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06. Sistema Tegumentar

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Academic year: 2021

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SISTEMA TEGUMENTAR

VISÃO GERAL

O sistema tegumentar é composto pela pele e seus anexos: as glândulas sudoríparas, as glândulas sebáceas e os folículos pilosos. A pele é o maior órgão do corpo, constituindo 16% do peso corporal. Ela reveste todo o corpo entrando em contato com as membranas mucosas do sistema digestório nos lábios e ânus, com a mucosa do sistema respiratório na cavidade nasal e com a mucosa dos sistemas urinário e genitais na uretra e vagina. A pele também reveste o meato acústico externo e recobre a superfície externa da membrana timpânica.

A pele realiza muitas funções incluindo (1) proteção contra lesões, contra invasão de bactérias e contra dessecação, (2) regulação da temperatura corporal, (3) recepção de estímulos do meio externo, (4) excreção a partir das glândulas sudoríparas e (5) metabolismo dos precursores da vitamina D.

A pele é composta por duas camadas: (1) a epiderme externa e (2) a derme interna. A epiderme é composta por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, derivado do ectoderma. A derme, situada diretamente abaixo da epiderme, é constituída por um tecido conjuntivo denso não modelado e derivada do mesoderma.

Em certas regiões do corpo, a pele apresenta diferentes texturas e espessuras. Por exemplo, a pele da pálpebra é macia, fina e delicada e tem pelos finos, enquanto apenas a uma pequena distância, nas sobrancelhas, a pele é mais espessa e possui pelos grossos. A pele da testa possui muitas glândulas sebáceas. Já a pele do queixo possui menos glândulas sebáceas e mais folículos pilosos.

EPIDERME

A epiderme, a camada superficial da pele, é formada por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado constituído por quatro tipos diferentes de células: (1) queratinócitos, (2) células de Langerhans, (3) melanócitos e (4) células de Merkel.

QUERATINÓCITOS

Aproximadamente 90% das células da epiderme são queratinócitos que, além de produzirem queratina, participam da transformação metabólica dos precursores da vitamina D ingeridos na alimentação em resposta à radiação ultravioleta. Os três tipos celulares restantes estão localizados por entre os queratinócitos em locais específicos como veremos mais adiante. Como os queratinócitos estão continuamente sendo descamados na superfície da epiderme, eles devem ser constantemente renovados. Esta renovação se dá através da atividade mitótica dos queratinócitos na camada mais profunda da epiderme. Os queratinócitos entram em mitose à noite e, à medida que novos queratinócitos vão sendo formados, aqueles situados em posições superiores são empurrados em direção à superfície. Ao longo desse trajeto em direção à superfície, eles começam a acumular filamentos de queratina no seu citoplasma. Finalmente, quando chegam na superfície, eles morrem e são descamados. Esse processo leva entre 20 a 30 dias.

Durante a migração dos queratinócitos da camada mais profunda da epiderme até a sua superfície, cinco zonas morfologicamente distintas da epiderme são identificadas (do estrato mais interno para o mais externo): (1) o estrato basal (germinativo), (2) o estrato espinhoso, (3) o estrato granuloso, (4) o estrato lúcido e (5) o estrato córneo.

Os dois tipos de pele, a pele espessa e a pele fina (Figura 01), se diferenciam pela espessura da epiderme e pela presença ou ausência de folículos pilosos e das glândulas sudoríparas e sebáceas. A pele espessa reveste a palma das mãos e a planta dos pés, possui epiderme com os cinco estratos, não apresenta folículos pilosos e nem glândulas sebáceas, mas possui muitas glândulas sudoríparas écrinas. Na pele espessa, o contato entre a epiderme e a derme ocorre, em algumas regiões, através de projeções do tecido conjuntivo da derme, as papilas dérmicas, que se interdigitam com invaginações da epiderme, as cristas epidérmicas. Essas interdigitações são expressas na epiderme na forma de dermartóglifos (ou impressões digitais), que se formam durante a vida fetal e se mantêm inalterados durante toda a vida. Os dermatóglifos são tão individualizados que são usados para fins de identificação na medicina forense e nas investigações criminais e não são iguais nem mesmo em gêmeos univitelínicos.

