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Manual de Paracletologia

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Academic year: 2021

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 2

Copyright © 2012 Antônio Carlos Gonçalves Bentes

Capa:

Carlos Bentes

Revisão e diagramação:

Charles Reuel de Andrade Bentes

1ª edição: 2012

Bentes, Antônio Carlos Gonçalves.

Manual de Paracletologia – Lagoa Santa, MG: edição do autor, 2012.

ISBN

CDD

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 3 ÍNDICE

PARACLETOLOGIA - PNEUMATOLOGIA 5

INTRODUÇÃO 5

O ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO 9

O ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO 10

A TRINDADE NAS ESCRITURAS 13

A TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO 16

A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO 18

A DIVINDADE E ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO 26

A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO 27

O ESPÍRITO SANTO É ASSEXUADO 30

NOMES DO ESPÍRITO SANTO 30

TÍTULOS E SÍMBOLOS DO ESPÍRITO 31

OS TRÊS TIPOS DE UNÇÃO: 35

O ESPÍRITO SANTO NA ERA PRÉ-PENTECOSTAL 38

O ESPÍRITO SANTO NA ERA PÓS-PENTECOSTAL 40

OS TRÊS BATISMOS 41

A DOUTRINA DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO 44

CESSACIONISMO E O FALAR EM LÍNGUAS 57

O PROPÓSITO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO 67

DIAIRESIOLOGIA - A DOUTRINA DAS DIVERSIDADES 85

DIVERSIDADE DE DONS 88

DIVERSIDADE DE MINISTÉRIOS 121

DIVERSIDADES DE OPERAÇÕES 133

DIVERSIDADES DE MEMBROS 139

INSPIRAÇÃO 140

O ESPÍRITO SANTO NA IGREJA LOCAL 157

FRUTO DO ESPÍRITO SANTO 163

(4)

Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 4 Apresentação

Teólogo de grande sabedoria, pastor de coração imenso, professor de teologia como poucos, mas acima de tudo homem de caráter ilibado, Antônio Carlos Gonçalves Bentes é também um escritor inspirado, autor de vários livros que tive o prazer de ler e reler e com eles aprender.

E de novo, temos diante dos olhos mais uma produção da pena fecunda do pastor Bentes, tratando de um assunto importantíssimo, antigo, muito estudado, mas paradoxalmente incompreendido em muitos arraiais evangélicos: A Doutrina do Espírito Santo - Pneumatologia.

O texto que você vai ler a seguir é um acurado estudo bíblico, escrito com a profundidade e a correção teológicas requeridas pelos eruditos e com a simplicidade e a leveza necessárias à compreensão daqueles que ainda estão nos primeiros estágios da vida cristã.

Se tivesse que resumir a minha opinião sobre este novo livro do pastor Bentes a uma única palavra, eu diria, sem pensar: útil. Com certeza, é um texto útil, proveitoso, benéfico. Útil para os púlpitos, útil para as escolas dominicais, útil para os estudos em grupo, mas especialmente útil, proveitoso, benéfico para o crescimento pessoal na “fé uma vez por todas confiada aos santos”.

Por isso, além do privilégio de apresentar Manual de Paracletologia – A Doutrina

do Espírito Santo ao público leitor, sinto-me impelido a recomendar efusivamente sua

leitura e seu estudo por todos os que querem crescer no conhecimento da Palavra de Deus e divulgar a sã doutrina.

Boa leitura e que Deus o abençoe rica e abundantemente.

+José Moreno

Bispo anglicano

Reitor da American Pontifical Catholic University (EUA) Autor de Desperte o Poder do Alto.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 5 PARACLETOLOGIA - PNEUMATOLOGIA

O ESPÍRITO SANTO A FONTE DA ENERGIA DIVINA INTRODUÇÃO 1

As Escrituras apresentam-nos Deus em Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. No Velho Testamento Deus nos é apresentado como “sendo por nós”, nos Evangelhos como “estando conosco” e nas epístolas como “estando em nós”, Deus conosco e Deus em nós é a síntese de todas as relações de Deus para com o homem.

A obra da Salvação é vista em duas grandes divisões: “O Calvário e o Pentecostes”. Tanto o Espírito Santo como o Senhor Jesus Cristo são necessários para que sejamos recriados à imagem divina. O que Cristo na Carne não pode fazer, o Espírito Santo sem carne veio fazer.

O homem quanto à sua relação com Deus, acha-se diante de dois grandes problemas, um exterior e outro interior. Externamente é necessário que alguém o reconcilie com Deus. Isto Cristo fez na sua morte. O problema interno consiste no fato de que, ainda perdoado, o homem está sujeito ao pecado que habita no seu íntimo. Isto o Espírito Santo pode fazer ou resolver, porque a Obra dEle é feita internamente em nós. Cristo salva o homem da condenação do pecado. O Espírito Santo salva o homem do Poder do Pecado (Rm. 8.1,2).

Antes de entrarmos no empolgante estudo do Espírito Santo meditaremos em duas importantes perguntas:

1ª) O que é a vida? Aqui falamos na vida global, a vegetal e a animal. A questão que tratamos aqui é quanto à energia que causa e sustenta a vida desde da planta até o animal, do micro-organismo até ao macro-organismo.

Excetuando o espírito do homem, podemos definir a vida como sendo a conseqüência ou resultado da matéria organizada. Esta matéria organizada pode ser planta ou animal. Mas sem esta organização a vida não se manifesta nem funciona. A vida é a manifestação (fanerosis) da Energia Divina.

Usemos a ilustração da luz elétrica. Esta é o resultado da organização da matéria de dínamo e de fios elétricos. Fora desta organização não há luz elétrica. Apresentamos esta ideia não como doutrina, porque não há dados suficientes para tal, isto é, que toda a vida, exceto o espírito humano resulta da organização da matéria. É certo, entretanto que quando Deus criou a matéria, deu-lhes essa propriedade de, uma vez organizada, de certa forma, a vida aparecer. E assim tem acontecido e assim se explica o fenômeno que se chama vida. Porém, desorganiza-se a matéria e logo se irá a vida com todas as manifestações. E não vale a pena perguntar de tal vida. É como a luz que se apaga. Não foi a parte nenhuma! O fenômeno desapareceu porque a sua causa (a organização) desapareceu. É por isso que, quando um animal morre, tudo acaba. A morte é aniquilação completa do animal.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 6

2ª) O que é Espírito? Há diferença entre vida e espírito? A organização da matéria quer simples, quer complexa, explica todos os fenômenos que acontecem com os animais. Porém, já não é assim com o espírito. Este, ao invés de receber da matéria, tem em si mesmo os poderes de pensar, querer e amar. O espírito saindo da matéria, pode ainda continuar a funcionar tão bem, ou melhor do que quando estava na matéria. Ilustremos: Há pianos automáticos, estes são agentes e instrumentos ao mesmo tempo. Porém, desorganizado o mecanismo não há mais música. Há outros pianos que são tocados por mãos humanas. O piano é simples instrumento. Porém, acabando-se com o instrumento não se acaba com a música ou o agente. É assim com os homens.

O homem foi criado com corpo, alma e espírito, enquanto outros animais foram criados corpo e alma vivente. Devemos fazer distinção entre espírito e alma vivente. O sopro divino (nishmath hayim) tornou-se o espírito humano e não um ser divino, entretanto este espírito tornou o homem infinitamente superior a qualquer outro animal, visto que o homem só se tornou alma vivente depois que o espírito humano lhe foi comunicado (assoprado) (Jó 27.3; Zc 12.1). Estes textos descrevem, com toda precisão, que o espírito do homem não é alma e que, não obstante ser vida (zōē)2, é vida de origem divina o princípio que anima o seu ser. A palavra neshama não é usada na criação dos outros animais, nem expressa meramente vida animal (Gn 7.21-23; Dt 21.16-22; Js 11.11-14; 1 Rs 17.17-22). O espírito humano foi, portanto, o resultado do ato especial de Deus, assim como foi seu corpo.

