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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas

Relatório Final

Estágio Profissionalizante

Mestrado Integrado em Medicina

Ana Carolina Pereira Mateus

2018/2019

20 de junho de 2019

Regente: Professor Doutor Rui Maio Orientador: Professor Doutor Bruno Heleno

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“Don't be afraid to ask questions. Don't be afraid to ask for help when you need it. I do

that every day. Asking for help isn't a sign of weakness, it's a sign of strength. It shows

you have the courage to admit when you don't know something, and to learn

something new.”

Barack Obama, 2009

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Introdução ... 1

Descrição das Atividades ... 2

Estágio de Medicina Geral e Familiar ... 2

Estágio de Pediatria ... 2

Estágio de Ginecologia e Obstetrícia ... 3

Estágio de Saúde Mental ... 3

Estágio de Medicina Interna ... 4

Estágio de Cirurgia Geral ... 4

Estágio Opcional: Medicina Geral e Familiar ... 5

Reflexão Crítica ... 6

Referências ... 9

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Introdução

O Estágio Profissionalizante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM), da NOVA Medical School, representa o final da formação médica pré-graduada, com o objetivo máximo de preparar o estudante, futuro médico, para a prática clínica, através da autonomia e do extenso contacto clínico. Há uma linha de base que deve servir de orientação a todos os alunos: “(…) adquirir uma base de conhecimentos sólida e coerente, (…) um adequado conjunto de valores, atitudes e aptidões que lhe permita tornar-se um médico fortemente empenhado nas bases científicas da arte da Medicina, nos princípios éticos, na abordagem humanista (…) e no aperfeiçoamento ao longo da vida das suas próprias capacidades de modo a promover a saúde e o bem-estar das comunidades que servem.” 1

Com o presente relatório pretendo, de uma forma sumária, apresentar os objetivos estabelecidos para este ano final da formação pré-graduada, descrever os vários estágios realizados, e uma reflexão crítica sobre os mesmos. Apresento ainda, sob a forma de anexo, alguns complementos à formação durante o MIM.

No estágio de Medicina Interna de 3º ano foi-me transmitido um conceito que neste momento considero essencial, o “mínimo heróico”, que exemplifica o mínimo que devo saber para conseguir ter uma prestação crucial na intervenção na saúde e na doença. Em todos os momentos de aprendizagem nestes anos clínicos tento aplicar este conceito: é meu dever enquanto futura médica saber, no mínimo, o essencial para fazer a diferença. Com base neste conceito e n’O Licenciado Médico em Portugal 1, estabeleci os seguintes objetivos

para este ano:

- Na avaliação do doente, praticar a colheita de história clínica e exame objetivo completo e dirigido, incluindo avaliação do estado mental, otoscopia, exame neurológico sumário, ginecológico e anorretal de forma sistemática e organizada, ser capaz de propor uma abordagem diagnóstica, hipóteses mais prováveis e prioritárias, e recurso racional a métodos de diagnóstico, e enquadrar o doente no seu contexto espiritual, social, económica e cultural e o seu impacto nas perceções de doença e terapêutica;

- Na vertente de procedimentos práticos, praticar técnicas de assepsia, suturas, gasimetrias, entre outros; - Atendendo à melhoria contínua, estudar temas correspondentes a cada estágio de modo a aproveitar melhor os estágios; e identificar necessidades de aprendizagem e procurar aprofundá-las;

- Quanto à terapêutica, conhecer esquemas terapêuticos das situações clínicas mais comuns, priorizando o alívio da dor e sofrimento; avaliar a adesão à terapêutica e estratégias de motivação e orientação terapêutica; - Na componente comunicativa, promover a literacia para a saúde através da educação do doente sobre a promoção da saúde e questões concretas sobre doenças; melhorar a capacidade de estabelecer uma relação médico-doente, demonstrando empatia e mantendo a confidencialidade e privacidade a que têm direito; estabelecer técnicas de comunicação eficaz, assegurando-me de que a mensagem é corretamente transmitida e percebida, tanto com doentes, como com médicos e outros profissionais de saúde;

