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(1)

Teorias de Inflação

Inflação Moderada

Inflação Inercial

Fernando  Nogueira  da  Costa  

Professor  do  IE-­‐UNICAMP  

(2)

Teoria da Inflação Moderada

Estruturalistas X Monetaristas

(3)

CEPAL: visão estruturalista

  origens reais da

inflação estão nos

problemas estruturais

do estágio de

desenvolvimento econômico de

(4)

Classificação das

Pressões Inflacionárias

1.

básicas ou estruturais

: limitações, rigidez

ou inflexibilidade da estrutura do sistema

econômico.

2.

causas últimas (primárias) da inflação

:

incapacidade de determinados setores

produtivos em atender às modificações da

demanda => mudança nos preços relativos

favorável aos bens ainda escassos

(5)

Classificação das

Pressões Inflacionárias

3. circunstanciais: choques exógenos (variações irregulares, casuais) => a política econômica deve minimizar a propagação de seus efeitos.

(6)

Classificação das

Pressões Inflacionárias

  cumulativas:

induzidas pela própria inflação   tendem a acentuar sua intensidade   ditam a extensão e o ritmo crescente da própria inflação   pressões inflacionárias cumulativas + mecanismos de propagação =

aspecto mais visível do processo

(7)

Propagação inflacionária

devido a conflito de interesses

  luta pela

redistribuição de

renda => cada grupo pretende favorecer-se a expensas dos

grupos restantes => sem vantagem permanente.

  luta pela distribuição

de recursos entre o setor público e o setor privado: intenção fiscal de elevação da carga tributária versus sonegação de impostos ou incentivos fiscais.

(8)

O que Friedman diz

a respeito da inflação

 

inflação é um fenômeno monetário

,

devido ao aumento mais rápido,

determinado pelo governo, da quantidade

de moeda do que da produção.

 

só existe uma cura para a inflação

:

persistência, embora com efeitos colaterais

desagradáveis, no controle monetário.

(9)

O que Friedman diz

a respeito da inflação

 

a inflação não é um fenômeno capitalista,

tampouco é um fenômeno comunista;

no mundo moderno, a inflação é

um fenômeno de impressora (...)

uma inflação elevada é

sempre e em toda

(10)

O que Friedman diz

a respeito da inflação

  pergunta mais básica: por que os governos produzem inflação, aumentando rápido demais a quantidade de moeda?

  razões dos liberais: governos gastadores, ambiciosos e

(11)

Rápido crescimento das

despesas do governo

 

maior dispêndio do governo não é

inflacionário se os gastos adicionais forem

financiados por impostos ou dinheiro

tomado por empréstimo junto ao público

=> o governo tem mais para gastar e

o público menos (

crowding out

): medidas

impopulares ->

método politicamente mais

atraente

: venda de títulos de dívida pública

(12)

Adotar objetivos indevidamente

ambiciosos de pleno emprego

 

É

politicamente atraente

o aumento de

dispêndio sem aumentar os impostos e

o endividamento junto ao público

não-bancário, financiando déficit daí resultante

com

aumento da quantidade de moeda

.

 

É inflacionário e não mantém o pleno

emprego em longo prazo

, quando

há a superação da

ilusão monetária

.

(13)

Política errada adotada pelo

Banco Central segundo Friedman

  controle não da

quantidade de moeda, que ele pode fazer, mas

sim da taxa de juros.

  a taxa de juros torna-se exógena e a oferta de moeda, endógena.

(14)

Crítica de Ignácio Rangel aos

Estruturalistas e Monetaristas

 

ambos buscam a gênese da inflação em

suposta

insuficiência ou inelasticidade da

oferta

-

global

, no caso dos monetaristas, e

setorial

, no caso dos estruturalistas -,

quando deveriam perceber que

o problema inflacionário está

na crônica insuficiência da demanda

e não,

(15)

Diagnóstico de Ignácio Rangel

  o nível de demanda é insuficiente, para assegurar a utilização satisfatória do potencial produtivo existente, devido: 1.  à inflação; 2.  à concentração de renda; e 3.  à arcaica estrutura agrária.

(16)

Anomalia no mecanismo de

formação de preços

  a demanda dos gêneros alimentícios possui inelasticidade específica, resultando na rigidez da demanda de gêneros agrícolas face à grande elasticidade (e não inelasticidade) da oferta agrícola.   a comercialização dos produtos agrícolas feita através de oligopsônio-oligopólio resulta na manipulação da alta de preços.

(17)

Carência de mercado

de consumo popular

  aumento dos preços dos alimentos resulta em queda do salário real, diminuindo a demanda popular para outros bens de consumo: há insuficiência genérica de demanda efetiva.   P1 > P0 => M0V0 < P1T0 1.  M1.V0 = P1 TO ou 2.  M0VO = P0T0 ou 3.  M0V0 = P1(T0 -t) onde t é estoque

(18)

Inflação de oligopólio

  retenção de estoques (T - t) se realiza não nas atividades

causadoras da alta de preços, mas sim nas atividades supridoras de bens com maior

elasticidade-renda da demanda => aumento capacidade ociosa.   menores oportunidades de investimento após excesso de investimento em setores prioritários ou incentivados => causa da elevação dos custos unitários

(19)

Oferta de moeda sanciona a

inflação

  rompe-se o equilíbrio econômico-financeiro das empresas produtoras de bens de consumo de luxo ou supérfluo => aumenta a relação estoques [realizável] / disponível .   a maior demanda de crédito bancário é acomodada por oferta endógena de moeda, devido ao

papel passivo do poder emissor, para não se privar de

(20)

Curva de Rangel (estagflação)

Tempo

Ta

xa

s

(21)

