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Progressão tematica : uma proposta de abordagem de textos dissertativos

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Academic year: 2021

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(1)

P R O G R A M A D E P Ó S - G R A D U A Ç Ã O E M L E T R A S

P R O G R E S S Ã O T E M Á T I C A : U M A P R O P O S T A D E A B O R D A G E M D E T E X T O S D I S S E R T A T I V O S

Dissertação apresentada à

Universidade Federal de Santa Catarina para obtenção do grau de

Mestre em Letras (área de

concentração: Lingüística Aplicada) pela aluna

NEIVA HURKO VALDEZ

(2)

Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de

MESTRE EM LETRAS

Área de Concentração: Lingüística Aplicada

Prof. Dr. Carlos Mioto Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Lingüística

Profa. D r ai-^Hilda Gomes Vieira Orientadora

Apresentada à Banca Examinadora:

Profa. D r a^xHilda Gomes Vieira Presidente

______________1 í M j £l ________ Profa. D r a. Maria Marta Furlanetto

£*Tr~fi

(3)

Para Rixard, Alice e Luiz Carlos, Meus grandes incentivadores.

Para José Carlos, Meu motivo maior. Para Rafael Eduardo,

que mesmo antes de nascer já faz parte dessa conquista.

(4)

Agradecimentos

Para a execução deste trabalho muitas pessoas

contribuiram significativamente, ou com o carinho da

amizade ou com o conhecimento compartilhado.

Na impossibilidade de nomear a todos agradeço

especialmente

à professora Hilda, que releu tantas vezes meu

trabalho e sempre com dedicação;

à Suzana, secretária do curso de Pós-Graduação;

à amiga Bernardete, companheira e amiga em todos os momentos ;

à amiga Rosana, que sempre acreditou que eu venceria; à amiga Rosi, que sempre me abriu as portas de sua casa e de seu coração;

aos colegas e professores do curso de Mestrado, pelos momentos de amizade vividos principalmente durante a viagem a São Gabriel da Cachoeira.

(5)

SUMARIO

ÍNDICE DE QUADROS E ESQUEMAS vii

RESUMO viii

ABSTRACT ix

INTRODUÇÃO 1

1. REVISÃO DA LITERATURA 4

1.1 Os termos progressão temática e progressão textual 5

1.1.1 Henrique Bernárdez 5

1.1.2 Frantisek Danes e Ingedore Koch 5

1.1.3 Michael Charolles

1 1

1.1.4 van Dijk 12

1.1.5 Bernard Combettes 12

1.2 Distinção entre coesão seqüencial frástica e

parafrástica e sua relação com a progressão 13

1.3 A construção da textualidade: um aspecto da

teoria semântica argumentativa 14

1.4 Manuais de redação: uma referência mínima ao

termo progressão 2 0

1.4.1 Maria Teresa Serafini 21

1.4.2 José Luiz Fiorin e Platão Savioli 22

1.4.3 Francisco Moura 23

1.4.4 Branca Granatic 24

1.4.5 Ulisses Infante 26

1.5 Definição dos elementos envolvidos na segmentação do texto 27

2. METODOLOGIA 32

2.1 Parâmetros de seleção do corpus 32

2.2 A segmentação do texto e os níveis de análise 33

2.3 A segmentação do texto e os subtemas e as

ampliações temáticas 36

2.4 Esquemas progressivos representativos de cada texto 37

(6)

3 . ANÁLISE DA PROGRESSÃO TEMÁTICA DE TEXTOS DO CORPUS 54

3.1.Análise da progressão de textos com nota 2,0 60

3.1.1 Nota 2,O/Texto 04/0 Brasil amanhã 60

3.1.2 Nota 2,0/Texto 07/0 mundo e a ordem louca 62

3.2 Análise da progressão de textos com nota 3,0 64

3.2.1 Nota 3,0/Texto 24/A Violência com a Droga 64

3.2.2 Nota 3,0/Texto 38/Metamorfoses mundiais 66

3.3 Análise da progressão de textos com nota 4,0 68

3.3.1 Nota 4,0/Texto 49/0 mundo em que vivemos 68

3.3.2 Nota 4,0/Texto 46/Os problemas do mundo 70

3.4 Análise da progressão de textos com nota 5,0 72

3.4.1 Nota 5,0/Texto 59/Mundo Hoje 72

3.4.2 Nota 5,0/Texto 56/A luta pelos nossos direitos 74

3.5 Análise da progressão de textos com nota 0,6 76

3.5.1 Nota 6,0/Texto 66/Transformações no mundo 76

3.5.2 Nota 6,0/Texto 67/Como entender o mundo? 78

3.6 Análise da progressão de texto com nota 7,0 80

3.6.1 Nota 7,0/Texto 68/Volta ao começo 80

3.7 Análise da progressão de textos com nota 8,0 82

3.7.1 Nota 8,O/Texto 70/0 mundo que se transformou 82

3.7.2 Nota 8,O/Texto 71/A civilização atual 84

3.8 Análise da progressão de textos com nota 9,0 86

3.8.1 Nota 9,O/Texto 76/ A era high tech 86

3.8.2 Nota 9,0/Texto 77/Educação e desenvovimento 88

3 .9 Sobre as notas atribuídas aos textos na nova análise 90

CONCLUSÃO 93

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 97

ANEXO I - A FOLHA DA PROVA DE REDAÇÃO 100

ANEXO II - OS TEXTOS DO CORPUS SEGMENTADOS EM DOIS NÍVEIS

(7)

