1 16622 ccoonncciinnnniittaass R R i i c c h h a a r r d d P P r r i i n n c c e e . . S S e e m m t t í í t t u u l l o o s s ( ( s s u u n n s s e e t t e e c c o o w w b b o o y y ) ) , , 1 1 9 9 8 8 1 1 e e 1 1 9 9 8 8 9 9
16 1633 ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
O retorno do real
O retorno do real
* *Hal F
Hal Foster*oster***
E
Em minm minhas leithas leituras dos uras dos modelos crítmodelos críticos em arte e ticos em arte e teoria desde os eoria desde os anos 60,anos 60,
t
tenho enfatenho enfatizado a geizado a genealogia mininealogia minimalista da neovanguamalista da neovanguarda. Na rda. Na maior partmaior parte,e,
artistas e críticos dessa genealogia permanecem céticos com relação ao realismo
artistas e críticos dessa genealogia permanecem céticos com relação ao realismo
e ao ilusio
e ao ilusioninismsmo. Deso. Dessa sa forforma, eles cma, eles contontininuaram a gueuaram a guerra da absrra da absttração cração contontra ara a
representação com outros meios. Como observado no Capítulo 2, minimalistas
representação com outros meios. Como observado no Capítulo 2, minimalistas
como D
como Donald Judd vionald Judd viam traços de reaam traços de realilismsmo to tambéambém na absm na absttraçãração, no, no io ilusionilusionismsmoo
ót
ótico de seico de seu esu espaço pictórpaço pictórico, ico, apagaapagando estes últindo estes últimos mos vesvesttígiígios da os da velha origemvelha origem
da compos
da composição iição ideadealilista – um entsta – um entusiasusiasmo que os levou a amo que os levou a abandonar a pintbandonar a pinturaura
como um todo.
como um todo.11SSignifignificativameicativamente, nte, esesssa posa postura anttura antiiiiluslusioniionissta ta foi foi mamantntidaida
por muit
por muitos aos artirtisstas envtas envolvidos colvidos com arte concom arte conceitual, eitual, críticrítica insca insttititucionaucional, l, artearte
corporal,
corporal,performance performance ,, site-specific site-specific , art, arte feminie feminista e de sta e de apropriapropriaçãação. Meso. Mesmo quemo que
realismo e ilusionismo tenham significado coisas adicionais nos anos 70 e 80 –
realismo e ilusionismo tenham significado coisas adicionais nos anos 70 e 80 –
o prazer problemático do cinema hollywoodiano, por exemplo, ou o elogio
o prazer problemático do cinema hollywoodiano, por exemplo, ou o elogio
ideológico da cultura de massas –, eles continuaram sendo coisas ruins.
ideológico da cultura de massas –, eles continuaram sendo coisas ruins.
Porém outra trajetória da arte desde os anos 60 estava comprometida com
Porém outra trajetória da arte desde os anos 60 estava comprometida com
o realismo e
o realismo e//ou idealiou idealismsmo: algo da pop arto: algo da pop arte, a mae, a maior ior parte do super-reaparte do super-realilismsmoo
(t
(tambéambém chamm chamado de ado de fotfotorrealismo), orrealismo), algo da aalgo da artrte de e de apropriação. Fapropriação. Freqüentementereqüentemente
desbancada pela crítica de genealogia minimalista na literatura crítica (ou
desbancada pela crítica de genealogia minimalista na literatura crítica (ou
mesmo no mercado), essa genealogia pop é hoje novamente de interesse, pois
mesmo no mercado), essa genealogia pop é hoje novamente de interesse, pois
ela complica as noções redutoras de realismo e ilusionismo propostas pela
ela complica as noções redutoras de realismo e ilusionismo propostas pela
genealogia minimalista – e, de certa forma, igualmente ilumina o trabalho
genealogia minimalista – e, de certa forma, igualmente ilumina o trabalho
contemporâneo, que passa a ser renovado com essas categorias. Nossos dois
contemporâneo, que passa a ser renovado com essas categorias. Nossos dois
modelos básicos de repres
modelos básicos de represententaçãação são prato são praticamenticamente ie incapazncapazes de compreees de compreendernder
o argumento dessa genealogia pop: de que imagens são ligadas a referentes, a
o argumento dessa genealogia pop: de que imagens são ligadas a referentes, a
temas iconográficos ou coisas reais do mundo, ou, alternativamente, de que
temas iconográficos ou coisas reais do mundo, ou, alternativamente, de que
t
tudo que uma imagem pode fazer é represudo que uma imagem pode fazer é represententar outar outras imagensras imagens, de que t, de que todas aodas ass
formas de
formas de represrepresententaçãação (io (incluincluindo o realismo) são cndo o realismo) são códigos auto-ódigos auto-referenciais. Areferenciais. A
maior parte das análises da arte do pós-guerra baseadas na fotografia faz a
maior parte das análises da arte do pós-guerra baseadas na fotografia faz a
divisão, de alguma forma, ao longo desta linha: a imagem é referencial
divisão, de alguma forma, ao longo desta linha: a imagem é referencial ou ou
simulacro. E
simulacro. Esssse “ou ie “ou isto/sto/ou aquilo” ou aquilo” redutredutivo detivo determina as ermina as leileitturas uras desdessasas s artarteses,,
especialmente da arte pop – uma tese que vou testar inicialmente nas imagens
especialmente da arte pop – uma tese que vou testar inicialmente nas imagens
Death in America (“Morte na América”), de Andy Warhol, do início dos anos 60,
Death in America (“Morte na América”), de Andy Warhol, do início dos anos 60,
imagens que inauguram a genealogia pop.
imagens que inauguram a genealogia pop.22
Não é surpresa a leitura do pop warholiano como simulacro por parte de
Não é surpresa a leitura do pop warholiano como simulacro por parte de
críticos associados ao pós-estruturalismo, para quem Warhol é pop e, mais
críticos associados ao pós-estruturalismo, para quem Warhol é pop e, mais
importante, para quem a noção de simulacro, crucial à crítica pós-estruturalista
importante, para quem a noção de simulacro, crucial à crítica pós-estruturalista
da representação, parece às vezes depender do exemplo de Wahrol como pop. “O
da representação, parece às vezes depender do exemplo de Wahrol como pop. “O * O presente texto corresponde ao Capítulo 5
* O presente texto corresponde ao Capítulo 5
do livro de mesmo nome: Hal Foster,
do livro de mesmo nome: Hal Foster,The Return The Return
of the Real
of the Real , Londres: MIT Press, 1996., Londres: MIT Press, 1996.
** Hal Foster é professor Townsend Martin de
** Hal Foster é professor Townsend Martin de
arte e arqueologia na Universidade de Princeton.
arte e arqueologia na Universidade de Princeton.
É autor dos livros
É autor dos livrosThe Return of the Real: The The Return of the Real: The
Avant-G
Avant-Garde at arde at ththe Ee End of nd of ththe Ce Century entury eeCompulsive Compulsive
Beauty
Beauty (ambos editados pela MIT Press).(ambos editados pela MIT Press).
1 D
1 De cee certrta forma, a ca forma, a crítrítica ao ilusioniica ao ilusionismo csmo contontinuainua
a velha históri
a velha história da ara da arte ocite ocidental como a procuradental como a procura
da representação perfeita, tal como foi contada
da representação perfeita, tal como foi contada
de Plínio a Vasari e de John Ruskin a Ernst
de Plínio a Vasari e de John Ruskin a Ernst
G
Gombrich ombrich (que escre(que escreveu contveu contra a arte abstratra a arte abstrata);a);
só que, aqui, o objetivo está invertido: abolir
só que, aqui, o objetivo está invertido: abolir
em vez de atingir essa representação. Mesmo
em vez de atingir essa representação. Mesmo
assim, essa inversão carrega a estrutura da velha
assim, essa inversão carrega a estrutura da velha
história — seus termos, valores, etc.
história — seus termos, valores, etc.
