PROPRIEDADES
ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
FÍSICA MODERNA I
“A determinação de que movimentos estáveis dos elétrons no átomo envolve números inteiros, e até agora o único fenômeno que envolve números inteiros em física foram aqueles de interferência e de vibração. Isso sugeriu a ideia para mim que elétrons não poderiam ser representados como simples corpúsculos mas também que uma periodicidade está relacionada com eles.” - Louis De Broglie
José Fernando Fragalli Departamento de Física – Udesc/Joinville
1. Introdução
2. O Postulado de De Broglie
3. O Experimento de Davisson e Germer
4. O Experimento de Thomson
5. A Dualidade Onda-Partícula para a Matéria
6. O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Nos dias de hoje, é corriqueiro falarmos sobre
microscopia eletrônica.
1. INTRODUÇÃO
Importância do comportamento ondulatório da matéria
Um microscópio eletrônico de varredura (SEM).
Imagem de um ácaro obtida por SEM.
Imagem de um ácaro obtida por SEM.
Mas, sabemos realmente como funcionam os microscópios eletrônicos?
Na microscopia eletrônica um feixe de elétrons bombardeia um objeto, e uma imagem é então formada.
1. INTRODUÇÃO
O princípio básico da microscopia eletrônica
Esquema básico do feixe de elétrons em um microscópio eletrônico.
Feixe de elétrons em um microscópio eletrônico.
A microscopia eletrônica baseia-se no comportamento ondulatório dos elétrons.
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Abaixo mostramos o microscópico eletrônico de varredura (MEV) ou scanning electronic microscope (SEM)
1. INTRODUÇÃO
O microscópio eletrônico de varredura (MEV – SEM)
Desenho esquemático da coluna do MEV.
Volume de interação em um MEV
Abaixo mostramos o microscópico eletrônico de transmissão (MET) ou transmission electronic microscope
(TEM)
1. INTRODUÇÃO
O microscópio eletrônico de transmissão (MET – TEM)
Desenho esquemático da coluna do MET. Fotografia de um MET.
Abaixo mostramos o microscópico eletrônico de força atômica (MFA) ou atomic force microscope (AFM)
1. INTRODUÇÃO
O microscópio eletrônico de força atômica (MFA – AFM)
Desenho esquemático do funcionamento de um AFM.
Imagem de átomo de carbono na grafite feito por
AFM.
Mas, o que significa o elétron ter um comportamento ondulatório?
1. INTRODUÇÃO
O comportamento ondulatório dos elétrons
Interferência de luz (onda eletromagnética) provocada
por duas fendas.
Elétrons difratando com um cristal de ouro.
O comportamento ondulatório da luz é facilmente compreendido, como mostram os experimentos de interferência e difração.
Os elétrons então se difratariam, como uma onda de luz?
Com os experimentos realizados.... 1. INTRODUÇÃO ONDA MATÉRIA RADIAÇÃO PARTÍCULA ⇒ EQUAÇÕES DE MAXWELL LEIS DE NEWTON EFE, EC, PP, PRX FÓTON ⇓ FÓTON ⇓
?
DIFRAÇÃO, INTERFERÊNCIALGU, TER, MECFLU
⇓
⇑ ⇒
⇑
⇐
Olhemos apenas para o lado da RADIAÇÃO...
Como vimos, a radiação apresenta uma característica
dual, isto é apresenta comportamento ondulatório e corpuscular.
a) revela-se como onda em experimentos tais como
interferência e difração.
1. INTRODUÇÃO
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Interferência de luz por fendas e por filme fino.
Difração da luz por fenda e por dedos humanos.
b) revela-se como partícula em experimentos tais como
Efeito Fotoelétrico e produção de Raios-X.
Continuemos a olhar para o lado da RADIAÇÃO...
1. INTRODUÇÃO
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Efeito Fotoelétrico e sua explicação.
Produção de Raios-X e sua explicação.
MATÉRIA
Até agora o ser humano encontra a matéria em cinco formas distintas na natureza, todas descritas de forma corpuscular.