Já a pele fina reveste o restante do corpo, possui epiderme com um estrato córneo fino, um estrato lúcido e um estrato granuloso mal definidos ou ausentes e presença de folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas écrinas e/ou apócrinas.

A hipoderme, formada por tecido adiposo unilocular e tecido conjuntivo frouxo, encontra-se abaixo da pele, mas não faz parte dela. Indivíduos obesos ou que vivem em locais de climas frios possuem uma grande quantidade de gordura depositada na hipoderme chamada de panículo adiposo. A figura a seguir faz uma comparação ilustrativa entre a pele espessa e a pele fina.

Estrato Basal (Estrato Germinativo)

A camada mais profunda da epiderme, o estrato basal, é sustentada por uma lâmina basal apoiada sobre a derme e forma interdigitações com ela. O estrato basal é constituído por uma única camada de células cúbicas e

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mitoticamente ativas. Muitos desmossomas estão localizados na membrana plasmática desses queratinócitos, permitindo a adesão entre eles e entre eles e as células do estrato espinhoso logo acima. Hemidesmossomas localizados na membrana plasmática basal permitem a adesão desses queratinócitos à lâmina basal logo abaixo.

As mitoses são comuns no estrato basal mas ocorrem principalmente durante a noite. Como as amostras histológicas são colhidas durante o dia, as mitoses são raramente vistas em lâminas histológicas de pele. Quando as novas células são formadas através de mitoses, algumas células da camada basal são empurradas em direção à superfície se unindo às células do estrato espinhoso. Alguns feixes de filamentos de queratina, denominados tonofilamentos, estão presentes no citoplasma dessas células.

Figura 01: Comparação entre a estrutura histológica da pele espessa e da pele delgada.

Estrato Espinhoso

O estrato espinhoso é a camada mais espessa da epiderme e é constituído por células poliédricas, mas que se achatam à medida que se aproximam da superfície. Os queratinócitos localizados na região mais profunda do estrato espinhoso também são mitoticamente ativos, sendo também responsáveis pela renovação celular. Além disso, os queratinócitos possuem numerosos prolongamentos dando a essa camada um aspecto espinhoso. Os queratinócitos do estrato espinhoso são mais ricos em tonofilamentos do que os queratinócitos do estrato basal, o que representa o aumento na quantidade de queratina. À medida que os queratinócitos se deslocam em direção à superfície, eles continuam a produzir tonofilamentos, os quais se tornam agrupados formando feixes mais grossos, denominados tonofibrilas. Os queratinócitos mais superficiais do estrato espinhoso contêm vesículas secretoras denominadas corpos lamelares contendo substâncias lipídicas.

Estrato Granuloso

O estrato granuloso, geralmente ausente na pele fina, é a última camada da epiderme na qual as células ainda possuem núcleos e é constituído por três a cinco camadas de queratinócitos achatados. O citoplasma desses queratinócitos contém grânulos de querato-hialina não envolvidos por membrana, molécula precursora da queratina.

As células do estrato granuloso também contêm corpos lamelares. Os conteúdos destes grânulos, tanto das células superficiais do estrato espinhoso como das células do estrato granuloso, são liberados por exocitose no espaço extracelular, formando uma lâmina lipídica por entre as células. Essa lâmina lipídica atua como uma barreira impermeabilizante protegendo o organismo contra a entrada de substâncias estranhas externas. No entanto, essa mesma lâmina lipídica impede que os queratinócitos sejam banhados pelo fluido extracelular rico em nutrientes,

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Estrato Lúcido

A fina camada clara e homogênea situada superficialmente ao estrato granuloso, é o estrato lúcido, também ausente na pele fina. À medida que os queratinócitos se movem do estrato granuloso para o estrato lúcido, enzimas liberadas pelos lisossomos digerem as organelas e o núcleo celular e as células passam por apoptose sendo consideradas células mortas. Desse modo as células do estrato lúcido não possuem núcleos e organelas. O citoplasma dessas células contém filamentos de queratina densamente compactados, formados a partir das tonofibrilas e dispostos paralelamente à superfície da pele.