2 “Deth in America foi o título de um
2 “Deth in America foi o título de um show show
projetado para Paris das imagens
projetado para Paris das imagenselectric chair electric chair
(cadeira elé
(cadeira elétritrica),ca),dogs in Birmingham dogs in Birmingham (cachorros(cachorros
em B
em Birminirmingham) egham) ecar wrecks car wrecks (carros destruídos),(carros destruídos),
e algumas
e algumassuicide pictures suicide pictures (i(imagemagens de sns de suicídio)uicídio)””
(Warhol, citado em Grene Swenson, “What is
(Warhol, citado em Grene Swenson, “What is
Pop Art? Anawers from 8 painters, Part I”,
Pop Art? Anawers from 8 painters, Part I”,
ArtNews
ArtNews 62 [n62 [novembro ovembro 1963]; 1963]; 26). Nos 26). Nos capítuloscapítulos
2 e 4 compliquei a oposição da história da arte
2 e 4 compliquei a oposição da história da arte
entre representação e abs
entre representação e abstrtraçãação com o to com o terceiroerceiro
termo do simulacro. A seguir complicarei a
termo do simulacro. A seguir complicarei a
oposição representacional entre referente e
oposição representacional entre referente e
simulação de forma semelhante, com o terceiro
simulação de forma semelhante, com o terceiro
termo do t
1
16644 ccoonncciinnnniittaass
que a pop art quer”
que a pop art quer”, esc, escreve Rreve Roland Barthes eoland Barthes em “m “TThat hat OOld Thing, ld Thing, Art” Art” (“(“AqAquelauela
velha coisa, arte”, 1980), “é dessimbolizar o objeto”, libertar a imagem de
velha coisa, arte”, 1980), “é dessimbolizar o objeto”, libertar a imagem de
qualquer significado profundo e situá-la na superfície enquanto simulacro.
qualquer significado profundo e situá-la na superfície enquanto simulacro.33
Ne
Nesssse procese processo, o autor so, o autor ttambém ambém é lié libertbertado: “ado: “O O artartistista pop não sa pop não se encontre encontra pora por
detrás de sua obra”, continua Barthes, “e ele mesmo não tem qualquer
detrás de sua obra”, continua Barthes, “e ele mesmo não tem qualquer
profundidade: é apenas a superfície de suas imagens, nenhum significado,
profundidade: é apenas a superfície de suas imagens, nenhum significado,
nenhuma int
nenhuma intençãenção em lugar o em lugar algum”.algum”.44 Com algumas variações, essa leitura naCom algumas variações, essa leitura na
chave do simulacro é realizada por Michel Foucault, Gilles Deleuze e Jean
chave do simulacro é realizada por Michel Foucault, Gilles Deleuze e Jean
Baudrillard, para quem profundidade referencial e interioridade subjetiva são
Baudrillard, para quem profundidade referencial e interioridade subjetiva são
igualmente vítimas da pura superficialidade pop. Em “Pop – An Art of
igualmente vítimas da pura superficialidade pop. Em “Pop – An Art of
Consumption?” (“Pop – uma arte de consumo?”, 1970), Baudrillard concorda
Consumption?” (“Pop – uma arte de consumo?”, 1970), Baudrillard concorda
que o objeto n
que o objeto na pop “a pop “perde sperde seu seu signignifificado sicado simbólimbólico, seuico, seustatus status antropomórficoantropomórfico
de muitos séculos”, mas, onde Barthes e outros vêem um rompimento
de muitos séculos”, mas, onde Barthes e outros vêem um rompimento
vanguardista com a representação, Baudrillard vê o “fim da subversão”, a “total
vanguardista com a representação, Baudrillard vê o “fim da subversão”, a “total
integração” da obra de arte na economia política do signo de consumo.
integração” da obra de arte na economia política do signo de consumo.55
A visã
A visão referencial do pop warholio referencial do pop warholiano é deano é defendida por crítfendida por críticos e historiicos e historiadoreadoress
que ligam a obra a temas diversos: os mundos da moda, da celebridade, da
que ligam a obra a temas diversos: os mundos da moda, da celebridade, da
cultura
culturagay gay , a Warhol Factory, etc. Sua versão mais inteligente encontra-se em, a Warhol Factory, etc. Sua versão mais inteligente encontra-se em
Thomas Crow que, em seu “Saturday Disasters: Trace and Reference in Early
Thomas Crow que, em seu “Saturday Disasters: Trace and Reference in Early
Warhol” (1987), questiona as análises de Warhol ligadas ao simulacro, que
Warhol” (1987), questiona as análises de Warhol ligadas ao simulacro, que
afir
afirmam smam serem aerem as images imagens indins indiscscrimiriminadasnadas, e o , e o artiartista, ista, indifndiferente. Soerente. Sob a supeb a superfícirfíciee
glamourosa do f
glamourosa do fetietiche das che das mercadorias e emercadorias e estrelstrelas as das mdas mídiídiasas, C, Crow encontrow encontra “ra “aa
realidade do s
realidade do sofriofrimento e da morte”mento e da morte”; as tragédias ; as tragédias de Mde Marlyn, Liz e Jacarlyn, Liz e Jackie”kie”, em, em
particular, vistas como desencadeando a “expressão direta de sentimentos”.
particular, vistas como desencadeando a “expressão direta de sentimentos”.66
Aqui C
Aqui Crow encontrow encontra não apenas ra não apenas um objetum objeto referencialo referencialpara para Warhol, mas um temaWarhol, mas um tema
empático
empático em em Warhol, e aqui ele situa o caráter críticoWarhol, e aqui ele situa o caráter crítico de de Warhol – não numWarhol – não num
ataque à “velha coisa, arte”
ataque à “velha coisa, arte” (como Barthes o que(como Barthes o queria) ria) mediante a acemediante a aceititaçãação doo do
signo da merca
signo da mercadoria (doria (como quecomo queria Baudrilria Baudrillard), lard), mas mas antes numa exposantes numa exposição doição do
“
“consconsumo cumo complaceomplacentnte” por meio do “e” por meio do “fatfato brutal” o brutal” do acdo acidentidente e e e da mda mortortalidade.alidade.77
Dessa forma, Crow empurra Warhol para além de sentimentos humanistas em
Dessa forma, Crow empurra Warhol para além de sentimentos humanistas em
direção ao engajamento político. “Ele se sentia atraído pelas feridas abertas da
direção ao engajamento político. “Ele se sentia atraído pelas feridas abertas da
vida política americana”, escreve Crow numa leitura das imagens de cadeiras
vida política americana”, escreve Crow numa leitura das imagens de cadeiras
elétri
elétricas cas como propagacomo propaganda de agitnda de agitaçãação conto contra a pena de morte e das imagensra a pena de morte e das imagens
da
darace-riot race-riot como um testemunho em favor dos como um testemunho em favor dos direitdireitos cos civiivis. “s. “Longe de Longe de sser umer um
puro jogo do signif
puro jogo do significanticante liberte libertado de ado de qualquequalquer referência”, War referência”, Warhol pertrhol pertence ence àà
t
tradição popular ameradição popular americana doricana dotruth telling truth telling (contar a verdade).(contar a verdade).88
A leit
A leitura do Wura do Warhol empátiarhol empático, atco, até mesé mesmo engajado, é uma projmo engajado, é uma projeçãeção, maso, mas
não mais do que a do W
não mais do que a do Warhol superfarhol superficiicial e inal e indifdiferenterente, aine, ainda que esda que essa sa fosse sfosse suaua
própri
própria proja projeçãeção: “o: “SSe quiser sae quiser saber tber tudo sobre Wudo sobre Warhol, arhol, apenaapenas olhe para a superfícies olhe para a superfície
de minhas pint
de minhas pinturas e filuras e filmesmes, e de mi, e de mim mesm mesmo, e lmo, e lá esá esttou. Não há nada por detrásou. Não há nada por detrás
disso”.
disso”.99Ambos os Ambos os partpartidos criam o Waidos criam o Warhol rhol que precisam ou obtque precisam ou obtêm o Wêm o Warhol arhol queque
3 Roland Barthes, “That Old Thing, Art”,
3 Roland Barthes, “That Old Thing, Art”, in in ::
Paul Taylor, ed.
Paul Taylor, ed.Post-Pop Post-Pop (Cambridge: MIT Press,(Cambridge: MIT Press,
1989), pp. 25-26. Por significado profundo
1989), pp. 25-26. Por significado profundo
Barthes quer dizer tant
Barthes quer dizer tanto asso associações meociações metaftafóricas,óricas,
como conexões metoními
como conexões metonímicascas..
4
4Id., ibid.Id., ibid., p. 26., p. 26.
