A APOSENTADORIA DO PROFESSOR
TI A G O FA G G I O N I BA C H U R
• advogado militante nas áreas cível, comercial e previdenciária (formado pela Faculdade de Direito de Franca em 1998);
• sócio-fundador de “Bachur e Vieira Advogados Associados”;
• professor de cursos jurídicos relacionados a área previdenciária na “Academia Francana de Direito – Instituto Rafael Infante Faleiros”;
• professor de Direito Previdenciário na Escola Superior de Advocacia (ESA) de Barretos/SP;
• professor de Direito Previdenciário ministrando curso em várias OABs (como Sertãozinho/SP, Uberaba/MG, Franca/SP, etc.);
• autor do livro “Teoria e Prática do Direito
Previdenciário”, escrito em parceria com a Drª.Maria Lucia Aiello (Editora Lemos e Cruz);
• colaborador e articulista de vários jornais, revistas e informes jurídicos (como “Jornal Comércio da Franca”, “Revista Consulex”, “Prática Jurídica”,
“Jornal Trabalhista Consulex”, “Magister”,
“Migalhas”, “IEPREV”, “LFG”, “Revista de Direito Trabalhista”; etc.);
• pós-graduando em Direito Previdenciário pela UNISAL;
• técnico em contabilidade (formado pelo SENAC/Franca);
• Membro da “Comissão Encarregada da Elaboração do Anteprojeto dos Novos Estatutos para a Fundação Civil Casa de Misericórdia de Franca”, representando o Sindicato dos Empregados Rurais de Franca e atuando como um dos redatores do anteprojeto (2002).
BREVE INTRODUÇÃO SOBRE OS BENEFÍCIOS DO PROFESSOR
Além da aposentadoria por idade (que é de 60 anos para a mulher e 65 para o homem), os professores fazem jus ao salário-maternidade, pensão por morte, auxílio- doença (quando a incapacidade é total e temporária), aposentadoria por invalidez (quando a incapacidade é total e definitiva), auxílio-acidente (incapacidade parcial e permanente), auxílio-reclusão, salário-família. Vale dizer que há 3 tipos de aposentadorias, que se encaixam para o professor: a aposentadoria por tempo de contribuição, a aposentadoria por tempo de contribuição do professor (chamada também de especialíssima) e a aposentadoria especial.
Antes de prosseguir, é importante fazer uma ressalva. Doutrina e jurisprudência
costumam inverter e divergir sobre os nomes das aposentadorias especial e
especialíssima do professor. A posição que se adota no presente texto é de se
chamar de “aposentadoria especial” aquela em que a Lei Previdenciária adota tal
nomenclatura para aqueles trabalhadores que se submetem a agentes
nocivos/prejudiciais à saúde, por 15, 20 ou 25 anos. A nomenclatura de aposentadoria especialíssima (também chamada de “Aposentadoria Constitucional do Professor”, pois advém da Emenda Constitucional nº 20/98) é adotada no presente texto para aqueles que atenderem as regras do art. 201, § 8º da Constituição Federal.
1º) APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
A aposentadoria por tempo de contribuição é paga para o segurado que trabalhou durante 35 anos (homem) ou 30 anos (mulher) em qualquer atividade.
Reitera-se: não importa a atividade.
Nesse caso, encaixam-se todos os tipos de professores (como, por exemplo, o professor universitário, o professor de cursos preparatórios, etc).
Não há idade mínima para requerer o benefício.
O valor do benefício é 100% do Salário de Benefício (SB) e sofre a incidência do Fator Previdenciário (FP).
O fator previdenciário é uma fórmula matemática que é aplicada obrigatoriamente para cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição e opcionalmente na aposentadoria por idade.
Segundo o INSS, o FP foi criado com o objetivo de equiparar a contribuição do segurado ao valor do benefício, baseando-se em quatro elementos: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de sobrevida do segurado (conforme tabela do IBGE).
1Na verdade, entende-se que o fator previdenciário é um mecanismo cruel que foi elaborado com o intuito de “achatar” o valor da aposentadoria, onde o INSS pretende ter os cidadãos mais tempo como contribuintes do que como beneficiários, eis que quanto mais novo for o segurado e menos contribuição tiver, mais reduzida fica sua aposentadoria.