Estrato Córneo

A camada mais superficial da pele, o estrato córneo, é constituída por várias camadas de células achatadas e mortas, com o citoplasma quase totalmente ocupado por queratina. As células mais próximas do estrato lúcido ainda apresentam desmossomas, enquanto as células mais distantes perdem seus desmossomas e são descamadas na superfície.

MELANÓCITOS

Os melanócitos (Figura 02), derivados das células da crista neural, estão localizados por entre os queratinócitos do estrato basal e produzem o pigmento melanina que dá a cor à pele.

Os melanócitos são células de formato arredondado, cujos longos prolongamentos penetram nos espaços intercelulares do estrato espinhoso. A enzima tirosinase produzida pelo retículo endoplasmático rugoso do melanócito é transferida para o complexo de Golgi de onde sai vesículas denominadas melanossomas. O aminoácido tirosina é transportado preferencialmente para dentro dos melanossomas, onde será convertido em melanina pela enzima tirosinase que é ativada pela radiação ultravioleta do sol.

Os melanossomas se dirigem até as extremidades dos longos prolongamentos dos melanócitos. As extremidades desses prolongamentos atravessam a membrana plasmática dos queratinócitos do estrato espinhoso permitindo que os melanossomas sejam transferidos dos melanócitos para os queratinócitos. Cada melanócito supre uma certa quantidade de queratinócitos, constituindo uma unidade epidermomelânica. Dentro do citoplasma dos queratinócitos, os melanossomas são transportados para a região supranuclear (entre o núcleo e a região da célula voltada para a superfície), formando um guarda-chuva de proteção de modo que os melanossomas estabelecem uma barreira protetora entre o núcleo e os raios ultravioletas emitidos pelo sol. Finalmente, os melanossomas são atacados e degradados pelos lisossomas dos queratinócitos. Portanto há uma necessidade constante de produção de melanossomas para manter a proteção contra a radiação solar.

Figura 02: Esquema de um melanócito e de suas

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O número de melanócitos varia em diferentes regiões da pele de um indivíduo. Por exemplo, existem muito menos melanócitos na face interna dos braços e das coxas do que no rosto. No entanto, a diferença na pigmentação da pele entre as diferentes etnias não está relacionada ao número de melanócitos e sim à quantidade de melanossomas.

Nos indivíduos da raça negra, os melanossomas são grandes, numerosos e dispersos por todo o citoplasma dos queratinócitos, enquanto nos indivíduos caucasianos, os melanossomas são menores, em pouca quantidade e agregados nas proximidades do núcleo. Além disso, os melanossomas são degradados e removidos mais rapidamente em populações caucasianas do que em populações negras.

CÉLULAS DE LANGERHANS

As células de Langerhans são células apresentadoras de antígenos e se localizam principalmente no estrato espinhoso. Elas são também denominadas células dendríticas por causa de seus longos e numerosos prolongamentos. Estas células também podem ser encontradas na derme, bem como no epitélio estratificado pavimentoso da cavidade oral, do esôfago e da vagina. No entanto, elas são mais prevalentes na epiderme.

Na visão da microscopia óptica, as células de Langerhans apresentam um núcleo bem corado e citoplasma claro, característica que as diferenciam dos queratinócitos do estrato espinhoso. No entanto, a principal característica das células de Langerhans é a presença dos grânulos de Birbeck, envolvidos por membrana, os quais, nos cortes histológicos, se assemelham a uma raquete de pingue-pongue. Estes grânulos se formam como resultado de endocitose, entretanto, sua função não é conhecida.

