RELATÓRIO FINAL
ESTÁGIO
PROFISSIONALIZANTE
Pedro Gabriel Guerreiro Pacheco | 2013241
MESTRADO
INTEGRADO EM
MEDICINA
NOVA MEDICAL SCHOOL – FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICASUNIVERSIDADE
NOVA DE
LISBOA
Regente: Professor Doutor Rui Maio
Índice
I. Introdução ... 2
II. Objectivos ... 2
III. Estágio Profissionalizante ... 3
A. Medicina Geral e Familiar ... 3
B. Pediatria ... 3
C. Ginecologia e Obstetrícia ... 4
D. Saúde Mental ... 4
E. Medicina Interna ... 5
F. Cirurgia Geral ... 6
G. Estágio Clínico Opcional – Psiquiatria ... 6
IV. Reflexão Crítica ... 7
I. Introdução
Na NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas reconhece-se a importância do ensino teórico, mas também prático na formação médica, culminando no 6.º ano onde se combina o ensino pré-graduado com a prática da Medicina, de forma orientada e tutelada, mas com crescente autonomia. O estágio profissionalizante do 6.º ano é constituído por seis estágios parcelares em Medicina Interna, Cirurgia Geral, Saúde Mental, Pediatria, Medicina Geral e Familiar e Ginecologia e Obstetrícia.
Com o presente relatório pretendo descrever sumariamente as actividades desenvolvidas ao longo do ano, começando com os objectivos gerais seguidos de um resumo das atividades e objectivos específicos representativos de cada estágio, incluindo o estágio clínico opcional, e terminando com uma reflexão crítica onde farei uma avaliação retrospectiva sobre a globalidade do ano lectivo, do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) com uma análise crítica sobre o cumprimento dos objectivos propostos.
II. Objectivos
O MIM consiste numa formação médica pré-graduada, que tem como principal objectivo permitir que o futuro médico adquira bons fundamentos teóricos, aliados aos valores pessoais e boas atitudes profissionais, para que possa praticar a arte da medicina de forma humanista e ética, promover a saúde e prestar os melhores cuidados possíveis às comunidades em que estão inseridos.
Após leitura do consenso europeu de 2015 “Tomorrow´s Doctors – Outcomes for Graduates" e da lista dos objectivos do documento “O Licenciado Médico em Portugal”, tracei para este ano alguns objectivos transversais aos vários estágios parcelares. Numa vertente clínica, pretendia: ganhar confiança e prática autónoma crescente; consolidar e demonstrar os conhecimentos pré-clínicos e clínicos, melhorando a colheita de história clínica e respectivo exame objectivo, assim como a elaboração de hipóteses diagnósticas, propostas de tratamento e prognóstico, colmatando assim lacunas na abordagem dos doentes, mas sempre de forma a garantir que estes não fossem expostos a riscos desnecessários; consolidar, numa vertente interpessoal, aspectos da comunicação e interacção com os doentes, as suas famílias, e com outros profissionais de saúde.
III. Estágio Profissionalizante
O estágio profissionalizante teve início a 10 de Setembro de 2018 e terminou no dia 17 de Maio de 2019. Irei apresentar os objetivos específicos de cada um dos estágios e fazer uma breve descrição das atividades realizadas, por ordem cronológica.
A. Medicina Geral e Familiar (10/09/2018 – 04/10/2018)
Realizei o estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde (CS) de Serpa sob orientação da Dra. Mª Conceição Serpa Soares. Para este estágio estabeleci como objectivos específicos: compreender e melhorar os aspectos da relação médico-doente, da prevenção e promoção de saúde e identificação de situações com indicação para referenciação. Participei activamente nas consultas de Saúde de Adultos, Saúde Infantil e Juvenil, Diabetes, Hipertensão Arterial e Hipocoagulação, tendo assistido/realizado mais de 250 consultas, o que me possibilitou o contacto com diversas patologias nas diferentes faixas etárias. Assim, realizei anamnese, exame objectivo, requisição de MCDT e prescrição de fármacos, com orientação, tendo tido um grau crescente de autonomia e confiança. Participei ainda na consulta de Cessação Tabágica, onde pude observar a importância de estabelecer um compromisso e aprender técnicas para tentar diminuir o desejo de fumar, sendo estas ferramentas úteis independentemente da especialidade em que me encontre. No final do estágio, apresentei para a equipa do CS o artigo de revisão “Suplementação excessiva com ácido fólico durante a gravidez e desenvolvimento de asma na infância: uma revisão baseada na evidência.”