5 Jean Baudrillard, “Pop – An Art of
5 Jean Baudrillard, “Pop – An Art of
Consumption?”,
Consumption?”,in in ::Post-Pop Post-Pop , 33, , 33, 35. (Es35. (Esse textose texto
foi
foi extraído deextraído deLa societé de consummation: ses La societé de consummation: ses
mythes, ses structures
mythes, ses structures [Paris: Gallimard, 1970],[Paris: Gallimard, 1970],
174-85.)
174-85.)
6 Thomas Crow, “Staurday Disasters: Trace and
6 Thomas Crow, “Staurday Disasters: Trace and
Reference in Early Warhol”,
Reference in Early Warhol”, in in : Serge Guilbaut: Serge Guilbaut
(org.),
(org.),RReconseconstrutructicting ng ModeModernism rnism (C(Cambridge: MIambridge: MITT
Press, 1990): 313, 317. Essa é uma segunda
Press, 1990): 313, 317. Essa é uma segunda
versão; a primeira apareceu em
versão; a primeira apareceu emArt in America Art in America
(May 1987).
(May 1987).
7
7Id., ibid Id., ibid ., p. 322.., p. 322.
8
8Id., ibid Id., ibid ., p. 324.., p. 324.
9 Gretchen Berg, “Andy Warhol: My True Story,”
9 Gretchen Berg, “Andy Warhol: My True Story,”
Los Angeles Free Press
Los Angeles Free Press , 17 de março de 1963, 3., 17 de março de 1963, 3.
Warhol continua: “Não havia nenhuma razão
Warhol continua: “Não havia nenhuma razão
profunda para fazer uma série sobre morte,
profunda para fazer uma série sobre morte,
nenhuma vítima de seu tempo; não havia
nenhuma vítima de seu tempo; não havia
nenhuma razão mesmo, apenas uma razão de
nenhuma razão mesmo, apenas uma razão de
superfície”. Claro que essa insistência pode ser
superfície”. Claro que essa insistência pode ser
lida como uma negação, como um sinal de que
lida como uma negação, como um sinal de que
há “uma razão profunda”. Esse transitar entre a
há “uma razão profunda”. Esse transitar entre a
superfície e a profundidade é constante no
superfície e a profundidade é constante no
pop e pode ser caracterísitco do realismo
pop e pode ser caracterísitco do realismo
traumático.
traumático.
O que, afinal, faz de Warhol o local de tanta
O que, afinal, faz de Warhol o local de tanta
projeção? Ele posava como uma tela em branco,
projeção? Ele posava como uma tela em branco,
com certeza, mas Warhol era muito consciente
com certeza, mas Warhol era muito consciente
dessas projeções, de fato muito consciente do
dessas projeções, de fato muito consciente do
mecanismo da identificação
mecanismo da identificaçãocomo como projeção; éprojeção; é
um de seus principais temas.
16 1655 ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
merecem; não há dúvida de que isso ocorre com todos nós. E nenhuma das duas
merecem; não há dúvida de que isso ocorre com todos nós. E nenhuma das duas
projeções está errada. Acho ambas igualmente persuasivas. Mas ambas não podem
projeções está errada. Acho ambas igualmente persuasivas. Mas ambas não podem
estar corretas... ou será que podem? Será que podemos ler as imagens de Death
estar corretas... ou será que podem? Será que podemos ler as imagens de Death
in
in AmeAmerica como referenciaisrica como referenciaise e simulacros, conectadassimulacros, conectadase e desconectadas, afetivasdesconectadas, afetivas
e
e indifindifereerentes, crítintes, críticacasse e complacentcomplacenteses? Acho que devemos e podemos, se as? Acho que devemos e podemos, se as
lermos de uma terceira maneira, nos termos do
lermos de uma terceira maneira, nos termos dorealismo traumático realismo traumático ..1010
Realismo traumático
Realismo traumático
Uma forma de desenvolver essa noção é pelo famoso moto da
Uma forma de desenvolver essa noção é pelo famoso moto da persona persona
warholi
warholiana: “ana: “QQuero ser uma máquero ser uma máquina”.uina”.1111NormaNormalmentlmente esse essa declaraçãa declaração é o é ententendidaendida
como co
como confinfirmaçrmação da inexpresão da inexpressividade tantsividade tanto do arto do artista quantista quanto da arte, o da arte, mas mas elaela
pode talvez apo
pode talvez apontntar menos ar menos para um spara um sujeitujeito ino indifdiferente do que para um serente do que para um sujeitujeitoo
em estado de choque, que assume a natureza daquilo que o choca, como uma
em estado de choque, que assume a natureza daquilo que o choca, como uma
defes
defesa mimétia mimética contra o ca contra o choquechoque: : SSou tou tambéambém uma máquina, fm uma máquina, faço (ou aço (ou consconsumo)umo)
imagens
imagens-produt-produto em so em série térie tambéambém, dou tm, dou tão bem (ou tão bem (ou tão maão mal) l) quanto recebo.quanto recebo.1212
“Alguém disse que minha vida me dominou”, declarou Warhol ao crítico Gene
“Alguém disse que minha vida me dominou”, declarou Warhol ao crítico Gene
S
Swenswenson em uma fon em uma famosamosa enta entrevista drevista de 1963. e 1963. ““GGosto dessosto dessa idéia idéia.”a.”1313Aqui WarholAqui Warhol
aca
acaba de admitba de admitir ir entregar-se ao mesentregar-se ao mesmo almoço tmo almoço todos os dias nos odos os dias nos últúltimos 20imos 20
anos (o que mai
anos (o que mais ss senão sopa Cenão sopa Campbell?). ampbell?). No contNo contexto, exto, ententão, as duas deão, as duas declaraçõesclarações
podem ser lidas como a predominância da compulsão a repetir colocada em
podem ser lidas como a predominância da compulsão a repetir colocada em
jogo por uma sociedade de produção e consumo seriais. Se você não os pode
jogo por uma sociedade de produção e consumo seriais. Se você não os pode
vencer, sugere Warhol, junte-se a eles. Mais, se você entrar totalmente no jogo
vencer, sugere Warhol, junte-se a eles. Mais, se você entrar totalmente no jogo
talvez possa expô-lo, isto é, você talvez revele o automatismo ou mesmo o
talvez possa expô-lo, isto é, você talvez revele o automatismo ou mesmo o
aut
autismo dessismo desse procese processo, por meiso, por meio de seu próprio de seu próprio exemplo exagerado. Usao exemplo exagerado. Usado dedo de
forma estratégica no Dadá, esse capitalismo niilista era encenado de forma
forma estratégica no Dadá, esse capitalismo niilista era encenado de forma
ambígua em
ambígua em WWarhol e, arhol e, como vimos no Ccomo vimos no Capítapítulo 4, ulo 4, muitmuitos aos artrtististas as jogam com elejogam com ele
desde então.
desde então.1414(Ev(Evidentidentemeementnte isso é umae isso é umaperformance performance , há um suje, há um sujeitito “o “atrásatrás””
des
dessa figura de não-subjetsa figura de não-subjetiviividade que a dade que a apresapresenta como uma fienta como uma figura. De outragura. De outra
forma, o sujeit
forma, o sujeito em choquo em choque se seria um oximoro, poieria um oximoro, pois não há um ss não há um sujeitujeito preso presenteente
para si mesmo no choque, quanto mais no trauma. Apesar disso, a fascinação em
para si mesmo no choque, quanto mais no trauma. Apesar disso, a fascinação em
W
Warhol arhol é que nunca se é que nunca se ttem ceem certrteza eza sobre essobre esse sse sujeiujeitto por do por detretrásás: h: há alguém emá alguém em
cas
casa, denta, dentro do autro do autômato?)ômato?)
