (% PIB) -5,6 -3,2 -0,9 0,3 1,3 1,3 1,9 2,9 -2,9 -4,3 -4,9 -4,8 -4,9 -4,6 -4,2 -3,8 -2,6 0,2 0,1 -0,3 -3,6 -1,2 0,2 0,2 -11,2 -7,4 -5,7 -4,8 -7,2 -4,4 -2,0 -0,9 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 One-offs Juros
Saldo Primário Saldo Global
Em 2017, o Tesouro manteve o regular acesso aos mercados financeiros internacionais, e
continuou focado na diversificação das fontes de financiamento, em especial no segmento de
retalho. Em 2017, foram colocados cerca de 7 mil milhões de euros em produtos de aforro
para as famílias, repartidos entre OTRV e Certificados de Poupança. No final do ano, o
Tesouro ajustou as condições de remuneração dos produtos de aforro às yields da dívida
pública, traduzindo-se numa descida das taxas de juro.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Esta captação da poupança das famílias não teve impacto visível sobre os volumes de
depósitos de particulares junto do sistema financeiro nacional, na medida em que
permaneceram quase inalterados face a 2016.
O setor financeiro português, em 2017, prosseguiu os vários processos de restruturação. O
banco público concluiu a recapitalização acordada com as autoridades europeias, e, em
outubro, o Fundo de Resolução concluiu a venda do Novo Banco ao fundo LoneStar, embora
mantendo uma participação de 25% no capital. Já no final do ano, e na sequência da medida
de resolução aplicada ao Banco Popular Español (que foi adquirido pelo Banco Santander), o
Banco Santander Totta adquiriu e incorporou por fusão o Banco Popular Portugal.
A dinâmica dos agregados de crédito continuou a ser caraterizada pela desalavancagem, em
grande medida associada à gestão dos ativos não produtivos que os bancos detêm em
balanço. Entre dezembro de 2016 e setembro de 2017, de acordo com os dados do Banco de
Portugal, o stock de empréstimos non-performing reduziu-se em 6,5 mil milhões de euros.
Esta evolução anulou os efeitos de incremento da nova produção de crédito aos particulares
(mais quase 3 mil milhões de euros, em grande medida no crédito hipotecário), já que a nova
produção de crédito a empresas registou uma redução de 3,3% no ano.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
ATIVIDADE
DA
SOCIEDADE
Durante o ano de 2017,a Gamma – Sociedade de Titularização de Créditos, S.A., prosseguiu
a sua normal atividade, procedendo à realização e gestão de operações de titularização de
créditos, cujo saldo das obrigações em dívida a 31/12/2017, ascende aproximadamente a
1.771 milhões de euros correspondentes às seguintes operações sob gestão:
Obrigações em dívida milhares de euros
Operações 2017 2016 Ecuador 4 924 5 602 Azor I 38 303 50 489 Azor II 164 700 181 213 Atlantes II 180 252 200 886 Atlantes III 339 636 375 439 Atlantes IV 388 206 428 998 Atlantes V 339 794 378 211 Atlantes VII 279 176 309 321 Finance VI - 56 982 Atlantes SME 4 - 406 275 Atlantes SME 5 - 508 212 Fenix 36 269 41 599 Chaves 6 - 152 331 1 771 258 3 095 558
No decurso do exercício de 2017, destacaram-se como principais eventos ocorridos, os
seguintes:
• Reembolso antecipado da operação Atlantes SME n.º 5 em 28 de abril de
2017;
• Reembolso antecipado da operação Atlantes Finance n.º 6 em 20 de junho de
2017;
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
• Reembolso antecipado da operação Chaves Funding n.º 6 em 10 de julho de
2017.
As obrigações das operações supra indicadas foram reembolsadas na totalidade, pelo
respetivo valor de capital em dívida acrescidos de juros corridos até ao momento de
reembolso, por decisão dos respetivos obrigacionistas.
As decisões de reembolso antecipado surgiram num momento em que as classes das
obrigações mais séniores, colocadas junto de investidores, já haviam sido integralmente
amortizadas no decurso normal da vida das operações.
A Gamma terminou o exercício de 2017 com um total de 9 operações sob gestão, na
qualidade de emitente das obrigações.
SITUAÇÃO ECONÓMICA E FINANCEIRA
Em 31 de dezembro de 2017 o total do ativo líquido ascendia a 1.813,9 milhões de euros,
representando um decréscimo de cerca de 38% em relação a 2016, com destaque para as
seguintes rubricas:
(milhares de euros) 2017 2016 Variação
Disponibilidades em outras instituições de crédito 372 428,9 604 746,0 -38%
Ativos financeiros detidos para negociação 10 063,4 8 818,5 14%
Crédito a clientes 1 409 084,2 2 233 432,8 -37%
Outros ativos 22 232,5 90 853,3 -76%
Total do Activo 1 813 977,8 2 937 973,7 -38%
Na mesma data, a situação líquida e o passivo totalizavam, respetivamente, 6.869 milhares
de euros e 1.807,1 milhões de euros.