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- Numa perspetiva crítica, refletir sobre a prática médica, oferecendo sugestões de melhoria e estando disponível a receber o mesmo; ter contacto com questões éticas e legais particulares da profissão médica como decisões em fim de vida, questões materno-fetais, respeito pela dignidade humana, privacidade e confidencialidade; consciencializar-me do impacto económico de alguns atos médicos, tanto diagnósticos como terapêuticos, assim como correlacionar tratamentos com a carga financeira imposta a cada doente; - Colocar em prática e destacar-me como exemplo no respeito pelo ser humano e seus direitos, nomeadamente o da diversidade cultural e de tomar uma decisão informada sobre a sua saúde.

Ao longo do relatório está representado um rio, com o qual pretendo demonstrar que a aprendizagem deve ser contínua e enriquecida com cada um dos estágios e experiências, alargando o conhecimento que possuo de forma a levá-lo de forma sistematizada para o futuro.

Descrição das Atividades

No espaço seguinte descreverei os Estágios Parcelares do Estágio Profissionalizante e o Estágio Opcional, por ordem cronológica. No total corresponderam a 34 semanas de estágio. No final de cada estágio, entreguei e discuti o relatório do estágio parcelar. No Anexo 01 encontram-se os trabalhos que realizei ao longo dos estágios.

Estágio de Medicina Geral e Familiar

– 10 de setembro a 5 de outubro de 2018

Realizei o Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar (MGF) na Unidade de Saúde Familiar (USF) S. João do Estoril, com a Dr.ª Sandrine Fázio, durante 4 semanas.

Dado que ainda não tinha tido contacto com a Especialidade, procurei obter um panorama geral e diversificado da atividade da MGF. Estive presente em diversas consultas: Saúde de Adultos, Saúde Infantil, Saúde Materna, Planeamento Familiar, Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial e Consulta do Dia. Também tive a oportunidade de assistir à Consulta de Enfermagem e perceber o seu papel na Unidade de Saúde Familiar, assim como de participar em Domicílios. Além disto, tive a oportunidade de aperfeiçoar o exame objetivo, pela participação na observação do doente, com medição da tensão arterial, realização de exame neurológico sumário, entre outros, e ainda tive a possibilidade de realizar consultas de forma autónoma, com supervisão final da tutora.

Estágio de Pediatria

– 8 de outubro a 2 de novembro de 2018

Fiz o Estágio Parcelar de Pediatria no Hospital de São Francisco Xavier (HSFX), durante 4 semanas, tutelado pelo Dr. Edmundo Santos.Dado que o meu contacto prévio com a Pediatria foi no estrangeiro, escolhi o HSFX de modo a obter uma maior diversidade e globalidade da patologia pediátrica e colocar em prática com maior frequência possível o exame objetivo.

A organização do estágio determina a permanência de duas semanas no Internamento de Pediatria Geral e duas semanas no Berçário, contemplando ainda uma ida semanal ao Serviço de Urgência (SU) e outra à

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Consulta Externa (CE). Participei na CE de Imunoalergologia, de Pediatria Geral e de Desenvolvimento, num total de 18 consultas. No internamento tive oportunidade de acompanhar a evolução dos doentes, praticando o exame objetivo e sistematizando os planos dos doentes. No Berçário, realizei de forma autónoma a triagem de 12 recém-nascidos, discutindo-os no final do dia com a assistente hospitalar que estivesse de apoio ao Berçário. Relativamente ao SU, observei um total de 25 doentes, de idade e patologia diversificada. Globalmente, considero que o meu interesse e motivação em aprender foram cruciais para aumentar os conhecimentos adquiridos e a participação nas atividades diárias. No Workshop de Simulação Avançada em Pediatria foram treinados casos de Urgência Pediátrica. Esta atividade foi baste útil pois permitiu o reconhecimento de dificuldades que se sentem na prática clínica. No final do estágio, discuti a História Clínica colhida no internamento sobre Cerebelite Aguda Pós-Infecciosa.