Essas noções de subjetividade em choque e repetição compulsiva
Essas noções de subjetividade em choque e repetição compulsiva
reposicionam o papel da
reposicionam o papel darepetição repetição nanapersona persona warholiwarholiana e nas ana e nas imagens. “imagens. “GGostoosto
de coisas tediosas” é outro moto famoso dessa
de coisas tediosas” é outro moto famoso dessapersona persona quasquase autie autista. “sta. “GGosostto queo que
as coisas sejam exatamente as mesmas sempre.”
as coisas sejam exatamente as mesmas sempre.”1515Em POPism (1980), WarholEm POPism (1980), Warhol
esboça essa aceitação do tédio, repetição e dominação: “Não quero que seja
esboça essa aceitação do tédio, repetição e dominação: “Não quero que seja
essencialmente o mesmo – quero que seja
essencialmente o mesmo – quero que seja exatamente exatamente o mesmo. Pois quantoo mesmo. Pois quanto
mais s
mais se olha para exatamente olha para exatamente a mese a mesma coisama coisa, , ttantanto mais ela perde seo mais ela perde seu signiu signifificado,cado,
e nos senti
e nos sentimos camos cada vez meda vez melholhor e mair e mais vazs vazios”.ios”.1616AqAqui a repetiui a repetição é ção é ttanto umaanto uma
drenagem do significado quanto uma defesa contra o afeto, e essa estratégia já
drenagem do significado quanto uma defesa contra o afeto, e essa estratégia já 10 Por razões que se esclarecerão, não pode
10 Por razões que se esclarecerão, não pode
existir um realismo traumático enquanto tal. No
existir um realismo traumático enquanto tal. No
entanto a noção é útil do ponto de vista
entanto a noção é útil do ponto de vista
heurísti
heurístico – mesmo apenaco – mesmo apenas como uma forma des como uma forma de
superar as oposições contidas na nova história
superar as oposições contidas na nova história
da arte (semiótica
da arte (semiótica versus versus métodos sócio-métodos
sócio-históricos, texto
históricos, texto versus versus contexto) e na críticacontexto) e na crítica
cultural (significante
cultural (significanteversus versus referente, sujeitoreferente, sujeito
construído
construído versus versus corpo natural).corpo natural).
11 Swenson, “What is Pop Art?”, p. 26.
11 Swenson, “What is Pop Art?”, p. 26.
12 He
12 Hesito entre “produto”sito entre “produto”e “imageme “imagem”, ”, “f“fazazer” eer” e
“consumir” porque Warhol parece ocupar uma
“consumir” porque Warhol parece ocupar uma
posição liminar entre as ordens de produção e
posição liminar entre as ordens de produção e
consumo; ao menos, as duas operações se
consumo; ao menos, as duas operações se
embaralham em seu trabalho. Essa posição liminar
embaralham em seu trabalho. Essa posição liminar
também exp
também explilica minha hesitação entre “ca minha hesitação entre “choquchoque”,e”,
um discurso que se desenvolve em torno de
um discurso que se desenvolve em torno de
acidentes no contexto da produção industrial,
acidentes no contexto da produção industrial,
e “trauma”, um discurso no qual o “choque” é
e “trauma”, um discurso no qual o “choque” é
repensado por meio de sua eficiência
repensado por meio de sua eficiência
psicana
psicanalítlítica e fantasia imaginária – e, portanto,ica e fantasia imaginária – e, portanto,
um discurso talvez mais pertinente a um sujeito
um discurso talvez mais pertinente a um sujeito
consumidor.
consumidor.
13 Sewenson, “What is Pop Art?,” p. 26.
13 Sewenson, “What is Pop Art?,” p. 26.
14 Para niilistas captalistas no Dadá, ver meu
14 Para niilistas captalistas no Dadá, ver meu
artigo “Armor Fou”,
artigo “Armor Fou”, October October 56 (Spring 1991);56 (Spring 1991);
para o caso de Wahol, ver Benjamin Buchloh,
para o caso de Wahol, ver Benjamin Buchloh,
“The Andy Warhol Line,” in Gary Garrels (org.),
“The Andy Warhol Line,” in Gary Garrels (org.),
The Work of Andy Warhol
The Work of Andy Warhol (Seattle: Bay Press,(Seattle: Bay Press,
1989). Sugiro a seguir que hoje esse niilismo
1989). Sugiro a seguir que hoje esse niilismo
freqüentemente as
freqüentemente assumsume um ase um aspecto ipecto infantnfantilil, como, como
se
se “at“atuaruar” ” ((acting out acting out ) fosse o mesmo que “fazer) fosse o mesmo que “fazer
performance
performance .”.”
15 Declaração não datada de autoria de Andy
15 Declaração não datada de autoria de Andy
Warhol, lida por Nicholas Love na missa
Warhol, lida por Nicholas Love na missa
celebrativa em memória de Andy Warhol, St.
celebrativa em memória de Andy Warhol, St.
Patrick’s Cathedral, Nova York, em primeiro de
Patrick’s Cathedral, Nova York, em primeiro de
abril de 1987, citado em Kynaston McShine
abril de 1987, citado em Kynaston McShine
(org.),
(org.),Andy WAndy Warhol: arhol: A RA Retrospecetrospecttive ive (Nova York:(Nova York:
Museum of Modern Art, 1989), 457.
Museum of Modern Art, 1989), 457.
16 Andy Warhol e Patt Hackertt,
16 Andy Warhol e Patt Hackertt, POPism POPism : The: The
Warhol’60s (Nova York: Harcourt Brace
Warhol’60s (Nova York: Harcourt Brace
Jovanovich, 1980), 50.
1
16666 ccoonncciinnnniittaass
guiava Warhol desde cedo, como na entrevista de 1963: “Quando se vê uma
guiava Warhol desde cedo, como na entrevista de 1963: “Quando se vê uma
imagem m
imagem medonha repeedonha repettidameidamentntee, , ela não tela não tem reaem realmente um lmente um efeitefeito”.o”.1717ClaramenteClaramente
essa é uma das funções da repetição, ao menos da forma como foi compreendida
essa é uma das funções da repetição, ao menos da forma como foi compreendida
por Freud: repetir um evento traumático (nas ações, nos sonhos, nas imagens)
por Freud: repetir um evento traumático (nas ações, nos sonhos, nas imagens)
de forma a integrá-lo à economia psíquica, que é uma ordem simbólica. Mas as
de forma a integrá-lo à economia psíquica, que é uma ordem simbólica. Mas as
repetições de Warhol não são restauradoras nesse sentido; não se trata do
repetições de Warhol não são restauradoras nesse sentido; não se trata do
controle sobre o trauma. Mais do que uma libertação paciente por meio do luto,
controle sobre o trauma. Mais do que uma libertação paciente por meio do luto,
elas s
elas sugerem uma fiugerem uma fixaçãxação obseso obsessiva no osiva no objetbjeto da melancolo da melancolia. ia. PPense aense apenas epenas emm
t
todas aodas assMarilyns Marilyns , o , o cultcultivo, ivo, coloração e listagem descoloração e listagem dessasas images imagens: na medida emns: na medida em
que Warhol retrabalha essas imagens de amor, uma melancólica “psicose-desejada”
que Warhol retrabalha essas imagens de amor, uma melancólica “psicose-desejada”
parece entrar em jogo.
parece entrar em jogo.1818PPorém essorém essa anália análise não esse não esttá tá também exambém exatamentatamente correte correta.a.
P
Poiois a repetis a repetição de Wção de Warhol arhol não apenasnão apenasre re produz eproduz efeifeittos os ttraumáraumátticos; ela tambémicos; ela também
os
osproduz produz . De alguma forma, . De alguma forma, nessnessas repeas repettições, entições, então, ocorrão, ocorre uma se uma série de coiérie de coisasass
contr
contraditaditórias ao meórias ao mesmsmo to tempo: uma eempo: uma evasvasão do são do signiignifificado traumáticado traumáticocoe e umauma
abertura em sua direção, uma defesa contra afetos traumáticos
abertura em sua direção, uma defesa contra afetos traumáticose e sua produção.sua produção.
Aqui devo e
Aqui devo explixplicitcitar o modelo teóriar o modelo teórico que eco que esteve ssteve subentendiubentendido até agora.do até agora.
No começ
No começo dos anos 60, o dos anos 60, JacqueJacques Ls Lacan esacan esttava preocupado em defiava preocupado em defininir o r o real emreal em
termos do trauma. Intitulado “O Inconsciente e a Repetição”, tal seminário
termos do trauma. Intitulado “O Inconsciente e a Repetição”, tal seminário
ocorreu mais ou menos contemporaneamente à criação das imagens de “Death
ocorreu mais ou menos contemporaneamente à criação das imagens de “Death
in America” (no início de 1964).
in America” (no início de 1964).1919Porém, à diferença da teoria do simulacro dePorém, à diferença da teoria do simulacro de
Ba
Baudrilludrillard e comard e companhia, a tpanhia, a teoria do teoria do trauma drauma de Lae Lacacan não fn não foi oi infinfluenciada peluenciada pelolo
pop. Ela é, no entanto, informada pelo surrealismo, que aqui apresenta seu
pop. Ela é, no entanto, informada pelo surrealismo, que aqui apresenta seu
efeito retardatário sobre Lacan, alguém associado ao surrealismo desde seu
efeito retardatário sobre Lacan, alguém associado ao surrealismo desde seu
início, e abaixo afirmarei que a arte pop é relacionada ao surrealismo enquanto
início, e abaixo afirmarei que a arte pop é relacionada ao surrealismo enquanto
um realismo traumático (certamente minha leitura de Warhol é surrealista).
um realismo traumático (certamente minha leitura de Warhol é surrealista).