ÍNDICE DE QUADROS E ESQUEMAS

Quadro 1 - A progressão temática segundo Danes e Koch 6

Quadro 2 - texto 28/ Século XX: Alienação x Humanismo 31

Esquema 1 - Progressão temática de texto dissertativo 9

Esquema 2 - Exemplo de progressão textual segundo Serafini 22

Esquema 3 - A argumentação dentro do texto dissertativo segundo

Granatic ' 25

Esquema 4 - 0 nível 1 de análise 33

Esquema 5 - Os níveis 1 e 2 de análise 34

(8)

Este trabalho apresenta um estudo sobre textos

dissertativos, partindo do pressuposto de que há uma falta de

conhecimento, por parte do professor, do que seja progressão

temática. Esse desconhecimento causa dificuldades,

principalmente, no momento em que o professor precisa avaliar o texto de seus alunos.

Assim, o objetivo deste trabalho é estudar a progressão textual em redações de vestibular e propor uma metodologia que auxilie na abordagem (escrita, avaliação e reconstrução) de textos dissertativos através de sua organização temática. A proposta é desenvolvida com o auxílio da teoria da Lingüística Textual.

As características básicas da metodologia proposta são a

segmentação em níveis de análise e a esquematização da

progressão temática dos textos. A segmentação dos textos e conseqüentemente o estudo da progressão baseiam-se na relação que os segmentos do texto estabelecem entre si através dos operadores argumentativos.

A viabilidade da proposta é demonstrada com a esquematização da progressão temática de setenta e sete textos dissertativos (tendo como modelo, devidamente adaptado, a teoria

da organização tópica da conversação) e pelo estudo da

progressão temática de dezessete desses textos.

O estudo da progressão temática, nesses termos, permitiu

concluir que cada texto apresenta seu próprio esquema

progressivo, impossibilitando a enumeração limitada de tipos de

esquemas. Também aponta para a importância de se possuir

critérios bem definidos quando da avaliação de um texto uma vez que o textos analisados puderam ter suas notas alteradas para mais ou para menos.

(9)

ABSTRACT

This work presents a study on students' compositions, starting from the assumption that there is a lack of knowledge, on the teachers' part, of what theme progression is, which causes difficulties, mainly when he/she has to evaluate his/her students' texts.

So, the objective of this work is to study the textual progression in somo pre-entrance examination compositions and there propose a methodology that can be of help for aproaching such kind of work through its theme organization. The proposal is based upon the Textual Linguistics theory.

The basic characteristics of the suggested methodology

are: the text segmentation in analysis levels and the

schematization of the text theme progresion, both based on the relation the text segments establish among themselves through cohesion words.

The proposal feasibility is demonstrated by means of the theme progression schematization of seventy-seven compositions (having the conversation topic organization theory as an adapted model) and by the study of the theme progresion of fifteen of those texts .

Such theme progression study made us conclude that each text has its own progression scheme and that no limited enumeration of kinds of schemes is possible. It also showed the importance of having well defined criteria for text evaluation since the grade of every composition analysed could have been altered up or downwards.

(10)

Uma das maiores dificuldades do professor de redação é avaliar os textos produzidos por seus alunos. A complexidade desta tarefa impede a melhoria do desempenho dos alunos na sua produção escrita.

A avaliação dos textos está normalmente vinculada a uma correção restrita, limitada (na sua maioria) a aspectos como acentuação, ortografia, pontuação, apresentação do texto, enfim, aspectos que não permitem avaliar o texto como a totalidade semântica a que se refere Pécora (1992) :

"(...) ser alfabetizado nesse nível, isto é, dominar as normas específicas de escrita,

se é uma condição absolutamente necessária para

que o aluno possa se propor à tarefa de escrever,

está longe de ser suficiente para que ele

realmente desenvolva uma redação, forme um texto,

instaure um discurso escrito. Para tanto, é

preciso que o virtual produtor domine todos aqueles elementos que, no interior de uma redação,

permitem que ela seja reconhecida como uma

totalidade semântica e não só como um conjunto

aleatório de fragmentos isolados. " (p. 58-59)

Na verdade, o problema das aulas de redação é bem mais abrangente. Há uma necessidade, tão urgente e tão importante quanto a que me preocupa neste trabalho, de que o professor transforme suas aulas de redação em aulas onde o aluno perceba que "escrever é uma prática social, fruto da interação e ponte de intercessão com este mundo. Se o homem é social, se a consciência é social, escrever não é diferente." (Venturelli, 1992)

(11)

Neste trabalho, parto do pressuposto de que uma das dificuldades em avaliar textos existe por falta de conhecimento, por parte do professor, do que seja progressão temática, um dos

mecanismos que, segundo Ingedore Koch (1990), constitui-se em

fator de coesão textual.

