Mercados
informação global
Áustria
Ficha de Mercado
Abril 2010
Índice
1. País em Ficha 3
2. Economia 4
2.1 Situação económica e Perspectivas 4
2.2 Comércio Internacional 8
2.3 Investimento 12
2.4 Turismo 14
3. Relações Económicas com Portugal 15
3.1 Comércio 15
3.2 Serviços 19
3.3 Investimento 20
3.4 Turismo 21
4. Relações Internacionais e Regionais 22
5. Condições Legais de Acesso ao Mercado 24
5.1 Regime Geral de Importação 24
5.2 Regime de Investimento Estrangeiro 25
5.3 Quadro Legal 26
6. Informações Úteis 27
7. Endereços Diversos 28
8. Fontes de Informação 30
8.1 Informação Online AICEP Portugal Global 30
1. O País em Ficha
Área: 83.871 km2
População: 8,3 milhões de habitantes (2007) Densidade populacional: 99,0 hab./km2 (2007)
Designação oficial: República da Áustria Forma de Estado: República Federal
Chefe do Estado: Heinz Fischer (desde Julho de 2004) Chanceler Federal: Werner Faymann (SPÖ)
Data da actual Constituição: A base legal da República da Áustria decorre da Constituição de 1920, da alteração de 1929, do Tratado de Viena de 1955 e da Lei
Constitucional de Neutralidade Permanente de 1955.
Principais Partidos Políticos: Partido Social Democrático (SPÖ); Partido Popular da Áustria (ÖPV); Partido da Liberdade (FPÖ); Aliança para o Futuro da Áustria (BZÖ). Os Verdes.
Capital: Viena (1.550 mil habitantes) (censo de 2001) Outras cidades importantes: Graz; Linz; Salzburgo; Bregenz; Innsbruck.
Religião: A maioria da população é cristã; cerca de 72% é católica romana e 5% protestante.
Língua: Alemão.
Unidade monetária: Euro (EUR). 1 EUR = 1,39 USD (média de 2009);
Risco País: Risco político – AA
Risco de estrutura económica – A Risco país – A
(AAA = risco menor; D = risco maior)
“Ranking” em negócios – Índice 7,66 (10 = máximo) “Ranking” geral 20 (entre 82 países)
(EIU – Março 2010)
Risco de crédito 1 (1 = risco menor; 7 = risco maior)
(COSEC – Outubro 2009 – http://cqf.cosec.pt )
Grau da abertura e dimensão relativa do mercado (2008): Exp.+ Imp. / PIB = 86,7% Imp. / PIB = 43,4%
Imp. / Imp. Mundial = 1,1% (2008)
Fontes: The Economist Intelligence Unit (EIU) – Março 2010 WTO – World Trade Organization; COSEC
2. Economia
2.1
Situação Económica e Perspectivas
A economia austríaca é uma das mais avançadas e modernas do mundo, sendo dominada pelos serviços: em 2008, mais de 2/3 do VAB tinha por origem o sector terciário, à volta de 31% o sector secundário e apenas 2% o sector primário.
Em termos de PPC, o PIB per capita da UE27 representava 81% do PIB per capita austríaco, sendo o 4º maior no âmbito da UE27, em 2008.
Em 2009, a Áustria investia 2,73% do PIB (2,47% em 2005) em I&D, propondo-se o governo subir estas despesas para 3% do PIB em 2010; ocupava o 3º lugar no conjunto dos países europeus em termos de percentagem de PIB gasto em I&D, em 2007. As energias renováveis representavam, em 2008, cerca de 27% da energia consumida, bem acima dos cerca de 7,8% da média da UE27; cerca de 69% da electricidade produzida provinha de fontes renováveis.
Dadas as repercussões negativas da crise económico-financeira na economia austríaca, no curto prazo, a política económica governamental continuará a ter como principal prioridade ajudar os consumidores e as empresas a atravessar a crise económica, tendo, para o efeito, implementado dois pacotes de medidas de estímulo à procura, por um lado, e de concessão de subsídios às empresas destinados à salvaguarda de postos de trabalho mediante horários de trabalho reduzidos, por outro.
Todavia, o sector bancário, face ao grau elevado de sua exposição às economias dos PECO afigura-se, ainda, como a maior ameaça à estabilidade e ao cumprimento dos objectivos económicos do país, sendo ainda possível um forte crescimento de perdas resultantes dos empréstimos abundantes e generosos concedidos àquelas economias, sobretudo se vierem a surgir novas turbulências económico-financeiras graves no mercado mundial.
Há que realçar que, segundo o Banco Nacional de Áustria (BNA), a quota de mercado dos bancos austríacos nos PECO era de 22% em finais de 2008, representando o montante de empréstimos àquele grupo de países cerca de 121% do PIB austríaco.
Assim, a fim de evitar o pior, o governo tem tomado medidas, e mantém-se atento, de apoio ao sector bancário, tais como a implementação, em Outubro de 2008, de um pacote de estabilidade financeira, tendo em vista a concessão de um financiamento potencial até 100 mil milhões de euros àquele sector.
Dois bancos tiveram que ser nacionalizados em finais de 2008 - Kommunalkredit e Hypo Group Alpe Adria -, tendo o BNA manifestado algumas preocupações acerca da viabilidade do Volksbank. Todavia há que realçar que os três maiores bancos austríacos se afiguram bem capitalizados, tendo mesmo registado lucros no 4º trimestre de 2009, não obstante o forte aumento das provisões.
Principais Indicadores Macroeconómicos
Unidade 2007 2008 2009a 2010b 2011b 2012b
População Milhões 8,3 8,4 8,4 8,4 8,4 8,5
PIB a preços de mercado 109 EUR 270,5 281,7 274,8 289,4 298,4 309,2 PIB a preços de mercado 109 USD 370,3 414,2 382,7 389,2 408,1 439,1 PIB per capita USD 44.507 49.580 45.640 46.245 48.316 51.812
Crescimento real do PIB % 3,0 1,7 -3,6 0,7 1,1 2,0
Consumo privado Var. % 0,9 0,8 0,8 1,0 1,0 1,9
Consumo público Var. % 1,9 2,0 0,9 0,9 1,0 1,3
FBCF Var. % 3,8 1,0 -7,2 0,2 1,2 1,5
Taxa desemprego – médio % 4,4 3,9 5,0 4,9 4,8 4,7
Taxa de inflação – média % 2,2 3,2 0,4 0,8 1,4 1,7
Dívida pública % do PIB 59,5 62,7 67,0 69,3 73,6 74,8
Saldo do sector público % do PIB -0,7 -0,5 -3,5 -5,0 -4,7 -3,5
Balança corrente 109 USD 13,2 13,2 3,0 5,2 7,3 10,2
Balança corrente % do PIB 3,6 3,2 0,8 1,3 1,8 2,3
Taxa de câmbio – média 1EUR=USD 1,37 1,47 1,39 1,35 1,37 1,42
Fonte: Economist Intelligence Unit (EIU) – Março 2010 Notas: (a) Estimativa;
(b) Previsão
No período de 2005-2008, o PIB cresceu a uma taxa média de 2,8% ao ano, superando a da UE27 (2,2%). A procura interna (2,0% em média ao ano) foi o factor determinante do crescimento económico, com o consumo privado, em primeiro lugar, e a formação bruta de capital fixo, em segundo lugar, dando os maiores contributos. A balança externa deu no conjunto do período um contributo positivo idêntico ao do consumo privado para o crescimento do PIB. Todavia, há que realçar a desaceleração assinalável da taxa de crescimento do PIB de 3,0% em 2007 para 1,7% em 2008, reflectindo já o impacto negativo do agravamento rápido da crise económico-financeira mundial, no último trimestre de 2008.
Em relação a 2008 e segundo as estimativas da EIU, o PIB austríaco, reflectindo o aprofundamento daquela crise, terá registado uma quebra de 3,6% em 2009, em consequência da contracção da procura interna, com realce para a formação bruta de capital fixo, e, em especial, da procura externa com a balança a dar o maior contributo negativo de todas as variáveis económicas para a evolução do PIB registada. A quebra da taxa de crescimento do PIB austríaco, em 2009, terá ficado aquém da taxa de crescimento do PIB da UE27 (-4,2%).
Em 2010, deverá registar-se uma ligeira recuperação da actividade económica, com o PIB crescendo 0,7% em relação a período homólogo de 2009, graças principalmente à reanimação suave do consumo privado e público, passando a partir de 2011, tanto a formação bruta de capital fixo como a balança externa a contribuírem também para o crescimento do PIB (1,1% em 2011 e 2,0% em 2012). Apenas em 2012, a taxa de crescimento do PIB austríaco deverá superar a da UE27 (1,6%).
