Escola Secundária
D. Duarte
C
OIMBRA
Delegação Regional do Centro da IGE
Avaliação Externa das Escolas
Relatório de escola
I – INTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa.
Após a realização de uma fase-piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho Conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação (IGE) de acolher e dar continuidade ao programa nacional de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase-piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa da
Escola Secundária D. Duarte – Coimbra, na sequência da visita efectuada entre 14 e 15 de Março de 2011.
Os capítulos do relatório – Caracterização da Escola, Conclusões da
Avaliação por Domínio, Avaliação por Factor e Considerações Finais –
decorrem da análise dos documentos fundamentais da Escola, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para a Escola, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
ESCALA DE AVALIAÇÃO
Níveis de classificação dos cinco domínios
MUITO BOM – Predominam os
pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoa-mento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos.
BOM – A escola revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa indi-viduais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos.
SUFICIENTE –Os pontos fortes e os
pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos.
INSUFICIENTE – Os pontos fracos
sobrepõem-se aos pontos fortes. A escola não demonstra uma prática coerente e não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos.
O texto integral deste relatório está disponível no sítio da IGE na área
II – CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA
A Escola Secundária D. Duarte está situada em Santa Clara, na margem esquerda do rio Mondego, em plena zona urbana, histórica e de lazer da cidade de Coimbra. Foi criada por decreto-lei e inaugurada em 1969 com a designação de Liceu Nacional D. Duarte, primeiro Liceu misto em Coimbra, tendo adquirido, em 1978, a sua actual denominação. Para além da área de influência directa da cidade, recebe também alunos de concelhos limítrofes.
As instalações estendem-se por um edifício de estrutura única, rodeado de espaços verdes, encontrando-se, de um modo geral, em razoável estado de conservação e dotado de suficiente equipamento. O pavilhão gimnodesportivo, recentemente requalificado, oferece boas condições para a prática das actividades físicas e desportivas. A Escola foi incluída na próxima fase do Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário.
A população escolar registou um aumento global nos últimos quatro anos, sendo actualmente de 560 alunos: 301 do ensino secundário regular (13 turmas dos cursos científico-humanísticos) e 259 dos cursos profissionais (16 turmas). Recebem auxílios económicos, no âmbito da Acção Social Escolar, 37,0% dos alunos, sendo 20,2% do escalão A e 16,8% do escalão B. A percentagem de discentes que tem computador e Internet é de apenas 46,5%. Os alunos de outros países constituem 8,0% da população escolar, provenientes, essencialmente, do Brasil, Guiné-Bissau, França, Luxemburgo e Cabo Verde. A actividade profissional das famílias é variada, sendo expressiva em áreas como serviços directos e particulares, protecção e segurança, construção civil e indústria extractiva, docentes e profissões similares e técnicos de nível intermédio, desconhecendo-se, contudo, a ocupação profissional de 21,2% dos encarregados de educação. Quanto à escolaridade dos pais, aproximadamente 50,0%, possui uma habilitação igual ou superior ao ensino secundário.
O corpo docente é constituído por 86 professores (81,4% pertencem aos quadros e 18,6% são contratados). A acção educativa é apoiada por um técnico superior (psicóloga), oito assistentes técnicos e 22 assistentes operacionais.
III – CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO
1. Resultados
BOM
A Escola sistematiza informação sobre os resultados escolares e procede à sua análise nos vários órgãos e estruturas pedagógicas, adoptando estratégias de melhoria para as áreas de maior insucesso. Nos últimos três anos, as taxas de transição dos alunos dos 10.º e 11.º anos dos cursos científico-humanísticos e tecnológicos baixaram, sendo que no último ano lectivo foram inferiores às médias nacionais. No entanto, no 12.º ano, as taxas de conclusão registaram uma melhoria contínua e posicionaram-se sempre acima das médias nacionais. O sucesso dos alunos nos cursos profissionais já concluídos não se mostra expressivo, mas os níveis de empregabilidade são relevantes. No último triénio, nos exames do 12.º ano do ensino secundário, os resultados alcançados em Português, Matemática A e História A encontram-se, por regra, acima das médias nacionais. A monitorização das aulas de apoio educativo mostra que as medidas implementadas na maioria das disciplinas têm sido eficazes na recuperação das aprendizagens. A taxa de abandono escolar registou uma diminuição global nos últimos três anos. Os responsáveis revelam-se atentos e fazem um acompanhamento adequado das situações de risco.
Os alunos são incentivados a participar na vida escolar dentro de um quadro de cidadania democrática que o Projecto Educativo elege como prioridade. As atitudes cívicas são coerentemente integradas nos critérios de avaliação das várias disciplinas e a dimensão solidária é promovida através de diversas actividades. Os discentes possuem um vago conhecimento dos documentos estruturantes, com excepção do Regulamento Interno, principalmente dos aspectos relacionados com os seus direitos e deveres.
O comportamento dos alunos constitui um problema da Escola, afectando nalgumas turmas o ambiente educativo indispensável à aprendizagem em contexto de sala de aula. Os responsáveis estão a par da situação e mostram-se empenhados em suster e contrariar o fenómeno, estando a ser tomadas medidas diversificadas nesse sentido. Os êxitos pessoais e colectivos dos alunos são valorizados através de várias iniciativas, algumas com elevado impacto interno e externo.