O corpo humano é feito do pó da terra (Gn 2.7), é o tabernáculo em que Deus coloca o espírito humano. O corpo não é agente, é simplesmente instrumento. Conseqüentemente o que se observa não é o fruto da organização dos elementos químicos que constitui seu tabernáculo; o que se vê nele é o resultado do PODER CRIADOR DE DEUS, dando a existência a um ser espiritual, criado à semelhança do próprio Deus.

As faculdades que o espírito possui juntamente com as faculdades da alma constituem o que chamamos de EGO ou EU. No animal não existe semelhante coisa. O princípio mecânico-biológico explica tudo quanto há no animal. Porém está longe de explicar tudo quanto há no espírito.

Quando a vida acaba no animal este deixa de existir, porque a morte dissolve e destrói a organização que produz esse fenômeno. Mas, quando o espírito sai do homem, esse espírito ainda continua a pensar, querer e amar, devido ao fato de que essas faculdades lhe pertencem por natureza e não dependem de modo algum da organização da matéria ou do corpo. Neste fato temos a base para a imortalidade e a indestrutibilidade do espírito humano.

O corpo humano é matéria organizada, e naturalmente tem vida como qualquer matéria organizada. Deixamos, porém, de emitir qualquer opinião sobre a relação dessa vida, com o próprio espírito que está no homem. Parece que o Criador não quis esclarecer-nos sobre este mistério. O animal não tem espírito, só vida (psiquê e bios). O

2 ZŌĒ (ζωή/). É a vida mais elevada, a vida do Espírito. Sempre que a Bíblia fala de Vida Eterna ela usa esta palavra (Jo 3.16; 4.14; 5.24-26; 6.27, 33, 35, 49, 47, 48, 51). Das 135 referências do Novo Testamento grego, 122 diz respeito a vida eterna ou a vida que só Deus possui. Apenas 13 referências diz respeito a esta vida terrena.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 7

homem possui um espírito e tem vida, o homem é um espírito incorporado. A essência do homem está no seu espírito. Por isso nós nos limitamos a proclamar, apenas a grande diferença que existe entre o espírito e a vida, sem procurar reconciliar os dois no próprio homem.

Tentamos definir vida e espírito, queremos agora dizer alguma coisa sobre o

Espírito infinito e absoluto que é Deus. Há uma diferença entre o Espírito Infinito e o

espírito finito.

As escrituras declaram que o espírito humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Mas semelhança nunca significa identidade. O Espírito Infinito difere, em essência do espírito finito, da mesma forma que a vida difere do espírito humano, em essência. Ele existe por si só.

A questão da essência do espírito, seja finito, seja Infinito, é como a essência da eletricidade; ninguém sabe o que é. Essas coisas não estão ao alcance do homem. São grandes segredos que não foram até agora desvendados. Só uma revelação do Altíssimo nos poderia esclarecer tais pontos.

Segundo a Bíblia, há duas qualidades de espírito, um Infinito, que não podemos dizer de qualquer outro. Primeiro, Ele é Auto-Existente, isto é, tem existência própria. Ele é todo suficiente para e em si mesmo, em relação à questão da sua existência. Se tudo quanto existe hoje cessasse de existir, o Espírito Infinito continuaria a existir absolutamente, como existe hoje neste vasto universo. Ele existe por si mesmo. Segundo, Ele é Criador. Este poder nenhum outro ser o possui (Gn 1.1). Este assunto de criação é tão inexplicável como a Auto-existência de Deus, porém a Bíblia, do princípio ao fim, ensina esta doutrina. Ele sempre existiu e deu existência a tudo quanto existe.

Em relação ao espírito finito (humano), há três coisas a notar: 1º) O espírito humano é criatura, isto é, foi criado;

2º) Ele é de vontade livre, no animal a vontade instintiva é determinada pela sua natureza. Sua vontade tem que obedecer aos ditames da sua própria natureza. O animal faz o que a sua natureza lhe ordena ou permite fazer. Porém os atos do homem, ou os atos do espírito-alma, são dele mesmo, de sua própria vontade, e não apenas a conseqüência do meio em que vive, ou da sua natureza. O homem pode com auxílio divino, contrariar a sua natureza e até mudá-la. Por isso ousamos dizer que o espírito humano é um ser moral e, naturalmente reconhece as duas obrigações para com seu Criador. O espírito humano é um ser religioso;

3º) O espírito humano é um espírito incorporado. Ele age por meio de um corpo físico via alma. Este fato de que o espírito é incorporado tem influenciado toda a história do homem. Sem tentar explicar, digamos que sempre a carne lutou contra o espírito (Gl 5.17).

Não há melhor ciência a ser estudada do que esta a que nos propomos. Estudarmos Deus e o homem é deveras fascinante, todavia infindável. É maravilhoso conhecermos estes dois espíritos, pois aprendemos andar numa comunhão mais profunda.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 8

“Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito que nele está? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” (1 Co 2.11).

“O próprio Espírito (Pneuma) testifica com o nosso espírito (Pneuma) que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

Esperamos que este estudo possa ajudar os amigos a andarem no Espírito, viverem no Espírito, receberem o maravilhoso Batismo no Espírito Santo, e juntamente com o Espírito sermos testemunhas de Cristo Jesus (At 1.8).

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 9 O ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO 3

Uma primeira velada referência ao Espírito encontra-se nas primeiras linhas da Bíblia, no hino a Deus Criador com que se abre o livro de Gênesis: “E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2). Para dizer “espírito” usa-se aqui a palavra hebraica ruach que significa “sopro” e pode designar tanto vento como o respiro. Emerge daí o papel do Espírito, cuja percepção é favorecida pela mesma analogia da linguagem que, por associação, vincula a palavra ao sopro dos lábios: “Mediante a palavra do Senhor foram feitos os céus, e os corpos celestes, pelo sopro de sua boca ” (Sl 33.6). Este sopro vital e vivificante de Deus não está limitado ao instante inicial da criação, mas sustém em permanência e vivifica toda criação, renovando-a continuamente: “Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104.30).

A novidade mais característica da revelação bíblica é ter divisado na história o campo privilegiado da ação do espírito de Deus. Em cerca de 100 passagens do Antigo Testamento o ruach IAHWEH indica a ação do Espírito do Senhor que guia o Seu povo, sobretudo nos grandes momentos do seu caminho. Assim, no período dos juízes, Deus fazia descer o seu Espírito sobre homens débeis e transformava-os em guias carismáticos, investidos de energia divina: é o que aconteceu com Gideão, Jefté e em particular com Sansão (cf. Jz 6.34; 11.29; 13.25; 14.6,19).

Com o advento da monarquia davídica esta força divina, que até então se manifestara de modo imprevisível e intermitente, alcança uma certa estabilidade. Isto é bem constatado na consagração régia de Davi, a propósito do qual a Escritura diz: “e daquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi” (1 Sm 16.13).

Durante e depois do exílio na Babilônia toda a história de Israel é relida como um longo diálogo estabelecido por Deus com o povo eleito, “pelo Seu Espírito, pelo ministério dos profetas do passado” (Zc 7.12). O profeta Ezequiel torna explícito o ligame entre o Espírito e o profeta, por exemplo, quando diz: “Então o Espírito do Senhor veio sobre mim, e mandou-me dizer: “Assim diz o Senhor...” (Ez 11.5)”.

Mas a perspectiva profética aponta sobretudo no futuro o tempo privilegiado em que se cumprirão as promessas no sinal do ruach divino. Isaías anuncia o nascimento de um descendente, sobre o qual “repousará o Espírito... de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor” (Is 11.2).

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 10

“Este texto é importante para toda a pneumatologia do Antigo Testamento, porque constitui como que uma ponte entre o antigo conceito bíblico do espírito, entendido primeiro que tudo como a pessoa. O Messias da estirpe de Davi (do tronco de Jessé) é precisamente essa pessoa, sobre a qual “pousará” o Espírito do Senhor.

Já no Antigo Testamento emergem dois traços da misteriosa identidade do Espírito Santo, depois amplamente confirmado pela revelação do Novo Testamento.

