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Teorias da Relatividade HCTE-2014-Teste-a1

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(1)

Programa de P´

os-Gradua¸

ao em Hist´

oria das

Ciˆ

encias e das T´

ecnicas e Epistemologia (HCTE)

Curso de Teorias da Relatividade de Einstein - 2014/I

Alexandre Lyra ∗

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Observat´orio do Valongo Rio de Janeiro, RJ, 20080-090, Brazil

10 de Fevereiro de 2014

Resumo

Este texto se refere a um curso de p´os-gradua¸c˜ao em andamento no HCTE. O texto est´a em constante processo de revis˜ao. O autor agradece `as sugest˜oes que poder˜ao ser enviadas por email.

(2)

Sum´

ario

1 T´opicos da Relatividade Especial 4

1.1 Eventos e sua Ordena¸c˜ao . . . 5

1.2 Conceitos Iniciais . . . 6

1.3 Observadores e Referenciais . . . 7

1.4 Postulados de Einstein . . . 10

1.5 Transforma¸c˜oes de Lorentz . . . 10

1.6 Bloco Adicional 1. . . 11

1.7 Bloco Adicional 2. . . 13

1.8 Dilata¸c˜ao do Tempo . . . 20

1.9 O Intervalo ds2 . . . 22

2 Aplica¸c˜oes da Relatividade Especial 27 2.1 Efeito Doppler . . . 27

2.2 Deslocamento Para o Vermelho ou “Red Shift” Gravitacional . . . 29

3 C´alculo Tensorial 30 3.1 Escalares e Vetores . . . 30

3.2 Ser´a que xµ´e Tensor ? . . . . 34

3.3 Tensores . . . 35

3.4 Simetrias . . . 38

3.5 Densidades Tensoriais . . . 42

4 Aplica¸c˜oes do C´alculo Tensorial 46 4.1 M´etrica . . . 46

4.2 Vis˜ao Geom´etrica das Componentes Contravariantes e Covariantes . . . 48

4.3 Mudan¸ca de base: ek →eem0 . . . 48

4.4 A Matriz Inversa de (gµν) . . . 49

4.5 Opera¸c˜oes com os ´Indices . . . 50

4.6 Outra Forma de Chegar a Aα = gαβAβ . . . 51

4.7 Opera¸c˜oes Gerais com ´Indices . . . 52

5 Derivada Covariante 54 5.1 Derivada de um Vetor . . . 54

5.2 A Derivada “Invariante” . . . 54

6 Divergˆencia Covariante 62

(3)

8 Geod´esicas 65

9 Tensor de Riemann 69

10 Espa¸co Riemanniano e Pseudo-Riemanniano 71

10.1 Volume de Um Paralelep´ıpedo . . . 73

11 Os S´ımbolos de Christoffel 76 12 Rascunho Sobre os Princ´ıpios da Teoria da Relatividade Geral 78 12.1 Criticas aos Princ´ıpios e Estudos Para Trabalhos - 07-2010 . . . 89

12.2 Synge × Greub e Princ´ıpio da Equivalˆencia do Prugovecki . . . 90

12.3 Do livro do Einstein: . . . 91

12.4 V´arias Referˆencias . . . 91

13 Introdu¸c˜ao `a Teoria da Relatividade Geral 94 13.1 Princ´ıpios . . . 94

13.2 As Equa¸c˜oes de Einstein . . . 95

13.3 Solu¸c˜ao de Schwarzshild . . . 99

13.4 Aplica¸c˜oes Cosmol´ogicas da TRG . . . 101

14 Cosmologia Inflacion´aria 106

15 Cosmologia Padr˜ao 106

16 Sucesso da Cosmologia Padr˜ao 107

17 Problemas da Cosmologia Padr˜ao 108

18 Vis˜ao Geral da Cosmologia Inflacion´aria 110

19 Como Obter a Infla¸c˜ao 112

20 Equa¸c˜ao de Dirac 114

(4)

1

opicos da Relatividade Especial

Nesta parte inicial do curso estudaremos os postulados de Einstein e alguns conceitos da te-oria da relatividade especial, por exemplo, as transforma¸c˜oes de coordenadas, o intervalo e a m´etrica de Minkowski. As for¸cas gravitacionais somente ser˜ao consideradas posteriormente na segunda parte do curso, quando formos discutir a teoria geom´etrica de Einstein para o campo gravitacional.

Este curso ´e para os alunos do HCTE (Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Hist´oria das Ciˆencias e das T´ecnicas e Epistemologia). Buscamos dar uma vis˜ao geral do que se chama “Relatividade”, ou seja, da Teoria da Relatividade Especial e da Teoria da Relatividade Geral. N˜ao entraremos em detalhes de uma s´erie de temas, por exemplo, mecˆanica da part´ıcula relativista, e diversos outros temas de Relatividade. Faremos uma primeira abordagem dos assuntos tratados, evitando maiores formalismos matem´aticos devido `a heterogeneidade dos alunos do HCTE.

(5)

1.1 Eventos e sua Ordena¸c˜ao

Faremos inicialmente apenas algumas defini¸c˜oes necess´arias, evitando ingressar em outras que nos levariam a sair do nosso interesse espec´ıfico e limitado, de um estudo inicial sobre a Teoria da Relatividade Especial. Nesta parte introdut´oria seguiremos a metodologia adotada no livro do J. L. Synge [2]. Sendo assim, os conceitos iniciais abordados s˜ao aqueles herdados da f´ısica Newtoniana. Necessitamos inicialmente sugerir de forma intuitiva certos conceitos, que depois ser˜ao definidos de forma precisa.

Neste panorama, iniciaremos o estudo com o que chamamos de eventos. Esta palavra j´a aparece ocasionalmente na f´ısica Newtoniana podendo ser considerado, inicialmente, de uma forma intuitiva. Assim, diremos que um evento ´e algo que acontece, ou seja, qualquer coisa que acontece ´e um evento. Esta defini¸c˜ao ´e ainda muito geral ainda, pois segundo ela, a queda da ´

agua de uma cachoeira ´e “um evento”. Isto n˜ao ´e muito conveniente para nossos objetivos. Para sermos mais precisos e limitados, afirmaremos que um evento ´e uma ocorrˆencia em numa extens˜ao espacial bem precisa, ou bem pequena, e que tem uma dura¸c˜ao no tempo muito pequena. Ou seja, o evento ´e algo pontual, tanto no que se refere ao espa¸co, quanto no que se refere ao tempo. Podemos, para fixar id´eias, dizer que o choque de uma pequena pedra com o solo, o acender de uma pequena lanterna, s˜ao alguns exemplos de eventos pontuais, que ser˜ao os que consideraremos. Al´em disto, trataremos ainda da totalidade de todos os eventos poss´ıveis, observando-se que cada evento ocorre em um determinado lugar e n˜ao tem dura¸c˜ao.

Na f´ısica Newtoniana cada evento pode ser identificado por quatro n´umeros (x, y, z, t), onde (x, y, z) s˜ao as coordenadas Cartesianas retangulares do lugar onde ocorre o evento e t o tempo no qual ele ocorre. Caso passemos para destas coordenadas para outras (X, Y, Z, T ), que s˜ao fun¸c˜oes destas coordenadas iniciais, os valores de (X, Y, Z, T ), servem igualmente para identi-ficar o evento. Resumidamente podemos dizer que um evento necessita de 4 n´umeros para ser identific´a-lo. Com isto, ainda Newtonianamente, dizemos que a totalidade de todos os eventos poss´ıveis forma um cont´ınuo 4-dimensional. Levaremos para a relatividade esta conceitua¸c˜ao e chamaremos este cont´ınuo de espa¸co-tempo.

Os quatro n´umeros que s˜ao necess´arios para identificar um evento s˜ao chamados de coorde-nadas do evento, ou suas coordecoorde-nadas espa¸co-temporais. Assumiremos que estas coordenadas s˜ao v´alidas para identificar um evento numa certa por¸c˜ao do espa¸co-tempo. N˜ao se necessita que estas mesmas coordenadas cubram todo o espa¸co-tempo, pode ser necess´ario que tenhamos v´arios sistemas de coordenadas para cobrir todo o espa¸co-tempo.

Necessitamos ainda elaborar uma forma de ligarmos as coordenadas espa¸co-temporais aos eventos, para isto suporemos experimentos ideais, que permitam estabelecer este v´ıculo. Pra fixarmos id´eias, suponha que o evento seja a explos˜ao de uma bomba a uma certa altura da terra, e tenhamos quatro observadores se movendo com diferentes velocidades, por exemplo em

(6)

avi˜oes, de uma a forma arbitr´aria, subindo, descendo etc. Cada observador carrega seu pr´oprio rel´ogio, que n˜ao pode parar de funcionar. Ao ouvir a explos˜ao da bomba, o observador anota a leitura de seu rel´ogio. Por algum m´etodo eles tamb´em sabem da sua posi¸c˜ao exata. Assim, cada um deles tem uma descri¸c˜ao das quatro coordenadas. No momento apenas nos interessa que cada um deles pode atribuir coordenadas (x1, x2, x3, x4) a um certo evento, no caso ao ouvirem o som da bomba. Dois pontos importantes nesta discuss˜ao s˜ao: (a) o evento ´e algo inequ´ıvoco, independente das medi¸c˜oes diferentes que os diferentes observadores possam fazer sobre o mesmo, (b) se um observador atribui a um certo evento coordenadas (x1, x2, x3, x4) e outro observador atribui coordenadas (y1, y2, y3, y4) ao mesmo evento, existir˜ao f´ormulas de transforma¸c˜ao das coordenadas, ou seja

x1 = x1(y1, y2, y3, y4) x2 = x2(y1, y2, y3, y4) x3 = x3(y1, y2, y3, y4) x4 = x4(y1, y2, y3, y4)              ⇔              y1 = y1(x1, x2, x3, x4) y2 = y2(x1, x2, x3, x4) y3 = y3(x1, x2, x3, x4) y4 = y4(x1, x2, x3, x4) . (1)

Sobre a nota¸c˜ao que usaremos: os ´ındices gregos, α, β, ... ser˜ao utilizados para as quatro coor-denadas do espa¸co-tempo, e os ´ındices latinos, a, b, p, ..., ser˜ao utilizados para a parte puramente espacial do espa¸co-tempo, e ´ındices repetidos ter˜ao embutida a conven¸c˜ao de soma de Einstein, mesmo que estejam em um mesmo n´ıvel (ambos embaixo ou ambos em cima). Exemplos,

Ap Ap = A1A1+ A2A2+ A3A3

CkCk = (C1)2+ (C2)2+ (C3)2

AαAα = A1A1+ A2A2+ A3A3+ A4A4

CµCµ = (C1)2+ (C2)2+ (C3)2+ (C4)2 .

