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MAPA MENTAL: NOVA PROPOSTA DE REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA

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Academic year: 2021

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MAPA MENTAL: NOVA PROPOSTA DE REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA

Ester Dias de Araujo

Leonardo Viana Valim

Vitor Silva de Miranda

Pablo Kennedy da Silva Cabral

INTRODUÇÃO

A partir da observação e análise do uso da cartografia no ambiente de ensino, tanto no Fundamental, Médio ou Superior, é necessário à busca por uma reformulação na elaboração pedagógica da forma como esse conteúdo é utilizado dentro da sala de aula.

Com isso, realizaremos uma análise sobre oque são e os tipos de mapas mentais e sua utilização no processo ensino-aprendizagem, abordando todos os métodos estruturais que neles contém e as problemáticas apresentadas em si.

Tal análise será realizada por bases teóricas que auxiliaram na elaboração de um pensamento liberto dos moldes tradicionais do ensino de cartografia, para que haja espaço para novas formas de se pensar o ensino de cartografia- no caso, por meio de mapas mentais.

PROBLEMÁTICA CARTOGRÁFICA.

A aplicação da cartografia no âmbito escolar, geralmente nas matérias relacionadas à Geografia tem apresentado diversas problemáticas em relação ao método, como, por exemplo, a rigidez da prática já estabelecida que transforma as tarefas de ensino-aprendizagem menos interessantes, tanto para professores quanto para os estudantes.

Tais problemáticas nascem para os estudantes e futuros professores desde a graduação em Geografia, pois tudo isso faz com nossas experiências, tanto acadêmicas quanto profissionais, estejam submetidas a um desgaste pela falta de novos estímulos, de novas possibilidades de se organizar em relação ao que será desenvolvido.

Com isso, a cartografia vem enfrentando diversos questionamentos no ambiente geográfico, tanto pelas problemáticas apresentadas acima, quanto ao seu caráter geográfico, algo que não tem sido muito observado. A cartografia tem se limitado a ser apenas um mecanismo de representação do meio, distanciando-se de questões muito importantes na Geografia, que buscam a reflexão, a crítica e a subjetividade no processo de ensino-aprendizagem.

Essas problemáticas não levam ao ensino de Cartografia, nos três níveis de ensino – Fundamental, Médio e Superior –, a uma discussão critica com os estudantes sobre as transformações que vem ocorrendo no espaço por eles habitados, independente que fator a ser considerado, seja cultural, ambiental, politico, entre outros.

Devido a isso, mudanças são necessárias e estão sendo planejadas para que haja no ambiente escolar uma maior interação entre o conteúdo de cartografia e o caráter geográfico. Novas formas de elaboração cartográficas estão sendo organizadas para que a análise, a crítica e a reflexão sobre o espaço estejam presentes no estudo geográfico e cartográfico simultaneamente, como a utilização de Mapas Mentais.

MAPAS MENTAIS: NOVAS POSSIBILIDADES DE EXPERIMENTAÇÃO CARTOGRÁFICA.

Diante das considerações feitas anteriormente uma das diversas formas de trabalhos possíveis em cartografia em sala de aula se daria pelo uso de mapas mentais.

Mapa mental seria a utilização de diversas informações contidas no nosso na nossa memória que estabelecem relações com o os mesmos, os mapas mentais são formas de nos revelar como os espações, as informações, a relações estão sendo compreendidas.

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Existem duas abordagens possíveis a serem analisadas pela utilização de mapas mentais, que são a de caráter geográfico e a utilizada na neurociência. Partindo da análise do que seria um mapa mental na neurociência (Imagem 1) temos a compreensão do mesmo com um diagrama, voltado para a organização de informações, de conhecimento para a compreensão e solução de problemas, no aprendizado e na memorização que se encontram relacionados com uma palavra-chave ou uma ideia central, e cujas informações relacionadas em si são irradiadas (em seu redor). A sua principal função é geração, visualização e classificação taxonômica das ideias, pelo que serve de ajuda para o estudo, a organização de informações, a tomada de decisões e a escrita.

Imagem 1: Esquema de um mapa mental, também chamado de mapa conceitual.

Fonte: www.latec.ufrj.br/hipertexto/index.php/glossario/236-mapas-mentais.html (2013)

Para a Geografia os mapas mentais tem outra forma de elaboração, que possui uma proposta útil para o entendimento dos lugares, dos espaços. Mapa mental são aspectos construídos pela percepção dos espaços, os mapas mentais tem a capacidade de transmitir de forma única como que uma pessoa visualiza certos lugares, demonstrando como sua vivência, suas experiências são capazes de modificar o espaço e sua percepção do mesmo.

Essas possíveis representações podem se manifestar por diversas formas gerar resultados sempre únicos. Mesmo que o espaço a ser analisado seja o mesmo, as vivencias dos indivíduos que neles habitam, suas experiências serão sempre distintas gerando múltiplas formas de conhecimento espacial, como é possível observar no relato de Bauman (2001):

