1 Instância Central – 1.ª Secção Cível – J7 Processo 2242/11.4TVLSB
Entre:
ZON TV CABO Portugal, S.A
1. (doravante designada “Autora” ou “ZON”), como Autora
e
PT Comunicações, S.A
2(doravante designada “Ré” ou “PTC”) como Ré Relatório para o Tribunal preparado pelo Colégio de Peritos composto por:
• Dr.ª Maria José Lima Barbosa dos Santos Branco (Perita nomeada pelo Tribunal)
• Eng. Carlos Miguel Marques Correia (Perito escolhido pela Autora)
• Eng. Hugo dos Santos Gabriel Correia Pereira (Perito escolhido pela Ré)
Este Relatório é estritamente privado e foi elaborado exclusivamente para o fim a que se destina, não podendo ser utilizado para qualquer outro fim, bem como mostrado ou copiado, no seu todo ou em parte, sem o prévio consentimento dos peritos, a qualquer pessoa ou entidade que não o Tribunal e as partes envolvidas no litígio.
1
Em 16.05.2014 ocorreu a fusão por incorporação da sociedade ZON TV Cabo Portugal, S.A. na sociedade OPTIMUS - Comunicações, S.A., cuja designação social foi alterada para NOS Comunicações, S.A. Por facilidade, no presente relatório será sempre utilizada a designação ZON.
2
Em 29.12.2014 ocorreu a fusão por incorporação da MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia,
S.A. na PT Comunicações, S.A., tendo esta última adotado a designação da primeira.
2
ÍNDICE
PARTE I 5
INTRODUÇÃO 5
1.1 O
BJETO DO LITÍGIO5
1.2 N
OMEAÇÃO DOS PERITOS6
1.3 O
BJETO DA PERÍCIA7
1.4 E
LABORAÇÃO DOR
ELATÓRIO7
1.5 A
GRADECIMENTOS8
PARTE II 9
METODOLOGIA PERICIAL 9
2.1 A
BORDAGEM AOS QUESITOS9
2.2 M
ETODOLOGIA DEA
MOSTRAGEM10
ANÁLISE DOS QUESITOS 12
3.1 Q
UESITO22 12
3.2 Q
UESITO34 14
3.3 Q
UESITO35 15
3.4 Q
UESITO41 17
3.5 Q
UESITO42 18
3.6 Q
UESITO43 20
3.7 Q
UESITO44 21
3.8 Q
UESITO45 22
3.9 Q
UESITO46 23
3.10 Q
UESITO47 24
3.11 Q
UESITO48 26
3.12 Q
UESITO49 27
3.13 Q
UESITO50 28
3.14 Q
UESITO51 29
3.15 Q
UESITO52 30
3.16 Q
UESITO53 31
3.17 Q
UESITO54 32
3.18 Q
UESITO55 33
3.19 Q
UESITO57 34
3.20 Q
UESITO58 35
3.21 Q
UESITO59 37
3.22 Q
UESITO60 39
3.23 Q
UESITO61 40
3.24 Q
UESITO62 41
3.25 Q
UESITO63 42
3.26 Q
UESITO64 43
3.27 Q
UESITO65 45
3.28 Q
UESITO66 47
3.29 Q
UESITO67 49
3
3.31 Q
UESITO69 51
3.32 Q
UESITO70 52
3.33 Q
UESITO71 53
3.34 Q
UESITO72 54
3.35 Q
UESITO78 56
3.36 Q
UESITO80 57
3.37 Q
UESITO82 59
3.38 Q
UESITO83 60
3.39 Q
UESITO84 62
3.40 Q
UESITO85 63
3.41 Q
UESITO88 64
3.42 Q
UESITO89 65
3.43 Q
UESITO90 66
3.44 Q
UESITO91 68
3.45 Q
UESITO92 70
3.46 Q
UESITO93 71
3.47 Q
UESITO95 72
3.48 Q
UESITO96 73
3.49 Q
UESITO113 74
3.50 Q
UESITO114 75
3.51 Q
UESITO115 77
3.52 Q
UESITO116 78
3.53 Q
UESITO117 80
3.54 Q
UESITO126 82
3.55 Q
UESITO129 83
3.56 Q
UESITO174 84
3.57 Q
UESITO191 85
3.58 Q
UESITO192 86
3.59 Q
UESITO197 87
3.60 Q
UESITO203 88
3.61 Q
UESITO207 89
3.62 Q
UESITO226 90
3.63 Q
UESITO240 91
3.64 Q
UESITO241 93
3.65 Q
UESITO264 94
3.66 Q
UESITO304 95
3.67 Q
UESITO305 96
3.68 Q
UESITO306 98
3.69 Q
UESITO307 100
3.70 Q
UESITO308 102
3.71 Q
UESITO309 104
3.72 Q
UESITO310 105
3.73 Q
UESITO311 106
3.74 Q
UESITO312 107
3.75 Q
UESITO313 108
3.76 Q
UESITO314 109
4
3.77 Q
UESITO315 110
3.78 Q
UESITO325 111
3.79 Q
UESITO326 112
3.80 Q
UESITO327 113
3.81 Q
UESITO333 115
3.82 Q
UESITO334 116
3.83 Q
UESITO335 117
3.84 Q
UESITO336 118
3.85 Q
UESITO337 119
3.86 Q
UESITO338 120
3.87 Q
UESITO339 121
3.88 Q
UESITO340 122
3.89 Q
UESITO341 123
3.90 Q
UESITO342 124
3.91 Q
UESITO345 125
3.92 Q
UESITO346 126
3.93 Q
UESITO347 127
3.94 Q
UESITO348 128
3.95 Q
UESITO349 129
3.96 Q
UESITO352 130
3.97 Q
UESITO357 132
3.98 Q
UESITO362 133
3.99 Q
UESITO363 134
3.100 Q
UESITO364 135
3.101 Q
UESITO365 136
3.102 Q
UESITO371 137
3.103 Q
UESITO372 138
3.104 Q
UESITO374 139
3.105 Q
UESITO375 141
3.106 Q
UESITO376 143
3.107 Q
UESITO391 145
3.108 Q
UESITO406 146
5
INTRODUÇÃO
1.1 Objeto do litígio
A disputa entre a Autora e a Ré centra-se num alegado incumprimento pela Ré das obrigações de portabilidade a que está adstrita, concretamente pela rejeição de pedidos de portabilidade
3submetidos pela Autora no período compreendido entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2009.
