O PARNASIANISMO
NO BRASIL
O PARNASIANISMO NO BRASIL
Diferentemente do Realismo e do Naturalismo que se voltavam para o exame e para a crítica da realidade, o Parnasianismo representou na poesia um retorno ao clássico com todos os seus ingredientes: o princípio do belo na arte, a busca do equilíbrio e da perfeição formal. Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não em sua relação com o mundo exterior.
A INFLUÊNCIA CLÁSSICA.
O movimento parnasiano floresceu na França, país em que os poetas brasileiros buscaram seus modelos: Leconte de Liste, José Maria Heredia e Thóphilo Gautier. O nome da escola, em português, é tradução direta do francês, Parnasse Comtemporain – antologias poéticas publicadas na França a partir de 1866.
A poesia parnasiana foi guiada pela estética da “arte pela arte” proposta pelo percurso da escola, o poeta Theóphilo Gautier: A arte pela arte se volta para o ideal clássico de beleza e harmonia de formas. Daí o verso parnasiano ser perfeito quanto a sua estrutura métrica e sonora predominando a técnica do bom versejar no lugar da inspiração.
POESIA PARNASIANA.
O traço mais característico da poética parnasiana é o culto da forma: a forma fixa de sonetos, a métrica dos versos alexandrinos (12 sílabas poéticas) e decassílabos perfeito (10), a rima rica, rara e perfeita. Tudo isso contrapondo-se aos versos livres e brancos, já cultivados pelos poetas românticos. Em Suma, é o endeusamento da FORMA, como afirmou Olavo Bilac.
CARACTERÍSTICAS PARNASIANISMO
• Retomada dos Ideais Clássicos; • Grande preocupação formal; • Preciosismo vocabular;
• Preferência por sonetos;
• Hipérbatos (inversão natural dos termos da oração); • Impessoalidade;
• Comparação entre poesia e artes plásticas; • Temas arqueológicos, mitológicos e históricos.
• Descritivismo – tendência à objetividade faz com que o descritivismo seja um modo de driblar o intimismo;
• Enjambement: processo poético que consiste em colocar no verso seguinte uma ou mais palavras que completam o sentido do verso anterior.
PARNASIANISMO.
• Seu marco inicial foi a publicação da obra FANFARRAS, de Teófilo dias, em 1882.
• Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira formam a tríade (ou Trindade) parnasiana. Além deles destaca-se Vicente de Carvalho.
OLAVO BILAC (1865 – 1918) Duelo entre a forma e o coração.
Poeta brilhante. Foi um artífice da palavra, sabendo conjugar o rigor formal parnasiano com grande expressividade, obtendo efeitos imagísticos e ritmos interessantes, depositando no último terceto de seus sonetos a síntese de suas idéias, a chamada “chave de ouro”. Apesar do culto à forma parnasiana, desenvolveu, muitas vezes, temas ao gosto romântico. Teve influência de Bocage e, com menos freqüência, de Luis de Camões.
OLAVO BILAC – TEMAS MAIS FREQÜENTES.
• Amor Sensual – Vazado num erotismo que oscila entre o explícito e o requintado – nada vulgar mas nobre e transcendente.
• Temas nacionalistas – Episódios da história do Brasil e suas personagens.
• Mitologia grego – latina – A metalinguagem, ou eleição da própria poesia como tema poético;
VIA LÁCTEA
Olavo Bilac Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de Espanto
E conversamos toda a noite, enquanto A via láctea, como um pátio aberto;
Cintila – E, ao vir do sob, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?
E eu vos direi: Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.
ANALISANDO.
O eu-lírico é visto como louco, porque ”conversa” com as estrelas. O “eu” se justifica esclarecendo que, para ouvir e entender as estrelas, é necessário ser especial, está amando. É um poema subjetivo. Quem ama pode “ouvir e entender as estrelas”.
RAIMUNDO CORREIA (1860-1911)
Soube driblar a impessoalidade proposta pelo parnasianismo e atingir o universalismo, desenvolvendo temas sociais e, sobretudo, filosóficos: a busca de uma verdade essencial e imorredoura, os conflitos da condição humana. Sem poemas tem uma suavidade e uma melancolia acalentadas pela influência de Schopenhauer – pensador alemão que acreditava que “o desejo que é expressão consciente do querer viver, é vivido como carência e gera o sofrimento, única coisa positiva enquanto o prazer, nascido da satisfação de uma necessidade, reduz-se a uma simples transição entre dois sentimentos – a carência e a sociedade”. A arte é a sublimação da dor, e o sofrimento é inerente à condição humana.