SÓLIDO LÍQUIDO
GÁS
PLASMA
CONDENSADO DE BOSE-EINSTEIN - BEC
Olhemos agora o lado da MATÉRIA...
1. INTRODUÇÃO
Está faltando algo???? 1. INTRODUÇÃO ONDA MATÉRIA RADIAÇÃO PARTÍCULA ⇒ EQUAÇÕES DE MAXWELL LEIS DE NEWTON EFE, EC, PP, PRX FÓTON ⇓ FÓTON ⇓
?
DIFRAÇÃO, INTERFERÊNCIALGU, TER, MECFLU
⇓
⇑ ⇒
⇑
⇐
Mas, o que é necessário para “aparecer” esta simetria?
Resposta:
Não deveria a NATUREZA, para ser bela e completa, apresentar-se como simétrica?
- A matéria deve também apresentar um caráter dual...
O quadro acima mostra uma assimetria...
1. INTRODUÇÃO
Quer dizer então que a matéria deve se apresentar com
características ondulatórias? Resposta:
- Significa que a matéria deve (tem que) apresentar também um comportamento ondulatório, além do seu normal corpuscular...
O que? A matéria com caráter dual? O que significa isto?
Além disso, a matéria também poderia, por exemplo,
difratar?
Resposta: SIM! E SIM!!
1. INTRODUÇÃO
1. Introdução
2. O Postulado de De Broglie
3. O Experimento de Davisson e Germer
4. O Experimento de Thomson
5. A Dualidade Onda-Partícula para a Matéria
6. O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Em sua tese de doutorado apresentada em 1924 à Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, Louis Victor
De Broglie (1892-1987) propôs a existência de ondas de
matéria.... Ondas de matéria Prêmio Nobel de Física de 1929 pela “Descoberta da natureza ondulatória dos elétrons”. 2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Louis De Broglie.
Medalha concedida aos agraciados com o Prêmio
Um pouco da história de Louis De Broglie
Louis De Broglie também foi um nobre francês, o 7o
Duque De Broglie.
Antes de se dedicar ao estudo da Física, Louis De Broglie
foi um proeminente historiador francês.
Louis De Broglie com o tempo começou a interessar-se
por problemas de Física e Matemática, por influência de seu irmão, Maurice De Broglie, 6o Duque De Broglie e
proeminente físico experimental da época.
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
A hipótese de Louis De Broglie era de que o
comportamento dual da radiação também se aplicava à
matéria.
Mas, o que são ondas de matéria?
Assim, como no caso do fóton, também uma partícula material tem associada a ela uma onda que governa o seu movimento.
Desta forma, toda a natureza (matéria + radiação) se apresentaria com uma grande SIMETRIA!!!!
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
Louis De Broglie propôs que os aspectos ondulatórios da matéria estão relacionados com os seus aspectos corpusculares da mesma forma quantitativa daqueles relacionados para a radiação.
Como as ondas de matéria se apresentam?
Que grandezas físicas a matéria e a radiação podem ter em comum?
Resposta:
Energia!!!!
Momento Linear!!!!
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
F
F
c
p
U
=
⋅
Sabemos que para um fóton temos que sua energia EF é expressa em termos da sua frequência
ν
ou do seu comprimento de ondaλ
, como mostrado abaixo.A energia do FÓTON
Também para o fóton existe uma relação direta entre a sua energia EF e o seu momento linear pF, mostrada ao lado.
ν
⋅
=
h
E
F 2. O POSTULADO DE DE BROGLIEPROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
λ ⇒ comprimento de onda do fóton
c = 2,99792458×108 m/s
λ
ν
=
c
λ
c
h
E
F=
⋅
h = 6,626184×10-34 J⋅s EF ⇒ energia do fóton ν ⇒ frequência do fóton ⇒Vamos igualar estas duas expressões para a energia do fóton EF e obter uma relação entre o seu momento linear pF e o seu comprimento de onda
λ
.O momento linear do FÓTON
Se quisermos atribuir um comportamento ondulatório à matéria, temos que lhe atribuir um comprimento de onda.
λ
h
p
F
=
Assim, a matéria deve ter um comprimento de onda
λ
associado ao seu momento linear p.