2. Prestação do serviço educativo
MUITO BOM
As estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica fomentam o trabalho cooperativo em aspectos relevantes da gestão curricular, como sejam, o planeamento das unidades didácticas/actividades, a aferição de instrumentos de avaliação, a reflexão sobre os resultados obtidos e a definição de estratégias de melhoria. Os conselhos de turma promovem a coordenação das equipas pedagógicas, sendo a interdisciplinaridade devidamente planeada no âmbito de actividades e projectos da Escola. Não existem práticas regulares de articulação com as escolas de proveniência da maioria dos alunos, com o objectivo de assegurar a sequencialidade das aprendizagens. O planeamento elaborado pelos docentes respeita as orientações dos departamentos/áreas disciplinares, sendo o acompanhamento da actividade lectiva feito fundamentalmente através da verificação do cumprimento das planificações, da análise dos resultados escolares e da definição de estratégias de melhoria, não incluindo ainda a supervisão em contexto de sala de aula. Os casos problemáticos detectados ao nível da leccionação são acompanhados pelos responsáveis, embora nem sempre com procedimentos eficazes. Estão implementadas várias medidas que garantem a confiança na avaliação.
São proporcionados apoios aos alunos com necessidades educativas especiais e com dificuldades de aprendizagem. É também dada particular atenção aos alunos com problemas de outra ordem, designadamente, insuficiente acompanhamento familiar, consumo de substâncias psicoactivas e desmotivação pela frequência da escola. O Serviço de Psicologia e Orientação assegura um trabalho consistente e articulado com os directores de turma, famílias e instituições externas, garantindo o apoio psicopedagógico, a orientação vocacional ou reavaliação em casos de risco de insucesso/abandono e o esclarecimento dos alunos e das famílias acerca das futuras opções de empregabilidade/formação.
A Escola disponibiliza uma oferta formativa diversificada, proporcionando o acesso a um vasto conjunto de projectos e actividades que visam o reforço das aprendizagens e a valorização de saberes práticos e profissionais. As dimensões experimentais e artísticas do currículo são também valorizadas, tendo reflexos na promoção de uma cultura científica e de contextos de aprendizagem diversificados e estimulantes.
3. Organização e gestão escolar
MUITO BOM
Os documentos organizativos constituem-se como instrumentos de gestão da actividade educativa e revelam-se articulados, deixando antever uma visão estratégica de desenvolvimento. Esteve na base da sua elaboração a reflexão efectuada pelos docentes, órgãos e estruturas pedagógicas sobre as práticas educativas, os resultados e a consequente identificação das situações geradoras de insucesso. A recolha de informação através da aplicação de questionários à população escolar deu um contributo precioso e revelou-se uma estratégia eficaz para a construção do Projecto Educativo. O Plano Anual de Actividades contempla um conjunto diversificado de acções, projectos e iniciativas que operacionalizam as prioridades de acção e dão consistência à unidade organizacional.
A gestão dos recursos humanos advém do conhecimento das competências pessoais e profissionais e da existência de critérios para a distribuição do serviço, que se pauta por princípios de equidade. Os docentes e os assistentes técnicos e operacionais têm frequentado algumas acções de formação para aperfeiçoamento dos conhecimentos associados à sua actividade, embora subsista a necessidade de alargar a oferta de formação contínua nomeadamente, no âmbito da direcção de turma e da auto-avaliação.
Existe uma boa gestão de recursos físicos e materiais, para a qual tem contribuído também a boa capacidade de angariação de receitas próprias. As instalações apresentam um aspecto cuidado e limpo, existindo todavia alguns espaços onde são visíveis sinais de degradação e de falta de conforto e bem-estar que interferem na qualidade da acção educativa. As questões de segurança estão, de um modo geral, salvaguardadas, pese as fragilidades apontadas ao nível da vigilância das entradas e saídas da Escola e da instalação de dispositivos de actuação perante situações de emergência no laboratório de Química. Promovem-se várias iniciativas para envolver as famílias e as informar sobre os aspectos cruciais do funcionamento da organização. Os representantes dos pais conhecem os documentos estruturantes, as actividades essenciais e empenham-se na resolução de problemas. No entanto, verifica-se alguma falta de mobilização dos encarregados de educação para participarem mais activamente na vida da Escola.
É implementada uma política de inclusão escolar, fomentada por uma forte vertente humanista e de apoio aos alunos com problemas de aprendizagem, o que ilustra a actuação dos responsáveis pela observância dos princípios de equidade e justiça.
4. Liderança
MUITO BOM
A Escola tem definidas as finalidades de acção educativa, com objectivos e áreas prioritárias de intervenção, que se revelam coerentes entre si, para responder aos problemas diagnosticados. Têm sido implementados alguns procedimentos de melhoria, e existem indicadores de aprofundamento da prestação do serviço educativo e da organização pedagógica, que incluem a definição de metas quantificadas, a sistematização da informação e a prestação de contas. Tendo em vista a resolução de problemas concretos, são organizadas respostas diversificadas, através de múltiplas ofertas educativas e formativas, do desenvolvimento de projectos e planos, da criação de contextos de aprendizagem distintos e do uso das tecnologias de informação e comunicação. A atitude das lideranças tem impacto na integração e empenhamento dos profissionais e no (re)conhecimento de algumas dificuldades e constrangimentos, bem como na definição de estratégias de melhoria.
A Escola está bem integrada na comunidade, como demonstra o conjunto de projectos e parcerias activas com empresas e outras instituições públicas e privadas e que representam um contributo forte para a melhoria do serviço educativo, da oferta formativa e da criação de oportunidades de aprendizagem. Os parceiros têm uma imagem muito positiva do trabalho realizado.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da Escola
BOM
A auto-avaliação, enquanto instrumento credível, estratégico e abrangente para a melhoria do serviço educativo e dos resultados dos alunos, encontra-se em fase de desenvolvimento.
