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TRADUTOR E INTERPRETE DE LINGUA DE SINAIS: preleção a cerca de sua atuação e formação

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Anais dos Simpósios da Pedagogia UFG-CAC; V.10, N.1; 2010; pp.310-324 TRADUTOR E INTERPRETE DE LINGUA DE SINAIS:

preleção a cerca de sua atuação e formação

Uiara Vaz Jordão1

Sempre que a condição lingüística do surdo é respeitada, crescem as chances de ele desenvolver-se e construir novos conhecimentos. Para atender esta condição há a necessidade da presença de diferentes agentes educativos e, entre estes, se destaca a inserção do intérprete na escola regular que conta com a presença do aluno surdo. O respeito à condição bilíngüe implica a presença de do tradutor e intérprete de língua de sinais (TILS-Libras-língua portuguesa) em todos os ambientes sociais. Assim vemos a necessidade de analisar estudos que tenham esse profissional como foco de trabalho na tentativa de conhecer os discursos que circundam a figura do TILS em ambientes escolares e/ou sociais. Desta forma, buscando informações que contribuam para nossas reflexões sobre TILS, objetivamos analisar as pesquisas na área da surdez publicadas no Brasil, constantes no Scientific Electronic Library Online (SciELO), revelando o que se tem produzido na área com o intuito de responder o seguinte problema: o que revelam as pesquisas produzidas no campo da surdez que têm como foco o TILS? As pesquisas sobre a atuação, papel e formação do intérprete, apontam os problemas enfrentados por estes profissionais como a ausência de domínio dos sinais, a crescente demanda por atuação em diversas áreas e a ausência de domínio do conteúdo o qual está traduzindo, principalmente nos níveis mais adiantados da escolarização. Desta forma, observamos, a partir das pesquisas, que a formação desse profissional tem um papel relevante para a escolarização dos surdos.

Palavras-chave: intérprete; atuação; formação.

1. Introdução

A língua de sinais é apontada como fundamental para o processo de escolarização e inclusão do sujeito surdo. A proposta de educação bilíngue para surdos, não condiz com a simples inserção da língua de sinais na ambiente educacional, pois considera as condições específicas necessárias para o desenvolvimento linguístico, social e cultural desses sujeitos para que a escola seja inclusiva. A criança surda adquire a língua de sinais como primeira língua, não como uma língua a ser ensinada, mas pode ser aprendida dentro de contextos significativos para ela (PEREIRA, 2009).

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Universidade Federal de Goiás – UFG. EMAIL: [email protected]

Texto recebido em 28/08/2010; aprovado em 07/09/2010 A Revisão ortográfica e gramatical do texto é de responsabilidade dos autores

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A construção do conhecimento tem caráter social e está sujeita as condições propiciadas, da qualidade das interações e das relações dialógicas estabelecidas entre os sujeitos no âmbito da escola. Considerando os alunos surdos, este desenvolvimento pode ser problemático, sendo dificultado pelas experiências sociais limitadas, em função da falta de uma língua comum entre surdo e ouvinte, ou mesmo pela ausência de domínio efetivo de uma língua (língua brasileira de sinais ou português) por parte do surdo. (TARTUCI, 2001)

Sempre que a condição lingüística do surdo é respeitada, crescem as chances de ele desenvolver-se e construir novos conhecimentos (LACERDA, 2000). Para atender esta condição há a necessidade da presença de diferentes agentes educativos e, entre estes, se destaca a inserção do intérprete na escola regular que conta com a presença do aluno surdo. O respeito à condição bilíngue implica a presença do tradutor e intérprete de língua de sinais (TILS-Libras-língua portuguesa) em todos os ambientes sociais (LACERDA, 2009).

