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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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1 ANA CATARINA RAPOSO PEREIRA | 2014157

NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas Regente: Professor Doutor Rui Maio

RELATÓRIO

FINAL

ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE

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Agradeço à minha família e amigos pelo

apoio e incentivo incansável e por nunca me

terem deixado desistir dos meus sonhos.

A todos os profissionais de saúde, tutores e

professores que se cruzaram o meu caminho,

pela sua dedicação e com quem tanto aprendi.

Aos meus colegas de curso que nunca me

deixaram percorrer esta jornada sozinha.

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ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS ... 5

2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 6

2.1 ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA (09/09 A 01/11/2019) ... 6

2.2 ESTÁGIO PARCELAR DE CIRURGIA (04/11/2019 A 10/01/2020) ... 7

2.3 ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR (20/01 A 14/02/2020) ... 8

2.4 ESTÁGIO PARCELAR DE PEDIATRIA (17/02 A 13/03/2020) ... 8

2.5 ESTÁGIO PARCELAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (16/03 A 17/04/2020) ... 9

2.6 ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL (20/04 A 15/05/2020) ... 10

3. REFLEXÃO E ANALÍSE CRÍTICA ... 10

4. ANEXOS ... 13

I – CRONOGRAMA ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE ... 13

II – TRABALHOS APRESENTADOS ... 14

III – FORMAÇÕES E CONFERÊNCIAS (ANO LETIVO 2019/20) ... 15

IV – PROGRAMAS DE MOBILIDADE ... 23

V – ESTÁGIOS EXTRACURRICULARES ... 27

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“Hoje, quando defendemos que a melhor forma de

aprendizagem consiste em teorizar a prática e em trabalhar em

equipa com hierarquia técnica, estamos a repetir experiências bem

sucedidas no passado. (…) Desde a Idade Média que a fase de treino

profissional é tutorada, até existir prática suficiente que permita ao

formando ser responsável pelos seus atos.”

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1. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

Há vários séculos que se acredita que a observação direta dos doentes constitui uma das melhores formas de aprendizagem e ensino em medicina. Atualmente, com os grandes avanços da medicina e da tecnologia, a prática clínica ainda tem um grande peso na formação do futuro médico, aliado agora a outras aptidões, imprescindíveis para a prática da medicina, como competências informáticas, por exemplo. Assim, faz todo o sentido que o último ano do Mestrado Integrado em Medicina da Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas, seja constituído essencialmente pelo estágio profissionalizante, assente na prática clínica tutorada e orientada em meio hospitalar e nos cuidados de saúde primários. Marca assim um período de transição entre a formação pré-graduada e pós-graduada, sendo constituído por seis estágios parcelares em áreas fundamentais da medicina (Medicina, Cirurgia, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia e Saúde Mental).

A obra “O Licenciado Médico em Portugal”, afirma que “A finalidade da educação médica pré-graduada é ajudar o estudante médico a adquirir uma base de conhecimentos sólida e coerente, associada a um adequado conjunto de valores, atitudes e aptidões que lhe permita tornar-se um médico fortemente empenhado nas bases científicas da arte da Medicina, nos princípios éticos na abordagem humanística que constituiu o fundamento da prática clínica.”. Tendo em consideração as competências esperadas de um médico recém-licenciado, as minhas expectativas para este ano letivo e de forma a ultrapassar algumas dificuldades, que identifiquei ao longo da minha formação, estabeleci os seguintes

objetivos: 1) Aquisição e consolidação de conhecimentos adquiridos em anos anteriores, integrando-os

e aplicando-os de forma correta na prática clínica, na análise e solução dos problemas clínicos mais comuns; 2) Desenvolver capacidade de abordagem sistematizada dos doentes e raciocínio clínico, recorrendo à colheita de uma anamnese estruturada e exame objetivo detalhado, sendo capaz de diagnóstico diferencial, propor uma marcha diagnóstica e plano terapêutico mais adequado; 3) Estimular o meu sentido crítico e de autocrítica, reconhecendo as minhas limitações e assumindo um sentido de responsabilidade crescente; 4) Melhorar a capacidade de comunicação com os doentes e os seus

familiares, adotando uma abordagem biopsicossocial e valorizando as suas preocupações, expectativas e princípios éticos; 5) Integração e participação nas atividades diárias dos serviços de saúde, melhorando a comunicação com outros profissionais de saúde e trabalho em equipa.