Porém são poucos e bastante teóricos os estudos nesta área. A progressão temática estabelecida pela dicotomia tema/rema segue

critérios sintático-discursivos e não permite determinar a

progressão do tema do texto com o auxílio, por exemplo, dos conectores (elementos que determinam relações dentro do texto). Não há um estudo que demonstre a organização temática da escrita da mesma forma que já se pode estabelecer a organização tópica da fala1.

Portanto, o objetivo deste trabalho é estudar a progressão

temática em redações de vestibular e propor uma metodologia que auxilie na abordagem (escrita, avaliação e reconstrução) de textos dissertativos através de sua organização temática.

A construção dessa proposta metodológica será orientada segundo as teorias da Lingüística Textual.

Escolhi redações de vestibular por acreditar que nesta fase o

candidato/redator apresentaria um texto mais refletido e

organizado, fruto de sua história de aprendizagem de elaboração de textos.

O estudo da progressão temática nesses termos, permitirá verificar as seguintes hipóteses: a) é possível que exista outra forma de se esquematizar a progressão temática do texto sem a utilização da dicotomia tema/rema; b) uma vez que a dificuldade

maior do professor é avaliar um texto e conseqüentemente

atribuir-lhe uma nota, após estudo da progressão temática dos textos será possível reavaliar textos com alteração dessa nota para mais ou para menos; c) é possível que, após esquematização dos setenta e sete textos, sejam identificados cerca de cinco esquemas básicos.

1 KOCH, Ingedore G. Villaça. (1992) . A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto.

(12)

Existem várias maneiras de se definir o termo 'progressão' de acordo com a teoria ou o lingüista que se consulte. Também há

lingüistas que se referem à progressão temática, enquanto outros

se referem à progressão textual e à progressão discursiva.

Para um conhecimento de definições de progressão e de seus tipos, o primeiro capítulo apresentará a abordagem do assunto

feita por lingüistas como Enrique Bernárdez (1982), Frantisek

Danes (apud Bernárdez,1976), Ingedore Koch (1990), Charolles

(1978), van Dijk (1980) e Combettes (1986).

Como a progressão temática aparece em manuais de redação utilizados por alunos e professores, também será apresentado o enfoque dado à progressão por autores como Platão Savioli e José

L. Fiorin (1990), Francisco Moura (1992), Branca Granatic (1992) e

Ulisses Infante (1991) .

Só se pode estudar a progressão do texto após o conhecimento de sua organização temática. Assim, o segundo capítulo abordará, primeiramente, a noção de macroestrutura como um dos níveis estruturais de organização textual de acordo com a teoria de van Dijk (1980), e a definição de termos como 'supertema', 'quadros

temáticos', 'subtemas' e 'ampliações temáticas'.

Em seguida, segundo teoria formulada por Ingedore Koch

(1990), serão abordados os mecanismos de seqüenciação frástica e

parafrástica presentes na construção da progressão temática do texto.

0 terceiro capítulo tem sua importância devido à descrição do critério de segmentação dos textos e o estabelecimento de dois níveis de análise. Neste capítulo serão apresentados os esquemas possíveis de organização temática.

0 quarto capítulo traz exemplos de análises das dissertações do corpus, empregando a metodologia apresentada nos capítulos anteriores.

Finalmente, serão feitas as conclusões e recomendações que se inferem deste trabalho.

(13)

1. REVISÃO DA LITERATURA

Admitem-se dois tipos de progressão: progressão temática e progressão textual. A progressão temática utiliza-se da dicotomia

tema/rema. Já a progressão textual, segundo Koch (1990), diz

respeito ao desenvolvimento ou avanço do texto, compreendendo todos os fenômenos utilizados para fazer o- texto progredir. Apresento os dois tipos de progressão a fim de poder esclarecer o porquê de a teoria da progressão textual adaptar-se melhor ao tipo

de texto que faz parte do corpus desta pesquisa. Em outras

palavras, o objetivo desta revisão de literatura é apresentar algumas teorias que abordam a progressão do texto a fim de tornar

claros os conceitos utilizados na análise das redações. É

importante ressaltar, pois, que nenhuma teoria fornece sozinha todos os parâmetros de análise que utilizei nos textos a fim de detectar-lhes o funcionamento da progressão, porque a diversidade e a originalidade do material produzido pelo aluno requerem o conhecimento de vários estudos já feitos nessa área.

Como as teorias aqui apresentadas refletem o ponto de vista de quem as elabora, utilizarei, nesta revisão de literatura, a terminologia adotada por cada um dos lingüistas mencionados.

Inicio por Bernárdez (1982) e por Danes (apud Bernárdez). Por

haver identidade entre o esquema de progressão temática proposto

por Danes e que é retomado por Koch (1990) . Charolles (1978) , van

Dijk (1980) e Combettes (1986) e uma abordagem da teoria de Koch (1990) sobre progressão textual finaliza a primeira parte deste capítulo. Em seguida, apresento um estudo feito sobre o termo

(14)

'progressão' de maneira geral (pois os autores não deixam claro a que tipo de progressão estão se referindo) nos manuais de redação atualmente em uso por professores e alunos de Língua Portuguesa

nas principais escolas e na Universidade Federal de Santa

Catarina, em Florianópolis, e nas principais escolas e na

Universidade Estadual do Centro-Oeste em Guarapuava (PR).