A Escola tem algumas práticas regulares de avaliação interna ao nível dos resultados académicos e das actividades realizadas. A informação recolhida é tratada e analisada pelos órgãos de direcção, administração e gestão e pelas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, o que tem permitido o conhecimento de pontos fortes e fracos, a identificação de oportunidades e constrangimentos e, consequentemente, a implementação de algumas medidas para o aperfeiçoamento do serviço educativo. A incidência limitada e “dispersa” das práticas de auto-avaliação dificulta o conhecimento global das diferentes dimensões do trabalho realizado pela Escola e a definição de planos estratégicos de melhoria mais estruturados e abrangentes, o que poderá ter efeitos menos positivos na sustentabilidade do progresso. Todavia, a constituição da secção do Conselho Pedagógico para a avaliação, bem como o trabalho já desenvolvido pela mesma, é um indicador positivo que poderá contribuir para o aperfeiçoamento dos mecanismos de auto-regulação.
IV – AVALIAÇÃO POR FACTOR
1. Resultados
1.1 Sucesso académico
Os resultados escolares são regularmente analisados com base em diversos indicadores, nomeadamente classificações por disciplina/ano (mínimas, médias e máximas), taxas de sucesso por ano/turma/curso (incluindo dos cursos profissionais) e classificações médias dos exames nacionais do ensino secundário. A comparação sistematizada destes dados com os obtidos em anos anteriores e com os referentes nacionais não tem sido uma prática regular. Também não são realizados estudos comparativos com outras escolas com características sociológicas semelhantes. A informação recolhida é objecto de reflexão em vários órgãos e estruturas pedagógicas, estando na origem da identificação das disciplinas de maior insucesso (p. ex., Matemática A, Física e Química A e Português) e dos alunos com mais dificuldades, sendo implementadas estratégias de melhoria que passam, essencialmente, pela frequência de “salas temáticas” (por área disciplinar) e por aulas de apoio.
No último triénio, as taxas de transição dos alunos do 10.º ano dos cursos científico-humanísticos e tecnológicos (83,0%, 84,0%, 69,0%) regrediram significativamente, passando de uma situação positiva para negativa relativamente às médias nacionais (80,7%, 80,9% e 79,7%), o mesmo acontecendo no 11.º ano, mas de modo menos acentuado (valores da Escola: 93,0%, 85,0% e 84,0%; médias nacionais: 87,2%, 86,3% e 84,4%). No 12.º ano, as taxas de conclusão (65,0%, 67,0% e 73,0%) registaram uma melhoria progressiva, situando-se sempre acima das médias nacionais (64,8%, 64,8%, 64,3%). O sucesso dos alunos nos cursos profissionais já concluídos não é muito relevante: no último biénio, a taxa de sucesso do curso profissional de Técnico de Restauração, variante Cozinha-Pastelaria foi de 75,0% e 56,5%, respectivamente, e a do curso profissional de Restaurante-Bar foi de 64,7%, no último ano. Contudo, é de assinalar que os formandos destes cursos têm tido uma boa aceitação no mercado, registando bons níveis de empregabilidade.
Nos exames nacionais, no último triénio, os resultados (classificação média obtida na 1.ª fase) alcançados nas disciplinas de Português (12,5, 11,5 e 11,5 valores) e de Matemática A (16,3, 11,2 e 14,2 valores), embora evidenciado um ligeiro decréscimo, situam-se, por norma, acima dos nacionais (Português: 10,4, 11,7 e 11,0; Matemática A: 14,0, 11,7 e 12,2 valores). Na disciplina de História A, os resultados (12,0, 12,4 e 13,3 valores) têm vindo a progredir e sempre em patamares superiores às médias nacionais (11,0, 11,9 e 11,9 valores). É feita a monitorização das aulas de apoio educativo, permitindo verificar que estas se revelam eficazes à maioria das disciplinas (p. ex., em 2007-2008, na disciplina de Inglês I, dos 16 alunos apoiados 15 obtiveram aprovação), apesar de a Escola não efectuar ainda a sistematização global dos resultados.
Nos últimos três anos, abandono escolar foi de 2,6%, 3,7% e 1,8%. Os responsáveis estão atentos às situações de risco, existindo um trabalho articulado com os directores de turma, o Serviço de Psicologia e Orientação, as famílias e a colaboração da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens para o acompanhamento dos alunos.
1.2 Participação e desenvolvimento cívico
No prosseguimento da finalidade traçada no Projecto Educativo “Promover a aquisição de valores e atitudes que levem à preparação intelectual e afectiva do aluno enquanto futuro cidadão democrata, no País e no Mundo”, e no âmbito da integração na rede de Escolas Unesco, a educação cívica assume particular relevância institucional, sendo bastante trabalhada com os alunos. O seu impacto é especialmente visível na gestão do currículo (Educação Ambiental e Igualdade, como abordagens transversais, e nas temáticas da Área de Projecto), na valorização da componente das atitudes nos critérios de avaliação (especialmente nos cursos profissionais) e na participação em actividades e projectos de natureza extracurricular que reforçam o espírito de solidariedade, responsabilidade e convivência democrática (acções de voluntariado, recolha de bens para instituições particulares de solidariedade social, debate de problemas ambientais, celebração do dia da Liberdade – 25 de Abril).