As células de Langerhans se originam de precursores dos monócitos presentes na medula óssea e, por isso, fazem parte do sistema mononuclear fagocitário. Estas células atuam na resposta imunológica fagocitando e processando antígenos estranhos. Após o processamento migram para linfonodos próximos, onde apresentam os antígenos processados aos linfócitos T sendo, portanto, células apresentadoras de antígenos (APC).

CÉLULAS DE MERKEL

As células de Merkel são as mais raras células da epiderme, são semelhantes aos melanócitos e, como eles, são também originadas das células da crista neural e também estão localizadas por entre os queratinócitos do estrato basal da epiderme. As células de Merkel são abundantes nas pontas dos dedos, na mucosa oral e no couro cabeludo atuando como um mecanoceptor.

Fibras sensoriais atravessam a lâmina basal e se aproximam da célula de Merkel, formando, desse modo, um complexo sináptico com ela denominado disco táctil de Merkel (Figura 03). A célula de Merkel funciona como mecanoceptor que quando estimulado pode liberar substâncias semelhantes a neurotransmissores gerando impulsos nervosos nas fibras sensoriais.

DERME

A região da pele que fica diretamente abaixo da epiderme, denominada derme, é derivada do mesoderma e é dividida em duas camadas: a camada papilar, mais superficial, formada por tecido conjuntivo frouxo, e a camada reticular, mais profunda, formada de tecido conjuntivo denso não modelado com fibras de colágeno tipo I e fibras elásticas.

DERME PAPILAR

A camada mais superficial da derme, a camada papilar, se interdigita diretamente com a epiderme, mas está separada dela pela membrana basal. Ela é constituída por um tecido conjuntivo frouxo cujas delgadas fibras colágenas, fibras reticulares e as fibras elásticas, além das células como fibroblastos, macrófagos, plasmócitos e mastócitos.

A camada papilar também possui muitas alças de capilares, as quais se projetam para a interface epiderme-derme. Estes capilares regulam a temperatura corporal e são responsáveis pela nutrição das células da epiderme avascular. Localizados em algumas papilas dérmicas estão os corpúsculos de Meissner (Figura 03), mecanoceptores especializados em responder a pequenas deformações da epiderme. Estes receptores são mais comuns em áreas da pele que são especialmente sensíveis aos estímulos táteis como lábios, genitália externa e mamilos. Um outro receptor sensorial presente na camada papilar da derme é corpúsculo de Krause (Figura 03), possivelmente um receptor sensorial que responde ao frio.

DERME RETICULAR

Não é possível diferenciar a interface entre a camada papilar e a camada reticular da derme, pois as duas camadas são contínuas. A camada reticular é constituída por um tecido conjuntivo denso não modelado, apresentando fibras colágenas e fibras elásticas entremeadas por entre as fibras colágenas com as células estando mais escassas nesta camada.

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As glândulas sudoríparas, as glândulas sebáceas e os folículos pilosos derivados da epiderme, invadem a derme e a hipoderme durante o desenvolvimento embrionário, onde permanecem permanentemente. Grupos de células musculares lisas estão localizados nas regiões profundas da camada reticular em locais específicos, tais como na pele do pênis e do escroto e na aréola ao redor dos mamilos. As contrações destes grupos musculares enrugam a pele nessas regiões. Outros pequenos feixes de fibras musculares lisas, os músculos eretores do pelo, estão ligados aos folículos pilosos. As contrações desses músculos eriçam os pelos, dando à pele um aspecto arrepiado. Além disso, um grupo especial de músculos estriados localizados na face e no couro cabeludo, denominados músculos da expressão facial, estão inseridos na derme dessas regiões.

Dois tipos de receptores encapsulados estão localizados nas regiões profundas da derme: (1) os corpúsculos de Pacini (Figura 03), que são mecanoceptores que respondem à pressão e (2) os corpúsculos de Ruffini (Figura 03), muito abundantes na derme das plantas dos pés, que são receptores sensoriais sensíveis ao calor, porém, respondem também à pressão podendo, por isso, ser também classificados como mecanoceptores.