O primeiro traço é a absoluta transcendência do Espírito, que por isso é chamado “santo” (Is 63.10,11; Sl 51.13). Para todos os efeitos o Espírito de Deus é “divino”. Não é uma realidade que o homem pode conquistar com as suas forças, mas um dom que vem do alto: só se pode invocá-lo e acolhê-lo. Infinitamente “outro” a respeito do homem, o Espírito é comunicado com total gratuidade a quantos são chamados a colaborar com Ele na história da salvação. E quando esta energia divina encontra um acolhimento humilde e disponível, o homem é arrancado do seu egoísmo e libertado dos seus temores, e no mundo florescem o amor e a verdade, a liberdade e a paz.

Outra característica do Espírito de Deus é o poder dinâmico que Ele revela nas Suas intervenções na história. Às vezes corre-se o perigo de projetar sobre a imagem bíblica do Espírito concepções ligadas a outras culturas como, por exemplo, a concepção do “espírito” como algo evanescente, estático e enerte. A concepção bíblica do ruach está ao contrário, a indicar uma energia supremamente ativa, poderosa, irresistível: o Espírito do Senhor – lemos em Isaías – “é torrente transbordante” (Is 30.28). Por isso, quando o Pai intervém com o seu Espírito, o caos transforma-se em cosmo, no mundo acende-se a vida, e a história põe-se novamente em caminho.

O ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO 4

A revelação do Espírito Santo, como pessoa distinta do Pai e do Filho, velada no Antigo Testamento, torna-se clara e explícita no Novo.

É verdade que os escritos neotestamentários não nos oferecem um ensinamento sistemático sobre o Espírito Santo. Contudo, recolhendo os muitos dados presentes nos escritos de Lucas, Paulo e João, é possível captar a convergência destes três grandes filões da revelação neotestamentárias concernente ao Espírito Santo.

Em relação aos outros dois sinópticos, o evangelista Lucas apresenta-nos uma pneumatologia muito mais desenvolvida.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 11

No Evangelho ele tem em vista mostrar que Jesus é o único a possuir o Espírito Santo em plenitude. Certamente, o Espírito intervém também em Isabel, Zacarias, João Baptista e sobretudo em Maria, mas só Jesus, ao longo de toda a Sua existência terrena, detém plenamente o Espírito de Deus. Ele é concebido por obra do Espírito Santo (Lc 1.35). A respeito d’Ele João Batista dirá: “Eu, na verdade, vos batizo em água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo” (Lc 3.16).

Antes de batizar no Espírito Santo e no fogo, Jesus mesmo é batizado no Jordão, quando desce “sobre Ele o Espírito Santo em forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3.22). Lucas sublinha que Jesus não só vai ao deserto “levado pelo Espírito Santo”, mas Se dirige para ali “cheio do Espírito Santo” (Lc 4.1), e ali vence o tentador. Ele empreende a Sua missão, Jesus aplica a si mesmo a profecia do livro de Isaías (Is 61.1,2): “O Espírito do Senhor está das sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). Toda a atividade evangelizadora de Jesus é posta assim sob a ação do Espírito.

Este mesmo Espírito sustentará a missão evangelizadora da Igreja, segundo a promessa do Ressuscitado aos seus discípulos: “Eu vou mandar sobre vós o que Meu Pai Prometeu. Entretanto, permanecei na cidade até serdes revestidos com o poder do alto” Lc 24.49). Segundo o livro dos Atos, a promessa cumpre-se no dia do Pentecoste: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem (At 2.4). Realiza-se assim a profecia de Joel: “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão sonhos” (Lc 2.17). Lucas vê nos apóstolos os representantes do povo de Deus dos tempo finais, e ressalta com razão que este Espírito de profecia envolve o inteiro povo de Deus.

Apóstolo Paulo, por sua vez, evidencia a dimensão renovadora e escatológica da obra do Espírito, que é visto como a fonte da vida nova e eterna comunicada por Jesus à sua Igreja.

Na 1ª Carta aos Coríntios lemos que Cristo, novo Adão, em virtude da ressurreição, Se tornou “Espírito vivificante” (1 Co 15.45); Isto é, foi transformado pela força vital do

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 12

Espírito de Deus de maneira que Se tornou, por sua vez, princípio de vida nova para os crentes. Cristo comunica vida precisamente através da efusão do Espírito Santo.

A existência dos crentes já não é a de escravos, sob a Lei, mas uma vida como filhos, pois receberam o Espírito do Filho nos seus corações e podem exclamar: “Abbá, Pai (Pater)! (Gl 4.5-7; Rm 8.14-16). E uma vida “em Cristo”, isto é, de pertença exclusiva a Ele e de incorporação à Igreja: “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1 Co 12.13). O Espírito Santo suscita a fé (1 Co 12.3), derrama o amor (ágape) nos corações (Rm 5.5) e guia a oração dos cristãos (Rm 8.26).

Enquanto princípio de um novo ser, o Espírito Santo determina no crente um novo dinamismo operativo: “Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito” (Gl 5.25). Esta nova vida está contraposta à da “carne”, cujos desejos desgostam a Deus e fecham a pessoa na prisão sufocante do eu que se dobra em si mesmo (Rm 8.5-9). Abrindo-se, ao contrário, ao amor doado pelo Espírito Santo, o cristão pode saborear o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.16-24).

Segundo Paulo, contudo, aquilo que agora possuímos é só um “sinal” ou primícias do Espírito (Rm 8.23; 2 Co 5.5). Na ressurreição final, o Espírito completará a sua obra prima, realizando para os crentes plena “espiritualização” do seu corpo (1 Co 15.43-44) e envolvendo de algum modo na salvação o universo inteiro (Rm 8.20-22; At 3.21).

Na perspectiva joanina o Espírito Santo é sobretudo o Espírito da verdade, o

Paráclito.

Jesus anuncia o Dom do Espírito no momento de concluir a Sua obra terrena: “Quando vier o Consolador, que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também dareis testemunho, pois estivestes Comigo desde o princípio” (Jo 15.26 s). E ao esclarecer ulteriormente o papel do Espírito, Jesus acrescenta: “Ele vos guiará para a verdade total, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é Meu, para vo-lo anunciar” (Jo 16.13,14). O Espírito, portanto, não trará uma nova revelação, mas guiará os fiéis para uma interiorização e uma mais profunda penetração da verdade revelada por Jesus.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 13 A TRINDADE NAS ESCRITURAS

TEXTOS: Gn 1.1-26; 3.22; 11.7; Is 6.8-10, Mt 3.16-17; 28.19; Jo 1.18; 14.16; At 2.32-33; 5.3-4; 10.38; 2 Co 13.13; Cl 1.15-17; 1 Jo 5.20.

“A razão nos mostra a unidade de Deus; apenas a Revelação nos mostra a Trindade de Deus” (Strong).

A palavra trindade em si não aparece na Bíblia. Sua forma grega TRIAS parece ter sido usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 d.C.), e sua forma latina, TRINITAS, por Tertuliano (220 d.C.). Com Trindade queremos dizer que há três distinções eternas em uma essência divina, conhecidas como PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO. Aqueles que descrêem na trindade divina, o fazem por um monoteísmo exclusivista na acepção da palavra, em cuja prática pecam contra o mandamento cristão que determina: “Examinai todas as coisas, retende o bem” (1 Ts 5.21).

Embora Deus seja um só, ele nunca está só. Diz Irineu: “Estão sempre com ele a palavra e a sabedoria, o Filho e o Espírito Santo, por meio dos quais tudo fez livre e espontaneamente”. Segundo Irineu, esses três são um só Deus porque possuem uma só

dynamis, um só poder de ser, uma só essência, a mesma potencialidade. “Potencialidade”

e “dinâmica” são termos latinos e gregos para significar o que expressamos em nossa língua pelo termo “poder do ser”.5

Os pais capadócios, especialmente Gregório de Nazianzo, faziam claras distinções entre os conceitos empregados para definir o dogma trinitário. Havia duas séries de conceitos: a primeira dizia “uma divindade”, “uma essência” (ousia - οὐσία), e “uma natureza” (phiysis); a segunda, “três substâncias” (hypostaseis - ὑποστάσεις), “três propriedades” (idiotetes), e “três pessoas” (prosopa, personae). A divindade era entendida como uma essência ou natureza em três formas, três realidades independentes. Todas as três tinham a mesma vontade, a mesma natureza e a mesma essência.6

A Trindade na Experiência Humana7

No centro da fé cristã não está o ser humano, nem a Igreja, mas Deus. Este Deus único, todavia, é percebido de maneiras diversas por nós.

