Estat´
ıstica Matem´
atica I
Roseli Aparecida Leandro e Clarice G.B. Dem´
etrio
Mar¸
co de 2011
Depto. de Ciˆencias Exatas, ESALQ/USP e-mail: [email protected]
Vari´
aveis aleat´
orias
Sejam E um experimento e Ω = {ω1, . . . , ωn} um espa¸co amostral a ele associado. Uma fun¸c˜ao X, que associe a cada elemento ω ∈ Ω um n´umero real, X(ω), ´e denominada vari´avel aleat´oria e tem valores em X = {x1, . . . , xm}.
Em muitos experimentos vari´aveis aleat´orias s˜ao implicitamente utilizadas.
Experimento Vari´avel aleat´oria
Lan¸car dois dados X = soma dos n´umeros
Lan¸car uma moeda 25 vezes X = n´umero de caras Aplicar diferentes doses de
Vari´
aveis aleat´
orias discretas
• Seja X uma vari´avel aleat´oria. Se o n´umero de valores poss´ıveis de X (isto ´e, de X ) for finito ou infinito enumer´avel, X ´e denominada vari´avel aleat´oria discreta.
• Isso significa que os valores de X, podem ser dispostos em uma lista como x1, x2, . . .. No caso finito, a lista acaba, e no caso infinito enumer´avel, a lista continua indefinida-mente. Observe que se X = {1, 5; 2, 5; 3, 5}, ent˜ao, a vari´avel aleat´oria correspondente ser´a uma vari´avel aleat´oria discreta.
• A cada poss´ıvel resultado xi ∈ X pode-se associar um n´umero p(xi) = P (X = xi) = P {ωj ∈ Ω : X(ωj) = xi},
denominado probabilidade de xi. Os n´umeros p(xi), i = 1, 2, . . ., devem satisfazer `as seguntes condi¸c˜oes:
(a) p(xi) ≥ 0 para todo i, (b) P∞
i=1 p(xi) = 1
• A fun¸c˜ao p ´e denominada fun¸c˜ao de probabilidade da vari´avel aleat´oria X. A cole¸c˜ao de pares {(xi, p(xi)), i = 1, 2, . . .}, ´e denominada distribui¸c˜ao de probabilidades de X.
Vari´
aveis aleat´
orias cont´
ınuas
• Diz-se que X ´e uma vari´avel aleat´oria cont´ınua, se X puder as-sumir qualquer valor no intervalo (c, d) (infinito n˜ao-numer´avel), sendo que c e d podem ser −∞ e ∞.
• Se existir uma fun¸c˜ao f que satisfa¸ca `as seguintes condi¸c˜oes: (a) f (x) ≥ 0 para todo x,
(b) R ∞
−∞ f (x)dx = 1
f ser´a denominada fun¸c˜ao densidade de probabilidade (fdp) de X.
• Para quaisquer a, b , −∞ < a < b < ∞, define-se: P (a ≤ X ≤ b) =
Z b
Fun¸
c˜
ao de distribui¸
c˜
ao acumulada
• Seja X uma vari´avel aleat´oria, discreta ou cont´ınua. Define-se a func˜ao real de vari´avel real F como a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao acumulada da vari´avel aleat´oria X (fda ou, abreviadamente, in-dicada por fd) como
F (x) = P (X ≤ x) = P {ω ∈ Ω : X(ω) ≤ x}. (a) Se X for uma vari´avel aleat´oria discreta
F (x) = X
j:xi≤x
p(xi)
(b) Se X for uma vari´avel aleat´oria cont´ınua com fdp f , F (x) =
Z x
X Exemplo: Caso discreto
• Considere o experimento E: Lan¸car uma moeda 3 vezes.
• Defina a vari´avel aleat´oria X: n´umero de caras obtidas nos 3 lan¸camentos. Tem-se
ω X(ω)
(ca, ca, ca) 3 (ca, ca, co) 2 (ca, co, ca) 2 (co, ca, ca) 2 (ca, co, co) 1 (co, ca, co) 1 (co, co, ca) 1 (co, co, co) 0
• O campo de varia¸c˜ao da vari´avel aleat´oria X ´e X = {0, 1, 2, 3}. Assumindo que os oito pontos do espa¸co amostral Ω tˆem a mesma probabilidade de 1
8 de ocorrˆencia, a distribui¸c˜ao de pro-babilidades ser´a: x PX(x) 0 1 8 1 3 8 2 3 8 3 1 8 Construa F . Fa¸ca seu gr´afico.