1.1 Os termos progressão temática e progressão textual

1.1.1 Henrique Bernárdez

Para Enrique Bernárdez, o esquema do desarrollo informativo de um texto envolve duas etapas: "introdução de um elemento que vai servir de início e meio da comunicação e desarrollo do mesmo por meio da transmissão de informações novas sucessivas acerca

desse objeto já conhecido". Observe-se a referência a dois

elementos básicos: a introdução de um elemento (elemento que será início e meio da comunicação) e o desenvolvimento desse elemento

(através de informações novas e sucessivas). Quando se observa

progressão temática através da dicotomia tema/rema (ou

tópico/comentário) torna-se claro o jogo de informações novas e sucessivas, pois o texto não pode ser apenas um acréscimo de informações novas, com o risco de comprometer a comunicação.

Concorda-se, pois, com Van Dijk (1992), quando afirma que

uma maneira proeminente de se organizar a estrutura informacional do discurso é a distinção, nos limites da semântica de cada sentença, entre a função de um tópico e de um comentário.

1.1.2 Frantisek Danes e Ingedore Koch

Danes (apud Bernárdez, 1982), utilizando a terminologia

'progressão temática' (temáticka poslopnost) define-a como "modelo parcial da estrutura (comunicativa) do texto." (p.127)

A partir de critérios próprios, estabelece possibilidades de progressão temática sendo que esta representa a "armazón del

(15)

conección de los temas(...), su interrelación y jerarquia(...), sus relaciones con los fragmentos de texto y con el conjunto textual, así como com la situación." (p. 128) Esta definição é

mui to importante porque dá ênfase a termos como concatenação e

conexão de temas, termos esses que evidenciam a importância de se elaborar um texto progressivamente bem construído e a importância de se identificar como se estabelece a conexão entre os temas.

Danes estabelece quatro tipos de progressão temática que são retomados e exemplificados por Koch (1990) como um dos mecanismos de seqüenciação frástica.

Observe-se, no quadro a seguir, na coluna da direita, o esquema proposto por Koch, e na coluna da esquerda, o esquema proposto por Danes.

Quadro 1 - A progressão temática segundo Danes e Koch

Danes Koch

A.O rema de uma proposição se converte em tema da seguinte,

A. Progressão temática linear quando o rema de um enunciado passa a tema de um enunciado seguinte, o rema deste a tema do seguinte, e assim sucessivamente.

Exemplo:

A "Eneida" é um poema êpico. Os poemas épicos contêm longas narrativas. Tais narrativas incluem sempre elementos convencionais. Um deles é a figura do herói. 0 herói representa os ideais de uma nação.

Esquema: A --- > B B -- > C C -- > D

(16)

ma, são acrescentadas, em cada enunciado, novas informações remáticas.

Exemplo:

0 cão é um animal mamífero e quadrúpede. Ele tem o corpo coberto de pêlos. 0 cão é um excelente guarda para nossas casas. (0) É um animal muito fiel.

Esquema: A --- > B A --- > C A --- > D A --- > E C.O rema se reinterpreta como

composto por dois ou mais elementos, e cada um deles se vai utilizando sucessivamente como novo tema,

C. Progressão por desenvolvimento de um rema subdividido - desenvolvimento das partes de um rema superordenado. Exemplo :

0 corpo humano divide-se em cabeça,tronco e membros. A cabeça é formada de crânio e face. 0 tronco compõe-se de tórax e abdômen. Os membros são os superiores e os

inferiores.

Esquema: A --> B(=B1+B2+B3. . . ) BI ---> C

B2 -- > D B3 -- > E D. Toma-se um tema diretamente

do contexto, isto é, o elemento tematizado não é um rema anterior,

D. Progressão com tema derivado quando, de um "hipertema", derivam-se temas parciais.

Exemplo :

0 Brasil é o maior pais da América do Sul. A região norte é ocupada pela bacia Amazônica e pelo planalto das Guianas. A região nordeste caracteriza-se, em grande parte, pelo clima semi-árido. As regiões sul e sudeste são altamente industrializadas.

Esquema : A

Al --> B A3 --> D A2 --> C

(17)

E. ---- E. Progressão com salto temático - quando há omissão de um segmento intermediário da cadeia de progressão temática, deduzível facilmente do contexto

Exemplo:

Toda epopéia contém elementos convencionais. Um desses elementos é o herói. = = Representante dos ideais de uma nacionalidade, passa por uma série de peripécias e acaba sendo glorificado.

Esquema : A -- > B B -- =. C

D ---> E

Com relação aos exemplos utilizados, observa-se que a noção de progressão temática, ligada à noção tema/rema desenvolvida pela

escola linguística de Praga, é apresentada com esquemas

construídos com base na identidade referencial dos elementos o que, segundo Van Dijk, "não são suficientes para estabelecer a

coerência". Demonstra a inaceitabilidade de uma sequência em quase

todos os contextos, mesmo ela possuindo relações semânticas entre suas proposições subjacentes. Em Texto e Contexto (1980) o autor discute um exemplo semelhante:

" Compré esta máquina de escribir en Nueva York. Nueva York es una gran ciudad de USA. Las grandes

ciudades a veces tienen serios problemas

financeiros...".(p. 221)

Comenta o autor que seqüências deste tipo podem ser consideradas talvez somente como linearmente coerentes, mas, em outro nível de compreensão, elas não têm sentido devido à falta de um tópico específico de conversação.

