INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, fica mais claro que a lógica que concebia a saúde como resultado de uma intervenção médica por meio de medicamentos está ultrapassado. Hoje já se pensa em saúde como um projeto não só de recuperação, mas de manutenção do bem-estar físico, psíquico, social e ambiental. Se antes a intervenção girava em torno do doente a ser curado e da doença a ser combatida, agora a saúde passou a ser considerada ideal e um objetivo possível e necessário a consecução de uma sociedade saudável, ao seu estilo de vida, ao respeito, ao meio ambiente (FIGUEIREDO, 2008).
Diz o art. 1º da Organização Mundial de Saúde: “O objetivo da organização será a consecução por parte de todos os povos do mais elevado nível de saúde”. No Brasil, a Constituição de 1988 – Seção II: sobre Saúde, Artigo 196 – diz: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. A partir dessas afirmativas, a saúde tornou-se um bem social, trazendo consequentemente à afirmação do dever do Estado de tutelá-la e promove-la. De modo geral, esses direitos envolvem vida, liberdade, propriedade e integridade do corpo. “Também diz respeito aos direitos naturais do homem, como conseqüência direta do direito fundamental a vida” (JONSEN, 1978).
Ao analisarmos as afirmativas acima e a situação da saúde pública do Brasil, acredita-se que, boa parte da população brasileira não recebe um tratamento adequado ao que é preconizado pelo Sistema de Saúde Pública, mesmo com os esforços do Estado em alterar o antigo modelo de atenção a saúde – curativista -, na qual visa à doença e não o indivíduo como um todo. Intrigados com isso procurou-se evidenciar como estaria à população carcerária nos dias de hoje, na qual, necessita de medidas preventivas (modelo de saúde preventivo), que visa à prevenção, medida essa eficaz a saúde prisional para que quando esse recluso volte para a sociedade, consiga uma adequada ressocialização. As unidades prisionais são responsáveis por abrigar, sob tutela do Estado, indivíduos infratores, isolando-os do convívio com a sociedade. Conforme o texto constitucional é atribuição precípua do sistema penitenciário a reeducação, ressocialização e reintegração dos detentos (BRASIL, 1998).
O Sistema prisional é um sistema complexo, pois geralmente apresenta uma diversidade de fatores estruturais deficientes que se inter-relacionam: condições de saúde,
higiene, alimentação, trabalho e lazer, e questões ligadas à disciplina e cultura, próprias de um sistema fechado e repressivo (CAIXETA, 2006). Os ambientes frios escuros e com um elevado número de população confinada são condições ideais para que os presídios se tornem locais propícios à proliferação de doenças. Tentando mudar essa realidade, foi criado em 2003 o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), por meio da portaria conjunta associada pelos Ministérios da Saúde e da Justiça. Considerada uma estratégia do SUS, o Plano prevê a contratação de equipes de saúde com ações voltadas para a promoção, prevenção e tratamento de agravos e, a adequação de espaços na unidade carcerária para atendimento de baixa complexidade e modelo de saúde preventivo do detento através da Educação em Saúde, com referenciamento na rede pública de saúde. Educação em saúde pressupõe uma combinação de oportunidade que favoreçam a promoção e a manutenção da saúde. Sendo assim, não podemos entendê-la somente com a transmissão de conteúdos, comportamentos e hábitos de higiene do corpo e do ambiente, mas também como a adoção de práticas educativas que busquem a autonomia dos sujeitos na condução da sua vida. Educação em saúde nada mais é que o exercício de construção da cidadania (FIGUEIREDO, 2008).
Acredita-se que os enfermeiros desconhecem seu papel enquanto profissionais do sistema de saúde carcerária.
Observa-se a existência de poucos estudos sobre a saúde no sistema penitenciário, se analisado a importância do mesmo, bem como o papel do enfermeiro enquanto profissional da área. Nota-se que, os materiais existentes sobre o tema, são, em sua grande maioria, feitos por profissionais da área das ciências judiciais que, avaliam o sistema penitenciário como um todo; outros, já avaliam a implantação do Plano Nacional da Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), porém, avaliando a melhoria que isso trouxe para o sistema penitenciário e não para a saúde dos reeducandos. Diante disso, o presente estudo demonstra a importância do mesmo para futuras pesquisas relacionadas à saúde dos reeducandos bem como para a enfermagem e seus profissionais, possibilitando uma analise profunda da saúde que os reeducandos vêm recebendo, bem como a real atuação do enfermeiro enquanto um profissional dessa área.
Diante dessa situação, conseguiu-se levantar os seguintes questionamentos: Qual a diferença entre a qualidade da saúde dos reeducandos de uma penitenciária que adota o modelo assistencial de saúde preventiva e a de uma penitenciária onde o modelo assistencial de saúde seja curativista? Existem diferenças entre a saúde desses reeducandos? O enfermeiro enquanto profissional encontra-se capacitado para atender à clientela do sistema prisional?
Eles sabem qual é o seu papel em relação à saúde dos reeducandos? Qual o melhor modelo assistencial de saúde para os reeducandos, o modelo curativista ou o modelo preventivo?
Portanto, o presente estudo tem como objetivo principal identificar e avaliar a saúde dos reeducandos através da implantação dos modelos de atenção à saúde utilizada nas penitenciárias de Tangará da Serra-MT e Diamantino-MT, através de comparações entre elas, apontando suas diferenciações, a importância que se dá à substituição do modelo de saúde curativista pelo modelo preventivo nas penitenciárias, bem como o papel do enfermeiro e a qualificação desses profissionais frente à saúde no sistema penitenciário.
O estudo foi desenvolvido a partir da revisão bibliográfica e de levantamento do tipo descritiva, que, segundo Both et al (2007), a pesquisa bibliográfica se qualifica como aquela que se utiliza principalmente de fontes e referências bibliográficas e, a pesquisa de levantamento se caracteriza pela abordagem direta do pesquisador com os sujeitos da pesquisa, com o objetivo de colher informações fidedignas; ainda, segundo o autor, as pesquisas do tipo descritivas, são aquelas do tipo descrever, que significa apresentar a coisa como de fato ela é aos olhos de quem pesquisa. Concomitantemente, baseado nas revisões utilizadas, foi-se desenvolvida uma pesquisa do tipo qualiquantitativa, tendo como instrumentos de coletas, questionários semi-estruturados. Richardson (1999), define método quantitativo como um emprego de qualificação na coleta de informações e tratamento delas por meio de técnicas estatísticas; Lakatos (2008), diz que, no estudo qualitativo ocorre a análise e interpretação profunda dos aspectos, procurando descrever a complexidade do comportamento humano; já o questionário semi-estruturado, segundo o autor, é um método constituído por uma série de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador.
A conclusão da pesquisa se deu por análises e comparações dos resultados. As áreas do estudo foram a Cadeia Pública de Diamantino, que tem como visão de saúde a curativista e o Centro de Detenção Provisória de Tangará da Serra, tendo como visão à saúde preventiva, ambas as instituições localizadas no Estado de Mato Grosso.