Nas rubricas de passivo, o peso maior encontra-se em “ Responsabilidades representadas
por títulos”, que diminuíram cerca de 39%, de 2 869 831 milhares de euros em 2016 para
1 738 091,2 milhares de euros em 2017.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
O resultado líquido apurado no exercício foi de 96 260 euros, o que corresponde a uma
diminuição de 71% face ao ano anterior.
Este resultado é justificado, por um lado, pela redução dos “proveitos operacionais” da
Sociedade (centro “Geral”) pois, por força dos reembolsos de quatro operações sob gestão já
referidas anteriormente, a Sociedade registou “Rendimentos de serviços e comissões” de
473 427 euros contra os 715 403 euros em 2016 e, por outro lado, por um acréscimo de
“custos operacionais”, que evoluíram de 116 803 euros em 2016 para 309 781 euros:
(eur) 2017 2016
Custos com Pessoal 9 446 106 342
Gastos Gerais Administrativos 148 789 8 344
Outros Resultados de Exploração (CMVM e Interbolsa) 151 546 2 117
Total 309 781 116 803
FUNDOS PRÓPRIOS
Em 31 de dezembro de 2017, os Fundos Próprios da Sociedade, tal como definidos no
Regulamento da CMVM nº. 12/2002, cumpriam com o disposto no artigo 43º. Do Decreto-Lei
nº. 453/99 de 5 de novembro, conforme alterado, e totalizavam aproximadamente 6.869
milhares de euros.
PERSPETIVAS FUTURAS
A sociedade continuará a exercer a sua atividade no âmbito do seu objeto social pretendendo
reforçar a sua participação no mercado nacional de titularização. No final do período em
análise, estava em curso a formalização de uma nova operação de titularização, que foi
concretizada no dia 9 de janeiro de 2018. Trata-se de uma operação de titularização de
créditos hipotecários (Hipototta No.13), no montante de 2 266 000 milhares de euros.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS
O Conselho de Administração, tendo em conta o Resultado Líquido positivo apurado em
2017, no montante de 96.260,29 euros (noventa e seis mil, duzentos e sessenta euros e vinte
e nove cêntimos), propõe à Assembleia Geral, nos termos da alínea f) do nº 5 do artº 66º e
para efeitos da alínea b) do nº 1 artº 376º, ambos do CSC, que o mesmo tenha a seguinte
aplicação:
Para Reserva Legal: 4.813,10 euros
Para Reservas Livres: 91.447,19 euros
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
NOTAS FINAIS
Por deliberação Unânime por Escrito do acionista único da Sociedade, o Banco Santander
Totta, S.A., de 23 de janeiro de 2017, foram nomeados os novos membros dos órgãos
sociais, para o exercício de funções para o triénio de 2017/2019:
Mesa da Assembleia Geral
Presidente:
José Manuel Galvão Teles
Vice-presidente:
António Maria Pinto Leite
Secretário:
Raquel Branquinho Garcia
Conselho de Administração
Presidente:
Manuel António Amaral Franco Preto
Vogais :
José Fernandes Caeiro
Conselho Fiscal
Presidente:
José Duarte Assunção Dias
Vogais :
Fernando Jorge Marques Vieira
Ricardo Manuel Duarte Vidal Castro
Suplente:
José Luis Areal Alves da Cunha
O Revisor Oficial Contas, PricewaterhouseCoopers & Associados - Sociedade de Revisores
Oficiais de Contas, Lda, representada pelo Senhor Dr. Aurélio Adriano Rangel Amado
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Ao concluir o seu relatório sobre a atividade desenvolvida durante o exercício de 2017, o
Conselho de Administração manifesta o seu agradecimento aos membros do Conselho Fiscal,
ao Revisor Oficial de Contas e às entidades de supervisão pelo apoio e colaboração
demonstrados.
Lisboa, 24 de abril de 2018
O Conselho de Administração
_________________________________________________
Dr. Manuel António Amaral Franco Preto
_________________________________________________
Dr. José Fernandes Caeiro
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
1.1.
Informação sobre as ações e obrigações previstas no art.º 447.º do Código das
Sociedades Comerciais, com referência a 31 de dezembro de 2017, incluindo o
movimento de ações e obrigações realizado durante o exercício de 2017.
Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 447º do Código das Sociedades
Comerciais, informa-se que nenhum dos membros dos órgãos de administração e fiscalização
da sociedade é titular de ações e/ou obrigações da sociedade, sendo que igualmente não
foram efetuadas aquisições, onerações ou cessações de titularidade desses títulos por parte
dos mesmos durante o ano de 2017.
1.2.
Informação nos termos do art.º 448.º do Código das Sociedades Comerciais
Lista de Acionistas a que se refere o n.º 4 do artigo 448º do Código das Sociedades
Comerciais, com referência a 31 de dezembro de 2017:
Titularidade
%
Banco Santander Totta, S.A.