Uma das principais razões subjacentes à necessidade de perícia colegial no âmbito deste processo consiste na necessidade de prova sobre se foram efetuados determinados pedidos de portabilidade pela Autora e sobre se os mesmos foram rejeitados, com ou sem fundamento, pela Ré, o que implicou:
I. Por um lado, a verificação exaustiva dos documentos em suporte papel e eletrónico existentes nas instalações das partes e atinentes a tais operações e,
II. Por outro lado, uma análise especializada dos dados recolhidos, com recurso aos conhecimentos dos peritos em matérias distintas, tendo em conta que a portabilidade dos números se rege por um conjunto de regras próprias, constantes do Regulamento da Portabilidade
4(doravante Regulamento) e envolve, em simultâneo, procedimentos técnicos específicos, descritos na Especificação de Portabilidade.
5.
3
Nos termos do Regulamento da Portabilidade (cfr. artigos 9.º, 12.º e 14.º), no âmbito do processo de portabilidade, designa-se por (i) “Pedido de portabilidade” o procedimento administrativo que corresponde à apresentação do pedido pelo assinante ao Prestador Recetor (PR) e por (ii) “Pedido eletrónico de portabilidade” o procedimento administrativo que se traduz na transmissão do pedido pelo PR ao Prestador Doador ou Detentor. No presente Relatório, por uma questão de alinhamento com as peças processuais, utilizamos genericamente expressão “pedido de portabilidade”, embora, na maioria dos casos seja ao pedido eletrónico que nos referimos.
4
No período relevante – ocorrência dos factos submetidos a perícia – estava em vigor o Regulamento n.º 58/2005, de 18 de agosto (http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=940501#.Vgfl2m43IVc).Porém, ainda dentro do período relevante, entrou em vigor, de uma forma faseada e consoante os artigos, o Decreto-Lei n.º 87/2009, de 18 de fevereiro, .
Atualmente, o Regulamento da Portabilidade em vigor é o Regulamento n.º 114/2012, de 13 de março, que alterou o referido Regulamento n.º 58/2005, alterado, republicado e renumerado pelo Regulamento n.º 87/2009, de 18 de fevereiro, e alterado pelo Regulamento n.º 302/2009, de 16 de julho (http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=940501#.Vgfl2m43IVc)
5
A «Especificação de Portabililidade” é definida na alínea g) do n.º 1 do artigo 2.º do Regulamento como o conjunto de regras relativas à portabilidade, de caráter técnico e procedimental, adotadas pelo regulador e a cuja execução as empresas estão obrigadas. A Especificação corresponde aos anexos I e II da designada "Especificação de Portabilidade de Operador", aprovada por deliberação do Conselho de Administração do ICP-ANACOM de 28 de junho de 2001, sem prejuízo de alterações que lhe venham a ser introduzidas sempre que tal seja conveniente. A segunda versão da Especificação de Portabilidade foi aprovada em 15.04.2009 pelo que, à data dos factos, estava em vigor a versão aprovada pela deliberação de 28 de junho de 2001.
(http://www.anacom.pt/render.jsp?contentId=401726#.Vfsg1n3Pdv0)
6
1.2 Nomeação dos peritos
No âmbito do litígio supra identificado, por decisão do Tribunal Cível de Lisboa (doravante “o Tribunal”), foi nomeado um Colégio de Peritos.
Neste contexto, cada parte escolheu um dos peritos e o juiz nomeou o terceiro. A Ré veio opor suspeição relativamente à perita do Tribunal, tendo considerado que, devido à sua qualidade de funcionária da ANACOM e pelo facto de ter sido indicada por esta Autoridade, tais circunstâncias a impediriam de exercer as funções para as quais fora nomeada de forma isenta e imparcial em relação às partes,
O Tribunal julgou o incidente de suspeição improcedente.
No dia 29.11.2013, os peritos prestaram formalmente o respetivo “compromisso de honra”
perante o Tribunal, nos termos do artigo 479.º do Código do Processo Civil, confirmando a sua independência e determinação em atuar no cumprimento consciencioso da função que lhes tinha sido cometida pelo Tribunal, bem como em exercer a tarefa de resposta aos quesitos segundo a sua orientação, através do fornecimento das evidências dos processos previstos, sempre que tal se mostrasse necessário. Foram os peritos instruídos pelo Tribunal no sentido da elaboração de um relatório pericial único que contenha as respostas de todos mesmo que minoritárias.
No âmbito da diligência pericial, o Tribunal determinou às partes:
I. A entrega, aos peritos, de todos os documentos (em suporte papel e ou digital) ainda não juntos ao processo e que entendessem como relevantes para a realização da perícia, ou, em alternativa;
II. A disponibilização, aos peritos, aquando da deslocação destes às respetivas instalações, de todos os documentos (em suporte de papel ou digital) que entendessem como relevantes para a realização da perícia;
III. A disponibilização dos documentos de que os peritos necessitassem, ao longo da perícia, devendo os peritos comunicar ao Tribunal quais os documentos pretendidos, para que efeitos, bem como a resposta que lhes foi dada pelas partes
6.
Confirmaram igualmente os peritos a respetiva disponibilidade para prestar apoio relativamente à disputa sempre que solicitado.
6
Foi determinado pelo Meritíssimo Juiz que a comunicação entre os peritos e o Tribunal e os peritos e as
partes fosse centralizada pela perita do Tribunal e preferencialmente por correio eletrónico, sendo que
todos os pedidos dirigidos pelos peritos às partes deveriam ser remetidos ao Tribunal com cópia para
conhecimento (cfr. Despacho de 3/2/2014).
7
Nos termos do Despacho de 3/4/2013 do Meritíssimo Juiz do processo, o Tribunal determinou, após auscultação das partes, que se procedesse a prova pericial colegial tendo em vista responder aos seguintes factos da Base Instrutória (doravante BI): Artigos 22.º, 34.º, 35.º, 41.º a 55.º, 57.º a 72.º, 78.º, 80.º, 82.º a 86.º (sendo este exclusive) 88.º a 93.º, 95.º a 97.º (sendo este exclusive) 113.º a 117.º, 126.º, 129.º a 130.º (sendo este exclusive), 174.º, 191.º, 192.º, 197.º, 203.º, 207.º 226.º, 240.º, 241.º, 264.º, 304.º, 305.º a 315.º, 325.º a 328.º, (sendo este exclusive), 331.º a 342.º, 345.º a 349.º, 352.º, 357.º, 362.º a 366.º (sendo este exclusive), 371.º a 373.º (sendo esta exclusive), 374.º a 376.º, 391.º factos seguintes ao artigo 401.º (sendo este exclusive) e até ao 403.º (sendo este exclusive), 406.º a 407 (sendo este exclusive).