1.2 Conceitos Iniciais

A hist´oria de uma part´ıcula ´e uma sequˆencia de eventos, ou seja ´e uma curva no espa¸co-tempo, e para restringirmos aos diferentes valores das coordenadas do espa¸co 4-dimensional `aquelas da curva, ´e necess´ario expressar atrav´es de 4 equa¸c˜oes

xµ = xµ(w) ,

onde w ´e um parˆametro (por exemplo o tempo t). A curva (que ´e um espa¸co obrigatoriamente unidimensional) que representa a hist´oria de uma part´ıcula ´e chamada de linha de universo. Se eliminarmos o parˆametro w destas 4 equa¸c˜oes, teremos 3 equa¸c˜oes, f (x) = 0, g(x) = 0, h(x) = 0, onde o s´ımbolo x foi utilizado para representar os diferentes xµ. Resolvendo-se estas equa¸c˜oes em termos de x4, Teremos equa¸c˜oes da forma xi = Fi(x4). Estas diferentes equa¸c˜oes s˜ao formas

(7)

alternativas de expressar a linha de universo de uma part´ıcula. Quando ocorre uma colis˜ao de duas part´ıculas h´a uma interse¸c˜ao das duas linhas de universo.

O movimento de uma part´ıcula material na f´ısica Newtoniana obedece as equa¸c˜oes

md 2x dt2 = X , m d2y dt2 = Y , m d2z dt2 = Z , (2)

sendo X, Y, Z as componentes da for¸ca que atua na part´ıcula. As equa¸c˜oes (2) formam um conjunto de trˆes equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias de segunda ordem, e que determinar´a o movi-mento da part´ıcula. Devem ser dados os valores iniciais de x, y, z, t e dx/dt, dy/dt, dz/dt, ou seja o evento inicial (x, y, z, t) e a dire¸c˜ao inicial definida pelas derivadas. Deveremos posteriormente escrever os equivalentes relativistas destas equa¸c˜oes. Nestas formula¸c˜oes assume um papel de destaque uma discuss˜ao sobre o sentido do tempo. Veremos isto a seguir.

Em compara¸c˜ao com certas “part´ıculas” que a f´ısica lida, por exemplo, com os planetas, o ser humano tem dimens˜oes muito pequenas, j´a em rela¸c˜ao a uma part´ıcula elementar, por exemplo, com o eletron, ele ´e bastante grande. Apesar disto podemos hipoteticamente reduzir o ser humano a um ponto para cham´a-lo de observador. Como tal, ele tem sua pr´opria linha de universo, com as equa¸c˜oes que vimos acima. Pela nossa pr´opria experiˆencia, sabemos que cada um de n´os pode ordenar os eventos que ocorrem em nossa linha de universo. Isto significa que dados dois eventos em nossa linha de universo sabemos qual ocorreu primeiro e qual ocorreu depois, ou seja temos a no¸c˜ao de passado, presente e futuro. Sendo o presente ap´os o passado e antes do futuro.

Na Teoria da Relatividade Especial n˜ao se sup˜oe uma ordem intr´ınseca entre os eventos, como se sup˜oe na f´ısica Newtoniana. Apenas em nossa linha de universo podemos assegurar quais s˜ao os eventos do presente, do passado e do futuro. Pode assim, um determinado observador ordenar os eventos em sua linha de universo, onde o presente ´e depois do passado e antes do futuro. Ele tem a no¸c˜ao de ontem, de hoje e de amanh˜a. Sendo assim, no que se refere `a ordena¸c˜ao dos eventos, a Relatividade Especial assume uma premissa mais fraca em rela¸c˜ao `a f´ısica Newtoniana.

1.3 Observadores e Referenciais

Este ´e um dos pontos mais intrincados na Teoria da Relatividade Especial (TRE), muito mais ainda na Teoria da Relatividade Geral (TRG), e porque n˜ao dizer, na pr´opria F´ısica. N˜ao iremos entrar profundamente nesta quest˜ao, mas daremos algumas defini¸c˜oes operacionais destes conceitos e que consideramos necess´arias para o estudo que se segue.

Assumiremos que temos um grande n´umero de pequenos rel´ogios identicamente constru´ıdos dispon´ıveis, e que n´os chamaremos de rel´ogios padr˜ao, e que ao serem colocados em um deter-minado instante, em um mesmo local, a marcha dos seus “tic(s)” ser´a a mesma (neste instante).

(8)

Tamb´em assumiremos a disponibilidade de um grande n´umero de r´eguas, identicamente cons-tru´ıdas, que ser˜ao chamadas de r´eguas padr˜ao, e que ao serem colocadas em um determinado instante, em repouso em rela¸c˜ao a uma outra, seu comprimento ser´a o mesmo.

Definiremos,

a. evento

qualquer ocorrˆencia f´ısica em um certo lugar e em um determinado instante do tempo.

b. observador ´

e o que designaremos como uma part´ıcula pontual inteligente, munida de uma r´egua padr˜ao e de um rel´ogio padr˜ao; al´em disto, tem as seguintes propriedades:

• intera¸c˜ao desprez´ıvel com sua vizinhan¸ca;

• habilidade de se mover arbitrariamente de maneira consistente com os limites im-postos pela relatividade especial (com velocidade v < c, sendo c a velocidade da luz);

• habilidade de se comunicar com outros observadores por meio de sinais luminosos;

c. referencial ´

e um conjunto cont´ınuo de observadores que se mant´em em repouso em rela¸c˜ao um ao outro. Por inercial entendemos um referencial no qual um corpo livre de for¸cas n˜ao tem acelera¸c˜ao.

Um observador B ´e considerado em repouso em rela¸c˜ao a um observador A se este observador ao enviar um sinal luminoso de A para B e imediatamente este sinal retornar a A (fazendo uma caminho fechado) utilizar sempre o mesmo intervalo de tempo (medido por A). Um referencial n˜ao ´e a mesma coisa que um conjunto de coordenadas, ´e uma entidade f´ısica hipot´etica. As coordenadas s˜ao apenas uma maneira de se dar nomes a cada ponto do espa¸co, em geral estes “nomes” s˜ao dados matematicamente com coordenadas, por exemplo, coordenadas cartesianas x, y, z.

(9)

ESQUEMA

R´egua Padr˜ao + Rel´ogio Padr˜ao

⇓ ⇓

Observador ⇓

Conjunto de Observadores = Referencial

(10)

1.4 Postulados de Einstein

A Teoria da Relatividade Especial ´e baseada em dois postulados de Einstein,

• P1 : a velocidade da luz, c (≈ 3 × 108m/s), no v´acuo, independe do referencial, e ´e a mesma em todas as dire¸c˜oes, e

• P2 : todas as leis f´ısicas s˜ao invariantes, isto ´e, mantˆem a mesma forma, com respeito a

escolha dos referenciais inerciais.

Os referenciais inerciais s˜ao aqueles onde s˜ao v´alidas as leis de Newton, e s˜ao todos equi-valentes fisicamente. Em outras palavras, um sistema de referˆencia ´e considerado inercial se

• uma part´ıcula livre da influˆencia da mat´eria ou da radia¸c˜ao, move-se com velocidade constante, ou equivalentemente,

• ´e v´alida a segunda lei de Newton

= md

2x

d t2 , (4)

onde F ´e a soma das for¸cas que atuam sobre a part´ıcula de massa m (lembrando que estas for¸cas s˜ao exclusivamente for¸cas de intera¸c˜ao), x ´e a posi¸c˜ao da part´ıcula e t ´e o tempo. Ao considerarmos estes dois postulados, P1 e P2, simultaneamente, se chega a um tipo

especial de transforma¸c˜oes entre as 4 coordenadas (trˆes espaciais e uma temporal), conhecidas como Transforma¸c˜oes de Lorentz.

1.5 Transforma¸c˜oes de Lorentz

Chamam-se eventos aos acontecimentos naturais, por exemplo, a explos˜ao de uma bomba, o acender de uma lˆampada, a queda de um corpo, etc. A totalidade de todos os eventos f´ısicos que est˜ao ocorrendo, que j´a ocorreram e que ir˜ao ocorrer, para um determinado observador, ´e chamado espa¸co-tempo1. Como os eventos podem ocorrer em todos os instantes do passado do

presente e do futuro, e em todos os pontos do espa¸co, o espa¸co-tempo forma um continuum 4-dimensional, que ser´a a arena dos fenˆomenos f´ısicos. At´e agora n˜ao privilegiamos nenhum ponto do espa¸co-tempo, isto ´e, todos os seus pontos s˜ao equivalentes. Por´em a introdu¸c˜ao das transforma¸c˜oes de Lorentz ir´a mudar esta situa¸c˜ao. No espa¸co-tempo atuar˜ao os referenciais e as demais ferramentas de estudo, por exemplo, usualmente ´e coordenado por algum observador no estudo de fenˆomenos f´ısicos2.

1

Uma referˆencia muito boa para uma vis˜ao bem clara do espa¸co-tempo ´e o livro do Ellis e Williams, [3].

2

Detalhes destas defini¸c˜oes podem ser encontrados no livro do J. L. Synge [2], Cap.I. ´E interessante um estudo mais detalhado do sentido f´ısico desta “arena” e o papel desempenhado pelos observadores e coordenadas. N˜ao iremos entrar mais a fundo nesta quest˜ao, entretanto, fica em aberto para os alunos esta investiga¸c˜ao, como Exerc´ıcio 1.