Estágio de Ginecologia e Obstetrícia

– 5 a 30 de novembro de 2018

Realizei o Estágio de Ginecologia e Obstetrícia (GO) durante 4 semanas na Maternidade Alfredo da Costa – Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com a Dr.ª Maria João Nunes e a Dr.ª Bruna Abreu. Neste estágio pretendia praticar vários elementos do exame objetivo, visto que poderei não contactar com esta especialidade no futuro, uma vez que não é um estágio incluído no ano de Formação Geral.

O estágio distribui-se em duas semanas em Ginecologia e duas semanas em Obstetrícia, complementadas com uma ida semanal ao SU. Em Ginecologia, passei pela Colposcopia, Ecografia Ginecológica, Histeroscopia, Enfermaria de Ginecologia e pelas CE de Ginecologia, Planeamento Familiar e Uroginecologia. Na Obstetrícia, passei pela Enfermaria Materno-Fetal, CE de Patologia Aditiva, GEMFs (Grupo de Estudo de Morte Fetal), Alto Risco, de Referência (no final da gravidez) e Consulta de Gravidez Indesejada (CGI). Deste modo, tive uma versão global de ambas as áreas da Especialidade.

Ao longo do estágio, foi-me permitido realizar exame objetivo ginecológico, colpocitologias, esfregaço para pesquisa de Streptococcus grupo B, praticar a auscultação do foco cardíaco fetal e medição da altura uterina. Em contexto de urgência, tive a oportunidade de fazer estes procedimentos de forma autónoma, e realizei também, sob supervisão, ecografias supra-púbicas e transvaginais, toques vaginais a grávidas em trabalho de parto, e dois partos vaginais, com assistência da tutora. Para finalizar o estágio, apresentei um trabalho com o tema “Caso Clínico: Abordagem do Teratoma em Mulheres em Idade Fértil”.

Estágio de Saúde Mental

– 3 de dezembro de 2018 a 11 de janeiro de 2019

Durante 4 semanas, fiz o Estágio Parcelar de Saúde Mental na Equipa Comunitária de Queluz do Hospital Fernando Fonseca (HFF), sob orientação da Dr.ª Susana Jorge. A minha principal intenção era ter contacto com a patologia psiquiátrica do adulto, dado que no ano passado apenas contactei com a Pedopsiquiatria. O dia-a-dia do estágio funcionou à volta da Consulta Externa, em que são observados maioritariamente doentes com Perturbações do Humor, Esquizofrenia e Perturbações da Personalidade. Uma vez por semana, houve uma reunião no HFF com dois intuitos: Sessões Clínicas e Formativas (apresentadas por Internos da

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Especialidade de Psiquiatria), e Reuniões de Equipa, onde cada Equipa Comunitária se reúne com o Internamento, Hospital de Dia, Pedopsiquiatria e Espaço@com (reabilitação psicomotora), discutindo os doentes correspondentes à Equipa Comunitária que se encontrem nestas unidades. Fui ainda uma vez ao SU, onde observei 4 doentes com exacerbações agudas da sua patologia psiquiátrica, sendo que em um dos casos foi necessário realizar-se um internamento compulsivo ao abrigo do artigo 12º da lei de Saúde Mental. No final do estágio, discuti a história clínica sobre Esquizofrenia.