Figura 03: Esquema dos receptores sensitivos da pele. (A) Terminações livres epidérmicas. (B) Disco táctil de Merkel contendo

células de Merkel e receptores em disco de fibra nervosa mielinizada aferente. (C) Corpúsculo de Pacini localizado na camada profunda da derme profunda e hipoderme. (D) O bulbo terminal de Krause atua como receptor ao frio. (E) Corpúsculo de Meissner na papila dérmica. (F) Corpúsculo de Ruffini nas camadas profundas da derme atua como receptor ao calor. Observe que as fibras nervosas sensitivas nos receptores C–F estão encapsuladas.

ANEXOS EPIDÉRMICOS

Os anexos epidérmicos (Figura 04) incluem as glândulas sudoríparas écrinas, as glândulas sudoríparas apócrinas, as glândulas sebáceas e os folículos pilosos.

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Figura 04: Esquema mostrando os anexos da epiderme. (A) Observe as camadas celulares que formam a haste do pelo e as bainhas

radiculares externa e interna. O ducto curto de uma glândula sebácea desemboca na parte superior do folículo piloso. As terminações nervosas (em amarelo) que circundam a base do folículo piloso formam o plexo da raiz do pelo. A glândula sudorípara apócrina também deságua no infundíbulo. Observe que as glândulas sudoríparas écrinas não estão diretamente associadas ao folículo piloso com seu ducto terminando na superfície da epiderme. (B) Fotomicrografia de um corte de pele fina do couro cabeludo humano corado com HE (60X). A extremidade de um folículo piloso em crescimento consiste em um bulbo piloso (BP) expandido de células epiteliais, que é invaginado por uma papila de tecido conjuntivo. Observe que vários cortes oblíquos e longitudinais de folículos pilosos (FP) estão inseridos no tecido adiposo (TA) da hipoderme. Alguns deles revelam um corte do pelo. As glândulas sebáceas (GS) e os músculos eretores do pelo (MEP) estão visíveis juntamente com o folículo piloso.

GLÂNDULAS SUDORÍPARAS ÉCRINAS

As glândulas sudoríparas écrinas (Figura 05) estão localizadas na pele da maior parte do corpo. Com um número chegando a quatro milhões, elas são importantes órgãos de termorregulação. As glândulas sudoríparas écrinas se desenvolvem como invaginação da epiderme que cresce penetrando na derme, com a porção profunda se tornando a porção secretora. Estas glândulas, que começam a funcionar logo após o nascimento, secretam suor e podem produzir, durante atividade física intensa, mais de 10 L de suor.

As glândulas sudoríparas écrinas são glândulas tubulosas enoveladas simples localizadas profundamente na derme ou na hipoderme. A porção secretora de cada glândula desemboca num ducto estreito e tortuoso que atravessa a derme e se abre na epiderme, na superfície da pele, através de um poro sudoríparo. As glândulas sudoríparas écrinas são merócrinas quanto ao modo de liberação de seu produto de secreção, ou seja, liberam apenas o produto de secreção. As glândulas sudoríparas écrinas são inervadas por fibras pós-ganglionares do sistema nervoso simpático, porém, o neurotransmissor liberado é a aceticolina (ACh) e não a norepinefrina (NE).

A porção secretora da glândula sudorípara écrina é formada por um epitélio simples cúbico constituído por células secretoras e por células mioepiteliais. As células secretoras são divididas em dois tipos, as células escuras que liberam uma secreção de natureza mucosa e as células claras, que liberam uma secreção aquosa. Durante o caminho pelo ducto, esses dois tipos de secreção se misturam. As células mioepiteliais que revestem a porção secretora das glândulas sudoríparas écrinas possuem no citoplasma filamentos de actina e de miosina, que fazem com que essas células sejam capazes de realizar contração. As contrações das células mioepiteliais auxiliam na expulsão do fluido da glândula.