(11)

O espa¸co-tempo, na Relatividade Especial, ´e a concretiza¸c˜ao da hip´otese f´ısica de existˆencia de uma arena onde ocorrem os fenˆomenos, vazia, sem mat´eria, e na qual os seus diferentes pontos s˜ao totalmente equivalentes. Na presen¸ca de campos gravitacionais3estas premissas n˜ao s˜ao mais

v´alidas e dever˜ao ser reavaliadas. Se sup˜oe ainda que ao colocarmos mat´eria no espa¸co-tempo ele n˜ao se modifica, continua o mesmo espa¸co-tempo, da Relatividade Especial. A hip´otese de uniformidade pode ser vista como altamente n˜ao natural, pois em nosso dia a dia os diferentes pontos do espa¸co ao nosso redor gozam de diferentes propriedades, o mundo ao nosso redor ´e altamente inomogˆeneo e anisotr´opico. Entretanto, em um processo de an´alise f´ısica dos fenˆ o-menos naturais, ´e comum fazermos inicialmente uma abstra¸c˜ao que nos permita ir aos poucos colocando ingredientes que nos v´a aproximando cada vez mais da realidade natural. Ou seja, devemos partir dos casos mais simples para os mais complexos. A inclus˜ao, por exemplo, de campos gravitacionais necessita um cuidado especial, o que somente ser´a visto (no contexto desta abordagem) quando for tratata a Teoria da Relatividade Geral, onde o espa¸co-tempo n˜ao ser´a mais o mesmo da Relatividade Especial. Assumiremos que o espa¸co-tempo ´e uniforme.

Uma consequˆencia que se assume da equivalˆencia de todos os pontos do espa¸co-tempo ´e que as transforma¸c˜oes entre referenciais na Relatividade Especial devam ser transforma¸c˜oes lineares. Seja, por exemplo, um evento que em um referencial K0 tem coordenadas (x0, y0, z0; ct0), e este mesmo evento, agora em um referencial K, tenha coordenadas (x, y, z; ct). Partindo-se dos postulados de Einstein, desejamos chegar `as transforma¸c˜oes que levam as coordenadas do evento em K `as suas coordenadas no referencial K0.

1.6 Bloco Adicional 1.

Exerc´ıcio 2: Mostre que uma transforma¸c˜ao n˜ao linear entre referenciais no espa¸ co-tempo, pode levar a que estes observadores afirmem que n˜ao existe equivalˆencia entre seus diferentes pontos do espa¸co-tempo.

Pode-se demonstrar que a n˜ao linearidade levaria a uma n˜ao equivalˆencia dos pontos do espa¸co-tempo. Assumiremos que se uma part´ıcula n˜ao apresenta acelera¸c˜ao no sistema K, tamb´em n˜ao apresentar´a acelera¸c˜ao no sistema K0. Observe que uma transforma¸c˜ao n˜ao linear do tipo x0 = ax2, com a constante, juntamente com uma transforma¸c˜ao linear no tempo, resul-taria que mesmo se d2x/dt2 = 0 poderemos ter d2x0/dt02 6= 0. Isto ´e, se assumirmos que no referencial K n˜ao tem acelera¸c˜ao do sistema, poderemos, entretanto, ter acelera¸c˜ao no

referen-3

H´a in´umeros exemplos da chamada quebra da invariˆancia de Lorentz (ver por exemplo em [9], [10]) devido `a presen¸ca de campos gravitacionais e tamb´em devido a outras intera¸c˜oes f´ısicas.

(12)

cial K0. Violando nossa pressuposi¸c˜ao, pois veja que dx0 dt0 = 2ax dx dt0 = 2ax dx dt dt dt0 ⇒ d2x0 dt02 = 2a d dt0  xdx dt dt dt0  d2x0 dt02 = 2a dx dt0  dx dt dt dt0  + 2ax d dt0  dx dt  dt dt0 + 2ax dx dt d dt0  dt dt0  = = 2a dx dt 2  dt dt0 2 + 2axd 2x dt2 |{z} I  dt dt0 2 + 2axdx dt d2t dtdt0 | {z } II dt dt0 , (5)

na ´ultima passagem para chegar `a equa¸c˜ao (5) utilizamos que d dt0 = dt dt0 d dt ,

e os termos marcados com I e II s˜ao zero, pois, note que I ´e zero devido `a hip´otese da acelera¸c˜ao ser nula em K, e II ´e zero porque assumimos que a transforma¸c˜ao ´e linear no tempo. Restar´a apenas um termo n˜ao nulo, independente da acelera¸c˜ao em K,

d2x0 dt02 = 2a  dx dt 2  dt dt0 2 .

Este termo “cria” uma acelera¸c˜ao em K0 inexistente em K, devido somente ao fato de supormos uma transforma¸c˜ao n˜ao linear entre K0 e K.

Fim do Bloco Adicional 1.

As transforma¸c˜oes formuladas por Lorentz [6] e chamadas de Transforma¸c˜oes de Lorentz (TL(s)) s˜ao lineares. Tomemos, apenas para fixar id´eias, um exemplo de uma transforma¸c˜ao linear homogˆenea ´e x0 = mx + ny, com m, n constantes. J´a uma transforma¸c˜ao n˜ao linear t´ıpica ´e, x0 = mx2 + y. Pode-se demonstrar que baseados apenas nos conceitos e princ´ıpios

fundamentais da TRE, as transforma¸c˜oes de coordenadas da TRE devem ser lineares (veja por exemplo em [2], p.70, ou [4], p.56)

As 4-coordenadas do espa¸co-tempo no referencial K, s˜ao

{xµ} ≡ {x0 = ct, x1= x, x2 = y, x3= z} (6)

e no referencial K0, s˜ao

{x0µ} ≡ {x00= ct0, x01= x0, x02= y0, x03= z0} (7) (a constante c algumas vezes ser´a suprimida para facilitar as contas). As trans-forma¸c˜oes lineares de coordenadas, mais gerais, que levam x ⇒ x0 podem ser definidas generi-camente atrav´es da express˜ao

x0α= aα+

3

X

β=0

(13)

onde aα e Λαβ s˜ao constantes4, independem das coordenadas. Estas transforma¸c˜oes s˜ao mais gerais que as TL(s) e s˜ao chamadas de Transforma¸c˜oes de Poincar´e, ou Transforma¸c˜oes N˜ao-Homogˆeneas de Lorentz5. Pelo fato que nas TL(s), aα≡ 0, elas s˜ao tamb´em chamadas

de Transforma¸c˜oes Homogˆeneas de Poincar´e. Em suma, as TL(s) s˜ao apenas de dois tipos: • aquelas decorrentes da existˆencia de uma velocidade relativa entre os referenciais, chamadas

de “boosts”,

• as rota¸c˜oes no espa¸co 3-dimensional.

Para deduzirmos como s˜ao estas transforma¸c˜oes, devemos assumir as premissas da Teoria da Relatividade Especial, isto ´e, os dois postulados de Einstein. Assumiremos para facilitar que

• os dois referenciais K e K0 tenham seus eixos paralelos, ou seja, os eixos x, y e z s˜ao

paralelos aos eixos x0, y0 e z0, e que

• a velocidade relativa ~V somente tem componente na dire¸c˜ao x, ou ~V = (Vx≡ V, 0, 0).

Assim os eixos x e x0 coincidem e os eixos y e z permanecem paralelos aos eixos y0 e z0 res-pectivamente. Supondo-se que no instante inicial t = t0 = 0, os sistemas de coordenadas se superp˜oem e passar˜ao a se deslocar de forma que as coordenadas y e z em K e y0 e z0 em K0 n˜ao sofrer˜ao altera¸c˜oes6, isto ´e, temos y0 = y, z0 = z; al´em disto, estamos considerando em (8) somente as TL(s) homogˆeneas, aα= 0. As coordenadas x0 e t0 somente, sofrer˜ao transforma¸c˜oes que est˜ao detalhadas no Bloco Adicional a seguir.

1.7 Bloco Adicional 2.

Parte A: Transforma¸c˜oes

A linearidade das TL(s) (ou (8) com aα≡ 0) e a condi¸c˜ao de homogeneidade e isotropia do espa¸co-tempo, nos informam que (nestas contas iniciais tomaremos c = 1 para facilit´a-las, depois recolocaremos a constante c)7

x01 ≡ x0 = Λ11x + Λ10t , e (9)

x00 ≡ t0 = Λ01x + Λ00t . (10)

4Os aα(s) s˜ao os elementos respons´aveis pelas transla¸oes e os Λα

β(s) s˜ao os elementos respons´aveis pelas

rota¸c˜oes usuais do espa¸co 3-dimensional e pelas TL(s) referentes apenas `a existˆencia de uma velocidade relativa entre os referenciais, s˜ao chamados de “boosts” de Lorentz (cuidado que existem tamb´em os “boosts” de Galileu).

5

Ver no livro do Weinberg de Teoria de Campos [8], p.57, e tamb´em no seu livro de Gravita¸c˜ao [7] na p.28. Neste livro, ao escrever a f´ormula (2.1.1), na p.26, ainda n˜ao fala nas transforma¸c˜oes n˜ao-homogˆenas de Lorentz, e ao se referir `a f´ormula (2.1.1) diz “uma transforma¸c˜ao de Lorentz”, entretanto, mais adiante ele define bem claro que nas homogˆenas temos aα≡ 0, isto ´e, sem transla¸c˜oes.

6

Mais detalhes em [4], p.57.

7

Nestes c´alculos denominaremos x01≡ x0

e x00≡ t0

, bem como x1≡ x e x0≡ t, j´

a que s˜ao as ´unicas coordenadas que se transformar˜ao.

(14)

Chamaremos a origem de K de O e a origem de K0 de O0, ent˜ao as coordenadas das duas origens s˜ao x1(O) de K e x01(O0) de K0, logo, utilizando a simplifica¸c˜ao que fizemos podemos escrever

x1(O) ≡ x(O)= 0 , x01(O0) ≡ x0

(O0)= 0 .

Lembrando que os referenciais coincidem no instante inicial, isto ´e, t = t0 = 0, ent˜ao, no referencial K, ap´os transcorrido um tempo t, a origem de K0, que por defini¸c˜ao tem x0

(O0)= 0,

ter´a a sua coordenada x no referencial K, x(O0)= V t, assim por (9) temos

x0(00) = Λ11x + Λ10t , mas x(O0

)= V t ,

0 = Λ11(V t) + Λ10t ⇒ Λ10/Λ11 = −V, logo Λ10 = −Λ11V .