100%
1.3. Informação sobre ações próprias nos termos do Art.º 324.º do Código das
Sociedades Comerciais
Nos termos do n.º 2 do Art.º 324.º do Código das Sociedades Comerciais, informa-se que não
se verificou, durante o exercício, qualquer movimento de ações próprias, não detendo a
Sociedade ações próprias a 31 de dezembro de 2017.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
1.4.
Informação sobre remuneração dos Órgãos de Administração e de Fiscalização
nos termos dos Art.ºs 2º e 3.º da Lei n.º 28/2009 de 19 de junho
De acordo com o artigo 2.º da Lei n.º 28/2009, de 19 de junho, será submetida a aprovação,
na próxima reunião da Assembleia Geral Ordinária da Sociedade, declaração anual sobre a
política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e de fiscalização, nos
termos previstos naquele diploma.
Aquela política remuneratória corresponde à aprovada pelo acionista de referência da
Sociedade, em 24 de janeiro de 2017, para todo o Grupo Santander, adaptada à circunstância
de apenas um dos membros do Conselho de Administração ser remunerado, auferindo
remuneração fixa.
Dando cumprimento ao disposto no artigo 3.º da mesma Lei n.º 28/2009, informa-se que o
mesmo membro do órgão de administração da Gamma – Sociedade de Titularização de
Créditos, S.A., auferiu remuneração em 2017, de natureza fixa, no valor total anual de
7 633,33 euros. Os demais administradores da Sociedade foram remunerados por outras
sociedades do Grupo Santander, na sua concomitante qualidade de administradores destas e
de acordo com os princípios e regras da mesma política de remunerações do Grupo
Santander.
Em relação ao órgão de fiscalização da sociedade, constituído pelo Conselho Fiscal, não
auferiu qualquer remuneração em 2017.
1.5. INFORMAÇÃO ANUAL SOBRE O GOVERNO SOCIETÁRIO
Todas as informações prestadas são reportadas à data de 31 de dezembro de 2017.
I. Participações qualificadas no capital social da sociedade
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Entidade
% do Capital
Social
Banco Santander Totta, S.A.
100%
II. Identificação de acionistas titulares de direitos especiais e descrição desses direitos
De acordo com o previsto no artigo 7.º dos Estatutos da Sociedade, por deliberação do
Conselho de Administração, a sociedade poderá emitir, quer no mercado interno quer no
mercado externo, obrigações titularizadas, podendo igualmente recorrer, com respeito pelas
limitações legais aplicáveis, a instrumentos financeiros de baixo risco e elevada liquidez.
Ainda nos termos das regras estatutárias, a Sociedade poderá emitir ações preferenciais sem
voto, bem como ações preferenciais remíveis, nos termos e com os limites legalmente
previstos.
Não existem, por referência a 31 de dezembro de 2017, acionistas titulares de direitos
especiais.
III. Eventuais restrições em matéria de direito de voto, tais como limitações ao exercício
do voto dependente da titularidade de um número ou percentagem de ações, prazos
impostos para o exercício do direito de voto ou sistemas de destaque de direitos de
conteúdo patrimonial
Em conformidade com o fixado no artigo 9.º dos Estatutos, apenas podem intervir e votar nas
reuniões da Assembleia Geral os acionistas que, até 5 dias antes da realização das mesmas,
comprovem a sua qualidade através do registo das ações ordinárias em seu nome, nos
termos legalmente previstos. Mais estabelecem as regras estatutárias que a cada 100 ações
corresponde um voto, podendo os acionistas fazer-se representar nas reuniões da
Assembleia Geral nos termos legais. Sendo pessoas coletivas, os acionistas poderão
fazer-se reprefazer-sentar por quem para o efeito nomeiem.
De acordo com o estabelecido no artigo 10.º dos Estatutos, os acionistas poderão exercer o
seu direito de voto por correspondência, nos termos seguintes:
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
i. A declaração de voto deverá ser recebida na sociedade até às 17 horas do dia útil
imediatamente anterior ao da realização da Assembleia Geral, sob pena de não poder ser
considerada;
ii. A declaração de voto deverá indicar os pontos da ordem de trabalhos a que respeita,
bem como, quando for o caso, a proposta concreta de deliberação a que se destina,
valendo como voto negativo em relação a propostas de deliberação apresentadas
ulteriormente à sua emissão;
iii. A circunstância da sociedade disponibilizar um boletim de voto padrão para cada
Assembleia Geral não prejudica a validade do voto por correspondência recebido sem
recurso ao mesmo, desde que o sentido de voto seja inteligível e inequívoco;
iv. A declaração de voto deverá ser endereçada ao Presidente da Mesa da Assembleia
Geral, que verificará a sua autenticidade e assegurará, até ao momento da votação, a
sua confidencialidade;
v. O voto por correspondência relevará para a formação do quórum constitutivo da
Assembleia Geral para a qual foi emitido e, salvo indicação expressa em contrário, valerá
igualmente para a segunda convocatória;
vi. A presença na Assembleia Geral do acionista que votou por correspondência, ou a do
seu representante, valerá como revogação do respetivo por correspondência.
