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Renan Anderson de Oliveira 1

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Academic year: 2021

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RESENHA - DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da

educação. 4.ed. São Paulo: Nacional, 1979. Capítulo 04 : A educação como crescimento.

Renan Anderson de Oliveira1

No quarto capítulo da obra Democracia e educação Dewey apresenta A educação como crescimento, onde aborda o pressuposto de que a sociedade, quando dirige a atividade de seus membros mais novos, está determinando o seu próprio futuro.

Com isso, a natureza da sociedade atual depende da direção educacional que foi dada aos membros infantis no passado e, esta marcha cumulativa para resultados posteriores, é chamada por Dewey de crescimento.

Para que haja crescimento - diz Dewey no item Condições de crescimento - é necessária a presença da imaturidade. A imaturidade, porém, possui algo de positivo, não significa somente carência. A imaturidade representa a capacidade e aptidão para o desenvolvimento.

Desta forma a criança, para Dewey, não deve ser medida pela idade adulta, na ideia de que o crescimento possui como finalidade um “não desenvolvimento”, uma coisa que não cresce mais – a imaturidade encontra resistência entre os adultos e quando aceitam o tomam como uma perda e não como um sinal de superioridade.

Para o pensador americano, portanto, a imaturidade significa uma força ou aptidão positiva, a saber, a aptidão para desenvolver-se. Onde existe vida, existem também atividades ardentes, marcadas por dois traços significativos: a dependência e a plasticidade.

A dependência possui um caráter positivo, uma vez que ela é acompanhada da manifestação de aptidões. Tal fato fica evidente quando percebe-se que a criança ao nascer é incapaz de empenhar todas as qualidades que possui para lutar com o meio material, ela nada pode com o mundo material e, neste caso, os filhotes dos animais são muito superiores a este respeito.

Assim, a impotência completa no domínio do material sugere a existência de uma força compensadora. Os filhotes dos seres irracionais são forçados a desenvolverem habilidades físicas por não possuírem nenhuma habilidade social, já os infantes humanos conseguem sobreviver unicamente pela sua aptidão social.

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Renan Anderson de Oliveira é graduado em Filosofia pelo Instituto de Filosofia Berthier (IFIBE) de Passo Fundo. Acadêmico do curso de Licenciatura em Filosofia na Universidade de Passo Fundo (UPF). Mestrando em educação (Taxa capes) do Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade de Passo Fundo (UPF). Atualmente trabalha como monitor na Escola Municipal Padre José de Anchieta em Passo Fundo.

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As crianças são dotadas de um aparelho de primeira ordem para as relações sociais. Uma plasticidade e sensibilidade para vibrar em harmonia com as atitudes e atos das pessoas que vivem ao seu entorno. Não se trata de egoísmo por parte dos infantes, mas de intensidade e retidão com que se dirigem ao seu alvo.

Perante isso, Dewey ressalta que, sob o ponto de vista social, a dependência denota mais uma potencialidade do que uma fraqueza, subentendendo interdependência. Neste sentido, em se tratando de dependência, é mister compreender também que, por outro lado, existe sempre o perigo de que a crescente independência do indivíduo faça decrescer a sua capacidade social.

Já a plasticidade2 dos indivíduos é a sua capacidade para crescer. É algo profundo, ou seja, a aptidão de aprender com a experiência, reter dos fatos alguns dados para resolver situações posteriores. O poder de desenvolver atitudes mentais que modificarão seus atos posteriores, através da observância de acontecimentos passados. Sem isso seria impossível desenvolver hábitos.

Para Dewey, o ser humano nasce com um número maior de tendências instintivas (o que o obriga a aprender utilizá-las), assim como os animais, contudo, a criança possui uma vantagem em relação à perfeição inata dos instintos dos animais: a saber, a multidão de reações instintivas que podem ser feitas em tentativas sem fim. Isso traz a possibilidade de um contínuo progresso. Neste caso, Dewey antecipa um pensamento que nos é muito caro a educação atual: para ele, a ser humano adquire o hábito de aprender. Aprende a aprender3 (DEWEY, 1979, p.48).

A plasticidade, contudo, vai além do “ser” da plasticidade: a presença de seres dependente de nós é um estímulo à criação e à afeição. O cuidado com a prole também contribui enormemente para a transformação de coabitações em uniões permanentes e, influenciou também para o surgimento dos hábitos de vigilância afetuosa.

Desta forma, reforçando o que Dewey traz no decorrer deste capítulo, a complexidade da vida requer um prolongamento da infância para as crianças adquirirem as aptidões necessárias, de maneira que, o prolongamento da dependência significa um prolongamento da plasticidade para novas direções, por conseguinte, progresso social.

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O termo plasticidade pode aproximar-se muito do termo perfectibilidade de Rousseau – apresentado em seu

Segundo Discurso –, mais ainda do termo educabilidade, que representa a possibilidade do indivíduo deixar-se

moldar pelos seus semelhantes. 3

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Assim, em Hábitos como manifestações de crescimento, Dewey afirma que, se a plasticidade é progresso social, os hábitos tornam-se manifestação de crescimento. Mas o que seria um hábito? Um hábito é uma capacidade de fazer. Significa a capacidade de utilizar os meios naturais para o alcance de objetivos. É um domínio ativo sobre o ambiente por meio do comando dos nossos órgãos de ação.

