Capacitar os catadores para o gerenciamento da cooperativa ou associação é condição fundamental para a sua consolidação enquanto um empreendi-mento auto-gestionário, solidário e popular.
Como em qualquer negócio, gerenciar uma coo-perativa com essas características implica em or-ganizar os recursos humanos, materiais e financei-ros para atingir objetivos e metas estabelecidos co-letivamente.
Também para estes empreendimentos, o desem-penho é conseqüência do modo como são conduzi-das as suas múltiplas atividades. Portanto, gerenciar uma cooperativa de catadores significa gerenciar cada uma de suas atividades e as relações ou interferênci-as entre elinterferênci-as. De nada adianta, por exemplo, ampliar a coleta se não houver compradores para os materi-ais. Ou ainda, expandir a coleta sem avaliar as possibi-lidades de transporte e triagem.
C
APÍTULO
5
Gerenciamento de uma Cooperativa
5.1. Fatores condicionantes
Numerosos fatores interferem no dia a dia da cooperativa e condicionam o seu desempenho. Al-guns se vinculam diretamente à realização de cada uma das atividades - coleta seletiva, triagem e be-neficiamento, e comercialização, como ilustrado na Figura 7. Exemplo disso é a influência do nível de adesão da população na quantidade de material re-colhido na coleta seletiva num dado roteiro. Ou-tros, indicados na Figura 8, incidem sobre o em-preendimento como um todo, e dizem respeito, principalmente, a questões de natureza administra-tiva e financeira, como é o caso do impacto das despesas administrativas e do pagamento de taxas na renda dos cooperados.
Por serem numerosos, é muito difícil administrar todos os fatores, especialmente quando os recur-sos são escasrecur-sos. A tentativa de fazê-lo pode resul-tar em não controlar, de fato, nenhum. Dessa for-ma, é importante priorizá-los, levando em conta a realidade de cada empreendimento.
Na coleta seletiva, por exemplo, o fundamental é aumentar as quantidades coletadas sem prejudicar a qualidade da separação. Isso depende do nível de É através do gerenciamento que uma
coo-perativa de catadores poderá empreender a busca contínua e organizada por resultados.
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entendimento e adesão da população e, portanto, de um adequado trabalho de informação. Além dis-so, um roteiro bem planejado permite reduzir tem-pos e custos da coleta. Assim, os seguintes fatores mereceriam prioridade do ponto de vista do geren-ciamento: distâncias percorridas no roteiro de cole-ta, adesão da população e informação.
Na triagem, é preciso garantir produtividade com qualidade. Ambos estão relacionados com o padrão de separação prévia na coleta seletiva, com o treinamento e a motivação dos catadores. Esses poderiam ser, portanto, os fatores principais a ge-renciar.
Na comercialização, o objetivo é não ficar com material encalhado e conseguir compradores com bons preços. Para isso, volume e qualidade são de-cisivos. Também é importante estar atento ao mer-cado, identificando novos compradores e pesqui-sando preços. Daí a prioridade de gerenciar os fato-res: volume, qualidade e identificação de novos com-pradores no mercado.
5.2. A
TIVIDADESB
ÁSICASO gerenciamento de uma cooperativa de cata-dores envolve as seguintes atividades: organização do trabalho, estabelecimento de objetivos e metas, formulação de planos de trabalho e acompanhamento das ações previstas.
Figura 7. Representação das atividades e fatores condicionantes. FATORES CONDICIONANTES COLETA SELETIVA TRIAGEM ROTEIRO NÍVELDE ADESÃO NÍVELDE INFORMAÇÃO REGULARIDADE TREINAMENTO MOTIVAÇÃO MOTIVAÇÃO TREINAMENTO CONTROLEDE QUALIDADE SEPARAÇÃO PRÉVIA INFRA -ESTRUTURA CUIDADOSNA COLETA VOLUMEE
QUALIDADE SAZONALIDADE REGULARIDADE
COMERCIALIZAÇÃO MATERIAIS SEPARADOS DISTÂNCIA ORGANIZAÇÃO MERCADO
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Figura 8. Fatores que influem na cooperativa como um todo.