Resultados
X A fun¸c˜ao F ´e n˜ao decrescente, isto ´e, se x1 ≤ x2 tem-se F (x1) ≤ F (x2).
X F ´e cont´ınua `a direita.
X limx→−∞ F (x) = 0 e limx→∞F (x) = 1
X Seja F a fda de uma v.a.c., com fdp f . Ent˜ao, f (x) = d
dxF (x), para todo x no qual F seja deriv´avel.
X Seja X uma v.a.d., com valores poss´ıveis x1, x2, . . . , e
suponha-se que essuponha-ses valores tenham sido indexados de modo que, x1 < x2 < . . .. Seja F a fda de X. Ent˜ao,
X Exemplos: Caso cont´ınuo
i) Dada a fun¸c˜ao g(x) = 3 + 2x, para 2 < x < 4, determinar k tal que f (x) = kg(x) seja uma fun¸c˜ao densidade. Determinar P (2 < x < 3).
ii) Seja a fda de uma v.a. X dada por
FX = 1
1 + e−x.
a) Mostre que FX ´e, realmente, uma fda. Fa¸ca seu gr´afico.
Distribui¸
c˜
oes Bivariadas
Em muitos experimentos pode-se estar interessados em duas ou mais caracter´ısticas, simultaneamente. Por exemplo, a dureza H e a tens˜ao de ruptura de uma pe¸ca manufaturada de a¸ co.Pode-se, nesse caso, considerar (h, t) como resultado experimental. Pode-se estudar a estatura X e o peso Y de alguma pessoa escolhida ao acaso o que forneceria o resultado (x, y).
Sejam E um experimento e Ω um espa¸co amostral associado a E. Sejam X = X(ω) e Y (ω) duas fun¸c˜oes, cada uma associando um n´umero real a cada resultado ω ∈ Ω. Denomina-se (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria bidimensional (algumas vezes chamada vetor aleat´orio).
Se X1 = X1(ω), X2 = X2(ω), . . . , Xn = Xn(ω) forem n fun¸c˜oes, cada uma associando um n´umero real a cada resultado elementar ω ∈ ω, denominaremos (X1, X2, . . . , Xn) uma vari´avel aleat´oria n-dimensional (ou um vetor aleat´orio n-dimensional).
(X, Y ) ser´a uma vari´avel aleat´oria discreta bidimensional se os valores poss´ıveis de (X, Y ) forem finitos ou infinitos enumer´aveis, isto ´e, se os valores poss´ıveis de (X, Y ) puderem ser representa-dos por (xi, yj), i = 1, 2, . . . ; j = 1, 2, . . ..
(X, Y ) ser´a uma vari´avel aleat´oria cont´ınua bidimensional se X e Y puder assumir todos os valores em algum conjunto n˜ ao-enumer´avel do plano real.
Observe que, podem-se ter, tamb´em, os casos “mistos”: X dis-creta e Y cont´ınua e/ou vice-versa.
Fun¸
c˜
ao de probabilidade conjunta: caso discreto
Seja (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria discreta bidimensional. A cada resultado poss´ıvel (xi, yj) associa-se um n´umero
que satisfaz
(a) p(xi, yj) ≥ 0 para todo (xi, yj),
(b) P∞
i=1
P∞
j=1 p(xi, yj) = 1
a fun¸c˜ao p assim definida ´e chamada fun¸c˜ao de probabilidade de (X, Y ). O conjunto dos ternos {(xi, yj, P (xi, yj)), i, j = 1, 2, . . .} ´e denominado distribui¸c˜ao conjunta de probabilidades de (X, Y ).
Fun¸
c˜
ao densidade de probabilidade conjunta:
Caso Cont´
ınuo
Seja (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria cont´ınua assumindo todos os valores em alguma regi˜ao R do plano euclidiano. A fun¸c˜ao den-sidade de probabilidade conjunta f ´e uma fun¸c˜ao que satisfaz `as seguintes condi¸c˜oes:
(a) f (x, y) ≥ 0 para todo (x, y) ∈ R,
(b) R∞
−∞
R∞
Fun¸
c˜
ao de distribui¸
c˜
ao acumulada conjunta
Seja (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria bidimensional. A fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao acumulada (fd) da vari´avel aleat´oria bidimensional (X, Y ) ´e definida por:
FXY (x, y) = P (X ≤ x, Y ≤ y)
Resultado:
X Se F for a fd de uma vari´avel aleat´oria bidimensional com fdp f ent˜ao:
∂2FXY (x, y)
∂x∂y = fXY (x, y) sempre que F for deriv´avel.