PARTE I
1.0 REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 SAÚDE PÚBLICA E SUAS ESTRATÉGIAS
“A expressão saúde pública pode dar margem a muitas discussões quanto a sua definição, seu campo de aplicação e eventuais correspondências com noções muitas vezes veiculadas de modo equivalente, como saúde coletiva, medicina social/preventiva/comunitária, higienismo, sanitarismo. Em geral, a conotação veiculada pela instância da Saúde Pública costuma fazer referencia a formas de agenciamento político-governamental (programas, serviços, instituições) no sentido de dirigir intervenções voltadas às chamadas necessidades sociais de saúde” (Castiel, 1996).
O termo saúde pública está carregado de significados ambíguos. Terris (1992) atualiza, nos seguintes termos, a clássica definição de saúde pública elaborada por Winslow: “a arte e a ciência de prevenir a doença e a incapacidade, prolongar a vida e promover a saúde física e metal mediante os esforços organizados da comunidade”. A partir dessa concepção, o autor prescreve quatro tarefas básicas para a prática de uma “Nova Saúde Pública”:
Prevenção de doenças não-infecciosas; Prevenção de doenças infecciosas; Promoção da saúde;
Melhoria da atenção médica e a reabilitação; Estão entre suas ações fundamentais:
Saneamento básico do meio;
Combate as doenças transmissíveis que ameaçam a coletividade; Ensino dos princípios de higiene individual, ambiental e coletiva; Organização dos serviços em que a equipe de saúde atua;
Diagnósticos precoces e simplificados de saúde;
Criação de condições sociais que asseguram uma vida favorável a manutenção da saúde.
1.1.1 A história da saúde pública no Brasil
Desde a antiguidade, é preocupação do homem proteger sua saúde. A arte de curar por muitos anos ficou entregue a curandeiros, que se incubiam da assistência as populações.
Ao longo da história humana, os maiores problemas de saúde que os homens enfrentavam estiveram relacionados com a natureza da vida comunitária. Por exemplo, o controle das doenças transmissíveis, o controle e a melhoria do ambiente físico (saneamento), a provisão de água e comida puras em volume suficiente, a assistência médica, o alívio da incapacidade e do desamparo. A ênfase relativa a um desses problemas variou no tempo, e de sua inter-relação originou-se a saúde pública como a conhecemos hoje.
No século XIX, Pasteur, Rock, Lister e outros cientistas marcaram a época com mudanças geradas por suas grandes descobertas na área bacteriológica, que consequentemente deram um novo enfoque a saúde pública no mundo.
A nova era da Higiene Nacional foi aberta pelo sanitarista Oswaldo Cruz, em 1902, pelo combate a febre amarela e pela organização do Instituto da Pesquisa, no Rio de Janeiro. Em 1920 foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública. O Dr. Fontanelle, em 1919, publicou um artigo sobre a Educação Sanitária Popular, que representa um marco no reconhecimento da necessidade de enfermeiras visitadoras.
Para dar continuidade a obra de Oswaldo Cruz, veio o Dr. Carlos Chagas. Iniciou-se então um programa de preparação de visitadores, para dinamizar a cobertura do combate a tuberculose. Para que houvesse uma coordenação das atividades de saúde pública em todo o país, foi realizada uma reforma no Departamento Nacional de Saúde, em 1941, por Barros Barreto. Criou-se o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), com atuação ao combate a malária, em assistência médica, educação sanitária, saneamento, controle de doenças transmissíveis e pesquisas sobre doenças tropicais.
Em 1963, com a lei que instituiu o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, o governo busca entender o benefício da assistência médica a praticamente 100% da população. Em 1968 foi criado o INSP, que passa a gerir a assistência médica previdenciária prestada pelos Institutos e Caixas de Aposentadorias e pelos serviços do setor privado. Em 1975, foi sancionada a Lei n. 6.229, que instituiu o Sistema Nacional de Saúde e estabeleceu, de forma sistemática, as competências da União através de seus diferentes Ministérios, Estados e Municípios.
Em 1977, através da Lei n. 6.439, criou-se o Sistema Nacional da Previdência e Assistência Social (SINPAS), logo após o advento do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS. Ainda na década de 1970, começam a surgir estudos para a implantação de um programa de atenção primária ou de cobertura. Surge o Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento (PIASS), que resultou numa grande expansão da rede ambulatorial pública.
Em 1980, surgiu o Programa Nacional de Serviços Básicos de Saúde (PREVSAÚDE), patrocinado pelo Ministério da Saúde e pela Previdência Social, com o objetivo de universalizar os cuidados primários de saúde em todo o território nacional. Em 1982, com o processo de redemocratização do país, ocorreu a implantação das Ações Integradas de Saúde (AIS). O Movimento de Reorganização do Setor da Saúde tornara-se legítimo a partir da Oitava Conferência Nacional de Saúde, através da Comissão Nacional de Reforma Sanitária, cujos estudos e propostas formaram a base para a criação do Sistema Única de Saúde (SUS), institucionalizado pela Constituição Federal de 1988 (FIGUEIREDO, 2008).
“A saúde é um direito de todos e dever do Estado” (Constituição Federal de 1988, art. 196).
“A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país”. (Lei Federal n. 8.080/90, art. 3º).
O Sistema Único de Saúde (SUS) é o conjunto de ações e de serviços de saúde prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais ou por entidades a ele vinculadas. É um direito conquistado pela população brasileira, que está consolidado na
Constituição Federal. O SUS garante atendimento universal, igualitário e integral a todo cidadão brasileiro que dele precisar nas unidades de saúde, ambulatórios, laboratórios, clínicas, hospitais públicos, filantrópicos ou privados contratados, em visitas domiciliares e mediante ações coletivas de saúde, sem que nada seja cobrado do usuário. Esse atendimento já foi pago pelo cidadão, através das contribuições sociais e dos impostos arrecadados.
1.1.2 Saúde mais educação é igual à educação em saúde
As concepções a respeito do termo Saúde são muito amplas. Elas variam de acordo com o contexto aos quais os indivíduos estão inseridos, levando-se em conta aspectos sociais, econômicos, culturais e educacionais, que são considerados de grande relevância para uma definição e conceituação do que é saúde. No entanto, é valido ressaltar que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (1948), em sua carta fundamental define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença.
“Confunde-se bem-estar com sentir-se bem e isto independe da miséria ou da fortuna. Entretanto, este tipo de alegação perde de vista o fato de que a noção de bem-estar é carregada de historicidade. Na realidade, há de se buscar, na análise histórica e na realidade atual de sociedades , específicos elementos que dêem sentido à abstração bem-estar”. Esses elementos, juntamente com parâmetros de normalidade biológica, comporiam o objeto saúde em sua dimensão biológica e social. Se refletir sobre a noção de bem-estar, já presente no pensamento dos ideólogos da saúde pública no século passado, pode-se notar que ela traz no seu bojo uma visão do ser humano e da vida como totalidade e não como fragmentos que se acomodam em estado de equilíbrio” (MARTINS, 1986).
Percebe-se, portanto, que não há um conceito único e plausível do termo saúde, devido a isso, poderia se dizer que a saúde é uma busca constante do bem estar, indicando desse modo a necessidade de ações continuadas, capazes de proporcionar uma harmonia entre o físico, psíquico e social, dando ao homem a sensação de plenitude e bem estar mesmo que temporária.
Segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, educação é o "Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual ou moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social". Desde os primórdios, a educação era o instrumento central para a sobrevivência do grupo, e a atividade fundamental para realizar a transmissão e o desenvolvimento da cultura.
Hoje, a família e a escola se tornaram cada vez mais centrais na experiência formativa dos indivíduos e na própria reprodução cultural, ideológica e profissional da sociedade. Porém, de uma forma mais ampla, educação é um processo contínuo que envolve o desenvolvimento integral de todas as faculdades humanas; o conjunto das normas pedagógicas aplicadas ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito. Educação também são cortesia, respeito, conhecimento e atitude.
Hoje, a educação ocorre de diversas maneiras e os meios de comunicação, com o desenvolvimento da tecnologia e da globalização, estão facilitando às pessoas a aquisição de conhecimentos.
“Estando esse conhecimento tão acessível hoje, o que se busca, então, é verdadeiramente estimular a vontade de aprender, o interesse, a curiosidade. E são nessas estradas que habitam os educadores, aqueles que são capazes de fazer a ponte entre o desejo e a conquista. Dessa forma, a educação não é um fenômeno neutro, mas sofre os efeitos da ideologia por estar envolvida na política; mora em todos os lugares, está presente no ensino de todos os saberes. E como diz Paulo Freire: “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” (PIMENTA, 2010).
O Comitê de especialistas em planejamento e avaliação dos serviços de educação em saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) conceitua Educação em Saúde, não como ciência ou como arte, mas sim como disciplina de ação, que age de acordo com as esperanças da população e as políticas de saúde do governo. Ainda, a OMS dá destaque a essa afirmação ao dizer que os objetivos da educação em saúde são de desenvolver nas pessoas o senso de responsabilidade pela sua própria saúde e pela saúde da comunidade capacitando os indivíduos a participar da vida comunitária de forma construtiva (BRASIL, 2006).
Sendo assim a Educação em Saúde é fundamental no processo de formação comportamental, capaz de promover e manter uma boa saúde individual e coletiva criando condições para a construção de conceitos sobre doença e saúde, levando em consideração as condições de vida dos indivíduos contribuindo para desencadear um pensamento inovador, sobre saúde, impelindo a mudança comportamental dos sujeitos, levando-se em conta que o conhecimento de modo isolado não propicia mudanças de comportamento.
Portanto a Educação em Saúde é fundamental no processo de ensino que visa prevenir doenças, tratá-las e impedir seu reaparecimento, contribuindo desse modo para o bem estar geral dos indivíduos e sociedade.
1.1.3 Os modelos assistenciais de saúde: modelo curativista x modelo preventivo
1.1.3.1 Modelo assistencial de saúde curativista
A Educação em saúde de acordo com o modelo curativista segue os pressupostos da antiga saúde pública. Este modelo evidencia e objetiva a cura das enfermidades. Sua abordagem é centrada na mudança individual, seguindo o foco embasado nos princípios da ideologia do individualismo (OLIVEIRA apud SOUZA, 2005).
Voltando um pouco à história da saúde pública no Brasil, é possível notar que o modelo curativo de saúde é acompanhado de uma série de ações repressivas e impositivas, quais obrigavam o indivíduo a aceitar as medidas adotadas pelo governo. Foi o que se viu durante o governo do Presidente Rodriguez Alves em 1902, que instituiu como metade do governo o saneamento e reurbanização da então capital da república, Rio de Janeiro, nos moldes europeus, projeto este que haveria de ser executado a qualquer custo. Mas, para isso, o presidente, de imediato, convocou vários nomes para assumir a frente das reformas. O médico Oswaldo Cruz foi nomeado para o saneamento como chefe da Diretoria de Saúde Pública com o intuito de erradicar as epidemias de febre amarela, peste bubônica, difteria e varíola, que se disseminavam levando muitos à morte (RODRIGUES, 2008). Desse modo, Oswaldo Cruz iniciou seu programa de saneamento, utilizando de métodos revolucionários para a época.
Por meio dessa contextualização histórica, das medidas adotadas pela Saúde Pública para controlar doenças e ensinar as pessoas sobre cuidados em saúde, é possível perceber que o foco das ações era a doença, acompanhando intervenções curativas. Fundamentou-se, assim, um referencial biologista do processo saúde-doença que indica a moléstia como fator determinante para iniciar cuidados em saúde (CHIESA e VERÍSSIMO, 2003).
A principal crítica a esse modelo educativo tem sido referente a não consideração dos determinantes psicossociais e culturais no que se refere aos comportamentos de saúde. Ao tomar os usuários como objeto das práticas educativas e carentes de um saber sobre a saúde, perde-se de vista que os comportamentos são orientados por crenças, valores e representações sobre o processo saúde-doença. Tal modelo não leva em conta os diversos fatores que conduzem os indivíduos ao processo saúde/doença e preocupam-se apenas com o repasse compulsório de informações sobre saúde.
Neste sentido, tem-se discutido sobre a importância de considerar os determinantes psicossociais e culturais nas práticas de Educação em saúde (FILGUEIRAS e DESLANDES, 1999).
“O educador é o que educa; os educandos, os que são educados; o educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem; o educador é o que pensa; os educandos, os pensados; o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que a escutam docilmente; o educador é o que disciplina; os educandos, os disciplinados; o educador é o que opta e prescreve sua opção; os educandos os que seguem a prescrição; o educador é o que atua; os educandos, os que têm a ilusão de que atuam; o educador escolhe o conteúdo programático; os educandos se acomodam a ele; o educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que opõe antagonicamente à liberdade dos educandos; estes devem adaptar-se às determinações daquele; o educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos ” (Freire, 1983).
1.1.3.2 Modelo assistencial de saúde preventivo
O modelo preventivo em oposição ao curativo trabalha com a perspectiva de sujeitos das práticas de saúde (AYRES, 2001 apud VASCONCELOS, 2005). Então, segundo (LÉON, 1996 apud VASCONCELOS, 2005) notam-se dois princípios básicos na orientação das ações de saúde. O primeiro desses princípios defende que é preciso conhecer os indivíduos para os quais se destinam as ações de saúde, incluindo suas crenças, hábitos e papéis, e as condições em que vivem. O segundo, parte da premissa de que é necessário envolver os indivíduos nas ações sem imposição, ponderando que apenas com a participação comunitária é possível assegurar sustentabilidade e efetividade das ações de saúde.
Sendo assim, o atual modelo preventivo em saúde é baseado em uma teoria construtivista propostos por Piaget e Vygotsky, ambos os pais da psicologia contemporânea que compreendem o conhecimento como algo a ser buscado constantemente, dia-a-dia, sendo edificado em ambientes naturais de interação social ou estruturados culturalmente. Tal teoria leva em consideração que cada indivíduo constrói sua aprendizagem de dentro para fora, baseando-se em experiências de fundo psicológico. Para os autores, o sujeito e o objeto interagem em um processo que resulta na construção e reconstrução de estruturas cognitivas (PIAGET, 1976).