Desta forma, observando todo esse contexto social e educativo em que o surdo está inserido e a aprovação na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) do projeto de lei nº 4673/04 que regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais (TILS) em 07 de julho de 2010, vemos a necessidade de analisar estudos que tenham esse profissional como foco de trabalho na tentativa de conhecer os discursos que circundam a figura do TILS em ambientes escolares e/ou sociais. Desta forma, buscando informações que contribuam para nossas reflexões e os discursos que circundam esse tema, objetivamos analisar as pesquisas na área da surdez revelando o que se tem produzido na área com o intuito de responder o seguinte problema: o que revelam as pesquisas produzidas no campo da surdez que têm como foco o tradutor e intérprete de língua de sinais? Destacamos que será utilizado o marco temporal de 2000 a 2009, considerando os discursos anteriores a esse projeto de lei com o intuito de conhecer o ideário que circunda a figura do TILS, antes da sanção presidencial que em breve deve se cumprir.

2. Fundamentação Teórica

O debate sobre a escolarização do surdo aponta que a sua inserção em um ambiente educacional, embora importante, não garante o acesso aos saberes sistematizados, assim como não produz efeitos sobre a formação do indivíduo surdo, como aprendiz e como sujeito.

A figura do TILS foi recentemente introduzida nas escolas públicas e ambientes sociais. Esta inserção ocorreu basicamente por três fatores: implementação de políticas públicas inclusivas, o reconhecimento da Libras, em 2002 e o decreto nº 5.626, em 2005, que

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trata do direito das pessoas surdas ao acesso às informações através da Libras, do direito dessa comunidade a uma educação bilíngue, da formação de professores de Libras e de intérpretes de Libras entre outras providências.

A Libras como língua, foi reconhecida com a aprovação da Lei nº. 10.436, em 24 de abril de 2002. Esta garante aos surdos o direito de que as aulas sejam ministradas nesta língua e a presença de um TILS, assegurando-lhes, ainda, o direito lingüístico de poder ser assistido em sua própria língua.

Segundo a Deputada Maria do Rosário, autora do Projeto de Lei que regulamenta a profissão de TILS para a inclusão dos surdos e a efetivação do direito à informação, é imprescindível o reconhecimento da profissão de intérprete de Libras, que é quem efetua a comunicação entre surdo e ouvinte; surdo e surdo; surdo-cego e surdo; ouvinte e surdo-cego, devendo o mesmo ter domínio da língua de sinais; conhecimento das implicações da surdez no desenvolvimento do indivíduo surdo; conhecimento da comunidade surda e convivência com ela.

Rosa ao discutir as exigências profissionais de um TILS, aponta que é necessário os seguintes requisitos: “conhecer a língua de partida e a língua de chegada com profundidade; conhecer as especificidades da comunidade surda, uma vez que na convivência social originam-se termos utilizados somente por aquela cultura; ter boa memória; além de relacionar-se muito bem com os surdos” (2003. p. 239).

Para Lacerda, o importante é que o intérprete saiba usar a língua de sinais e a língua portuguesa nos diferentes contextos e com diferentes interlocutores para poder, desta forma, fazer uma “ponte” entre elas, “além de dominar técnicas de interpretação Libras-português e português-Libras, já que a passagem de uma língua viso-gestual para uma língua auditiva-oral e vice-versa implica estratégias linguísticas próprias que precisam ser debatidas, refletidas e construídas” (2009, p.32).

O TILS para atuar no meio educacional deverá ter um perfil para intermediar as relações entre professores e alunos, entre colegas surdos e colegas ouvintes. Este papel não se restringe a esta “mediação”, pois ele assume uma série de funções, tais como, ensinar língua de sinais, atender a demandas pessoais do aluno, cuidados com o aparelho auditivo, atuar frente ao comportamento do aluno, estabelecer uma posição adequada em sala de aula, atuar como educador frente a dificuldades de aprendizagem do aluno. Observa-se, neste contexto, que o papel do intérprete não está muito definido e, principalmente em salas de crianças mais novas, sua atuação acaba não se restringindo à tradução.

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Anais dos Simpósios da Pedagogia UFG-CAC; V.10, N.1; 2010; pp.310-324

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linguagem escrita: um estudo de caso. Rev. bras. educ. espec., Ago 2007, vol.13, nº.2,

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_______. A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e

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toda pessoa cega lê em Braille nem toda pessoa surda se comunica em língua de sinais.

Referências

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