B. Pediatria (08/10/2018 – 02/11/2018)
Realizei estágio parcelar de Pediatria na Unidade de Infeciologia do Hospital Dona Estefânia, sob orientação da Dra. Flora Candeias. Para este estágio estabeleci como objectivos específicos: melhorar as técnicas de colheita de história clínica e realização de exame objectivo em idade pediátrica; identificação e tratamento das patologias pediátricas mais frequentes; estabelecer uma comunicação eficiente com a criança/adolescente e a sua família. O estágio decorreu, na sua maioria, na enfermaria, onde pude participar na recolha da anamnese junto das crianças e dos pais, realizar o exame objectivo, discussão de hipóteses diagnósticas e tratamento, além de elaborar notas de entrada e de alta. Observei um total de 21 crianças, com idades compreendidas entre os 13 dias e os 16 anos, sendo a infecção respiratória a patologia mais prevalente (n=4). Pude assistir a consultas externas de rastreio infecioso pré-terapêutica imunossupressora (CRIPTO), de Endocrinologia e de Imunoalergologia. O contacto com serviço de urgência foi um complemento para a familiarização com a patologia pediátrica aguda, obrigando a uma abordagem rápida e sistematizada através da realização de exame objetivo dirigido às queixas da criança ou adolescente. Observei 18 crianças, com idades compreendidas entre os 3 meses e os 17 anos, 10 das quais do sexo masculino, tendo sido a
gastroenterite aguda a patologia mais prevalente (n=5). Na última semana de estágio, no dia 30 de Outubro, realizou-se um Workshop de Urgências Pediátricas, organizado pelo Dr. Pedro Costa e pela Dra. Ana Mafalda Rebelo, onde foi possível simular 3 casos clínicos de patologias graves (Choque Séptico, Meningite Bacteriana e Choque Anafilático). Pude ainda assistir às reuniões de passagem dos doentes e a três sessões clínicas formativas. Apresentei uma história clínica sobre gastroenterite aguda e, juntamente com os meus colegas António Inácio, Gil Santos e Joaquim Borba, o tema “Lesão Cáustica do Esófago na Criança”.
C. Ginecologia e Obstetrícia (05/11/2018 – 30/11/2018)
Realizei o estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia na Maternidade Alfredo da Costa, sob orientação da Professora Doutora Teresinha Simões (Obstetrícia) e da Dra. Mª do Carmo Silva (Ginecologia). Para este estágio defini os seguintes objectivos específicos: consolidar conhecimentos sobre as patologias mais frequentes no âmbito da saúde da Mulher, assim como a sua abordagem e tratamento; melhorar a realização do exame ginecológico e procedimentos técnicos. Nas primeiras duas semanas do estágio, na vertente da Ginecologia, participei activamente nas consultas externas de Ginecologia, realizando o exame ginecológico e citologias, tendo assistido num total a 29 consultas de mulheres com idades compreendidas entre os 28 e os 77 anos, onde as patologias mais frequentes foram a Endometriose (n=6) e os Miomas Uterinos (n=6). Para além disso, frequentei as consultas de Uro-ginecologia, de Adolescentes e de Menopausa, assisti à realização de Ecografias Ginecológicas, de Histeroscopias e de Cirurgias Ginecológicas. Nas duas últimas semanas, no âmbito da Obstetrícia, assisti a Consultas de Gémeos e Infertilidade, passando ainda pela Medicina Materno-Fetal e pelo puerpério. Ao longo das quatro semanas frequentei também o Serviço de Urgência e o Bloco de Partos, pude treinar e aprimorar a colheita da anamnese e a realização do exame objetivo, de acordo com as patologias mais prováveis e estabelecer raciocínio diagnóstico e terapêutico, complementando os conhecimentos e trabalho desenvolvido nas restantes valências dos serviços pelos quais pude passar. No bloco de partos pude assistir à não só a todas as fases do trabalho de parto, como também à gestão da mulher no pós-parto imediato, tendo ainda sido 2.º ajudante numa cesariana. No final do estágio apresentei, juntamente as minhas colegas Bruna Silva e Joana Rodrigues, um seminário sobre o tema “Complicações no pós-parto – a propósito de um caso clínico”.