Diante disso é digno de nota que a atual Saúde Pública busca visualizar o cliente em saúde como alguém que tem seu próprio pensar e maneira de interagir com o meio em que vive. Esse indivíduo necessita mais do que informações transmitidas de modo indiscriminadas, são carentes de conhecimentos repassados de forma a levar em consideração sua formação cultural, religiosa e social. Apegar-se ao modelo preventivo é indispensável para o êxito educativo, educação essa que visa não apenas o ensino, mas também a formação cidadã dos indivíduos integrantes de uma corrente na transmissão de informações para outros
e leva em conta o lado humano, parte essencial na construção da dignidade individual dos seres humanos.
“Através do modelo preventivo de ensinar, fica clara a importância de conjugar os diversos fatores sociais, culturais e pessoais que levam os indivíduos até o processo patológico. Deve-se levar em conta que esses fatores são determinantes ao transmitir informações referentes à saúde e bem estar, não se centrando apenas na cura da doença, mas buscando entender o porquê da enfermidade. Sendo relevante ainda que o indivíduo deva apresentar-se participativo no processo de cura da doença, podendo expressar-se livremente e contribuir para uma resolução de seu problema ” (PIMENTA, 2010).
1.2 SAÚDE E O SISTEMA PENITENCIÁRIO
1.2.1 Uma visão do sistema penitenciário brasileiro
Em “O Capital”, segundo Karl Marx (1983), descreve que a violência e acumulação estão intrinsecamente ligadas, constituindo uma relação de poder sobre a população marginal ao processo econômico, onde a disciplina capitalista tem a prisão por instrumento de excelência, punir, disciplinar, encaminhar à força ao trabalho, como mecanismos de repressão, no âmbito das relações de poder, através dos quais se exercem a coerção da vadiagem e mendicância daqueles que são excluídos do processo de produção.
Para Marx Weber (2004), o trabalho é uma vocação, convertido em meio excelente de atingir a certeza da graça divina. No entanto, para o trabalho constituir-se como meio de se obter a escolha divina, deve estar pautado na honestidade, consciência, dedicação e outros valores. Para o autor, neste universo não há espaço para o preguiçoso, indolente, vadio, desonesto ou ladrão, os quais desagradam a Deus e sofrem rejeição divina.
Ao analisar os pensamentos dos autores, entende-se que os responsáveis por tais práticas devem ser punidos pelo castigo do encarceramento, onde a prisão se torna um local de castigo e de conversão, reforma e de reeducação, de disciplina e de salvação, de transformação de vagabundos em trabalhadores.
“O pecado constitui-se em crime, o direito divino em direito penal, a vadiagem em delito, o coletivo em individual, a penitência em prisão, o confessionário em prisão. A privação de liberdade difunde-se, proliferando-se assim as prisões, surgindo simultaneamente, políticas e práticas penais de reeducação dos vadios, infratores e delinqüentes” (CAIXETA, 2006).
O Sistema prisional é um sistema complexo, pois geralmente apresenta uma diversidade de fatores estruturais deficientes que se inter-relacionam: condições de saúde, higiene, alimentação, trabalho e lazer, e questões ligadas à disciplina e cultura, próprias de um sistema fechado e repressivo (CAIXETA, 2006). As unidades prisionais são responsáveis por abrigar, sob tutela do Estado, indivíduos infratores, isolando-os do convívio com a sociedade. Conforme o texto constitucional é atribuição precípua do sistema penitenciário a reeducação, ressocialização e reintegração dos detentos (BRASIL, 1998).
As pessoas privadas de liberdade, qualquer que seja a natureza de sua transgressão, mantêm todos os direitos fundamentais, incluindo o acesso a ações e serviços de saúde física e mental. A minimização das diferenças entre a vida intramuros e a extramuros é fundamental para a redução das iniqüidades e a universalização do acesso a saúde.
Segundo dados oficiais do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça - DEPEN/MJ (dezembro, 2009), a população carcerária no Brasil é de aproximadamente 31 mil mulheres e mais de 442 mil homens. A população penitenciária brasileira é composta, predominantemente, por adultos jovens – homens negros e pardos, solteiros e com menos de 30 anos de idade. O conjunto de atividades das equipes de saúde nas unidades prisionais devem englobar a prevenção em DST/Aids, independente da raça, etnia, idade, sexo, orientação sexual, identidade de gênero e natureza do crime.
Vale à pena ressaltar que o conjunto da população penitenciária é de pessoas pobres, condenadas por crimes contra o patrimônio, a maioria conexa ao microtráfico de drogas ilícitas. Poucos, entre eles, foram alfabetizados ou completaram o ensino fundamental; tampouco possuíam profissão definida anteriormente à prisão, caracterizando uma situação de exclusão social anterior ao seu ingresso no Sistema Prisional. Mais da metade é reincidente na prática de crimes e comumente associam seus atos delituosos à situação de desemprego e pobreza em que se encontram (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).
1.2.2 A saúde no sistema penitenciário
Desde o inicio do século XIX até a década de 1980, o Sistema de Saúde no Brasil foi marcado pela exclusão e reprodução das desigualdades sociais, pois fazia distinção e separação entre “saúde pública” e “medicina preventiva”. A população brasileira era atendida por um sistema de classes. Na década de 1980, o processo de democratização instaurado no Brasil favorece a mobilização de vários segmentos da sociedade, apontando para a expansão dos direitos sociais, desencadeando um movimento para a universalização das políticas sociais, como a saúde e a assistência social. Nessa perspectiva, a reforma sanitária brasileira vem contribuindo para uma mudança social e estrutural do Estado, ao defender a democratização da saúde. Esse movimento ampliou o espaço de luta política, possibilitando aos diversos grupos da sociedade discutir e refletir sobre as condições de saúde e seus determinantes sociais nas diferentes conjunturas (PAIM, 1999).
Como resultado do processo de redemocratização do país, foi promulgada a Constituição Federal (CF) em 1988, na qual, define que saúde é “direito de todos, dever do Estado, mediante políticas sociais e econômicas para reduzir os riscos” (BRASIL, 1990), criando o SUS, como o novo modelo de saúde brasileiro. O texto constitucional considera o acesso universal, a equidade, e a oferta de ações de saúde com alcance na promoção, proteção e recuperação, extremamente relevantes para o exercício do direito à saúde (CASTILHOS, 2003).
Em 1990, com o redirecionamento das políticas públicas sociais brasileiras, foram aprovadas, também a Lei Orgânica da Saúde nº. 8080/90 e a Lei nº 8142/90, que regulamentam o capítulo referente à saúde constante da Constituição Federal (CF), formando o arcabouço jurídico da política de saúde brasileira, a qual começou a ser trabalhada a partir de novos marcos, onde a garantia do direito social à saúde torna-se um eixo essencial e estruturante (CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE, 12º, 2003).
Desde a promulgação das Leis acima citado e a implantação do SUS, houve um fortalecimento da rede pública de serviços de saúde e o aumento da cobertura dos serviços em todos os níveis de complexidade, porém, um desafio para a consolidação dos princípios e diretrizes do SUS é conseguir atender a camada da população excluída da sociedade
brasileira. Entre estes, está à população carcerária, que aumenta de forma vertiginosa, causando uma grave crise no sistema prisional.
