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Direito Tributário. Parte VI O Ilícito Tributário

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Academic year: 2021

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Direito Tributário

Parte VI – O Ilícito Tributário

(2)

1.

Ilícito Tributário

Conceito e Generalidades

(3)

Ilícito Tributário

O conceito de ilicitude, no direito, é amplo e liga-se à violação de uma norma de conduta prevista no ordenamento jurídico (fazer o que a lei proíbe ou não fazer o que lei obriga).

A depender da gravidade das condutas, o Direito Tributário punitivo (também chamado “Direito Tributário Penal”) impõe as seguintes penalidades:

Multa: falta de pagamento de tributos ou inobservância de obrigações formais;

Crimes tributários: burlar o pagamento de tributos, por meio de artifícios ilegais,

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Ilícito Tributário

Sanções Patrimoniais Sanções Não Patrimoniais

(5)

Direito Tributário Penal (Responsabilidade pelas Infrações)

Art. 136 do CTN. “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.”.

O mero inadimplemento, independente de dolo ou culpa do contribuinte, dá azo à responsabilidade por infração.

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Direito Tributário Penal (Responsabilidade pelas Infrações) ▣ Art. 137 do CTN. “A responsabilidade é pessoal ao agente:

I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito;

II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar;

III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico:

a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem;

b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores;

c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas.”.

(7)

Direito Tributário Penal (Denúncia Espontânea)

Art. 138 do CTN. “A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.

Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.”.

Trata-se de sanção premial, ou seja, medida de política fiscal para estimular a adimplência espontânea das obrigações tributárias principais e acessórias.

(8)

Direito Tributário Penal (Denúncia Espontânea)

É necessário, contudo, que ocorra antes do início de procedimento administrativo ou fiscalizatório relativa ao tributo confessado.

□ Ex.: numa auditoria tributária de ISS, nada impede que o contribuinte fiscalizado realize confissão espontânea relativa ao IPTU ou ao ITBI do imóvel.

A denúncia espontânea, por si só, não ilide a infração; é necessária a regularização da situação que ensejou a penalidade.

□ Ex.: se o tributo não foi recolhido, que o seja; se uma declaração fiscal não foi transmitida, se um livro não foi escriturado, etc.

Se o refazimento do ato for impossível, o Fisco se contenta com o recebimento do

crédito em atraso ou aviso da ocorrência.

▪ Ex.: débitos oriundos de notas fiscais não emitidas; extravio de notas fiscais, etc.

(9)

Direito Tributário Penal (Denúncia Espontânea)

▣ Tratando-se de infração tipificada também como crime fiscal,

a denúncia espontânea afasta ambas as possibilidades de punição, tanto a penal quanto a administrativa.

O pedido de parcelamento não configura denúncia espontânea, a qual só se configura com o pagamento integral do débito (STJ, REsp 1102577, Rel. Min. Herman Benjamin, 1ª Seção, Dje 18/05/2009).

(10)

2.

Contencioso Tributário

Conceito e Generalidades

(11)

Contencioso Tributário

O processo administrativo tributário representa um poder-dever em relação à Fazenda Pública.

Esse processo pode ser iniciado por meio de provocação do sujeito passivo (consulta ou pedido de restituição, p.ex.) ou da própria Administração (infração ou inadimplemento do sujeito passivo).

O contencioso administrativo fiscal é fruto de uma discordância do contribuinte em relação a uma exigência fiscal, para ele injustificada.

□ Como a União, Estados, Distrito Federal e Municípios possuem capacidade para instituir tributos, não há uma norma geral que regule o procedimento tributário. Cada unidade possui sua legislação própria.

(12)

Processo administrativo-tributário é o conjunto

de atos necessários à solução, na instância

administrativa, de questões relativas à aplicação

ou interpretação da legislação tributária.

(13)

Contencioso Tributário

O processo administrativo-tributário divide-se em duas fases: a não contenciosa e a contenciosa.

A fase não contenciosa se inicia com o lançamento e/ou termo de início de fiscalização e se encerra com o termo de encerramento de fiscalização.

(14)

... a etapa contenciosa (processual) caracteriza-se pelo aparecimento

formalizado do conflito de interesses, isto é, transmuda-se a atividade

administrativa de procedimento para processo no momento em que o

contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela

administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro

ato que, no seu entender, lhe cause gravame...

(15)

O contribuinte pode impugnar, no prazo de 30 dias, o

auto de infração ou o lançamento notificado.

Instaura-se assim o processo administrativo tributário, de rito

contencioso, durante o qual se realizarão as perícias e

provas necessárias à ampla defesa.

(16)

Contencioso Tributário

Após apresentada a Impugnação, ela será julgada de maneira monocrática (ou seja, singular, por apenas uma pessoa).