COLETA SELETIVA TAXASE IMPOSTOS TRIAGEM COMERCIALIZAÇÃO RELAÇÕESDE TRABALHO DESPESASCOM INSUMOS RELAÇÕESCOM A SOCIEDADE DESPESAS ADMINISTRATIVAS MOTIVAÇÃOE TREINAMENTO OBRIGAÇÕES LEGAIS
Figura 9. Organograma típico de cooperativa de catadores
COORDENAÇÃO ADMINISTRAÇÃO
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Organização do trabalhoPor mais simples que seja, qualquer empreendi-mento supõe um certo nível de organização. A defini-ção de funções e a divisão de responsabilidades são importantes para o desenvolvimento e controle das atividades da cooperativa, e devem levar em conta as condições reais do empreendimento, em especi-al a aptidão dos catadores para exercer determina-das responsabilidades.
É recomendável que a definição de funções e res-pectivas atribuições sejam simplificadas de modo a evitar sobreposições, normalmente geradoras de con-flitos. O responsável pela coleta, por exemplo, deve ter muito claro quais as suas atribuições.
Segmentá-las em coleta nos condomínios e nas ruas não é acon-selhável, principalmente no início das operações.
É importante tomar cuidado para não estigmati-zar nenhum dos associados, dadas as suas limitações ou dificuldades, tampouco endeusar este ou aque-le, porque tem mais escolaridade ou mais conheci-mento sobre as diferentes atividades de uma coo-perativa.
Na Figura 9, é representado um organograma tí-pico de uma cooperativa de catadores com as indi-cações das principais áreas de trabalho. Sugestões de responsabilidades a serem atribuídas a cada área são apresentadas no Quadro 15.
Estabelecimento de objetivos e metas
O objetivo central de uma cooperativa de cata-dores de material reciclável é gerar oportunidades de trabalho e renda. As metas são a quantificação dos objetivos - os números a que se propõe atingir num determinado prazo. Para estabelecer objetivos, é necessário responder à pergunta - o que se quer? Enquanto para estabelecer metas deve-se buscar res-postas para o quanto se quer.
Exemplificando. Uma cooperativa tem por obje-tivo ampliar as oportunidades de trabalho e como meta criar quinze novos postos, com uma renda média em torno de R$ 280,00/mês, no prazo de oito meses. Estas definições têm rebatimento em todas as atividades do empreendimento. Assim, para atingir a meta proposta de quinze novos postos de trabalho seria necessário, por exemplo:
ATENÇÃO
A organização do trabalho da cooperativa de-ve favorecer a integração dos catadores. Nes-se Nes-sentido, é fundamental que Nes-seja discutida e decidida em conjunto.
O rodízio de todos pelas rotinas diárias da cooperativa deve ser realizado, na medida do possível, de modo a evitar a excessiva especia-lização.
A responsabilidade por uma dada tarefa não exclui a necessidade de participar das outras atividades da cooperativa. Assim, o responsá-vel pela comercialização também poderá es-tar envolvido com a triagem.
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Quadro 15. Funções e atribuições de uma cooperativa de catadores
ADMINISTRATIVA (SR. JOÃO) ÁREA ATRIBUIÇÕES COLETA SELETIVA (SR. CARLOS) TRIAGEM (D. ZULMIRA) COMERCIALIZAÇÃO (SR. JOSÉ) COORDENAÇÃO (TODOS)
Controlar receitas e despesas Calcular a renda
Realizar cobranças e pagamentos Preparar as atas
Controlar as faltas
Atender às exigências legais Planejar e acompanhar a coleta Pesar os materiais coletados Avaliar a segregação na origem Inventariar os domicílios
Zelar pela segurança no trabalho Informar os domicílios
Pesar material classificado e rejeito Zelar pelos equipamentos
Zelar pela organização do espaço Cuidar da segurança no trabalho Monitorar a qualidade de triagem
Pesquisar novos compradores (cadastro) Negociar preços
Identificar novas oportunidades de negócio Avaliar o comprador
Identificar fornecedores cativos Integrar as atividades das áreas
Tomar decisões sobre o interesse comum Resolver problemas de relacionamento Dividir a renda
ampliar a coleta seletiva, que pode implicar em ampliação de equipe e de capacidade de transporte;
expandir a capacidade de triagem, que pode exigir uma reorganização do espaço, a com-pra de mais uma prensa e o treinamento de novos cooperados;
garantir a comercialização dos materiais, bus-cando ampliar o leque de compradores. Tudo isso sem contar as tarefas administrativas que não dizem respeito diretamente a cada uma das atividades referidas.