Distribui¸
c˜
oes marginais
A cada vari´avel aleat´oria bidimensional (X, Y ) associam-se duas vari´aveis aleat´orias unidimensionais, a saber, X e Y , individual-mente, isto ´e, pode-se estar interessado na distribui¸c˜ao de pro-babilidades de X ou de Y .
Resultado:
X No caso discreto bidimensional tem-se:
? A distribui¸c˜ao de probabilidade marginal de X
p(xi) = P (X = xi) = P [(X = xi, Y = y1) ou (X = xi, Y = y2) ou . . .] = ∞ X j=1 p(xi, yj)
? A distribui¸c˜ao de probabilidade marginal de Y p(yj) = P (X = yj) = P [(X = x1, Y = yj) ou (X = x2, Y = yj) ou . . .] = ∞ X i=1 p(xi, yj)
X No caso cont´ınuo bidimensional tem-se:
Seja fXY a fdp conjunta da vari´avel aleat´oria bidimensional cont´ınua (X, Y ). Definem-se as fun¸c˜oes de densidades mar-ginais de X, fX, e de Y , fY por:
fX(x) =
Z ∞
−∞ fX,Y (x, y)dy e fY (y) =
Z ∞
Probabilidade condicional
X Caso discreto p(xi|yj) = P (X = xi|Y = yj) = p(xi, yj) p(yj) se p(yj) > 0 p(yj|xi) = P (Y = yj|X = xi) = p(xi, yj) p(xi) se p(xi) > 0No caso cont´ınuo, a formula¸c˜ao da probabilidade condicional apresenta alguma dificuldade, uma vez que para quaisquer x0 e y0 tem-se P (X = x0) = P (Y = y0) = 0
Seja (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria cont´ınua bidimensional com fdp conjunta f . Sejam fX e fY as fdp marginais de X e Y respectivamente. Ent˜ao:
? A fdp de X condicional a um dado Y = y ´e definida por: fX|Y (x|Y = y) = fX,Y (x, y)
fY (y) , fY (y) > 0
? A fdp de Y condicional a um dado X = x ´e definida por: fY |X(Y |X = x) = fX,Y (x, y)
X Interprete geometricamente.
X Interprete fX,Y (x, y), fX, fY , fX|Y e fY |X quando X e Y forem, respectivamente, altura do pai e altura do filho.
Vari´
aveis aleat´
orias independentes
Lembre-se que dois eventos A e B s˜ao independentes se e s´o se P (A ∩ B) = P (A)P (B).
X Caso discreto
Seja (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria discreta bidimensional. Diz-se que X e Y s˜ao vari´aveis aleat´orias independentes se, e somente se,
p(xi, yj) = p(xi)p(yj) para quaisquer i e j isto ´e,
X Caso cont´ınuo
Seja (X, Y ) uma vari´avel aleat´oria cont´ınua bidimensional. Diz-se que X e Y s˜ao vari´aveis aleat´orias independentes se, e somente se,
Esperan¸
ca Matem´
atica para v.a. unidimensionais
X Caso discretoSe X ´e uma v.a.d. que assume os valores x1, . . . , xm com as res-pectivas probabilidades p(x1), . . . , p(xm), a esperan¸ca matem´atica de X, ou valor m´edio de X, ´e E(X) = m X i=1 xip(xi)
Exemplo: No lan¸camento de um dado, se X ´e a v.a. que indica o n´umero de pontos obtidos, qual ´e a esperan¸ca de X?
E(X) = 11 6 + 2 1 6 + 3 1 6 + 4 1 6 + 5 1 6 + 6 1 6 = 3, 5
Isso significa que em um grande n´umero de jogadas, espera-se obter uma m´edia em torno de 3,5.