As regras estatutárias não permitem a participação na Assembleia Geral através de meios
telemáticos.
IV. Regras aplicáveis à nomeação e substituição dos membros do órgão de
administração e à alteração dos estatutos da sociedade
As regras estatutárias estabelecem que a Sociedade é administrada por um Conselho de
Administração, composto de dois a cinco membros, acionistas ou não, a eleger pela
Assembleia Geral por períodos de três anos, podendo ser indicado, desde logo, o respetivo
Presidente.
Nos termos do artigo 12.º dos Estatutos, a falta de comparência de um Administrador,
consecutiva ou interpolada, em três reuniões do Conselho de Administração, em cada ano
civil, sem que seja prestada justificação devidamente aceite por este órgão, constituirá uma
falta definitiva, que deverá ser declarada pelo Conselho de Administração e determinar a
substituição do Administrador em causa, nos termos legais.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Não existem regras estatutárias especialmente aplicáveis à alteração dos estatutos, pelo que
as mesmas serão efetuadas em conformidade com o estabelecido no Código das
Sociedades Comerciais.
V. Poderes do órgão de administração, nomeadamente no que respeita a deliberações
de aumento do capital
Em conformidade com o fixado no artigo 6.º dos Estatutos, o Conselho de Administração
poderá determinar o aumento de capital social, por uma ou mais vezes, durante um período
de cinco anos, até um limite máximo de 1 milhão de euros.
VI. Principais elementos dos sistemas de controlo interno e de gestão de risco
implementados na sociedade relativamente ao processo de divulgação de informação
financeira
O sistema de controlo interno adotado pela Sociedade integra o conjunto de estratégias,
sistemas, processos, políticas e procedimentos implementados, com vista a garantir:
a) Um desempenho eficiente e rentável da atividade no médio e longo prazos, assegurando a
utilização eficaz dos ativos e recursos, a continuidade do negócio, uma adequada gestão e
controlo dos riscos da atividade, da prudente e adequada avaliação dos ativos e
responsabilidades, bem como da implementação de mecanismos de proteção contra
utilizações não autorizadas, intencionais ou negligentes;
b) A existência de informação financeira e de gestão, completa, pertinente, fiável e
tempestiva, que suporte as tomadas de decisão e processos de controlo;
c) O respeito pelas disposições legais e regulamentares aplicáveis, incluindo as relativas à
prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo, bem como das
normas e usos profissionais e deontológicos, das regras internas e estatutárias, das regras
de conduta e de relacionamento com clientes, das orientações dos órgãos sociais, de
modo a proteger a reputação da instituição e a evitar que esta seja alvo de sanções.
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
O sistema de controlo interno encontra-se implementado pela Sociedade de acordo com as
práticas existentes no acionista.
Lisboa, 24 de abril de 2018
O Conselho de Administração
_________________________________________________
Dr. Manuel António Amaral Franco Preto
_________________________________________________
Dr.José Fernandes Caeiro
GAMMA
Sociedade de Titularização de Créditos, S.A.
Índice
2. Anexo às Demonstrações Financeiras ... 38 2.1 Informação Geral ... 38 2.2 Bases de apresentação e principais políticas contabilísticas ... 38 2.3 Resumo das principais políticas contabilísticas ... 41 2.4 Principais estimativas e incertezas associadas à aplicação das políticas contabilísticas ... 45 2.5 Relato por Segmentos ... 46 3. Disponibilidades em instituições de crédito ... 46 4. Ativos financeiros detidos para negociação ... 47 5. Crédito a clientes ... 47 6. Ativos intangíveis... 47 7. Ativos e passivos por impostos correntes ... 48 8. Outros ativos ... 48 9. Passivos financeiros detidos para negociação ... 48 10. Recursos de outras instituições de crédito ... 49 11. Responsabilidades representadas por títulos... 49 12. Outros passivos ... 50 13. Capital próprio ... 50 14. Juros e rendimentos similares e juros e encargos similares ... 51 15. Rendimentos e encargos de serviços e comissões ... 51 16. Resultados de ativos e passivos avaliados ao justo valor através de resultados ... 51 17. Resultados de ativos financeiros disponíveis para venda ... 52 18. Resultados de reavaliação cambial ... 52 19. Resultados de alienação de outros ativos ... 52 20. Outros resultados de exploração ... 52 21. Custos com pessoal ... 53 22. Gastos gerais administrativos ... 53 23. Imparidade de outros ativos financeiros líquida de reversões e recuperações ... 53 24. Impostos correntes ... 54 25. Gestão do capital ... 54 26. Saldos e transações com partes relacionadas ... 55 27. Gestão de risco ... 55 27.1 Risco de Crédito ... 56 27.2 Risco de Mercado ... 61 27.3 Risco Cambial ... 61 27.4 Risco de Taxa de Juro ... 61 27.5 Risco de Liquidez ... 61 28. Justo Valor ... 62 29. Análise detalhada das operações ... 63