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TRANSPARÊNCIAE PÉNOCHÃOAo estabelecer as metas, é importante ser rea-lista e tomar alguns cuidados:
os objetivos e metas devem ser discutidos e acertados com todo o grupo, para garantir seu entendimento e os compromissos com a sua realização;
as metas devem estar sempre associadas a prazos e a responsáveis, caso contrário, as atividades não prosperam e seu acompanha-mento se torna muito difícil, senão inviável; as metas devem ser factíveis - é importante
avaliar sempre cuidadosamente as possibilida-des de atingi-las.
Planos de trabalho
De nada adianta definir metas se não se estabele-cem as ações que deverão ser desenvolvidas para o seu cumprimento, ou seja, um plano de trabalho com uma lista de ações coordenadas, com prazos e res-ponsabilidades definidos, tendo em vista a obtenção de um determinado resultado. Para cada ação defini-da coletivamente, deve-se pensar também nas tare-fas envolvidas. O Quadro 16 ilustra, de forma sim-plificada, um plano de trabalho referente ao exemplo apresentado no item anterior. O importante é que o Plano ajude a organizar o trabalho e seja adequado às condições reais de operação da cooperativa.
LEMBRE-SE
o plano de trabalho deve ser claramente entendido e aprovado pelos cooperados; deve ser tão realista quanto as metas; quanto mais simples, melhor.
Acompanhamento das atividades
Não se pode estabelecer metas e verificar ape-nas no final do prazo se elas foram atingidas. É pre-ciso estar atento, pois, como já visto, inúmeras variá-veis podem interferir no dia a dia do empreendi-mento. É o acompanhamento das atividades que permite identificar os problemas a tempo de resolvê-los ou contorná-resolvê-los.
99
PLANODE TRABALHOObjetivo Ampliar as oportunidades de trabalho
Metas Quinze novos postos com renda média de R$ 280,00
Prazo Oito meses (coletar três toneladas ao mês a partir do quarto mês)
AÇÕES PRAZOS RESPONSÁVEIS
1 - Reprogramar coleta seletiva 8 meses, a iniciar no 4o mês Sr.Carlos, com apoio da Prefeitura
2 - Ampliar capacidade de triagem 4 meses D.Zulmira
3 - Reorganizar a comercialização 4 meses Sr.José
4 - Treinar novos cooperados 3 meses Apoio da ONG
5 - Providências administrativas 3 meses Sr.João
Quadro 16. Exemplo de plano de trabalho simplificado
Uma boa prática de acompanhamento incorpora duas ações fundamentais: reuniões regulares e re-gistro de informações.
A realização de reuniões regulares das equipes de trabalho, ou de todos os cooperados, é importante para a troca de experiências, para a identificação de dificuldades e para a constatação de progressos. De-vem ser marcadas com antecedência para que os catadores possam participar. É importante que a pau-ta seja organizada com base na consulpau-ta aos coope-rados e aos responsáveis pelas várias atividades da cooperativa. Uma vez definida, deve ser divulgada para todos.
O levantamento sistemático de informações permi-te uma análise objetiva dos resultados que estão
sen-do obtisen-dos no cotidiano da cooperativa. É uma tare-fa que exige disciplina. Para tanto, podem ser utiliza-das planilhas como instrumento de coleta, pois per-mitem maior organização no registro das informa-ções e reduzem as possibilidades de erros.
Cada cooperativa deve produzir as planilhas com as informações que forem consideradas necessárias e adequadas à sua organização e ao perfil de seu pes-soal. Essas informações são os indicadores que per-mitem acompanhar e avaliar o andamento das ativi-dades. No Quadro 17, são apresentados alguns exemplos de indicadores associados a cada ativida-de básica ativida-desenvolvida na cooperativa.