D. Saúde Mental (03/12/2019 – 11/01/2019)
Realizei o estágio parcelar de Saúde Mental no Hospital D. Estefânia, na Unidade de Primeira Infância (UPI), sob orientação da Dra. Rita Rapazote. Devido à especificidade desta Unidade (primeiras consultas para crianças dos 0-3 anos, podendo o seguimento continuar posteriormente) e o pouco contacto que tivera com a especialidade em anos prévios, os meus objectivos específicos para este estágio foram: colmatar lacunas e
aprender mais sobre as patologias mais prevalentes nesta faixa etária, tendo em conta o contexto social, familiar e a interação com os cuidadores, assim como a abordagem e o tratamento das mesmas. Durante o período de estágio pude assistir a várias consultas, tendo discutido com a minha tutora os vários casos, hipóteses diagnósticas, prescrição de fármacos e elaboração de planos de acção a curto e longo prazo. A consulta baseia-se no protocolo DIR®/Floortime™, que é um modelo de intervenção interactiva, que tem como objectivo envolver a criança numa relação afectiva. Assisti a um total de 18 consultas, onde a patologia mais frequentemente observada foi Perturbação do Espectro do Autismo (n=6), a idade média foi de 3 anos (1-6 A) e o género mais prevalente foi o masculino (2:1). Pude ainda realizar dois registos de interação, participar ativamente nas reuniões multidisciplinares da UPI e assistir à reunião interequipas dos profissionais do centro hospitalar.
E. Medicina Interna (21/01/2019 – 15/03/2019)
Realizei o estágio parcelar de Medicina Interna no Hospital dos Capuchos, no Serviço de Medicina 2.3, enfermaria de mulheres, integrando as actividades do meu tutor, Dr. Vítor Brotas e respectiva equipa. Como objectivos específicos para este estágio estabeleci: avaliar, diagnosticar e prescrever as medidas terapêuticas para as situações clínicas mais prevalentes; transmitir aos doentes, familiares e membros da equipa as situações clínicas. Durante as oito semanas de estágio, as minhas funções consistiram em acompanhar os doentes que me eram atribuídos, entre 1 a 2 por dia, realizando a sua observação diária e o registo do respectivo diário clínico, discutindo posteriormente com a equipa o estado clínico, evolução, terapêutica a instituir e prognóstico de cada caso, e apresentando-os na visita semanal na presença do Director de Serviço. Era ainda responsável por redigir as respectivas notas de entrada e alta. Observei 28 doentes, com idades compreendidas entre os 47 e os 101 anos, sendo as patologias mais frequentemente observadas as infecções do trato urinário (n=7) e as infecções respiratórias (n=7). Relativamente a procedimentos técnicos, realizei gasimetrias arteriais, punções venosas e ECGs. Semanalmente, frequentei o Serviço de Urgência do Hospital de S. José, acompanhando os elementos da equipa médica. Foi-me possível colaborar na condução da anamnese, discussão de hipóteses diagnósticas e prescrição terapêutica. Frequentei a consulta externa onde observei tanto primeiras consultas, como consultas de seguimento de doentes referenciados à consulta de Medicina Interna, sendo o maior enfoque nas doenças autoimunes. Assisti às sessões clínicas semanais, onde se apresentavam vários temas relevantes para a constante actualização médica. Realizei ainda uma história clínica de Trombose Venosa Profunda e apresentei um trabalho sobre “Interações Medicamentosas”.
F. Cirurgia Geral (18/03/2019 – 17/05/2019)
Realizei o estágio parcelar de Cirurgia Geral no Hospital Beatriz Ângelo, sob orientação do Dr. João Sousa Ramos. Das oito semanas de estágio, somente quatro estiveram destinadas a Cirurgia Geral, estando as restantes divididas por uma semana de sessões teóricas e teórico-práticas, uma semana passada no serviço de urgência e duas semanas numa especialidade opcional à escolha, no meu caso a Anestesiologia.
Os meus objetivos específicos para este estágio foram: compreender e reconhecer as principais patologias cirúrgicas, conhecer a sua abordagem, distinguindo as situações clínicas com indicação cirúrgica electiva e urgente, o seu tratamento e follow-up, adquirir e treinar competências a nível de pequena cirurgia.