Simplificando a nota¸c˜ao com a defini¸c˜ao

Γ0 ≡ Λ1 1 ,

temos

x0 = Λ11(x − V t) ou finalmente, (11)

x0 = Γ0(x − V t) . (12)

Se o nosso ponto de vista mudar, isto ´e, se fizermos os c´alculos acima trocando K ⇔ K0, precisamos apenas lembrar que se o observador em K vˆe o referencial K0 passar com velocidade ~

V , o referencial K0 vˆe o referencial K passar com velocidade −~V , logo, por uma quest˜ao de simetria do problema, para a transforma¸c˜ao contr´aria, trocando

x0↔ x, t0 ↔ t ~V ↔ −~V , podemos escrever analogamente `a (12)

x = Γ(x0+ V t0) , (13)

onde Γ ´e um elemento correspondente ao Γ0, da matriz de Lorentz correspondente a esta trans-forma¸c˜ao .

Chegamos portanto a duas equa¸c˜oes para as transforma¸c˜oes: a primeira (12) que fornece a coordenada x0 do referencial K0 a partir das coordenadas (x, t) do referencial K; e a segunda (13) que fornece a coordenada x do referencial K a partir das coordenadas (x0, t0) do referencial K0, que em conjunto s˜ao

(

x0 = Γ0(x − V t)

x = Γ (x0+ V t0) , (14)

(15)

Parte B: Γ = Γ0

Pela uniformidade do espa¸co-tempo, as quantidades Γ0 e Γ somente dever˜ao depender da velocidade relativa entre os referenciais, ~V , e n˜ao dos pontos do espa¸co-tempo, pois se dependesse de cada ponto ter´ıamos uma n˜ao uniformidade do espa¸co-tempo.

Seja uma barra r´ıgida em repouso, localizada ao longo do eixo x, isto ´e, no referencial K. Chamamos de comprimento pr´oprio, l0, ao comprimento da barra no referencial onde est´a em

repouso, no caso ´e o referencial K. Logo seus extremos em K est˜ao o primeiro na origem O e o outro em x2, e como seu tamanho em K ´e l0, temos neste referencial K, x2 = l0.

Precisamos determinar as coordenadas da barra no referencial K0, o que ser´a feito utilizando-se as equa¸c˜oes (14). Suporemos que no in´ıcio da marca¸c˜ao do tempo os dois referenciais coincidem geometricamente, isto ´e, em t = t0 = 0 os dois referencias est˜ao superpostos. Desta maneira, no instante inicial a coordenada da origem de K0 ´e exatamente igual a coordenada da origem de K, ou seja pela primeira equa¸c˜ao de (14), temos que dadas as coordenadas da barra no instante t = t0 = 0, no referencial K, teremos suas coordenadas no referencial K0, dadas por (14), que s˜ao

x1= x01 = 0, e x02 = Γ0x2,

mas como chamamos x2 = l0, temos que x02 = Γ0l0. Assim, a barra que tem comprimento em

K igual a l0, ter´a seu comprimento “n˜ao pr´oprio”, o qual chamaremos no referencial K0 de l0,

igual a

l0 = x02− x01 = (l0Γ0) − 0 ⇒ l0= l0Γ0.

Imaginemos agora esta mesma barra est´a fixa no referencial K0, tamb´em ao longo do eixo x, e com um extremo na origem, logo, x01 = 0, e x02 = l0. Veja que se a barra ´e a mesma,

seu comprimento pr´oprio, l0, n˜ao mudou, somente que agora ele se refere ao referencial K0,

que onde ela est´a em repouso. Chamemos de l o seu comprimento visto por um observador no referencial “n˜ao pr´oprio”, que agora ´e o referencial K, e tamb´em no instante t0= t = 0. De acordo com a segunda equa¸c˜ao de (14), temos

x01= x1 = 0, e x2= Γ x02,

mas como agora x02= l0, temos que x2 = l0Γ, logo seu comprimento medido por um observador

em K, que vale l, ser´a

l = x2− x1 = (l0Γ) − 0 ⇒ l = l0Γ ,

portanto, se modificou por um fator Γ. Como os referenciais fisicamente s˜ao equivalentes, o comprimento pr´oprio l0 ao ser visto pelo observador no outro referencial (“n˜ao pr´oprio”) deve

ser igual,

(16)

A diferen¸ca entre K e K0 reside apenas no movimento relativo, pois um vˆe o outro com a velocidade no sentido oposto. Se o referencial K vˆe o referencial K0 com ~V , K0 vˆe o referencial K com −~V . Sendo assim, o fator Γ depende apenas da velocidade relativa entre os referenciais K e K0. Esta dependˆencia dever´a ser apenas em rela¸c˜ao ao valor absoluto de ~V , pois o sentido ´e algo relativo entre os referenciais, j´a o m´odulo, ´e algo absoluto, para ambos os referenciais o m´odulo da velocidade do outro ´e o mesmo.

(17)

Parte C: Determina¸c˜ao do Parˆametro Γ

Agora vejamos como podemos determinar o valor de Γ, onde retomaremos a constante c.

Nos falta determinar ainda o valor do fator Γ. Para isto suponhamos uma outra situa¸c˜ao, onde as origens dos dois referenciais coincidem exatamente em t = t0 = 0 e um sinal luminoso ´e emitido na origem comum. Considereremos ainda, um evento que ´e a chegada deste sinal, no instante t, para K, e em t0, para K0, no ponto x para K e em x0 para K0. Em K, este evento tem coordenada x = ct, e em K0 tem coordenada x0= ct0. Estas coordenadas est˜ao relacionadas por (14), que ao serem substitu´ıdas teremos

ct0 = Γ (ct − V t) , ct = Γ (ct0+ V t0) ,

que podem ser escritas

ct0 = Γ t(c − V ) ct = Γ t0(c + V ) .

Multiplicando estas duas equa¸c˜oes, termo a termo, e cancelando tt0, teremos

c2 = Γ2(c − V )(c + V ) Γ2 = c 2 (c − V )(c + V ) ⇒ Γ = ± s 1 (c2− V2)/c2 ,

que considerando a raiz positiva, temos

Γ = 1

(18)

Parte D: Transforma¸c˜ao t ←→ t0 Conforme vimos em (14) ou seja

(

x0 = Γ (x − V t) x = Γ (x0+ V t0) ,

Podemos agora escrever como se transforma t. Para isto na segunda equa¸c˜ao podemos fazer

x = Γ x0+ Γ V t0 , Γ V t0 = x − Γ x0 logo t0 = x − Γ x 0 Γ V como x0= Γ (x − V t) escrevemos t0 = x − Γ 2(x − V t) Γ V = x(1 − Γ2) ΓV + Γt (16) como 1 − Γ2 = − V 2 c2− V2

podemos simplificar (16) finalmente para

t0 = Γ(t − V c2x) .

Finalmente como

Γ ≡ 1

p1 − V2/c2 , (17)

temos agora as transforma¸c˜oes de Lorentz nas condi¸c˜oes que definimos entre K e K0,

(t, x) ↔ (t0, x0) ⇒              t0 = Γ(t − Vc2 x) x0 = Γ(x − V t) y0 = y z0 = z . (18)

(19)

Exerc´ıcio 3: Escreva a matriz Λβα das TL(s) para o caso que vimos no texto,

isto ´e, quando o movimento relativo entre os referenciais se d´a ao longo do eixo x e os demais eixos s˜ao paralelos entre si. Em seguida fa¸ca, atrav´es desta matriz, a transforma¸c˜ao xα⇒ x0α. Depois execute o mesmo processo para uma tranforma¸c˜ao semelhante, por´em agora o movimento se d´a ao longo dos eixos y e y0. Compare este resultado com aquele que deve ser obtido fazendo-se inicialmente a segunda transforma¸c˜ao (movimento ao longo dos eixos y e y0) e depois a primeira (movimento ao longo dos eixos x e x0).

Exerc´ıcio 4: No livro citado [5], estude o trabalho de Lorentz “Electromagnetic Phenomena in a System Moving With Any Velocity Less Than That of Light” (est´a na p´agina 11), e veja onde aparece a chamada “contra¸c˜ao de Lorentz”.

(20)

1.8 Dilata¸c˜ao do Tempo

As transforma¸c˜oes para o caso dos referenciais K e K0 estarem dispostos de forma que o des-locamento relativo seja apenas na dire¸c˜ao x,com os eixos todos paralelos, s˜ao as equa¸c˜oes (19), ou (t, x) ↔ (t0, x0) ⇒              t0 = Γ(t − Vc2 x) x0 = Γ(x − V t) y0 = y z0 = z ,

A partir destas f´ormulas podemos calcular para dois eventos 1 e 2 pr´oximos as quantidades ∆t0= t02− t01

∆x0 = x02− x01 ∆y0 = y02− y01 ∆z0 = z20 − z01

Antes de tudo, j´a vemos que ∆y0 = y2− y1= ∆y, assim como ∆z0= y2− y1 = ∆y, pois y0 = y

e z0= z. J´a para t e x temos ∆t0= t02− t01= Γ((t2− t1) − V c2(x2− x1)) ≡ Γ(∆t − V c2∆x) ∆x0 = x02− x01= Γ((x2− x1) − V (t2− t1)) ≡ Γ(∆x − V ∆t) .

Por estas f´ormulas vemos que se dois eventos E1 e E2 em K s˜ao tais que ∆x = 0, ou seja,

ocorrem num mesmo lugar, teremos

∆t0= Γ(∆t − V

c2∆x) =⇒ ∆t 0

= Γ ∆t ∆x0 = Γ(∆x − V ∆t) =⇒ ∆x0 = −ΓV ∆t ; substituindo nesta ´ultima equa¸c˜ao ∆t0 = Γ∆t, temos

∆x0 = −V ∆t0 .

O que se chama a dilata¸c˜ao do tempo ´e o efeito existente em ∆t0 = Γ∆t, pois como Γ = q 1 1−V 2

c2

, e V ≤ c, logo 1 < Γ < +∞, assim ∆t0≥ ∆t. O referencial K mede ∆t e o referencial K0, que se

move em rela¸c˜ao a K mede ∆t0, maior que ∆t. Este efeito ´e verificado experimentalmente em diferentes situa¸c˜oes.

Algumas conclus˜oes interessantes destes resultados s˜ao:

1. Dois eventos ocorrendo nem um mesmo ponto no referencial K, ou seja ∆x = 0, teremos ∆t0 = Γ∆t e

(21)

Veja que n˜ao ser˜ao localizados no mesmo ponto em K0, j´a que ∆x0depende de sua separa¸c˜ao temporal em K ou de ∆t.