A taxa de inflação média que atingiu os 3,2% em 2008 (2,3% em média mo período de 2005-2008), devido principalmente aos preços mais elevados do petróleo e dos produtos alimentares no mercado internacional, bem como à evolução acentuadamente assimétrica do emprego (+2,3%, em relação a 2007) e da produtividade do trabalho (-0,6%), terá caído para 0,4% em 2009, reflectindo a forte contracção da procura interna (-1,0%) e da actividade económica (-3,6%), em combinação com as quebras mais ou menos acentuadas dos preços dos combustíveis e matérias-primas no mercado mundial. Contudo, pode dizer-se que, de uma maneira geral, a taxa de inflação austríaca tem-se mantido em linha com a média da Zona Euro.
Mesmo crescendo a partir de 2010 em consonância com a recuperação da actividade económica e da procura interna, a taxa de inflação deverá continuar baixa, à volta de 0,8% naquele ano e de 1,4% e 1,7%, em 2011 e 2012, respectivamente.
A taxa média de desemprego, que caíra de 5,2% em 2005 para 3,9% em 2008, terá subido para 5,0% em 2009, devendo depois diminuir gradualmente até 4,7% em 2012, mantendo-se, ainda marcadamente acima da registada em 2008, o que mostra bem a persistência dos efeitos negativos da crise económico-financeira mundial na economia austríaca.
Todavia, a taxa de desemprego era ainda em 2009 a segunda mais baixa da UE27. Segundo o Eurostat, em Novembro de 2009, a taxa de desemprego austríaca elevava-se a 5,5%, continuando substancialmente aquém da média da UE27 (9,5%) e mesmo das taxas de desemprego dos países vizinhos – Eslováquia (13,5%), Hungria (10,8%), Itália (8,3%), República Checa (7,9%), Alemanha (7,5%), Eslovénia (6,8%).
A baixa taxa de desemprego austríaca fica a dever-se principalmente ao predomínio acentuado das pequenas empresas no seu tecido económico com uma elevada taxa de emprego, por outro. Com efeito, em 2008, mais de 3/4 das empresas da indústria e construção empregavam menos de 10 trabalhadores cada, aumentando a sua percentagem para 90% no sector de serviços, enquanto que apenas 1% das empresas de média e grande dimensão da indústria e construção empregavam mais de 250 trabalhadores cada, respondendo, embora, por 38,8% do emprego e 53,6% do volume de negócios, e somente 0,2% das empresas empregavam mais de 250 trabalhadores no sector de serviços. A Áustria contava com uma taxa de emprego de 72% no grupo etário dos 15 aos 64 anos, consideravelmente superior à média da UE27 (66%), ocupando o 4º lugar no âmbito comunitário.
Em consequência dos efeitos negativos da crise económico-financeira na economia austríaca e das medidas tomadas no sentido da sua superação, o défice orçamental subiu de 0,5% em 2008 para 3,5% em 2009, prevendo-se a sua aceleração para 5,0% em 2010; o défice orçamental deverá regredir para 4,7%, 3,5% e 3,0%, em 2011, 2012 e 2013, respectivamente.
Os estímulos fiscais e os estabilizadores económicos automáticos tiveram e continuam a ter um papel importante no combate à recessão, embora à custa do aumento do défice orçamental, como aponta a sua expansão significativa prevista ainda em 2010 (+1,5 pontos percentuais em relação a 2009), prevendo-se a implementação de políticas fiscais mais austeras a partir de 2011, com o cumprimento do critério orçamental de Maastricht em 2013, de acordo com o PEC austríaco, entregue à Comissão Europeia em Janeiro de 2010.
Há que realçar que, segundo a EIU, o regresso à “trajectória de consolidação” orçamental se processará principalmente através da contracção das despesas em 1% no período de 2010-2013 e do aumento das receitas em 3,5%, no mesmo período – a participação das despesas no PIB deverá cair de 48,0% para 47,5% e a das receitas subir de 43,0% para 44,5%.
Todavia, segundo os dados mais recentes aprovados, em Março do ano corrente, no âmbito do enquadramento financeiro para 2011-2014, 60% da consolidação financeira ficar-se-á a dever a cortes nas despesas e 40% a aumentos de receitas. De acordo com aquele enquadramento, o governo central propõe-se, em 2011, proceder a uma redução de despesas no montante de 1,7 mil milhões de euros e a um aumento de receitas em 1,7 mil milhões de euros, enquanto que os Estados (Länder) e os Municípios deverão cortar despesas num montante de 800 milhões de USD. O Governo espera assim reduzir o défice orçamental para 4% do PIB já em 2011.
Espelhando o agravamento da crise económico-financeira mundial e a persistência de seus efeitos negativos na economia austríaca, interrompeu-se em 2008 a tendência decrescente da dívida pública em função do PIB, quando em 2007 subiu de 59,5% para 62,7% em 2008, acelerando para 67,0% em 2009 prevendo-se a continuação do seu agravamento nos próximos anos, até 76,2% em 2013. Poderá mesmo vir a verificar-se um risco moderado de maior crescimento da dívida pública, se vier a ser necessária a intervenção governamental em socorro da banca muito exposta às economias dos PECO.
O saldo da balança corrente caiu abruptamente de 13,2 mil milhões de USD em 2008 para 3 mil milhões de USD em 2009, ou seja, de 3,2% do PIB para 0,8% do PIB, em consequência da deterioração, mais ou menos acentuada, de cada um dos saldos componentes da balança corrente, com destaque para o agravamento da balança comercial de -0,6 para -4,7 mil milhões de USD (+683%), e da balança de rendimentos de -2,9 para -6,9 mil milhões de USD (+138%). Os efeitos negativos da crise económico-financeira mundial na economia austríaca, reflectidos também na deterioração dos termos de troca em 2,1 pontos percentuais, ajudam a explicar igualmente aqueles resultados.
As previsões da EIU apontam para uma evolução positiva gradual do saldo da balança corrente nos próximos anos, sem contudo alcançar ainda em 2014 (12,9 mil milhões de USD; 2,7% do PIB) o saldo e o rácio da balança corrente de 2008.
2.2 Comércio Internacional
No âmbito das relações comerciais internacionais, a Áustria ocupa uma posição relativamente elevada no “ranking” mundial, quer como exportador (25º lugar em 2008), quer como importador (22º lugar em 2008), sendo, no seio da UE27, o 9º maior exportador e importador. Todavia, no período de 2005-2008, a posição da Áustria no “ranking” mundial de exportadores regrediu 3 lugares e no de importadores 4 lugares, tendo também a sua quota, tanto nas exportações como nas importações mundiais, caído de 1,2% para 1,1%, naquele período.
Não obstante, no período de 2005-2008, as exportações cresceram a uma taxa média de 14,6% ao ano, e as importações a uma taxa média de 14,2% ao ano, o que se traduziu numa ligeira melhoria da taxa de cobertura das importações pelas exportações de 98,5% para 99,7%, com um pico de 101,1% em 2007, tendo o saldo comercial registado, no cômputo geral, uma evolução algo errática.
Dado o grau relativamente elevado de abertura da economia austríaca ao exterior (86,7% em 2008), e reflectindo o agravamento da crise económico-financeira mundial, segundo as estimativas da EIU, em relação a 2008, as exportações terão caído 22,5% e as importações 20,2% em 2009, o que se espelhou num forte aumento do saldo negativo da balança comercial de 0,6 para 4,7 mil milhões de USD (683,3%). Em verdade, após um excedente no primeiro trimestre de 2008, a balança comercial não parou de registar saldos negativos mais ou menos crescentes até ao final do terceiro trimestre de 2009 (últimos dados trimestrais disponíveis).
Dado tratar-se de uma economia relativamente pequena mas cada vez mais aberta ao exterior, com a participação das exportações de bens e serviços na formação do PIB subindo de 34,9% em 1995 para 59,4% em 2008, e a das importações de 35,6% para 53,6%, bem acima da média da UE27 (41,3% e 41,0%, em 2008, respectivamente), afiguram-se normais as contracções de ambas as componentes da balança comercial de bens e serviços, registadas em 2009.
É de realçar que só lá para finais de 2013 é que se prevê a ultrapassagem dos valores das exportações/importações de bens alcançados pela Áustria em 2008, deixando bem claro o forte impacto negativo que aquela crise terá na economia do país, enquanto que o défice comercial só em 2014 deverá ficar ligeiramente aquém do saldo negativo registado em 2008. Contudo, após o forte contributo das exportações líquidas para o crescimento negativo do PIB em 2009, contrariamente ao sucedido no período antecedente à crise económico-financeira mundial, espera-se uma ténue contribuição da balança comercial para a recuperação gradual da economia austríaca nos próximos anos.
Evolução da balança comercial (109USD) 2005 2006 2007 2008 2009a Exportação fob 119,2 133,8 162,9 179,2 138,8 Importação fob 121,0 133,4 161,1 179,8 143,5 Saldo -1,8 0,4 1,8 -0,6 -4,7 Coeficiente de cobertura (%) 98,5 100,3 101,1 99,7 96,7
Posição no “ranking” mundial
Como exportador 22ª 24ª 23ª 25ª n.d.