“A superlotação nos presídios e a forma desumana como são tratados os detentos fazem com que alguns segmentos progressivos do Governo Federal e as entidades de direitos humanos façam constantes apelos para que haja uma melhoria de tratamento das pessoas em privação de liberdade. Estes apelos sensibilizaram o Estado para realizar a extensão do atendimento a população penitenciária, por meio do SUS, a partir do Programa de Atenção Básica, a qual é entendida como um conjunto de ações de caráter individual ou coletivo situado no primeiro nível dos Sistemas de Saúde, voltados para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e reabilitação” (CAIXETA, 2006).
Acreditando que os altos índices de criminalidade não serão reduzidos apenas com a ampliação do Sistema Penitenciário, por meio da construção de mais presídios e do aumento indiscriminado de vagas, surge a preocupação de investir em políticas de atenção à saúde, à educação e à profissionalização das pessoas privadas de liberdade (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). Devido a isso, houve a criação do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), em 2003, na qual foi uma ação governamental estratégico, em consonância com a legislação vigente. O PNSSP, dessa maneira, é um instrumento para inclusão, no SUS, das pessoas privadas de liberdade, e, uma forma de fazer chegar às unidades prisionais ações, serviços e profissionais de saúde.
As ações e os serviços de atenção básica em saúde prevista no plano devem ser organizados e realizados por equipes interdisciplinares de saúde, respaldando em princípios básicos que assegurem à eficácia das ações de promoção, prevenção e atenção integral a saúde. Destacam-se alguns princípios básicos do plano, que são: o da Ética, Justiça, Cidadania, Direitos Humanos, Participação, Equidade e Qualidade (BRASIL, 2010).
Este Plano Nacional possui algumas finalidades bastante específicas que são: prestar assistência integral resolutiva continua e de boa qualidade ás necessidades de saúde da população penitenciaria; contribuir para o controle e/ou redução dos agravos mais freqüentes que acometem a população penitenciaria; definir e implantar ações e serviços consonantes com os princípios e diretrizes do SUS, de forma a proporcionar o estabelecimento de parcerias por meio do desenvolvimento de ações intersetoriais, contribuindo para a democratização do conhecimento do processo saúde/doença, da organização dos serviços e da produção social da
saúde; deste modo, provocará o reconhecimento da saúde como um direito da cidadania, estimulando o efetivo exercício do controle social (SILVA, 2011).
Dentre os 27 estados brasileiros, apenas 13 estão qualificados no PNSSP, e, dentre esses estados, se encontra o estado de Mato Grosso, na qual, somente 6 cidades têm em seus sistemas prisionais o Plano implantado.
1.2.3 A real saúde dos reeducandos
Segundo Silva (2011), saúde é quando obtemos um bem-estar por completo, mental, social e físico, não podendo ser considerada apenas a ausência de doenças. Usufruir o melhor estado de saúde é um dos direitos fundamentais de todo ser humano, sem nenhuma distinção. A grave situação em que se encontram as pessoas privadas de liberdade, refletida nas práticas de violência, na precariedade de espaço físico e na carência de atendimento a saúde, é uma realidade que não se pode negar.
De acordo com o Ministério da Saúde, os presídios são enormes bolsões de doenças infectocontagiosas.
“Os ambientes frios escuros e com um elevado numero de população confinada são condições ideais para que os presídios se tornem locais propícios á proliferação de doenças. Hoje, mesmo com alguns avanços, as unidades prisionais ainda são focos de doenças infectocontagiosas. As dermatoses, tuberculose e doenças sexualmente transmissíveis são as enfermidades que mais acometem os internos, além das hepatites virais” (SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA, 2010).
A questão de saúde no sistema penitenciário não pode ser dissociada de problemas inerentes ao sistema: a superlotação, a política repressiva contra drogas, a pressão social pelo endurecimento das penas, e, a insalubridade são fatores que contribuem para o surgimento e agravo de problemas de saúde na população penitenciária. A par de tais barreiras, há desafios associados, como o de assentar a intersetorialidade de lógicas distintas como a da saúde e da segurança em âmbito prisional, migrar de uma dinâmica essencialmente curativa para preventiva, contratar e capacitar recursos humanos, entre outros (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009). Muitos sistemas prisionais não dispõem, por exemplo, de serviços de saúde. Mesmo
nos estados onde foram criados esses dispositivos, as atividades de prevenção e assistência precisam de continuidade, tem baixa cobertura e contam com poucos profissionais para executá-las. Esta realidade deve-se, mais do que a falta de recursos, á instabilidade dos quadros, ausência de estruturas sustentáveis de educação para a saúde, e pouca articulação com o SUS.
Segundo o Ministério da Saúde (2009), mesmo com infra-estrutura adequada, a entrada progressiva de novos presos, associada à insalubridade dela decorrente, é não somente uma das maiores barreiras da atuação da saúde no sistema penitenciário, mas também uma das razões pelas quais a dinâmica permanece curativa.
1.3 ENFERMAGEM NO AMBIENTE PENITENCIÁRIO
1.3.1 A enfermagem diante da exclusão social
O tema da exclusão social nos remete a várias questões cujas raízes se encontram nos primórdios da civilização. Isso se deve ao fato da exclusão social integrar um processo histórico e, concomitante a esse processo, encontram-se fortes determinantes relacionados com os contextos sociopolítico e econômico estabelecidos em países, estados, cidades, enfim, em qualquer grupo organizado de pessoas. Nesse sentido, de acordo com as normas adotadas por qualquer macro ou micro grupo de indivíduos, podem-se originar aqueles marginalizados, discriminados e/ou excluídos.
Inicialmente, cabe ressaltar o que o termo exclusão é bastante recente. De acordo com Ferreira (1993), exclusão refere-se ao ato de excluir (-se), que por sua vez significa: “ser incompatível com, pôr de lado, abandonar, eliminar, privar”. Assim, todo aquele que for abandonado, eliminado ou privado de quaisquer direitos ou circunstâncias, consistirá num indivíduo excluído.
Complementando essa definição, Viegas (2003) informa que rejeição/exclusão, em tempos remotos, consistia em separar um indivíduo ou grupo de indivíduos de determinada
sociedade, desde que não guardasse características afins, tais como cor, raça, nacionalidade, cultura e/ou valores onde aqueles nascidos destes grupos, tidos como “destoantes”, eram rejeitados, desprezados e privados de todo contato com os demais indivíduos.
Assim, ao passearmos pela história, veremos grupos de excluídos de acordo com as diversas sociedades de diferentes épocas (MINAYO, 2002) como, por exemplo, negros, tuberculosos, hansenianos, prostitutas, mendigos, usuários de drogas, portadores do HIV, presos e muitos outros grupos que lutam por sua dignidade e direitos.
Alguns autores, como Viegas (2003), defendem que as causas da exclusão social são atribuídas a diversos fatores como:
Concentração de renda; Políticas sociais deficientes;
Políticos corruptos e descompromissados com as promessas feitas em tempos de campanha eleitoral ao povo.
Um macro em termos de conquistas sociais, no Brasil, foi à Constituição de 1988. Nesse importante momento histórico brasileiro, discutiu-se intensamente o conceito de cidadania. Segundo Fleury (1994), a cidadania não é dada, é construída, uma invenção em constante dinâmica de construção e reconstrução, ou seja, é uma relação que se estabelece entre indivíduos igualados a nível formal e o seu Estado, por meio da participação dos primeiros no exercício da esfera política, visando à concretização dos direitos estabelecidos pelo segundo.