Exemplificando. Na coleta seletiva, pode-se me-dir o peso coletado e o combustível gasto para
coletá-
Quadro 17. Exemplo de Indicadores
COLETA SELETIVA
Peso coletado Distância percorrida
Número de domicílios colaborando Consumo de combustível
Consumo por tonelada coletada Tonelada coletada por quilometro
TRIAGEM Peso do rejeito Peso processado Índice de rejeito Produtividade Consumo de energia por tonelada COMERCIALIZAÇÃO Preços de venda Peso comercializado Receitas de vendas INDICADORES
lo, num dado trajeto e período de tempo. Acompa-nhando essas variáveis, pode-se avaliar o efeito de um programa de educação ambiental realizado nes-sa área com base na variação do material ofertado pelos moradores. Ou ainda, levantar índices que in-fluem nos custos, como o de consumo, em litros de combustível/tonelada coletada. De modo semelhante, na triagem, pode-se medir as quantidades de mate-rial descartado e coletado e, com isso, calcular o índice de rejeito, que reflete a qualidade do trabalho de triagem e o padrão de separação nas residências (ver Quadro 18 e 19).
No final deste Capítulo, são apresentados alguns modelos de planilha como referências para: contro-le da cocontro-leta secontro-letiva, da triagem, da comercialização, da freqüência e das despesas (Quadros 18 a 22).
NÃOEXAGERENACOLETADEINFORMAÇÕES
Gerenciar é administrar informações. O exagero na quantidade de informações
(números) pode gerar confusão e exigir mais tempo para registro.
Priorizar as informações a serem registradas e ampliar o número na medida exata da necessidade e da evolução da capacidade de gerenciamento da cooperativa.
Não basta definir qual informação registrar. É preciso saber a sua necessidade.
5.3. D
IVISÃO DOS RENDIMENTOSEntre as tarefas administrativas e financeiras do cotidiano de uma cooperativa de catadores a mais delicada é o cálculo das retiradas. É uma tarefa que exige rigor e transparência na obtenção dos da-dos, na circulação das informações e na definição dos períodos.
Os dados para o cálculo das retiradas devem constar das planilhas utilizadas para o controle operacional das atividades, que devem ser de fácil manuseio e compreensão. É importante que as in-formações circulem diariamente e, se possível, que sejam afixadas em murais para conhecimento de todos: quanto foi comercializado de cada material e o preço alcançado; doações obtidas pela coopera-tiva em dinheiro ou em espécie; novos comprado-res; horas trabalhadas/dia por catador; pagamen-tos realizados, etc.
O período de retirada - semanal, quinzenal ou mensal - uma vez estabelecido, deve ser cumprido à risca. Não importa o volume de dinheiro obtido no período, o fundamental é respeitar o combina-do, principalmente nos primeiros meses de funcio-namento da cooperativa. Com o tempo, as rotinas vão se consolidando e os cooperados poderão rediscuti-las.
De modo geral, o cálculo das retiradas é feito com base nas informações sobre receita bruta, des-pesas, receita líquida e horas trabalhadas, conforme apresentado a seguir.
4A?AEJ= >HKJ=
É o resultado de todas as vendas realizadas num dado período, somado a eventuais doações em di-nheiro ou receitas de outras atividades. Os dados relativos a esse indicador podem ser obtidos da planilha de comercialização (Quadro 21) e dos re-gistros de outras receitas, que podem ser feitos em planilha separada e totalizados para o período con-siderado. É importante que fique muito claro o que deve compor a receita bruta. Por exemplo, recur-sos doados à cooperativa para comprar equipamen-tos não podem ser considerados para efeito do cál-culo das retiradas.