Teoria da Inflação Inercial

Modelo de Francisco Lopes

(22)

Patamares trienais da

inflação brasileira

ANO

PORCENTAGEM

1974-1975

30

1976-1978

40

1979

77,2

1980-1982

100

1983-1985

220

(23)

Choques inflacionários

  impulsos, inflacionários

ou deflacionários,

que alteram o ritmo da elevação dos preços .

  são devido às ações, exitosas ou não, dos agentes econômicos visando alterar

(24)

Choques inflacionários

  choques de oferta:

•  choque cambial como

maxidesvalorizações,

•  choque agrícola

(quebras de safras para abastecimento interno), •  choque corretivo (política de realinhamento de preços), etc.   choques de demanda: •  impulso deflacionário = f( recessão, segundo a Curva de Phillips ); •  impulso inflacionário = f( expansão monetária, segundo a Teoria Quantitativa da Moeda ).

(25)

Tendência inflacionária

  resíduo não explicado

pelos choques = componente de inflação pura => se não houvesse nenhuma pressão no sentido de mudanças desejadas em preços relativos : taxa de inflação = tendência .   natureza inercial da tendência inflacionária: na ausência de choques inflacionários => inflação corrente = f( inflação passada ).

(26)

Programa de combate à inflação

  estudos econométricos revelaram a pequena importância quantitativa dos choques de demanda deflacionários, quando comparada aos níveis elevados da inflação brasileira .

  programa efetivo de combate à inflação = f( políticas que atuem diretamente sobre a tendência

(27)

Hipótese inercial da

tendência inflacionária

  ideia básica: ambiente cronicamente inflacionário => tendência de recompor o pico

anterior de renda real

no momento de cada reajuste periódico de preço.   quando todos os agentes adotam esta estratégia => taxa de inflação existente no sistema tende a se perpetuar: tendência inflacionária = inflação passada.

(28)

Taxa de inflação

1.

picos de renda real desejados

pelos diversos agentes;

2.

periodicidades

de reajuste de renda real

para cada um deles;

3.

estrutura de preços relativos médios

(29)

Preços relativos médios

  preços relativos médios =

medidos em termos de valores reais

médios por período à semelhança do

salário real médio.

  em economia inflacionária,

preços relativos mudam constantemente ao

longo do tempo =>

preços relativos médios

que importam em termos de

alocação de fatores e distribuição de renda.

(30)

Exemplo estilizado:

salário real médio 470/6 = 78

MÊS

SALÁRIOS

REAIS (W/P)

LUCROS REAIS

(L/P)

1

100

100

2

90

110

3

81

119

4

73

127

5

65

135

6

60

140

(31)

Exemplo estilizado:

salário real médio 271/3 = 90

MÊS

SALÁRIOS

REAIS (W/P)

LUCROS REAIS

(L/P)

1

100

100

2

77,5

122,5

(32)

Essência da hipótese de

inflação inercial

  tendência

inflacionária inercial

= taxa de inflação que vigora com

preços relativos médios constantes, mas com preços relativos não estáticos.   tendência a reproduzir a taxa de inflação passada por agentes adotarem padrão de comportamento defensivo em relação a seus

(33)

Inércia inflacionária

  surge em economias cronicamente inflacionárias independentemente de existirem mecanismos formais de indexação.

(34)

Recomposição periódica do

pico prévio da renda real

  se algum agente não adota esta estratégia = f( desejo de

reorientar a

distribuição de renda a seu favor )

=> reajuste de seu preço ( salário, lucro, juro, aluguel, etc. ) > inflação passada.

  essa ação ofensiva

tem de ser confirmada no mercado: 1.  se obtém resposta positiva: alteração de preços relativos, quebra da inércia , choque inflacionário;

2.  se não consegue, risco

(35)

Conflito distributivo

versus

Compatibilidade distributiva

  trabalhadores:

exigem a restauração do pico do valor real dos salários =

f( negociação direta, greve, lei salarial ).

  pico do trabalhador =

piso empresarial.

  empresários:

aumentam os preços

nos períodos entre os momentos de reajuste de salário para recuperar o

máximo de lucro real

recebido,

(36)

Conflito distributivo

versus

Compatibilidade distributiva

  após cada reajuste de salário nominal, os empresários remarcam preços, provocando a redução paulatina do salário real efetivamente pago.   se ao longo do tempo entre diversos dissídios coletivos permanece o mesmo salário real médio, os preços relativos médios estão constantes e há inércia inflacionária ou compatibilidade distributiva .

(37)

Foco das políticas de

combate à inflação

  elaboração de mecanismos que permitissem quebrar a tendência inercial da inflação.

(38)

Políticas heterodoxas de

combate à inflação

  choque heterodoxo: alcançar a compatibilidade distributiva através de congelamento de preços e salários (supostamente pelas rendas reais médias )

imposto pelo governo.

  proposta de moeda indexada: aparente caráter não compulsório da fórmula de conversão baseada em valores reais médios.

(39)

Proposta de moeda indexada

  suposição que

a compatibilidade distributiva poderia ser obtida pelas

“forças de mercado” , construída através do estudo das experiências de fim das hiperinflações.   repúdio à moeda doméstica hiperdesvalorizada + uso da moeda estrangeira como unidade-de-conta => taxa de inflação relevante expressa nessa “nova” moeda.

(40)

Crítica ao aparente

caráter liberal da proposta

  somente com trauma,

resignação ou conformismo social, alcançado em hiperinflações, a compatibilidade distributiva pós-estabilização é obtida pelas forças de mercado.

  o custo com a alta

vertiginosa de preços na moeda doméstica é maior que certas perdas de renda real

com a conversão de suas transações para

preços estáveis em moeda estrangeira.

(41)

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