Posto isto, este relatório pretende descrever de forma sucinta as atividades mais relevantes desenvolvidas durante os estágios parcelares. De forma a tornar este relatório mais completo e

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representativo, não só deste ano letivo, mas também do meu percurso académico, encontram-se em anexo os certificados referentes às atividades extracurriculares que considerei mais importantes e valorativas para a minha formação. Termino com uma reflexão e análise crítica sobre as atividades desenvolvidas e concretização dos objetivos propostos.

2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

2.1 ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA (09/09 A 01/11/2019)

O estágio de Medicina decorreu no Serviço de Medicina – Unidade funcional IV, no Hospital São

Francisco Xavier, sob orientação da Dra. Alice Sousa. Para além de pretender uma aquisição,

consolidação e aplicação dos conhecimentos teóricos e práticos já adquiridos nos anos anteriores, delineei para este estágio alguns objetivos mais específicos: 1) Participação ativa nas atividades clínicas, com responsabilidade progressiva; 2) Melhor capacidade de síntese das informações clínicas mais pertinentes e transmissão das mesmas de forma clara; 3) Integração e capacidade de trabalho em equipa;

4) Desenvolvimento de capacidade de hierarquização de problemas e estratificação de prioridades; 5)

Treino de exame objetivo e forma mais dirigida à sintomatologia apresentada pelo doente.

A maior parte do tempo deste estágio foi passado na Enfermaria, onde fiquei responsável pela observação e avaliação de 1 a 2 doentes por dia, elaboração dos respetivos diários clínicos e notas de alta, requisição e interpretação de exames complementares de diagnóstico, formulação de hipóteses de diagnóstico e elaboração do plano terapêutico, discutidos posteriormente com a equipa médica. No total observei 20 doentes, com idades compreendidas entre os 50 e os 96 anos (média 75,2). Uma percentagem significativa dos doentes que observei, apresentavam como diagnóstico principal doenças do foro cardiovascular e respiratório, de diversas etiologias. Para além disso, muitos destes doentes apresentavam várias comorbilidades, para além da patologia principal pela qual estavam internados, o que tornava mais desafiante a sua gestão e abordagem. Ainda em contexto de internamento, realizei de forma periódica punções venosas e arteriais.

Durante este estágio, assisti a várias Consultas Externas de Doenças Autoimunes e Diabetes

Gestacional, com outros elementos do serviço. Estas são áreas de Medicina Interna com as quais temos

menos contacto ao longo do estágio, pelo que considero terem sido uma mais-valia.

O Serviço de Urgência constituiu um local privilegiado na observação e abordagem de uma grande diversidade de patologias agudas, com diferentes graus de gravidade, em diferentes faixas etárias.

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Acompanhei semanalmente alguns elementos da equipa médica no Serviço de Urgência do Hospital São Francisco Xavier, onde me foi dada a oportunidade de realizar a abordagem inicial de alguns doentes. Por ter passado pelas várias valências do Serviço de Urgência (balcão, serviço de observação e sala de Reanimação) compreendi melhor o funcionamento e organização deste serviço.

Em relação às atividades formativas, assisti a 11 sessões de formação, organizadas e apresentadas pelos médicos internos e por entidades externas. Nas duas últimas sessões tiveram lugar as apresentações de casos clínicos sobre “Diagnósticos esquecidos” pelos alunos do 6º ano. O caso clínico que apresentei estava relacionada com Doença de Still, sobre a qual fiz uma revisão teórica posteriormente à apresentação do caso clínico. Foram ainda promovidas 9 sessões teórico-práticas, organizadas pelos médicos internos e médicos assistentes, e 2 workshops, que decorreram na faculdade.

2.2 ESTÁGIO PARCELAR DE CIRURGIA (04/11/2019 A 10/01/2020)

O estágio parcelar de Cirurgia decorreu no Hospital Beatriz Ângelo dividindo-se em: 1 semana de sessões teóricas e teórico-práticas, 4 semanas no Serviço de Cirurgia Geral, 1 semana no Serviço de Urgência e 2 semanas de estágio opcional (Medicina Intensiva). Defini como principais objetivos: 1) Conhecer as síndromes cirúrgicas mais comuns, incluindo o diagnóstico diferencial e abordagem terapêutica; 2) Acompanhamento do doente cirúrgico durante o pré, intra e pós-operatório; 3) Adotar comportamentos e atitudes adequadas, respeitando as normas de funcionamento do bloco operatório; 4) Consolidar os procedimentos de assepsia e técnica de desinfeção cirúrgica; 5) Treino de técnicas cirúrgicas mais comuns e anestésicas simples.