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
pF ⇒ momento linear do fóton h = 6,626184×10-34 J⋅s
Desta forma, Louis De Broglie propôs que a matéria deve ter um comprimento de onda
λ
DB cuja expressão é mostrada abaixo. O Postulado de De Brogliep
h
DB
=
λ
2. O POSTULADO DE DE BROGLIEPROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Frase de Louis De Broglie.
λDB ⇒ comprimento de onda da matéria
h = 6,626184×10-34 J⋅s
Vamos fazer um exemplo....
Exemplo: comprimento de onda de De Broglie de uma bola
Consideremos uma bola de futebol (m = 0,430 kg) que ao levar um chute, se desloca a uma velocidade de v = 10,0 m/s.
Qual o comprimento de onda de De Broglie associado a ela?
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Será que a bola de futebol se difrata quando atravessa as traves?
Cálculo de λDB para a bola de futebol
p
h
DB
=
λ
Para este cálculo usamos a fórmula do comprimento de onda de De Broglie mostradas abaixo.
!
!
!
!
!
10
54
,
1
34m
DB −×
=
λ
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE ⇒PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
v
m
p
=
⋅
λDB ⇒ comprimento de onda da bola de futebol
h = 6,626184×10-34 J⋅s p ⇒ momento linear da matéria
m ⇒ massa da bola de futebol v ⇒ velocidade da bola de futebol m = 0,430 kg v = 10,0 m/s p = 4,30 kg⋅m/s ⇓ Impulso dado a uma bola de futebol.
É possível, com os instrumentos que dispomos, determinar este valor de comprimento de onda?
Resposta:
Não!! Definitivamente, NÃO!!!
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Verificação da realidade física das Ondas de Matéria
A propósito, como determinamos o comprimento de onda
de objetos ondulatórios? Resposta:
A partir de experimentos onde a natureza ondulatória do objeto se revele, por exemplo em um experimento onde o objeto sofra DIFRAÇÃO!!!!
Outro experimento...
Caso exista, qual deve ser o comprimento de onda
associado a um corpo material, que tenha massa? Vamos fazer outro exemplo....
Consideremos agora um elétron (m = 9,109535
×
10-31 kg) sujeito a uma diferença de potencial igual a 100 V.Qual deve ser agora o
comprimento de onda de De Broglie
associado ao elétron neste experimento?
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Comprimento de Onda de De Broglie para o Elétron
Neste caso, fazemos o balanço de energia, impondo a conservação de energia durante todo o movimento do elétron.
Especificamente, igualamos a energia mecânica total nos pontos A e B do movimento do elétron, como mostra a figura ao lado.
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Admitimos que no ponto A o elétron esteja em repouso e submetido a potencial V = 0.
Arranjo experimental para o experimento de difração de
Comprimento de Onda de De Broglie para o Elétron
Já no ponto B, admitimos que a velocidade do elétron seja v e que ele esteja submetido ao potencial V.
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
A conservação de energia implica na igualdade da energia mecânica total em A e B.
Arranjo experimental para o experimento de difração de elétrons. 2
2
1
v
m
K
B=
⋅
⋅
U
B=
−
e
⋅
V
V e v m U K EB = B + B = ⋅ ⋅ 2 − ⋅ 2 1 ⇒ m = 9,109535×10-31 kg e = 1,6021895×10-19 CV
m
e
h
p
h
DB1
2
⋅
⋅
⋅
=
=
λ
2 21
2
2
p
e V
m v
m
⋅ =
⋅ =
⋅
p
=
2
⋅ ⋅ ⋅
e m V
Comprimento de Onda de De Broglie para o Elétron
Neste caso, toda a energia potencial do elétron e
⋅
V é transformada em energia cinética K = m⋅
v2/2.De posse desta expressão para o momento linear do elétron p, usamos a expressão do comprimento de onda de De Broglie para determinar o seu comprimento de onda.
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
⇒ ⇒ e = 1,6021895×10-19 C
SI
V
DB 910
226421
,
1
×
−=
λ
m = 9,109535×10-31 kg h = 6,626184×10-34 J⋅sComo verificar se as Ondas de Matéria realmente têm realidade física?