Estágio de Medicina Interna

– 21 de janeiro a 15 de março de 2019

Realizei o estágio de Medicina Interna no HSFX, durante 8 semanas, com a Dr.ª Ana Lynce e respetiva equipa, no serviço de Medicina IV. Neste estágio, propus-me a melhorar a abordagem autónoma do doente em contexto de Urgência e Enfermaria, nomeadamente na realização de planos, terapêutica e referenciações. A organização do Estágio Parcelar contemplou a existência de aulas lecionadas no local de estágio, e seminários comuns a todos os alunos dos diversos locais de estágio. Durante as 8 semanas de estágio, estive diariamente no Internamento e participei no trabalho em SU e CE semanalmente. No internamento, os doentes da equipa eram distribuídos, sendo-me atribuído diariamente 1 ou 2 doentes para realizar de forma sistematizada a observação clínica, o registo informático do diário clínico e notas de alta, discutindo o plano dos doentes e respetivos ajustes terapêuticos. Tive oportunidade de realizar diversos procedimentos, como gasimetrias arteriais, punções venosas e ECGs, de fazer pedidos de exames de imagem e analíticos, assim como pedidos de colaboração a outras especialidades e a outros profissionais de saúde. Acompanhei cerca de 50 doentes, com patologia essencialmente do foro respiratório e cardiovascular, e múltiplas comorbilidades. No SU, observei um total de 37 doentes, com sintomatologia diversa e exemplificativa do panorama geral de um SU. Fui à CE de Medicina Interna, Diabetologia e, com maior frequência, de Doenças Auto-Imunes, perfazendo um total de 30 consultas, participando ativamente na anamnese, exame objetivo, prescrição de exames complementares e terapêutica, também com oportunidade de treinar a consulta autonomamente. A organização do serviço determina a existência de uma visita clínica semanal, com uma breve discussão de todos os doentes internados, e 2 sessões clínicas por semana, com apresentações de temas diversificados, e onde teve lugar a apresentação do trabalho que realizei sobre “Doença de Behçet”. Neste estágio surgiu a oportunidade de participar ativamente na formação médica, na medida em que orientei e acompanhei os alunos de 4º ano que fizeram estágio com a equipa. Surgiu também a possibilidade de liderar a equipa, no momento de reformulação dos elementos da mesma, pois era a pessoa com mais informação sobre os doentes internados.

Estágio de Cirurgia Geral

– 18 de março a 17 de maio de 2019

Realizei o Estágio de Cirurgia Geral, com a duração de 8 semanas, no Hospital Beatriz Ângelo, sob a orientação do Dr. João Sousa Ramos. Em Cirurgia Geral pretendia, acima de tudo, aprender a suturar.

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Este Estágio teve uma organização diferente dos restantes: a primeira semana com aulas teóricas e teórico-práticas e o curso TEAM (anexo 03); de seguida realizei o Estágio Opcional em Anestesiologia com a duração de duas semanas; 4 semanas com a Cirurgia Geral e uma semana de Estágio no SU.

Para estágio opcional, escolhi Anestesiologia. Fui à CE, observei pela primeira vez a Terapia Eletroconvulsiva, mas foi no Bloco Operatório que permaneci mais tempo. Aqui, aprendi diversas técnicas anestésicas, de monitorização, entre outros. Tive também a oportunidade de treinar alguns procedimentos, como a ventilação, intubação oro-traqueal e inserção de linha arterial. Quanto ao estágio no SU, adaptei a permanência em diversos locais tendo em conta as minhas necessidades de aprendizagem. Assim, permaneci mais tempo na Pequena Cirurgia, onde se observam maioritariamente doentes com traumatismos e feridas, e tive a oportunidade de drenar um sinus pilonidal. O outro local onde permaneci foi no Balcão de Verdes e Azuis, dado que nunca tinha estado nesta valência do SU, onde é necessário ter um raciocínio dirigido e racionalizar a prescrição de exames de diagnóstico.

Relativamente ao Estágio de Cirurgia Geral em si, foi dividido entre tempo de: Enfermaria, em que participei na realização de diários clínicos e no estabelecimento de planos para os doentes; SU, onde observei quadros mais urgentes; Bloco Operatório, onde observei 19 cirurgias, participando em quatro, tendo tido oportunidade de suturar de forma supervisionada; e CE, onde eram avaliados doentes no pós-operatório e outros para realização de proposta cirúrgica, com preenchimento do devido consentimento informado. No final do estágio, apresentei no minicongresso o tema «“You can run but you can’t hide”: Caso Clínico de Hemorragia Digestiva».