As atividades desenvolvidas no Serviço de Cirurgia Geral sob orientação da Drª Susana Ourô, incluíram o bloco operatório, consulta externa, urgência e enfermaria. Tendo em consideração que a equipa médica se dedica mais à patologia colorretal, acabou por ser este o sistema de órgão mais afetado nas intervenções que observei. No total assisti a 14 cirurgias, quer em contexto de urgência quer programadas, onde observei diversas técnicas e abordagens cirúrgicas, em maior número por laparotomia e algumas por via laparoscópica. Participei como 2ª ajudante em uma cirurgia (hernioplastia inguinal direita), onde realizei pequenos gestos técnicos cirúrgicos. Na Consulta Externa, as consultas incidiam essencialmente no acompanhamento de doentes em pré e pós-operatório e primeiras consultas de doentes referenciados por outras especialidades. Na Enfermaria, participei nas várias atividades que fazem parte da gestão do doente cirúrgico. Já a minha passagem pelo Serviço de Urgência, prendeu-se com a observação e abordagem de algumas síndromes cirúrgicas, na fase aguda, e de complicações de

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operatório. No estágio opcional de Medicina Intensiva acompanhei diariamente a equipa médica, dirigida pelo Dr. Carlos Simões Pereira, na observação e abordagem de 12 doentes críticos e instáveis, necessitando de uma monitorização e cuidados mais frequentes e diferenciados.

Destaco ainda a apresentação do caso clínico intitulado “Uma fístula nunca vem só…”, sobre fístulas enterocutâneas, no Minicongresso de Cirurgia Geral, a participação no curso TEAM® - Trauma

Evaluation and Management e a assistências a reuniões de serviço.

2.3 ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR (20/01 A 14/02/2020) O estágio de Medicina Geral e Familiar decorreu na Unidade de Saúde Familiar do Pragal, sob orientação da Drª Ana Valério. Delineei inicialmente como objetivos específicos: 1) Melhorar as minhas capacidades de comunicação e adoção de atitudes que promovam uma boa relação médico-doente; 2) Saber identificar e gerir riscos e os problemas de saúde mais frequentes, aplicando as medidas preventivas ou terapêuticas mais adequadas, tendo em conta o contexto biopsicossocial do doente; 3) Compreender melhor a gestão de doentes com multimorbilidades e polimedicados, com priorização de problemas; 4) Capacidade de registo clínico usando o modelo SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano).

Durante o estágio, assisti e participei ativamente nas diferentes tipologias de consulta, quer programadas (Saúde de adultos, Saúde materna, Saúde infantil, Planeamento familiar, Diabetes) como consultas de dia (Consulta aberta). Assim, ao contactar com diferentes tipos de consulta, pude verificar a grande diversidade de patologias, heterogeneidade de faixas etárias e diferentes ambientes socioeconómicos, que estão presentes na população assistida por esta especialidade. Considero que foi também importante para a minha formação a condução de forma autónoma da consulta, discutindo posteriormente os principais pontos com a minha tutora. Destaco ainda a aplicação de programas de vigilância e rastreio, nos casos indicados, e a realização do exame objetivo em idade pediátrica, especialmente ao lactente e à grávida. Acompanhei ainda a equipa de enfermagem em consultas das diferentes valências e outros médicos da Unidade de Saúde Familiar, o que me permitiu contactar com diferentes de métodos de trabalho.

2.4 ESTÁGIO PARCELAR DE PEDIATRIA (17/02 A 13/03/2020)

O estágio de Pediatria decorreu no Serviço de Pediatria, do Hospital São Francisco Xavier, sob orientação do Dr. Edmundo Santos. A Pediatria é uma especialidade que abrange uma faixa etária de

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doentes com algumas particularidades e que diferem entre si em termos fisiopatológicos e clínicos. Por isso, para mim era fundamental para este estágio: 1) Saber reconhecer e abordar as situações clínicas mais frequentes, identificar sinais de alarme e treino do exame objetivo nas diferentes idades pediátricas;

2) Melhorar a minha comunicação com os doentes pediátricos e os seus familiares.