A Administração O Contabilista Certificado
Dem onstração da Posição Financeira em 31 de dezem bro de 2017 e 2016 (Montantes expressos em Euros)
Geral Total Operações
31-12-2016 31-12-2017 31-12-2016 31-12-2017 31-12-2016 Notas Valor antes de im paridade e am ortizações Im paridade e
am ortizações Valor líquido Valor líquido
Valor antes de im paridade e am ortizações
Im paridade e
am ortizações Valor líquido Valor líquido
Valor antes de im paridade e am ortizações
Im paridade e
am ortizações Valor líquido Valor líquido
Ativo
Disponibilidades em outras instituições de crédito 3 372.428.996 - 372.428.996 604.746.094 6.845.545 - 6.845.545 6.732.688 365.583.451 - 365.583.451 598.013.406 Ativos financeiros detidos para negociação 4 10.063.371 - 10.063.371 8.818.427 - - - - 10.063.371 - 10.063.371 8.818.427 Crédito a clientes 5 1.466.423.185 (57.338.901) 1.409.084.284 2.233.432.818 - - - - 1.466.423.185 (57.338.901) 1.409.084.284 2.233.432.818 Activos intangíveis 6 61.304 - 61.304 - 61.304 - 61.304 - - - - -Ativos por impostos correntes 7 107.253 - 107.253 123.039 107.253 - 107.253 123.039 - - - -Outros ativos 8 22.245.149 (12.597) 22.232.552 90.853.277 47.514 (12.597) 34.917 61.137 22.197.635 - 22.197.635 90.792.140
Total do Ativo 1.871.329.258 (57.351.498) 1.813.977.760 2.937.973.655 7.061.616 (12.597) 7.049.019 6.916.864 1.864.267.642 (57.338.901) 1.806.928.741 2.931.056.791
Passivo
Passivos financeiros detidos para negociação 9 - 221.135 - - - 221.135 Recursos de outras instituições de crédito 10 20.412.237 26.428.392 - - 20.412.237 26.428.392 Responsabilidades representadas por títulos 11 1.738.091.278 2.869.831.074 - - 1.738.091.278 2.869.831.074 Passivos por impostos correntes 7 28.277 119.858 28.277 119.858 - -Outros passivos 12 48.576.074 34.599.562 150.848 23.372 48.425.226 34.576.190
Total do Passivo 1.807.107.866 2.931.200.021 179.125 143.230 1.806.928.741 2.931.056.791
Capital Próprio
Capital 13 250.000 250.000 250.000 250.000 -
-Outros instrumentos de capital 13 4.035.000 4.035.000 4.035.000 4.035.000 - -Outras reservas e resultados transitados 13 2.488.634 2.156.076 2.488.634 2.156.076 - -Resultado do exercício 13 96.260 332.558 96.260 332.558 -
-Total do Capital Próprio 6.869.894 6.773.634 6.869.894 6.773.634 -
-Total do Capital Próprio e Passivo 1.813.977.760 2.937.973.655 7.049.019 6.916.864 1.806.928.741 2.931.056.791
O anexo faz parte integrante da demonstração da posição financeira em 31 de dezembro de 2017.
31-12-2017 Total
A Administração O Contabilista Certificado
Dem onstração dos Resultados em 31 de dezem bro de 2017 e 2016 (Montantes expressos em Euros)
Geral Total Operações Notas
31-12-2017 31-12-2016 31-12-2017 31-12-2016 31-12-2017 31-12-2016
Juros e rendimentos similares 14 23.300.343 75.691.625 783 - 23.299.560 75.691.625
Juros e encargos similares 14 (32.795.752) (56.495.022) - - (32.795.752) (56.495.022)
Margem Financeira (9.495.409) 19.196.603 783 - (9.496.192) 19.196.603
Rendimentos de serviços e comissões 15 473.427 715.403 439.827 715.403 33.600
-Encargos com serviços e comissões 15 (4.235.103) (147.544) (3.944) (146.641) (4.231.159) (903)
Resultados de ativos e passivos avaliados ao justo valor através de resultados 16 480.044 8.167.743 - - 480.044 8.167.743
Resultados de ativos financeiros disponíveis para venda 17 (12.349.443) - - - (12.349.443)
-Resultados de reavaliação cambial 18 (1.247) 539 (1.247) 539 -
-Resultados de alienação de outros ativos 19 (16.111.442) 4.818.283 - - (16.111.442) 4.818.283
Outros resultados de exploração 20 22.066.711 (45.609.848) (151.546) (2.117) 22.218.257 (45.607.731)
Produto bancário (19.172.462) (12.858.821) 283.873 567.184 (19.456.335) (13.426.005)
Custos com pessoal 21 (9.446) (106.342) (9.446) (106.342) -
-Gastos gerais administrativos 22 (793.872) (8.475.824) (148.789) (8.344) (645.083) (8.467.480)
Imparidade de outros ativos financeiros líquida de reversões e recuperações 23 20.101.418 21.893.485 - - 20.101.418 21.893.485
Resultado antes de im postos 125.638 452.498 125.638 452.498 -
-Impostos Correntes 24 (29.378) (119.940) (29.378) (119.940) -
-Resultado líquido do exercício 96.260 332.558 96.260 332.558 -
-O anexo faz parte integrante da demonstração de resultados em 31 de dezembro de 2017. Total
A Administração O Contabilista Certificado
(Montantes expressos em Euros)
31-12-2017
31-12-2016
Outro rendimento integral do exercício
-
-Resultado do exercício
96.260
332.558
Total do rendimento integral do exercício
96.260
332.558
O anexo faz parte integrante da demonstração do rendimento integral em 31 de dezembro de 2017.