,AIFAI=I
Englobam todos os gastos realizados no mesmo período. Ao gerir os recursos financeiros não se pode confundir o empreendimento com uma entidade as-sistencial; é imperativo realizar apenas os gastos es-sencialmente necessários para o funcionamento da cooperativa. Dentre as despesas mais freqüentes, destacam-se:
taxas: água, luz, telefone;
impostos: ISS, COFINS, ICMS, etc.;
recolhimento de INSS: fundamental para ga-rantir um padrão mínimo de segurança para os cooperados;
materiais em geral: papéis, cordões, fitas, sa-cos, materiais de escritório, etc.;
manutenção geral: caminhão, prensa, etc.; combustíveis e óleos para os caminhões;
equipamentos de proteção individual e uni-formes;
fundo de reserva: porcentagem que incide so-bre a renda bruta;
comunicação: folhetos, faixas, cartazes, etc.; outras despesas: devem ser sempre
discrimi-nadas.
COMODIVIDIRARENDA
A forma de calcular as retiradas depende das de-cisões tomadas entre os catadores e do modo de operação de cada cooperativa: algumas prefe-rem a divisão igualitária dos rendimentos; outras optam pela divisão proporcional às horas traba-lhadas, e ainda há aquelas onde a renda do catador depende, única e exclusivamente, da quantidade de materiais que consegue captar com o seu car-rinho.
PREPARANDO-SEPARAOFUTURO
Mesmo que no período de incubação parte dessas despesas seja provida por parceiros pú-blicos ou privados, os catadores devem pre-parar-se para, gradativamente, assumirem es-ses custos.
Receita líquida
Deduzindo-se as despesas da receita bruta, tem-se a receita líquida, que é o montante a tem-ser reparti-do entre os catareparti-dores:
Receita Líquida = Receita Bruta Despesas
Horas trabalhadas
São registradas e totalizadas por cooperado e para toda a cooperativa, com a utilização da Planilha de Controle Diário de Freqüência (Quadro 20). A somatória das horas trabalhadas de cada catador fornece o total de horas trabalhadas na cooperativa no período considerado para cálculo das retiradas.
Exemplo para o período de um mês: receita bruta: R$ 7.500,00;
despesas: R$ 2.000,00; receita líquida:
R$ 7.500,00 - R$ 2.000,00 = R$ 5.500,00; total de horas trabalhadas na cooperativa: 3.375; total de horas trabalhadas por catador: considera-se para fins de cálculo, neste exemplo, um catador que tenha trabalhado 180 horas/mês;
Valor da hora trabalhada:
R$ 5.500,00/3.375 = R$ 1,62; Retirada do catador:
R$ 1,62 x 180 = R$ 291,60.
5.4. M
ODELOS DEP
LANILHASSão apresentados, a seguir, alguns modelos de plani-lhas úteis para o gerenciamento do empreendimento.
Quadro 18. Modelo de planilha de controle diário da coleta seletiva
!
CONTROLE DIÁRIODA COLETA SELETIVA
Roteiro Vila dos Recicláveis
Veículo Caminhão ABC 1234
Equipe João, Marcos, Zé, Luís; motorista: Sr. Antonio
Horário Saída:8h Parada: 11h30 Retomada: 12h30 Volta: 16h
Hodômetro saída (A): 25.600 km
Hodômetro volta (B): 25.630 km
Distância (D): B-A = 30 km
Consumo Combustível (C): diesel Litros: 8
Pesagem Peso (P): 2,50t ou 2500 kg
Transporte (P/D) = 2,50/30=0,83 t/km
Consumo (C/P) = 8/2,5=3,2 l/t
Observações Choveu à tarde; muita gente não atendeu à porta.
Data: 10/4/2003 Responsável: Marcos
Observações:
1) Quanto maior o indicador de consumo, maior é o gasto de combustível por tonelada recolhida. Isso resulta de longos percursos ou de consumo excessivo do veículo.
2) O indicador de transporte dá uma idéia do rendimento da coleta. Quanto maior seu valor, maior é a quantida-de coletada para a mesma distância percorrida.
3) O cálculo desses indicadores para períodos quinzenais ou mensais reflete melhor o desempenho real da cooperativa.