O estágio estava organizado de forma a termos contacto com diferentes valências do serviço de pediatria. Assim, iniciei o meu estágio na Unidade de Cuidados Especiais Pediátricos (UCEP), que se destinava à observação e vigilância de doentes que não tinham indicação para internamento. Durante a minha passagem na Enfermaria observei uma grande variedade de patologias, essencialmente lactentes e idade pré-escolar, que necessitavam uma avaliação e acompanhamento por parte de outras especialidades, nomeadamente neurologia e cardiologia. Para além de participar nas atividades clínicas diárias, como observação dos doentes e redação dos diários clínicos, assisti a várias visitas médicas onde era discutida a abordagem e evolução de cada doente. O Berçário ocupou a parte final do meu estágio, que destaco por ser um local privilegiado para o treino da observação do recém-nascido. Frequentei ainda semanalmente o Serviço de Urgência (com exceção da última semana devido à suspensão dos estágios), onde observei principalmente doentes com patologia de etiologia infeciosa. De referir ainda a minha passagem pelas Consultas Externas, especialmente no âmbito da Imunoalergologia, e Serviço de

Neonatologia, que reconheço que enriqueceu muito o meu estágio.

Todas as semanas eram organizadas sessões formativas pelos médicos internos, sobre diversas áreas da pediatria. Na 3ª semana, foram apresentados, por parte das alunas do 6º ano, casos clínicos de doentes com base na história clínica colhida, sobre alguns das patologias mais frequentes. No meu caso, apresentei um caso clínico de um doente de 6 meses, posteriormente diagnosticado com Bronquiolite Aguda.

2.5 ESTÁGIO PARCELAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (16/03 A 17/04/2020) O estágio de Ginecologia e Obstetrícia, que no meu caso decorreria no Hospital Beatriz Ângelo, ficou impossibilitada a sua realização, pela suspensão das atividades letivas práticas nos serviços de saúde, tendo em conta a atual pandemia COVID-19. Este estágio seria o meu segundo contacto com esta especialidade e tinha como objetivos familiarizar-me com as patologias mais frequentes, seguimento da gravidez e puerpério e ter contacto com vários procedimentos invasivos e não invasivos, que são específicos desta especialidade.

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Após a primeira semana, foram apresentadas novas atividades, que iriam ser desenvolvidas durante o período do estágio. Estas atividades incluíram a resolução, em pequenos grupos, de questões teóricas e casos clínicos, tentando abranger diversas áreas que constituem esta especialidade. Por fim, foi pedido a realização de um trabalho de grupo sobre temas posteriormente definidos. Juntamente com os meus colegas, realizei o trabalho sobre “Alterações dermatológicas e gravidez”.

2.6 ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL (20/04 A 15/05/2020)

Contrariamente ao que estava programado para o estágio de Saúde Mental (sessões teórico-práticas e prática clínica em serviços de saúde), devido à atual pandemia COVID-19, os alunos estiveram impossibilitados de realizar a componente prática, nos serviços de saúde. Para este estágio em específico, defini como principais objetivos: 1) Treinar a colheita da anamnese e realização exame do estado mental; 2) Identificar sintomas de perturbação psiquiátrica, diferenciando-os do normal funcionamento psicológico e da patologia orgânica subjacente.

Posto isto, foi necessária uma readaptação do programa deste estágio parcelar, de forma a dar continuidade às atividades letivas. O contacto com esta especialidade foi feito através da redação de duas histórias clínicas, com base em entrevistas clínicas gravadas pelo Professor Doutor Miguel Talina, e de seis vinhetas clínicas, acompanhadas de três questões cada. Foram ainda organizadas duas sessões teórico-práticas organizadas pelo Professor Doutor Miguel Talina, com recurso à plataforma Zoom®, sobre a entrevista clínica, exame do estado mental e discussão de casos clínicos.

3. REFLEXÃO E ANALÍSE CRÍTICA

Terminado este ano letivo e o estágio profissionalizante, olho para trás com a sensação de missão cumprida, orgulhosa do meu trajeto e dedicação ao longo do curso de Medicina. Apesar de algumas dificuldades e contratempos, considero que atingi os objetivos a que me propus e, mais que isso, adquiri as competências esperadas de um médico recém-licenciado. Abracei cada desafio com empenho e vontade de aprender e melhorar, aproveitando as oportunidades que foram surgindo ao longo dos estágios. Os professores e tutores com quem me cruzei, para além do ensino sobre os conhecimentos médicos, disponibilizaram-me as ferramentas necessárias para alcançar os meus objetivos e permitiram-me ter uma perspetiva diferente em relação a cada especialidade.