Como importador 18ª 22ª 22ª 22ª n.d
Fontes: EIU; WTO – World Trade Organisation 2009 (a) - Estimativa
A UE27 é de longe o principal parceiro comercial da Áustria, tendo-lhe, em 2008, absorvido 72,3% das suas exportações e fornecido 78,1 das suas importações, destacando-se claramente a Alemanha como primeiro parceiro comercial, tanto do lado das exportações, como das importações, seguida, mas muito aquém, da Itália, República Checa, Hungria, França, Reino Unido, etc., como clientes, e da Itália, Holanda, República Checa, França, Hungria, etc., como fornecedores.
Em especial, é de realçar a posição dominante da Alemanha na balança comercial austríaca, embora tendencialmente decrescente, adquirindo 28,7% das suas vendas ao exterior e vendendo-lhe 43,8% das suas compras no exterior, acusando, portanto, a balança comercial um forte défice com aquele país (cerca de -28,7 mil milhões de USD, em 2008).
Em 2008, Portugal ocupava o 41º lugar no “ranking” de clientes, com uma quota de 0,32%, e o 43º lugar no de fornecedores, com uma quota de 0,19%, sendo, em relação a 2006, de realçar a perda de quota como cliente (-20%), e o seu ganho como fornecedor (+5,6%).
Fora da UE, destacavam-se os EUA, no 3º lugar e uma quota de 4,2% e, a Suíça, no 5º lugar com uma quota de 3,6%, no “ranking” de clientes. Relativamente aos fornecedores destacaram-se a Suíça, no 3º lugar e uma quota de 4,9% a China, no 8º lugar e uma quota de 2,5%.
A Áustria é um bom exemplo de como tirar partido de uma boa posição geográfica. Com efeito, em 2008, 64,7% das suas importações tinham por origem os seus países vizinhos (República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Itália, Alemanha e Suíça), e 51,7% das suas exportações tinham por destino esses mesmos países.
É de realçar que, segundo, o WTA, a balança comercial austríaca com a UE27 registava em 2008 um saldo negativo de aproximadamente 12.791 milhões de USD, tendo atingido os seus maiores saldos negativos com a Alemanha e a Holanda (cerca de 28.654 e 4.211 milhões de USD, respectivamente) e os seus maiores saldos positivos com a Roménia e o Reino Unido (cerca de 2.617 e 2.603 milhões de USD, respectivamente).
É de realçar igualmente os maiores saldos comerciais negativos, tendencialmente crescentes, registados com a Suíça e China (cerca de 2.262 e 1.746 milhões de USD, respectivamente), bem como os maiores saldos positivos com os EUA e a Rússia (cerca de 4.352 e 4.324 milhões de USD, respectivamente), países fora da UE.
Principais Clientes
2006 2007 2008
Mercado
Quota Posição Quota Posição Quota Posição
Portugal 0,40 n.d. 0,39 n.d. 0,32 41º Alemanha 29,35 1ª 29,02 1ª 28,74 1ª Itália 8,44 2ª 8,03 2ª 7,64 2ª EUA 5,70 3ª 4,80 3ª 4,20 3ª República Checa 3,10 8ª 3,38 7ª 3,88 4ª Suíça 4,19 4ª 3,83 4ª 3,68 5ª Hungria 3,35 7ª 3,30 8ª 3,60 6ª França 3,59 6ª 3,42 5ª 3,50 7ª Reino Unido 3,65 5ª 3,39 6ª 3,00 8ª Polónia 2,23 9ª 2,38 9ª 2,75 9ª UE -- -- 72,27
Fonte: WTA – World Trade Atlas
Principais Fornecedores
2006 2007 2008
Mercado
Quota Posição Quota Posição Quota Posição
Portugal 0,18 n.d. 0,18 n.d. 0,19 43º Alemanha 44,80 1ª 44,91 1ª 43,84 1ª Itália 6,82 2ª 6,94 2ª 6,94 2ª Suíça 4,16 3ª 4,41 3ª 4,85 3ª Holanda 3,99 4ª 4,13 4ª 3,98 4ª República Checa 3,01 6ª 3,05 6ª 3,39 5ª França 3,15 5ª 3,07 5ª 3,02 6ª Hungria 2,45 7ª 2,37 7ª 2,58 7ª China 2,26 9ª 1,95 9ª 2,47 8ª Bélgica 2,33 8ª 2,16 8ª 2,04 9ª UE -- -- 78,12
Principais Produtos Transaccionados – 2008
Exportações / Sector % Importações / Sector %
Máquinas, aparelhos, instrumentos mecânicos 18,0 Máquinas, aparelhos, instrumentos mecânicos 14,1 Máquinas, aparelhos e materiais eléctricos 10,9 Combustíveis/óleos minerais, etc. 11,5 Veículos e outro material de transporte 10,1 Veículos e outro material de transporte 9,8 Ferro fundido, ferro e aço 5,5 Máquinas, aparelhos e materiais eléctricos 9,7
Plásticos e suas obras 4,4 Plásticos e suas obras 4,2
Obras de ferro fundido, ferro ou aço 4,0 Ferro fundido, ferro e aço 3,6 Produtos farmacêuticos 3,9 Obras de ferro fundido, ferro ou aço 3,1 Combustíveis/óleos minerais, etc. 3,4 Produtos farmacêuticos 2,9
Fonte: WTA - World Trade Atlas
Os últimos dados disponíveis relativos aos principais produtos transaccionados pela Áustria permitem relevar os seguintes aspectos:
-- preponderância dos produtos de maior valor acrescentado tanto do lado das exportações como das importações. Com efeito, em 2008, os grupos de máquinas e aparelhos mecânicos e eléctricos, veículos e outro material de transporte e de produtos farmacêuticos representavam 42,9% das exportações, e 36,5% das importações;
-- igualmente um peso relevante de produtos intermédios e combustíveis em ambos os lados da mostra da balança comercial (17,3% do lado das exportações e 22,4% do das importações). Há que realçar que o peso relativamente elevado dos combustíveis (11,5%) no valor global das importações, em 2008, se prende também, além do factor preço, com a participação acentuada de 69,4% da energia importada no consumo energético primário total do país (53,1%, em média, na UE27, em 2007).
De um modo geral, pode dizer-se que a estrutura exportadora austríaca é constituída basicamente por produtos de grau de intensidade tecnológica média/alta de elevado valor acrescentado, que ocupam posições importantes nos mercados internacionais, em especial no mercado alemão.
As mercadorias mais exportadas, em conformidade com o peso dos sectores mais importantes no “output” industrial, dizem respeito a máquinas e aparelhos, componentes, peças e automóveis para transporte de mercadorias, produtos siderúrgicos, produtos médicos e farmacêuticos, papel e cartão, plásticos e produtos alimentares. O facto de Viena ter sido tradicionalmente sede de multinacionais dos sectores eléctrico e electrónico, assim como de produtos farmacêuticos, embora, nos últimos anos, se tenha verificado alguma deslocalização, explica, em parte, também, a sua estrutura exportadora
Há que realçar que o fenómeno da globalização trouxe uma integração crescente da economia austríaca na divisão internacional do trabalho, com uma importância crescente das importações de produtos intermédios destinados ao seu sector exportador. Em verdade, pode dizer-se que, até certo ponto, as importações estão parcialmente condicionadas pelas exportações.
Tendo em vista uma percepção mais abrangente da estrutura das importações austríacas, indicam-se a seguir os 15 primeiros itens de produtos importados, em 2008 (NC, a 4 dígitos):
15 Principais Produtos Importados - 2008
NC Designação % do total
2710 Óleos de petróleo ou minerais betuminosos, exc. óleos brutos; preparações, etc 3,81
2709 Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos 3,30
8708 Partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705 2,75 3004 Medicamentos, em doses ou acondicionados para venda a retalho 1,97
2711 Gás de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos 1,91
8517 Aparelhos eléctricos para telefonia ou telegrafia, por fios etc; videofones 1,39 8471 Máquinas automáticas p/ processamento dados/unidades; leitores magnéticos etc 1,34 8409 Partes reconhecíveis c/o exclusiva/principalmente p/ motores das pp 8407/08 1,25
2716 Energia eléctrica 1,13
7108 Ouro (incl. platinado), em formas brutas ou semimanufacturadas, ou em pó 1,07 8802 Outros veículos aéreos; veículos espaciais e seus veículos de lançamento, etc 1,02
9403 Outros móveis e suas partes 0,94
8544 Fios e outros condutores, isolados p/ usos eléctricos; cabos fibras ópticas 0,84 8431 Partes destinadas às máquinas e aparelhos das pp 8425 a 8430 0,77
8704 Veículos automóveis para transporte de mercadorias 0,76
Fonte: WTA
2.3 Investimento
Com excepção de 2007, a Áustria vem sendo um receptor relativamente modesto de IDE, quer em termos absolutos, quer em relação à dimensão de sua economia, com oscilações significativas de posição no “ranking” mundial, como resulta dos dados abaixo expostos. Com efeito, em 2008, ocupava uma posição intermédia no “ranking” mundial de países receptores de IDE – 28º lugar, tendo regredido 9 lugares em relação a 2005. No período de 2005-2008, em termos absolutos, as oscilações nos montantes recebidos de IDE têm sido também significativas, com um pico em 2007.