Nesse seminário, Lacan define o traumático como um desencontro com o real.
Nesse seminário, Lacan define o traumático como um desencontro com o real.
E
Enquanto nquanto perdido, perdido, o real não o real não pode sepode ser represer representntado; ele só pode seado; ele só pode ser repetr repetido.ido.
De fato ele
De fato ele deve deve ser repetido. “ser repetido. “Wiederholen Wiederholen ”, escreve Lacan em referência”, escreve Lacan em referência
eti
etimológica à idéia de repemológica à idéia de repettição em Fição em Freud, “reud, “não énão éReproduzieren Reproduzieren ” (” (50): repe50): repettiçãoição
não é reprodução. I
não é reprodução. Isssso pode valer como epíto pode valer como epítome também de meu argumome também de meu argumento:ento:
repetição em Warhol não é reprodução no sentido da representação (de um
repetição em Warhol não é reprodução no sentido da representação (de um
referente)
referente) ou simulaçãou simulação (de uma pura imageo (de uma pura imagem, um signifm, um significanticante dese desprendido)prendido)..
Ant
Anteses, a repet, a repetição serve ição serve paraparaproteger proteger do real, compreedo real, compreendido ndido como traumático.como traumático.
Ma
Mas exataments exatamente esse essa necessa necessiidade tdade tambémambémaponta aponta para o real, e nesse ponto opara o real, e nesse ponto o
real
realrompe rompe o anto antepaeparo proveniro proveniente da repetiente da repetição. É ção. É uma ruptura menos no mundouma ruptura menos no mundo
que no sujeit
que no sujeito – ento – entre a percere a percepção e a pção e a conscconsciência de um sujeitiência de um sujeitootocado tocado por umapor uma
imagem. Numa alusão à idéia de causalidade acidental de Aristóteles, Lacan
imagem. Numa alusão à idéia de causalidade acidental de Aristóteles, Lacan
chama esse ponto traumático de
chama esse ponto traumático de touché touché ; ; emem Camera Lucida Camera Lucida (1980) Barthes(1980) Barthes
chama
chama-o -o dedepunctum punctum ..2020“É esse elemento que nasce da cena, é lançado para fora“É esse elemento que nasce da cena, é lançado para fora
dela como uma fl
dela como uma flecha e me echa e me atiatinge”nge”, escrev, escreve Bae Bartrthes. “hes. “É É aquilo aquilo que acque acresrescento cento àà
fot
fotografiografia e que a e que mesmesmo asmo assim já estava lá.” sim já estava lá.” ““É É preciso, porém abapreciso, porém abafado. fado. GGriritta ema em
17 Swenson, “What is Pop Art?,” 60. Isto é,
17 Swenson, “What is Pop Art?,” 60. Isto é,
tem um efeit
tem um efeito , mas não , mas nãoorealmente realmente . Us. Uso “afeito “afeito”o”
não para reinstaurar uma experiência referencial,
não para reinstaurar uma experiência referencial,
mas
mas, ao cont, ao contrário, para sugerir uma experiênciarário, para sugerir uma experiência
que precisame
que precisamentnte não pode e não pode ser localiser localizadazada..
18 S
18 Sigmund igmund FFreud, “reud, “Mourning and MelancholiMourning and Melancholia”a”
(1917),
(1917), in in :: General Psycological Theory General Psycological Theory , Philip, Philip
Rieff (org.), (Nova York: Collier Books, 1963),
Rieff (org.), (Nova York: Collier Books, 1963),
166. O trabalho de Crow é especialmente bom
166. O trabalho de Crow é especialmente bom
no que diz respeito ao memorial de Warhol a
no que diz respeito ao memorial de Warhol a
Marilyn, porém ele o lê no sentido de um luto,
Marilyn, porém ele o lê no sentido de um luto,
em vez
em vez de lhe atride lhe atribuir um sentibuir um sentido de melancodo de melancolilia.a.
19 Ver Jacques Lacan,
19 Ver Jacques Lacan, The Four Fundamental The Four Fundamental
Concepts of Psycoanalysis
Concepts of Psycoanalysis , trad. Alan Sheridan, trad. Alan Sheridan
(Nova York: W.W. Norton, 1978), 17-64; outras
(Nova York: W.W. Norton, 1978), 17-64; outras
referências estarão incluídas no texto. O
referências estarão incluídas no texto. O
seminário sobre o olhar (
seminário sobre o olhar (gaze gaze ), “Of the Gaze as), “Of the Gaze as
O
Objet bjet PPetit etit a a ” t” tem recem recebido mais atenção do queebido mais atenção do que
o seminário sobre o real, porém o último tem a
o seminário sobre o real, porém o último tem a
mesma relevância para a arte contemporânea
mesma relevância para a arte contemporânea
quanto o primeiro (de qualquer forma, os dois
quanto o primeiro (de qualquer forma, os dois
textos devem ser lidos em conjunto). Para um
textos devem ser lidos em conjunto). Para um
uso provocante do seminário sobre o real em
uso provocante do seminário sobre o real em
escritos contemporâneos, ver Susan Stewart,
escritos contemporâneos, ver Susan Stewart,
“
“CCoda: Reverse Toda: Reverse Trompe L’Orompe L’Oeil eil / / The EThe Eruptruption ion ofof
the Real,”
the Real,”in in Crimes of Writing Crimes of Writing (Nova York: Oxford(Nova York: Oxford
University Press), 273-90.
University Press), 273-90.
20 “
20 “EEstou tstou tentando entender aqui como oentando entender aqui como otouché touché
é repres
é representado nentado na apreensa apreensão visual”ão visual”, di, diz Lacz Lacan.an.
“Mostrarei que é ao nível do que chamo de
“Mostrarei que é ao nível do que chamo de
“mancha
“mancha” ” que o ponto deque o ponto detiche tiche é encontrado naé encontrado na
função escópica” (77). Esse ponto de
função escópica” (77). Esse ponto detiche tiche ,,
então, está no sujeito, mas o sujeito enquanto
então, está no sujeito, mas o sujeito enquanto
um efeit
um efeito, uma sombra o, uma sombra de uma “mancha” lde uma “mancha” lançadaançada
pelo olhar do mundo.
16 1677 ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
silêncio. Estranha contradição: um raio flutuante.”
silêncio. Estranha contradição: um raio flutuante.”2121 Essa confusão sobre oEssa confusão sobre o
local da ruptura,
local da ruptura, touché touché , , ououpunctum punctum , é uma confusã, é uma confusão ento entre sre sujeitujeito e mundo,o e mundo,
ent
entre o dentre o dentro e o fro e o fora. É um dos ora. É um dos asaspectos do tpectos do trauma; de fatrauma; de fato, pode ser que eso, pode ser que essasa
mesma confusão
mesma confusãoseja seja o traumático. (“Onde está sua ruptura?”, pergunta Warholo traumático. (“Onde está sua ruptura?”, pergunta Warhol
em uma pint
em uma pintura de 1960, ura de 1960, basbaseada eeada em uma propaganda de jornm uma propaganda de jornal, al, com uma scom uma sérieérie
de flechas voltadas para o buraco entre os seios de uma mulher).
de flechas voltadas para o buraco entre os seios de uma mulher).