São promovidas várias iniciativas para envolver os estudantes na vida escolar. Por exemplo, os representantes dos alunos são convocados para participarem nos órgãos onde têm assento e a Directora reúne com as “assembleias de delegados”, embora com pouca frequência, para divulgar aspectos cruciais do funcionamento interno, bem como para os auscultar sobre os seus problemas. A Associação de Estudantes tem um plano de acção próprio, estando prevista a sua integração no Plano Anual de Actividades da Escola. Com excepção dos aspectos fundamentais do Regulamento Interno, nomeadamente os seus direitos e deveres, os alunos revelam algum desconhecimento dos documentos estruturantes (Projecto Educativo e Plano Anual de Actividades).
1.3 Comportamento e disciplina
A Escola possui informação sistematizada relativamente aos casos de indisciplina dos alunos referente apenas ao último biénio: em 2008-2009 registaram-se 16 procedimentos disciplinares e oito em 2009-2010. As medidas sancionatórias mais gravosas aplicadas traduziram-se num total de 24 suspensões até cinco dias úteis. Contudo, a diminuição do número de processos disciplinares verificada não se encontra alinhada com a percepção dos actores que consideram que ultimamente os problemas de comportamento se têm vindo a agravar, particularmente em contexto de sala de aula, com implicações na interrupção do ritmo das actividades e na deterioração das condições favoráveis à aprendizagem, especialmente em turmas de alguns cursos profissionais e de uma turma do curso de Línguas e Humanidades. As situações estão identificadas, mas a reflexão desencadeada nos órgãos e estruturas pedagógicas ainda não propiciou a adopção de medidas suficientemente eficazes de controlo da indisciplina em sala de aula. A Escola revela insatisfação com o
fenómeno, agindo por isso em várias frentes, designadamente através da acção dos directores de turma, com a divulgação das regras de conduta e dos deveres dos alunos, a definição de critérios de actuação comuns entre os docentes dos conselhos de turma (embora nem sempre sejam respeitados) e o envolvimento dos pais na resolução dos problemas de comportamento, na actuação imediata e presencial da Directora sempre que necessário, no trabalho conjunto de apoio e prevenção desenvolvido pela psicóloga e demais profissionais afectos ao Gabinete do Aluno e, ainda, na criação para breve, de um gabinete de mediação de conflitos, tendo-se já promovido internamente acções de tendo-sensibilização/formação neste âmbito.
A assiduidade e a pontualidade são atitudes valorizadas, estando consignadas nos critérios de avaliação.
1.4 Valorização e impacto das aprendizagens
É implementado regularmente um conjunto de acções tendentes a valorizar as aprendizagens, que passam, sobretudo, pela exposição de trabalhos nos espaços educativos, pela participação em concursos nacionais (1.º prémio – “Vamos contar uma história de Nuno Álvares Pereira”) e internacionais (1.º lugar no Concurso eTwinning Europeu, pela confecção e organização de jantares temáticos “Jantar dos anos 60”) e pela divulgação de prémios e trabalhos na página na Internet, na TV Corporativa na Escola e no boletim informativo da biblioteca “Divulgarte”. As práticas de reconhecimento das aprendizagens são concretizadas através do “Quadro de Mérito”.
A Escola desenvolve uma acção concertada com a Administração Educativa e com entidades locais/regionais (Instituições de Solidariedade Social, Empresas, Associação dos Industriais de Hotelaria e Restauração do Centro) com vista a garantir a adequação dos cursos profissionalizantes às necessidades sociais do meio. É dada alguma atenção ao percurso dos alunos após a sua saída da Escola, especialmente dos cursos profissionais, verificando-se que nos dois últimos anos, excluindo os alunos que prosseguiram estudos, a maioria dos que concluíram está inserida no mercado de trabalho na sua área de formação (72,7% - curso profissional de Técnico de Restauração, variante Cozinha-Pastelaria).
2. Prestação do serviço educativo
2.1 Articulação e sequencialidade
Os professores, dentro da sua área disciplinar, desenvolvem um trabalho colaborativo regular na elaboração das planificações, construção e partilha de materiais pedagógicos, aferição dos instrumentos de avaliação, análise dos resultados de final de período/ano lectivo, decorrente do tratamento estatístico efectuado pelos coordenadores dos directores de turma, e no estabelecimento de estratégias de melhoria das aprendizagens. A monitorização dos resultados académicos é também supervisionada pelo Conselho Pedagógico, onde são, estabelecidas orientações gerais de intervenção (apoios a implementar).
A articulação e a sequencialidade de conteúdos são reforçadas, quando possível, pela continuidade pedagógica do docente mas, neste mesmo sentido, não são estabelecidas ligações com as escolas de origem dos alunos do 10.º ano de escolaridade.
Os directores de turma promovem a coordenação das equipas pedagógicas através da análise do aproveitamento, do comportamento e da assiduidade dos alunos, bem como da definição dos apoios educativos e da avaliação dos planos implementados. As actividades transdisciplinares (Educação para a Saúde/Sexualidade) e interdisciplinares são devidamente planificadas, assumindo particular relevância na Área de Projecto. No âmbito das visitas de estudo e dos projectos esta dimensão é também bastante trabalhada (p. ex., visita à Feira das Profissões “Euroskills”, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), que envolveu as disciplinas de Português, Educação Física e Inglês, entre outras).
Em articulação com o Serviço de Psicologia e Orientação, os directores de turma desenvolvem um trabalho relevante na (re)orientação dos alunos e das famílias quanto às opções e percursos formativos.