Os mesmos tipos de progressão temática transcritos nas páginas anteriores (Quadro 1) podem ser encontrados em trabalhos

(18)

de Lingüística Textual2 , variando apenas a denominação dos elementos da análise: ao invés de letras A,B,C..., são utilizadas as letras T (tema) e R (rema) acompanhadas de uma seqüência numérica. Observe-se o exemplo:

Esquema 1 - Progressão temática de texto dissertativo

§7 - > R 2 ■ > R 3 - > R 4 - > R 6 - > R 7 5 /X V T 10 ' -> - > R 10 \j/ T 11 12 13 ■ > R 11 ■ > R 12 " > R13 14 14

Este esquema corresponde ao seguinte texto:

Um dos maiores problemas sociais [Tl] da atualidade é o alto índice de criminalidade e violência [Rl].

A segurança [T2J é pouca [R2]e a desconfiança [T3] de um ser humano para outro é elevada [R3] .

A sociedadade [T4 (Tl)] toma então uma atitude de defesa através do combate policial, aumento de penitenciárias ,

Monografia escrita por Erotilde G. Pezatti Martin et. alii. sob o título "Dissertação - Diagnóstico das dificuldades na produção e as limitações da avaliação tradicional".

(19)

numa cômoda posição de punição dos criminosos, sem a consciência de que eles são frutos de sua própria desestruturação [R4] .

Nenhum homem em condições econômicas e sociais satisfatórias [T5] rouba ou usa de violência arbitrariamente [R5] . Cada criminoso é [T6], principalmente, um ser humano com carência não só material mas sim, de sentimentos necessários a sua formação moral [R6] .

A falta de organização social [T7(R4)] leva ao abandono milhares de crianças que são lançadas à rua sem terem condições para isso [R7]. Falta- lhe [T8(R7)] alimentos, educação, apoio, compreensão e amor [R8] e essa falta

[T9] torna-se agressiva, [Til] revoltada por não ter aquilo que muitas crianças possuem e foi-lhe, inexoravelmente negado : o amor [R9] .

Essa criança [T12(R7)] cresce levando consigo o sentimento amargo da injustiça [RIO]. Rouba [Rll], mata [R12], talvez por querer que os outros soframtudo o que sofreu, sem ao menos uma razão

[R13]. Apoiando uma criança abandonada, [Tl 3] a sociedade não está apenas suprindo as necessidades vitais de um ser humano [T14]mas evitando que um dia ele cobre, à força, o gue lhe foi negado

[R14] .

O comentário sobre a progressão temática do texto, feito pelas autoras, resume-se nas seguintes constatações: a) o texto possui a manutenção do tema e a sua progressão semântica; b) a

tematização se repete, progredindo semanticamente, sem o

aparecimento de elementos contraditórios ; c) as idéias que ele

enuncia são percebidas como congruentes no tipo de mundo

reconhecido tanto pelo locutor quanto pelo interlocutor.

A análise da progressão do texto, feita pela esquematização dos temas e remas, está centrada na frase. Para a análise de textos como esse, proponho uma segmentação mais ampla, a nível macroestrutural (selecionando os subtemas do texto representativos

(20)

deste nível) que possibilite ao aluno entender a estrutura de seu texto e melhorá-la quando necessário.

1.1.3 Michael Charolles

Charolles(1978), referindo-se aos níveis de organização

textual, afirma que a coerência de um texto pode ser vista a nível

microestrutural (coerência linear ou seqüencial) e a nível

macroestrutural (coerência global). Define, por um lado, coerência

linear ou seqüencial como relações de coerência mantidas entre proposições expressas por orações compostas e sequências de orações e, por outro lado, define coerência global como relações que se estabelecem entre as sequências consecutivas.

Das suas quatro meta-regras ( de repetição, de progressão, de

não contradição e de relação), a de progressão diz que:" Para que

um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente

coerente é preciso que haja no seu desenvolvimento uma

contribuição semântica constantemente renovada."

Independentemente da qualidade, os textos, de uma maneira geral, devem apresentar, em sua macroestrutura, essa renovação, pois a presença da progressão temática é condição elementar para o entendimento do texto, uma vez que o ato de comunicar supõe

"alguma coisa a dizer".

É importante observar que a maneira como aparece a informação nova num texto coerente não é casual, pois, segundo Charolles, de acordo com essa distribuição, pode-se produzir, num momento, um texto de progressão temática constante com um fundo de referência contínuo, ou, em outro momento, um texto de progressão linear com um fundo de referência derivado.

Estudos sobre a articulação tema/rema fornecem exemplos de percursos progressivos sendo que a introdução de elementos que fornecem informação semanticamente nova deve obedecer a regras e "faz-se de maneira programada na seqüência de elementos já conhecidos". Isso num texto bem formado, pois, em certos textos,

(21)

inéditas que não podem ser ligadas diretamente a nenhum tema precedente ou são extraídas de um rema anterior."