1.4 Elaboração do Relatório
O presente Relatório dá, assim, cumprimento à determinação do Tribunal, dele constando, de forma clara:
I. As informações recolhidas pelos peritos nos documentos existentes - constantes do processo em base informática ou base “papel” ou, ainda, fornecidos pelas partes, dos quais verificaram a respetiva autenticidade acordo com as indicações do Tribunal.
II. As verificações materiais realizadas e a sua origem;
III. A pronúncia do Colégio de Peritos sobre o objeto de perícia fixado pelo Tribunal, fundamentada nos testes efetuados – por verificação direta ou por amostragem, nos casos expressamente indicados – e/ou nos conhecimentos dos próprios peritos.
Embora necessariamente reflita o entendimento dos peritos sobre a matéria – ou matérias – objeto do litígio que opõe as partes, o Relatório não deverá ser interpretado como assessoria sobre questões do direito ou como parecer jurídico.
De igual modo, o trabalho realizado pelos Peritos não constitui uma auditoria, pelo que aqueles se reservam o direito de alterar este Relatório em relação a qualquer informação que possa posteriormente tornar-se disponível.
A preparação do Relatório teve por base a seguinte informação:
I. Petição Inicial e respetivos anexos;
II. Contestação e respetivos anexos;
III. Base Instrutória (doravante BI);
IV. Requerimentos elaborados por ambas as partes e respetivas respostas,
V. Diversa documentação disponibilizada por ambas as partes em reposta aos pedidos de
informação efetuados pelos peritos;
8
VI. Dados constantes da Base de Dados de Referência da portabilidade (doravante BDR) disponibilizados pela Entidade de Referência (doravante ER) – Portabil – Bases de Dados para a portabilidade em Telecomunicações, S.A. sempre que solicitado;
VII. Informação prestada, pela ANACOM e pela ER, por solicitação dos peritos;
VIII. Informação recolhida em reuniões realizadas com os representantes designados pelas partes nas respetivas instalações, bem como com o Eng. Pedro Mariano da Portabil.
Neste contexto, o Relatório apresenta-se dividido em duas partes:
Parte I: Introdução, contendo o objeto do litígio, a nomeação dos peritos, o objeto da perícia, a elaboração do relatório e os agradecimentos;
Parte II: Análise dos Quesitos, contendo a (A) metodologia pericial e a (B) análise quesito a quesito, por aplicação da metodologia selecionada.
1.5 Agradecimentos
Os peritos muito agradecem a colaboração e disponibilidade sempre manifestada por todos os intervenientes neste processo, bem como por aqueles que foram solicitados a remeter documentos, prestar esclarecimentos ou fornecer informações, por via eletrónica ou presencialmente. Essa colaboração permitiu aos peritos exercer da melhor forma a função que lhes foi confiada.
Ao Meritíssimo Juiz do Processo;
Aos Ilustres Mandatários das Partes;
Aos contactos designados, na MEO e na NOS, respetivamente, Sr.ª Eng.ª Cristina Batista e Sr.
Dr. Amândio Evangelista;
Ao representante da ER, Sr. Eng.º Pedro Mariano;
Ao contacto designado na ANACOM, Sr. Eng.º Óscar Carvalho.
9
METODOLOGIA PERICIAL
2.1 Abordagem aos quesitos
A fase inicial da perícia consistiu na definição da metodologia pericial ou abordagem” aos quesitos.
A metodologia utilizada pelos peritos dividiu-se em seis fases:
1.1. Análise da BI, consistindo na análise das questões colocadas, na identificação dos dados/documentos eventualmente necessários para as respostas, bem como se estes estavam disponíveis no processo e/ ou quais os interlocutores adequados para a respetiva solicitação;
1.2. Seleção de dados, consistindo na (i) identificação dos sistemas de informação que suportam o processo - ER, Prestador Detentor (PD) e Prestador Recetor (PR); (ii) na identificação dos dados existentes em cada sistema (ER, PD e PR) e na (iii) identificação dos dados a recolher de cada sistema (ER, PD e PR).
1.3. Recolha dos dados, consistindo na solicitação dos dados a cada entidade (ER, PD e PR) e na análise da adequabilidade da informação, isto é, na execução de testes de qualidade e consistência da informação.
1.4. Definição do algoritmo para tratamento dos dados, que incluiu (i) a definição do período a analisar (início e fim), (ii) a determinação da base de incidência para cada quesito (iii) a determinação da relevância de execução de testes de reconciliação entre a informação registada em papel e a informação registada na BDR (em casos justificados, incluiu a proposta de que os testes fossem por amostragem)
1.5. Implementação do algoritmo e realização dos testes, contendo (i) a implementação do algoritmo; (ii) a realização dos testes e discussão preliminar dos resultados entre os peritos e (iii) a Análise manual de divergências ou de resultados inconclusivos.
1.6. Elaboração do relatório pericial contendo (i) a elaboração do relatório; (ii) a discussão do
relatório e (iii) a entrega do relatório da peritagem ao tribunal.
10
2.2 Metodologia de Amostragem
2.2.1 Documento “Metodologia de Amostragem”
Na resposta a alguns dos quesitos, os peritos deparam-se com um número extremamente elevado de dados a analisar, o que os fez concluir que, em tais casos a análise de todos esses dados constituiria um processo desproporcionalmente moroso.
Um exemplo desses casos é o quesito 42.º, cuja análise implica a abertura de documentos eletrónicos, digitalizados, documento a documento, assumindo um tempo médio de análise de 3 (três) minutos, operação essa a repetir com referência a um universo de 180.000 pedidos.
Tendo explicado esta dificuldade na audiência de 8 de junho de 2014, convocada pelo Meritíssimo Juiz do processo para fazer o ponto de situação da perícia, sugeriram os peritos que, para estas situações limite, fosse utilizada uma metodologia de amostragem que tem como instrumento um software com a denominação comercial “CaseWare IDEA”, o qual reputam como fiável.