2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula
A elaboração dos planos de aula pelos docentes, bem como a utilização de materiais didácticos e instrumentos de avaliação, respeitam as orientações dos departamentos/áreas disciplinares e dos conselhos de turma,
sendo tida em consideração, nalgumas disciplinas, a avaliação diagnóstica, principalmente do 10.º ano. Estas estruturas, com ênfase para as áreas disciplinares, procedem ao acompanhamento das actividades dos docentes, essencialmente através do balanço periódico do cumprimento dos programas, do relato de experiências pedagógicas, da análise dos resultados escolares e da definição de estratégias para superar casos de insucesso. A observação de aulas não é utilizada como instrumento de supervisão, tendo em vista o apoio e superação de dificuldades. Os problemas de leccionação revelados por alguns docentes são objecto de acompanhamento, mas nem sempre as práticas adoptadas se têm revelado eficazes.
Encontram-se definidos critérios de avaliação por disciplina, estando devidamente especificados os pesos a atribuir nos domínios cognitivo e das atitudes e valores. A confiança nos resultados é também promovida através da definição de matrizes para os testes de avaliação, da aplicação de provas comuns (em situações que o número de turmas por ano o possibilita), análise comparada dos resultados na mesma disciplina/ano de escolaridade e, ainda, embora com menor impacto, através da auto/hetero-avaliação dos alunos e do confronto dos resultados da Escola com as médias nacionais (exames nacionais de 11.º e 12.º anos). Os conselhos de turma, por sua vez, procedem ao confronto das avaliações propostas pelos docentes, exigindo a necessária justificação, nos casos em que a taxa de insucesso da disciplina se torna expressiva (classificação abaixo de sete valores ou com mais de 50,0% de negativas).
2.3 Diferenciação e apoios
Os alunos com necessidades educativas especiais que frequentam a Escola pela primeira vez são identificados logo no início do ano lectivo, sendo os programas educativos que os acompanham objecto de adequada adaptação/revisão pelos conselhos de turma, em articulação com os Serviços Técnico-Pedagógicos e as famílias. São oferecidos apoios educativos que se traduzem, por exemplo, na frequência das “salas temáticas” (por área disciplinar) e aulas de apoio pedagógico acrescido a várias disciplinas, incluindo dos cursos profissionais.
Para além das dificuldades específicas de aprendizagem, a Escola confronta-se com outros problemas na população escolar. Existem casos de pouco acompanhamento familiar, consumo de substâncias psicoactivas, trajectos educativos marcados por várias retenções e carências de diversa índole, inclusive alimentares, situações a que se encontra associada, por regra, a desmotivação face às actividades escolares. Os responsáveis estão atentos e desenvolvem um trabalho articulado entre as estruturas internas (Serviço de Psicologia e Orientação, Gabinete do Aluno, Serviços da Acção Social Escolar) e externas (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, Escola Superior de Enfermagem – Programa “Tu decides”), procurando as respostas mais adequadas para cada situação.
A psicóloga tem uma intervenção consistente em vários domínios: apoio psicopedagógico, integração escolar, formação interna e orientação escolar e profissional. Neste âmbito, é de sublinhar a reorientação do percurso formativo de alunos do 10.º ano, a escolha adequada de opções disciplinares face aos cursos superiores pretendidos e a divulgação de informação sobre profissões/mercado de trabalho. A sua acção conjuga-se com a dos docentes, directores de turma/coordenadoras (cursos científico-humanísticos e profissionais), encarregados de educação e instituições externas.
2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem
A oferta formativa é diversificada, sendo possível aos alunos optarem por cursos científico-humanísticos de Ciências e Tecnologias e de Línguas e Humanidades ou cursos profissionais (Técnico de Recursos Florestais e Ambientais; Gestão e Programação de Sistemas Informáticos; Animador Sociocultural; Restauração, variante Cozinha-Pastelaria; Restaurante-Bar). Esta oferta, que também valoriza os saberes práticos e as atitudes profissionais, constitui uma resposta adequada à pluralidade de estudantes, contribuindo para a prevenção do abandono e para a promoção do sucesso escolar, em particular para um conjunto de alunos que não apresenta interesse pelo currículo regular.
As acções diversificadas de âmbito cultural, social e artístico proporcionam aos discentes novas experiências e saberes. Refiram-se, por exemplo, os concursos “Prémio Nacional – Padre António Vieira” e “Estátuas Humanas”, as exposições “D. Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes” e “A Matemática no Quotidiano”, as palestras sobre “Hidrogénio e Energias Renováveis” e “Física do Ipod”, a visita de estudo à “Cordoaria
Nacional”, sobre a 1.ª República e as demais actividades e projectos “Biblioteca Escolar”,“EcoMuseu do Mondego”, “Educação para a Saúde”, “Academia D. Duarte”, “Unesco” e dos clubes existentes.
A Escola valoriza a dimensão experimental do currículo. As razoáveis instalações laboratoriais e equipamentos existentes, a realização frequente de experiências, a afectação de um assistente operacional com formação neste sector, a participação em eventos científicos (II Mini-Congresso de Ciência por Jovens, em parceria com o Exploratório – Centro de Ciência Viva de Coimbra) e as visitas de estudo à “Semana Aberta da Ciência e Tecnologia” da Universidade de Aveiro, e ao Departamento de Física da Universidade de Coimbra, bem como saídas de campo “Arborização das Dunas de Mira” e à “Mata do Choupal”, em Coimbra, contribuem para o desenvolvimento da componente prática na aprendizagem das ciências, fomentando nos intervenientes uma atitude positiva face ao método científico. A dimensão artística do currículo é igualmente valorizada, sendo esta visível nas iniciativas, por exemplo, do ateliê de Artes, nas exposições artísticas e em várias visitas de estudo (museus do Traje, do Teatro e da Marioneta em Lisboa).