A Áustria encontrava-se bastante bem posicionada - 18º lugar, no “ranking” de países emissores de IDE, tendo subido 2 lugares em relação a 2005. Em termos absolutos, os montantes investidos no exterior têm superado sempre os montantes entrados no país, no mesmo período.
Sem dúvida que os fluxos de IDE têm contribuído para um crescimento mais dinâmico da economia austríaca. Com efeito, segundo a EIU, no período de 2005-2008, os fluxos de IDE representaram em média 12,1% do PIB (com um pico de 26,9% em 2005) e mais de 55% da formação bruta de capital fixo ao ano; em 2007, as empresas de capital estrangeiro respondiam por cerca de 7% do emprego austríaco, do qual 62,4% alocado no sector dos serviços e 37,6% no sector produtivo de bens.
Há que realçar que, segundo os dados provisórios disponíveis, a crise económico-financeira mundial não terá influenciado negativamente os fluxos de IDE, em 2009, tanto entrados como saídos, uma vez que terão registado aumentos de 21,0% e 2,8%, respectivamente, em relação a 2008. De facto, os efeitos negativos daquela crise ter-se-ão reflectido nos fluxos de 2008, os quais caíram 54,2% e 15,5%, respectivamente, em relação a 2007. A EIU prevê mesmo uma progressão positiva de fluxos de IDE entrados no País no decorrer dos próximos anos, mas uma contracção assinalável de fluxos investidos no estrangeiro em 2010 (-13% em relação a 2009) e 2011 (-2,4% em relação a 2010), seguida posteriormente de uma estabilização de fluxos.
Sem dúvida que a Áustria tem sabido oferecer boas oportunidades de investimentos lucrativos aos investidores estrangeiros, como o testemunham o aumento rápido do IDE acumulado e a elevada percentagem de lucros reinvestidos (30,2% em média em 2006, 2007 e 2008) no capital investido. Com efeito, segundo o BNA, num prazo de apenas 7 anos, de 2000-2007, o IDE acumulado terá subido de cerca de 33,5 para 108,1 mil milhões de euros, ou seja, mais de 3,2 vezes. Em finais de 2007, o IDE acumulado no país representava cerca de 40% do PIB e mais de 13.000 euros per capita..
Como principais países de origem do IDE acumulado, em 2007, surgiam a Alemanha com 25,1% do total, a Itália com 22,1%, os EUA com 9,1%, a Suíça com 6,1%, a Holanda com 6,1%, o Japão com 4,3%, o Reino Unido com 3,0%, a Rússia com 2,8% e a França com 2,7%. É de realçar que 76,4% do IDE acumulado de origem estrangeira provinha de Europa, 65,5% da UE27.
Em termos de destino sectorial, em finais de 2007, destacavam-se, de longe, os serviços com 89,1% do IDE acumulado, seguidos da produção de bens com 10,9% do total. No âmbito dos serviços surgiam à cabeça os sectores do imobiliário, de aluguer, TIC e I&D com 48,0% do total do IDE acumulado, seguidos da banca e seguros com 23,4%, do comércio e reparações com 14,1% e dos transportes, armazenamento e comunicações com 3,3%. No âmbito do sector produtivo de bens surgiam à cabeça as indústrias de produtos químicos, a borracha e os plásticos com 2,9% do total do IDE acumulado, seguidas das de electricidade, gás e água com 1,4%, do papel e produtos de papel e de impressão com 1,3%, das máquinas e equipamentos com 1,2%, do sector alimentar, das bebidas e do tabaco com 1,1%, etc.
O IDE austríaco, acumulado no estrangeiro, ascendia, em finais de 2007, a cerca de 102,6 mil milhões de euros, tendo como principais países destinatários a Alemanha com 14,4% do total do IDE acumulado, a República Checa com 7,4%, a Hungria com 7,2%, a Croácia com 6,8%, a Roménia com 5,5%, a Suíça com 4,8%, o Reino Unido com 4,4% e a Eslováquia com 4,2%. É de realçar que 90,2% do IDE acumulado no estrangeiro se encontrava, em 2007, alocado na Europa 65% do qual na UE27.
Em finais de 2007, destacavam-se os serviços com 73,8% do IDE acumulado no estrangeiro. A produção de bens, com 26,2%, representou a outra parcela de IDE. No âmbito dos serviços surgiam à cabeça os sectores da banca e seguros com 33,3% do total do IDE acumulado, seguidos do imobiliário, aluguer, TIC e I&D com 26,3%, comércio e reparações com 11,0% e dos transportes, armazenamento e
comunicações com 2,0%. No âmbito do sector produtivo de bens surgiam à cabeça as indústrias de produtos químicos, borracha e plásticos com 5,3% do total do IDE acumulado, seguidas da indústria extractiva com 3,3%, de produtos de minerais não metálicos com 2,8%, máquinas e equipamentos com 2,5%, de papel e produtos de papel e de impressão com 2,2%, etc.
Investimento Directo
(106 USD) 2005 2006 2007 2008 2009a
Investimento estrangeiro na Áustria 10.784 7.933 29.586 13.551 16.400 Investimento da Áustria no estrangeiro 11.145 13.670 33.380 28.214 29.000 Posição no “ranking” mundial
Como receptor 19ª 33ª 16ª 28ª n.d.
Como emissor 20ª 23ª 15ª 18ª n.d.
Fontes: UNCTAD – World Investment Report 2009; EIU Nota: (a) EIU, estimativa
2.4 Turismo
A Áustria conta com um sector turístico altamente desenvolvido, importante mesmo a nível mundial. As receitas dos turistas estrangeiros montavam a 5,9% do PIB austríaco em 2008, representando, portanto, um contributo importante para o saldo positivo da balança de transacções correntes.
Há que realçar que a Áustria pertence ao grupo mais atractivo de destinos turísticos do mundo, sendo, em 2008, o terceiro país mais atractivo de Europa.
No período de 2004-2008, a Áustria registou um aumento contínuo do número de turistas estrangeiros em visita ao país, tendo, em 2008, recebido um pouco mais de 21,9 milhões de turistas (+13,2% em relação a 2004); o número de dormidas acusou um aumento de 9,6% e as receitas de 41,1%, em relação a 2004, o que reflectirá provavelmente uma melhoria qualitativa da oferta e a visita de um número crescente de turistas de maior poder de compra.
A grande maioria dos turistas é originária da UE27 (80% do total em 2008), vindo, de muito longe, à cabeça a Alemanha com 45,6% do número total de turistas, seguida da Holanda (5,5%), Itália (5,5%), Reino Unido (4,4%), França (2,5%), Bélgica (2,2%), etc. Fora da UE27 destacavam-se a Suíça e os EUA, com 5,2% e 2,8% do número total de turistas, respectivamente.
Há que realçar que, segundo a WTO, o número de turistas austríacos em visita ao estrangeiro ter-se-á elevado aproximadamente a 9,7 milhões (+15,5% em relação a 2004), tendo despendido um pouco mais de 11,4 mil milhões de USD (+29,4% em relação a 2004).
Indicadores do Turismo
2004 2005 2006 2007 2008
Turistas a (103) 19.374 19.952 20.269 20.773 21.935
Dormidas b (103) 55.163 56.690 57.133 57.882 60.469
Receitas (106 USD) 17.251 18.471 18.886 21.088 24.343
Fonte: WTO – World Tourism Organization
Nota: (a) Que permanecem pelo menos uma noite no país (b) Dormidas na hotelaria global
3. Relações Económicas Portugal - Áustria
3.1 Comércio
O mercado austríaco afigura-se com uma importância intermédia para a economia portuguesa, tanto como cliente (22ª posição em 2009), como fornecedor (17ª posição em 2009). Todavia, no período de 2005-2009, a sua posição como cliente regrediu 3 lugares, mas como fornecedor melhorou 5 lugares.
Em termos da balança comercial austríaca, Portugal posicionava-se, em 2009, como 40º cliente com 0,40% do total das exportações austríacas, e como 41º fornecedor com 0,19% das importações austríacas, assumindo, portanto, posições menos relevantes do que as da Áustria na nossa balança comercial.
Importância da Áustria nos Fluxos Comerciais com Portugal
2005 2006 2007 2008 2009 Posição 19ª 21ª 22ª 23ª 22ª Como cliente % 0,56 0,53 0,52 0,51 0,60 Posição 22ª 23ª 18ª 27ª 17ª Como fornecedor % 0,67 0,64 0,89 0,59 0,78
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
No período de 2005-2009, a balança comercial luso-austríaca foi continuamente desfavorável a Portugal, tendo o défice subido de cerca de 156,7 para 202,9 milhões de euros (+29,5%), com um pico de -313,4 milhões de euros em 2007.