Após auscultação dos mandatários das partes presentes, o Meritíssimo Juiz determinou que os peritos remetessem aos Mandatários a indicação dos quesitos em que a referida metodologia seria utilizada, bem como uma descrição mais precisa sobre o modo como a mesma seria operacionalizada. As partes deveriam, então vir ao processo indicar expressamente a existência ou inexistência do seu assentimento a tal metodologia.
Neste contexto, os peritos apresentaram ao Tribunal e às Partes o documento “Metodologia de Amostragem”, relativamente ao qual as Partes se pronunciaram e que foi reformulado em conformidade (Anexo Metodologia de Amostragem).
Nos termos e com os fundamentos previstos nesse documento, os peritos submeteram à apreciação do Tribunal e das Partes a aplicação da metodologia de amostragem aos quesitos 42.º, 374.º e 376.º.
Posteriormente, no contexto dos testes a efetuar nos quesitos 374.º e 376.º, veio a verificar-se a inexistência de uma chave que permitisse relacionar univocamente o número de telefone com o número de conta do cliente, o que impossibilitou a realização do teste como inicialmente planeado. Neste contexto, foram feitas as seguintes alterações:
• Definição do universo com base na informação da ER (como inicialmente proposto);
• Dimensionamento da amostra a partir da informação da ER (como inicialmente proposto);
• Seleção da amostra a partir da informação dos CD (utilizando o número de contrato em detrimento do número de telefone inicialmente indicado);
• Estabelecimento de uma relação entre os números de telefone existentes nos pedidos de denúncia que estão no CD com a informação da ER (este passo não estava inicialmente planeado);
• A impossibilidade em estabelecer uma relação entre os números de telefone referentes aos
documentos que estão no CD com a informação da ER levou à definição do universo com
base na informação do CD e consequente dimensionamento da amostra a partir do mesmo
meio (este passo não estava inicialmente planeado);
11
situações identificadas e extrapolando percentualmente o resultado para o universo.
2.2.2 Aplicação da metodologia de amostragem aos quesitos 91.º e 325.º
Os peritos consideraram adequado aplicar também a metodologia de amostragem aos quesitos 91.º e 325.º.
Com efeito, conforme explanado no decurso da diligência realizada no dia 11 de março de 2015, no contexto dos testes a efetuar nestes quesitos, nomeadamente na identificação dos níveis de diferenças entre as moradas, os testes automáticos não se revelaram conclusivos, pelo que foi sugerida a utilização de técnicas de amostragem para concluir a avaliação dos mesmos.
Assim, na referida diligência, o Meritíssimo Juiz determinou que os peritos submetessem igualmente à apreciação do Tribunal e das partes a aplicação da metodologia de amostragem aos mencionados quesitos,
Pelos peritos foi, então, submetida a seguinte metodologia de amostragem:
De acordo com a metodologia de amostragem anteriormente proposta
7considerando um universo de 25.621 recusas por motivos de “Morada não corresponde à morada de instalação (só para números geográficos)“, deve ser analisada uma amostra de 647 moradas, as quais devem ser classificadas por tipologias de diferença (e.g. morada igual mas com abreviaturas;
falta código postal, morada totalmente diferente; etc.). Esta análise seria efetuada comparando (i) a morada constante do pedido de portabilidade (ii) a morada de instalação e (iii) a morada de faturação (quando disponível e, se possível, com verificação da data em que foi efetuada a última alteração a este registo – neste caso, para a comparação de dados ser feita com referência ao período temporal relevante para o processo, a data de alteração do registo não poderá ser posterior à data em que o pedido de portabilidade foi colocado).
2.2.3 Aplicação da metodologia de amostragem aos quesitos 90.º e 375.º
Não tendo sido alvo de uma diligência, no decorrer dos trabalhos de perícia, os peritos identificaram duas situações em que consideraram adequado aplicar a metodologia de amostragem:
Quesito 90. Em virtude do teste automatizado ter inconclusivo face à tipologia de diferenças encontradas no mesmo, que resultava em resultados que não conduziam ao mesmo tipo de resultados que um teste manual – muitas vezes devido às abreviaturas.
Quesito 375. Não tendo sido possível relacionar os números de telefone com o cliente, não foi possível realizar um teste por totalidade, pelo que os peritos avançaram para um teste por amostragem.
7
Cfr. documento “Metodologia de Amostragem”, em anexo.
12
ANÁLISE DOS QUESITOS
3.1 Quesito 22
Em Janeiro e em Fevereiro de 2008, a Autora quase duplicou o volume de vendas do serviço de telefone fixo (integrado ou não noutros pacotes), relativamente aos últimos três meses de 2007, conforme se pode verificar pelo seguinte quadro:
Mês Vendas Reais (BI)
out/07 11.156
nov/07 12.626
dez/07 15.725
jan/08 24.171
fev/08 26.585
Total: 90.263
3.1.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar informação relativa aos números totais (totais mensais) de vendas do serviço de telefone fixo da Autora no período relevante (cfr. informação detalhada na folha Q22, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
Para o efeito, foram efetuados dois pedidos de informação à Autora, respetivamente em 10.02.2014 e 10.04.2014, conforme consta do referido anexo.
2. Comparar os dados da BI com a informação disponibilizada pela Autora.
3. Questionar o operador sobre possíveis “diferenças".
Nesse sentido, foi efetuado um pedido de esclarecimentos à Autora em 05.06.2014, conforme consta do mesmo anexo.
3.1.2 Resultado final da análise
Os Peritos identificaram uma diferença de menos 1.823 vendas do Serviço ZON Phone face ao apresentado na BI. A Autora, quando questionada sobre esta diferença, informou que poderá ter decorrido de um lapso na passagem de dados para a Petição Inicial (doravante PI), pelo que o operador deu como válida esta nova extração de dados.
Tendo por base a informação disponibilizada – designadamente a informação prestada pela Autora em 16.05.2014 (cfr. Folha Q22, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf), os Peritos identificaram menos 2.324 vendas em Janeiro de 2008 e mais 501 vendas em Fevereiro de 2008 do que as descritos na BI.