3. Organização e gestão escolar
3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade
O Projecto Educativo, o Regulamento Interno e o Plano Anual de Actividades evidenciam coerência interna, articulando-se no desenvolvimento da acção educativa. Estes documentos estão acessíveis, podendo ser consultados na Escola e na página na Internet, e explicitam princípios, metas e estratégias pelos quais é orientado o planeamento da actividade e a oferta educativa. A construção do Projecto Educativo resultou de um processo participado, nomeadamente no que respeita à recolha de informação de diagnose, através da aplicação de questionários aos vários actores escolares. Os órgãos de direcção, administração e gestão (inclusive o Conselho Geral) e as estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica procedem à discussão e revisão dos documentos organizacionais.O Plano Anual de Actividades é abrangente e diversificado, reunindo iniciativas e actividades propostas, entre outros, pelos departamentos curriculares, pelos alunos, pelos pais (Associação de Pais e Encarregados de Educação), pelo Serviço de Psicologia e Orientação e pela biblioteca, numa perspectiva dinâmica de envolvimento e participação da comunidade educativa. A educação para a cidadania “saber estar saber ser”, o sucesso escolar dos alunos, o apoio ao desenvolvimento das aprendizagens, a abertura e relação com o exterior e a valorização da participação dos pais, são prioridades que se destacam nos documentos estruturantes. A dimensão humanista é avaliada por todos os actores como uma área de excelência, estando patente na forte relação de pertença e integração escolar evidenciada pelos alunos. Apesar de não existir Projecto Curricular de Escola, são elaborados projectos curriculares de turma, com uma estrutura uniforme, que contam com o envolvimento de pais e alunos na sua construção.
O planeamento do ano lectivo é devidamente efectuado e de forma atempada, tendo em conta os balanços das análises dos resultados escolares, dos relatórios de avaliação das actividades e projectos e os problemas e necessidades identificados (reforço dos apoios aos alunos, adequação da oferta formativa, actividades de enriquecimento curricular). As soluções organizativas e pedagógicas adoptadas encontram-se alinhadas com as necessidades de aprendizagem e de integração dos alunos e da comunidade em geral.
3.2 Gestão dos recursos humanos
A gestão dos recursos humanos é realizada tendo em conta o perfil pessoal, as competências profissionais, a formação de equipas pedagógicas e princípios estabelecidos para a atribuição de funções e responsabilidades. A continuidade pedagógica e a adaptação dos assistentes técnicos e operacionais a diversas funções são os princípios privilegiados na distribuição de serviço, que é discutida em reunião. Para o cargo de director de turma são tidos em conta a experiência profissional, o bom relacionamento, a capacidade de lidar com os problemas específicos dos alunos nas diferentes dimensões de desenvolvimento pessoal e interpessoal. A coordenação dos departamentos curriculares e das áreas disciplinares resulta, intencionalmente, do entendimento entre pares, no sentido do cargo ser desempenhado por profissionais amplamente reconhecidos. O número de assistentes técnicos e operacionais revela-se insuficiente para as necessidades da Escola (p. ex., novas tarefas e responsabilidades exigidas pela implementação dos cursos profissionais). Esta situação tem tido impacto sobretudo na vigilância dos espaços e no controlo das entradas e saídas. No sentido de colmatar as lacunas existentes, a direcção faz uma gestão flexível dos recursos (os assistentes técnicos e operacionais estão
preparados para assegurar mais do que uma função), o que permite o funcionamento dos serviços, nomeadamente em situações de ausência. Os níveis de assiduidade do pessoal docente e não docente são bastante elevados, facto que concorre para o bom funcionamento dos serviços e para o normal desenvolvimento das actividades. As faltas dos profissionais estão devidamente acauteladas através de mecanismos de substituição e do plano de ocupação dos tempos escolares dos alunos, com especial destaque, no caso dos professores, para o recurso à permuta. O bom ambiente educativo existente é um indicador que ilustra a capacidade de gestão dos recursos humanos.
Os diferentes profissionais são auscultados sobre as suas necessidades de formação, sendo que as acções propostas, para o biénio 2009-2010 a 2010-2011, ao Centro de Formação Nova Ágora, sedeado na Escola, articulam-se com as opções estratégicas e os interesses dos profissionais. Internamente, têm sido desenvolvidas algumas iniciativas, com destaque para as tecnologias de informação e comunicação (Moodle, quadros interactivos e correio electrónico) e para os programas e projectos implementados (“Educação para a sexualidade”, socorrismo, utilização de dispositivos de segurança e mediação de conflitos). No entanto, no âmbito da direcção de turma, não têm existido iniciativas de formação para o desempenho do cargo, de modo a que os directores de turma se possam sentir mais à vontade para lidar com a multiplicidade de situações e de solicitações relacionadas com as necessidades, interesses e expectativas dos alunos, bem como ao nível do aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais para a auto-avaliação institucional.