A taxa de cobertura das chegadas pelas expedições caiu de 52,2% em 2005, para 47,8% em 2009, em consequência das dinâmicas diferentes de evolução das taxas médias de crescimento das expedições e chegadas, de 2,1% e 7,9%, respectivamente, naquele período, e, em especial, da evolução assimétrica das expedições e das chegadas, de -4,8% e 7,7%, respectivamente, em 2009, em relação a 2008.
É de realçar o desfasamento temporal de registo das consequências da crise económico-financeira internacional em ambas as economias: enquanto que, em 2008, as chegadas acusaram uma queda brusca de 29,1% e as expedições um ligeiro crescimento de 0,9%, em relação a 2007, já em 2009 as primeiras cresciam 7,7% e as segundas caíam 4,8%, em relação a 2008. Assim, no intercâmbio bilateral, a economia austríaca mostrava uma maior sensibilidade às mudanças conjunturais, mas também uma capacidade de reacção/adaptação mais rápida às novas circunstâncias.
Evolução da Balança Comercial Bilateral
(103 EUR) 2005 2006 2007 2008 2009 Evo. % a 05/09 Expedições 171.320 181.753 193.355 194.949 185.565 2,1 Chegadas 328.030 342.152 508.742 360.691 388.462 7,9 Saldo -156.710 -160.400 -313.386 -165.742 -202.897 -- Coef. Cobertura (%) 52,2 53,1 38,4 54,0 47,8 --
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2004 – 2008 P - Resultados preliminares.
As expedições portuguesas para a Áustria acusam um grau de concentração relativamente elevado, uma vez que 51,4% do valor expedido, em 2009, diz respeito apenas a três grupos de produtos – vestuário com 23,1%, máquinas e aparelhos com 15,9% e veículos e outro material de transporte com 12,4%. Dos restantes grupos de produtos, destacam-se, ainda, em 2009, os grupos de metais comuns (7,8% do total expedido), plásticos e borracha (7,8%), madeira e cortiça (5,4%), matérias têxteis (4,9%), produtos alimentares (4,3%), e de pastas celulósicas e papel (4,3%).
Há que realçar que a participação dos bens de capital, no total expedido, subiu de 25,2% em 2005, para 29,5% em 2009, garantindo, assim, o aumento da representatividade dos produtos de maior valor acrescentado no total expedido, ainda que em detrimento dos bens de amplo consumo.
No seu conjunto, em 2009, a estrutura das expedições apresentava-se, por grandes agrupamentos de produtos, relativamente equilibrada, com os produtos de maior valor acrescentado, os bens de capital, com 29,5% do total, os bens de amplo consumo com 35,6% (42% em 2005) e o os produtos intermédios com 34,8% (28,1% em 2005).
Em termos de grau de intensidade tecnológica, a estrutura das expedições era, em 2008, dominada pelos produtos de baixa tecnologia com 49,8% do total expedido, vindo depois, bastante aquém, os produtos de média-alta tecnologia (27,9%), de média-baixa tecnologia (17,5%) e de alta tecnologia (4,8%). Todavia, é de realçar a redução assinalável do peso dos produtos de baixa tecnologia na estrutura expedidora de 65% em 2004, para 49,8% em 2008 (-15,2 pontos percentuais), em favor de produtos de tecnologia mais elevada – média-baixa (+9,6 pontos percentuais), alta (+2,9 pontos percentuais) e média-alta (+2,6 pontos percentuais).
Numa óptica de NC a 4 dígitos, a estrutura das expedições era, em 2009, caracterizada pelos soutiens, cintas, suspensórios, etc., e artefactos semelhantes mesmo de malha com 15,1% do total expedido, automóveis de passageiros e outros veículos de transporte de passageiros, etc., com 8,7%, pneumáticos novos, de borracha com 6,3%, molas e folhas de molas, de ferro ou aço com 5,5%, aparelhos eléctricos de iluminação/sinalização, limpadores de pára-brisas, etc., com 4,4%, tabaco não manufacturado, desperdícios de tabaco com 4,2%, etc.
Finalmente, há que realçar que as expedições portuguesas para a Áustria mostram padrões de negócios relativamente estáveis. Com efeito, tomando como referência os dez primeiros capítulos da NC (a dois dígitos) de 2005, registava-se, em 2009, o aparecimento de apenas três novos capítulos nas expedições, ou seja, uma taxa de variabilidades de 30%, reflectindo assim nichos de mercado mais ou menos adequados à procura do mercado austríaco.
Expedições por Grupos de Produtos
(103 Euros) 2005 % 2008 % 2009 %
Vestuário 47.750 28,6 44.500 23,9 39.966 23,1
Máquinas e aparelhos 31.896 19,1 40.426 21,7 27.478 15,9
Veículos e outro material de transporte 9.704 5,8 11.009 5,9 21.357 12,4
Metais comuns 7.637 4,6 16.111 8,7 13.556 7,8
Plásticos e borracha 12.036 7,2 12.316 6,6 13.546 7,8
Madeira e cortiça 12.369 7,4 9.392 5,1 9.303 5,4
Matérias têxteis 7.857 4,7 8.930 4,8 8.455 4,9
Produtos alimentares 6.936 4,2 8.558 4,6 7.504 4,3
Pastas celulósicas e papel 221 0,1 2.640 1,4 7.499 4,3
Calçado 5,088 3,0 4.611 2,5 4.549 2,6
Minerais e minérios 1,895 1,1 2.851 1,5 3.270 1,9
Produtos agrícolas 1,727 1,0 905 0,5 2.188 1,3
Instrumentos de óptica e precisão 559 0,3 1.721 0,9 2.058 1,2
Peles e couros 869 0,5 1.397 0,8 1.277 0,7 Produtos químicos 2,473 1,5 2.228 1,2 1.207 0,7 Combustíveis minerais 2 0,0 0 0,0 0 0,0 Outros produtos 10,411 6,2 9.709 5,2 9.679 5,6 Valores confidenciais 7.678 4,6 8.574 4,6 0 0,0 Total 167.108 100,0 185.879 100,0 172.843 100,0
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
Nota: Os dados de 2007 e 2008 encontram-se corrigidos dos valores confidenciais, correspondentes às operações abrangidas pela lei do segredo estatístico. Por esta razão, poderá haver discrepância, para aqueles períodos, entre estes totais e os da balança comercial.
De acordo com os dados do INE, o número de empresas portuguesas que têm vindo a expedir produtos para a Áustria caiu de 720 em 2004 para 679 em 2008 (último ano disponível), reflectindo provavelmente o aumento da concorrência de leste no mercado austríaco a partir de 2004.
O grau de concentração das chegadas é significativamente superior ao das expedições, uma vez que, em 2009, aproximadamente 57% das aquisições diz respeito apenas a dois grupos de produtos – veículos e outro material de transporte com 33,1% e máquinas e aparelhos com 23,7%. Dos restantes grupos de produtos, destacam-se ainda os de produtos químicos (7,5% do total adquirido), metais comuns (5,6%), matérias têxteis (5,6%), pastas celulósicas e papel (5,0%), plásticos e borracha (4,4%), etc.
Há que realçar que a participação dos bens de capital no total expedido subiu de 49,4% em 2005, para 58,6% em 2009 (+9,2 pontos percentuais), registando-se, assim, uma maior de representatividade dos produtos de maior valor acrescentado no total adquirido, em detrimento dos produtos intermédios.
No seu conjunto, a estrutura das chegadas é, por grandes agrupamentos de produtos, acentuadamente desequilibrada, em favor dos produtos de maior valor acrescentado, os bens de capital, com 58,6% do total adquirido, e dos produtos intermédios com 32,6%, e em detrimento dos bens de amplo consumo, cujo peso relativo ascende apenas a 7,1% do total adquirido.
Em termos de grau de intensidade tecnológica, a estrutura das chegadas é, em 2008, dominada pelos produtos de média-alta tecnologia, com 47,0% do total das chegadas, seguida dos produtos de baixa tecnologia (26,5%), média-baixa tecnologia (14,2%) e de alta tecnologia (12,2%), caracterizando-se, portanto, as chegadas por um grau tecnológico significativamente superior ao das expedições.
Numa óptica de NC a 4 dígitos, a estrutura das chegadas era, em 2009, caracterizada pelas automotoras, mesmo para circulação urbana com 24,1% do total adquirido, veículos e carros blindados de combate, armados ou não, e suas partes com 5,2%, sangue humano, anti-soro, vacinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes com 3,9%, partes e acessórios destinados a máquinas com 3,4%, peles depiladas de outros animais, preparadas com 2,5%, papel e cartão revestidos de caulino ou de outras substâncias orgânicas com 2,2%, etc.