Nas semanas de Cirurgia Geral, acompanhei o meu tutor e a sua respectiva equipa na enfermaria, dando especial atenção aos cuidados pré e pós-operatórios, tendo observado 22 doentes. Dos 52 doentes observados em consulta, 30 eram do sexo masculino, e as patologias mais prevalentes foram a colo-rectal (n=17), seguida da patologia herniária (n=10). No bloco operatório tive oportunidade de observar 19 cirurgias, tendo participado como segundo ajudante em 2 hernioplastias inguinais.
Na semana no Serviço de Urgência tive a oportunidade de desenvolver algumas competências cirúrgicas simples, nomeadamente suturas e drenagem de quistos simples. Nas semanas de Anestesiologia, além da indução anestésica, pude observar vários outros procedimentos, tais como bloqueio loco-regional, raquianestesia, colocação de acessos venosos centrais e linhas arteriais, bem como observar e realizar entubação oro-traqueal e colocação de máscara laríngea. No final do estágio teve lugar o Minicongresso de Cirurgia onde apresentei com as minhas colegas Ana Carolina Mateus e Joana Rodrigues o trabalho intitulado “You can run, but you can’t hide”, sobre hemorragia diverticular do intestino delgado.
G. Estágio Clínico Opcional – Psiquiatria (20/05/2019 – 31/05/2019)
Realizei o estágio opcional de Psiquiatria na Clínica 1, Unidade Partilhada (antigo SETA), do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, sob orientação da Dra. Rita Mateiro. A escolha deste estágio deveu-se essencialmente ao interesse particular que tenho na especialidade, querendo assim aprofundar os conhecimentos sobre a área, aumentar o contacto com os doentes com patologia psiquiátrica, melhorar as técnicas de entrevista clínica e aprender mais sobre terapêutica e intervenção. Este é um serviço que tem a particularidade de receber jovens entre os 15-25 anos, muitos deles sendo o primeiro episódio psiquiátrico.
No internamento participei na observação diárias dos doentes, entrevistas familiares e reuniões de serviço, onde estão presentes todos os membros da equipa multidisciplinar e se discute a evolução, intercorrências e projecto terapêutico individual de cada doente. Frequentei ainda a consulta externa de Psiquiatria Geral onde pude acompanhar o follow-up de doentes que se encontram estáveis e outros que necessitam de ajuste terapêutico.
IV.
Reflexão Crítica
Considero que cada estágio, no geral, contribuiu para a minha aprendizagem, desenvolvimento e melhoria das capacidades necessárias ao exercício da Medicina sob supervisão, conseguindo utilizar o conhecimento com eficácia para reconhecer, abordar e tratar as situações clínicas mais frequentes em cada contexto. Relativamente a cada estágio, o de Medicina Geral e Familiar decorreu numa região do interior do país, longe dos grandes centros, sem os mesmos recursos, onde pude contactar muitas vezes com a dificuldade e a demora na realização de exames complementares de diagnóstico e com as decisões terapêuticas baseadas nas limitações económicas dos utentes. Este estágio permitiu-me desenvolver e melhorar a minha capacidade de comunicação com os doentes, de modo a conseguir a sua compreensão, assim como a capacidade gestão da informação e a sua respectiva valorização (dados psicossociais, culturais e familiares), de modo a incluí-la no plano de seguimento. Para além disso, este estágio pôs à prova todas as minhas limitações ao nível de gestão do pouco tempo de consulta, mas deu-me a oportunidade de desenvolver a capacidade de criar empatia e estabelecer um certo grau de confiança com os doentes. Destaco como ponto mais fraco a Saúde Materna e Planeamento familiar, com as quais não foi possível um grande contacto, devido à falta de doentes destas áreas, tornando-se assim uma lacuna no meu currículo de estágio. Relativamente a Pediatria, o estágio veio relembrar conhecimentos e competências adquiridos nos anos anteriores. Destaco a importância deste estágio e a frequência do Serviço de Urgência, pois permitiu-me adquirir ferramentas para uma melhor abordagem das crianças e uma visão global das patologias pediátricas mais comuns, lacuna por mim identificada no estágio do ano anterior, que se focou quase exclusivamente na área da Reumatologia Pediátrica, o que impossibilitou o contacto com as outras valências da Pediatria. Um dos desafios foi contactar e comunicar com os cuidadores, tendo em conta que é necessário esclarecê-los sobre a situação clínica das crianças/adolescentes, mas que sem dúvida me permitiu melhorar os aspectos da comunicação e relação médico-família. Em relação a Ginecologia e Obstetrícia, apesar de ter sido um estágio essencialmente observacional, destaco a possibilidade de