“A Constituição Brasileira de 1988 é a primeira a consagrar que os direitos sociais são direitos fundamentais sendo, pois, inconcebível separar os valores de liberdade (direitos civis e políticos) e igualdade (direitos sociais, econômicos e culturais)” (PIOSEVAN, 2001).
Consolida-se assim a universalidade dos direitos humanos, na medida em que a dignidade é inerente a toda e qualquer pessoas, proibindo qualquer discriminação.
Ao analisarmos os direitos descritos na Constituição de 1988, verificamos que um daqueles diretamente relacionados aos enfermeiros ou futuros profissionais, encontra-se no artigo sexto, no qual se lê: “a saúde é um direito de todos, e dever do Estado”. Continuando a
leitura dos demais artigos dessa constituição, verificamos a seguinte definição de saúde no artigo 196:
“Saúde significa políticas sociais e econômicas que visem à redução do rico de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações de serviço para a sua promoção, proteção e recuperação da saúde” (CONSTITUIÇÃO, 1988).
Assim, enquanto atores sociais no âmbito da saúde e integrantes de um Estado de direito, devemos exercer nossa cidadania, assumindo condutas e realizando ações que possibilitem, junto à esfera nacional, primar por melhores condições de vida e de saúde para nossa população.
A maioria das pessoas que se encontram na situação de excluídos refere-se aquelas “castigadas” pelo sistema sociopolítico econômico vigente em nosso país. Muitos não tiveram, não tem e talvez nunca tenham condições de galgar melhores condições de vida, seja pela falta de informação, seja pela falta de infra-estrutura como escolas, empregos etc.
Independente da causa que levou certo indivíduo a integrar determinado grupo de excluídos não se deve julgá-lo, descriminá-lo, impondo de modo verticalizado valores e concepções daquilo que acredita ser certo ou errado. Ao contrário, deve-se acolhê-los de forma imparcial, realizando atividades assistenciais, seja em âmbito hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, sem levar em conta a cor, credo, estilo de vida ou opção sexual deste cliente.
Assim, cabe aos profissionais da saúde, enfermeiros ou futuros profissionais, primar por abolir ou amenizar as causas que levam a exclusão social, devendo lutar para que as leis, decretos e/ou declarações não sejam apenas palavras esquecidas em livros institucionais e, que passem, de fato, a reger os rumos de nosso país.
1.3.2 A atuação da enfermagem no ambiente coletivo
Nos dias atuais, a idéia de saúde das pessoas deve ser considerada de forma dinâmica e integrada, resultante da harmonia entre as diversas dimensões nas quais se insere a vida de
cada um – física, psicológica, social e ético-espiritual -, e não apenas em relação ao correto funcionamento de seus órgãos.
Segundo Figueiredo (2008), o novo olhar sobre a saúde trás vários aspectos que dependem do peso atribuído por determinada concepção antropológica a uma ou outra das quatro dimensões que constituem um bem humano.
- Dimensão orgânica da saúde: A saúde considerada o bem biológico de um organismo vivo. Isso equivale a dizer que a saúde é o eficiente funcionamento biológico enquanto exigência fundamental dos organismos vivos, com um valor intrinsecamente absoluto.
- Dimensão psicológica da saúde: É a busca do bem-estar psíquico da pessoa, determinante para a saúde e com tendência a transformar a experiência e o viver subjetivo. Envolve a experiência emocional do sujeito como fator primordial na avaliação de seu estado de saúde; isso indica sua participação.
- Dimensão socioambiental da saúde: Envolve um conceito de saúde que leva em conta a relação do sujeito com seu ambiente de vida. É a inserção da perspectiva ecológica com o devido peso a dimensão sócio-relacional a saúde. Estão envolvidas as condições de trabalho, alimentação, a capacidade de se relacionar e o ambiente familiar.
- Dimensão ético-espiritual da saúde: Essa dimensão é decorrente das abordagens bioéticas, pelas quais Jonas (1990) e Sgreccia (1986) tratam do princípio da responsabilidade. Eles dizem que saúde é dever ético da pessoa, pois cabe a ela enfrentar diferentes situações e limitações naturais, procurando vivê-las com a maior intensidade possível sem perder o sentido da própria existência.
A enfermagem, no seu papel coletivo, tende cada dia mais, compreender o homem em todas as suas dimensões, pois não lhe é possível separar a vivencia subjetiva de uma pessoa dos valores que os ajudam a enfrentar a vida (FIGUEIREDO, 2008). O caráter intrinsecamente limitado do ser humano não permite separar a doença do sofrimento causado pela impossibilidade de se possuir tudo de que necessita no âmbito do desejo subjetivo.
FIGUEIREDO (2008) diz que o enfermeiro que se propõe a trabalhar na coletividade tem a missão de manter e promover a saúde. Isso significa estar atento:
Ao sentido de integridade e totalidade de saúde; A idéia de que o home precisa de realização pela; A experiência humana como bem-estar, como harmonia; A apropriação da corporeidade;
Ao modo de viver e a modalidade de ser de cada um e da coletividade; Ao modo de estar sempre em busca do bem-estar;
A humanização da saúde, entendida como interiorização e personalização; A criar a capacidade do ser humano para apropriar-se da saúde e vive-la em
profundidade;
A entender que a saúde pertence mais a modalidade do ser que a do ter;
A inserção do ministério de cada pessoa, que está ligado inseparavelmente a corporeidade de cada um;
Ao projeto existencial do homem, que é resultado de suas percepções quanto a sentir o próprio corpo bem;
A interpretar e avaliar a relação estreita dos fatores culturais, socioeconômicas e religiosas que mudaram o homem e sua comunidade.
1.3.3 O fundamental papel do enfermeiro aos reeducandos
Ressaltando, o ambiente dos presídios possui precárias condições de saúde, apresenta ambiente hostil e insalubre, baixa qualidade da alimentação, vários fatores de estresse e outros fatores que aumentam o risco de adoecimento, sendo um importante caso de ameaça á saúde publica, necessitando de atendimento especializado.
A atuação do enfermeiro nesse cenário é de caráter preventivo, por meio de campanhas de vacinação, distribuição de preservativos, planejamento familiar, e orientações
sobre doenças sexualmente transmissíveis. Ainda, realiza coleta de exames laboratoriais e campanhas educativas sobre as doenças de maior ocorrência nos presídios. Compete também ao enfermeiro, o planejamento da assistência e a execução de políticas de vacinação, bem como o controle de sua periodicidade, com o apoio dos demais profissionais do serviço de saúde e da equipe de enfermagem; o planejamento de políticas de prevenção e controle da promoção a saúde, no âmbito de sua competência; realização de consultas de enfermagem e solicitação de exames complementares, prescrição de medicamentos dentro das disposições legais da profissão e demais normas complementares.