Segundo a concepção bíblica, Deus é um Ser Tripessoal. Como, porém, Deus é um Ser Pessoal, o único caminho para conhecê-lo, de modo a corresponder ao “objeto de conhecimento”, é por um encontro pessoal. Quem pode dizer que “conhece” uma pessoa antes de encontrá-la, cultivar a comunicação com ela e ter com ela um relacionamento pessoal? Não é possível imaginar a fé cristã sem a dimensão da experiência. Deus não pode ser conhecido “em si”, ele pode ser compreendido unicamente na relação conosco.

5 TILLICH, Paul. Teologia Sistemática. Edições Paulinas, Editora Sinodal, 1987, p. 61. 6 TILLICH, Paul. Op. Cit., p. 92.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 14

É esclarecedor ver que o Antigo Testamento usa para “conhecer” a mesma palavra (Yāda’ - �

ע ַד

ָי

) que usa para ter “relações sexuais” (Gn 4.1; 19.8; Nm 31.17,35; Jz 11.39; 21.11; 1 Rs 1.4; 1 Sm 1.19). O conhecimento de Deus, portanto, na concepção bíblica, pode ser comparado, sem problemas, ao encontro intenso e prazeroso entre um marido e sua esposa! O professor de teologia enterrado em seus livros dificilmente é um modelo apropriado de “conhecimento” no sentido bíblico, mas a relação sexual entre marido e mulher sim.�

Fig. 1

O significado da revelação: 8

O Antigo Testamento fala com freqüência em “conhecer” (Yāda’) ou “não

conhecer” Iavé (compare Is 1.3; Jr 2.8; 4.22; 31.34; Os 2.20; 4.1,6; 5.3,4; 6.6; 13.4). O conhecimento no Antigo Testamento é bem diferente de nosso entendimento do termo. Para nós, conhecimento implica compreender coisas pela razão, analisar e buscar relações

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 15

de causa e efeito. No Antigo Testamento, conhecimento significa “comunhão”, “familiaridade íntima com alguém ou algo”.

Falando em Nome de Deus a Israel, Amós disse: “De todas as famílias da terra a vós somente conheci; portanto, todas as vossas injustiças visitarei sobre vós” (Am 3.2, ARC).

Vriezen disse que o Antigo Testamento faz do “conhecimento de Deus” a primeira exigência da vida, jamais explica o significado do termo. O propósito da revelação divina não é declarado especificamente no Antigo Testamento. A revelação não se baseia em alguma necessidade de Deus. Deus não criou o mundo nem revela a si mesmo para ter alguém que guarde o sábado, como diziam alguns rabinos antigos. O conhecimento de Deus é mais que um mero conhecimento intelectual; diz respeito à vida humana como um todo.

É essencialmente uma comunhão com Deus e é também fé; é um conhecimento do coração que exige o amor do homem (Dt 4); sua exigência vital é que o homem aja de acordo com a vontade de Deus e ande humildemente nos caminhos do Senhor (Mq 6.8). É o reconhecimento de Deus como Deus, a rendição total a Deus como Senhor.

A expressão hebraica “o conhecimento de Deus” traz assim pelo menos três conotações: (1) o sentido intelectual, (2) o sentido emocional e (3) o sentido volitivo. O verbo “conhecer” (yada’) refere-se basicamente ao que chamamos atividade intelectual,

cognitiva; mas a psicologia hebraica não conhecia uma faculdade específica que compreendesse o intelecto ou a razão.

“Conhecer a Deus” significava ter um entendimento intelectual de quem ele era, ter um relacionamento pessoal e emocional com ele e ser obediente a sua aliança e mandamentos.

A TRINDADE E A COMUNHÃO 9

2 Co 13.13: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do

Espírito Santo seja com todos vós. Amém”.

“Deus não poderia existir em nenhuma forma a não ser a tripessoal” (Berkhof). “Deus não poderia contemplar-se a si mesmo, conhecer-se e comunicar-se Consigo mesmo, se não fosse trino em Sua constituição” (Shedd).

Deus é amor (1Jo 4.16). A maior comunhão que existe está na trindade, pois estas três Pessoas se amam mutuamente.

Antes que houvesse o universo, antes que se movesse o mínimo átomo de matéria cósmica, antes que emergisse a primeira réstia de inteligência, antes que começasse a haver tempo, o Pai, o Filho e o Espírito Santo estavam em si em erupção vulcânica de vida e amor. Existia a trindade imanente. Nós como criaturas, filhos e filhas, existíamos em Deus como projetos eternos, gerados pelo Pai no coração do Filho com o amor do Espírito Santo” (Leonardo Boff).

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 16

Sob o nome de Deus a fé cristã vê o Pai, o Filho e o Espírito Santo em eterna correlação, interpenetração e amor; de tal sorte que são um só Deus Uno. A unidade significa a comunhão das Pessoas divinas. Por isso, no princípio não está a solidão do Uno, mas a COMUNHÃO das três Pessoas” (Leonardo Boff).10

“Deus, antes mesmo da criação, já era; e era todo amor e comunhão porque existia eternamente como Trindade. Antes mesmo que houvesse qualquer objeto criado para ser alvo do amor divino, Deus já era amor e relacionava-se em amor por ser esta a natureza da Trindade. O Deus revelado na Bíblia não pode ser compreendido a não ser através da experiência comunitária do amor”.11

“Nosso ingresso na igreja de Jesus Cristo dá-se em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ser salvo por Cristo e tornar-se membro da sua igreja é penetrar no mistério da Trindade e ser envolvido por um Deus que é comunhão”. “O Deus cristão e bíblico não existe solitariamente, ele é sempre a comunhão das três pessoas divinas”.12

É nesta relação de amor, neste dar e receber, nesta eterna e perfeita comunhão que fomos criados conforme a imagem e semelhança do Deus trino. Fomos criados para amar, conviver em amizade e comunhão com o Criador e toda a sua criação. Conhecer a Deus é mergulhar neste mistério e participar desta comunhão eterna que nutre a alma humana e resgata o sentido da nossa verdadeira humanidade.

“O Ser de Deus é um ser relacional, e sem o conceito de comunhão é impossível falar sobre a realidade de Deus. A partir da Trindade nada existe por si mesmo, individualmente. Comunhão é a razão de ser do homem”.13

“Pela revelação do Novo Testamento, o que de fato existe é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus é Trindade. Deus é a comunhão dos divinos Três. O Pai, o Filho e o Espírito Santo se amam de tal forma e estão interpenetrados entre si de tal maneira, que estão sempre unidos. O que existe é a união das Três divinas Pessoas. A união é tão profunda e radical que são um só Deus”.14

A TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

1. O vocábulo hebraico ELOHIM (Deus), aparece mais de 2000 vezes no A. T. É este um substantivo, personativo, masculino, plural. Elohim é o divino autor de tudo (Gn 1.1-3).

2. Para aqueles monoteístas exclusivistas, Elohim é apenas um plural nobre, o que nada mais é do que um escapismo, uma farsa, pois não cremos que o Espírito Santo, ao dar a

10 BOFF, Leonardo. A Trindade e a Sociedade. 3ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1986, p. 74. 11 SOUSA, Ricardo Barbosa. Op. Cit, p. 59.

12 SOUSA, Ricardo Barbosa. Op. Cit, p. 60. 13 SOUSA, Ricardo Barbosa. Op. Cit, p. 60.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 17

revelação a Moisés, tenha deixado-nos um mistério, um enigma. Ao contrário, havendo na língua original por ele usada os vocábulos EL e ELOHÁ (Deus), substantivo personativo, masculino, singular, usou o plural destes vocábulos, a saber, Elohim, com a finalidade de nos dar através dele, já no início da história humana, conhecer a raiz da maravilhosa doutrina da Trindade.