Distância
"
Quadro 19. Modelo de planilha para controle diário de triagem
CONTROLE DIÁRIODE TRIAGEM
1 Alumínio 20 Carlos
2 Papel 40 Zulmira
3 Papelão 60 Zulmira
4 PVC 20 João
5--- ---
---Total triado no dia: 1.300 kg Data: 10/4/2003
Rejeitos (kg) Observações
1 30 - Faltaram duas pessoas
2 50 - Material bem segregado na origem 3 70 - Houve dificuldade de pesagem
4 ---
---Total: 200kg Responsável: João
Número Material Peso (kg) Nome
Observações:
1) Para calcular produtividade, soma-se a produção acumulada de um mês, com base na planilha, e divide-se esse valor pelo total de horas trabalhadas no mesmo período.
Exemplo: 24.000 kg/1.800 horas = 13. Ou seja, cada catador separa, em média,13 kg de material por hora. Se o dia for de oito horas, serão 13 x 8 = 104 kg por dia.
2) Para calcular o índice de rejeito, divide-se o rejeito acumulado no mês pelo total de material recebido nesse período.
Exemplo: rejeito 4.000 kg; material coletado 28.000 kg; índice de rejeito: 4.000/28.000 = 0,14 ou 14%.
É importante lembrar que: material coletado - rejeito = material comercializado, ou seja, 28.000 t - 4.000 t = 24.000 t.
3) O cálculo da produtividade, ou do índice de rejeito, médio para períodos de quinze dias ou um mês refletem melhor o desempenho real da cooperativa.
#
Observações:1) A planilha de controle de horas trabalhadas é muito útil, pois ajuda a avaliar a assiduidade dos cooperados, gera informações para o cálculo da produtividade, além de ser a informação básica para a divisão de renda. 2) Com base nas planilhas diárias, pode-se totalizar as horas trabalhadas por catador, mensalmente, ou pelo
período estabelecido para as retiradas.
Quadro 20. Modelo de planilha para controle diário de freqüência
Número Entrada Saída Horas Observações
trabalhadas CONTROLE DIÁRIODE FREQÜÊNCIA
Carlos 7h30 17h30 9
-João 7h30 17h30 9
-Luzia 10h30 17h30 6 - Foi ao médico
Zulmira 8h 18h 9 - Condução
--- --- --- ---
$
3/5/2003 Alumínio 100 1,50 150,00 Depósito Recicla
-3/5/2003 PET 1.000 0,20 200,00 Sr. Resina Quer mais material
5/5/2003 PET 1.000 0,50 500,00 Recicladora
-5/5/2003 Papelão 500 0,10 50,00 Só Aparas Ltda. Exigiu cargas maiores 30/5/2003 Papel 2.000 0,20 600,00 Só Aparas Ltda.
-Quadro 21. Modelo de planilha para controle de comercialização
CONTROLE MENSALDE COMERCIALIZAÇÃO
Observações
Data Material Peso
(kg) (R$/kg)Preço Receita(R$) Comprador
Observações:
1) No bloco superior, são registradas as vendas de cada produto com os respectivos preços. No bloco inferior, os valores são agregados por produto e totalizados mensalmente.
2) A observação sistemática desses números ajuda a identificar os materiais mais vendidos e rentáveis, a perceber as oscilações das vendas e dos preços, e a destacar os melhores compradores.
Mês: maio
Materiais Peso mensal: 31.000kg Receita total: R$7.500,00
Alumínio 1.000 1.500,00
PET 10.000 3.000,00
Papel 10.000 2.000,00
%
Quadro 22. Modelo de planilha para controle de despesas
Observações:
1) Os valores podem ser totalizados no período estabelecido para a divisão da renda,mas é conveniente fazer um controle mensal.
2) Convém destacar os pagamentos comprometidos no mês, mas programados para o mês seguinte, como é o caso do reparo do caminhão. Normalmente, são considerados despesas no mês do pagamento. 3) O agrupamento das despesas por tipo (taxas, manutenção, INSS, etc.) ajuda a identificar e a controlar os
gastos principais.
CONTROLEDE DESPESAS
5/5/2003 Reparo no caminhão 300,00 Para 30/6 João
5/5/2003 INSS 700,00 Efetuado João
6/5/2003 Óleo de prensa 30,00 Efetuado João
- /- /2003 --- --- --- --- /--- /2003 --- --- ---
---Responsável
Data Despesa Valor (R$) Pagamento
A
PÊNDICE
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'
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