O ducto de uma glândula sudorípara écrina é contínuo com a porção secretora, mas estreita-se durante seu trajeto pela derme, antes de atingir a superfície epidérmica. O ducto é composto por um epitélio estratificado cúbico constituído por duas camadas de células.

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GLÂNDULAS SUDORÍPARAS APÓCRINAS

As glândulas sudoríparas apócrinas (Figura 06) são encontradas somente em alguns locais, como nas axilas, nas aréolas dos mamilos e na região anal. As glândulas sudoríparas apócrinas são muito maiores que as glândulas sudoríparas écrinas. Essas glândulas estão contidas nas partes mais profundas da derme e na hipoderme. Ao contrário dos ductos das glândulas sudoríparas écrinas, que se abrem na superfície da pele, os ductos das glândulas sudoríparas apócrinas abrem-se nos canais dos folículos pilosos, imediatamente acima da entrada dos ductos das glândulas sebáceas.

As células da porção secretora das glândulas apócrinas formam um epitélio simples cúbico, mas quando o lúmen da glândula é preenchido pela secreção, essas células podem se tornar pavimentosas. O lúmen dessas glândulas é maior do que o das glândulas écrinas. O viscoso produto de secreção das glândulas apócrinas é inodoro ao ser secretado, mas apresenta um odor característico ao ser metabolizado por bactérias da flora cutânea. As células mioepiteliais, que envolvem a porção secretora das glândulas sudoríparas apócrinas, auxiliam a expulsar o produto de secreção.

As glândulas sudoríparas apócrinas originam-se a partir de um brotamento do epitélio do folículo piloso. Sua ativação é influenciada pelos hormônios sexuais e, por isso, a secreção dessas glândulas se inicia somente na puberdade. Sua inervação também ocorre por fibras pós-ganglionares simpáticas colinérgicas. Provavelmente as glândulas sudoríparas apócrinas evoluíram de glândulas que secretavam atrativos sexuais (feromônios). As glândulas sudoríparas apócrinas das mulheres passam por mudanças cíclicas durante o ciclo menstrual, ou seja, aumentam a secreção no período pré-menstrual e diminuem durante a menstruação.

Figura 05: Fotomicrografia de uma glândula

sudorípara écrina (320X). Esta fotomicrografia de um corte de pele humana corado com HE mostra perfis tanto do componente secretor quanto do ducto de uma glândula sudorípara écrina. O componente secretor é visto como uma dupla camada de células epiteliais cúbicas. Perifericamente, dentro da lâmina basal, há uma camada de células mioepiteliais. A porção ductal da glândula tem diâmetro externo e lúmen mais estreitos que a porção secretora e é formada por uma camada dupla de pequenas células cuboides.

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GLÂNDULAS SEBÁCEAS

Com exceção das palmas das mãos e das plantas dos pés, as glândulas sebáceas (Figura 04) são encontradas na derme por todo o corpo. Essas glândulas são mais abundantes na face e no couro cabeludo. O produto de secreção das glândulas sebáceas, o sebo, é uma secreção oleosa formada por colesterol, triglicerídeos e restos celulares secretados. Acredita-se que o sebo facilite a manutenção da textura da pele e a flexibilidade dos pelos.

Da mesma maneira que as glândulas sudoríparas apócrinas, as glândulas sebáceas são apêndices dos folículos pilosos. Os ductos das glândulas sebáceas se abrem no terço superior dos canais dos folículos pilosos, onde eles descarregam seu produto de secreção de modo a recobrir as hastes dos pelos e, finalmente, a superfície da pele. Os ductos das glândulas sebáceas de algumas regiões do corpo sem folículos pilosos como a glande do pênis, a aréola dos mamilos, os pequenos lábios da vulva e a superfície interna do prepúcio se abrem na superfície da pele, onde lançam suas secreções. As glândulas sebáceas estão sob influência dos hormônios sexuais e aumentam sua atividade após a puberdade.