2. Dois eventos simultˆaneos, ou seja, que ocorrem ao mesmo tempo em K, isto ´e, com ∆t = 0 ter˜ao ∆t0 = −ΓcV2∆x. Isto ´e, dependem da distˆancia espacial em K, pois o intervalo

temporal entre eles em K0 depende de ∆x. Podemos dizer, utilizando o que desenvolvemos no estudo das superf´ıcies de simultaneidade (na primeira parte deste curso), que dependem da separa¸c˜ao espacial, ∆x, destes eventos em K.

(22)

1.9 O Intervalo ds2

Dados dois pontos P1 e P2, no espa¸co usual, Galileano, o qual suporemos bidimensional para

simplificar, as coordenadas destes pontos em um referencial Galileano K, com coordenadas {x, y}, s˜ao respectivamente,

P1 → (x1, y1) ,

P2 → (x2, y2) .

Chamando de ~r12 a distˆancia entre P1 e P2, e seu valor absoluto |~r12| ≡ r12, podemos escrever

r212= (x2− x1)2+ (y2− y1)2 . (19)

Suporemos um outro observador, em um referencial galileano K0, com coordenadas {x0, y0} e tamb´em como na f´ısica Galileana, o tempo t de K ´e exatamente igual ao tempo t0 de K0, faremos t = t0. Sabendo-se que a velocidade relativa ~V , entre K e K0 ´e na dire¸c˜ao x, as transforma¸c˜oes de Galileu8 s˜ao

x01 = x1+ V t1 , x02 = x2+ V t1

y10 = y1 , y20 = y2 .

Levando-se estas transforma¸c˜oes no c´alculo do m´odulo da distˆancia entre P1 e P2, nos dois

referenciais, veremos que

r212= r0212.

Exerc´ıcio 5: Fa¸ca estas contas e mostre esta igualdade.

Esta invariˆancia n˜ao se mant´em na TRE. Supondo-se dois eventos E1 e E2no espa¸co-tempo.

Pode-se demonstrar que supondo-se as TL(s), o novo invariante, ´e a grandeza s12, chamada de

intervalo, ou separa¸c˜ao entre estes dois eventos. No espa¸co-tempo, com 3 dimens˜oes espaciais e uma temporal, a separa¸c˜ao9 entre os dois eventos ´e definida por

s212 ≡ c2(t2− t1)2+

− (x2− x1)2− (y2− y1)2− (z2− z1)2 . (20)

No caso de dois eventos E1 e E2 pr´oximos teremos

∆s212 = c2∆t2− ∆x2− ∆y2− ∆z2 . (21) No caso que estudamos de K e K0 terem exixos paralelos e a velocidade relativa ser apenas na dire¸c˜ao x, podemos provar facilmente a invariˆancia deste intervalo. Para tal devemos calcular

∆s0212 = c2∆t02− ∆x02− ∆y02− ∆z02. (22)

8Ver o texto sobre as “Transforma¸oes Especiais de Galileu” no contexto da Mecˆanica Quˆantica. 9Ver em [2]p.15 uma pormenoriza¸ao destas defini¸oes.

(23)

e mostrar que ´e igual a (21). Neste caso, ∆y = ∆y0 e ∆z = ∆z0, e conforme vimos anteriormente (

∆t0 = Γ(∆t − cV2∆x)

∆x0 = Γ(∆x − V ∆t) . que sendo levado em (22), teremos

∆s0212 = c2  Γ(∆t −V c2∆x) 2 −  Γ(∆x − V ∆t) 2 − ∆y02− ∆z02= = c2  Γ2(∆t)2− 2Γ2V c2∆t∆x + Γ 2V2 c4 (∆x) 2  + −  Γ2(∆x)2− 2Γ2V ∆x∆t + Γ2V2(∆t)2  − ∆y02− ∆z02= =  Γ2c2(∆t)2− 2Γ2c2V c2∆t∆x + Γ 2c2V2 c4 (∆x) 2  + −  Γ2(∆x)2− 2Γ2V ∆x∆t + Γ2V2(∆t)2  − ∆y02− ∆z02,

que pode ser simplificada para

∆s0212 = (c2Γ2− Γ2V2)(∆t)2− (Γ2−V 2Γ2 c2 )(∆x) 2 −∆y02− ∆z02= = Γ2(c2− V2)(∆t)2− Γ2(1 −V 2 c2 )(∆x) 2 −∆y02− ∆z02, (23)

e agora lembrando que para Γ temos

Γ2=  1 q 1 −Vc22 2 = c2−V1 2 c2 = c 2 c2− V2 , logo Γ2(c2− V2) = c2 , (24)

ent˜ao (23 ) pode ser facilmente simplificada para

∆s0212 = c2(∆t)2− (∆x)2− ∆y02− ∆z02,

e assim, finalmente obtemos

(24)

Para dois eventos infinitesimalmente pr´oximos, escreve-se que seu intervalo, ou seja, sua “distˆancia” espa¸co-temporal ´e

ds2 ≡ c2dt2− dx2− dy2− dz2= (ds0)2 (25)

Note que no intervalo (25), o primeiro termo c2dt2, ´e exatamente a velocidade da luz vˆezes o intervalo infinitesimal de tempo para um determinado observador que mede o tempo t. Podemos ver sob outro ponto de vista a igualdade ente os intervalos nos referenciais K e K0, para isto, sejam dois eventos infinitesimalmente pr´oximos que representem a sa´ıda e a recep¸c˜ao de um sinal luminoso. O intervalo infinitesimal entre estes dois eventos ser´a igual a

ds2 = c2dt2− dx2− dy2− dz2 = 0 (26)

≡ c2dt2− dl2= 0 , (27)

e este valor nulo ´e o mesmo para outro qualquer sistema de coordenadas {x0µ}, e temos

ds0 2 = ds2 ,

pois ds ´e um invariante perante as TL(s) (ver [2] p.17).

Exerc´ıcio 6: Utilizando apenas 3 coordenadas, {t, x, y}, e a mesma velocidade relativa que utilizamos anteriormente, ou seja, na dire¸c˜ao x, e as mesmas condi¸c˜oes de movimento relativo. Mostre que ds2 para o referencial K, ´e igual a ds0 2 para o outro referencial de Lorentz K0.

Na nota¸c˜ao (6) e (7), podemos escrever

ds2 = (dx0)2− (dx1)2− (dx2)2− (dx3)2 (28) ≡ 3 X µ=0 3 X ν=0 ηµνdxµdxν = 3 X µ,ν=0 ηµνdxµdxν , (29) onde η = (ηµν) ≡        1 0 0 0 0 −1 0 0 0 0 −1 0 0 0 0 −1        . (30)

Podemos ainda simplificar esta f´ormulas utilizando a conven¸c˜ao de Einstein, onde ´ındices repe-tidos, um em cima e outro embaixo, significam que estes ´ındices devem ser somados sobre todos os valores do espa¸co-tempo. Com esta conven¸c˜ao, teremos

ds2 =

3

X

µ,ν=0

(25)

A matriz η = (ηµν), com seus 4 × 4 = 16 elementos, ´e chamada tensor m´etrico, tensor de

Minkowski, ou simplesmente m´etrica. No espa¸co-tempo de Minkowski, e em coordenadas car-tesianas, {x, y, z}, ´e um tensor diagonal, somente com os elementos n˜ao nulos η00 = +1, η11 =

η22= η33= −1. J´a as quantidades dxµtˆem aqui a interpreta¸c˜ao de deslocamentos infinitesimais

e ser˜ao estudadas mais detalhadamente no decorrer do curso.

Podemos escrever a multiplica¸c˜ao matricial correspondente a (31) como

ds2 ⇒ (dxµ)L(ηµν)M (dxν)C (32)

onde os ´ındices L, M, C, significam respectivamente as matrizes do tipo L = linha, M = matriz usual (4 x 4) e C = coluna, com a multiplica¸c˜ao matricial sendo feita na ordem em que est˜ao escritas as matrizes, ou ds2≡ dx0 dx1 dx2 dx3         1 0 0 0 0 −1 0 0 0 0 −1 0 0 0 0 −1               dx0 dx1 dx2 dx3        . (33)

(26)

Exerc´ıcio 7: Para uma part´ıcula, na ausˆencia de campos eletromagn´eticos, a conex˜ao relativista entre o momentum ~p e sua velocidade ~v ´e

~ p = E

c2 ~v ,

onde E ´e sua energia total e c ´e a velocidade da luz. A mecˆanica Hamiltoniana nos informa que

~v = ∂E ∂~p . 1. A partir destas rela¸c˜oes deduza que

E2= c2p2+ constante.

2. Considerando que a menor energia ´e m0c2, para o caso de momentum nulo, sendo m0 a

“massa de repouso”, deduza que

E = m0c

2

p1 − v2/c2 , ~p =

m0~v

(27)

2

Aplica¸

oes da Relatividade Especial

Veremos uma interessante quest˜ao que ´e bastante importante no contexto astronˆomico e cos-mol´ogico.

2.1 Efeito Doppler

Veremos o efeito Doppler relativista e logo em seguida o chamado “efeito Doppler gravitacional”, ou “dilata¸c˜ao do tempo gravitacional”.

• Come¸caremos o estudo do “red shift” estudando o efeito Doppler. Chamando-se o tempo para a oscila¸c˜ao completa (ou per´ıodo) de uma onda luminosa emitida por uma fonte F de ∆T , o comprimento de onda emitido ´e λ = c ∆T , onde c ´e o m´odulo da velocidade da luz. Se a fonte F se desloca10 em rela¸c˜ao a origem O0, de um observador inercial K0, com velocidade ~u de m´odulo u, ao intervalo de tempo pr´oprio da fonte ∆T , corresponder´a, no referencial K0, um outro intervalo igual a Γ∆T , onde

Γ ≡ q 1 1 −uc22

.