Caso o Auto de Infração ou lançamento seja mantido, o contribuinte pode recorrer da decisão.

O recurso do contribuinte, então, é julgado por um órgão colegiado, decisão esta a qual o Fisco fica vinculado (a decisão é de seguimento obrigatório para o Fisco).

(17)

Contencioso Tributário

Eis o resumo do contencioso tributário: “O contribuinte, notificado, pode impugnar o lançamento, em busca da verdade material e da integral obediência à lei tributária. Pelo processo administrativo assim instaurado, compete à Administração Judicante: 1) anular o lançamento, se verificar a sua ilegalidade; b) ou rejeitar a impugnação do contribuinte, se tiver sido regular a exigência fiscal, com o que se tornará definitivo o lançamento.” (Ricardo Lobo Torres).

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Contencioso Tributário

Situações em que a decisão administrativa

é definitiva

a) Primeira instância: esgotado o prazo pra recurso voluntário, sem que este tenha sido interposto dentro do prazo de trinta dias seguintes à ciência, pelo sujeito passivo

b) Segunda instância: quando não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo de trinta dias sem sua interposição

c) Instância especial: não cabe qualquer espécie de recurso produzindo a decisão, desde logo, sua eficácia

(19)

Contencioso Tributário

▣ No âmbito federal, foi editado o Decreto nº. 70.235/1972 para disciplinar o processo administrativo tributário contencioso e de consulta.

▣ Recentemente, foi editado o Decreto nº. 7.574/2011, que consolidou toda legislação do processo administrativo tributário federal, de natureza contenciosa, bem como matérias de fiscalização, autuação, consulta, representação fiscal para fins penais, compensação e restituição de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.

(20)

Contencioso Tributário

No sistema federal, o processo é decidido em duas instâncias e uma instância especial.

Em primeira instância, o julgamento é realizado no âmbito das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ).

Caso a DRJ decida de forma favorável ao contribuinte: examina-se o montante de

crédito exonerado pela decisão; se for superior ao limite de alçada, há recurso de

ofício obrigatório ao Conselho de Contribuintes;

(21)

Contencioso Tributário

Em segunda instância, a matéria é levada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão colegiado do Ministério da Fazenda, que julga os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância.

Se o Carf mantiver a decisão favorável ao contribuinte: o crédito é extinto

definitivamente;

Se o Carf reformar a decisão favorável ao contribuinte: abre-se possibilidade de recurso para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF).

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3.

Consulta Tributária

Conceito e Generalidades

(23)

Consulta Tributária

Trata-se de procedimento administrativo de satisfação de dúvidas atinentes à legislação tributária, formuladas pelo contribuinte ao Fisco.

Art. 161 do CTN. “O crédito não integralmente pago é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.

§ 2º. O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”.

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Consulta Tributária

O questionamento em consulta deve ser razoável, enfocando um possível deslize do legislador, que tenha omitido algo, ou, ainda, dito a lei, mas com obscuridade ou ambiguidade.

Não se cobram juros moratórios nem multa, caso a consulta se aperfeiçoe antes da data de vencimento do pagamento do tributo objeto de questionamento.

Caso a formulação da consulta ao Fisco seja ulterior ao vencimento do prazo para pagamento do tributo, haverá acréscimo de juros.

(25)

4.

Procedimento Judicial

Tributário

(26)

Procedimento Judicial Tributário

Mesmo vencido em âmbito administrativo, o contribuinte pode se socorrer às vias judiciais para reanálise do lançamento ou infração.

(27)

Procedimento Judicial Tributário Controle de Legalidade • O judiciário controla a legalidade dos atos da Administração Formalismo • O processo judicial é revestido de ritos e formalidades Definitividade • As decisões finais do Judiciário não podem ser reanalisadas por nenhum órgão Poder Expropriatório • O poder judiciário tem a prerrogativa de expropriar bens do devedor, à força Relação Triangular • Presença de Autor, Réu e Juiz, em polos distintos do processo

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Procedimento Judicial Tributário (Principais Ações do Fisco)

Características

Execução Fiscal A ação de que dispõe a fazenda pública para a cobrança de seus créditos,sejam tributários ou não, desde que inscritos em dívida ativa

Cautelar Fiscal Tem por fim tornar disponíveis os bens do contribuinte. Só pode serintentada contra sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário,

(29)

Procedimento Judicial Tributário (Principais Ações do Contribuinte)

Características

Anulatória de

Débito Visa anular o lançamento ou a decisão administrativa, por entender que oato é ilegal

Ação

(30)

Procedimento Judicial Tributário (Principais Ações do Contribuinte) Características Anulatória de Consignação em Pagamento Já estudada Mandado de

(31)

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Referências

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