rever e adquirir alguns conceitos, além de melhorar a realização do exame ginecológico. Quanto a Saúde Mental, este foi um estágio maioritariamente observacional em ambiente de consulta, no entanto foi dos que mais excedeu as minhas expectativas, ao trazer uma nova visão sobre o que é patologia da relação e da comunicação, mostrar o quão importante é o ambiente social e familiar, e o quanto a sua disfunção pode afectar a saúde mental das crianças. Além disso pude perceber que a articulação com as demais unidades prestadoras de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde, e a organização centrada e multidisciplinar, numa faixa etária tão específica, é fundamental para o correto diagnóstico, adesão terapêutica e seguimento das diversas perturbações, sendo a intervenção precoce um grande modificador de prognóstico. Relativamente a Medicina Interna, foi o estágio mais longo, onde houve sem dúvida um acréscimo de responsabilidade e um desafio aos meus conhecimentos. Por isso mesmo, julgo ter sido dos que mais contribuiu para o meu processo de
aprendizagem, nomeadamente a nível de autonomia e resolução de problemas. Um dos desafios foi a selecção e transmissão da informação relevante de forma orientada nas visitas clínicas, mas considero que ao longo do estágio melhorei progressivamente na comunicação da situação clínica das doentes. Dado o carácter do serviço, pude também contactar com situações de fim de vida, que me permitiram perceber a necessidade de garantir o conforto destes doentes, tendo sido outro desafio a comunicação com as suas famílias e a gestão de expectativas. O estágio de Cirurgia Geral permitiu-me rever, adquirir e aplicar conhecimentos, e a integração na prática clínica diária possibilitou um contacto próximo com a Cirurgia, procedimentos e patologias mais comuns. Penso que o desenvolvimento de algumas competências cirúrgicas simples, tendo participado em algumas cirurgias tornaram o estágio ainda mais interessante e proveitoso. Como ponto mais fraco destaco o rácio entre alunos e tutor 3:1, dado que nas equipas em que ambos os cirurgiões têm alunos, torna-se impraticável a frequência do bloco operatório, dificultando o cumprimento dos objectivos previamente definidos. Considero também que a passagem pelo Serviço de Urgência na maioria do estágios é uma mais-valia, pois permite, de forma tutelada, a avaliação dos doentes, o raciocínio clínico, adquirindo assim experiência na distinção dos doentes que requerem uma intervenção imediata ou internamento dos que podem ser tratados em ambulatório. Por fim, saliento que o estágio clínico opcional de Psiquiatria foi uma mais-valia, pois permitiu-me contactar novamente com uma área de interesse clínico e que, apesar da sua curta duração, suscitou ainda mais interesse e motivação para a escolha como especialidade.
Saliento os cursos, palestras e conferências que assisti, representando áreas clínica que considerei importantes para consolidar conhecimentos e colmatar lacunas, e áreas extra-clínicas que achei relevantes. Findado o 6.º ano, sinto uma enorme realização e satisfação pelo crescimento pessoal e clínico que tive. Creio que atingi na sua maioria os objectivos propostos, sempre com consciência das minhas limitações, mas com desejo de aprender e melhorar continuamente, quer em termos de competências teóricas e práticas, quer na área da comunicação e relação interpessoal com os profissionais de saúde e familiares, características essas que considero ser essenciais à boa prática de qualquer médico ou outro profissional de saúde.
Ao olhar para trás, consigo perceber que a organização curricular do MIM proporcionou um contacto precoce com a prática clínica, o que permitiu a aquisição progressiva de competências clínicas, interpessoais e de comunicação, sendo de destacar o rácio tutor-aluno de 1:1 na maioria dos estágios, como uma mais-valia na formação médica pré-graduada.
Quero por fim, expressar a minha gratidão a esta Muy Nobre Faculdade, a todos os Professores, Assistentes, Tutores e Funcionários que dela fazem parte, aos meus Amigos e Familiares por me terem acompanhado neste percurso, partindo com o sentimento de sonho e objectivo concretizados!
V.
Anexos
a) Certificado de participação no 1º do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca
b) Certificado de participação na conferência “Portugal eHealth Summit 2019” – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E.P.E.
c) Certificado de participação na palestra “NeuroDay” – Associação de Estudantes da NOVA Medical School (AEFCM)
e) Certificado de participação na palestra “O sexo do cérebro – Bases neurobiológicas da sexualidade humana” – AEFCM