Dem onstração de Alterações nos Capitais Próprios em 31 de dezem bro de 2017 e 2016 (Montantes expressos em Euros)
Capital Outros instrum entos
de capital Reserva legal
Outras reservas Resultados transitados Resultado do exercício Total do Capital próprio Saldo a 31 de dezem bro de 2015 250.000 4.035.000 135.086 1.566.622 (13.661) 468.029 6.441.075
Aplicação do resultado líquido do exercício anterior - - 23.401 444.628 - (468.029)
-Rendimento integral do exercício - - - 332.558 332.558
Saldo a 31 de dezem bro de 2016 250.000 4.035.000 158.487 2.011.250 (13.661) 332.558 6.773.634
Aplicação do resultado líquido do exercício anterior - - 16.628 315.930 - (332.558)
-Rendimento integral do exercício - - - 96.260 96.260
Saldo a 31 de dezem bro de 2017 250.000 4.035.000 175.115 2.327.180 (13.661) 96.260 6.869.894
O anexo faz parte integrante da demonstração de alterações nos capitais próprios em 31 de dezembro de 2017.
A Administração O Contabilista Certificado
Dem onstração dos Fluxos de Caixa para os exercícios findos em 31 de dezem bro de 2017 e 2016 (Montantes expressos em Euros)
Total Geral Total de Operações
2017 2016 2017 2016 2017 2016
Euros Euros Euros Euros Euros Euros
Atividades operacionais
Outros recebimentos / (pagamentos) relativos à atividade operacional (10.986.136) 42.082.501 112.074 (352.281) (11.098.210) 42.434.782
Fluxos das atividades operacionais (10.986.136) 42.082.501 112.074 (352.281) (11.098.210) 42.434.782 Atividades de investim ento
Recebimentos respeitantes a:
Crédito a clientes 1.134.070.685 873.195.360 783 - 1.134.069.902 873.195.360
Instrumentos financeiros (6.016.156) (16.010.604) - - (6.016.156) (16.010.604)
Fluxos das atividades de investimento 1.128.054.529 857.184.756 783 - 1.128.053.746 857.184.756 Atividades de financiam ento
Pagamentos respeitantes a:
Títulos de dívida emitidos (1.290.903.451) (812.308.229) - - (1.290.903.451) (812.308.229)
Juros e encargos similares (58.482.041) (80.975.841) - - (58.482.041) (80.975.841)
Fluxos das atividades de financiamento (1.349.385.492) (893.284.070) - - (1.349.385.492) (893.284.070) Variação da caixa e seus equivalentes (232.317.098) 5.983.187 112.858 (352.281) (232.429.956) 6.335.468 Caixa e seus equivalentes no início do período 604.746.094 598.762.907 6.732.688 7.084.969 598.013.406 591.677.938 Caixa e seus equivalentes no fim do período 372.428.996 604.746.094 6.845.545 6.732.688 365.583.451 598.013.406
2. Anexo às Demonstrações Financeiras
2.1 Informação Geral
A Gamma - Sociedade de Titularização de Créditos, S.A. (“Sociedade” ou “Gamma”), é uma sociedade anónima, com sede na Rua da Mesquita nº 6 Torre B 4º D 1070-238 Lisboa, que tem por objeto o exercício de atividades permitidas por lei às sociedades de titularização de créditos. A sociedade foi constituída em 17 de julho de 2006, ao abrigo do Decreto-lei nº 453/99, de 5 de novembro, revisto pelo Decreto-lei nº 82/2002, de 5 de abril, Decreto-lei nº 303/2003 de 5 de dezembro, Decreto-lei nº52/2006 de 15 de março e Decreto-lei nº211-A/2008 de 3 de novembro os quais regulamentam esta atividade. O capital social da Sociedade no montante de Euros 250.000 integralmente subscrito e realizado, encontra-se
representado por 50.000 ações ordinárias, que são detidas na íntegra pelo Banco Santander Totta, S.A (“Banco” ou “BST”). Durante o ano de 2017 a Sociedade teve na sua gestão as seguintes operações:
Operação
Início da Operação
Liquidação da Operação
Atlantes Mortgages No. 2 mar-08 set-60
Atlantes Mortgages No. 3 out-08 ago-61
Atlantes Mortgages No. 4 fev-09 dez-64
Atlantes Mortgages No. 5 dez-09 nov-68
Atlantes Mortgages No. 7 nov-10 ago-66
Azor Mortgages No. 1 dez-06 set-47
Azor Mortgages No. 2 jul-08 dez-65
Atlantes SME No. 4 set-14 jun-17
Atlantes SME No. 5 jul-15 abr-17
Atlantes Finance No. 6 dez-13 jun-17
Chaves 6 mar-15 jul-17
Fénix dez-14 dez-37
Ecuador Receivables dez-07 dez-21
2.2 Bases de apresentação e principais políticas contabilísticas
No âmbito do disposto no Regulamento (CE) n.º 1606/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho de 19 de julho de 2002, na sua transposição para a legislação Portuguesa através do Decreto-Lei n.º 35/2005, de 17 de fevereiro e do
Regulamento n.º 11/2005 da CMVM e respetivas adaptações do Regulamento nº 12/2002 da CMVM, as demonstrações financeiras da Sociedade devem ser preparadas de acordo com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (‘IFRS’) conforme endossadas pela União Europeia (‘UE’) até 31 de dezembro de 2017. As IFRS incluem os standards emitidos pelo International Accounting Standards Board (‘IASB’), bem como as interpretações emitidas pelo Internacional Financial
Reporting Interpretations Committee (‘IFRIC’) e pelos respetivos órgãos antecessores.