A enfermagem pode contribuir para o resgate da condição de vida digna das pessoas, tanto no ponto de vista biológico, quanto social e psicológico, proporcionando conforto e bem-estar, minimizando iniciativas que estimulem a discriminação ou preconceito, e ainda, respeitando os princípios éticos e legais da profissão, como vistas a resgatar o sentido da existência humana.
Contudo, a assistência a saúde da população carcerária ainda é um campo praticamente desconhecido para os profissionais de Enfermagem. De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente há 236 equipes de saúde no sistema penitenciário prestando atendimento a 150 mil reeducandos. Há que se reconhecer que existem muitas limitações para o trabalho neste campo, tais como a presença do agente penitenciário e a periculosidade, que dificultam a autonomia do profissional de enfermagem no desempenho de suas ações. Entretanto, mesmo privados de liberdade, essa população tem direito ao atendimento de qualidade, com equidade e integralidade, tais como os princípios do SUS (COFEN, 2011).
PARTE II
2.0 CAMINHO METODOLÓGICO
2.1 MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO E TIPO DE ESTUDO
Esta pesquisa visou identificar o modelo assistencial de saúde mais eficaz para a saúde dos reeducandos no sistema penitenciário, através de resultados comparativos realizados em duas unidades penitenciárias do Estado de Mato Grosso, porém, com modelos assistenciais de saúde diferentes. Visou também, averiguar a função do enfermeiro quanto profissional do sistema penitenciário, e, quanto à capacitação dos mesmos. A pesquisa foi desenvolvida a partir da Revisão Bibliográfica e de Levantamento do tipo descritiva, que, segundo Both et al (2007), a pesquisa bibliográfica se qualifica como aquela que se utiliza principalmente de fontes e referências bibliográficas, tais como, livros, publicações, revistas, e outras fontes que se caracterizam como tal; já a pesquisa de levantamento, segundo o autor, se caracteriza pela abordagem direta do pesquisador com os sujeitos da pesquisa, com o objetivo de colher informações, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado. Segundo Boht et al (2007), pesquisas do tipo descritivas, são do tipo descrever, que significa apresentar a coisa como de fato ela é aos olhos de quem pesquisa. Quanto mais características da realidade são apresentadas por quem descreve, tanto mais o leitor, desconhecedor daquela realidade, poderá conhecê-la, a partir da descrição feita por outrem. Concomitante as revisões utilizadas, foi-se desenvolvida uma pesquisa do tipo quantiqualitativa, onde, Richardson (1999) define método quantitativo como emprego de quantificação na coleta de informações e tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, garantindo a precisão de resultados. Para Lakatos (2008), no estudo qualitativo ocorre a análise e interpretação profunda dos aspectos, procurando descrever a complexidade do comportamento humano. Segundo Turato (2005) essa pesquisa é utilizada quando se busca percepções e entendimento sobre a natureza geral de uma questão, abrindo espaço para a interpretação através de coletas de dados (questionários, entrevistas). A conclusão da pesquisa se deu por análises e comparações dos resultados.
2.2 ÁREA E LOCAL DE ESTUDO
A pesquisa foi realizada nos municípios de Tangará da serra e Diamantino, ambos localizados no estado de Mato Grosso. O local do estudo, no município de Tangará da Serra, foi o Centro de Detenção Provisória – CDP; no município de Diamantino, o local de estudo foi a Cadeia Pública; pesquisa esta, realizada entre os meses de outubro a novembro.
2.2.1 Tangará da Serra – MT
O município de Tangará da Serra, localizado na região sudoeste do estado de Mato Grosso, conhecida como médio norte, aproximadamente 240 quilômetros da capital Cuiabá, localiza-se nas coordenadas geográficas Latitude 14º 04’ 38’’ S – Longitude 57º 03’ 45’’ W; a 423 metros acima do nível do mar. As principais atividades econômicas são a pecuária de corte e a agricultura de soja, algodão, café, arroz e cana-de-açúcar. O município foi criado pela lei 3.687, no dia 13 de maio de 1976, nessa época sua área territorial pertencia ao município Barra do Bugre, sua emancipação ocorreu no ano de 1977, a cidade é conhecida pelas suas belezas naturais, sendo um grande atrativo aos turistas (ROSA, 2008). Tangará da Serra possui uma área de aproximadamente 11.565.976 Km² e uma população de 81.960 habitantes (IBGE, 2009), do quais mais de 90,0% residentes na área urbana. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2000 era de 0,780 (IBGE,2010).
O CDP, Centro de Detenção Provisória, localizado no município de Tangará da Serra, situado na Avenida das Cerejeiras – SN – Jardim Industriário, inaugurado no ano de
2009, mantém hoje, uma média de 200 reeducandos, sendo todos eles do sexo masculino. Por ser provisória, possui uma grande rotatividade de reeducandos, transferidos de outros municípios, temporariamente, por questões de máxima segurança. O CDP tem sido uma referência no Estado, devido à grande estrutura ambulatorial, aonde se tem farmácia, unidade de internação, isolamento, sala da enfermeira, das assistentes sociais, da psicóloga, sala de aula, quadra de esporte, sala de procedimentos de enfermagem e, também, uma estrutura de equipe de saúde, composta por enfermeiro, médico, técnicos de enfermagem, assistentes sociais, dentista, auxiliar de dentista, farmacêutico, pedagogo, psicólogo, educador físico, nutricionista, sendo que, todos eles são funcionários concursados pelo Estado.
2.2.2 Diamantino – MT
O município de Diamantino, também localizada na região médio norte do estado de Mato Grosso, aproximadamente 199 quilômetros da capital Cuiabá, localiza-se nas coordenadas geográficas Latitude 14º 40’ 86’’ – Longitude 56º 44’ 61’’; a 225 metros acima do mar. A economia da cidade baseia-se na agricultura, no cultivo de soja, milho e algodão; no total são aproximadamente 380.000 hectares de área cultivada em todo o município. Em 18 de setembro de 1728, descobriu se um local de onde ouro e diamante brotavam do chão, com essa descoberta, os moradores de Cuiabá começaram a migrar-se para o local que logo virou uma vila. Somente em 16 de julho de 1918, a vila foi elevada à categoria de cidade com o nome oficial de Diamantino (FOLHETO TURÍSTICO DE DIAMANTINO, 2010).
A Cadeia Pública, localizada no município de Diamantino, situado na Rua da Delegacia – SN – Bairro da Ponte, com, aproximadamente 66 reeducandos, do sexo
masculino e feminino, sendo, em sua maioria, do sexo masculino. Antigamente, a Cadeia Pública e a Delegacia Civil do município se localizavam no mesmo prédio, que por sinal, era pequeno para compor essas duas unidades, não havendo muito espaço para os profissionais do sistema prisional e para os reeducandos, havia pouca segurança em relação aos reeducandos. Logo, se desfez essa junção, e hoje cada unidade tem o seu prédio. A Cadeia Pública passou por reformas, aumentando o espaço para os reeducandos e para os funcionários, aonde teve um aumento dos mesmos e a segurança foi reforçada. A mesma possui uma sala de aula com professor; não possui unidade de saúde interna, devido a isso, os reeducandos precisam sair da unidade prisional para serem atendidos, geralmente, no Pronto Atendimento do município. Eles contam com professores de artesanato, aonde aprendem diversas artes, trabalham na horta da Cadeia para o consumo próprio e, também, de seus familiares, e cooperam na organização, limpeza e manutenção da unidade, diminuindo assim, os dias da Pena Judicial que receberam.