Esperan¸
ca Matem´
atica para v.a. unidimensionais
X Caso cont´ınuoSe X ´e uma v.a.c. com fun¸c˜ao densidade f (x), a esperan¸ca matem´atica de X, ou valor m´edio de X, ´e
E(X) =
Z ∞
−∞xf (x)dx Exemplo: Seja a v.a. X com fdp
f (x) = 1 2x x ∈ [0, 2]
0 caso contr´ario Tem-se que E(X) = Z ∞ −∞ xf (x)dx = Z 2 0 1 2x 2dx = 4 3
Esperan¸
ca Matem´
atica de uma fun¸
c˜
ao de X
a) E[g(X)] = m X i=1 g(xi)p(xi), v.a.d.Exemplo (vad): No lan¸camento de um dado, se X ´e a v.a. que indica o n´umero de pontos obtidos,
E(X2) = 121 6 + 2 21 6 + 3 21 6 + 4 21 6 + 5 21 6 + 6 21 6 = 15, 17 b) E[g(X)] = Z ∞ −∞ g(x)f (x)dx, v.a.c. Exemplo (vac): E(X2) = R∞
−∞ x2f (x)dx =
R2
Esperan¸
ca Matem´
atica para v.a. bidimensionais
Sejam X e Y vari´aveis aleat´orias com fun¸c˜ao de probabilidade conjunta p(xi, yj) se ambas forem discretas ou fun¸c˜ao densidade de probabilidade conjunta f(x,y) se ambas forem cont´ınuas. O valor esperado da fun¸c˜ao g(x,y) ´e
E[g(X, Y )] = m X i=1 n X j=1 g(xi, yj)p(xi, yj), v.a.d. E[g(X)] = Z ∞ −∞ Z ∞
Observa-se que se g(X, Y ) = X, ent˜ao, obt´em-se E(X) = m X i=1 n X j=1 xip(xi, yj) = m X i=1 xi n X j=1 p(xi, yj) = m X i=1 xip(xi), no caso de v.a.d., sendo p(xi) a fun¸c˜ao de probabilidade marginal de Xi. E(X) = Z ∞ −∞ Z ∞ −∞ xf (x, y)dxdy = Z ∞ −∞ x Z ∞ −∞ f (x, y)dxdy = Z ∞ −∞ xg(x)dx,
no caso de v.a.c., sendo g(x) a fun¸c˜ao densidade de probabilidade marginal de X.
Propriedades de Esperan¸
ca Matem´
atica
Teorema 1 Se a e b s˜ao constantes e X uma v.a., ent˜ao, E(aX + b) = aE(X) + b
Corol´ario 1 Se a = 0, tem-se E(b) = b, isto ´e, a esperan¸ca de uma constante ´e a pr´opria constante.
Corol´ario 2 Se b = 0, tem-se E(aX) = aE(X), isto ´e, a esperan¸ca do produto de uma constante por uma v.a. ´e o produto da constante pela esperan¸ca da v.a.
Teorema 2 - Teorema da soma Se X e Y s˜ao duas v.a. quaisquer, ent˜ao,
E(X + Y ) = E(X) + E(Y ) Esse teorema generaliza-se para n vari´aveis
E(X1 + X2 + . . . + Xn) = E(X1) + E(X2) + . . . + E(Xn)
Teorema 3 - Teorema do produto Se X e Y s˜ao duas v.a. inde-pendentes, ent˜ao,
E(XY ) = E(X)E(Y )
Esse teorema generaliza-se para n vari´aveis independentes E(X1X2 . . . Xn) = E(X1)E(X2) . . . E(Xn)
Casos especiais de esperan¸
ca matem´
atica: momentos
a) Momentos em rela¸c˜ao `a origem
Define-se como momento de ordem n em rela¸c˜ao `a origem e representa-se por µ0n, a esperan¸ca matem´atica de Xn, isto ´e,
µ0n = E(Xn) = m X i=1 xni p(xi), v.a.d. µ0n = E(Xn) = Z ∞ −∞ x nf (x)dx, v.a.c.
O momento em rela¸c˜ao `a origem mais importante ´e o primeiro momento.
O momento de ordem 0 em rela¸c˜ao `a origem ´e igual a 1, pois µ00 = E(X0) = m X i=1 x0i p(xi) = m X i=1 p(xi) = 1 ou µ00 = E(X0) = Z ∞ −∞ x 0 f (x)dx = 1
b) Momentos em rela¸c˜ao `a m´edia
Define-se como momento de ordem n em rela¸c˜ao `a m´edia e representa-se por µn, a esperan¸ca matem´atica de [X − E(X)]n, isto ´e, µn = E[X − E(X)]n = m X i=1 [xi − E(X)]np(xi), v.a.d. µn = E[X − E(X)]n = Z ∞ −∞[x − E(X)] nf (x)dx, v.a.c.