De acordo com o estabelecido no artigo nº1 alinha c) do Regulamento n.º 12/2002 da CMVM é imposto uma total
segregação patrimonial que permita identificar para cada emissão de obrigações titularizadas, os ativos que lhe são afetos assim como, segregar todos os custos e proveitos por cada categoria de ativos e de passivos associados a cada emissão de obrigações titularizadas. Face a esta característica o reembolso das respetivas obrigações está diretamente dependente da performance dos ativos subjacentes, pelo que, qualquer excesso de valores gerados pelos ativos será pago aos detentores das obrigações, e qualquer insuficiência será assumida pelos mesmos, não gerando resultados nas contas de exploração da sociedade.
As demonstrações financeiras da Sociedade relativas ao exercício findo em 31 de dezembro de 2017 foram aprovadas em reunião do Conselho de Administração em 26 de abril de 2018. As demonstrações financeiras são apresentadas em euros. As demonstrações financeiras foram preparadas com base no pressuposto da continuidade, conforme previsto no IAS 1 – Apresentação de demonstrações financeiras, e de acordo com o princípio do custo histórico, com exceção dos ativos e passivos registados ao seu justo valor, nomeadamente instrumentos financeiros derivados.
As políticas contabilísticas utilizadas pela Sociedade na preparação das suas demonstrações financeiras referentes a 31 de dezembro de 2017, são consistentes com as utilizadas na preparação das demonstrações financeiras com referência a 31 de dezembro de 2016.
A preparação de demonstrações financeiras em conformidade com as IFRS requer o uso de determinadas estimativas contabilísticas críticas, implicando também o exercício de julgamento pela Gestão, quanto à aplicação das políticas contabilísticas da Sociedade. As áreas das demonstrações financeiras que envolvem um maior grau de julgamento ou complexidade, ou as áreas cujos pressupostos e estimativas são significativos à preparação deste conjunto de demonstrações financeiras, encontram-se apresentadas na Nota 2.4.
No exercício de 2017, a Sociedade adotou as seguintes normas (novas e revistas) e interpretações adotadas (endorsed) pela União Europeia e que se tornaram efetivas a 1 de janeiro de 2017:
a) IAS 7 (alteração), ‘Revisão às divulgações’. Esta alteração introduz uma divulgação adicional sobre as variações dos passivos de financiamento, desagregados entre as transações que deram origem a movimentos de caixa e as que não, e a forma como esta informação concilia com os fluxos de caixa das atividades de financiamento da Demonstração do Fluxo de Caixa.
b) IAS 12 (alteração), ‘Imposto sobre o rendimento – Reconhecimento de impostos diferidos ativos sobre perdas potenciais’. Esta alteração clarifica a forma de contabilizar impostos diferidos ativos relacionados com ativos mensurados ao justo valor, como estimar os lucros tributáveis futuros quando existem
diferenças temporárias dedutíveis e como avaliar a recuperabilidade dos impostos diferidos ativos quando existem restrições na lei fiscal.
A adoção das normas e interpretações não teve relevância nas demonstrações financeiras da Sociedade.
Normas publicadas, cuja aplicação é obrigatória para períodos anuais que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2018, que a União Europeia já adotou (endorsed):
a) IFRS 9 (nova), ‘Instrumentos financeiros’. A IFRS 9 substitui os requisitos da IAS 39, relativamente: (i) à classificação e mensuração dos ativos e passivos financeiros; (ii) ao reconhecimento de imparidade sobre créditos a receber (através do modelo da perda esperada); e (iii) aos requisitos para o reconhecimento e classificação da contabilidade de cobertura.
Classificação e mensuração:
Tendo em consideração os ativos e passivos financeiros da Sociedade em 31 de dezembro de 2017, não são expectáveis impactos na classificação e mensuração desses instrumentos financeiros decorrentes da adoção da IFRS 9.
Imparidade:
No âmbito da IFRS 9, as perdas por imparidade deverão ser reconhecidas com base em perdas de crédito esperadas (ECL) em vez do reconhecimento de perdas incorridas, como previsto na IAS 39, e aplica-se a ativos financeiros classificados no custo amortizado, instrumentos de dívida mensurados ao justo valor por contrapartida de capitais próprios (“FVOCI”), contratos de empréstimos e certos contratos de garantia financeira, ativos contratuais abrangidos pela IFRS 15 e saldos a receber de locação.
A Sociedade aplicará as novas regras retrospetivamente a partir de 1 de janeiro de 2018, de acordo com a regras de adoção previstas na IFRS 9, pelo que os saldos comparativos de 2017 não serão reexpressos. A nova norma também introduz novos requisitos de divulgação, que serão apresentados nas
demonstrações financeiras de 2018.
A 1 de janeiro de 2018, os novos requisitos da IFRS 9 em termos de contabilidade de cobertura não são aplicáveis à Sociedade.
Ao longo do ano de 2018, a Sociedade irá continuar a desenvolver o modelo de cálculo das perdas por imparidade de acordo com a IFRS 9, em conjunto com os servicers / originadores das operações de titularização, com base na informação disponível a esta data, uma estimativa do impacto da adopção inicial da IFRS 9, a 1 de janeiro de 2018 nas demonstrações financeiras da Sociedade será de aproximadamente 5 milhões de euros em redução de imparidade. No entanto, é de salientar que esse impacto inicial irá repercutir-se na estimativa de perdas que serão assumidas pelos detentores das obrigações emitidas pelas operações de titularização, à luz das regras definidas nos respetivos prospetos de emissão.
b) IFRS 15 (nova), ‘Rédito de contratos com clientes’. Esta nova norma aplica-se apenas a contratos para a entrega de produtos ou prestação de serviços, e exige que a entidade reconheça o rédito quando a obrigação contratual de entregar ativos ou prestar serviços é satisfeita e pelo montante que reflete a contraprestação a que a entidade tem direito, conforme previsto na “metodologia das 5 etapas”.
c) IFRS 16 (nova), ‘Locações’ (a aplicar nos exercícios que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2019). Esta nova norma substitui o IAS 17, com um impacto significativo na contabilização pelos locatários que são agora obrigados a reconhecer um passivo de locação refletindo futuros pagamentos da locação e um ativo de “direito de uso" para todos os contratos de locação, exceto certas locações de curto prazo e de ativos de baixo valor. A definição de um contrato locação também foi alterada, sendo baseada no "direito de controlar o uso de um ativo identificado".
d) Alterações à IFRS 15, ‘Rédito de contratos com clientes’. Estas alterações referem-se às indicações adicionais a seguir para determinar as obrigações de desempenho de um contrato, ao momento do reconhecimento do rédito de uma licença de propriedade intelectual, à revisão dos indicadores para a classificação da relação principal versus agente, e aos novos regimes previstos para simplificar a transição.
e) IFRIC 22 (nova), ‘Operações em moeda estrangeira e contraprestação antecipada’. Esta interpretação ainda está sujeita ao processo de endosso pela União Europeia. Trata-se de uma interpretação à IAS 21 ‘Os efeitos de alterações em taxas de câmbio’ e refere-se à determinação da "data da transação" quando uma entidade paga ou recebe antecipadamente a contraprestação de contratos denominados em moeda estrangeira. A “data da transação” determina a taxa de câmbio a usar para converter as transações em moeda estrangeira.
Para além dos efeitos da adoção da IFRS 9 referidos na alínea a) acima, não se preveem impactos materiais resultantes da adoção das normas acima referidas.
Adicionalmente, até à data de aprovação das demonstrações financeiras anexas, foram também emitidas as seguintes normas, melhorias e interpretações ainda não adotadas (endorsed) pela União Europeia e de aplicação obrigatória para períodos anuais que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2019:
a) Melhorias às normas 2014 – 2016 (a aplicar, em geral, nos exercícios que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2017). Este ciclo de melhorias afeta os seguintes normativos: IFRS 1, IFRS 12 e IAS 28.
b) IFRS 9 (alteração), ‘Elementos de pré-pagamento com compensação negativa’. Esta alteração ainda está sujeita ao processo de endosso pela União Europeia. Esta alteração introduz a possibilidade de classificar ativos financeiros com condições de pré-pagamento com compensação negativa, ao custo amortizado, desde que se verifique o cumprimento de condições específicas, em vez de ser classificado ao justo valor através de resultados.
c) Melhorias às normas 2015 – 2017. Este ciclo de melhorias ainda está sujeito ao processo de endosso pela União Europeia. Este ciclo de melhorias afeta os seguintes normativos: IAS 23, IAS 12, IFRS 3 e IFRS 11.