Estágio Opcional: Medicina Geral e Familiar

– 20 a 31 de maio de 2019

A escolha do estágio opcional em MGF prende-se com o facto de, ao longo do curso, ter tido maioritariamente estágio em unidades hospitalares, assim como pela ausência de um estágio de MGF de 5º ano. Tal como encontramos n’O Licenciado Médico em Portugal, “… a aprendizagem médica deveria ser reforçada a nível de centros de saúde, hospitais distritais, hospícios e outros locais de prestação de cuidados de saúde na comunidade, (…) doentes com afecções mais comuns, doenças crónicas (…), com acompanhamento em meio não-hospitalar.”1, pelo que um estágio em MGF me pareceu a escolha certa.

Deste modo, realizei estágio na USF S. Martinho de Alcabideche (ACES Cascais), com a Dr.ª Ana Paes de Vasconcellos durante 2 semanas. Estive presente na Consulta de Saúde Infantil, Saúde Materna, Saúde de Adultos, Planeamento Familiar; fiz Domicílios, nomeadamente a um Mosteiro, o que foi um momento interessante para perceber a importância da Medicina Preventiva na Comunidade e de como deve chegar a todos os cidadãos. Participei também na atividade do dia da Criança, a “USF dos Pequeninos”, que foi mais um momento de estimulação da comunidade no envolvimento pela sua própria saúde.

Neste estágio tive novamente oportunidade de realizar consultas de forma autónoma, incluindo exame ginecológico e colpocitologias e inserção de um implante contracetivo.

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Considero que foi uma boa forma de terminar os estágios da formação pré-graduada, na medida em que consegui re-sistematizar o doente como um todo, voltar à globalidade do acompanhamento do doente enquadrando todos os prismas da sua esfera pessoal.

Reflexão Crítica

No culminar desta etapa que é o curso de Medicina, concluo que atingi a globalidade dos objetivos pretendidos para esta fase, descritos na Introdução. De um modo geral, aprofundei conhecimentos teóricos e práticos, incluindo na entrevista do doente, com a obtenção crescente de autonomia, que se associa inevitavelmente a uma noção de responsabilidade também ela crescente.

Restam algumas dificuldades relativamente à prescrição, essencialmente quanto à dosagem/posologia. Como estratégia recorro a plataformas online cientificamente reconhecidas como apoio. Pretendo aprofundar o conhecimento deste tópico ao longo do próximo ano enquanto Interna da Formação Geral. Globalmente, considero os estágios que realizei bastante proveitosos e úteis para o final do curso de Medicina. Destaco como maior vantagem, de modo quase transversal a todos os estágios, a relação tutor aluno de 1:1, que me permitiu participar, intervir, colocar questões e praticar com elevada frequência. Por conseguinte, considero que, por esta proporção no estágio de Cirurgia Geral ter sido de 3:1, se revelou como um retrocesso na dinâmica criada por mim nos estágios anteriores, pela redução das oportunidades de prática e de aprendizagem.

Além dos objetivos descritos, atingi ainda outros: participar ativamente na formação de alunos do 4ºano no estágio de Medicina Interna, orientando-os, transmitindo conhecimentos e estando aberta a correções e sugestões de melhoria. Apercebi-me também da necessidade do trabalho em equipa e das equipas multidisciplinares, da importância do diálogo entre profissionais para estabelecimento de planos concretos e adequados para a individualidade de cada doente, e da limitação do conhecimento médico, que é mais facilmente ultrapassada com a experiência e colaboração dos diversos profissionais de saúde.