O momento em rela¸c˜ao `a m´edia mais importante ´e o segundo momento, tamb´em chamado variˆancia
µ2 = σ2 = E[X − µ0]2 = E(X2) − [E(X)]2
O primeiro momento em rela¸c˜ao `a m´edia ´e zero, isto ´e, E[X − E(X)] = E(X) − E(X) = 0
S˜ao importantes, ainda, o terceiro e o quarto momentos em rela¸c˜ao `a m´edia, pois est˜ao relacionados, respectivamente, `a as-simetria e `a curtose da distribui¸c˜ao.
Tem-se α3 = E[(X − mu) 3] σ3 = µ3 (σ2)3/2
o coeficiente de assimetria (igual a zero para distribui¸c˜oes sim´etricas) e α4 = E[(X − mu) 4] σ4 = µ4 (σ2)2
Rela¸c˜ao entre os momentos de ordem n em rela¸c˜ao `a origem e `a m´edia µn = (µ0() − µ01)(n) = = (−1)0n 0 µ0n−0(µ01)0 + . . . + (−1)j n j µ0n−j(µ01)j + . . . + (−1)n n n µ0n−n(µ01)n = = µ0n − nµ0n−1µ01 + . . . + (−1)j n j µ0n−j(µ01)j + . . . + (−1)n(µ01)n
Assim, para n = 1, tem-se
µ1 = µ01 − µ01 = 0 para n = 2, tem-se
Fun¸
c˜
ao geradora de momentos
Define-se a fun¸c˜ao geradora de momentos de uma v.a. X como MX(t) = E(etX), isto ´e, MX(t) = E(etX) = m X i=1 etxip(x i), v.a.d. MX(t) = E(etX) = Z ∞ −∞ e txf (x)dx, v.a.c.
Em qualquer dos casos, discreto ou cont´ınuo, MX(t) ´e apenas o valor esperado de etX.
A raz˜ao da designa¸c˜ao fun¸c˜ao geradora de momentos ´e que os coeficientes do desnvolvimento MX(t) por s´eries de Maclaurin permite determinar os momentos, isto ´e,
MX(t) = m X i=1 [1 + txi 1! + (txi)2 2! + . . .]p(xi) = = m X i=1 p(xi) + t m X i=1 xip(xi) + t 2 2! m X i=1 x2i p(xi) + . . . , isto ´e, MX(t) = 1 + µ01t + µ02t 2 2! + µ 0 3 t3 3! . . . . Para t = 0, MX(0) = 1 = µ00.
Derivando-se MX(t) em rela¸c˜ao a t, tem-se MX0 (t) = µ01 + µ022t 2! + µ 0 3 3t2 3! . . . . e, fazendo-se t = 0, tem-se MX0 (0) = µ01.
Derivando-se MX0 (t) em rela¸c˜ao a t, tem-se MX00 (t) = µ002 + µ03t + . . . . e, fazendo-se t = 0, tem-se
MX00 (0) = µ02 e, assim, sucessivamente, verifica-se que
µ0(n) = E(X(n)) = MX(n)(0)
em que MX(n)(0) ´e a derivada de ordem n em rela¸c˜ao a t da fun¸c˜ao MX(t) no ponto t = 0.
Covariˆ
ancia e coeficiente de correla¸
c˜
ao
No caso de vari´aveis aleat´orias bidimensionais X e Y com fun¸c˜ao de probabilidade conjunta se ambas foram discretas ou fun¸c˜ao de densidade conjunta se ambas forem cont´ınuas, tomando-se g(X, Y ) = (X − µX)(Y − µY ), sendo µX = E(X) e µY = E(Y ), define-se covariˆancia de (X, Y ), por
σXY = Cov(X, Y ) = E(X − µX)(Y − µY ) = E(X, Y ) − µXµY , isto ´e,
σXY = X
x
X
y
(x − µX)(y − µY )p(x, y), v.a.d.
σXY =
Z ∞
−∞
Z ∞
Se X e Y forem vari´aveis aleat´orias independentes, ent˜ao, σXY = 0. A rec´ıproca, por´em, n˜ao ´e sempre verdadeira.