O per´ıodo ∆T ´e, por defini¸c˜ao, o intervalo entre dois m´aximos sucessivos da onda na fonte F , que para K0 chamaremos de ∆ T0. Para calcularmos o per´ıodo ∆ T0 em K0, notamos que

1. devido ao deslocamento com velocidade ~u da fonte em rela¸c˜ao a K0, o intervalo de tempo pr´oprio ∆T ´e dilatado e passa a ser Γ∆T no referencial K0. Entretanto, temos que contabilizar tamb´em que, enquanto transcorre o intervalo de tempo Γ∆T em K0, a fonte F se deslocou para K0 uma distˆancia igual a este intervalo vˆezes sua velocidade de deslocamento u, ou seja (Γ∆T )u, distˆancia esta que tamb´em ter´a que ser percorrida pela luz para poder atingir a origem O0 do observador em K0;

2. consequentemente, o tempo que levar´a K0 para receber dois m´aximos sucessivos, ou seja o per´ıodo da onda em K0, n˜ao ´e somente igual ao intervalo de tempo ∆T vˆezes o fator de Lorentz Γ. Devemos tamb´em somar o intervalo de tempo que a luz leva para percorrer a distˆancia (Γ∆T )u que a fonte se deslocou no referencial K0, isto ´e, esta distˆancia dividida pela velocida da luz, ou (Γ∆T u)/c.

Assim, o per´ıodo da onda luminosa, ou o intervalo entre dois m´aximos da onda, ser´a para o observador K0, ∆T0 = Γ∆T + Γ∆T · u c = Γ∆T  1 +u c  =⇒ ∆T 0 ∆T = Γ  1 +u c  . 10

Faremos uma descri¸c˜ao simples deste deslocamento (ver em [27] p. 55), o qual ser´a descrito por uma ´unica componente da velocidade. Outros casos podem ser estudados em detalhes na referˆencia [4].

(28)

Como sabemos, para a fonte F , ∆T = λ/c, e para K0, λ0 = c ∆T0, ou ∆T0 = λ0/c, ent˜ao λ0 λ = ∆T0 ∆T = Γ  1 +u c  = s 1 +uc 1 −uc = r c + u c − u ,

que s˜ao as f´ormulas do efeito Doppler relativista. Estas f´ormulas11fornecem tanto o comprimento de onda quanto o per´ıodo de uma fonte luminosa quando vistos por um observador inercial em rela¸c˜ao ao qual esta fonte se move com velocidade u.

Aqui ´e bom relembrar que

i. n˜ao devemos confundir a dilata¸c˜ao (ou contra¸c˜ao) do tempo,

dt0 = ∆t(1 − ~v2)−1/2,

com o efeito Doppler. Neste efeito, conforme vimos, temos que levar em considera¸c˜ao n˜ao somente as rela¸c˜oes entre o intervalo dt e dt0, mas tamb´em, que a fonte, ou seja, o rel´ogio, se deslocou em dire¸c˜ao ao observador |~v|dt0;

ii. no espectro eletromagn´etico, o comprimento de onda cresce da faixa dos raios-γ (10−11cm) para as ondas de r´adio (10cm), consequentemente, na sua parte vis´ıvel, o com-primento de onda tamb´em cresce da cor violeta (455nm) para a cor vermelha (750nm). Logo, o que se chama “afastamento para o vermelho” (ou “red shift”) significa um aumento do comprimento de onda, e um “afastamento para o azul” (ou “blue shift”) significa uma diminui¸c˜ao do comprimento de onda. Para simplificar, chamaremos o fenˆomeno generi-camente de “red shift”, n˜ao importando para qual regi˜ao do espectro o comprimento de onda variou.

11Aqui supomos o caso mais simples onde n˜ao h´a componentes transversais da velocidade. No efeito Doppler

transverso, a fonte se move em dire¸c˜ao ortogonal ao trajeto do raio luminoso. Na referˆencia [4] podemos estudar este caso em detalhes, ou em outros livros de Relatividade. Neste caso teremos que fazer mais umas contas, por´em o desenvolvimento ´e an´alogo. H´a ainda outros casos mais complexos, por exemplo o chamado efeito Doppler anˆomalo (ver tamb´em em [4]).

(29)

2.2 Deslocamento Para o Vermelho ou “Red Shift” Gravitacional

A f´ormula do “red shift” gravitacional pode ser deduzida de diferentes maneiras. Pode-se ser atrav´es da aplica¸c˜ao do Princ´ıpio de Equivalˆencia, ou pela metodologia da cinem´atica relativista. Optaremos por uma outra maneira bem simples (ver em [25] p. 138.) utilizando somente princ´ıpios de conserva¸c˜ao de energia relativista.

Para uma part´ıcula livre com massa de repouso m0 e momentum ~p, sua energia ´e

+c q

|~p|2+ m2 0c2 ,

logo, no caso do f´oton onde m0 = 0, teremos

E = |~p|c = hν .

Como a massa de uma part´ıcula ´e igual a sua energia dividida por c2 (pois a f´ormula geral ´e E = mc2), para o f´oton onde E = hν, temos a sua quantidade que desempenha um papel equivalente `a massa e ´e 0 m0 ⇔ E c2 = hν c2 = |~p|c c2 = |~p| c .

Sendo assim, em um potencial ϕ, a energia do f´oton associada puramente a este potencial gravitacional ´e o seu equivalente de massa vˆezes o potencial gravitacional, ou

(0m0) ϕ = |~p| c ϕ

o que significa, finalmente, que a energia de um f´oton neste potencial ser´a dada pela soma

|~p|c +|~p|

c ϕ = |~p|c (1 + ϕ c2) .

Para o potencial gravitacional Newtoniano de uma massa M ,

ϕ = −GM r ,

a energia de um f´oton hν, com momentum ~p, ficar´a reduzida para

|~p|c (1 −GM c2r ) ,

que ´e o “red shift” gravitacional do f´oton. Nos sistemas de unidades com c = 1 (como encon-tramos em [28] ou em [29]) temos

|~p| (1 − GM r ) ,

e no caso de uma part´ıcula com massa m teremos (energia E = mc2, fazendo-se c = 1 temos E = m)

m (1 − GM r ) .

(30)

3

alculo Tensorial

3.1 Escalares e Vetores

Neste cap´ıtulo alguns t´opicos ser˜ao incorporados aos exerc´ıcios, pois ´e importante que os alunos adquiram pr´atica em trabalhar com o c´alculo tensorial.

Como usualmente fazem alguns autores12, denominaremos aqui objetos geom´etricos, as entidades matem´aticas que se transformam de uma maneira matematicamente definida ao fa-zermos uma transforma¸c˜ao arbitr´aria de coordenadas.

As quantidades f´ısicas s˜ao determinadas por um conjunto de valores num´ericos, por exemplo, a velocidade de uma part´ıcula que ´e determinada por suas componentes num dado sistema de coordenadas. O estudo de como estas componentes variam com a mudan¸ca do sistema de coordenadas leva ao conceito de tensor. Com este conceito, expressaremos as leis f´ısicas atrav´es de equa¸c˜oes tensoriais, as quais tˆem a mesma forma em qualquer sistema de coordenadas. Uma abordagem bastante intuitiva deste assunto come¸ca pelos conceitos de escalar e vetor (contrariante)13.

• Escalares. Um escalar ´e uma quantidade f´ısica determinada por um valor simples, independente do sistema de coordenadas utilizado. Como exemplos destas quantidades, no caso da f´ısica Newtoniana, temos a massa ou a carga de uma parti´ıcula, na Relatividade especial, temos a massa de repouso e a carga de uma part´ıcula.

• Vetor Contravariante Um exemplo simples de um vetor, no espa¸co Euclideano, ´e o deslocamento de um ponto A para um ponto P, ou seja o deslocamento AP. Se utilizarmos coordenadas cartesianas xiA para o ponto A e xiP para o ponto P, as componentes do vetor AP s˜ao xiP − xi

A, este caso ´e um caso especial, pois o espa¸co ´e o Euclideano e as coordenadas s˜ao

cartesianas. Ao utilizarmos coordenadas n˜ao-cartesianas, podemos definir apenas deslocamentos infinitesimais, que levam do ponto A, com coordenadas gen´ericas xµ, a um ponto vizinho B, com coordenadas xµ+ dxµ. As componentes deste vetor s˜ao as diferen¸cas entre as coordenadas de A e de B, ou seja dxµ. esta defini¸c˜ao j´a est´a numa forma gen´erica que serve para qualquer tipo de coordenadas e para qualquer espa¸co, inclusive que tenha um n´umero de dimens˜oes maior que 4.

Partindo-se do vetor infinitesimal AB com componentes dxµ, podemos construir um vetor finito vµ, definido no ponto A, da seguinte forma. Considere uma curva suave passando pelos pontos A e B. Esta curva sendo determinada por n fun¸c˜oes de um parˆametro escalar real λ,

xµ= fµ(λ).

12Ver um trabalho do Malcolm MacCallum de relatividade. Creio (depois confirmo) que ´e este: G. F. R. Ellis,

M.A.H. MacCallum, A class of homogeneous cosmological models, Comm. Math. Phys. V 12, P 108-141 (1969).

(31)

Se os pontos A e B correspondem aos valores λ e λ + dλ do parˆametro, ent˜ao o vetor tangente `

a curva14 em A tem componentes

vµ= dx

µ

dλ (1)

O deslocamento infinitesimal dxµ, ou equivalentemente15o vetor vµser´a utilizado como exemplo de um vetor contravariante.

Temos agora uma interessante quest˜ao para ser estudada: como mudam as componen-tes do vetor vµ ao mudarmos de coordenadas {xα} para coordenadas {xα0} ? Para

resolvermos esta quest˜ao lembremos que as novas coordenadas xα0 nos s˜ao fornecidas atrav´es de

uma transforma¸c˜ao xα → xα0 a qual ´e determinada por um conjunto de n equa¸oes da forma

xα0 = fα(xβ) α, β = 1, 2, ..., n . (2)

Podemos ent˜ao escrever16

dxα0 =X λ ∂xα0 ∂xλ dx λ = ∂xα 0 ∂xλ dx λ . (3)

17 Esta equa¸ao, (3), nos fornece as componentes do vetor contravariante dxα0

no sistema de coordenadas {xα0}, o qual tem componentes dxα no sistema de coordenadas {xα0}. Como

exemplo temos a transforma¸c˜ao de um vetor d~r de componentes puramente espaciais cartesianas (dx, dy, dz) em um vetor d~r0 em coordenadas esf´ericas com componentes (dr, dθ, dφ), isto ´e, {x, y, z} → {r, θ, φ} , e teremos dr = ∂r ∂xdx + ∂r ∂ydy + ∂r ∂zdz , dθ = ∂θ ∂xdx + ∂θ ∂ydy + ∂θ ∂zdz , (4) dφ = ∂φ ∂xdx + ∂φ ∂ydy + ∂φ ∂zdz . 14

Esta curva n˜ao precisa de ser uma geod´esica, ´e uma curva qualquer neste espa¸co curso (ou mesmo espa¸ co-tempo), pois a propor¸c˜ao em que os pontos A e B se tornam cada vez mais pr´oximos a curva se aproxima de uma “reta”. Lembremos que mesmo no espa¸co-tempo curvo temos v´arios tipos de curvas, por exemplo, a trajet´oria de um raio luminoso, a trajet´oria de um corpo em queda livre (que ser´a uma “geod´esica“), a trajet´oria de uma nave espacial, etc.