1.1.4 Van Dijk

No que se refere à coerência, Van Dijk afirma que um texto coerente deve, entre outros aspectos, ter progressão discursiva. A distribuição da informação no discurso é um de seus parâmetros de coerência textual. As mudanças de indivíduos, propriedades ou

relações devem ser operadas em relação com indivíduos,

propriedades ou relações que já se haviam DADO. Assim, para expressar a continuidade de um discurso, cada frase expressará, em princípio, esta relação entre informação VELHA e NOVA do esquema simplificado <<a,b>, <b,c>, <c,d>,...> ou <<a,b>, <a,c>, <a,d>,...>.

1.1.5 Bernard Combettes

Combettes utiliza termos como tema, subtema e hipertema

em suas análises. Seu modelo apresenta atividades de estabelecer

relações entre frases, de identificar um grupo nominal como tema constante de uma passagem e de compreender que diversos grupos nominais são os subtemas de um hipertema; tais atividades supõem uma visão global do texto.

A noção de grupo nominal é de fundamental importância para a construção dos esquemas progressivos que proponho para cada texto

do corpus. São os grupos nominais que orientam a "armação"

progressiva do texto tornando possível a identificação dos subtemas e a observação de como eles se relacionam ao hipertema. Observe-se os exemplos de esquematização temática que iniciam na

página 42. Cada um deles possui os grupos nominais referentes aos

subtemas de cada texto.

Segundo Combettes, entre outros fenômenos, a identificação da progressão é, por vezes, dificultada pelo emprego de certas

construções, e até de certas disposições tipográficas. Isto

porque, e conforme pude constatar, a distribuição de parágrafos e a utilização de sinais de pontuação "não são uma "segurança" para

(22)

simplificar a leitura, capaz de estabelecer o esqueleto temático da passagem.

1.2 Distinção entre coesão seqüencial frãstica e parafrástica e sua relação com a progressão

Segundo Koch (1990), existem duas modalidades de coesão

textual: a coesão referencial e a coesão seqüencial. A lingüista define coesão seqüencial como o tipo de coesão que diz respeito aos procedimentos lingüísticos por meio dos quais se estabelecem,

entre segmentos do texto (enunciados, parte de enunciados,

parágrafos e mesmo seqüências textuais) , diversos tipos de

relações semânticas e/ou pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir.

Ainda de acordo com Koch, a coesão seqüencial pode ser

frástica (sem procedimentos de recorrência estrita) ou

parafrástica (com procedimentos de recorrência). Os mecanismos de

seqüenciação frástica (SF) e seqüenciação parafrástica (SP) serão descritos no segundo capítulo deste trabalho.

Ao comentar sobre a progressão de um texto em que aparece a seqüenciação frástica, Koch afirma que a progressão se faz por meio de sucessivos encadeamentos, assinalados por meio de uma série de marcas lingüísticas através das quais se estabelecem, entre os enunciados que compõem o texto, determinados tipos de relação.

Na análise que faço do corpus deste trabalho serão observados os tipos de relação que se estabelecem somente entre os segmentos do texto denominados subtemas (nível 1 de análise) com o auxílio dos operadores argumentativos. Assim, o nível 2 de análise, não

menos importante, não será estudado nesse trabalho.

Conseqüentemente, os operadores argumentativos deste nível também não serão destacados.

(23)

1.3 A construção da textualidade: un aspecto da teoria semântica argumentativa

Sendo o texto formado por urna rede de relações que constituem sua textualidade e possuindo como característica inerente a argumentatividade3 , as análises que pretendo desenvolver dependem, para serem elaboradas, de como os segmentos que compõem o texto estejam relacionados e de como tais elementos direcionam para o supertema. Se for bem construído, este processo faz o texto progredir. Em outras palavras, a argumentação constitui-se numa atividade estruturante do texto (possibilitando até, que o texto seja visto como um discurso).

A fim de identificar alguns dos elementos que auxiliam a

construção da argumentatividade, apresento os recursos que

Ingedore Koch (1990) denomina coesão por seqüenciação parafrástica (SP) e coesão por seqüenciação frástica (SF), que podem ser utilizados para construir a textualidade e que aparecem nos dois níveis de análise.

Ressaltando ainda a importância do estudo dos operadores

argumentativos, conforme a afirmação de Moura (1989), grande parte

da força argumentativa do texto está na dependência desses operadores, responsáveis pela orientação argumentativa global de cada texto, levando assim o interlocutor a um determinado tipo de conclusão. A autora afirma, ainda, que tanto nas gramáticas, como no ensino de língua materna tais morfemas têm sido abordados numa

perspectiva basicamente morfossintática, através de uma

classificação que pouco ou nada diz do funcionamento do texto, do seu encadeamento, da sua coerência, da sua progressão.

A análise dos textos, apresentada no capítulo 4, pretende demonstrar funcionamento dos operadores argumentativos, descritos a seguir, na progressão do texto.