Mês Vendas Reais (BI) Vendas Reais (Pedido Autora) Diferenças
out/07 11.156 11.156 0
nov/07 12.626 12.626 0
dez/07 15.725 15.725 0
jan/08 24.171 21.847 -2.324
fev/08 26.585 27.086 501
Total: 90.263 88.440 -1.823
13
aumento de 28% face ao total de vendas do último trimestre de 2007. Adicionalmente, a média
mensal de vendas dos meses de janeiro e fevereiro de 2008 é 86% superior à média mensal de
vendas registada nos últimos 3 meses de 2007.
14
3.2 Quesito 34
Entre 1 de fevereiro de 2008 e 28 de fevereiro de 2009, a Autora enviou à Ré 184.156 pedidos de portabilidade, distribuídos ao longo dos meses da seguinte forma (listagem constante da base instrutória)
3.2.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré no período em questão.
Para o efeito, foi efetuado um pedido de informação e um posterior pedido de esclarecimento à ER, respetivamente em 10.02.2014 e 05.06.2014 (cfr. Folha Q34, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
2. Contabilizar (somar) o número de pedidos de portabilidade mensalmente colocados pela Autora à Ré para posterior comparação com o total mensal disponibilizado na BI.
3.2.2 Resultado final da análise
No período de referência - entre 1 de Fevereiro de 2008 e 28 de Fevereiro de 2009 - os Peritos identificaram um total de 184.220 pedidos de portabilidade efetuados pela Autora à Ré. Este valor representa uma diferença de 64 pedidos adicionais face ao número total apresentado na BI. Quando questionada sobre esta diferença, a Autora informou não ser possível apurar o motivo associado ao desvio identificado. Adicionalmente, é assumido que possa ter existido uma perda de dados aquando da extração do sistema informático (doravante SI) ou que a informação não estivesse totalmente consolidada. Os peritos não dispõem de quaisquer outros elementos adicionais.
Mês Pedidos de
Portabilidade (BI) Pedidos de Portabilidade (ER) Diferença
fev/08 11.106 11.106 0
mar/08 19.093 19.093 0
abr/08 20.283 20.283 0
mai/08 20.646 20.646 0
jun/08 19.554 19.554 0
jul/08 17.623 17.623 0
ago/08 12.671 12.671 0
set/08 11.516 11.516 0
out/08 12.565 12.565 0
nov/08 10.272 10.272 0
dez/08 10.077 10.077 0
jan/09 10.747 10.811 64
fev/09 8.003 8.003 0
Total: 184.156 184.220 64
Em conclusão, os Peritos identificaram uma diferença de 64 pedidos face à informação
disponibilizada, correspondente ao mês de Janeiro de 2009.
15
A R. passou então a recusar, sistematicamente, um número daqueles pedidos, sem justificações fundadas e de forma totalmente arbitrária?
3.3.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER a informação de todos os pedidos colocados à Ré no período em questão, bem como as respostas enviadas pela Ré à ER para esses mesmos pedidos.
Para o efeito foram efetuados 3 pedidos de informação à ER, respetivamente, em 21/02/2014, 10/04/2014 e 18/07/2014.
2. Verificar a média de rejeições da Ré a pedidos da Autora e comparar com a média de rejeições da Ré a pedidos dos restantes operadores.
3. Tipificar os erros por código de erro e apresentar os resultados organizados por operador e por código de erro.
4. Identificar qual a percentagem de recusas obtida, pela Autora, de cada operador ao qual tenha colocado pedidos de portabilidade.
5. Identificar se todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré e que foram recusados tiveram uma causa de recusa associada.
3.3.2 Resultado final da análise
Os Peritos determinaram que a média de rejeições de pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré, é de aproximadamente 50,5% (93.054 recusas em 184.220 pedidos colocados).
Adicionalmente, verificaram que todas as respostas tiveram uma causa de recusa associada.
Disponibiliza-se em anexo informação mais detalhada relativa a alguns indicadores sobre as recusas, de onde se destaca a seguinte:
• De entre os 13 operadores de telecomunicações que colocaram pedidos de portabilidade à Ré: a Autora fica (i) em 4.º lugar quanto à média de rejeições e (ii) em 9.º lugar quanto ao nº de pedidos aceites.
• De entre os operadores de telecomunicações a quem a Autora colocou pedidos de portabilidade: (i) a Ré é o operador que mais rejeitou pedidos de portabilidade em valor absoluto; (ii) a Ré fica em 2º lugar como operador que mais rejeitou pedidos de portabilidade em valor relativo (média).
Em conclusão, dos elementos disponíveis os peritos inferem o seguinte:
• A média de recusas foi de, aproximadamente, 50,5% do total de pedidos apresentados;
• A todas as recusas esteve sempre associada a devolução de um código a que corresponde uma causa de recusa, nos termos do Regulamento
8e da Especificação, que elencam
8
Cfr. n.º2 do artigo 13.º o PD pode recusar pedidos eletrónicos de portabilidade apenas nos seguintes
casos (sublinhado nosso)
16
respetivamente as causas de recusa do pedido eletrónico de portabilidade e os respetivos códigos de erro. Nesse sentido, as justificações da Ré foram fundadas.
• Porém, a mera invocação de uma causa de recusa legítima à luz do artigo 13.º do
Regulamento, não permite per se concluir pela adequação da respetiva causa ao pedido
rejeitado em análise e que, nesse sentido a recusa não tenha sido arbitrária.
17
No período de 1 de Fevereiro de 2008 a 28 de Fevereiro de 2009, 90.503 clientes oriundos da PTC aderiram aos serviços da ZON (net+voz, “dual-play” (TV e voz), ou “triple-play”,), e solicitaram a portabilidade dos seus números de telefone do serviço fixo da PTC para a ZON?
3.4.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER todos os pedidos colocados pela Autora à Ré no período em questão;
Para o efeito, foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014, solicitando informação da base de dados do sistema de portabilidade (cfr. Folha Q41, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
2. Contabilizar (somar) a quantidade de números de telefone distintos que estão na informação disponibilizada, comparando-o com o total indicado na BI.
3.4.2 Resultado final da análise
Os peritos determinaram que os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré no período em análise são correspondentes a 90.503 clientes (números de telefone) distintos.
Em conclusão: No período em referência, foram colocados pela Ré à Autora, pedidos de
portabilidade de número referentes a 90.503 clientes oriundos da Ré.
18
3.5 Quesito 42
Todos estes clientes assinaram contrato com a ZON, antes do pedido de portabilidade?