As glândulas sebáceas são lobulares, com cada lóbulo formado por grupos de alvéolos que se abrem em um único ducto curto. Cada alvéolo é constituído por pequenas células basais (células em estágio inicial) localizadas perifericamente com núcleo esférico (apoiadas à lâmina basal), as quais envolvem grandes células arredondadas maiores (células em estágio tardio), que preenchem o lúmen do alvéolo. As células basais passam por divisões celulares e formam mais células basais. As células arredondadas maiores ocupam a região central do alvéolo e gradualmente passam por um processo degenerativo que culmina na morte das células que perdem seus núcleos e formam o próprio produto de secreção (secreção holócrina). O produto de secreção é liberado em um ducto revestido por um epitélio estratificado pavimentoso, contínuo com o canal do folículo piloso.

PELOS E FOLÍCULOS PILOSOS

Os pelos (Figura 04) são estruturas queratinizadas que se projetam na superfície da pele. Os pelos crescem na maior parte do corpo, exceto na zona vermelha dos lábios, palmas das mãos, plantas dos pés, dorso das falanges distais dos dedos das mãos e dos pés, glande do pênis, glande do clitóris e pequenos lábios.

Dois tipos de pelos estão presentes no corpo humano: (1) velos que são pelos macios, curtos, claros e delicados como, por exemplo, os que recobrem as pálpebras e (2) pelos terminais que são duros, longos, escuros e grosseiros,

Figura 06: Fotomicrografia de uma glândula

sudorípara apócrina (45X). Este corte de pele da área ao redor do ânus de um indivíduo adulto mostra várias glândulas sudoríparas apócrinas (anais), que são facilmente identficadas pelo grande lúmen de glândulas secretoras. Essa glândula sudorípara apócrina está próxima de

um folículo piloso (parte central da

fotomicrografia) localizada abaixo do tecido conjuntivo denso não modelado da derme. Detalhe. Este maior aumento (230X) do componente secretor mostra os tipos celulares da glândula apócrina. A glândula consiste em um epitélio simples, cujas células são cuboides ou colunares, e em células mioepiteliais localizadas na porção basal da camada de células epiteliais.

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como, por exemplo, os do couro cabeludo e das sobrancelhas. Além disso, pelos muito finos, denominados lanugo, estão presentes no feto.

Nos seres humanos, o número de pelos é essencialmente o mesmo que nos outros primatas, mas a maioria dos pelos do ser humano é do tipo velo, enquanto os pelos terminais predominam nos outros primatas. Os pelos humanos não fornecem um isolamento térmico como os pelos dos outros animais. Em vez disso, os pelos humanos recebem estímulos na superfície da pele que são transmitidos para o plexo nervoso localizado na raiz do pelo produzindo sensações táteis.

A acne é uma doença inflamatória provocada por uma obstrução resultante do acúmulo de oleosidade produzida pela glândula sebácea e de restos de células queratinizadas liberadas pelo folículo piloso. Bactérias anaeróbicas que se proliferam nessas regiões podem também contribuir para o desenvolvimento da acne. A eficácia do tratamento com antibióticos para acne suporta a ideia de que as bactérias estejam envolvidas na sua patogênese. Esta doença é mais severa em meninos, iniciando-se entre 9 e 11 anos, quando os níveis de hormônios sexuais começam a estimular as glândulas sebáceas.

Os folículos pilosos, os órgãos formadores dos pelos, também se originam de invaginações da epiderme que invadem a derme e, às vezes, a hipoderme. Uma espessa membrana basal, a membrana vítrea, separa a derme do epitélio do folículo piloso. A porção terminal expandida do folículo piloso é denominada raiz. A proliferação das células da raiz é responsável pelo crescimento do pelo. Abaixo da raiz existe uma concavidade da derme denominada papila.