3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros
Apesar das deficientes condições físicas de alguns espaços (p. ex., auditório) e da falta de conforto resultante do insuficiente isolamento térmico, há uma gestão adequada dos recursos materiais, adaptando-os às novas necessidades curriculares e formativas (p. ex., cozinha pedagógica para cursos profissionais). Os recursos e apoios disponíveis estão acessíveis e organizados (educação especial, Serviço de Psicologia e Orientação, Gabinete de Apoio ao Aluno, “salas temáticas”), no sentido de proporcionar as melhores condições de aprendizagem. As instalações, espaços e equipamentos encontram-se limpos e cuidados. A prevista renovação das infraestruturas, pela Parque Escolar, E.P.E., é encarada pela comunidade educativa como uma oportunidade para a Escola desenvolver e aprofundar o seu Projecto Educativo.
A segurança é objecto de preocupação e de actuação preventiva (p. ex., planos de emergência, exercícios de evacuação). Mesmo assim, são apontadas algumas situações que carecem de atenção (p. ex., melhor controlo de entradas e saídas, mantas anti-fogo e lava-olhos no laboratório de Química). Existe capacidade de captação de receitas próprias, principalmente do Programa Operacional do Potencial Humano, dos programas do Ministério da Educação (Rede de Bibliotecas Escolares), da cedência de instalações a título oneroso (p. ex., pavilhão gimnodesportivo) e do bufete, que se têm destinado, por exemplo, a pequenos arranjos e à aquisição de material para as actividades, em respeito pelas linhas orientadoras para a elaboração do orçamento, que atendem às opções da gestão educativa.
3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa
A participação e o envolvimento dos pais são incentivados através de reuniões, no início do ano, da disponibilização de informação sobre o aproveitamento e comportamento, bem como da página da Escola na Internet, para a divulgação, por exemplo, dos documentos, dos critérios de avaliação e das actividades. Contudo, é evidente o alheamento de muitos encarregados de educação relativamente ao acompanhamento das actividades escolares dos seus educandos, facto que os responsáveis atribuem à proveniência dos alunos de localidades distantes e à inexistência de transportes que permita o acesso fácil à Escola.
Existe uma cooperação estreita com a Associação de Pais, visível em matéria de segurança, carências económicas de alunos, flexibilidade de recepção pelos directores de turma e aceitação de propostas, designadamente no âmbito da avaliação dos educandos. Os pais estão representados nos órgãos escolares, apoiando o trabalho da Escola e valorizando a acção da direcção e do pessoal docente e não docente. Verifica-se também uma relação próxima com a Autarquia e com outros parceiros no deVerifica-senvolvimento do Projecto Educativo, nomeadamente ao nível das actividades, projectos e estágios dos cursos profissionais.
3.5 Equidade e justiça
A actuação dos profissionais pauta-se pelos princípios de equidade e justiça, previstos nos documentos estruturantes. Os princípios enunciados são visíveis no apoio à aprendizagem dos alunos, incluindo os que possuem o Português como Língua Não Materna, na participação e dinamização de projectos e actividades, na constituição de turmas e elaboração/adaptação dos horários, bem como na detecção e apoio de alunos carenciados economicamente e na oferta formativa.
4. Liderança
4.1 Visão e estratégia
A visão, as estratégias e a acção educativa estão enquadradas por princípios de cidadania democrática e humanista, da participação alargada, bem como por prioridades (p. ex., relação com a comunidade, participação nas estruturas educativas e nos órgãos escolares), por objectivos hierarquizados e áreas de actuação, para responderem às dificuldades encontradas, propondo-se indicar metas, decorrentes das áreas de intervenção expressas, e estratégias de superação. Sucede que as metas enunciadas para o sucesso académico só recentemente foram quantificadas, o que limita o enfoque nos resultados e a (auto) avaliação dos progressos efectivos. A oferta educativa é objecto de discussão nos órgãos de direcção, administração e gestão e tem em conta as necessidades e os interesses dos alunos, do meio e os recursos existentes, sendo definida em articulação com a Direcção Regional de Educação e as restantes escolas do concelho.
Os sucessos alcançados em diversas áreas (p. ex., no âmbito do desporto, da cidadania, da solidariedade) são valorizados pela comunidade educativa. Há sinais de orientação para o aprofundamento da organização pedagógica, em termos de sistematização de informação e prestação de contas (p. ex., a nível da auto-avaliação, quantificação das metas, trabalho cooperativo e supervisão pedagógica), numa perspectiva de desenvolvimento futuro.
4.2 Motivação e empenho
A direcção revela-se proactiva na mobilização dos órgãos e dos vários actores escolares, verificando-se uma atitude positiva na integração dos profissionais, que se mostram motivados e empenhados no desenvolvimento das tarefas e conhecedores das respectivas áreas de actuação. O seu papel tem sido, também, determinante na melhoria progressiva das condições materiais de prestação do serviço educativo.
É visível a dedicação de todos os colaboradores, para o que contribui a atitude de abertura e partilha dos responsáveis. Existe um reconhecimento das dificuldades e constrangimentos relativamente ao trabalho desenvolvido e aos resultados alcançados, mas também a procura de soluções para ultrapassar problemas (p. ex., implementação de apoios, funcionamento de “salas temáticas”, criação do Gabinete do Aluno, adesão aos testes intermédios do gabinete de Avaliação Educacional, aferição de critérios e utilização de instrumentos comuns de avaliação). Os docentes cooperam para o planeamento educativo e pedagógico e para alguns procedimentos de avaliação, de modo adequado, sobretudo ao nível das áreas disciplinares.