15Quando dizemos “o vetor vµ”, estamos nos referindo ao conjunto das n componentes v1, v2, · · ·, vn de um

certo vetor v, por´em ´e comum este abuso de linguagem, onde utilizamos vµtanto para nos referirmos a uma certa componente, onde o µ tem um valor espec´ıfico, quanto ao conjunto das componentes, onde µ pode ter qualquer um dos seus valores.

16Na conven¸ao da soma de Einstein, utilizaremos que um ´ındice superior no denominador equivale a um ´ındice

embaixo. A f´ormula que veremos adiante em (14) sugere esta nota¸c˜ao.

17Notemos ainda que para se chegar a esta f´ormula, que ´e do tipo dz = ∂f ∂xdx +

∂f

∂ydy, para z = f (x, y), podemos

(32)

Com estas f´ormulas podemos escrever a lei de transforma¸c˜ao para o um vetor contravariante vµ, por exemplo o vetor fornecido por (1). Observe que o parˆametro λ ´e um escalar, logo tem o mesmo valor em qualquer sistema de coordenadas que utilizemos, assim o diferencial dλ tem o mesmo valor no sistema x0 αe no sistema xα, portanto a lei de transforma¸c˜ao para vµ´e a mesma que obtivemos para dxα, ou

vα0 = ∂x

α0

∂xλv

λ . (5)

Podemos agora fornecer uma defini¸c˜ao geral de um vetor contravariante Aµ:

´

e uma quantidade com n componentes que dependem do sistema de coordenadas utilizado de tal forma que as componentes Aµ, no sistema xµ, est˜ao relacionadas com as componentes Aµ0, no sistema xµ0, por

Aµ0 = ∂x

µ0

∂xλ A

λ . (6)

18E importante notar ainda sobre estas equa¸´ oes de transforma¸c˜ao de coordenadas, (2) ou

(3), que para termos sistemas de coordenadas, tanto xµ, quanto xµ0, em um determinado ponto A, que sejam aceit´aveis, devemos ser capazes de resolver as equa¸c˜oes (3) para cada dxλ. Isto somente ser´a pos´ıvel se e somente se tivermos

det ∂x

α0

∂xλ 6= 0 . (7)

Quando esta condi¸c˜ao ´e satisfeita no ponto A, dizemos que a transforma¸c˜ao de coordenadas ´e regular em A.

18

Devemos aqui notar algo que apesar de n˜ao havermos estudado alguns requisitos para uma melhor compreens˜ao do fato a seguir, deixaremos a indica¸c˜ao para este problema: o 4-vetor momentum pµ, que escrevemos com ´ındice

embaixo e n˜ao em cima, porque o momentum ´e um vetor covariante e n˜ao contravariante. H´a raz˜oes concretas para a utiliza¸c˜ao de objeto covariante (que “vivem” no espa¸co-cotangente, e n˜ao no espa¸co tangente) para definir o momentum, veja, por exmplo o que fala o R. Geroch em “Geometrical Quantum Mechanics”: “In short, the tangent bundle seems ideal. Why, then, does one choose the cotangent bundle, the phase space, for the description of our system? The answer is not very satisfactory: because one has, on the cotangent bundle, the symplectic field. This field?this additional structure?seems to be necessary to write the equations which describe mechanics. We shall see that the symplectic field appears in almost every equation. There is nothing on the tangent bundle analogous to the symplectic field. The price one pays for the use of this field is a more tenuous connection between the mathematics and the actual physics. Suppose, for example, that we have an actual physical system, and that we have assigned to it some configuration space C. The system is set into action, and we are permitted to watch the system. We thus obtain a curve in configuration space. What is the momentum of this system at some instant of time? There is no definite way to tell (and, in fact, as we shall see later, there is some ambiguity in this assignment). In a sentence, the momentum of a system is a pure kinematical quantity. On the other hand, the cotangent bundle (phase space) has the same dimension as the tangent bundle. We replace a concrete thing, velocity, by a more abstract thing, momentum, in order to acquire the symplectic field for use in equations. What is unsatisfying is that it is not clear why Nature prefers additional structure over a direct physical interpretation.

(33)

• Vetor Covariante Veremos agora um outro tipo de transforma¸c˜ao diferente da que vimos acima. Para isto consideremos a transforma¸c˜ao de uma fun¸c˜ao escalar, que para simplificar suporemos que ´e fun¸c˜ao de apenas trˆes coordenadas espaciais xi → {r, θ, φ}, em uma fun¸c˜ao

escalar das coordenadas x0i → {x, y, z}. Para isto, seja a fun¸c˜ao escalar f (xi) ou f = f (r, θ, φ), que poder´a ser transformada em uma nova fun¸c˜ao escalar f0(xi0), f0 = f0(x, y, z), mas como ´e uma fun¸c˜ao escalar, f (xi) = f0(xi0). N˜ao avaliaremos nem a fun¸c˜ao f (r, θ, φ), nem a fun¸c˜ao f0(x, y, z), mas sim seus gradientes. Veremos como o gradiente ∂f /∂xi≡ {∂f /∂r, ∂f /∂θ, ∂f /∂φ} se transforma em ∂f /∂xi0 ≡ {∂f /∂x, ∂f /∂y, ∂f /∂z}. Da diferencia¸c˜ao parcial temos

∂f ∂x = ∂f ∂r ∂r ∂x + ∂f ∂θ ∂θ ∂x+ ∂f ∂φ ∂φ ∂x ∂f ∂y = ∂f ∂r ∂r ∂y + ∂f ∂θ ∂θ ∂y + ∂f ∂φ ∂φ ∂y (8) ∂f ∂z = ∂f ∂r ∂r ∂z + ∂f ∂θ ∂θ ∂z + ∂f ∂φ ∂φ ∂z . ´

E interessante agora comparar estas f´ormulas com (4), notando-se onde est´a a diferen¸ca entre as duas. Podemos generalizar para um n´umero n de coordenadas e escrever

∂f ∂xα = ∂f ∂xβ0 ∂xβ0 ∂xα = ∂xβ0 ∂xα ∂f ∂xβ0. (9)

Como a fun¸c˜ao f (xα) ´e arbitr´aria, podemos suprim´ı-la e escrever ∂ ∂xα = ∂xβ0 ∂xα ∂ ∂xβ0 , (10)

onde se trocarmos xa0 ⇔ xa, escreveremos

∂ ∂xα0 = ∂xβ ∂xα0 ∂ ∂xβ . (11)

de forma mais sint´etica podemos chamar ∂

∂xα0 ≡ ∂xα0 = ∂α0 , e (12)

∂xα ≡ ∂xα = ∂α . (13)

Baseados nestas quantidades que se transformam como o gradiente de uma fun¸c˜ao escalar, podemos definir um vetor covariante Aµ,

como uma uma quantidade com n componentes que dependem do sistema de coordenadas utilizado de tal forma que as componentes Aµ, no sistema xµ, est˜ao relacionadas com as

componentes Aµ0, no sistema xµ 0 , por19 Aµ0 = ∂x λ ∂xµ0 Aλ . (14)

19Note que esta f´ormula sugere que o ´ındice µ do denominador equivale ao ´ındice inferior de A µ0.

(34)

Uma importante rela¸c˜ao referente `as transforma¸c˜oes entre sistemas de coordenadas pode ser obtida a partir do fato que tanto as coordenadas {xα0}, quanto as coordenadas {xα} s˜ao por

defini¸c˜ao coordenadas independentes, portanto ∂xµ ∂xν = δ µ ν , (15) ∂xα0 ∂xβ0 = δα 0 β0 , (16)

logo podemos escrever

∂xµ0 ∂xα ∂xα ∂xλ0 = ∂xµ0 ∂xλ0 = δ µ0 λ0 (17) ∂xµ ∂xα0 ∂xα0 ∂xλ = ∂xµ ∂xλ = δ µ λ . (18)

Consequentemente notamos que AµBµ no sistema {xα

0 } ser´a Aµ0Bµ0 = X µ0 Aµ0Bµ0 = = X µ0  (X α ∂xµ0 ∂xα A α) (X β ∂xβ ∂xµ0 Bβ)  = = X µ0   X α β ∂xµ0 ∂xα ∂xβ ∂xµ0 AαBβ  = = X α β   X µ0 ∂xβ ∂xµ0 ∂xµ0 ∂xα A αB β  = X α β  ∂xβ ∂xα A αB β  = = X α β h δβαAαBβ i =X β AβBβ ≡ AβBβ , logo Aµ0Bµ0 = AβBβ . (19)

o que significa que somas do tipo (19) s˜ao escalares, tendo o mesmo valor em qualquer sistema de coordenadas, por isto AαB

α ´e chamado de produto escalar dos vetores Aα e Bα.

3.2 Ser´a que xµ ´e Tensor ?

Ao fazermos uma transforma¸c˜ao de coordenadas xµ⇔ xµ0, foram definidas fun¸c˜oes invers´ıveis

que levam xµ⇒ xµ0 e vice-versa. As regras da transforma¸ao que permitem estas mudan¸cas de

coordenadas s˜ao as fun¸c˜oes

xµ0(xα) e xβ(xµ0) . (20)

Esta regra de transforma¸c˜ao ´e geral e qualquer conjunto de fun¸c˜oes invers´ıveis do descritas por (20) contitui um conjunto de coordenadas poss´ıvel. Mas est´a bem evidente que esta regra ´e bem

(35)

diferente da regra que transforma vetores contravariantes, ou seja (6), isto ´e,

Bµ0 = ∂x

µ0

∂xλ B λ ;

esta regra depende das derivadas das coordenadas xµ0 ou xα, sendo assim, s˜ao regras diferentes, ent˜ao, perante transforma¸c˜oes gerais de coordenadas, xµn˜ao se transforma contravariantemente. Isto j´a sab´ıamos, pois os objetos decorrentes das fun¸c˜oes xµque se transformam de maneira con-travariante s˜ao os “deslocamentos” dxµ.