Era possível, com os instrumentos disponíveis à época
(1924), determinar este valor de comprimento de onda? Resposta:
SIM!! Nesta época já se fazia DIFRAÇÃO de Raios-X
utilizando cristais (arranjos periódicos de dimensões
nanométricas)!!!
2. O POSTULADO DE DE BROGLIE
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
m
DB 1010
23
,
1
×
−=
λ
Fazemos então V = 100 V e obtemos o valor numérico paraλ
DB mostrado ao lado.1. Introdução
2. O Postulado de De Broglie
3. O Experimento de Davisson e Germer
4. O Experimento de Thomson
5. A Dualidade Onda-Partícula para a Matéria
6. O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Um pouco de História
Em 1921, Clinton Joseph Davisson (1881-1958) e Charles
Kusman já haviam observado a difração de elétrons em seu
laboratório.
Porém, eles não deram importância a este resultado, por não a reconhecerem como tal.
Prêmio Nobel de Física de 1937 pela “Verificação
experimental da difração de elétrons por cristais”.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Clinton Davisson
Medalha concedida aos agraciados com o Prêmio
Um pouco de História
Lembremos que a proposição de De Broglie é de 1924!!! Logo, em 1921 não havia proposição teórica que justificasse o resultado obtido por Davisson e Kusman.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
Em 1925, Walter Elsasser (1904-1991), após tomar
conhecimento do trabalho de De Broglie, apresentou uma forma de testar a natureza ondulatória da matéria.
Segundo Elsasser, tal natureza poderia ser testada da mesma forma que a natureza ondulatória dos Raios-X havia sido.
Mais História
Para tal, Elsasser sugeriu um experimento no qual um feixe de elétrons de alta energia incidisse sobre um sólido cristalino e que se observasse a DIFRAÇÃO deste feixe.
Difração de Raios-X: Método de
Debye-Scherrer Difração de
Raios-X: Método de Bragg
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
Um pouco mais de História
Em 1927, Davisson (1881-1958) e Lester Halbert Germer
(1896-1971) realizaram um experimento que demonstrou a natureza ondulatória da matéria.
Pelos resultados obtidos, Davisson, juntamente com G. P. Thomson, ganharam o Prêmio Nobel de Física de 1937.
Davisson e Germer com um tubo de raios catódicos às mãos.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Davisson ao lado do equipamento usado para difratar elétrons
Arranjo experimental para a determinação do Comprimento de Onda do Elétron
No experimento projetado por Davisson e Germer, um
feixe de elétrons emitidos por um filamento incidem sobre um cristal de níquel.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
Resultados experimentais obtidos por Davisson e Germer
Para uma melhor análise do comportamento ondulatório dos elétrons, Davisson e Germer sintetizaram os resultados nas figuras abaixo.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
2 2
1
2
2
p
e V
m v
m
⋅ =
⋅ =
⋅
p
=
2
⋅ ⋅ ⋅
e m V
Análise do arranjo experimental de Davisson e Germer
Para a análise do resultado experimental obtido, iniciamos calculando o valor do comprimento de onda de De Broglie para o valor de tensão aplicada de 54 V.
Como no caso do exemplo resolvido para o elétron, toda a energia potencial e
⋅
V fornecida pela fonte é convertida emenergia cinética.
⇒
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
( )
101, 660 10
DB TEOm
λ
=
×
− 9 1, 22 10 2 DB h SI e m V V λ = = × − ⋅ ⋅ ⋅ p h DB =λ
Cálculo do Comprimento de Onda esperado para o Elétron
Calculamos, então o comprimento de onda de De Broglie.
Para V = 54,0 V, encontramos
⇒
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
n
⋅ = ∆
λ
x
Análise do resultado experimental de Davisson e Germer
Passamos agora à análise dos dados experimentais.
Vamos considerar o feixe de elétrons como uma onda se difratando nos planos cristalinos do cristal de níquel.