3.5.1 Metodologia aplicada
1. Dado o volume de informação a tratar e o tempo necessário à análise exaustiva de todas as situações foi enviado ao tribunal e às partes em 18 Julho 2014 um documento descrevendo a Metodologia de Amostragem para validação/aprovação da metodologia de trabalho.
2. O ficheiro "Metodologia de amostragem" descreve detalhadamente a metodologia utilizada para determinar a dimensão da amostra e para selecionar os contratos a analisar.
3. Foi obtida validação da metodologia proposta no capítulo 2.
4. No dia 25 de Fevereiro de 2015 foi, em reunião presencial nas instalações da autora, selecionada uma amostra de 659 Clientes distintos.
5. Para o universo da amostra foram solicitadas e recolhidas evidências da existência de uma relação contratual entre o Cliente e a autora em momento anterior ao do primeiro pedido de portabilidade a ser colocado pela autora.
6. As evidências foram analisadas e agrupadas por tipologia de situação verificada (documento contratual, relativo à subscrição do serviço telefónico em local fixo ou outro serviço fornecido pela autora, faturação anterior - impressão de écrans do sistema de gestão de clientes SIEBEL da autora que regista nomeadamente os dados de faturação ou ordens de trabalho relativas à realização de operações a um qualquer serviços subscrito pelo cliente).
Da análise das evidências recolhidas verificou-se a existência de 100 casos em que a informação recolhida não permitia uma conclusão. Estes casos foram alvo de novo pedido de informação à autora (ver email de 21 de Setembro de 2015) (cfr. Folha Q42, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
7. A Autora respondeu a este pedido de informação a 25 de Setembro de 2015.
3.5.2 Resultado final da análise
Os Peritos verificaram, relativamente à amostra de 659 casos, diversos documentos que atestavam a existência de uma relação contratual estabelecida com a Autora previamente à data do pedido:
Evidência Apresentada Número de casos Percentual
Documento contratual 240 36,4%
Faturação anterior 145 22,0%
Ordem de trabalho 174 26,4%
Inconclusivo 100 15,2%
Total: 659 100,0%
O resultado foi inconclusivo relativamente a 100 casos (cfr. tabela acima), devido à verificação das seguintes situações:
• Imagem inválida - impossível de abrir (1 caso);
• Número portado em que não foi encontrado qualquer documento associado (1 caso);
19
registar a informação relativa aos diversos clientes) indicando a existência de faturação, mas respeitante a um período posterior ao pedido da portabilidade (3 casos);
• No documento apresentado, não consta o número portado e o nome do cliente não coincide (12 casos);
• No documento contratual, não consta o número portado nem o nome do cliente (1 caso);
• A data de conferência ou de entrada no sistema de Gestão Documental (GD) é posterior à do pedido de portabilidade (82 casos).
Analisada a informação fornecida a 25 de Setembro de 2015 foi possível concluir que, para os 100 casos, existia uma relação contratual com a Autora, atestada na forma de:
Evidência Apresentada Número de casos Percentual
Documento contratual 0 0%
Faturação Anterior 27 27%
Ordem de trabalho 73 73%
Total: 100 100%
Assim, foi possível aferir para 100% da amostra, a existência de uma relação contratual anterior à data do primeiro pedido de portabilidade à ré, tal como demonstrado no quadro abaixo.
Evidência Apresentada Número de casos Percentual
Documento contratual 240 36,4%
Faturação Anterior 172 26,1%
Ordem de trabalho 247 37,5%
Total: 659 100,0%
Em conclusão, os peritos extrapolaram, com um nível de confiança de 99% e com uma margem
de erro de 5%, que todos os 90.503 clientes mantinham algum tipo de relação contratual com a
Autora anteriormente à colocação do pedido.
20
3.6 Quesito 43
Relativamente a estes 90.503 clientes, foram efetuados pela ora A. à ora R. 184.156 pedidos de portabilidade de números de telefone?
3.6.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER a lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré no período em questão.
Para o efeito foi efetuado um pedido de informação à ER, em 21.02.2014 (cfr. Folha Q43 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
2. Contabilizar (somar) o número de pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré no período em análise (no contexto dos 90.503 clientes) e posterior comparação com o número disponibilizado na BI.
Adicionalmente, foi efetuado um pedido de esclarecimentos à Autora, em 5.6.2014 (cfr.
Folha Q43 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
3.6.2 Resultado final da análise
Os peritos identificaram um total de 184.220 pedidos de portabilidade efetuados pela Autora à Ré no período entre 1 de Fevereiro de 2008 e 28 de Fevereiro de 2009. Este valor representa uma diferença de 64 pedidos adicionais face ao número total apresentado na BI. A Autora, quando questionada sobre esta diferença, informou não ser possível apurar o motivo associado ao desvio identificado. Adicionalmente, a empresa admite que, hipoteticamente, possa ter existido uma perda/corrupção de dados aquando da extração do SI ou que a informação não estivesse totalmente consolidada.
Neste contexto, na informação disponibilizada, os peritos identificaram que a diferença de mais 64 pedidos corresponde ao mês de Janeiro de 2009, tal como referido na resposta ao quesito 34.
Em conclusão: Relativamente aos 90.503 clientes a que o quesito se refere, foram efetuados,
pela Autora à Ré, 184.220 pedidos de portabilidade de números de telefone.
21
Os 184.156 pedidos foram distribuídos ao longo do período compreendido entre 1 de Fevereiro de 2008 e 28 de Fevereiro de 2009 da seguinte forma:
Mês Pedidos de
Portabilidade à PTC
fev-08 11.106
mar-08 19.093
abr-08 20.283
mai-08 20.646
jun-08 19.554
jul-08 17.623
ago-08 12.671
set-08 11.516
out-08 12.565
nov-08 10.272
dez-08 10.077
jan-09 10.747
fev-09 8.003
3.7.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER a lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré no período em questão.
Para o efeito, foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014 em 05/06/2014 (cfr. Folha Q44, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf)
2. Contabilizar (somar) do número de pedidos de portabilidade mensalmente colocados pela Autora à Ré no período em análise e posterior comparação com total mensal disponibilizado na Base Instrutória.
Adicionalmente, foi efetuado um pedido de esclarecimentos à Autora em 05/06/2014 (cfr.