Porém, é importante ressaltar que os operadores

argumentativos serão usados, neste trabalho, na compreensão das

3 Ducrot, apud Guimarães (1989), defende a idéia de que a argumentatividade está "na língua", "nas frases", que as próprias frases são argumentativas.

(24)

relações entre os subtemas. Isso não significa que eles não estabeleçam relações nas ampliações temáticas.

Segundo Koch (1990), tem-se seqüenciação parafrástica (SP)

quando, na progressão do texto, são utilizados procedimentos de recorrência tais como:

a. Recorrência de termos, ou seja, reiteração de um mesmo item lexical;

b. Recorrência de estruturas - Paralelismo sintático;

c. Recorrência de conteúdos semânticos - Paráfrase;

d. Recorrência de recursos fonológicos segmentais e/ou supra- segment ais ;

e. Recorrência de tempo e aspecto verbal.

Os mecanismos de seqüenciação frástica (SF) se constituem em fatores de coesão textual

"na medida em que garantem a manutenção do tema, o estabelecimento de relações semânticas e/ou pragmáticas

entre segmentos maiores ou menores do texto, a

ordenação e articulação de seqüências textuais".

Koch apresenta três mecanismos de seqüenciação frástica:

a. procedimentos de manutenção temática - ocorre quando o redator utiliza termos que pertencem ao mesmo campo lexical para estabelecer a progressão textual. Ex.: acidentes - ambulâncias - vítimas - hospital. Assim, um frame ou esquema cognitivo é ativado na memória do leitor/ouvinte, de modo que outros elementos do

texto sejam interpretados dentro desse frame. Halliday e

Hasan(76)4 denominam esse procedimento de contigüidade semântica

ou colocação.

b. progressão temática, que utiliza a dicotomia tema/rema, e que, portanto, não fará parte das análises;

(25)

c. encadeamento - é o mecanismo que permite estabelecer relações semânticas e/ou discursivas entre orações, enunciados ou

seqüências maiores do texto. O encadeamento pode ocorrer por justaposição ou conexão.

O encadeamento por justaposição subdivide-se em justaposição sem partículas e a justaposição com partículas. (Remeto ao texto de Koch para a distinção entre esses mecanismos).

A justaposição com partículas é o tipo de justaposição que

mais se aproxima do estudo que desenvolvo com os textos

dissertativos por estabelecer um seqüenciamento coesivo entre

segmentos maiores ou menores da superfície textual

(microestrutura). As partículas (ou sinais de articulação) operam

em diversos níveis hierarquizados:

a. meta-nível ou nível dos enunciados meta-cognitivos. Neste

nível, as partículas funcionam como sinais demarcatórios e/ou

sumarizadores de partes ou seqüências textuais (ex.: assim, por

conseqüência, neste caso, essa posição, a hipótese acima

levantada, fazendo um balanço do que foi discutido até o momento etc) .

b. marcadores de situação no tempo e/ou espaço. São

característicos da narrativa e provavelmente não aparecerão nas

redações do corpus: muitos anos depois, primeiramente, depois,

finalmente etc.

c. marcadores conversacionais de vários tipos. São descritos

por Marcuschi(85)5 e podem, entre outros casos, indicar

introdução, mudança ou quebra de tópico. Mais do que o item b, acima, esse procedimento de progressão não é característico dos textos em estudo neste trabalho.

A conexão ou junção é responsável pela conexão. Temos como sinais de articulação os conectores interfrásticos representados

por conjunções, advérbios sentenciais, e outras palavras ou

expressões de ligação que estabelecem, entre orações, enunciados

(26)

ou partes do texto, diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas .

Apresento a seguir os tipos de relações lógico-semânticas e

de relações argumentativas possíveis em um texto, ainda em

conformidade com o que descreve Koch (90).

As relações lógico-semânticas ocorrem entre orações que compõem um enunciado e são estabelecidas por meio de conectores ou juntores de tipo lógico.

a. relação de condicionalidade (se p então p) - expressa-se pela conexão de duas orações, uma introduzida pelo conector se ou similar (oração antecedente) e outra por então, que geralmente vem

implícita (oração conseqüente) . O que se afirma nesse tipo de

relação é que , sendo o antecedente verdadeiro, o conseqüente

também o será. Ex.: Se aquecermos o ferro, (então) ele se

derreterá.

b. relação de causalidade (p porque p) - expressa-se pela conexão de duas orações , uma das quais encerra a causa que acarreta a conseqüência contida na outra. Tal relação pode ser veiculada sob diversas formas estruturais, como: porque, tanto

que, então, por isso etc. O torcedor ficou rouco porque gritou demais. ( conseqüência / causa)

c. relação de mediação - que se exprime por intermédio de duas orações, numa das quais se explicitam o(s) meio(s) para atingir um fim expresso na outra: - O jovem envidou todos os

esforços para conquistar o amor da garota de seus sonhos (meio/

fim) .