A condição de máximo de difração
(interferência) é dada por
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
∆
x: diferença de caminho de cada feixe refletido nos planos consecutivos.Detalhes da difração de Bragg sofrida pelo Elétron
Vamos olhar em detalhes a reflexão (reflexão de Bragg) de dois feixes de elétrons em dois planos consecutivos do cristal de níquel.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
2⋅ + =
φ θ
18090
2
θ
φ
=
−
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
Do detalhe da figura, é fácil verificar que
O arranjo geométrico nos mostra que
(
90 φ)
2 sinφcos
2⋅ ⋅ − = ⋅ ⋅
=
∆x d d
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
⇒
2 sin 90 2 x d
θ
∆ = ⋅ ⋅ − 2 cos 2 n⋅ = ⋅ ⋅λ
d θ
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
Desta forma, obtemos
Assim, obtemos que o comprimento de onda do feixe de elétrons é dado por
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
9
0, 091 10
d
=
×
−m
2 cos 2 n⋅ = ⋅ ⋅λ
d θ
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
Da condição do experimento, temos que
Assim, obtemos
50
oθ
=
( )
λ
EXP=
1
,
649
×
10
−10m
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER1
=
n
%
0, 7
E
=
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
Assim,
( )
λ
EXP=
1
,
649
×
10
−10m
( )
λ
TEO=
1
,
660
×
10
−10m
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
Conclusão:
( )
λ
EXP =1,649 ×10−10 m( )
λ
TEO =1,660 ×10−10 mPodemos afirmar categoricamente, que o feixe de
elétrons que sai do filamento se comporta como uma onda
ao se encontrar com os planos atômicos de níquel.
3. O EXPERIMENTO DE DAVISSON E GERMER
1. Introdução
2. O Postulado de De Broglie
3. O Experimento de Davisson e Germer
4. O Experimento de Thomson
5. A Dualidade Onda-Partícula para a Matéria
6. O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Outro método para a determinação do comprimento de onda do elétron
Paralelamente, George Paget Thomson (1892-1975), também mediu o comprimento de onda de De Broglie para um feixe de elétrons.
G. P. Thomson fez os seus experimentos em
1927, na Escócia, usando uma técnica semelhante ao método de Debye-Scherrer
para a difração de Raios-X.
George Paget Thomson
4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
O Método de Thomson
G. P. Thomson dividiu o Prêmio Nobel de Física de 1937
com Davisson.
G. P. Thomson era filho de Joseph John Thomson que curiosamente, foi aquele que, em experimentos de raios catódicos, descobriu o
elétron, atribuindo-lhe a
característica corpuscular. 4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
O método de Thomson: arranjo de Debye-Scherrer
G. P. Thomson incidiu um feixe de elétrons sobre uma
fina lâmina de ouro, como mostra o arranjo experimental abaixo.
4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
O resultado obtido por G. P. Thomson está mostrado abaixo.
Difração de um feixe de elétrons por uma folha fina de
ouro (direita) e uma difração produzida por Raios-X em óxido de zircônio (esquerda).
4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
Determinação do Comprimento de Onda do Elétron
Conclusão:
Um feixe de elétrons se difrata de maneira simular ao de um feixe de Raios-X, logo elétrons apresentam comportamento ondulatório, assim como os Raios-X.
4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
Comportamento Ondulatório da Matéria
Não apenas elétrons, mas todos os objetos materiais, carregados ou não, apresentam características ondulatórias em seu movimento.
Em 1944, Fermi, Marshall e Zinn mostraram fenômenos
de interferência e difração para nêutrons lentos.
Em 1930, Estermann, Stern e Frisch realizaram
experiências de difração de feixes moleculares de hidrogênio
e feixes atômicos de hélio em um cristal de LiF. 4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
Comportamento ondulatório da matéria: alguns resultados experimentais
Exemplos:
À direita, figura da difração de Raios-X por um monocristal de cloreto de sódio.
À esquerda, figura da difração de nêutrons de um reator nuclear por um monocristal de cloreto de sódio.
4. O EXPERIMENTO DE THOMSON
1. Introdução
2. O Postulado de De Broglie
3. O Experimento de Davisson e Germer
4. O Experimento de Thomson
5. A Dualidade Onda-Partícula para a Matéria
6. O Princípio da Incerteza de Heisenberg
O Elétron e a Dualidade Onda-Partícula
Mas, e a partir de agora, como entender o ELÉTRON?