Finalmente, há que realçar que as chegadas mostram padrões de negócios relativamente estáveis. Com efeito, tomando como referência os dez primeiros capítulos pautais (a dois dígitos) de 2005, registava-se, em 2009, o aparecimento de apenas dois novos capítulos pautais nas chegadas, ou seja, uma taxa de variabilidade de 20%, reflectindo assim nichos de mercado mais ou menos adequados à procura de mercado português.
Chegadas por grupos de produtos
(103 Euros) 2005 % 2008 % 2009 %
Veículos e outro material de transporte 10.261 3,2 48.337 13,8 121.055 33,1
Máquinas e aparelhos 134.888 42,4 98.573 28,0 86.688 23,7
Produtos químicos 35.059 11,0 33.954 9,7 27.337 7,5
Metais comuns 26.368 8,3 32.267 9,2 20.501 5,6
Matérias têxteis 23.985 7,5 23.098 6,6 20.396 5,6
Pastas celulósicas e papel 14.392 4,5 20.889 5,9 18.130 5,0
Plásticos e borracha 16.211 5,1 24.021 6,8 15.993 4,4
Produtos alimentares 3.829 1,2 12.481 3,6 10.135 2,8
Peles e couros 3.835 1,2 16.824 4,8 9.687 2,6
Instrumentos de óptica e precisão 12.134 3,8 6.486 1,8 6.539 1,8
Madeira e cortiça 5.553 1,7 6.343 1,8 3.664 1,0 Minerais e minérios 3.690 1,2 2.290 0,7 2.689 0,7 Calçado 3.862 1,2 2.563 0,7 1.642 0,4 Vestuário 8.945 2,8 2.341 0,7 904 0,2 Produtos agrícolas 708 0,2 1.565 0,4 585 0,2 Combustíveis minerais 107 0,0 78 0,0 50 0,0 Outros produtos 8.307 2,6 11.724 3,3 13.469 3,7 Valores confidenciais 5.694 1,8 7.601 2,2 6.516 1,8 Total 317.827 100,0 351.436 100,0 365.980 100,0 Fonte: INE
Notas: Os dados de 2007 e 20078 encontram-se corrigidos dos valores confidenciais, correspondentes às operações abrangidas pela lei do segredo estatístico. Por esta razão, poderá haver discrepância, para aqueles períodos, entre estes totais e os da balança comercial.
Segundo os dados do INE, o número de empresas portuguesas que vêm adquirindo produtos no mercado austríaco caiu de 1.339 em 2004 para 1.237 em 2008 (último ano disponível).
3.2 Serviços
Em 2008, a Áustria posicionou-se como 17º mercado cliente dos serviços portugueses, tendo absorvido 0,8% das vendas totais ao exterior, e 16º fornecedor de serviços ao nosso país (0,6% das chegadas totais de serviços).
Nos primeiros nove meses de 2009, a Áustria assumia o 17º lugar no “ranking” de clientes, com uma quota de mercado de 0,8%, e o 16º lugar no de fornecedores, com um a quota de mercado de 0,7%, apontando, portanto, posições e quotas relativamente estáveis.
106 EUR 2004 2005 2006 2007 2008 Evol a % Jan/Nov 2008 Jan/Nov 2009 Expedições 104,6 96,0 125,0 147,1 147,1 9,9 n.d. 126,1 Chegadas 45,6 48,4 59,1 69,8 67,9 10,9 n.d. 64,7 Saldo 59,0 47,6 66,0 77,2 79,2 -- -- 61,4 Coef. Cob. 229,2% 198,4% 211,7% 210,6% 216,6% -- -- 195,0% % Exp. Total 0,9 0,8 0,9 0,9 0,8 0,8 % Che. Total 0,6 0,6 0,6 0,7 0,6 0,7
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2004-2008
No período de 2004-2008, a balança comercial de serviços luso-austríaca foi continuamente favorável a Portugal, tendo, em consequência, do diferencial de taxas médias de crescimento de 9,9% ao ano para as expedições e de 10,9% para as chegadas, a taxa de cobertura das chegadas pelas expedições caído de 229,2% para 216,6%, embora, em termos absolutos, o saldo positivo tenha aumentado de cerca de 59,0 milhões de euros em 2004, para 79,2% milhões de euros em 2008 (+34,3%).
Nos primeiros nove meses de 2009, a taxa de cobertura das chegadas pelas expedições desceu para 195,0%, reforçando a tendência vinda de trás.
3.3 Investimento
Importância da Áustria nos Fluxos de Investimento para Portugal
2004 2005 2006 2007 2008 Jan/Nov 2009 Posição b 16ª 16ª 17ª 19ª 22ª 23ª Portugal como receptor (IDE) % 0,1 0,5 0,3 0,1 0,1 0,0 Posição b 10ª 19ª 34ª 17ª 20ª 21ª Portugal como emissor (IDPE) % 0,9 0,2 0,0 0,5 0,2 0,1
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) Média aritmética de crescimento anuais no período 2004-2008 (b) Posição num conjunto de 55 mercados seleccionados
Enquanto país emissor de IDE, a Áustria tem perdido alguma importância para Portugal, tendo a sua posição no “ranking” de investidores caído do 16º lugar em 2004, para o 22º lugar em 2008 (6 lugares). Como receptor de IDPE, a posição austríaca testemunha um interesse acentuadamente instável dos operadores económicos portugueses por aquele mercado, traduzido numa regressão assinalável no “ranking” de receptores do 10º lugar em 2005, para o 20º lugar em 2008 (10 lugares).
Em termos absolutos, no período de 2004-2008, o investimento bruto português na Áustria ascendeu a cerca de 216,9 milhões de euros, enquanto que o desinvestimento se elevou a pouco mais de 461 milhões de euros, resultando daí um investimento líquido negativo de 244,2 milhões de euros, o que significa que, na realidade, Portugal não conseguiu manter intacta a sua posição na Áustria no período em causa, o que contraria a evolução positiva das expedições portuguesas para aquele mercado.
Investimento Directo de Portugal na Áustria
(103 EUR) 2004 2005 2006 2007 2008 Evol a % Jan/Nov 2008 Jan/Nov 2009 Investimento bruto 106.857 19.857 2.549 68.190 19.423 583,7 nd 9.205 Desinvestimento 107.084 6.237 247.026 95.572 5.111 902,6 nd 4.453 Investimento líquido -227 13.620 -244.476 -27.382 14.312 -- -- 4.752
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2004-2008
Nos primeiros nove meses de 2009, o investimento líquido português na Áustria registou um saldo positivo de cerca de 4,8 milhões de euros, contrariando a tendência anterior.
Investimento Directo da Áustria em Portugal
(103 EUR) 2004 2005 2006 2007 2008 Evol a % Jan/Nov 2008 Jan/Nov 2009 Investimento bruto 35.984 125.392 89.775 22.541 17.917 31,2 nd 10.198 Desinvestimento 10.478 12.006 21.417 27.104 4.620 9,1 nd 7.322 Investimento líquido 25.507 113.386 68.358 -4.562 13.298 -- -- 2.876
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2004-2008 Dados disponibilizados em Agosto de 2009
No período de 2004-2008, o investimento bruto austríaco em Portugal ascendeu a 291,6 milhões de euros, enquanto que o desinvestimento montou a 75,6 milhões de euros, resultando daí um investimento líquido positivo de aproximadamente 216 milhões de euros, o que significa que, contrariamente a Portugal, a Áustria melhorou a sua posição no nosso país no período em causa.
Nos primeiros nove meses de 2009, o investimento líquido austríaco em Portugal registou um saldo positivo de 2,9 milhões de euros, continuando assim a tendência anteriormente verificada.
3.4 Turismo
A Áustria assume uma posição relativamente moderada enquanto país emissor de turistas para Portugal, representando, em 2009, 1,2% do número total de hóspedes (16º lugar no ranking dos mercados externos), 1,3% das dormidas (15º lugar) e 0,8” do total das receitas de turistas estrangeiros (19º lugar).
No período de 2005-2009, o número de hóspedes austríacos cresceu a uma taxa média de 9,4% ao ano e o montante de receitas registou uma taxa média de crescimento anual de 10,6%, o que provavelmente reflecte uma ligeira melhoria da qualidade da oferta portuguesa e a chegada ao nosso país de turistas austríacos com maior poder de compra.
Embora os itens em análise acusem, de um modo geral, uma evolução algo errática, pode dizer-se, contundo, que, no fim do período, o posicionamento relativo da Áustria era algo melhor, no âmbito do sector turístico português. É de realçar que, em 2009, apesar do aumento registado no número de turistas e de dormidas, o montante de receitas caiu em relação a 2008 (-4,6%), o que provavelmente reflecte uma menor predisposição para o consumo do turista austríaco, em consequência do impacto negativo da crise económico-financeira mundial na economia do país.
Por outro lado, há que ter em consideração que, em 2008 (últimos dados disponíveis), as receitas geradas pelos turistas austríacos representavam apenas 0,8% dos seus gastos no estrangeiro, o que aponta para um potencial de crescimento ainda longe de esgotado.