Folha Q44, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
3.7.2 Resultado final da análise
Os peritos identificaram que o número total de pedidos de portabilidade colocados mensalmente pela Autora à Ré está de acordo com o descrito na Base Instrutória, com exceção do mês de Janeiro de 2009 em que foram identificados mais 64 pedidos na ER do que os descritos na BI.
Em conclusão, os peritos verificaram que a distribuição dos 184.156 pedidos de portabilidade
ao longo do período compreendido entre 1 de Fevereiro de 2008 e 28 de Fevereiro de 2009,
descrita na BI está de acordo com os dados disponibilizados pela ER, com exceção do mês de
Janeiro que apresenta uma diferença de 64 pedidos.
22
3.8 Quesito 45
Destes 184.156 pedidos a PTC rejeitou, durante o mesmo período - 1 de Fevereiro de 2008 a 28 de Fevereiro de 2009 - um total de 93.064 pedidos?
3.8.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré durante o período em análise.
Para o efeito foi efetuado, em 10.02.2014, um pedido s de informação à ER (cfr. Folha Q45, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
2. Contabilizar o número de pedidos colocados pela Autora à Ré que tiveram como resposta o valor "Rejected".
3. Solicitar à Autora uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré e a resposta obtida pela Ré ao pedido.
Para o efeito foi efetuado um pedido de informações à Autora, em 10.02.2014.
4. Contabilizar o número de pedidos colocados pela Autora à Ré que tiveram como resposta o valor "Rejected"
3.8.2 Resultado final da análise:
Os peritos determinaram que, dos 182.200 pedidos colocados pela Autora à Ré, 93.064 foram rejeitados.
Em conclusão, os peritos verificaram que dos pedidos de portabilidade submetidos pela Autora
à Ré no período de referência - 1 de Fevereiro de 2008 a 28 de Fevereiro de 2009 - a Ré rejeitou,
durante o mesmo período, um total de 93.064 pedidos.
23
Os pedidos de portabilidade rejeitados supra referidos são os que de seguida se discriminam?
3.9.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré durante o período em análise.
Para o efeito, foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014 (cfr. Folha Q46 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf)
2. Comparar os pedidos disponibilizados pela ER com a informação incluída no quesito 46 da BI.
3. Adicionalmente, em 05.06.2014, foi efetuado um pedido de esclarecimentos à Autora (cfr.
Folha Q46 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
3.9.2 Resultado final da análise
Os peritos verificaram que todos os pedidos documentados no quesito 46 da BI são relativos a pedidos rejeitados pela Ré durante o período em análise. Identificaram também que 237 dos pedidos que foram rejeitados pela Ré não estão incluídos na BI, pois esta apenas documenta informação relativa a 92.827 pedidos.
Na Folha Q46 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf é apresentado um quadro contendo os 237 pedidos que não foram incluídos na BI e relativamente aos quais a Autora respondeu não ser possível apurar o motivo dessa não inclusão.
Em conclusão, todos os pedidos de portabilidade incluídos na BI correspondem a pedidos
rejeitados pela Ré durante o período de referência mas não esgotam esse universo (faltam 237
pedidos que foram igualmente rejeitados e não constam da BI).
24
3.10 Quesito 47
Em Fevereiro de 2008 a A. efectuou à R. 4.545 pedidos de portabilidade;
Em Março de 2008 a A. efectuou à R. 9.856 pedidos de portabilidade;
Em Abril de 2008 a A. efectuou à R. 8.121 pedidos de portabilidade;
Em Maio de 2008 a A. efectuou à R. 18.138 pedidos de portabilidade;
Em Junho de 2008 a A. efectuou à R. 8.615 pedidos de portabilidade;
Em Julho de 2008 a A. efectuou à R. 8.200 pedidos de portabilidade;
Em Agosto de 2008 a A. efectuou à R. 6.124 pedidos de portabilidade;
Em Setembro de 2008 a A. efectuou à R. 4.908 pedidos de portabilidade;
Em Outubro de 2008 a A. efectuou à R. 5.811 pedidos de portabilidade;
Em Novembro de 2008 a A. efectuou à R. 4.824 pedidos de portabilidade;
Em Dezembro de 2008 a A. efectuou à R. 5.153 pedidos de portabilidade;
Em Janeiro de 2009 a A. efectuou à R. 4.996 pedidos de portabilidade;
Em Fevereiro de 2009 a A. efectuou à R. 3.773 pedidos de portabilidade?
3.10.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré durante o período em análise, incluindo o estado de cada pedido.
Para o efeito foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014 (cfr. Folha Q47 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf)
2. Contabilizar o número mensal de pedidos rejeitados.
3.10.2 Resultado final da análise:
Os peritos verificaram que o número total de pedidos de portabilidade efetuados pela Autora à Ré difere dos totais apresentados no quesito 47 da BI (184.220 pedidos efetuados de acordo com a informação da ER e apenas 93.064 pedidos indicados no quesito da BI).
No entanto, considerando o contexto e o número de casos apresentados, os peritos deduzem tratar-se de um lapso no quesito da BI, o qual, com os números apresentados, deveria referir-se a pedidos recusados (e não a pedidos efetuados).
Com este pressuposto, pode verificar-se que a distribuição mensal das 93.064 rejeições registadas na ER é coincidente com a que se encontra documentada na BI (ver quadro constante da folha Q47 do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
Em conclusão: A distribuição mensal de pedidos constante do quesito 47 – entre fevereiro de
2008 e fevereiro de 2009 – de acordo com a informação recolhida pelos peritos junto da ER,
25
de pedidos efetuados. Com esse pressuposto, os números e a distribuição mensal referidos na BI foram verificados pelos Peritos, conforme o quadro abaixo.
Mês Pedidos Efetuados pela ZON à PTC
Pedidos de Portabilidade Recusados pela ZON (BI)
Diferença (Pedidos Efetuados)
Pedidos Recusados (ER)
Diferença (Pedidos Recusados)
fev-08 11.106 4.545 6.561 4.545 0
mar-08 19.093 9.856 9.237 9.856 0
abr-08 20.283 8.121 12.162 8.121 0
mai-08 20.646 18.138 2.508 18.138 0
jun-08 19.554 8.615 10.939 8.615 0
jul-08 17.623 8.200 9.423 8.200 0
ago-08 12.671 6.124 6.547 6.124 0
set-08 11.516 4.908 6.608 4.908 0
out-08 12.565 5.811 6.754 5.811 0
nov-08 10.272 4.824 5.448 4.824 0
dez-08 10.077 5.153 4.924 5.153 0
jan-09 10.811 4.996 5.815 4.996 0
fev-09 8.003 3.773 4.230 3.773 0
Total: 184.220 93.064 91.156 93.064 0
26
3.11 Quesito 48
Para além dos pedidos rejeitados, a PTC não deu resposta a 7.899 pedidos (Timeout), o que equivale a recusa de portabilidade?