3. Além do plural (Elohim), o texto do Antigo Testamento utiliza-se de verbos, adjetivos e pronomes também no plural em plena concordância em gênero e número com o substantivo plural Elohim. Ex: Gn 1.26; 3.22; 11.7; Js 24.19. Não podeis servir a Iahweh, pois Ele é um Deus santo... A frase deste texto é no hebraico Elohim Kdoxim, o adjetivo Kadosh ( ְשׁ ַדּק) = santo, pluralizado em Kdoxim (םי ִ֔שֹׁדְק), concorda com o plural Elohim.

4. A linguagem do Antigo Testamento alude a trindade divina atribuindo os títulos PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO, às três pessoas divinas. Ex: Is 63.16; Sl 2.7; Gn 1.2; Is 11.2; Ml 2.10; Sl 45.6-7l; Pv 30.4; Is 63.10.

5. Há na língua hebraica dois adjetivos que expressam o sentido de unidade: ERRAD (

דֽ ָחֶא

) = um e IRRID (

דיֽ ִחְי

) = único.

O monoteísmo exclusivista tem por base fundamental o texto constante de Dt 6.4, que em hebraico diz: (

דֽ ָחֶא הָוהְי וּניֵה�ֱא הָוהְי לֵא ָרְשִׂי עַמְשׁ

) “Ximah Israel Iahweh Eloheinu Iahweh Errad”, que traduzido fielmente significa: “Escuta Israel: O eterno é nosso Deus, O Eterno é um” (Tradução do rabino Meir Masliah Melamed). Este texto hebraico foi traduzido por 70 rabinos para o grego comum do seu tempo, fielmente, conforme consta a Septuaginta: Ἄκουε, Ισραηλ· κύριος ὁ θεὸς ἡµῶν κύριος εἷς ἐστιν· = “Akoue Israel, kurios o Theon emon eis esti” - que traduzido literalmente significa: “Ouve Israel, o Senhor o Deus nosso, o Senhor é um”. Jerônimo traduziu o grego dos 70 para o latim, conforme consta da Vulgata: “Audi, Israel, Dominus Deus noster, Dominus inis est”. A tradução inglesa diz: “Hear, o Israel, the Lord our God is one Lord”. A tradução espanhola diz: “Oye Israel, Jehová nuestro Dios, Jehová uno é”. Isto significa que o texto hebraico exprime precisamente ser a divindade Criadora, Eterna, uma unidade composta, posto que é isto que exprime o adjetivo ERRAD, conforme comprovam os seguintes exemplos: Gn 2.24 - “Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma (ERRAD) só carne”. Neste texto o adjetivo ERRAD admite a associação de dois em um só: Jz 20.1-11; 1 Sm 11.7; Ed 3.1; 6.20. Em todos estes textos, o adjetivo ERRAD demonstra que admite associação de dois e de muitos sem lhe alterar o sentido. E, pasmem os monoteístas exclusivistas, é este adjetivo ERRAD, que é aplicado a Divindade em todo o Antigo Testamento.

IRRID (

דיֽ ִחְי

) = único. IRRID é uma unidade absoluta, exclusiva, que em absoluto, não admite qualquer associação para poder exprimir o seu sentido restrito, absoluto, posto que, qualquer associação que se lhe fizer, altera-lhe 100% o sentido que tem. Veja as referências: Gn 22.2,16; Jz 11.34; Jr 6.26; Am 8.10. Todos estes textos e outros que poderíamos acrescentar à relação evidenciam o adjetivo - IRRID (único). Este adjetivo é um adjetivo absoluto que não admite associação com ninguém, porque qualquer associação lhe altera o sentido, deixando de ser único para ser apenas um entre outros.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 18

Este adjetivo IRRID nunca é usado (aplicado) em relação a Deus no texto hebraico do Antigo Testamento.

É impossível, até o momento, descobrir a razão porque os tradutores da Bíblia para o português haverem traduzido o vocábulo ERRAD (um), como o sentido de IRRID (único): “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é único Senhor”. Chegamos a pensar: será que Jesus ao citar este texto em resposta à pergunta do escriba, conforme Mc 12.29, haja dado ao mesmo este sentido, motivando assim a tradução constante de nossas versões? Mas consultando a versão hebraica do Novo Testamento e o Novo Testamento Grego Koinê, verificamos que Jesus foi 100% fiel ao texto hebraico e a seu valor literal, citando sem nenhuma alteração.

A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

No progresso da Revelação o único Deus Verdadeiro aparece claramente no Novo Testamento existindo em três Pessoas Divinas chamadas: PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO (Mt 28.19; 2Co 13.13; Mt 3.16-17; Ef 2.18; 4.4-6; 5.18-20; 1 Pe 1.2; Jd 20-21).

1. Cada uma destas Divinas Pessoas possui Suas próprias características pessoais e se distinguem claramente das outras Pessoas (comp. Jo 14.16,17,26; 15.26; 16.7-15). Contudo as três Pessoas são iguais no ser, no poder e na glória; cada uma sendo chamada de Deus (Jo 6.27; At 5.3-4); cada uma possuindo todos os atributos divinos (Tg 1.17; Hb 13.8; 9.14); cada uma realizando as obras divinas (Jo 5.21; Rm 8.11); e cada uma recebendo honras divinas (Jo 5.23; 2 Co 13.13).

2. Com referência à ordem de suas atividades, o Pai é o primeiro, o Filho é o segundo, e o Espírito Santo é o terceiro; a fórmula geral sendo a seguinte: do Pai (1 Co 8.6); Através do Filho (Jo 3.17), pelo Espírito Santo (Ef 3.5) e para o Pai (Ef 2.18). Mesmo assim, entretanto, nenhuma das Pessoas age independentemente das outras pessoas; mas sempre há uma concorrência mútua, como disse o Senhor: “O meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também (Jo 5.17); e o filho nada pode fazer de si mesmo (Jo 5.19)”; e novamente, “Eu e o Pai somos um (Jo 10.28-30)”.

3. Na revelação de Deus no Novo testamento como um ser tri-pessoal, não há afastamento do rigoroso monoteísmo do Velho Testamento (comp. Dt 6.4-5 com Mc 12.29-30; Rm 3.30). As três Pessoas Divinas são um Deus, não três deuses. Foi preciso que o Velho Testamento enfatizasse primeiro a unidade Divina a fim de resguardar contra as tendências politeístas. Mas mesmo no Velho Testamento, quando lido à luz do Novo Testamento, surge a pluralidade de Pessoas dentro do Único Deus Verdadeiro (comp. Gn 1.26; Is 6.8; 48.12 com 48.16).

4. A Trindade de Deus é reconhecidamente um grande mistério, algo totalmente além da possibilidade de uma explicação completa. Mas podemos nos resguardar do erro apegando-nos firmemente aos fatos da Revelação Divina, que: 1º) quanto ao Seu Ser ou essência, Deus é um; 2º) quanto à Sua Personalidade, Deus é três; 3º) não podemos nem dividir a essência, nem confundir as Pessoas. Mas, apesar do seu mistério, a doutrina da Divina Trindade sempre comprovou ser rica em valores espirituais e práticos.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 19 5. A importância atribuída à Divina Trindade, na Revelação do Novo Testamento, aparece no fato de que a doutrina está firmemente embebida em duas fórmulas que são constantemente repetidas para o povo ouvir na igreja:

1ª) a fórmula do batismo (Mt 28.19);

2ª) a fórmula da bênção apostólica (2 Co 13.13).