Cada estágio parcelar permitiu-me conhecer melhor a especialidade em questão, adquirir e consolidar conhecimentos de anos anteriores, assim como desenvolver o meu raciocínio clínico, adquirir uma maior

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confiança na abordagem ao doente, mais sistematizada e estruturada. Particularizo neste ponto o estágio de Cirurgia e de Medicina por serem especialidades com as quais temos maior contacto ao longo do curso. Desta forma, existiram mais oportunidades para consolidar e integrar conhecimentos e outras competências clínicas de forma mais coesa. Considero que foi na abordagem terapêutica onde senti maiores dificuldades inicialmente e onde foi mais difícil atingir este objetivo.

Ao longo deste ano, senti que, progressivamente, fui tendo um papel mais ativo nas atividades clínicas, maior capacidade de trabalho em equipa e integração, competências que considero que serão fundamentais para o meu futuro profissional e que também faziam parte dos meus objetivos iniciais. Reconheço que foi no estágio de Medicina onde senti que, este objetivo, foi alcançado com mais sucesso, aliado também a uma maior responsabilidade e espírito critico de forma crescente.

Aprendi a valorizar as expetativas, receios e vontades dos doentes e familiares e a valorizar ainda mais a importância da relação médico-doente e aceitação do outro, tento em conta as suas crenças e caraterísticas. Por isso, não importa apenas saber aplicar uma abordagem com base científica, mas sim, integrá-la e adaptá-la a todas estas componentes. Devo referir que o seu papel se tornou mais evidente, por esta relação estar fortemente estabelecida, no estágio de Medicina Geral e Familiar, imprescindível para a prestação cuidados de saúde de forma continuada. Na minha opinião, as competências sociais são difíceis de serem ensinadas, apenas com base em conhecimentos teóricos. É aqui que a prática clínica, a experiência, a observação e aprendizagem com outros profissionais tem um papel essencial no desenvolvimento destas competências. Assim, ao longo do estágio profissionalizante, procurei melhorar a minha comunicação não só com os doentes e familiares, mas também com os profissionais de saúde.

Destaco ainda o meu estágio de Pediatria, não só por abranger uma faixa etária particular, mas também por ser uma especialidade onde os familiares estão mais presentes. Estes têm um papel extremamente importante no momento da realização da história clínica e também na colaboração com os profissionais de saúde, na prestação de cuidados à criança. Não me referindo só a esta especialidade, destaco também a importância do relacionamento e coordenação com outros profissionais de saúde, para a prestação de melhores cuidados de saúde e adaptados às necessidades de cada doente. Assim, ao longo dos vários estágios foi percetível a enorme importância do trabalho em equipa e das boas relações profissionais que se desenvolvem em cada serviço.

Não poderia deixar de fazer referência aos últimos meses da minha formação, marcados pelo período hostil que vivemos enquanto sociedade. De forma a dar continuidade às atividades letivas, foram

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necessárias encontrar novas estratégias educativas. Assim, com o esforço de todos os docentes, foi possível uma adaptação do ensino médico, com o objetivo de não comprometer a formação dos alunos e aproximar ao máximo da prática médica. Falo a meu respeito, que realizei os estágios parcelares de

Ginecologia e Obstetrícia e Saúde Mental, através de atividades alternativas que, na minha opinião,

muito bem conseguidas e pertinentes. No entanto, apesar das atividades desenvolvidas e de toda a dedicação por parte dos docentes, a ausência de contacto com a prática clínica, dificultou, diria quase que impediu, alcançar os objetivos e expectativas que tinha em particular para estes dois estágios. Reconheço que é quase impossível substituir por completo a prática clínica e o ensino que daí advém, sem o contacto direto com os serviços de saúde, doentes e atividades clínicas.

O que somos resulta em grande parte das circunstâncias que nos moldam. Assim, encaro esta situação como uma oportunidade para desenvolver capacidade de resiliência, uma característica que reconheço que deve ser trabalhada em qualquer futuro médico. Iremos ter certamente, no nosso futuro profissional, de lidar com problemas e mudanças inesperadas, para os quais não estamos preparados e adaptarmo-nos às novas circunstâncias.