4.3 Abertura à inovação
É evidente o dinamismo no desenvolvimento de projectos e planos que se pretende que constituam novos caminhos e soluções inovadoras para a resolução de problemas persistentes como a adesão à Rede de Bibliotecas Escolares, à rede de Escolas da Unesco, ao Plano Tecnológico da Educação (PTE) e ao Programa de Educação para a Saúde, a criação do EcoMuseu do Mondego e do projecto Academia D. Duarte, bem como de clubes, salas temáticas e do jornal “O Eloquente”, para a divulgação da matemática, entre outros.
O incremento das tecnologias de informação e comunicação (Portal Web, correio electrónico, plataforma Moodle, em sede do PTE, sítios específicos, blogues, quadros interactivos, equipamento informático) é também um indicador de inovação que resulta de uma nova atitude face às exigências actuais de diversificação das metodologias de ensino e aprendizagem, embora nem todos os docentes façam ainda um uso regular destes recursos.
As múltiplas iniciativas da biblioteca são geradoras de uma dinâmica promotora do gosto pela leitura, pela investigação e pelo desenvolvimento de competências no domínio da língua materna envolvendo, apoiando e divulgando a actividade dos vários departamentos curriculares.
4.4 Parcerias, protocolos e projectos
As parcerias, protocolos e projectos assumem uma importância determinante na acção da Escola, e são, por esta, incessantemente procurados, no sentido da criação de oportunidades de aprendizagem, resultando em benefícios concretos para os alunos. Por exemplo, com a Câmara Municipal de Coimbra, na cedência de transportes para as visitas de estudo, na manutenção dos espaços verdes e no apoio ao projecto do EcoMuseu do Mondego; com a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, para o desenvolvimento do projecto “Tu decides” e com tantas outras instituições públicas e privadas que asseguram, nomeadamente, a formação em contexto de trabalho dos alunos dos cursos profissionais, e, ainda, a concretização de projectos, clubes, palestras e demais actividades de enriquecimento curricular.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da Escola
5.1 Auto-avaliação
Existe uma cultura de avaliação alicerçada na análise dos resultados do sucesso académico no Conselho Pedagógico e nas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, relativos a cada período e ano lectivos, por disciplina, turma e ano. São detectados desvios, bem como as áreas e disciplinas que requerem mais atenção e definidas e implementadas estratégias de melhoria no sentido de colmatar as dificuldades, propiciar a integração e prevenir o abandono escolar. É também recolhida informação sobre as actividades realizadas (relatórios de avaliação do Plano Anual de Actividades, dos projectos e outras iniciativas). Para a elaboração do Projecto Educativo foi utilizada informação obtida através da aplicação de inquéritos aos vários actores escolares que teve impacto na diagnose de dificuldades e problemas e na definição de prioridades. Recentemente, foi constituída, em Conselho Pedagógico, uma secção de avaliação (formada exclusivamente por docentes) responsável pela avaliação do trabalho realizado pela Escola nos últimos três anos, e que resultou na elaboração de um relatório com o fim específico de acolher a Avaliação Externa. A informação recolhida e tratada, apesar de discutida e analisada nos órgãos de direcção, administração e gestão não foi abrangentemente divulgada, nem resultou na definição clara de pontos fortes e fracos, nem na elaboração de um plano de melhoria global e integrado. No entanto, esta equipa propõe-se tornar a auto-avaliação uma prática sistemática, contínua, abrangente e progressiva, alargando-a às várias dimensões do trabalho da Escola e integrando a participação da comunidade educativa.
5.2 Sustentabilidade do progresso
Os procedimentos de avaliação interna têm permitido à Escola conhecer alguns pontos fortes (p. ex., clima de escola, actividades e projectos de enriquecimento curricular diversificados) e pontos fracos (p. ex., dificuldades dos alunos nalgumas áreas de aprendizagem, falta de um projecto global de auto-avaliação). Têm também permitido identificar e aproveitar algumas oportunidades para alcançar os seus objectivos, de que são exemplo a ligação às entidades locais que asseguram os estágios dos cursos profissionais, a ligação ao rio Mondego e o aproveitamento do património histórico envolvente, assim como constrangimentos (degradação das infraestruturas e deficientes condições de climatização dos espaços escolares). Porém, a ausência de um modelo e a incidência limitada das práticas de auto-avaliação não tem possibilitado um conhecimento global do trabalho da Escola nas diferentes dimensões, o que dificulta a elaboração de planos de melhoria estruturados e abrangentes, facto que poderá fragilizar a sustentabilidade do progresso. Mas a constituição de uma secção do Conselho Pedagógico para a avaliação, bem como o trabalho desenvolvido pela mesma, é um indicador de valorização da auto-avaliação que poderá ajudar a que esta se torne uma prática contínua e progressiva com impacto na definição de estratégias de consolidação e de melhoria do serviço educativo, contribuindo, desta forma, para a sustentabilidade do progresso.
V – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, apresenta-se uma selecção dos atributos da Escola Secundária D. Duarte (pontos fortes e fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos). A equipa de avaliação externa entende que esta selecção identifica os aspectos estratégicos que caracterizam a Escola e define as áreas onde devem incidir os seus esforços de melhoria.
Entende-se aqui por:
• Pontos fortes – atributos da organização que ajudam a alcançar os seus objectivos;
• Pontos fracos – atributos da organização que prejudicam o cumprimento dos seus objectivos;
• Oportunidades – condições ou possibilidades externas à organização que poderão favorecer o cumprimento dos seus objectivos;
• Constrangimentos – condições ou possibilidades externas à organização que poderão ameaçar o cumprimento dos seus objectivos.
Os tópicos aqui identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório.