Braz J Otorhinolaryngol. 2014;80(2):96-97
© 2014 Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. www.bjorl.org.br
Brazilian Journal of
OTORHINOLARYNGOLOGY
EDITORIAL
DOI se refere ao artigo: 10.5935/1808-8694.20140021
Como citar este artigo: Chone CT. Changing paradigms in treatment of larynx cancer. Braz J Otorhinolaryngol. 2014;80:96-7.
Changing paradigms in treatment of larynx cancer
Mudando os paradigmas no tratamento do câncer de laringe
O conceito habitual de tratamento conservador do câncer de laringe é equivocadamente interpretado pelos clínicos. Geralmente esse conceito se refere a um tratamento me-nos agressivo. Mas o que se considera habitualmente como modalidade terapêutica menos agressiva é a radioterapia, para o câncer de laringe em fase inicial, e a quimiorradia-ção para a fase avançada desse câncer. Mas em comparaquimiorradia-ção com a cirurgia os dois tratamentos não são menos agressi-vos, pois os pacientes são diariamente submetidos a doses elevadas de radioterapia, e quando a quimioterapia radios-sensibilizante é acrescentada à radioterapia, a toxicidade mais do que dobra.1 Esses efeitos tóxicos relacionados à mucosite, xerostomia, perda do paladar, neutropenia, com-prometimento renal, perda da audição, toxicidade hepática são prejudiciais. Para pacientes T4 tratados com quimiote-rapia de indução, 56% tiveram que passar por uma laringec-tomia total de resgate.2 Dentre os pacientes beneiciados
com uma resposta completa e sem doença, 36% icaram com
uma laringe afuncional, apesar da preservação do órgão.2
O percentual de recidiva local foi signiicativamente mais
elevado no grupo tratado com quimioterapia de indução.2
A sobrevida livre de doença foi signiicativamente curta no
grupo de quimioterapia, apesar de não ter sido
estatistica-mente signiicativa depois de transcorridos dois anos.2 Exa-minando a amostra do estudo VA, 75% dos pacientes tinham lesões T1,T2 (10%) ou T3 (65%) e em sua maioria padeciam de cânceres supraglóticos (62%), com apenas 25% de lesões T4;2 portanto nem todos os casos necessitariam de laringec-tomia total, e poderiam ter sido tratados com procedimento cirúrgico e preservação da função. Assim, se a amostra fosse formada exclusivamente com pacientes com lesões T4, os resultados teriam sido desapontadores. Em sua maioria, as recorrências de cânceres de laringe em fase inicial após a
radioterapia oferecem maior diiculdade de reconhecimento
em um cenário inicial de recorrência, e muitos desses casos necessitarão de uma laringectomia total de resgate.3 A la-ringectomia total de resgate em seguida à quimiorradiação resulta em maior percentual de complicações, por exemplo, fístulas faringocutâneas4, habitualmente dependendo do uso de um pedículo para proteção dos grandes vasos do
pes-coço, o que aumenta o tempo cirúrgico. Em recente revisão sistemática do banco de dados Cochrane,5 em pacientes com lesões T1 e T2 a sobrevida livre da doença é mais alta depois da cirurgia (100% e 79%, respectivamente), em com-paração com a radioterapia (71% e 60%, respectivamente). Em uma meta-análise de opções terapêuticas para lesões T1a, também foi observado um percentual mais elevado de preservação da laringe em seguida à cirurgia transoral com laser, em comparação com o percentual pós-radioterapia.3 Para os casos de câncer de laringe em fase inicial, o custo da cirurgia transoral com laser representa metade das des-pesas com radioterapia,6 com desfechos vocais e de quali-dade de vida comparáveis a essa última opção terapêutica, segundo uma revisão sistemática.7 As recomendações da American Society of Clinical Oncology, recentemente publi-cadas, sugerem o tratamento com preservação da função para lesões T1 e T2. Para aquela lesão T3 que necessite de laringectomia total, pode-se apelar para a quimiorradiação; para lesões T4, a recomendação é uma laringectomia to-tal.8 De acordo com estudos de volumetria tumoral, quanto maior for o tumor, menor será sua resposta. Essa resposta
de recidiva pode ser signiicativa para um volume tumoral
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total para lesões T4, a menos que o cirurgião se veja diante de um caso de lesão T1 ou T2 disseminada, ou de lesão T3 necessitando de laringectomia total.
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Carlos Takahiro Chone