Figura 07: Fotomicrografia de uma glândula

sebácea corada com HE. (A) Esta fotomicrografia (60X) mostra os lóbulos secretores e os canais pilossebáceos de duas glândulas sebáceas. O ducto da glândula à esquerda está bem próximo de entrar no folículo piloso observado na parte superior da fotomicrografia. O ducto da glândula sebácea à direita foi seccionado e mostra principalmente a sua parede. (B) O componente secretor do lóbulo no retângulo inferior de A é mostrado aqui em maior aumento (120X). Observe a coloração clara das células secretoras, cujo conteúdo sebáceo com HE. Essas células estão produzindo ativamente sebo. As células basais na periferia do lóbulo sofrem mitose e reabastecem a população de novas células produtoras de sebo. Além disso, o músculo eretor do pelo (MEP) composto de fibras musculares lisas é bem visível na periferia do lóbulo secretor. (C) A porção secretora do lóbulo no retângulo superior de A é mostrada em maior aumento (120X). As células preenchidas com sebo estão agora dentro do canal. Observe os núcleos picnóticos, que indicam a morte da célula.

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A papila é rica em capilares que fornecem nutrientes e oxigênio para as células da raiz. A raiz e a papila formam o bulbo piloso.

A camada de células localizada internamente à membrana vítrea forma a bainha folicular externa, que é constituída por uma única camada de células na região do bulbo e por várias camadas de células perto da superfície da pele. A bainha folicular (radicular) externa corresponde aos estratos basal e espinhoso da epiderme. A bainha folicular externa envolve a bainha folicular interna, essa correspondente aos estratos granuloso e córneo da epiderme. A bainha folicular interna termina no ponto em que o ducto da glândula sebácea desemboca no folículo piloso (Figura 08).

À medida que os queratinócitos da raiz do pelo se proliferam, eles se movem em direção à superfície da pele e, ao mesmo tempo, sintetizam filamentos de queratina e grânulos de trico-hialina. Grandes melanócitos, com longos prolongamentos, transferem melanossomas para os queratinócitos dando ao pelo uma cor que se baseia na quantidade de melanina produzida. Com a idade, os melanócitos perdem gradualmente sua capacidade de produzir tirosinase e o pelo torna-se acinzentado.

Os folículos pilosos de certas regiões do corpo respondem a hormônios sexuais masculinos. Por isso, na puberdade os homens começam a formar pelos terminais mais pigmentados no queixo, na face e no lábio superior. Apesar de as mulheres possuírem o mesmo número de folículos pilosos nestas regiões, nelas esses pelos permanecem do tipo velo, delicados e sem pigmentação. Entretanto, na puberdade, em ambos os sexos, pelos terminais, grosseiros e fortemente pigmentados começam a se formar nas regiões axilar e púbica.

Os processos de queratinização dos pelos e da pele, apesar de serem semelhantes de um modo geral, diferem em alguns aspectos. As camadas superficiais de células da epiderme formam o que se considera como queratina mole. Nos pelos, ao contrário, a queratinização não somente forma uma queratina dura, constituída por filamentos envolvidos por trico-hialina, mas as células queratinizadas não descamam. Em vez disso, elas se acumulam tornando-se comprimidas e resistentes.

Músculos Eretores dos Pelos

Os músculos eretores dos pelos estão presos, por uma extremidade, à bainha de tecido conjuntivo que envolve os folículos pilosos e, pela outra extremidade, à camada papilar da derme. Esses pequenos feixes de músculo liso se prendem ao folículo piloso em um ângulo oblíquo. As contrações destes músculos elevam a haste do pelo, o que deixa a superfície da pele com aspecto arrepiado. Isto é facilmente observado quando uma pessoa sente frio ou leva um susto repentino.

Figura 08: Fotomicrografia de folículos

pilosos em corte transversal corada com HE (130X). Observe a bainha folicular externa (BE), a bainha folicular interna (BI) e o córtex da haste do pelo (C).

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