3.11.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré durante o período em análise, incluindo o estado de cada pedido.
Para o efeito foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014
2. Contabilizar o número de registos desta informação cujo estado está em timeout.
3.11.2 Resultado final da análise:
Os peritos contabilizaram 7.899 pedidos colocados pela Autora à Ré com o estado de timeout, o que corresponde ao número descrito no quesito 48 da BI.
O designado timeout configura a ausência de uma mensagem de resposta
9, pelo PD, a um pedido de portabilidade apresentado de forma eletrónica pelo novo prestador, dentro dos prazos estipulados no Regulamento (cfr. n.º 7 do artigo 12.º do Regulamento
10).
Os casos de timeout, consubstanciando erros no processo (tem um código de erro associado que é o “234”), não podem considerar-se recusas de portabilidade. Com efeito, as recusas do pedido de portabilidade carecem de fundamentação e as causas de rejeição estão taxativamente elencadas no artigo 13.º do Regulamento. Ou seja, nos termos do Regulamento, perante um pedido de portabilidade, o PD deve aceitá-lo ou rejeitá-lo (recusá-lo), neste último caso invocando um dos fundamentos do artigo 13.º (os quais são taxativos). O não envio qualquer resposta (situação de timeout) constitui um terceiro género, diferente da recusa e da aceitação do pedido.
Em conclusão, os Peritos verificaram 7.899 pedidos colocados pela Autora à Ré com o estado de timeout. O timeout conduz à necessidade de efetuar um novo pedido de portabilidade e, nesse sentido, pode equiparar-se a uma “não-aceitação” do pedido, com todas as consequências daí inerentes. Porém, em rigor, não equivale a uma rejeição/recusa do mesmo.
9
O PD valida e aceita o pedido de portabilidade concorda na utilização de uma das janelas sugeridas pelo PR enviando uma mensagem de confirmação dentro de um tempo limite estabelecido (identificado como T3 na Especificação de Portabilidade). Dentro desse mesmo tempo limite, o PD poderá, em alternativa, enviar uma mensagem de rejeição, indicando o motivo dessa rejeição. Quando não ocorre qualquer resposta dentro desse tempo estabelecido verifica-se um erro, categorizado entre os “Erros de processo e de fluxo” com o número 234 e designado habitualmente por “timeout”.
10
«O PD deve responder ao pedido eletrónico de portabilidade submetido pelo PR no prazo máximo de 2
dias úteis com a aceitação de uma das janelas propostas ou a recusa fundamentada do pedido eletrónico
de portabilidade, nos termos do n.º 2 do artigo 13.º».
27
Os pedidos sem resposta supra referidos são os que a seguir se discriminam?
3.12.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré durante o período em análise, incluindo o estado de cada pedido.
Para o efeito foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014 (cfr. Folha Q49, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
2. Comparar os pedidos incluídos na BI com os pedidos disponibilizados pela ER e que têm o estado de timeout.
3. Adicionalmente, em 05.06.2014, foi feito um pedido de esclarecimentos à Autora (cfr. Folha Q49, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
3.12.2 Resultado final da análise:
Todos os 7.893 pedidos de Portabilidade incluídos na listagem do quesito 49 da BI encontram- se registados na informação da ER com o estado de timeout.
Para além destes, os peritos contabilizaram mais 6 (seis) pedidos com o estado de timeout nas tabelas da ER e que não estão incluídos na BI (cfr. Folha Q49, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
A Autora quando questionada sobre esta diferença informou não ser possível apurar o motivo associado ao desvio identificado. Adicionalmente, a empresa admite que, hipoteticamente, possa ter existido uma perda/corrupção de dados aquando da extração do SI ou que a informação não estivesse totalmente consolidada.
Em conclusão, os 7.893 pedidos de portabilidade listados na BI correspondem a pedidos sem
resposta durante o período de referência mas não esgotam esse universo (faltam 6 pedidos que
não tiveram igualmente resposta e não constam da BI).
28
3.13 Quesito 50
Ou seja, dos 184.156 pedidos de portabilidade que a ZON efectuou à PTC, esta não concretizou um total de 100.963 pedidos, mensalmente repartidos pela forma que resulta do quadro seguinte?
Mês Rejeições e ausência de resposta da PTC
Fev – 08 5.099
Mar – 08 10.079
Abr – 08 11.514
Mai – 08 18.306
Jun – 08 9.751
Jul – 08 8.260
Ago – 08 6.536
Set – 08 6.133
Out – 08 5.833
Nov – 08 4.852
Dez – 08 5.524
Jan – 09 5.234
Fev – 09 3.842
3.13.1 Metodologia aplicada
1. Solicitar à ER uma lista com todos os pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré durante o período em análise, incluindo o estado de cada pedido.
Para o efeito foi efetuado um pedido de informação à ER, em 10.02.2014 (cfr. Folha Q50, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf)
2. Contabilizar o número de pedidos de portabilidade colocados mensalmente pela Autora e que não foram aceites pela Ré (com estado do pedido igual a 'Rejected' ou 'Timeout')"
3.13.2 Resultado final da análise
Os peritos contabilizaram 100.963 pedidos de portabilidade colocados pela Autora à Ré que não foram concretizados - com o estado de 'Rejected' ou de 'Timeout' - e com a repartição mensal semelhante à indicada no quesito 51 da Base Instrutória (cfr. tabela constante da folha Q50, do Anexo Peritagem ZonPT Quesitos.vf).
Em conclusão, os Peritos confirmaram o número de pedidos não concretizados constante na
BI, bem como a respetiva repartição mensal.
29
Rejeições e ausência de resposta no período Fevereiro 2008 a Fevereiro 2009
02/08 03/08 04/08 05/08 06/08 07/08 08/08 09/08 10/08 11/08 12/08 01/09 02/09 Total:
5.099 10.079 11.514 18.306 9.751 8.260 6.536 6.133 5.833 4.852 5.524 5.234 3.842 100.963