Saliento de seguida algumas particularidades de cada estágio:

Com o estágio de Medicina Geral e Familiar, aprofundei os conhecimentos de promoção de saúde e prevenção de doenças, tanto por métodos organizados de rastreio, como por recomendação de estilos de vida saudáveis, e da importância da abordagem terapêutica não farmacológica. Treinei a consulta de forma autónoma e houve facilidade para esclarecimento de variadas dúvidas, no entanto, as particularidades da lista de utentes da tutora condicionaram poucas consultas de Planeamento Familiar e de Saúde Materna. No estágio de Pediatria, sistematizei a abordagem do doente em idade pediátrica, apercebendo-me da importância do papel familiar na saúde da criança. Além da diversidade de doenças observadas nos vários momentos de estágio, a possibilidade de ajustar o estágio às preferências individuais de cada um salienta-se como um ponto forte e motivador deste hospital. Considero que o estágio teve algumas falhas,

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principalmente porque o tutor responsável pelos alunos de 6º ano encontra-se na Neonatologia, não existindo nenhum médico no dia-a-dia do estágio responsável por acompanhá-los, o que poderia ser resolvido através da nomeação de um responsável pelos alunos tanto na Enfermaria como no Berçário, que os acompanhe no dia-a-dia.

No estágio de Ginecologia e Obstetrícia, recordei o diagnóstico e terapêutica de patologias frequentes do foro ginecológico, assim como o correto seguimento de gravidezes, trabalhos de parto e puerpério, notei a importância da privacidade inerente à Ginecologia e deparei-me com questões éticas ligadas à Obstetrícia. Este foi o estágio que mais me surpreendeu pela positiva, onde aprendi muito, tanto em teoria como na prática, e onde tive oportunidade de fazer um parto, que excedia os meus objetivos para o estágio no início do mesmo. Olhando agora em retrospetiva, foi um momento marcante neste ano e que também constitui um “mínimo heróico”, pelo que considero que todos os alunos deviam ter esta oportunidade. Poder adequar o estágio às minhas preferências também foi um ponto positivo.

No estágio de Saúde Mental, aprendi a importância de sistemas sociais que apoiem os doentes com patologia psiquiátrica e a respetiva família. Reparei que existe muito pouca preparação ao longo da formação pré-graduada de Medicina para lidar com os problemas sociais e para o seu encaminhamento. Gostaria de elogiar a organização do Serviço de Psiquiatria, assim como a disponibilidade dos vários médicos com quem estive para esclarecer dúvidas e motivar a aprendizagem. Consegui ter contacto com doentes “sub-agudos”, que recorreram à Consulta de Psiquiatria ou de Enfermagem para reajustes terapêuticos. Ainda assim, o contacto com a patologia aguda foi pouco para o que pretendia, o que poderia ser melhorado através da realização de algum tempo de estágio noutra área do serviço, como o internamento.

No estágio de Medicina Interna, fui sensibilizada para questões de fim de vida, assim como para o importante embora escasso apoio social do doente geriátrico dependente. Deparei-me também com a fragilidade e complexidade diagnóstica inerentes às múltiplas comorbilidades. Neste estágio participei no estabelecimento de planos concretos para gerir de forma eficaz os problemas de cada doente, e senti a responsabilidade que é acompanhar autonomamente os doentes. Pelo modo de organização do serviço, os resultados analíticos estavam disponíveis tardiamente, o que implicou uma extensão do horário para participar na discussão completa dos doentes, dificultando a conciliação com o estudo.

No estágio de Cirurgia Geral, sedimentei a relevância do Consentimento Informado e do completo esclarecimento do doente sobre atos médicos que possam ser necessários. Apercebi-me da vulnerabilidade do doente no momento em que entrega o seu estado de consciência aos médicos e da responsabilidade inerente aos atos cirúrgicos. Consegui cumprir o objetivo de aprender a suturar e participei em algumas cirurgias, apesar de terem sido em pequeno número, dado o elevado número de alunos e internos.