2º) APOSENTADORIA ESPECIALÍSSIMA DO PROFESSOR OU APOSENTADORIA CONSTITUCIONAL DO PROFESSOR
Se o professor(a) trabalhou diretamente no efetivo exercício em funções de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio (§ 8º, art.
201 da Constituição Federal e art. 56 da Lei n.º 8.213/91), tem direito a aposentadoria especialíssima (também chamada de “Constitucional”), ou seja, pode se aposentar com 30 anos (homem) ou 25 anos (mulher). Em outubro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que também tem direito o professor que teve o tempo de
1
A fórmula do fator previdenciário é:
f = Tc x a X [1 + id + Tc x a)]
Es 100
f = fator previdenciário
Tc = tempo de contribuição do trabalhador a = alíquota de contribuição (0,31)
Es = expectativa de sobrevida do trabalhador na data da aposentadoria
Id = idade do trabalhador na data da aposentadoria
serviço prestado no exercício de função de direção de unidade escolar e de coordenação e assessoramento pedagógico
2.
Aqueles professores que não se enquadrarem em tal situação têm 2 opções:
a) Se cumpriram os requisitos até 15/12/98 (data da Emenda Constitucional nº 20) podem se aposentar com o benefício integral (pouco importando o “tipo” de magistério exercido) – não entra o fator previdenciário no cálculo;
b) O período anterior a 15/12/98 é acrescido em 17% (para o professor) e 20% (para a professora), na hipótese de magistério em outra área (ex.: professor universitário) e a aposentadoria será de 30 anos (para a mulher) e 35 (para o homem). Nessa situação, a aposentadoria passa a ser a por tempo de contribuição (e não a aposentadoria especialíssima).
Quanto a aplicação do fator previdenciário há duas correntes:
a) Aplica-se o Fator Previdenciário (de acordo com a Lei nº 9.876/99):
Na aposentadoria do professor(a) a aplicação do fator previdenciário é feita de forma diferente, comparando-se com a aposentadoria por tempo de contribuição propriamente dita. Na aplicação do fator previdenciário serão somados ao tempo de contribuição do segurado:
- 5 anos para os professores que comprovarem efetivo exercício do magistério no ensino básico, fundamental ou médio;
- 10 anos para as professoras que comprovarem efetivo exercício do magistério no ensino básico, fundamental ou médio.
b) Não se aplica o Fator Previdenciário.
Alguns doutrinadores entendem que não se deve usar a fator previdenciário para quem optou pelas regras transitórias da EC nº 20/98, pois todas as variantes presentes do fator previdenciário (como idade e tempo de contribuição) já estão implícitas nas referidas regras transitórias. Tal posicionamento já foi recentemente adotada em processo que trata da aposentadoria por tempo de contribuição proporcional
3, podendo o mesmo raciocínio ser perfeitamente aplicado também na hipótese em questão.
3º) APOSENTADORIA ESPECIAL
Há, ainda, a aposentadoria especial que é paga ao trabalhador (homem ou mulher) que exerça alguma atividade nociva ou prejudicial a saúde.
Esse tipo de aposentadoria, também é cabível no caso do(a) professor(a) que demonstre que exerceu atividades nocivas/prejudiciais (chamadas popularmente de
“insalubres”).
2
ADI 3772/DF, rel. orig. Min. Carlos Britto, rel. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, 29.10.2008.
3
Confira em http://www.bachurevieira.com.br/noticias1.asp?codigo=995
Alguns desses elementos nocivos encontrados na atividade da docência são, por exemplo, o giz, a posição (em pé), o barulho, etc.
O(a) professor(a) que se enquadrar nessa terceira modalidade de aposentadoria (homem ou mulher) tem direito de aposentar-se com 25 anos de serviço, não importando a idade.
O valor é de 100% do salário de benefício e não tem o fator previdenciário.
Basta apenas demonstrar que sua atividade é nociva/prejudicial (que é feito por um documento chamado “PPP” – Perfil Profissiográfico Previdenciário).