E
EmmCCamera amera Lucida Lucida Barthes esBarthes esttá preocupado com fotá preocupado com fotografiografias sas simplimpleses, ass, assim,im,
ele situa o
ele situa o punctum punctum em detalhes de conteúdo. Esse raramente é o caso emem detalhes de conteúdo. Esse raramente é o caso em
W
Warholarhol. Porém há para mim um. Porém há para mim umpunctum punctum (Bart(Barthes hes esesttipulipula que a que ele é uele é um efeitm efeitoo
pessoal) na indiferença do passante em
pessoal) na indiferença do passante em White Burning Car III White Burning Car III (“Carro Branco(“Carro Branco
Queimando III”, 1963). Tal indiferença em relação ao acidentado lançado sobre
Queimando III”, 1963). Tal indiferença em relação ao acidentado lançado sobre
o poste de telefone é ruim o suficiente, mas sua repetição é
o poste de telefone é ruim o suficiente, mas sua repetição é insuportável insuportável ee
aponta para a forma de funcionamento do
aponta para a forma de funcionamento do punctum punctum em geral em Warhol. Eleem geral em Warhol. Ele
funci
funciona menos ona menos por meio do por meio do conteúdo do que da tconteúdo do que da técnica, esécnica, especialmepecialmentnte pelose pelos
“
“raios flutraios flutuantes” do procesuantes” do processo doso dosilkscreen silkscreen , o escorregar e marcar, o alvejar e, o escorregar e marcar, o alvejar e
es
esvazvaziar, o repetiar, o repetir ir e colorie colorir das imager das imagensns. Pa. Para tra tomar outomar outro exero exemplo, mplo, umumpunctum punctum
aparece para mim em
aparece para mim emAmbulance Disaster Ambulance Disaster (“Desastre de Ambulância”, 1963) não(“Desastre de Ambulância”, 1963) não
na mulher jogada na imagem de cima, mas na gota obscena que apaga sua
na mulher jogada na imagem de cima, mas na gota obscena que apaga sua
cabeça
cabeça na ina imagem de baixo. magem de baixo. Nos Nos doidois cas casos sos – exat– exatamente como oamente como o punctum punctum emem
Gerhard Richter aparece menos nos detalhes do que no desfocar esparramado
Gerhard Richter aparece menos nos detalhes do que no desfocar esparramado
das imagens – ass
das imagens – assim im oopunctum punctum em Warhol aparece não nos detalhes, mas noem Warhol aparece não nos detalhes, mas no
pipocar (
pipocar (poping poping ) ) reperepettititivo da imageivo da imagem.m.2222
Esses pops, como falhas no registro ou uma diluição na cor, servem como
Esses pops, como falhas no registro ou uma diluição na cor, servem como
equivalentes visuais de nosso desencontro com o real. “O que é repetido”,
equivalentes visuais de nosso desencontro com o real. “O que é repetido”,
es
escreve Lacreve Lacan, “can, “é seé sempre algo que acontmpre algo que aconteceece...como por como por acasacaso o ”. P”. Portortanto, anto, é comé comoo
es
esseses pops: pareces pops: parecem acidentm acidentais, mas também parecais, mas também parecem repetiem repetittivos, autivos, automátiomáticoscos,,
mesmo técnológicos (a relação entre acidente e tecnologia, crucial para o
mesmo técnológicos (a relação entre acidente e tecnologia, crucial para o
discurso sobre o choque, é um tema importante em Warhol).
discurso sobre o choque, é um tema importante em Warhol).2323Dessa forma, eleDessa forma, ele
int
intervéervém sm sobre o nosobre o nosso inconsso inconscientciente óptie óptico, um termo inco, um termo inttroduzido por Wroduzido por Waltalterer
Benjamin para descrever o efeito subliminar das modernas tecnologias de
Benjamin para descrever o efeito subliminar das modernas tecnologias de
imagem. Benjamin desenvolve essa noção no início dos anos 30, respondendo
imagem. Benjamin desenvolve essa noção no início dos anos 30, respondendo
à fot
à fotografia e ao cinografia e ao cinemaema; Wa; Warhol rhol a atualia atualiza 30 anos za 30 anos mais tarde, respondemais tarde, respondendo àndo à
sociedade do espe
sociedade do espettáculo do áculo do pós-guerra, pós-guerra, aos meaos meioios de comunicação de mass de comunicação de massa esa e
à mercadoria.
à mercadoria.2424 Nessas imagens do começo de sua carreira, vemos o que é oNessas imagens do começo de sua carreira, vemos o que é o
sonhar a
sonhar avida vida e oe o tempo tempo na era da tna era da televisãelevisão – ou, o – ou, antes, o que é tantes, o que é ter peser pesadeadelolo
enquant
enquanto víto vítimas que se preparam para desimas que se preparam para desasasttres que já chegaram, poires que já chegaram, pois Ws Warholarhol
se
selecileciona momentona momentos em que o espetáculo os em que o espetáculo racha (racha (o caso do asso caso do assasassinatsinato de JFKo de JFK,,
o suicídi
o suicídio de Monroe, ato de Monroe, ataques aques racistracistasas), ), mas mas racham apenas racham apenas para se epara se expandir.xpandir.
Portanto, o
Portanto, o punctum punctum em Warhol não é nem estritamente privado, nemem Warhol não é nem estritamente privado, nem
público.
público.2525Nem tem conteúdo trivial: uma mulher branca atirada para fora deNem tem conteúdo trivial: uma mulher branca atirada para fora de
uma ambulância ou um homem negro atacado por um cão da polícia é um
uma ambulância ou um homem negro atacado por um cão da polícia é um 21 Roland Barthes,
21 Roland Barthes,CCâmera âmera Lúcida Lúcida , t, trad. Rrad. Richardichard
Howard (Nova York: Hill and Wang, 1981), 26,
Howard (Nova York: Hill and Wang, 1981), 26,
55, 53.
55, 53.
22 Ainda out
22 Ainda outra sitra situaçãuação desso desse pipocar (e pipocar (poping poping ))
é o apagamento da imagem (que freqüentemente
é o apagamento da imagem (que freqüentemente
ocorre nos dípticos, isto é, um monocromo
ocorre nos dípticos, isto é, um monocromo
próximo de um painel de um acidente de carro
próximo de um painel de um acidente de carro
ou de uma cadeira elétrica), como se ele fosse
ou de uma cadeira elétrica), como se ele fosse
um correlativo de um
um correlativo de umblackout blackout ..
23 Esse é, aliás, um tema modernista importante,
23 Esse é, aliás, um tema modernista importante,
de Baudelaire ao surrealismo e além. Ver Walter
de Baudelaire ao surrealismo e além. Ver Walter
Benjamin, “On Some Motifs in Baudelaire”
Benjamin, “On Some Motifs in Baudelaire”
(1939),
(1939),in in Illuminations Illuminations , t, trad. Harry Zrad. Harry Zohn (ohn (NovaNova
York: Schocken Books, 1969), assim como
York: Schocken Books, 1969), assim como
também Wolfgang Schivelbusch,
também Wolfgang Schivelbusch, The Railway The Railway
Journal
Journal (Berkeley: University (Berkeley: University of of CCalifalifornia ornia PPresress,s,
1986). Como aponto na nota 7, esse choque é
1986). Como aponto na nota 7, esse choque é
tát
tátil il em Bem Benjamin, como ele é, de outra maneenjamin, como ele é, de outra maneira,ira,
em Warhol: “Vejo tudo daquela forma, a
em Warhol: “Vejo tudo daquela forma, a
superfície disso, uma es
superfície disso, uma espécie de Brapécie de Brailille mentle mental,al,
apenas passo minhas mãos sobre a superfície
apenas passo minhas mãos sobre a superfície
das coisas” (Berg, “Andy: My True Story,” 3).
das coisas” (Berg, “Andy: My True Story,” 3).
24 De fato Benjamin
24 De fato Benjamin apenaapenas toca brevemente as toca brevemente a
questão em “A Short History of Photography”
questão em “A Short History of Photography”
(1931),
(1931),in in Alan Trachtenberg (org.),Alan Trachtenberg (org.),CClalassic ssic EsEssays says
on Photography
on Photography (New Haven: Leete’s Island Books,(New Haven: Leete’s Island Books,
1980) e “The Works of Art in the Age of
1980) e “The Works of Art in the Age of
mechanical Reproduction” (1936),
mechanical Reproduction” (1936), iin n
Illuminations
Illuminations ..