Na tabela do Anexo 2, de uma forma resumida, sistematizo os pontos fortes e fracos de cada estágio, bem como estratégias que apresento para solucionar os problemas.

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Para falar sobre este último ano, devo ainda abordar experiências anteriores, que surgiram pela pessoa que sou, e que me ajudaram a construir e sedimentar alguns valores, tanto a nível pessoal quanto profissional. Ter feito uma experiência internacional de voluntariado, como professora de inglês no Camboja (anexo 19), permitiu-me ter uma melhor perceção das desigualdades sociais tanto a nível mundial, como local – especialmente no que toca a condições sociais precárias e no acesso à educação, o que me tornou mais alerta para estas situações e sensibilizada para empatizar com qualquer pessoa com dificuldades sociais. A experiência de aprender alemão (anexo 18) durante a faculdade permitiu-me organizar o tempo e perceber que há tempo para aprender, mesmo além da Medicina. A experiência de ter feito Erasmus+ na Alemanha (anexo 13) permitiu-me perceber que a comunicação é um processo suscetível a falhas, e que é de extrema importância comunicar claramente e certificar-nos de que a mensagem é corretamente transmitida. Deparei-me com um método de ensino muito diferente do nosso, com um predomínio de tarefas práticas, o que Deparei-me possibilitou maior treino de procedimentos práticos, como a colheita de sangue venoso.

Destaco ainda a minha experiência no associativismo, como vogal da Direção da AEFCM em 2017, como Vice-Presidente e Colaboradora do Hospital da Bonecada em 2016, vogal da Comissão de Finalistas em 2014/2015 e Presidente da mesma em 2015/2016 (anexos 14 a 17).

Acredito que há bases que devem ser fundamentais a todos os médicos e que devem ser complementadas até dominadas em pleno, razão pela qual realizei as formações ao longo deste ano e em anos anteriores (anexos 03 a 11), no sentido de colmatar dificuldades sentidas ao longo da aprendizagem. Realizei ainda uma atividade de voluntariado no âmbito de Saúde Pública: “Unidade Móvel de Vacinação contra a Hepatite A” (anexo 12).

Resumindo, acredito que estas experiências modularam algumas perspetivas que tenho nesta fase do curso, nomeadamente na pró-atividade, em querer aproveitar cada estágio ao máximo, e que me ensinaram a gerir o tempo, stress, relações interpessoais e, acima de tudo, a querer aprender mais.

Para as próximas etapas pretendo levar todo o conhecimento e motivação que adquiri ao longo dos anos, com ferramentas otimizadas para permitir a construção de um “mínimo heróico” cada vez mais completo. Considero que todos os estágios contribuíram para a minha formação, ajudando na formação de um rio cada vez mais cheio e abundante, não só de conhecimentos, como também de valores que considero necessários para a próxima etapa, que represento através do mar: a prática clínica. Certamente será vasta, mas com as ferramentas corretas e uma completa formação será um desafio bem superado.

Gostaria de deixar um agradecimento final à minha família e amigos, pelo apoio; aos colegas, pela companhia na viagem; aos tutores, pelo conhecimento; e aos doentes, pelas oportunidades de aprendizagem.

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Referências

[1] VICTORINO, Rui Manuel; JOLLIE, Carol; MCKIMM, Judy. O Licenciado Médico em Portugal – Core Graduates

Learning Outcomes Project. Julho 2005

Anexos

Anexo 01 – Tabela de trabalhos realizados ao longo dos estágios

Anexo 02 – Pontos fortes, pontos fracos e sugestões dos Estágios Parcelares

Atividades Formativas

Anexo 03 –Curso TEAM

Anexo 04 – iMed Conference 10.0

Anexo 05 – Workshop “PedDay: Um dia na Urgência Pediátrica – Patologias mais frequentes” Anexo 06 – Workshop “NeuroDay: Neurologia no Serviço de Urgência; AVC no Serviço de Urgência” Anexo 07 – Congresso: “8.ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa”