2.3 AMOSTRA
A entrevista semi-estruturada proporciona a melhor forma de retratar o pensamento de outro ser humano, através dessa proximidade entre as pessoas é possível captar o que pensam sobre determinado assunto e compreender as concepções dos sujeitos (RICHARDSON, 1999).
Foram aplicados questionários semi-estruturados para um total de 62 sujeitos, sendo 30 reeducandos, juntamente com o enfermeiro responsável pela saúde da Cadeia Pública de Diamantino/MT - total de 31 sujeitos -, que se tem como modelo assistencial de saúde o modelo curativista, evidenciando e objetivando a cura das enfermidades, sua abordagem é centrada na mudança individual; e, 30 reeducandos, juntamente com o enfermeiro responsável pela saúde do Centro de Detenção Provisória de Tangará da Serra/MT – total de 31 sujeitos -, que tem como modelo assistencial de saúde o modelo preventivo, que em oposição ao curativista, trabalha com a perspectiva de sujeitos das práticas de saúde. Para os reeducandos, aplicou-se um questionário semi-estruturado onde as questões foram referentes à sua saúde, de forma individual, e, também, sobre a qualidade de saúde que eles vêem recebendo do Sistema Prisional e dos profissionais da saúde. Para os enfermeiros atuantes na área, aplicados questionários semi-estruturados referente à atuação no sistema penitenciário e quanto à
qualificação recebida diante da saúde dos reeducandos; ambos os enfermeiros são do sexo feminino.
A escolha dos sujeitos se deu pela seguinte maneira: Cada Sistema Penitenciário possui 1 enfermeira responsável pela saúde do mesmo, por isso o total de 2 enfermeiras para a entrevista semi-estruturada; 30 reeducandos de cada Sistema Penitenciário, sendo esse o número limite de reeducandos liberados para a entrevista devido a questão segurança da pesquisadora, e, também, considerado um número razoável para a avaliação da saúde dos mesmos, sendo que, independente do número total de reeducandos de cada Sistema Penitenciário, todos acabam recebendo a mesma qualidade de saúde. Na Cadeia Pública de Diamantino, a escolha dos sujeitos foi aleatória, sendo que, os mesmos se auto escolheram para serem entrevistados, mostrando total interesse à pesquisa. Já no Centro de Detenção Provisória de Tangará da Serra, conforme os reeducandos iam sendo liberados para terem atendimento médico, eram feitas as entrevistas com aqueles que a autorizavam. Teve-se como primeiro passo, a localização dos sujeitos disponíveis à pesquisa coletando a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Antes do início da coleta de dados, foi realizado um contato prévio com as unidades penitenciárias, com os profissionais do sistema, os reeducandos e com os profissionais de saúde. O direito ao anonimato e à confidencialidade dos sujeitos foi respeitado, as identidades foram preservadas, não foram submetidos a nenhum risco (CNS, 196/96). A pesquisa só foi realizada posterior a assinatura do Termo de Consentimento de Autorização da Pesquisa.
2.4 ANÁLISE DOS DADOS
Durante a análise dos dados, foram analisadas as respostas dos sujeitos a cerca da saúde no Sistema Penitenciário, a qualidade da saúde que os reeducandos recebem de acordo com o Modelo Assistencial de saúde de cada penitenciária e, também, o papel assistencial do enfermeiro nesse ambiente de trabalho. Foi realizada uma pré-análise organizando as idéias e extraindo as falas mais significativas e agrupando-as em categorias e sub-categorias de acordo com a convergência das falas, formando uma análise temática. A maneira escolhida para a organização quantitativa dos dados foi através da criação de gráficos que favorecem uma melhor visualização dos resultados.
2.5 CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS
Os 39 reeducandos selecionados para a amostra qualitativa estão listados abaixo, informando em qual modelo assistencial de saúde se encontram. Nota-se a importância de frisar que, para a análise quantitativa, participaram todos os 60 sujeitos envolvidos na pesquisa, distribuídos entre 30 reeducandos do modelo assistencial de saúde preventivo, representado pelos gráficos de cor verde e 30 sujeitos do modelo assistencial de saúde curativo, representado pelos gráficos de cor azul.
Para as enfermeiras, ambos selecionados para a amostra qualitativa, estão abaixo listados.
RC1 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC2 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC3 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC4 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC9 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC10 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC11 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC12 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC16 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC17 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC18 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC19 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC20 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC22 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC23 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC24 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC26 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC29 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
RC30 Reeducando do modelo assistencial de saúde curativista
ENF C Enfermeira do modelo assistencial de saúde curativista
RP2 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP4 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP6 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP7 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP8 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP9 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP10 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP11 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP12 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP13 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP15 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP17 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP18 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP19 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP21 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP24 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP26 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP27 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
RP30 Reeducando do modelo assistencial de saúde preventivo
ENF P Enfermeira do modelo assistencial de saúde preventivo Fonte: Questionário/Adaptado pelo autor.
PARTE III
3.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para a melhor compreensão do estudo, essa parte da pesquisa foi sub-dividida em 2 partes, sendo: O Olhar dos Reeducandos, tendo uma análise qualiquantitativa; e O Olhar das Enfermeiras, com uma análise qualitativa.
3.1 O OLHAR DOS REEDUCANDOS
Para análise dos dados levantados, optou-se pela seguinte ordem: Faz-se uma análise em três passos, sendo eles: descrição, comparação e a analise qualitativa dos gráficos de cada categoria e suas respectivas sub-categorias, gráficos estes elaborados de acordo com as respostas dos 60 reeducandos, divididos em 30 reeducandos do modelo assistencial de saúde curativo e, 30 reeducandos do modelo assistencial de saúde preventivo, frisando que, os gráficos de cor verde representam os sujeitos do modelo assistencial de saúde preventivo, e os gráficos de cor azul representam os sujeitos do modelo assistencial de saúde curativo. A análise qualitativa foi feita com a complementação das falas convergentes dos 39 reeducandos selecionados. Foram construídas 3 categorias:
Categoria 1: Identificação dos Reeducandos Categoria 2: Saúde dos Reeducandos
Sub-categorias: 2.1Quanto aos reeducandos patológicos; 2.2 Quanto ao relacionamento dos reeducandos com os profissionais da saúde e os saberes dos direitos a saúde.
CATEGORIA 1 - IDENTIFICAÇÃO DOS SUJEITOS
A população penitenciária brasileira é composta, predominantemente, por adultos jovens – homens negros e pardos, solteiros e com menos de 30 anos de idade. O conjunto da população penitenciária é de pessoas pobres, condenadas por crimes contra o patrimônio, a maioria conexa ao microtráfico de drogas ilícitas. Poucos, entre eles, foram alfabetizados ou completaram o ensino fundamental; tampouco possuíam profissão definida anteriormente à prisão, caracterizando uma situação de exclusão social anterior ao seu ingresso no Sistema Prisional. Mais da metade é reincidente na prática de crimes e comumente associam seus atos delituosos à situação de desemprego e pobreza em que se encontram (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).