25 Isso é igualmente verdade para Richter,
25 Isso é igualmente verdade para Richter,
especialmente em seu conjunto de pinturas de
especialmente em seu conjunto de pinturas de
1988,
1988,October October 18, 1977, no que diz respeito ao18, 1977, no que diz respeito ao
grupo de Baader-Meinhof. O
grupo de Baader-Meinhof. Opunctum punctum dessasdessas
pinturas, que são baseadas em fotografias de
pinturas, que são baseadas em fotografias de
membros de grupos, celas de prisão, cadáveres
membros de grupos, celas de prisão, cadáveres
e funerais, não é um assunto privado, porém
e funerais, não é um assunto privado, porém
tampouco pode ser explicado por um código
tampouco pode ser explicado por um código
público (ou
público (ou studium studium no léxico barthesiano).no léxico barthesiano).
Isso igualmente fala a favor de uma confusão
Isso igualmente fala a favor de uma confusão
traumática das esferas pública e privada.
1
16688 ccoonncciinnnniittaass
choque. Mas, novamente, essa primeira ordem do choque é protegida pela
choque. Mas, novamente, essa primeira ordem do choque é protegida pela
repetição da imagem, ainda que essa repetição possa também produzir uma
repetição da imagem, ainda que essa repetição possa também produzir uma
segunda ordem do trauma, agora no nível da técnica, em que o
segunda ordem do trauma, agora no nível da técnica, em que opunctum punctum romperompe
o ant
o anteparo e permiteparo e permite ao real se e ao real se expor.expor.2626O O real, direal, diz Laz Lacan usacan usando um tndo um trocadilrocadilho,ho,
é
étrou trou matic, e notmatic, e notei que paei que para mim a gota nora mim a gota noAmbulance Disaster Ambulance Disaster é um tal buré um tal buracoaco
(
(trou trou ), ainda que não consiga dizer que perda está figurada ali. Através desses), ainda que não consiga dizer que perda está figurada ali. Através desses
buracos ou pops, t
buracos ou pops, temos emos a impressãa impressão de to de tocar o real, ocar o real, que a repetique a repetição da imagemção da imagem
ao mesmo tempo afasta e aproxima de nós. (Às vezes a coloração da imagem
ao mesmo tempo afasta e aproxima de nós. (Às vezes a coloração da imagem
produz esse mesmo estranho efeito.)
produz esse mesmo estranho efeito.)2727
Dessa forma, tipos diferentes de repetição estão em jogo em Warhol:
Dessa forma, tipos diferentes de repetição estão em jogo em Warhol:
repeti
repetições ções que sque se fie fixam no real txam no real traumátiraumático, que o protco, que o protege, que o produz. E ege, que o produz. E esessasa
multiplicidade dá conta do paradoxo não apenas das imagens, que são ao
multiplicidade dá conta do paradoxo não apenas das imagens, que são ao
mesmo tempo afetivas e sem afeto, mas também dos observadores, que nem
mesmo tempo afetivas e sem afeto, mas também dos observadores, que nem
es
esttão intão integraegrados (o que é o ideal da mados (o que é o ideal da maior ior parte da esparte da esttétiética mca moderna: o sujeitoderna: o sujeitoo
compos
compostto na conto na contemplaçemplação), ão), nem dispenem dispersos rsos (o (o que é o eque é o efeitfeito de grande pao de grande partrtee
da cultura popular: o sujeito entregue à intensidade esquizóide da mercadoria).
da cultura popular: o sujeito entregue à intensidade esquizóide da mercadoria).
“I never fall apart”, comenta Warhol
“I never fall apart”, comenta Warhol em The Philosophy of Andy Warhol em The Philosophy of Andy Warhol ((““AA
Filosofia de Andy Warhol”, 1975), “because I never fall together” (jamais caio
Filosofia de Andy Warhol”, 1975), “because I never fall together” (jamais caio
aos pedaços (
aos pedaços (fall apart fall apart ), porque não sou coerente (), porque não sou coerente (fall together fall together ))..2828 Esse éEsse é
igualment
igualmente o efeite o efeito de seo de seu tu trabalho sobre o srabalho sobre o sujeitujeito, e ele resso, e ele ressoa na produçãoa na produçãoo
artística que elabora o pop: novamente, em uma parte do super-realismo, da
artística que elabora o pop: novamente, em uma parte do super-realismo, da
appropriation art
appropriation art (arte de apropriação) e em algumas obras contemporânea(arte de apropriação) e em algumas obras contemporânea
envolvi
envolvidas das com o ilcom o ilusioniusionismsmo – uma categorio – uma categoria, ta, tal como a do realismo, que esal como a do realismo, que essese
tipo de arte nos convida a repensar.
tipo de arte nos convida a repensar.
I
Ilusionislusionismo traumámo traumátiticcoo
Em seu seminário de 1964 sobre o real, Lacan faz uma distinção entre
Em seu seminário de 1964 sobre o real, Lacan faz uma distinção entre
Wiederholung
Wiederholung eeWiederkehr Wiederkehr . O primeiro é a repetição do reprimido, enquanto. O primeiro é a repetição do reprimido, enquanto
sint
sintoma ou soma ou signiignifificante, que Lacante, que Lacan chacan chama dema deautomaton automaton , t, também eambém em alusão am alusão a
Aristóteles. O segundo é o retorno discutido acima: o retorno do encontro
Aristóteles. O segundo é o retorno discutido acima: o retorno do encontro
t
traumáraumáttico com o real, algo que resico com o real, algo que resististe ao se ao simbólimbólico, que não é de forma algumaico, que não é de forma alguma
um signi
um signifificante, chamado por Laccante, chamado por Lacan, como dian, como dissssemosemos, de, de touché touché . O . O primeirprimeiro, ao, a
repeti
repetição ção do sdo sintintoma, pode oma, pode conter ou protconter ou proteger o eger o sesegundo, igundo, isto é, o retorno dosto é, o retorno do
rea
real tl traumáraumáttico, que, no entico, que, no entanto, anto, exisexistte para e para além doalém doautomaton automaton dos sdos sininttomasomas,,
“para além da insistência do signo”. De fato, para além do princípio do prazer.
“para além da insistência do signo”. De fato, para além do princípio do prazer.2929
Acima relacionei essas duas formas de recorrência aos dois tipos de repetições
Acima relacionei essas duas formas de recorrência aos dois tipos de repetições
na imagem wa
na imagem warholrholiana: a repetiiana: a repetição de ção de uma imagem uma imagem a fia fim de proteger contm de proteger contra umra um
real traumáti
real traumático, queco, que, apes, apesar dissar disso, retorno, retorna, aca, acidentidental e/al e/ou obliquamente, noou obliquamente, no
própri
próprio anto anteparo. Agora eparo. Agora me ame aventurventurarei em outra analogia com referência à aarei em outra analogia com referência à artrtee
super-realista: às vezes seu ilusionismo é tão excessivo que parece ansioso –
super-realista: às vezes seu ilusionismo é tão excessivo que parece ansioso –
ansioso para encobrir
ansioso para encobrir o real to real traumátiraumático –, co –, mas emas essssa ansiedade nada maa ansiedade nada mais fis faz doaz do 26
26 OOchoque choque pode existir no mundo, mas opode existir no mundo, mas o
trauma
trauma se desenvolve apenas no sujeito. Comose desenvolve apenas no sujeito. Como
observamos nos capítulos 1 e 7, são necessários
observamos nos capítulos 1 e 7, são necessários
dois t
dois traumas raumas para efetuar um tpara efetuar um traumarauma: poi: pois paras para
que um choque se transforme em trauma, ele
que um choque se transforme em trauma, ele
deve ser recodificado por um evento posterior;
deve ser recodificado por um evento posterior;
isto é o que Freud quis dizer com ação atrasada
isto é o que Freud quis dizer com ação atrasada
(
(nachträglich nachträglich ). ). CCom relação a Warhol, om relação a Warhol, isso sugereisso sugere
que o choque do assassinato de JFK ou o
que o choque do assassinato de JFK ou o
suicídio de Monroe tornou-se trauma apenas
suicídio de Monroe tornou-se trauma apenas
posteriormente,
posteriormente, après-coup après-coup , para nós., para nós.
27 O colorir pode lembrar o vermelho histérico
27 O colorir pode lembrar o vermelho histérico
que Marnie vê no filme epônimo de Hitchcock
que Marnie vê no filme epônimo de Hitchcock
(1964). Porém esse vermelho é muito codificado,
(1964). Porém esse vermelho é muito codificado,
seguro por ser simbólico. As cores de Warhol
seguro por ser simbólico. As cores de Warhol
são arbitrárias, ácidas,
são arbitrárias, ácidas,eficientes eficientes (especialmente(especialmente
nas imagens da cadeira elétrica).
nas imagens da cadeira elétrica).