Portanto, os profissionais que trabalham em condições prejudiciais à saúde, nos termos da legislação, fazem jus à aposentadoria especial, com tempo de serviço reduzido. No caso de professores, bem como os demais profissionais que têm exposição permanente, não ocasional e nem internitatente, a agentes físicos, químicos ou biológicos (ou a associação destes), consoante estabelece o Anexo IV do Decreto nº 3.048/99, que traz a classificação dos agentes nocivos à saúde, sem sombra de dúvidas há a possibilidade visível e cristalina de ser lhe dada a aposentadoria especial.
Em suma, desde 1960 existe o benefício de aposentadoria especial, não importando se o vínculo com a previdência é como empregado, como autônomo (profissional liberal), ou como empresário, independentemente da idade, bastando apenas a comprovação das atividades exercidas sob condições especiais pela só apresentação de documento indicativo da categoria profissional e dos agentes agressivos aos quais o segurado estava exposto (químicos, físicos e/ou biológicos), conforme restou demonstrado acima.
CONCLUSÕES FINAIS
Do exposto, observa-se que, quando se tratar de tempo de contribuição, o docente poderá até “escolher” o tipo de aposentadoria.
Não restam dúvidas de que das aposentadorias descritas, a pior delas é a aposentadoria por tempo de contribuição, no qual exige-se do profissional um tempo maior laborado e um cálculo, na maioria das vezes, pior para a apuração do benefício (eis que utiliza do fator previdenciário).
Já a Aposentadoria Especialíssima ou Constitucional, há duas problemáticas: a primeira refere-se à necessidade de demonstrar o efetivo exercício em funções de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio (observadas as situações consideradas pela ADI 3772/DF); a segunda trata da discussão acerca da aplicabilidade ou não do fator previdenciário. Isso tudo, sem mencionar que o tempo para o professor será maior do que para a professora (já que ele se aposentaria com 30 anos de magistério, pela aposentadoria especialíssima).
Das 3 modalidades supra expostas, a melhor delas é a Aposentadoria Especial, eis que para o(a) professor(a), que não importa a atividade em que exerce a docência, podendo se aposentar com apenas 25 anos de tempo de serviço, sem se preocupar com a idade e com o temível fator previdenciário (bastando apenas demonstrar a exposição aos agentes nocivos e/ou prejudiciais à saúde).
A bem da verdade, a orientação por um profissional da área no momento de se
aposentar nesses casos se torna imprescindível, pois a aposentadoria é algo que se
recebe para o resto da vida (ou para além dela, pois, no caso de óbito, pode
transformar-se em pensão por morte em prol dos dependentes).
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES E VÁLIDA PARA TODOS OS PROFESSORES
Os professores que trabalhem em escolas particulares ou públicas podem se aposentar nos dois regimes (desde que tenham completado o respectivo tempo em cada um deles), uma vez que se tratam de regimes previdenciários diversos.
Se o(a) professor(a) não completou o tempo total no respectivo regime, pode trazer o tempo de um para o outro, pedindo para averbá-lo, desde que o tempo não seja concomitante.
Documentos Necessários para Requerer a Aposentadoria do Professor
Veja alguns dos documentos necessários para requerer a aposentadoria do professor:
Documentação:
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Número de Identificação do Trabalhador – NIT (PIS/PASEP);
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Documento de identificação(Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho e Previdência Social, entre outros);
•
Cadastro de Pessoa Física – CPF;
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Carteira de Trabalho e Previdência Social e/ou outro documento que comprove o exercício de atividade em estabelecimento de ensino básico, no nível infantil, fundamental e/ou médio, bem como em cursos de formação profissional, autorizados ou reconhecidos pelos órgãos competentes do Poder Executivo Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal;
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Diploma registrado nos órgãos competentes federais e estaduais ou qualquer outro documento que comprove a habilitação para o exercício do magistério.
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Cetrtidão de Tempo de Serviço como professor do Regime Público de Previdência (do Município, Estado, Distrito Federal ou União), caso queira contar o tempo/contribuições no INSS na hipótese de não ter sido utilizado tal período naquele Regime Próprio.
Formulários:
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