Turismo da Áustria em Portugal
2005 2006 2007 2008 2009 Evol.% a 05/09 Janeiro 2008 Janneiro 2009 Hóspedes b 56.413 76.442 87.535 75.414 76.580 9,4 n.d. n.d. % Total 0,9 1,2 1,2 1,1 1,2 -- -- -- Posição c 18ª 17ª 15ª 18ª 16ª -- n.d. n.d. Dormidas b 219.805 324.968 349.077 294.959 308.003 11,0 n.d. n.d. % Total 0,9 1,3 1,3 1,1 1,3 -- -- -- Posição c 17ª 16ª 15ª 17ª 15ª -- n.d. n.d. Receitas b(103 EUR) 39.036 53.010 58.945 58.939 10,6 nd 2.059 % Total 0,6 0,8 0,8 0,8 -- nd 0,5 Posição d 19 18 20 20 -- nd 21
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento no período de 2004-2008 (b) Inclui apenas a hotelaria global
(c) Posição enquanto mercado emissor, num conjunto de 22 mercados (d) Posição enquanto mercado emissor, num conjunto de 55 mercados
4. Relações Internacionais e Regionais
A Áustria é membro da Organização de Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), da Câmara de Comércio Internacional (CCI), da organização das Nações Unidas (ONU) e das suas agências especializadas, de entre as quais se destaca a o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Integra a Organização Mundial de Comércio (OMC) desde 1 de Janeiro de 1995.
A nível regional, este país é membro da União Europeia (UE), do Conselho da Europa, da Agência Espacial Europeia (AEE), da Iniciativa Centro-Europeia (CEI) e tem estatuto observador, desde 1995, na União da Europa Ocidental (UEO).
Em Janeiro de 1995 aderiu à União Europeia, espaço de integração económica e política que tem passado por estádios distintos de evolução. O primeiro passo foi dado com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), seguida da assinatura do Tratado de Roma, em 1957, que instituiu a Comunidade Europeia de Energia Atómica (CEEA) e uma área de comércio livre designada por Comunidade Económica Europeia (CEE). A aprovação, em 1987, do Acto Único Europeu formalizou a entrada em vigor a 1 de Janeiro de 1993 de um Mercado Comum Europeu, com a livre circulação de mercadorias, capitais, pessoas e serviços.
Por sua vez, o Tratado da União Europeia, ratificado em 1993, na cidade de Maastricht, aprofundou o processo de integração, ultrapassando o estádio económico para atingir o âmbito político. Os principais objectivos são: criação da União Económica e Monetária; adopção de uma Política Externa e de Segurança Comum; cooperação nas áreas da justiça e da administração; e reforço da democracia e da transparência.
Com o Tratado de Nice, assinado em 26 de Fevereiro de 2001, procurou-se enfrentar o desafio do alargamento a 12 novos países. Destes, 10 (Chipre, Eslovénia, Eslováquia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa) aderiram à UE no dia 1 de Maio de 2004 e os restantes 2 (Bulgária e Roménia) a 1 de Janeiro de 2007.
Finalmente, a UE chegou a acordo sobre o Tratado Reformador (Tratado de Lisboa), assinado a 13 de Dezembro de 2007, que pretende melhorar a eficiência do processo de tomada de decisão, reforçar a democracia através da atribuição de um papel mais relevante ao Parlamento Europeu e aos parlamentos nacionais e aumentar a coerência ao nível da política externa, com vista a dar uma resposta mais eficaz aos desafios actuais. O Tratado de Lisboa entrou em vigor, após a sua ratificação por todos os Estados-Membros, a 1 de Dezembro de 2009.
Actualmente a UE é composta por 27 membros, sendo que apenas 16 adoptaram a moeda única europeia (Euro) e integram a União Económica e Monetária (UEM): Alemanha; Áustria; Bélgica; Chipre; Eslováquia; Eslovénia; Espanha; Finlândia; França; Grécia; Holanda; Irlanda; Itália; Luxemburgo; Malta; e Portugal.
O Conselho da Europa, a mais antiga organização política da Europa, foi criada em 1949 com o objectivo de promover a unidade e a cooperação no espaço europeu, desempenhando um papel relevante em questões relacionadas com a defesa dos direitos do homem e a democracia parlamentar. Actualmente, o Conselho da Europa conta com 46 membros. O seu instrumento mais importante de actuação é a adopção de convenções.
A UEO tem como fim primordial a promoção da cooperação europeia em matéria de segurança e de defesa mútua.
Por sua vez, a CEI, instituída em 1989, visa encorajar a cooperação e o desenvolvimento regional e bilateral entre os 18 países que a integram (Albânia, Áustria, Bielorússia, Bósnia Herzegovina, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Itália, Macedónia, Moldávia, Montenegro, Polónia, República Checa, Roménia, Sérvia e Ucrânia).
5. Condições Legais de Acesso ao Mercado
5.1 Regime Geral de Importação
A Áustria, como membro da União Europeia, é parte integrante da União Aduaneira, caracterizada, essencialmente, pela livre circulação de mercadorias e pela adopção de uma política comercial comum em relação a países terceiros.
Com a adesão à UE, em 1 de Janeiro de 1995, este país passou a fazer parte do Mercado Único instituído em 1993 entre os Estados-membros da UE, um grande espaço económico interno, traduzido na liberdade de circulação de bens, capitais, serviços/estabelecimento e de pessoas, tendo sido derrubadas as fronteiras internas, físicas, aduaneiras, fiscais e técnicas.
Deste modo, as mercadorias com origem na UE ou colocados em livre prática no território comunitário, encontram-se isentas de controlos alfandegários, sem prejuízo, porém, de uma fiscalização no que respeita à qualidade e características técnicas.
A União Aduaneira implica, para além da existência de um território aduaneiro único, a adopção da mesma legislação neste domínio – Código Aduaneiro Comunitário - bem como a aplicação de iguais imposições alfandegárias aos produtos provenientes do exterior - Pauta Exterior Comum (PEC).
A regra geral de livre comércio com países terceiros não impede que as instâncias comunitárias determinem restrições às importações (fixação de contingentes anuais), quando negociadas no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC).
A PEC baseia-se no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), sendo os direitos aduaneiros na sua maioria ad valorem, calculados sobre o valor CIF das mercadorias.
De referir que a entrada de produtos no mercado austríaco encontra-se, ainda, sujeita ao Imposto sobre o Valor Acrescentado, aplicável numa base não discriminatória, isto é, nas transacções de bens e prestações de serviços a título oneroso, nas aquisições intracomunitárias, bem como nas importações de mercadorias. Este encargo, consoante as mercadorias, pode traduzir-se nas seguintes taxas: 20% (taxa normal) incidente sobre a generalidade dos bens e serviços; 10% (taxa reduzida) que recai sobre os géneros alimentícios e determinados serviços.
Há, ainda, a considerar, o facto de determinados produtos se encontrarem submetidos ao pagamento de Impostos Especiais de Consumo, como sejam o álcool, as bebidas alcóolicas, o tabaco, os produtos petrolíferos e os automóveis.
Os interessados podem aceder a informação sobre os impostos e taxas na página da UE, em – http://ec.europa.eu/taxation_customs/taxation/personal_tax/gen_overview/index_en.htm
5.2 Regime de Investimento Estrangeiro
O investidor estrangeiro encontra neste país um regime jurídico adaptado ao ordenamento comunitário, no sentido de uma maior liberalização do direito de estabelecimento e da livre circulação de capitais, embora apresentando algumas particularidades.
De referir que todos os Estados-membros consagraram o regime geral de liberdade dos investimentos provenientes do exterior, com excepção dos sectores sujeitos a regulamentação específica em matéria do direito de estabelecimento (como sucede com os os sectores bancário e segurador) ou sob o domínio do Estado (a indústria de armamento, a exploração de casinos, a cunhagem de moedas e a produção de álcool metílico encontram-se vedadas à participação de capital estrangeiro).
Importa realçar que a Áustria dá especial atenção às condições de trabalho e à protecção do ambiente, possuindo um amplo quadro legislativo que deverá ser tido em conta pelo investidor estrangeiro. Neste sentido, por exemplo, a construção ou instalação de indústrias necessita, entre outros requisitos, de obter uma autorização administrativa prévia (a Betriebsanlagengenehmigung). Também o exercício de uma actividade industrial exige a obtenção prévia de uma licença (a Auszug aus dem Gewerberegister).
Ao promotor externo é conferido o mesmo tratamento que o concedido aos nacionais, não existindo, de modo geral, restrições no sector privado, podendo as empresas ser detidas a 100% por capital estrangeiro. O Governo austríaco acolhe favoravelmente os projectos de investimento que promovam as exportações, aumentem o nível de produtividade do país e do emprego e protejam o meio-ambiente.
À semelhança dos restantes parceiros comunitários, não são estabelecidos quaisquer controlos cambiais e o repatriamento de capital, lucros, dividendos e royalties processa-se livremente, sendo apenas necessário efectuar uma simples declaração para fins meramente estatísticos, junto do Banco Central (www.oenb.at/en/welcome_to_the_oenb.jsp).