28 W
28 Warhol, arhol, TThe Philosophy of he Philosophy of Andy WAndy Warhol, arhol, 81.81.
Em “Andy Warhol’s One-Dimensional Art:
Em “Andy Warhol’s One-Dimensional Art:
1956-1966”, Benjamin Buchloh argumenta que
1966”, Benjamin Buchloh argumenta que
“consumidores (...) podem celebrar nas obras
“consumidores (...) podem celebrar nas obras
de Warhol seu próprio
de Warhol seu própriostatus status de ter sido apagadode ter sido apagado
enqu
enquanto sujeitos” anto sujeitos” ((in in McShine,McShine,Andy WAndy Warhol: arhol: AA
Retrospective
Retrospective , 57). Essa posição é a oposta à de, 57). Essa posição é a oposta à de
Crow, que afirma que Warhol denuncia o
Crow, que afirma que Warhol denuncia o
“consumo complacente”. Novamente, em vez de
“consumo complacente”. Novamente, em vez de
escolher entre as duas, devemos pensá-las em
escolher entre as duas, devemos pensá-las em
conjunto.
conjunto.
29 O sintoma nos puxa de volta ao mesmo
29 O sintoma nos puxa de volta ao mesmo
ponto (os trocadilhos de Lacan sobre a
ponto (os trocadilhos de Lacan sobre a
etimologia de Wiederholen puxam novamente),
etimologia de Wiederholen puxam novamente),
mas ao menos essa repetição nos oferece uma
mas ao menos essa repetição nos oferece uma
consistência, até mesmo um prazer. O real, ao
consistência, até mesmo um prazer. O real, ao
contrário, retorna violentamente ao simbólico
contrário, retorna violentamente ao simbólico
(novamente, ele não pode ser assimilado ali)
(novamente, ele não pode ser assimilado ali)
para nos derrubar. Enquanto ruptura, ele é ao
para nos derrubar. Enquanto ruptura, ele é ao
mesmo tempo extático e mortífero, precisamente
mesmo tempo extático e mortífero, precisamente
além do princípio do prazer, e deve ser
além do princípio do prazer, e deve ser
vinculado de alguma forma – pelo sint
vinculado de alguma forma – pelo sintoma, seoma, se
por mais nada.
16 1699 ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
ano 6, volume 1, número 8, julho 2005
que indi
que indicar igualmentcar igualmente ese esse se real.real.3030TTais analogias entre o diais analogias entre o discscurso psicanalíturso psicanalíticoico
e as
e as artartes visuais vaes visuais valem pouco, lem pouco, se se nada finada fizer a mezer a medidiação eação entntre os dois. Porém,re os dois. Porém,
aqui, tanto a teoria quanto a arte relaciona a repetição à questão da visualidade
aqui, tanto a teoria quanto a arte relaciona a repetição à questão da visualidade
e do olhar (
e do olhar (gaze gaze ).).
Mais ou menos contemporâneo à divulgação do pop e ao nascimento do
Mais ou menos contemporâneo à divulgação do pop e ao nascimento do
super-reali
super-realismo, o semsmo, o semininário ário de Lade Lacan sobre o olhar sucede àcan sobre o olhar sucede àquele sobre o real;quele sobre o real;
ele é muito citado, mas pouco compreendido. É possível que haja um olhar
ele é muito citado, mas pouco compreendido. É possível que haja um olhar
masculino e que o capitalismo esteja voltado para o sujeito masculino, mas
masculino e que o capitalismo esteja voltado para o sujeito masculino, mas
es
esses ses argumentargumentos não encontos não encontram susram susttententação nesação nesse sse seminárieminário de Lacao de Lacan, n, parapara
quem o olhar não está incorporado a um sujeito, pelo menos numa primeira
quem o olhar não está incorporado a um sujeito, pelo menos numa primeira
in
instância. stância. Numa Numa certa medida, à semecerta medida, à semelhança de Jealhança de Jean-n-PPaul Saul Sartartre, Lacare, Lacan din dististinguengue
entre o
entre o ver (ou ver (ou o olho) o olho) e o olhe o olharar, e em certa medida, como Me, e em certa medida, como Merleau-Prleau-Pontontyy, ele, ele
situa esse olhar
situa esse olhar no mundo no mundo ..3131EEm Lacm Lacan, o an, o que ocorre com a lique ocorre com a linguagem tnguagem tambémambém
ocorre co
ocorre com o olhar: ele preexiste ao sm o olhar: ele preexiste ao sujeitujeito, que, “o, que, “olhado por tolhado por todos os odos os lados”,lados”,
não é mais do que uma “mancha” no “espetáculo do mundo”. Portanto,
não é mais do que uma “mancha” no “espetáculo do mundo”. Portanto,
posicionado, o sujeito tende a sentir o olhar como uma ameaça, como se o
posicionado, o sujeito tende a sentir o olhar como uma ameaça, como se o
ques
questtionassionasse, e é por e, e é por isso queisso que, de acordo com Lacan, “, de acordo com Lacan, “o olo olhar,har,qua objet a qua objet a , pode, pode
vir
vir a simbolia simbolizar eszar essa faltsa falta central expressa central expressa no fenôa no fenômeno da cameno da castração”.stração”.
Ainda mais do que Sartre e Merleau-Ponty, portanto, Lacan desafia o velho
Ainda mais do que Sartre e Merleau-Ponty, portanto, Lacan desafia o velho
privilégio do sujeito na visão e na autoconsciência (o
privilégio do sujeito na visão e na autoconsciência (o vejo-me vendo a mim vejo-me vendo a mim
mesmo
mesmo que fundameque fundamentnta o sa o sujeiujeitto fenomenológio fenomenológico), assco), assim como o veim como o velho domínilho domínioo
do sujeito sobre a representação (“esse aspecto de pertença a mim da
do sujeito sobre a representação (“esse aspecto de pertença a mim da
representação, tão sugestivo de propriedade”, que imbui o sujeito cartesiano de
representação, tão sugestivo de propriedade”, que imbui o sujeito cartesiano de
poder). Lacan subjuga esse sujeito na famosa anedota da lata de sardinha que
poder). Lacan subjuga esse sujeito na famosa anedota da lata de sardinha que
boiava no mar, bri
boiava no mar, brilhando ao sol, lhando ao sol, parecparecendo olhar pendo olhar para o jovem Lacaara o jovem Lacan que estavan que estava 30 Como veremos, esse ponto
30 Como veremos, esse pontotrou trou mático podemático pode
ser associado com o ponto central na perspectiva
ser associado com o ponto central na perspectiva
li
linearnear, a parti, a partir do qual o mundr do qual o mundo retratado retribuio retratado retribui
o olh
o olhar do observaar do observadordor. A pi. A pintntura de persura de perspectipectivava
t
tem formas difem formas diferentes de sublimar esse buraerentes de sublimar esse buraco:co:
em pinturas religiosas o ponto freqüentemente
em pinturas religiosas o ponto freqüentemente
repres
representa a ienta a infinfinidade de Denidade de Deus (naus (naÚltiÚltima Cma Ceia eia ,,
de Leonardo ele toca o halo de Cristo), na pintura
de Leonardo ele toca o halo de Cristo), na pintura
de paisagem, a infinidade da natureza (existem
de paisagem, a infinidade da natureza (existem
muit
muitos exeos exemplos amemplos americanos no sécricanos no século XVulo XVIIIIII), ), ee
assim por diante. A pintura super-realista, eu
assim por diante. A pintura super-realista, eu
sugiro, sela ou mistura esse ponto com a
sugiro, sela ou mistura esse ponto com a
superfície, enquanto muito da arte
superfície, enquanto muito da arte
cont
contemporânea procura aemporânea procura apresepresentntá-lo á-lo dessdessa formaa forma
– ou ao menos opor-se a sua forma de
– ou ao menos opor-se a sua forma de
sublimação tradicional.
sublimação tradicional.
31 Lacan apóia-se, em particular, no Sartre de
31 Lacan apóia-se, em particular, no Sartre de
Being and Nothingness
Being and Nothingness (1943) (1943) e no Me no Merleau-Perleau-Pontontyy
de The