Não poderia terminar, sem mencionar o papel que as atividades extracurriculares tiveram na minha formação. Ao participar em programas de mobilidade, em dois países com culturas muito distintas (Hungria e Tunísia), consegui ter uma visão diferente e global da medicina, no que concerne ao seu ensino, métodos de trabalho e estruturação dos cuidados de saúde. Ao contactar com estudantes de medicina de todo o mundo e com diferentes culturas, permitiu-me desenvolver as minhas capacidades linguistas e de comunicação, mas também ser mais flexível na aceitação do outro. Destaco o programa Eramus+, na Università degli studi di Firenze, pela sua maior duração e, assim, permitir uma melhor adaptação ao país, língua e costumes, e tornar-me numa pessoa mais independente. Com a participação na equipa de comunicação da comissão organizadora das III Jornadas Médicas da NOVA, e o cargo de Coordenadora dos Intercâmbios Científicos, desenvolvi outras competências, como gestão de tempo, priorização de tarefas, liderança e trabalho em equipa. Para além disso, as atividades formativas, deste ano letivo, são um elemento extra à minha formação em temas que são para mim de maior interesse.

Todas estas etapas, que fizeram parte deste ano letivo e do meu restante percurso académico, contribuíram de alguma forma para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. Chegando ao fim desta etapa, sinto-me sem dúvida mais segura e confiante das minhas capacidades, preparada e entusiasmada para iniciar a nova etapa profissional que se avizinha.

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4. ANEXOS

I – CRONOGRAMA ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE

PERÍODO ESTÁGIO

PARCELAR REGENTE LOCAL TUTOR(A)

09/09 a

01/11/2019 Medicina

Prof. Doutor Fernando Nolasco

Hospital São

Francisco Xavier Dr.ª Alice Sousa

04/11/2019 a

10/01/2020 Cirurgia

Prof. Doutor Rui Maio

Hospital Beatriz

Ângelo Dr.ª Susana Ourô

20/01 a 14/02/2020 Medicina Geral e Familiar Prof.ª Doutora Isabel Santos Unidade de Saúde

Familiar Pragal Dr.ª Ana Valério

17/02 a

13/03/2020 Pediatria

Prof. Doutor Luís Varandas Hospital São Francisco Xavier Dr. Edmundo Santos 16/03 a 17/04/2020 Ginecologia e Obstetrícia Prof.ª Doutora Teresinha Simões - - 20/04 a 15/05/2020 Saúde Mental Prof. Doutor Miguel Talina - -

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14 II – TRABALHOS APRESENTADOS

ESTÁGIO PARCELAR MEDICINA “Diagnósticos esquecidos” – caso clínico e revisão teórica sobre Doença de Still.

Autor: Ana Pereira

ESTÁGIO PARCELAR CIRURGIA “Uma fístula nunca vem só…” - caso clínico e revisão teórica sobre fístula enterocutânea Autores: Ana Pereira e João Madeira

ESTÁGIO PARCELAR GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

“Alterações dermatológicas e gravidez” Autores: Ana Pereira, André Pita e Inês Gueifão

ESTÁGIO PARCELAR PEDIATRIA Caso clínico de Bronquiolite aguda - História clínica.

Autores: Ana Pereira, André Pita e Inês Gueifão

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III – FORMAÇÕES E CONFERÊNCIAS (ANO LETIVO 2019/20) a) Curso TEAM (Trauma Evaluation and Management)

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16 b) 11º Curso de Antibioterapia

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17 c) II Jornadas de Medicina Geral e Familiar

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19 e) Medicina de Catástrofe e Emergência

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20 f) Ser médico no hospital prisional

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21 g) Infertilidade

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23 IV – PROGRAMAS DE MOBILIDADE

a) Programa de Intercâmbios IFMSA SCORE – “Basic Science in the field of pathophysiology, understanding the pathomechanism” Institute of Translational Medicine – University of Pècs (Pècs - Hungria) [2017]

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24 b) Carta de Recomendação – University of Pècs

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c) Programa de Intercâmbios IFMSA SCOPE – Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Charles Nicolle Hospital (Tunis, Tunísia) [2019]

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26 d) Programa de Erasmus+ (Florença, Itália) [2019]

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27 V – ESTÁGIOS EXTRACURRICULARES

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28 VI – PARTICIPAÇÃO ASSOCIATIVA

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