O CREDO DE ATANÁSIO

Adoramos um Deus em Trindade, a Trindade em unidade. Não confundimos as Pessoas, nem separamos a substância. Pois a Pessoa do Pai é uma, a do Filho outra e a do Espírito Santo outra. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma Divindade, glória igual e majestade coeterna. Tal qual é o Pai, o mesmo são o Filho e o Espírito Santo. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado. O Pai é imensurável, o Filho é imensurável, o Espírito Santo é imensurável. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. E, no obstante, não há três eternos, mas sim um Eterno. Da mesma forma não há três seres incriados, nem três imensuráveis, mas um incriado e um imensurável. Da mesma maneira o Pai é onipotente, o Filho é onipotente e o Espírito Santo é onipotente. No entanto não há três seres onipotentes, mas sim um Onipotente. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. No entanto, não há três deuses, mas um Deus. Assim o Pai é Senhor, o Filho é Senhor e o Espírito Santo é Senhor. Todavia não há três senhores, mas um Senhor. Assim como a verdade cristã nos obriga a confessar cada Pessoa individualmente, como sendo Deus e Senhor, assim também ficamos privados de dizer que haja três deuses ou Senhores. O Pai não foi feito de coisa alguma, nem criado, nem gerado. O Filho procede do Pai somente, não foi feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. Há portanto, um Pai, não três Pais; um Filho, não três Filhos; um Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nessa Trindade não existe primeiro nem último; maior nem menor. Mas as três Pessoas coeternas são iguais entre si mesmas; de sorte que por meio de todas, como foi dito acima, tanto a unidade na trindade como a trindade na unidade devem ser adoradas.

“Na Trindade há um só Espírito (Ef 4.4), três almas ou Pessoas, e depois da encarnação um corpo (o do Filho)” (Aldery Nelson).

“Assim como aquele que nega a doutrina da trindade pode perder a sua alma; aquele que luta demasiadamente para entendê-la pode perder o seu juízo” (Dr. Robert South).

Conclusão sobre a Trindade

A rebelião humana contra a vontade de Deus tem procedido, em certa maneira, em série contra as Pessoas da Trindade: 15

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 20 1. A rebelião contra o Espírito Santo na rejeição da inspiração (das Escrituras) nos séculos XVIII e XIX;

2. A rebelião contra o Filho na rejeição da expiação vicária e da redenção mediante o sangue de Cristo nos séculos XIX e XX;

3. E, agora, a rebelião contra o Pai, na negação da criação do universo, e até mesmo da sua realidade objetiva, nos séculos XX e XXI.

Há três maneiras consagradas de aprofundar racionalmente a doutrina trinitária:16

1. As correntes ortodoxas; 2. A latina;

3. A moderna.

A Teologia Ortodoxa (da Igreja Ortodoxa do oriente) parte da unidade da natureza do pai. O Pai é a fonte e origem de toda divindade. Ele por sua boca profere a Palavra, que é o Filho. Ao proferir a Palavra lhe sai simultaneamente o sopro, que é o Espírito Santo. Os três recebem são consubstanciais.

A Teologia Latina (da Igreja romana católica) e outras partem da natureza divina, que é espiritual. O Espírito absoluto sem princípio e origem de tudo é o Pai. O Pai gera o Filho, Pai e Filho se amam e juntos espiram o Espírito Santo. A mesma natureza se encontra nos três, por isso há um só Deus.

A Teologia Moderna parte das três Pessoas juntas. Realça o fato de que as três estão sempre inter-relacionadas e em eterna comunhão (pericórese)17 [on-line]. Esta relação é tão absoluta que os divinos Três se unificam sem se fundirem, sendo então um único Deus vivo.

Há três maneiras erradas de se pensar a fé na Trindade: 18

1. O Triteísmo; 2. O Modalismo;

3. O Subordinacionismo.

O Triteísmo afirma que existem três deuses: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nesta visão não se considera a pericórese, quer dizer, o entrelaçamento eterno entre os divinos Três.

O Subordinacionismo considera somente o Pai como o Deus verdadeiro. O Filho e o Espírito Santo são subordinados a ele, sem possuir a mesma natureza divina; aqui se nega a igualdade divina entre as Três Pessoas.

O Modalismo afirma que existe somente um único Deus [só uma Pessoa], mas três modos de sua manifestação no mundo. Quando Deus cria, usa a máscara de Pai; quando

16 BOFF, Leonardo. A Santíssima trindade é a melhor Comunidade. Editora Vozes: São Paulo, 2000, pp. 174,175.

17 Pericórese. Expressão grega que literalmente significa Uma pessoa conter as outras duas (em sentido estático) ou então cada uma das pessoas interpenetrar as outras e reciprocamente (sentido ativo); o adjetivo pericorético quer designar o caráter de comunhão que vigora entre as divinas Pessoas.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 21

liberta, o pseudônimo de Filho; e quando santifica e reconduz de volta ao Reino, se apresenta com a cara de Espírito Santo; nesta visão se abandona a Trindade de Pessoas. Label1

CONCEPÇÕES FALSAS ACERCA DA TRINDADE

UNITARISMO ÁRIO P F E. S. Criador Criatura Impessoal O arianismo nega a plena divindade do Filho e do Espírito Santo Sabelianismo Pai (V.T.) Filho N.T.) Espírito (Hoje) Trindade Modalística

O modalismo afirma que existe só uma única pessoa, que se revela a nós de três diferentes formas (ou modos)

Triteísmo

Três deuses

P

F ES

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 22

O Desenvolvimento Histórico da Doutrina da Trindade Introdução

A doutrina da Trindade é essencial ao cristianismo bíblico; ela descreve os relacionamentos existentes entre os três membros da Divindade de um modo consistente com a Escritura.

É fundamental nessa doutrina a questão de como Deus pode ser ao mesmo tempo um e três. Os primeiros cristãos não queriam perder o seu monoteísmo judaico enquanto exaltavam o seu Salvador. Surgiram heresias quando pessoas procuravam explicar o Deus cristão sem se tornarem triteístas (como os judeus rapidamente os acusaram de ser). Os cristãos argumentaram que o monoteísmo judaico do Antigo Testamento não excluía a Trindade.

O clímax da formação trinitária ocorreu no Concílio de Constantinopla, em 381 d. C. Devemos a esse Concílio a expressão do conceito ortodoxo da trindade. Todavia, para apreciarmos o que disse o Concílio é útil acompanharmos o desenvolvimento histórico da doutrina. Isso não significa que a Igreja ou qualquer concílio tenha inventado a doutrina. Antes, foi para responder às heresias que a Igreja explicou o que a Escritura já pressupunha.

A Igreja Pré-Nicena: 33-325 d.C. Os apóstolos, 33-100 d.C.

O ensino apostólico claramente aceitou a plena e real divindade de Jesus, e aceitou e adotou a fórmula batismal trinitária.

Os Pais Apostólicos, 100-150 d.C.

Os escritos dos Pais Apostólicos eram caracterizados por uma paixão acerca de Cristo (Cristo provém de Deus; ele é pré-existente) e por ambigüidade teológica acerca da Trindade.

Os Apologistas e os Polemistas, 150-325 d.C.

As crescentes perseguições e heresias forçaram os escritores cristãos a declararem de maneira mais precisa e defenderem o ensino bíblico acerca do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Justino Mártir: Cristo é distinto do Pai em sua função. Atenágoras: Cristo não teve princípio.

Teófilo: O Espírito Santo é distinto do Logos.

Orígenes: O Espírito Santo é co-eterno com o Pai e o Filho.

Tertuliano: Falou em “Trindade” e “pessoas” – três em número, mas um em substância. Quadro adaptado do gráfico nº 21 do livro: Teologia Cristã em Quadros.

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Autor: A. Carlos G. Bentes. E-mail: [email protected] 23

O Desenvolvimento Histórico da Doutrina da Trindade Concílio de Nicéia: 325 d.C.

Por causa da difusão da heresia ariana, que negava a divindade de Cristo, a unidade e até mesmo o futuro do Império Romano pareciam incertos. Constantino, recentemente convertido, reuniu um concílio ecumênico em Nicéia para resolver a questão.

A questão: Cristo era plenamente Deus, ou era um ser criado e subordinado? Ário

Somente Deus Pai é eterno.

O Filho teve um princípio como o primeiro e mais importante ser criado.

O Filho não é um em essência com o Pai. Cristo é subordinado ao Pai.

Ele é chamado de Deus como um título honorífico.

Atanásio Cristo é co-eterno com o pai. Cristo não teve princípio.

O Filho e o Pai têm a mesma essência Cristo não é subordinado ao Pai.

Declarações Fundamentais do Credo do Concílio

[Nós cremos] “em um Senhor Jesus Cristo...verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, não feito, de uma só substância com o Pai.”

