Crônicas de Noritvy
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Lucas Giacobbo
1ª Edição
POD
KBR Petrópolis 2014Crônicas de Noritvy
L
ivro
iii: r
ebeca
Edição de texto Noga Sklar Editoração KBR
Capa KBR
Ilustrações do autor
Copyright © 2014 Lucas Giacobbo Todos os direitos reservados ao autor. ISBN 978-85-8180-290-9
KBR Editora Digital Ltda. www.kbrdigital.com.br
www.facebook.com/kbrdigital [email protected] 55|24|2222.3491
Lucas Giacobbo nasceu em 1981 no Rio de
Janeiro, onde ainda vive. É formado em Medicina pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques e se especializou em pediatria no Hospital Municipal Miguel Couto. É apaixonado por mitologia europeia e contos de cavalaria. Pela KBR, publicou também O
retorno do Cavaleiro Branco, primeiro publicado da Saga de Noritvy, e “Dragões”.
E-mail do autor: [email protected] Blog do autor: http://www.noritvy.com
Sumário
Nota do autor • 9 Parte I - Encontro • 11 1 - Francisco • 13 2 - A elfa • 17 3 - Pé na estrada • 21 4 - A estalagem e o mago • 25 5 - A feira e certas revelações • 31 6 - O choro, o animal e a muralha • 37Parte II - Cidade Muralha • 43
7 - A Muralha • 45
Parte III - Opala • 53
8 - Os últimos segredos • 55 9 - Batalha ao entardecer • 67 10 - A ninfa • 73
11 - A primeira luta de um garoto • 81 12 - Um grifo no caminho • 87 13 - Os centauros • 97 Parte IV - Vitória • 103 14 - Vitória • 105 15 - O tesouro • 113 16 - Preparativos • 121
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Parte V - Conselho de Guerra • 125
17 - Duelo • 127 18 - Planos de Guerra • 131 19 - A Batalha • 135 20 - Pós-guerra • 143 21 - O fim • 153 Linha do Tempo • 163
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Nota do autor
A
mente de um escritor é um ninho fervilhante de ideias, ou a minha, ao menos, é. Depois de concluir ORetorno do Cavaleiro Branco — até mesmo enquanto o
escrevia, e, mais à frente, quando já trabalhava em
Dra-gões — comecei a ter ideias para continuações, não
ne-cessariamente protagonizadas apenas por Lukhz e Ar-driel, mas também por seus filhos, irmãos, sobrinhos e amigos.
Algumas eu descartei, mas outras pus no papel e são algumas destas que trago aqui nesses três volumes de Crônicas de Noritvy. No Livro I, são histórias curtas, organizadas na ordem cronológica na qual ocorrem e não na ordem em que foram escritas, sendo que somente uma delas, a primeira delas, se passa antes dos aconte-cimentos de O Retorno, na verdade, bem antes, quando o pai do Lukhz ainda era o Cavaleiro Branco. Todos os outros textos se passam depois. Já o Livro II e o III trarão histórias um pouco maiores, e incluirão além disso ilus-trações originais do meu amigo e colaborador de longa data Nikolas Guilbor — sim, longa data, pois faz mais de seis anos que comecei a rascunhar O Retorno e ele me ajuda desde então.
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ginava? Não! Mas, para mim, esta é a graça: se você pe-dir a cinquenta ilustradores para desenharem o mesmo personagem de um livro, terá cinquenta desenhos dife-rentes — com elementos em comum, mas, ao mesmo tempo, diferentes. E, como escritor, gosto de ver como as pessoas imaginam aquilo que descrevo. É óbvio que adorei os desenhos, senão não estariam no livro, não é mesmo? Ah, devo também agradecer ao meu amigo Eduardo Pinho, que ajudou a arte-finalizar as imagens.
Por fim, para não você não ficar perdido, caro leitor, coloquei embaixo de cada título o ano de Noritvy em que se passa a história; ao final do Livro III haverá uma linha do tempo completa, onde explicarei direiti-nho o “marco zero” do calendário noritviano, aguarde, mas agora deixa eu parar de enrolar... e boa leitura!