Anexo 08 – Jornadas de Cardiologia de Lisboa Ocidental

Anexo 09 – Palestra: Gestão em Saúde: Value-Based Health Care Anexo 10 – Introdução à Eletrocardiografia Clínica

Anexo 11 – Curso Advanced Trauma Life Support (ATLS)

Anexo 12 – Voluntariado: “Unidade Móvel de Vacinação contra a Hepatite A”

Programa de Mobilidade

Anexo 13 – ERASMUS+

Associativismo

Anexo 14 – Coordenadora de Eventos da Direção da AEFCM

Anexo 15 – Colaboradora da Comissão Organizadora do XV Hospital da Bonecada

Anexo 16 – Vice-Presidente da Comissão Organizadora do XV Hospital da Bonecada Edição de Natal Anexo 17 – Membro da Comissão de Finalistas

Outros

Anexo 18 – Certificado de Curso de Alemão B2 Anexo 19 – Programa de voluntariado internacional

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Anexo 01 – Tabela de trabalhos realizados

Anexo 02 – Tabela-resumo de pontos fortes, pontos fracos e sugestões para os estágios parcelares

Estágio Ponto forte Ponto fraco Sugestões

M

GF Oportunidade de treinar a consulta de forma autónoma

Pouca Saúde Materna e

Planeamento Familiar Sem sugestões

Pedi

atri

a

Diversidade de momentos de estágio e doenças

Ausência de tutor que acompanhasse nos vários

momentos

Nomear um tutor responsável por orientar os

alunos em cada local

G O Quantidade e diversidade de exame objetivo e procedimentos realizados Quantidade de médicos e alunos a observar as doentes

Outros locais de estágio e tutores com a mesma disponibilidade para ensinar

Sa úd e M enta l Organização do serviço; doenças diversificadas

Pouco tempo de contacto com patologia aguda

Hipótese de realizar uma semana noutro local, por exemplo, Internamento M edici na Inte rn

a Participar de forma autónoma no internamento e na consulta,

de forma tutelada no SU

Horário alargado pelo atraso nos resultados analíticos

Alterar a dinâmica do serviço na colheita de análises C iru rgia G eral Treino de procedimentos práticos; Estágio Opcional

Poucas oportunidades para treinar procedimentos e

participar em cirurgias

Distribuir os alunos por mais locais de estágio

Opci

onal

MGF

Experiência na comunidade; Realização de exame objetivo

com frequência

Poucas oportunidades para treinar consulta de forma

autónoma

Sem sugestões

Legenda: MGF: Medicina Geral e Familiar; GO: Ginecologia e Obstetrícia

Estágio Título Autores

Pediatria História Clínica: Cerebelite Aguda Pós-Infecciosa Ana Carolina Mateus Ginecologia e

Obstetrícia

Caso Clínico: Abordagem do Teratoma em Mulheres em Idade Fértil

Ana Carolina Mateus Rita Nunes Shirley Scorza Saúde Mental História Clínica: Esquizofrenia Ana Carolina Mateus

Medicina Interna Doença de Behçet Ana Carolina Mateus

Cirurgia Geral “You can run but you can’t hide”: Caso Clínico de Hemorragia Digestiva

Ana Carolina Mateus Joana Rodrigues Pedro Gabriel Pacheco

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Anexo 03 – Curso “TEAM”

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12

Anexo 05 – Workshop Pedday

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13

Anexo 07 – 8.ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa

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Anexo 09 – Palestra “Gestão de Saúde: Value-Based Health Care”

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15

Anexo 11 – Curso Advanced Trauma Life Support

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Anexo 13 – Erasmus+

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Anexo 15 – Colaboradora da Comissão Organizadora do XV Hospital da Bonecada

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18

Anexo 17 – Membro da Comissão de Finalistas

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Anexo 19 – Programa de voluntariado internacional

Referências

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