Sabemos que as transforma¸c˜oes de Lorentz de coordenadas {xα} para {xα0

} s˜ao xα0 = Λαµ0xµ, onde a matrix Λαµ0 n˜ao depende das vari´aveis xα0 ou xµ, logo na deriva¸c˜ao das coordenadas obteremos ∂xα0 ∂xµ = ∂(Λαρ0xρ) ∂xµ = Λ α0 ρ ∂xρ ∂xµ = Λ α0 ρ δµρ= Λα 0 µ . (21)

Que ´e um resultado que generaliza deriva¸c˜ao de fun¸c˜oes do tipo x0 = ax, onde a =const, onde ∂x0/∂x = a. Assim, temos um caso particular de uma transforma¸c˜ao linear de coordenadas do tipo

xµ0 = Cµβ0xβ , (22)

onde os Cµβ0(s) s˜ao os coeficientes lineares destas transforma¸c˜oes, como a matriz de coeficien-tes constancoeficien-tes das Transforma¸c˜oes de Lorentz, Λαµ0. Na lei de transforma¸c˜ao (22), temos o resultado an´alogo ao da matriz da Transforma¸c˜ao de Lorentz, isto ´e

β0 = Λµβ0 = ∂x

µ0

∂xβ ,

e (22) pode ser escrita como

xµ0 = ∂x µ0 ∂xβ x β = Cµ0 βx β = Λµ0 βx β .

Chegamos finalmente `a conclus˜ao que xλ ´e um vetor contravariante com respeito somente a qualquer tipo de transforma¸c˜ao linear de coordenadas, e particularmente com respeito `

as Transforma¸c˜oes de Lorentz (ver em [23] p.224). Sendo assim os objetos geom´etricos xµ ao

podem ser utilizados como objetos contravariantes para serem utilizados em transforma¸c˜oes gerais de coordenadas, como as transforma¸c˜oes da Teoria da Relatividade Geral.

3.3 Tensores

A partir do que vimos at´e agora a defini¸c˜ao de tensores de ordem superiores pode ser feita com facilidade. Um tensor contravariante de ordem 2 ´e uma quantidade Tµν com n2 componentes, onde os ´ındices µ, ν podem assumir independentemente os valores 1, 2, ..., n. estes ´ındices se

(36)

transformam de tal forma que dados por exemplo dois vetores arbitr´arios Aα e Bα, a soma

TµνAµBν ´e um escalar, ou seja

TµνAµBν = Tµ

0ν0

Aµ0Bν0

para qualquer transforma¸c˜ao xα ⇒ xα0

. Podemos ent˜ao definir semelhantemente um tensor covariante de ordem dois, Tµν, pela condi¸c˜ao que TµνAµBν seja um escalar, ou

TµνAµBν = Tµ0ν0Aµ 0

Bν0

para qualquer transforma¸c˜ao xα ⇒ xα0 e vetores arbitr´arios Aµ0 e Bν0. Pode-se ainda definir

um tensor misto de ordem dois Tµν pela exigˆencia

νAµBν = Tµ

0

ν0Aµ0Bν 0

novamente para qualquer transforma¸c˜ao xα⇒ xα0

e vetores arbitr´arios Aµ0 e Bν 0

.

As regras de transforma¸c˜ao para os tensores de ordem dois podem ser obtidas combinando-se as regras de transforma¸c˜ao que vimos para os vetores contravariantes e covariantes, isto ´e, (6) e (14), e obteremos Tµ0ν0 = ∂x µ0 ∂xα ∂xν0 ∂xβ T αβ , (23) Tµ0ν0 = ∂x α ∂xµ0 ∂xβ ∂xν0 Tαβ , (24) Tµ0ν0 = ∂x µ0 ∂xα ∂xβ ∂xν0 Tαβ . (25)

Definiremos um tensor misto

Mαβ ≡ δβα .

Sua lei de transforma¸c˜ao, por (25), ser´a

Mµ0ν0 = ∂x µ0 ∂xα ∂xβ ∂xν0 M α β = ∂xµ0 ∂xα ∂xβ ∂xν0 δ α β = (26) = ∂x µ0 ∂xα ∂xα ∂xν0 = ∂xµ0 ∂xν0 = δ µ0 ν0 (27)

o que significa que a delta de Kronecker δβα ´e um tensor misto que tem componentes que independem do sistema de coordenadas utilizado.

Da forma mais geral, dizemos que um tensor Tλ1λ2....

µ1µ2... ´e de ordem (p, q), onde p ≥ 0 ´e

o n´umero de ´ındices superiores, e q ≥ 0 ´e o n´umero de ´ındices inferiores. Vemos assim que um vetor contravariante ´e um tensor de ordem (1, 0) e um vetor covariante ´e um tensor de ordem (0, 1).

Exerc´ıcio 2.1 Prove que Tλλ ´e um escalar. Este escalar se chama tra¸co do tensor Tαβ.

(37)

Exerc´ıcio 2.2 Tensores de mesma ordem (p, q) podem ser adicionados, e sua soma ser´a um tensor da mesma ordem. Prove para o caso abaixo,

Aλ0 + Bλ0 = ∂x

λ0

∂xα (A

α+ Bα) .

Baseados neste exerc´ıcio vemos que Aα+ Bα ´e um vetor contravariante. Devemos lembrar que estas opera¸c˜oes somente podem ser feitas no caso de que as componentes do tensor s˜ao dadas no mesmo ponto do espa¸co, ou do espa¸co-tempo.

Exerc´ıcio 2.3 Utilizando-se a lei de transforma¸c˜ao (6) prove que um produto do tipo AλBγ

se transforma como Aλ0Bγ0 = ∂x λ0 ∂xα ∂xγ0 ∂xβA αBβ .

Chamamos de contra¸c˜ao `a opera¸c˜ao atrav´es da qual transformamos um tensor de ordem (p, q) em outro tensor de ordem inferior. Por exemplo, podemos transformar um tensor Tλµν,

cuja ordem ´e (2, 1) em um tensor de ordem (1, 0), isto ´e, decrescendo sua ordem de 1 unidade, pois (p = 2 − 1 = 1, q = 1 − 1 = 0). Em geral, um tensor (p, q) passa a ser, ap´os a contra¸c˜ao, (p − 1, q − 1). Esta opera¸c˜ao pode ser feita no caso de Tλµν, colocando-se µ = ν, e teremos

Tλµµ, que pela conven¸c˜ao de soma ´e PµTλµµ= Tλµµ, isto ´e, uma soma sobre o ´ındice µ.

Exerc´ıcio 2.4 Utilizando-se as leis de transforma¸c˜ao que vimos acima, ou seja

Tλ0µ0ν0 = ∂x λ0 ∂xα ∂xµ0 ∂xβ ∂xγ ∂xν0Tαβγ . Mostre que Tλ0µ0µ0 = ∂x λ0 ∂xα T αβ β .

Agora, veja a lei de transformac¸c˜ao de Tαββ, e diga que tipo de objeto ´e este, ou seja, ele se

transforma segundo que lei ?

Exerc´ıcio 2.5 Para o caso em que n = 4, um certo tensor Fµν, em um determinado sistema

de coordenadas {xα}, tem a propriedade de simetria F

µν = −Fµν. Pergunta-se qual ´e o n´umero

m´aximo de componentes independentes n˜ao nulas que este tensor pode ter ? Exerc´ıcio 2.6 Utilizando-se da f´ormula (23), mostre que se um tensor

Tµν =        T11 T12 ... T1n T21 T22 ... T2n ... ... ... ... Tn1 Tn2 ... Tnn        , (28)

´e sim´etrico nos seus ´ındices µν, ou seja Tµν = Tνµ no sistema de coordenadas {xα}, ent˜ao, ele

(38)

3.4 Simetrias

Se um tensor ´e tal que Tµν = Tνµ ele ´e dito ser sim´etrico, caso Tµν = −Tνµ ´e dito ser anti-sim´etrico.

´

E importante notar que podemos ter tensores totalmente contravariantes ou totalmente covariantes, sim´etricos, anti-sim´etricos ou sem qualquer propriedade de simetria, por´em, um tensor misto, por exemplo, Tµν pode ser sim´etrico em um sistema de coordenadas e n˜ao ser

em outro. Verifique que nestes casos, n˜ao se obt´em uma lei de transforma¸c˜ao que preserve a propriedade de simetria.

Um tensor contravariante ou covariante de ordem 2, gen´erico, pode ser escrito como a soma de um tensor sim´etrico e de um tensor anti-sim´etrico. Por exemplo, para um tensor de ordem 2 contravariante, temos

Tµν = Sµν + Aµν , onde (29)

Sµν = Sνµ =⇒ parte sim´etrica ,

Aµν = −Aµν =⇒ parte antisim´etrica .

Observe que podemos escrever

Tνµ= Sνµ+ Aνµ⇒ Tνµ= Sµν− Aµν , (30)

que somando membro a membro (29) com (30) obteremos Sµν =

1

2(Tµν+ Tνµ) ; subtraindo-se membro a membro (29) e (30)

Aµν=

1

2(Tµν− Tνµ) .

Sendo assim, sempre poderemos escrever um tensor covariante do tipo Tµν, atrav´es de duas

partes, uma sim´etrica (Sµν), e outra anti-sim´etrica (Aµν). Usa-se chamar a parte sim´etrica de

T(µν) e a parte anti-sim´etrica de T[µν]. Utiliza-se a nota¸c˜ao:

T(µν)=

1

2(Tµν+ Tνµ) = Sµν , T[µν]= 1

2(Tµν− Tνµ) = Aµν . (31) Um tensor sim´etrico, do tipo T(µν), tem um total de n2 componentes, destas, somente sua

diagonal principal tem n elementos. Logo, retirando-se os elementos da diagonal teremos n2− n elementos, entretanto, destes elementos (fora da diagonal) apenas a metade deles ´e independente, j´a que a outra metade pode ser obtida a partir dos restantes. Assim, este tensor ter´a estas componentes independentes (n2− n)/2, mais as componentes da diagonal principal, que s˜ao n. Seu n´umero total de componentes ´e portanto

n +n

2− n

2 =

n(n + 1)

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