A “ABA - Invest in Austria” é a entidade governamental competente na prestação de informações e esclarecimentos referentes aos trâmites legais e administrativos inerentes à apresentação e desenvolvimento dos projectos, incluindo a constitutição de sociedades (www.aba.gv.at/uploads/StartingBusiness2009_10706_EN.pdf).
O investidor estrangeiro tem à sua disposição vários programas de incentivos, de âmbito geral, que abrangem não só as empresas de maior dimensão como também as PME (ex.: introdução de processos inovadores de fabrico e de reciclagem de produtos, prestação de novos serviços, estudos e prospecção de mercados, pesquisa e desenvolvimento industrial e transferência de tecnologia), de âmbito específico, onde aos diferentes sectores correspondem diferentes níveis de prioridade relativamente aos vários programas de incentivos, e de âmbito regional (dirigidos especificamente às zonas mais carenciadas do país – Burgenland, NiederÖsterreich, OberÖsterreich, Steiermark e Voralberg). Estes apoios podem revestir, entre outras, a forma de subsídios ou empréstimos a juros preferenciais - www.aba.gv.at/uploads/Overview__Investment_incentives_10903_EN_10903_EN.pdf e www.aba.gv.at/uploads/InvestmentincentivesinAustria_10711_EN.pdf.
Finalmente, por forma a promover e a reforçar o desenvolvimento das relações de investimento entre os dois países, foi celebrada entre Portugal e a Áustria a Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento e o Capital, em vigor desde 27 de Fevereiro de 1972.
5.3 Quadro Legal
Regime de Importação
• Regulamento (CEE) – n.º 2454/93, JOCE n.º L253, de 11 de Outubro (com alterações posteriores) – Fixa determinadas disposições de aplicação do Regulamento (CEE) n.º 2913/92, que estabelece o Código Aduaneiro Comunitário.
• Regulamento (CEE) n.º 2913/92, JOCE n.º L302, de 19 de Outubro (com alterações posteriores) – Estabelece o Código Aduaneiro Comunitário.
Regime de Investimento Estrangeiro
A ABA disponibiliza informações sobre a legislação societária, comercial, laboral e fiscal na sua página em: www.aba.gv.at/uploads/StartingBusiness2009_10706_EN.pdf.
A Legislação austríaca sobre estes assuntos, entre outros, pode ser consultada em: www.lexadin.nl/wlg/legis/nofr/eur/lxweoos.htm.
Acordo Relevante
• Decreto-Lei n.º 70/71, de 8 de Março – Aprova a Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre o Rendimento e sobre o Capital.
Para mais informação legislativa sobre mercados externos, consulte o Site da aicep Portugal Global em: http://www.portugalglobal.pt/PT/Internacionalizar/SobreMercadosExternos/Paginas/SobreMercadosExternos.aspx
6. Informações Úteis
Riscos de Crédito e Caução e do Investimento Nacional no Estrangeiro
A COSEC – Companhia de Seguro de Créditos, S.A. gere, por conta do Estado português, a garantia de cobertura de riscos de crédito e caução e do investimento nacional no estrangeiro, originados por factos de natureza política, monetária e catastrófica.
Indicações mais pormenorizadas sobre políticas e condições de cobertura podem ser obtidas junto da Direcção Internacional da COSEC.
Hora Local
Corresponde ao UTC mais uma hora.
Horários de Funcionamento Serviços Públicos: 8h00-16h00 (segunda-feira a sexta-feira) Bancos: 8h00-12h30/13h30-15h00
(segunda-feira, terça-feira, quarta-feira e sexta-feira) 8h00-12h30/13h30-17h30
(quinta-feira)
Comércio:
8h00-19h00
(segunda a sexta feira, excepção para as grandes cadeias: até 21h00) 8h00-18h00
(sábado)
Feriados
1 de Janeiro – Dia de Ano Novo 6 de Janeiro – Dia de Epifania 1 de Maio – Dia do Trabalho 15 de Agosto – Dia da Assunção 26 de Outubro – Feriado Nacional
1 de Novembro – Dia de Todos-os-Santos 8 de Dezembro – Imaculada Conceição 25 de Dezembro – Dia de Natal
Feriados móveis:
Segunda-feira de Páscoa Dia da Ascensão
Segunda-feira de Pentecostes Dia de Corpo de Deus
Corrente Eléctrica
230 volts AC, 50 Hz.
Pesos e Medidas
É utilizado o sistema métrico.
7. Endereços Diversos
Em Portugal
aicep Portugal Global
O´Porto Bessa Leite Complex
Rua António Bessa Leite, 1430 – 2º andar 4150-074 Porto
Tel.: 22-6055300 | Fax: 22-6055399
E-mail: [email protected] | http://www.portugalglobal.pt
aicep Portugal Global Av. 5 de Outubro, 101 1050-051 Lisboa
Tel.: 21-7909500 | Fax: 21-7909581
E-mail: [email protected] | http://www.portugalglobal.pt
Embaixada da Áustria em Portugal Embixador Bernhard Wrabetz Avenida Infante Santo, 43 - 4° 1399-046 Lisboa
Tel.: 21-394 39 00 | Fax: 21-395 82 24
Delegação Comercial da Áustria em Portugal Rua Rodrigues de Sampaio, 18 – 5º
1169-027 Lisboa
Tel.: 21-3171010 | Fax: 21-3171019
E-mail: [email protected] | www.advantageaustria.org
Na Áustria
aicep Portugal Global Opernring, 1/Stiege R/2. OG A-1010 Viena - Áustria
Tel.: 43-1-5854450 | Fax: 43-1-5854445 E-mail: [email protected]
Embaixada de Portugal na Áustria Embaixador Manuel Marcelo Curto Opernring, 3/1
1010 Viena – Áustria
Tel.: 43-1-5867536 | Fax: 43-1-586753699 E-mail: [email protected]
Austrian Business Agency Opernring, 3
1010 Viena - Áustria
Tel.: 43-1-588580 | Fax: 43-1-5868659
E-mail: [email protected] | http://www.aba.gv.at
Austrian Federal Economic Chamber Wiedner Hauptstr, 63
1045 Viena - Áustria
Tel.: 43-1-50105 | Fax: 43-1-50206250 www.wko.at
Austrian National Tourist Office Margaretenstr, 1
1040 Viena – Áustria
Tel.: 43-1-588660 | Fax: 43-1-5886620 http://www.austria.info
Austrian National Bank (Banco Central) Otto Wagner-Platz, 3 1090 Viena - Áustria Tel.: 43-1-404200 | Fax: 43-1-4046696 http://www.oenb.at
8. Fontes de Informação
8.1 Informação Online aicep Portugal Global
Documentos Específicos sobre Áustria
• Título: “Áustria – Relações Económicas com Portugal” Edição: 10/2009
• Título: “Áustria – Condições Legais de Acesso ao Mercado” Edição: 10/2007
• Título: “Áustria – Oportunidades e Dificuldades de Mercado” Edição: 07/2007
• Título: “Áustria – Evolução do Sector Têxteis-Lar” Edição: 02/2007
• Título: “Áustria – Evolução do Sector de Bebidas Alcoólicas” Edição: 10/2006
• Título: “Áustria – Vestuário – Breve Apontamento” Edição: 09/2006
Documentos de Natureza Geral
• Título: “Acordos Bilaterais Celebrados por Portugal” Edição: 03/2010
• Título: “Acordos Bilaterais Portugal/UE” Edição: 03/2010
• Título: “Apoios Financeiros à Internacionalização – Guia Prático” Edição: 02/2010
• Título: “Aspectos a Acautelar num Processo de IDPE” Edição: 07/2009
• Título: “Rotulagem de Produtos Alimentares na UE” Edição: 06/2009
• Título: “Marcas e Desenhos ou Modelos – Regimes de Protecção” Edição: 02/2009
• Título: “Normalização e Certificação” Edição: 11/2008
• Título: “Como Participar em Feiras nos Mercados Externos” Edição: 08/2008
• Título: “Seguros de Créditos à Exportação” Edição: 06/2008
• Título: “Seguro de Investimento Directo Português no Estrangeiro” Edição: 06/2008
• Título: “Guia do Exportador” Edição: 02/2008
• Título: “Etiquetagem de Produtos Têxteis na União Europeia” Edição: 07/2005
• Título: “Contrato Internacional de Agência” Edição: 03/2005
• Título: “Dupla Tributação Internacional” Edição: 12/2004
• Título: “A Internacionalização das Marcas Portuguesas através do Franchising” Edição: 11/2004
• Título: “Principais Formas de Sociedades na UE – Guia por País” Edição: 09/2004
• Título: “Pagamentos Internacionais” Edição: 06/2004
A Informação On-line pode ser consultada no site da aicep Portugal Global, na Livraria Digital em – http://www.portugalglobal.pt/PT/Biblioteca/Paginas/Homepage.aspx