“Mas aqueles que dizem que houve um tempo em que Ele não existia, e que antes de ser gerado Ele não era...a estes a Igreja Católica anatematiza.”

“E cremos no Espírito Santo.”

Resultados do Concílio O arianismo foi formalmente condenado.

A declaração homoousias (mesma subsistência) criou conflitos.

Os arianos reinterpretaram homoousia e acusaram o concílio de monarquianismo modalista. A doutrina do Espírito Santo ficou sem ser elaborada.

Concílio de Constantinopla: 381 d.C.

O arianismo não foi extinto em Nicéia; na realidade, ele cresceu em importância. Além disso, surgiu o macedonismo, que subordinava o Espírito Santo essencialmente da mesma maneira que o arianismo havia subordinado Cristo.

A Questão: O Espírito Santo é plenamente Deus?

Declaração Fundamental do Credo do Concílio

“...e no Espírito Santo, o Senhor e doador da vida, que procede do Pai, que é adorado e glorificado juntamente com o Pai e o Filho.”

Resultados do Concílio O arianismo foi rejeitado e o Credo Niceno reafirmado.

O macedonianismo foi condenado e a divindade do Espírito Santo afirmada.

Foram resolvidos grandes conflitos acerca do trinitarianismo (embora os debates cristológicos tenham continuado até Calcedônia, em 451 d.C.).

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Noção Fonte Partidários Percepção da Essência de Deus (Uno-Unidade)

Percepção da Subsistência de Deus (trino-Diversidade)

Monarquianismo Dinâmico

Teodoto Paulo Samósata Artemon Socino

Modernos Unitários

A unidade de Deus denota tanto singularidade de natureza quanto singularidade de pessoas. Portanto, o Filho e o E. Santo são consubstanciais com a essência divina do Pai somente como atributos impessoais. A dynamis divina veio sobre o homem Jesus, mas ele não era Deus no sentido estrito da palavra.

A noção de um Deus é uma impossibilidade palpável, uma vez que a sua perfeita unidade é perfeitamente indivisível. A “diversidade” de Deus é aparente, e não real, já que o evento de Cristo e a obra do Espírito Santo somente atestam uma operação dinâmica dentro de Deus, e não uma união hipostática. Monarquianismo Modalista Práxeas Noeto Sabélio Swedenborg Schleiermacher Pentecostais Unidos (Jesus somente)

A unidade de Deus é ultra-simples. Ele é qualitativamente caracterizado em sua essência por uma natureza e uma pessoa. Essa essência pode ser designada seja como Pai, Filho ou E. Santo. Estes são diferentes nomes do Deus unificado e simples. Porém idênticos com eles. Os três nomes são os três modos pelos quais Deus se revela.

O conceito de um Deus subsistente é errôneo e confunde a verdadeira questão do fenômeno da auto-manifestação modalista de Deus. O paradoxo de um “três em unidade” subsistente é refutado pelo conhecimento de que Deus não é três pessoas, mas uma pessoa com três nomes diferentes e papéis correspondentes que se seguem um ao outro como as partes de um drama.

Subordinacionismo Ário Modernas Testemunhas de Jeová e várias outras seitas menos conhecidas

A unidade inerente da natureza de Deus somente se identifica de maneira apropriada com o Pai. O Filho e o E. Santo são entidades discretas que não partilham da essência divina.

A essência unipessoal de Deus exclui o conceito de subsistência divina com uma Divindade. A “trindade na unidade” é auto-contraditória e viola os princípios bíblicos de um Deus monoteísta. Trinitarianismo Econômico Hipólito Tertuliano Diferentes trinitarianos “neo-econômicos”

A Divindade caracteriza-se pela triunidade: Pai, Filho e Espírito Santo são três manifestações da única substância idêntica e indivisível. A perfeita unidade e consubstancialidade estão envolvidas de maneira especial em ações triádicas manifestas como a criação e a redenção.

A subsistência dentro da Divindade é articulada por meio de termos como “distinção” e “distribuição” afastando de modo eficaz a noção de separação ou divisão. Trinitarianismo Ortodoxo Atanásio Basílio Gregório de Nisa Gregório de Nazianzo Agostinho Tomás de Aquino Lutero, Calvino Cristianismo ortodoxo contemporâneo

O ser de Deus é perfeitamente unificado e simples: de uma só essência (homoousia). Essa essência de divindade é possuída em comum pelo Pai, Filho e Espírito Santo. As três Pessoas são consubstanciais, co-inerentes, co-iguais e co-eternas.

Diz-se que a subsistência divina ocorre simultaneamente em três modos de ser ou hipóstases. Como tal, a Divindade existe “indivisa em pessoas divididas”. Essa concepção contempla uma identidade de natureza e cooperação de funções sem a negação das distinções das pessoas da Divindade.

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Atribuição de Divindade / Eternidade Concepção

Pai Filho Espírito Santo

Referente (s)

Analógico Crítica (s)

Monarquismo

Dinâmico Originador único do universo. Ele é eterno, auto-existente, sem princípio ou fim. Um homem virtuoso (mas finito) em cuja vida Deus estava

dinamicamente presente de maneira singular. Cristo certamente não era Divino, embora a sua Humanidade tenha sido Deificada.

Um atributo impessoal da Divindade. Não atribui nenhuma divindade ou eternidade ao Espírito Santo.

Eleva a razão acima do testemunho da revelação bíblica no que concerne à Trindade.

Nega categoricamente a divindade de Cristo e do E. Santo, solapando assim a sustentação teológica da salvação

Monarquismo

Modalista Plenamente Deus e plenamente eterno Como o modo ou manifestação primordial do Deus único, singular e unitário Plena Divindade / Eternidade atribuídas somente no sentido de ser outro modo do Deus único, e idêntico com a sua essência. Ele é o mesmo Deus manifesto em seqüência temporal específica a uma função (encarnação).

Deus eterno somente na medida em que o título designa a fase na qual o Deus uno, em seqüência temporal, manifestou-se em termos da função de regeneração e santificação Uma pessoa Representando três papéis diferentes no mesmo drama. Água-gelo-vapor Despersonaliza a Divindade. Para compensar as suas deficiências trinitárias, essa concepção propões idéias claramente heréticas (por exemplo, o patripassianismo). O seu conceito de manifestação sucessivas da Divindade não pode explicar os aparecimentos simultâneos das três pessoas, como no batismo de Cristo. Subordinacionismo O Deus único e

ingênito que é eterno e sem princípio

Um ser criado e, portanto, Não eterno. Embora deva Ser venerado, ele não Possui a essência Divina.

Uma emanação do Pai não pessoal e não eterna. É visto como uma influência ou uma expressão de Deus. Não se lhe atribui divindade.

Mente-idéia-ação Conflita com o farto testemunho bíblico acerca da divindade tanto de Cristo como do E. Santo. Sua Concepção hierárquica também afirma três pessoas essencialmente separadas com relação ao Pai, Cristo e o E. Santo. Isto resulta em uma soteriologia inteiramente confusa. Trinitarianismo

“Econômico” A igual divindade do Pai, Filho e Espírito Santo é claramente elucidada na observação das características relacionais/operacionais simultâneas da Divindade. Por vezes a co-eternidade não se manifesta inteligivelmente nessa concepção ambígua, mas parece ser uma implicação lógica.

Uma fonte e o seu rio. A unidade entre a raiz e o seu ramo. O sol e a sua luz

É mais hesitante e ambígua no seu tratamento do aspecto relacional da Trindade.

Trinitarianismo

Ortodoxo Em sua destilação final, esta concepção apresenta resolutamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo como co-iguais e co-eternos na Divindade com relação tanto à essência quanto à função divinas

Todas as analogias deixam de expressar adequadamente o trinitarianismo ortodoxo

A única deficiência tem que ver com as limitações inerentes à própria linguagem e pensamento humanos.