Sabe-se que é comum a definição de educação como a aquisição dos hábitos indispensáveis à adaptação do indivíduo ao ambiente, porém, é necessário compreender aqui a adaptação no sentido ativo de assenhoreamento de meios para a realização de fins em vista. O hábito é, então, algo relativamente passivo: habituamo-nos as coisas que vivemos, à nossa roupa, ao clima e às pessoas que convivemos.

Desta forma, o hábito apresenta-se para nós através do fato de que nos acostumamos às coisas quando as usamos anteriormente. Por exemplo, quando surge uma situação nova para se adaptar, o primeiro impulso é de respostas nocivas, porém, com o tempo certos estímulos se relacionam proporcionando a adaptação e, esta adaptação é o fundamento sobre o qual ocorrerão outras adaptações especiais.

Vale-se disso o fato de nunca nos interessarmos em transformar todo o ambiente. Parte do ambiente em que vivemos é vista como fixa, necessitando uma adaptação passiva, dando apoio para a formação dos nossos hábitos ativos.

Portanto, a adaptação para Dewey é tanto a adaptação do meio à nossa atividade, como a de nossa atividade ao meio (DEWEY, 1979, p. 51). Uma tribo selvagem, por exemplo, ao viver em uma planície deserta procura ao máximo se adaptar à região. Porém, ao entrar em cena um povo civilizado, este introduz algumas de suas técnicas ao ambiente o que promove uma mudança considerável, novas adaptações, novas formas de transformação, os quais, por sua vez, vão impulsionar novos hábitos. Sendo que, o que mais importa nestes hábitos é o elemento intelectual que lhe garante uso variado e elástico, e, portanto, o seu crescimento.

De onde vem tais hábitos para Dewey? As aquisições de hábitos como apontamos acima, deve-se à plasticidade de nossa natureza. Porém, a atividade inquieta da idade infantil, o gosto pelos estímulos e novas experiências resvala para uma estabilidade de aversão às mudanças. Assim, corre-se o risco dos hábitos se reduzirem a rotineiros modos de proceder, tornando-se irreflexivos. Os maus hábitos são apartados da razão entrando em conflito com as conclusões das deliberações e decisões conscientes, tornam-se simples adaptações, prejudiciais a evolução e ao desenvolvimento dos indivíduos.

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Segundo Dewey, só pode deter esta tendência um ambiente que assegure o pleno funcionamento da inteligência no processo de contrair hábitos (DEWEY, 1979, p. 53), e, assim, ganha força a significação educacional no desenvolvimento dos indivíduos.

Para reforçar isso desenvolve o ultimo item do capítulo, A significação educacional do conceito do desenvolvimento, onde afirma: Educação é desenvolvimento! Eis a máxima a que Dewey quer chegar em seu texto.

Porque isso? Pois para ele “a conclusão essencial é que vida é desenvolvimento e que o desenvolver-se, o crescer é a vida” (p.53). Isto significa: “1º) que o processo educativo não tem outro fim além de si mesmo: ele é o seu próprio fim; e que, 2º) o processo educativo é um contínuo reorganizar, reconstruir, transformar” (DEWEY, 1979, p. 53).

O processo educativo tem fim em si mesmo dado que o desenvolvimento do indivíduo deve ser o próprio fim, em si, e não ter um fim externo. Os instintos naturais devem ser levados em conta no momento do desenvolvimento, como algo em si e não ser conduzidos para a uniformidade social.

Para recordar, Dewey critica três ideias equivocadas: o considerar a imaturidade uma simples deficiência, a adaptação um ajustamento estático a um ambiente fixo e o hábito como coisa rígida e mecânica.

No campo educacional, isto equivale a não tomar em conta as forças inatas dos educandos; não desenvolver o espírito de iniciativa para situações novas e terceiro, um injustificável exagero dos métodos mecânicos de ensino; por isso, Dewey acredita em um processo educativo como um contínuo reorganizar, reconstruir, transformar.

É importante frisar que o pensador americano a todo momento aponto para o fato de que a educação não cessa ao sair da escola, por isso, a escola deve ser capaz de desenvolver no educando condições de permanente desenvolvimento, ou seja, aprender com o processo de viver. Então educação significa a empresa de suprir as condições que asseguram o crescimento e o desenvolvimento independente da idade.

Portanto, os dois pontos essenciais da educação para Dewey são: “conservar o que lhe é natural e desprezar tudo o mais; conservar seu natural, mas reprimir as algazarras, travessuras e brinquedos abrutados; resguardar seu natural e armá-lo de conhecimentos de todas as direções para onde esse natural incide”. (p.56)

Em suma, Dewey apresenta o potencial da criança. Um potencial embasado na sua plasticidade. O educar é construir possibilidades para que a criança consiga tirar proveito das

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situações novas. As situações adversas da vida não necessariamente devem ser totalmente interiorizadas pelo educando, através de suas capacidades estas podem ser também transformadas. O desenvolvimento é a capacidade de adaptar a atividade a condições novas. Os hábitos ativos do desenvolvimento pressupõem a reflexão e iniciativa para lograr novos fins. O valor da educação está nesta capacidade de suscitar o desejo de desenvolvimento contínuo.

Referências

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