Se, por outro lado, s˜ao completamente dependentes, por exem-plo, quando X = Y , ent˜ao, Cov(X, Y ) = σXY = ρXY σXσY . Isso, conduz a uma medida de dependˆencia das vari´aveis X e Y , cha-mada coeficiente de correla¸c˜ao, dada por
ρXY = σXY σXσY
Propriedades de variˆ
ancia e covariˆ
ancia
Teorema 1 Se X ´e uma v.a. e k uma constante, ent˜ao, V ar(kX) = k2V ar(X)
Teorema 2 Se X e Y s˜ao duas v.a., ent˜ao,
V ar(X ± Y ) = V ar(X) + V ar(Y ) ± 2Cov(X, Y ) Se X e Y forem independentes, ent˜ao,
V ar(X ± Y ) = V ar(X) + V ar(Y ) e, no caso de n vari´aveis independentes, tem-se
Teorema 3 Se k ´e uma constante, ent˜ao, V ar(k) = 0
Teorema 4 Se k ´e uma constante e X, Y e Z s˜ao v.a., ent˜ao, Cov(X + Y, Z) = Cov(X, Z) + Cov(Y, Z)
Cov(kX, Y ) = Cov(X, kY ) = kCov(X, Y ) Cov(k, X) = Cov(X, k) = 0
Esperan¸
ca condicional
Defini¸c˜ao Seja (X, Y ) uma v.a. bidim. e g(X, Y ) uma fun¸c˜ao de (X, Y ). A esperan¸ca condicional de g(X, Y ) dado X = x ´e
E[g(X, Y )|X = x] = m X j=1 g(x, yj)pY |X(yj|x), v.a.d. E[g(X, Y )|X = x] = Z ∞
−∞g(x, y)fY |X(y|x)dy, v.a.c.
Teorema Seja (X, Y ) uma v.a. bidimensional , ent˜ao E[g(Y )] = E{E[g(Y )|X]}
e, em particular,
Variˆ
ancia condicional
Defini¸c˜ao Seja (X, Y ) uma v.a. bidimensional, ent˜ao, a variˆancia condicional de Y dado X = x ´e definida por
V ar[g(X, Y )|X = x] = E(Y 2|X = x) − [E(Y |X = x)]2
Teorema Seja (X, Y ) uma v.a. bidimensional , ent˜ao V ar(Y ) = E[V ar(Y |X)] + V ar[E(Y |X)] e, em particular,
Exemplo Suponha que Y |Z ∼ P(Z), z > 0, isto ´e, com fp f (y|z) = e
−zzy
y! , y = 0, 1, 2, . . . ; e que Z ∼ G(k, λ), isto ´e, com fdp
f (z; k, λ) = λ k λ Γ(λ)z λ−1 exp−zλ k ,
com E(Z) = kλ−1 e V ar(Z) = kλ−2. Mostre que Y tem distri-bui¸c˜ao binomial negativa, com E(Y ) = kλ−1 = µ e V ar(Y ) = µ + k−1µ2
Exemplo Seja Y | P ∼ B(m, P ) e P ∼ Beta(α, β), α > 0, β > 0, 0 < p < 1, isto ´e, f (y | p) = m y py(1 − p)m−y e f (p) = p α−1(1 − p)β−1 B(α, β) , sendo B(α, β) = Γ(α)Γ(β) Γ(α + β). Mostre que:
a) incondicionalmente, Y tem distribui¸c˜ao beta-binomial com f.d.p. expressa por f (y) = m y B(α + y, m + β − y) B(α, β) ; b) E(Y ) = m α α + β = mπ e V ar(Y ) = mπ(1 − π)[1 + ρ(m − 1)], sendo ρ = 1 α + β + 1.
Exemplo Uma distribui¸c˜ao para explicar o excesso de zeros em dados de contagem ´e a distribui¸c˜ao de Poisson inflacionada de zeros, com fun¸c˜ao de probabilidade igual a
P(Y = y) = ω + (1 − ω)e−λ y = 0 (1 − ω)e −λλy y! y = 1, 2, . . .
Mostre que E(Y ) = (1 − ω)λ = µ e V ar(Y ) = µ +
ω
1 − ω
Uma distribui¸c˜ao alternativa para explicar o excesso de zeros em dados na forma de contagens ´e a distribui¸c˜ao binomial negativa inflacionada de zeros, com fun¸c˜ao de probabilidade expressa por
P(Y = y) = ω + (1 − ω) (1 + αλc) −λ 1−c α , y = 0 (1 − ω) Γ y + λ 1−c α y!Γ λ1−c α (1 + αλ c)− λ1−c α 1 + λ −c α −y , y = 1, 2, . . .