Devemos nos lembrar que não podemos ignorar o comportamento corpuscular de partículas como o elétron
(mudança de trajetória de feixes de elétrons sob a ação de campos elétricos e magnéticos, além de outros fenômenos tipicamente corpusculares).
Assim, o ELÉTRON é o objeto DUAL que carrega dentro de si ambas as informações, tanto as características corpusculares, quanto as ondulatórias.
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
O Elétron e a Dualidade Onda-Partícula
Então, a matéria apresenta ambas as características?
Sim!!! Mas devemos ter aqui muito cuidado. O fato de ser DUAL não significa que estas características se revelem SIMULTANEAMENTE.
Na realidade, apenas uma destas duas características é revelada em cada experimento!!!!!
Ou seja, é a natureza do experimento que determina a característica da matéria (partícula ou onda).
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
O Elétron e a Dualidade Onda-Partícula
ELÉTRON
Característica Ondulatória (Função de Onda) Característica Corpuscular⇒
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
+
O Princípio da Complementaridade
Segundo Niels Bohr (1885-1962), em seu Princípio da Complementaridade, os modelos corpuscular e ondulatório são complementares.
Prêmio Nobel de Física de 1922 pela
“Investigação sobre a estrutura dos átomos e
suas radiações
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
Niels Bohr
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Medalha concedida aos agraciados com o Prêmio
O Princípio da Complementaridade
Se uma medida revela o caráter ondulatório da radiação ou da matéria, então é impossível revelar o caráter corpuscular na mesma medida (simultaneamente), e vice-versa.
A escolha de qual modelo usar, se ondulatório ou corpuscular é determinada pela natureza da medida.
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
O Princípio da Complementaridade
Logo, radiação ou matéria não são apenas ondas ou
partículas.
Torna-se, então necessário um modelo mais geral, que leve em conta ambas as características ondulatória e corpuscular para descrever o comportamento, tanto da
radiação quanto da matéria.
Torna-se, necessária uma NOVA TEORIA para descrever a natureza.
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
O Princípio da Complementaridade
Mas, e as teorias vigentes até então? Elas devem ser jogadas fora?
Decididamente, não é o caso!!!!
Em situações extremas, um modelo ondulatório simples pode ser aplicado à radiação, bem como um modelo corpuscular simples pode ser aplicado à matéria.
Assim, nestes casos extremos, a dinâmica da matéria pode (e deve) ser tratada pelas Leis de Newton, bem como a dinâmica da radiação pelas Equações de Maxwell clássicas.
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
O Fóton e outras Partículas Elementares
No caso da radiação, Einstein unificou os modelos
ondulatório e corpuscular, criando o conceito de FÓTON! Como será o caso da matéria?
Neste caso, não é necessário criar um conceito novo, apenas ter um entendimento mais amplo a respeito da matéria, principalmente em sua descrição microscópica.
Elétron!! Próton!! Nêutron!! Méson!! Gluon!! Todos estes (e mais alguns!!!) apresentam comportamento dual!!!
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Interpretação Probabilística (Max Born)
Para o caso da matéria, Max Born (1882-1970) aplicou um argumento semelhante para unificar os modelos ondulatório
e corpuscular.
5. A DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA PARA A MATÉRIA
Max Born
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Prêmio Nobel de Física de 1954 pelo “Trabalho
sobre teoria quântica”
Medalha concedida aos agraciados com o Prêmio
1. Introdução
2. O Postulado de De Broglie
3. O Experimento de Davisson e Germer
4. O Experimento de Thomson
5. A Dualidade Onda-Partícula para a Matéria
6. O Princípio da Incerteza de Heisenberg
A Mecânica Atômica
Como deve ser a NOVA TEORIA que descreve o comportamento no nível microscópico?
Que garantias ela deve ter?
Que princípios básicos ela deve respeitar?
Quais devem ser os seus POSTULADOS?