Parte I
Encontro
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1 - Francisco
E
ssa história não é sobre um grande herói. É sobre um garoto comum, bem, quer dizer, não tão comum assim, mas que pensava ser comum. E, à primeira vista, tenho certeza de que vocês achariam isso também. De qualquer maneira, não é disso que se trata, e sim de como esse rapaz conseguiu ir parar num mundo saído de um ver-dadeiro conto de fadas e mudar a historia dele e a sua ao mesmo tempo.Num primeiro momento, a coisa que mais cha-mava atenção no garoto de 16 anos eram seus cabelos, vermelhos como o fogo, e as sardas no rosto, característi-cas tão raras entre os adolescentes do Rio de Janeiro que ficava impossível negar o sangue estrangeiro que corria em suas veias.
Francisco, assim ele se chamava, tinha sangue in-glês. Diziam até que descendia de um marinheiro que fizera fortuna vivendo aventuras em nome da Rainha Vitória. Agora, se era ou não descendente do tal aventu-reiro, até aquele momento ele mesmo não sabia. Só sabia que a única aventura que queria viver era a proporcio-nada por seus livros, pois era do tipo que não pensava duas vezes em trocar um maravilhoso dia de sol por um velho livro.
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Numa tarde dessas, quente como outra qualquer, vendo que seu filho não iria sair de casa para se divertir nem tinha nada novo para ler, a mãe de Francisco re-solveu lhe entregar um velho diário de marinheiro, que vinha sendo transmitido através de gerações da famí-lia de seu marido e teria, supostamente, pertencido ao tal marinheiro que servira à rainha Vitória, Sir Robin Cook. Depois de anos sumido no mar, Cook voltara para a Inglaterra cheio de riquezas e ainda jovem, como se nem um dia sequer houvesse se passado desde que partira. Trazia histórias sobre um continente fantástico, onde havia fundado uma cidade cujo nome homenagea-va a rainha.
O mais curioso para o rapaz até ali era que vários lugares citados no diário, e até mesmo a história princi-pal, lhe pareciam imensamente familiares. Depois de al-gum tempo, conseguiu atinar o porquê disso: os lugares e a história constavam, com outras palavras, de um livro que ele já lera há algum tempo. Intrigado, Francisco se levantou para perguntar à mãe como isso seria possível, mas antes que conseguisse sair do seu quarto se viu en-volvido por uma luz estranha. Quando sumiu, percebeu que não estava mais no seu quarto, mas numa estrada de terra que cortava uma floresta grande e escura.
Francisco decidiu que, definitivamente, aquilo era um sonho. E sendo sonho, ele não corria riscos. As-sim, resolveu caminhar na direção da estrada que pare-cia mais clara, e que, provavelmente, levaria à saída mais próxima daquela floresta.
Enquanto caminhava, aproveitou para prestar atenção nas árvores ao seu redor. Nunca, em livro ne-nhum, vira árvores como aquelas, fortes, imponentes, como se tivessem milhares de anos.
Crônicas de Noritvy - Rebeca
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Já estava quase desistindo de caminhar quando avistou três coisas que chamaram sua atenção: o fim da floresta, um cavalo imenso atrelado a uma carroça e, montado nele, aquela que lhe pareceu, seguramen-te, a mais bela mulher que ele já vira. Tinha um lon-go cabelo castanho escuro, preso num rabo de cavalo, e usava roupas diferentes daquelas a que Francisco estava acostumado, mais adequadas para uma personagem de conto de fadas: calças marrons largas, botas de couro, uma blusa branca solta e, por cima dela, um corpete de couro. A moça trazia um arco preso às costas. Presas na lateral do cavalo, havia uma espada e uma aljava cheia de flechas. Além de tudo isso, havia algo nela que Fran-cisco nunca vira em mulher alguma: orelhas pontudas.