MAL SECRETO
Raimundo Correia
Se a cólera que espuma, a dor que mora N”alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora, Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo Quando um atrás, recôndido inimigo Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez, existe, Cuja ventura única consiste
ANALISANDO
Observe que no soneto “Mal Secreto” há um pessimismo evidente quanto á condição humana, pois o eu – poético sempre faz referência ao mesmo sentimento que se esconde atrás da “máscara da face”, ou seja, a dor. O título refere-se aos verdadeiros sentimentos que normalmente são dissimulados. Estão além da máscara da face. O eu – lírico considera que existe muita gente risonha, cuja única felicidade é parecer feliz aos olhos alheios.
ALBERTO DE OLIVEIRA (1857-1937) UM PARNASIANO ORTODOXO.
Em seu primeiro livro a influência do romantismo é
nítida (Canções Românticas) mas, nota-se que ele prioriza o
rigor formal. A partir de Meridionais, o ideário parnasiano ao
qual se manteria fiel e, alguns nuances simbolistas em suas
últimas obras não impediu que ele fosse tido pela crítica
como o MAIS RADICAL dos parnasianos.
ALBERTO DE OLIVEIRA
.Segundo Péricles Eugênio da Silva Ramos, podem-se
distinguir três fases em sua obra em que prevalecem:
a) Exotismo, sentimento contido, imagens sugestivas,
linguagem nobre, mas sem arcaísmo;
b) Tendências às descrições, a cantar e a descrever a
natureza e coisas antigas;
VASO GREGO
Alberto de Oliveira
Estou de burgos relevo, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olímpio, a um novo Deus servia.
Era o poeta de Teos que a suspendia Então, e, ora repleta, ora esvaziada, A taça amiga aos dedos seus tinia, Toda de roxas pétalas colmada.
Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas Finas hás de lhe ouvir, canora e doce.
Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas Qual se essa voz de Anacreonte fosse.
ANALISANDO.
O título do poema apresenta um substantivo masculino “Vaso”, entretanto inicia-se com um pronome demonstrativo feminino. Portanto “Vaso grego” é taça que funciona com a metáfora da poesia. O eu – lírico alça a poesia a categoria divina, pois ela veio do Olímpio. Alberto é um dos escritores que mais revela características d linguagem parnasiana.
• Vocabulário Culto: Fabricada de divas mãos.
• Rimas ricas ou raras: Dia / servia, admira / lira, doce / fosse. • Referencia a mitologia: Olímpio, Anacreonte, Deuses.
• Versos em ordem indireta: todos os versos em ordem indireta: todos os versos • Descritivismo: A taça tem brilhante copa; era colmada de roupas pétalas, etc.
VICENTE DE CARVALHO (1866 – 1924)
UMA SENSIBILIDADE MARÍTIMA NO PARNASO
Um parnasiano independente, apesar de seu rigor formal. Renegou a frieza e a impassibilidade, assim como os temas arqueológicos e históricos do parnasianismo. Sua obra revela uma sensibilidade romântica marcada pela subjetividade e intimismo que apresenta seus temas: Amor e a natureza. Desenvolve ambos com sensibilidade sutil, delicada, sua expressão amorosa é plena de entrega, sofrimento e devoção. Descreveu paisagens nativas, especialmente as praianas, daí seu apelido “Poeta do Mar”.
VELHO TEMA
Vicente de Carvalho
Só a leve esperança, em toda vida, Disfarça a pena de viver, mais nada: Nem é mais a existência, resumida, Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada
Sonho que a traz ansiosa e embevecida. É uma hora feliz, sempre adiado
E que não chega nunca em toda vida.
Essa felicidade que supomos Árvore milagrosa que sonhamos Toda arreada de dourado pomos.
Existe sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos E nunca a pomos onde nós estamos.
ANALISANDO
“Velho Tema” apresenta um profundo sentido filosófico – o poema trata de um sentimento universal: a felicidade é inalcançável.
A palavra “pomos” é empregada de maneira dúbia – pode ser o verbo (nós pomos) ou substantivo (no sentido de frutas). A metáfora para “felicidade” está justamente no verso “a da árvore toda arreada de dourados pomos”. Dentre as características parnasianas o rigor formal, vocabulário requintado e a temática filosófica.
Assim procedo. Minha pena Segue esta norma
Por te servir, Deusa serena Serena forma!
Olavo Bilac.