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Uma Apresentação Bíblica da Trindade

Introdução

A palavra “Trindade” nunca é usada, nem a doutrina do trinitarianismo jamais é ensinada explicitamente nas Escrituras, mas o trinitarianismo é a melhor explicação da evidência bíblica. A exposição teológica da doutrina resultou de ensinos bíblicos claros, porém não abrangentes. É uma doutrina essencial para o cristianismo porque se concentra em quem Deus é, e especialmente na divindade de Jesus Cristo. Como o trinitarianismo não é ensinado explicitamente nas Escrituras, o estudo da doutrina é um esforço de reunir temas e dados bíblicos por meio de um estudo teológico sistemático e pela observação do desenvolvimento histórico da atual concepção ortodoxa acerca de qual é apresentação bíblica da Trindade.

Elementos essenciais da Trindade

1. Deus é um (errad).

2. Cada uma das Pessoas da Deidade é divina.

3. A unidade de Deus e a Trindade de Deus não são contraditórias. 4. A Trindade (Pai, Filho e E. Santo) é eterna

5. Cada uma das Pessoas tem a mesma essência e não é inferior ou superior às outras em essência.

6. A Trindade é mistério que nunca poderemos entender plenamente. Ensino

Bíblico Velho Testamento Novo Testamento

Deus é Um Echad - errad

“Escuta Israel: O eterno é nosso Deus, O Eterno é um” (Tradução do rabino Meir Masliah Melamed).

(Dt 6.4; 20.2,4; 3.13-15)

Assim ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém (1Tm 1.17; 2.5,6; 1Co 8.4-6; Tg 2.19)

O Pai: Ele me disse: “Tu és meu filho, eu

hoje te gerei” (Sl 2.7). ...eleitos segundo a presciência de Deus Pai...(1Pe 1.2; cf. Jo 1.7; 1Co 8.6; Fp 2.11).

O Filho: Ele me disse: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Sl 2.7; cf. Hb 1.1-13; Sl 68.18; Is 6.1-3; 9.6)

Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: “Este é o meu filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17). Três Pessoas

Distintas descritas como Divinas

O E. Santo: No princípio criou Deus os céus e a terra...e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas (Gn 1.1,2; cf. Êx 31.3; Jz 15.14; Is 11.1).

Então disse Pedro: “Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao E. Santo? Não mentisses aos homens, mas a Deus” (At 5.3,4; cf. 2Co 3.17).

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Uma Apresentação Bíblica da Trindade Pluralidade de

Pessoas na Divindade

No Velho Testamento, o uso de pronomes no plural aponta para, ou pelo menos, sugere a pluralidade de Pessoas na Divindade.

“Também disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

O uso da palavra singular “nome” em referência a Deus Pai, Filho e Espírito Santo indica uma unidade dentro da trindade.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

ATRIBUTO PAI FILHO ESPÍRITO SANTO

Eternidade Sl 90.2 Jo 1.2; Ap 1.8,17 Hb 9.14

Poder 1Pe 1.5 2Co 12.9 Rm 15.19

Onisciência Jr 17.10 Ap 2.23 1Co 2.11 Onipresença Jr 23.24 Mt 18.20 Sl 139.7 Santidade Ap 15.4 At 3.14 At 1.8 Verdade Jo 7.28 Ap 3.7 1Jo 5.6 Pessoas com a mesma essência: Atributos (a) Aplicad os a Cada Pessoa Benevolência Rm 2.4 Ef 5.25 Ne 9.20 Criação do Mundo Sl 102.25 Cl 1.16 (b) Gn 1.2; Jó 26.13 Criação do Homem Gn 2.7 Cl 1.16 Jó 33.4 Batismo de Cristo Mt 3.17 Mt 3.16 Mt 3.16 Igualdade com diferentes funções: Atividades que Envolvem Todas as Pessoas Morte de Cristo Hb 9.14 Hb 9.14 Hb 9.14

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Uma Apresentação Bíblica da Trindade Pluralidade de

Pessoas na Divindade

No Velho Testamento, o uso de pronomes no plural aponta para, ou pelo menos, sugere a pluralidade de Pessoas na Divindade.

“Também disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26).

O uso da palavra singular “nome” em referência a Deus Pai, Filho e Espírito Santo indica uma unidade dentro da trindade.

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

ATRIBUTO PAI FILHO ESPÍRITO SANTO

Eternidade Sl 90.2 Jo 1.2; Ap 1.8,17 Hb 9.14

Poder 1Pe 1.5 2Co 12.9 Rm 15.19

Onisciência Jr 17.10 Ap 2.23 1Co 2.11 Onipresença Jr 23.24 Mt 18.20 Sl 139.7 Santidade Ap 15.4 At 3.14 At 1.8 Verdade Jo 7.28 Ap 3.7 1Jo 5.6 Pessoas com a mesma essência: Atributos (c) Aplicad os a Cada Pessoa Benevolência Rm 2.4 Ef 5.25 Ne 9.20 Criação do Mundo Sl 102.25 Cl 1.16 (d) Gn 1.2; Jó 26.13 Criação do Homem Gn 2.7 Cl 1.16 Jó 33.4 Batismo de Cristo Mt 3.17 Mt 3.16 Mt 3.16 Igualdade com diferentes funções: Atividades que Envolvem Todas as Pessoas Morte de Cristo Hb 9.14 Hb 9.14 Hb 9.14

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A UNIDADE DO ESPÍRITO DE DEUS E SUAS SETE MANIFESTAÇOES 1. Há um só Espírito: Ef 4.4. Isto constitui uma declaração da unidade do Espírito

Santo. Ele é uma pessoa distinta com personalidade toda especial. É verdade que Ele é chamado “Espírito de Deus” e Espírito de Cristo, bem como Espírito Santo. São estes os seus principais títulos, mas é uma só pessoa que desempenha diversos ministérios.

2. Há sete espíritos: Is 11.2, Ap 1.4, Ap 4.5, Ap 5.6. Estes textos constituem uma

referência aos 7 espíritos de Deus, mas não há contradição entre este fato e Ef 4.4. A unidade do Espírito se manifesta em sete formas diversas. O Supremo é único e uno (Dt 6.4), mas a Bíblia afirma haver três pessoas reconhecíveis na Divindade. Semelhantemente, o Espírito Santo é uma unidade, mas há 7 expressões da sua operação entre os homens. Como o candelabro do Tabernáculo era feito de uma só peça de ouro batido, mas tinha 7 hastes e 7 lâmpadas (Ex 25.31-37), assim também o Espírito Santo é um só, mas resplandece no mundo de 7 maneiras diferentes.

3. O Espírito Santo mais o espírito humano é igual a um só espírito em termo de comunhão (1 Co 6.17). No novo nascimento, o Espírito Santo regenera o espírito humano e passa habitar ali. Há então uma união transcendental, mesclagem divina, que Paulo chega a dizer que somos um só espírito com Ele.

4. “Um só Deus e Pai... o qual está em todos” (Ef. 4.6); “Seu Espírito que em vós habita” (Rm. 8.11); “Jesus Cristo está em vós” (1 Co 13.5). Esses três versículos revelam que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo estão em nós. Quantas Pessoas estão nós? Três ou uma? Não devemos dizer que Três Pessoas separadas estão em nós, nem dizer que somente uma Pessoa está em nós, mas que os Três em um está em nós. As Três Pessoas da Trindade não são Três Espíritos, mas um único Espírito (Ef 4.4). As três Pessoas estão em um Espírito, por isto temos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Distinguindo-se a essência (οὐσία - uçia) da personalidade (ὑποστάσις - hypóstasis) a verdade é que somente a Pessoa do Espírito Santo habita em nós.

A DIVINDADE E ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO

1. ONISCIÊNCIA - 1 Co 2.10-11; Jo 14.26; 16.12-13. O Espírito Santo é onisciente.

Ele sabe todas as coisas. Paulo declarou: “Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus. Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus” (1Co 2.10,11).

2. ONIPRESENÇA - Sl 139.7-12; Is 66.1; Jr 23.24. O Espírito Santo é onipresente. O

salmista perguntou retoricamente: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Sheol a minha cama, eis que tu ali estás também” (Sl 139.7,8). Podemos perceber, nessa passagem, que a presença do Espírito Santo é a mesma coisa que a presença de Deus. Onde estiver o Espírito de Deus, ali estará Deus.

Referências

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