Numa de minhas viagens de conferências (a uma cidade populosa, grande e viva do sul da Europa), fui recebido no aeroporto por uma jovem professora, filha de um casal de profissionais ricos e de alta escolaridade. Ela se desculpou porque a ida para o hotel não seria fácil, e tomaria muito tempo, pois não havia como evitar as movimentadas avenidas para o centro da cidade, constantemente engarrafadas pelo tráfego pesado. De fato, levamos quase duas horas para chegar ao lugar. Minha guia ofereceu-se para conduzir-me ao aeroporto no dia da partida. Sabendo quão cansativo era dirigir na cidade, agradeci sua gentileza e boa vontade, mas disse que tomaria um táxi. O que fiz. Dessa vez, a ida ao aeroporto tomou menos de dez minutos. Mas o motorista foi por fileiras de barracos pobres, decadentes e esquecidos, cheios de pessoas rudes e evidentemente desocupadas e crianças sujas vestindo farrapos. A ênfase de minha guia em que não havia como evitar o tráfego do centro da cidade não era mentira. Era sincera e adequada a seu mapa mental da cidade em que tinha nascido e onde sempre vivera. Esse mapa não registrava as ruas dos feios "distritos perigosos" pelas quais o táxi me levou. No mapa mental de minha guia, no lugar em que essas ruas deveriam ter sido projetadas havia, pura e simplesmente, um espaço vazio (BAUMAN, 2001, p. 121)

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A citação acima é um exemplo de um mapa mental que só existe na cabeça de quem vivenciou as experiências proporcionadas pelo lugar.

Existem também os mapas mentais que são transformados em imagens (imagem 2), que são representações gráficas feitas a partir do conhecimento, das experiências de certos espaços, de acontecimentos sociais, culturais, históricos e econômicos, que não seguem regras de elaboração, são representações livres e pessoais dos espaços. Nesses mapas as representações, em muitas das vezes, se apresenta de forma fantasiada, de uma maneira única, que dependerá das experiências do individuo que esta produzindo o mapa mental.

Imagem 2: mapa mental de uma região, onde é observada a mudança da coloração da vias dependendo da área.

Fonte: www.mundogeo.com (2002)

Nesta pequena análise dos diferentes tipos de mapas mentais é possível repensar a nossa maneira de como aplicar a cartografia no ensino-aprendizagem de uma maneira que permita a agregação com conceitos geográficos, de experiências vivenciadas pessoalmente e de da própria cartografia que maneira mais livre.

MAPA MENTAL NO PROCESSO DE ENSINO-APREDIZAGEM.

Para a elaboração deste texto foi tido como base o artigo do Prof. Dr. Denis Richter “Ensino de Geografia, Espaço e Linguagem Cartográfica”, onde ele apresenta uma discussão a respeito da presença da cartografia no ambiente escolar e a forma como a qual é trabalha em sala de aula, o autor argumenta a respeito da dualidade existente no conteúdo da cartografia em respeito ao caráter critico da geografia. Richter está preocupado com o que a esse modo de aplicação cartográfica usual tem causado no âmbito social dos estudantes, que discussões, questionamentos surgiram para eles. A partir desta discussão, Richter apresenta uma analise é propõe a utilização de novos métodos em sala de aula, no caso específico dos mapas mentais.

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Com essas propostas bem estruturadas e elaboradas no artigo, vamos abordar como a experimentação dos mapas mentais em sala de aula de que grande importância e como esse modo de se trabalhar a cartografia é um forma pratica de união de própria cartografia com a geografia e as experiências dos estudantes.

Para isso, usaremos um exemplo de um trabalho realizado em uma turma do 8° ano, 7ª série, em uma aula de geografia, aonde a professora utilizou os mapas mentais como representações gráficas com seus estudantes para saber oque eles tinham de conhecimento do território brasileiro (imagens 3 e 4).

Imagens 3 e 4: Representação dos mapas mentais do território brasileiro.

Fonte: www.escolacastanheiras.com.br (2013)

Nessas representações os estudantes realizaram mapas diversos sobre seus conhecimentos sobre o território brasileiro, onde é possível observar como cada estudante tem suas experiências, seus conhecimentos diversos, gerando uma multiplicidade de experiências e mapas únicos de um mesmo espaço geográfico (imagem 5).

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Imagem 5: Demonstração dos diversos mapas surgidos a partir das diversas experiências pessoais dos estudantes

. Fonte: www.escolacastanheiras.com.br (2013)

Com esses exemplos, é possível ver como a cartografia pode acrescentar com a geografia para o surgimento de reflexões, da subjetividade e da crítica do espaço conhecido, trazendo todas as diversas informações existentes em uma sala de aula e explorando-a de maneira a observar como é cada estudante no seu individual, cada um com suas características.

CONCLUSÃO

É possível concluir que é necessário repensar o atual modo de utilização dos mapas na cartografia, tanto no escolar, quanto no acadêmico, temos que colocar em atividade novos meios de produção desses conhecimentos. Os mapas mentais aparecem como uma ótima proposta dentro de si agregando diversas possibilidades de utilização e de tradução das multiplicidades existentes em um ambiente escolar.

Os mapas mentais como representações gráficas são ótimas propostas dentro de sala de aula, mas existem também os outros tipos mapas mentais que podem ser trabalhados e utilizados com agregados ao ensino de geografia e de cartografia.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARCHELA, R.S.; GRATÃO, L. H.B. e TROSTDORF, M. A. S. O lugar dos mapas mentais na representação do lugar. Revista de geografia, Londrina, v. 13, p. 127-141. 2004.

CRAMPTON, J. W. e KRYGIER, J. Uma introdução à cartografia crítica. In: ACSELRAD, H. (org.). Cartografias sociais e territórios. Rio de Janeiro: UFRJ/IPPUR, 2008.

GIRARDI,Gisele. Cartografia e Geografia: breve histórico. Vitória, 2003. p. 1-19.

NOGUEIRA, A. R. B. Mapa Mental: recurso didático para o estudo do lugar. In .PONTUSCHKA, N. N. Geografia em Perspectiva. Sãp Paulo: Contexto. 2002.

RICHTER, Denis et al. Ensino de Geografia, Espaço e Linguagem Cartográfica. Mercator (Fortaleza. Online), v. 9, p. 163-178, 2010.

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