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Esta é a forma como Werner Karl Heisenberg (1901-1976) estabeleceu o Princípio da Incerteza:
“Se você faz a medida sobre qualquer objeto, e você pode determinar a componente x de seu momento linear com uma incerteza
∆
p, você não pode, ao mesmo tempo, conhecer sua posição com mais acuracidade do que h/∆
p”.Prêmio Nobel de Física de 1932 pela “Criação da Mecânica Quântica e descoberta das formas
alotrópicas do hidrogênio”
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
Werner Heisenberg
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
Medalha concedida aos agraciados com o Prêmio
O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Esta é um caso especial do Princípio da Incerteza.
“Se você faz a medida sobre qualquer objeto, e você pode determinar a componente x de seu momento linear com uma incerteza
∆
p, você não pode, ao mesmo tempo, conhecer sua posição com mais acuracidade do que h/∆
p”.Ele pode ser escrito em uma forma matemática, tal que:
h
≥
∆
⋅
∆
p
x
π
⋅
=
2
h
h
h = 6,6×10-34 J⋅s ⇒ constante de Plancks
J
⋅
×
=
−3410
05
,
1
h
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
O Princípio da Incerteza de Heisenberg
A formulação mais geral do Princípio da Incerteza é que
“Não é possível projetar qualquer experimento no qual seja possível determinar, ao mesmo tempo, ambas as características corpuscular e ondulatória de um objeto físico”.
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
h
≥
∆
⋅
∆
p
x
h
≥
∆
⋅
∆
E
t
Outras formulações do Princípio da Incerteza são:
O Princípio da Incerteza de Heisenberg
Posição (x) e momento linear (p), energia (E) e tempo (t), são chamadas grandezas conjugadas.
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
O Microscópio de Bohr
Seja uma experiência imaginária na qual desejamos detectar um elétron com o uso de um microscópio óptico.
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
λ
h
p
F=
∆
p
F=
2
⋅
p
F⋅
sen
θ
'
2
θ
'
λ
sen
h
p
F=
⋅
⋅
∆
O Microscópio de Bohr
Em módulo a variação no momento linear do elétron é a mesma do fóton, pois o momento linear do processo de colisão do fóton com o elétron se conserva.
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
e F
p
p
=
∆
∆
2θ
'λ
sen h pE = ⋅ ⋅ ∆A posição do elétron será medida com precisão ∆x. 6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
O Microscópio de Bohr
Esta precisão é igual ao poder de resolução do microscópio. '
θ
λ
sen xE = ∆Assim, temos que
6. O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
O Microscópio de Bohr ' 2
θ
λ
sen h pE = ⋅ ⋅ ∆ 'θ
λ
sen xE = ∆( ) ( )
∆
p
⋅
∆
x
=
⋅
h
>
h
E
E
2
Logo, o Princípio da Incerteza de Heisenberg é satisfeito.
PROPRIEDADES ONDULATÓRIAS DA MATÉRIA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bibliografia
1) EISBERG, R. e RESNICK, R.; Física Quântica; Editora Campus; Rio de Janeiro, 1986; páginas 85-120.
2) CARUSO, F. e OGURI, V.; Física Moderna; Elsevier
Editora; São Paulo, 2006; páginas 427-441.
3) BEISER, A.; Conceitos de Física Moderna; Editora
Polígono; São Paulo, 1969; páginas 72-94.
4) NUSSENZVEIG, H. M.; Física Básica, Volume 4; Editora Edgard Blücher; São Paulo, 2006; páginas 272-275.
Bibliografia
5) HALLIDAY, D., RESNICK, R. e WALKER, J.;
Fundamentos de Física – Volume 4 – 4a Edição; Livros
Técnicos e Científicos Editora S.A.; 1995; páginas 173-180.
6) SEARS, W., ZEMANSKY, F., YOUNG, H. D., FREEDMAN, R. A.; Física IV; 10a Edição; Pearson Education do Brasil; São
Paulo, 2004; páginas 217-239.
7) TIPLER, P. A. e LLEWELLYN, R. A.; Física Moderna;
Livros Técnicos e Científicos Editora; Rio de Janeiro, 2001;
páginas 128-152.