d. relação de disjunção - tal relação pode ser tanto de tipo lógico, quanto de tipo discursivo e se expressa através do conectivo ou. Esse conector, porém, é ambíguo em língua natural, correspondendo ora a forma latina aut, com valor exclusivo, ora à

forma vel com valor inclusivo.Ex. : Você vai passar o fim de semana

(27)

e. relação de temporalidade - por meio da qual, através de

duas orações localizam-se no tempo, reiacionando-os uns aos

outros, ações, eventos, estados de coisas do "mundo real" ou a

ordem em que se teve percepção ou conhecimento delas. O

relacionamento temporal pode ser de vários tipos: tempo simultâneo (exato, pontual); tempo anterior/tempo posterior; tempo contínuo ou progressivo.

f. relação de conformidade - expressa-se pela conexão de duas orações em que se mostra a conformidade do conteúdo de uma com algo asseverado na outra.

g. relação de modo - por meio da qual se expressa, numa das orações, o modo como se realizou a ação ou evento contido na outra: - Sem levantar a cabeça, a criança ouvia as reprimendas da mãe.

As relações discursivas ou argumentativas são estabelecidas pelos encadeadores de tipo discursivo e são responsáveis pela estruturação de enunciados em textos, por meio de encadeamentos sucessivos, sendo cada enunciado resultante de um ato de fala distinto. Produzem-se, então, dois ou mais enunciados distintos, encadeando-se o segundo sobre o primeiro, que é tomado como tema. Tais encadeamentos podem ocorrer entre orações de um mesmo período, entre dois ou mais períodos e, também, entre parágrafos

de um texto. Os conectores, ao introduzirem um enunciado,

determinam-lhe a orientação argumentativa. Entre as principais relações que os conectores podem estabelecer koch cita:

a. conjunção - efetuada por meio de operadores como e,

também, não só ... mas também, tanto . . . como, além de, além

disso, ainda, nem (= e não), quando ligam enunciados que constituem argumentos para uma mesma conclusão.

b. disjunção argumentativa - trata-se aqui da disjunção de

enunciados que possuem orientações discursivas diferentes e

resultam de dois atos de fala distintos, em que o segundo procura provocar o leitor ouvinte para levá-lo a modificar sua opinião ou, simplesmente, aceitar a opinião expressa no primeiro: Todo voto é

(28)

útil. Ou não foi útil o voto dado ao rinoceronte "Cacareco" nas eleições municipais, há alguns anos atrás?

c. contrajunção - através da qual se contrapõem enunciados de orientações argumentativas diferentes, devendo prevalecer a do enunciado introduzido pelo operador mas (porém, contudo, todavia etc) .

Quando se utiliza o operador embora, prevalece a orientação argumentativa do enunciado não introduzido pelo operador.

d. explicação ou justificativa - quando se encadeia, sobre um primeiro ato de fala, outro ato que justifica ou explica o anterior: Não vá ainda, gue tenho uma coisa muito importante para lhe dizer.

e. comprovação - em que, através de um novo ato de fala, acrescenta-se uma possível comprovação da asserção apresentada no primeiro: Encontrei seu namorado na festa,tanto que ele estava de tênis Adidas.

f. conclusão - em que por meio de operadores como portanto,

logo, por conseguinte, pois etc., introduz-se um enunciado de

valor conclusivo em relação a dois ( ou mais) atos de fala anteriores que contêm as premissas, uma das quais, geralmente, permanece implícita, por tratar-se de algo que é voz geral, de

consenso em dada cultura, ou, então, verdade universalmente

aceita. Exemplo: Toda a equipe jogou desentrosada. Portanto o novo

atacante não poderia mesmo ter mostrado o seu bom futebol.

g. comparação - expressa-se por meio dos operadores (tanto,

tal) ...como (quanto), mais ... (do) que, menos ... (do) que,

estabelecendo entre um termo comparante e um termo comparado, uma relação de inferioridade, superioridade ou igualdade.

h. especificação/exemplificação - em que o segundo enunciado particulariza e/ou exemplifica uma declaração de ordem mais geral

apresentada no primeiro: Muitos de nossos colegas estão no

(29)

i . contraste - na qual o segundo enunciado apresenta uma declaração que contrasta com a do primeiro,produzindo um efeito

retórico: Enguanto os ricos ficam cada vez mais ricos,os pobres ficam cada vez mais pobres.

j . correção/redefinição - quando, por meio de um segundo ato

de fala, se corrige, suspende ou redefine o primeiro: isto é, se,

ou, ou melhor, de fato, pelo contrário.

Com relação aos conectores do tipo argumentativo e do tipo lógico, neste trabalho, examino o tipo de relação que estabelecem entre os segmentos que representam a macroestrutura de cada texto. Porém a freqüência de aparecimento desses conectores é

mínima, o que não significa ausência de relação entre os

segmentos.

Primeiramente, então, a análise dos textos do corpus procura estabelecer a seqüência de segmentos do texto que refletem sua macroestrutura e organizá-los em esquemas progressivos para, num

segundo momento, descrever a progressão temática entre esses

segmentos utilizando-se dos mecanismos de seqüenciação frástica e parafrástica já descritos.

1.4 Manuais de redação: uma referência mínima ao termo progressão

Os nomes que seguem são de autores de manuais de redação e,

com exceção da obra de Serafini (1989), os demais livros, conforme

já foi dito, estão sendo consultados por professores e alunos de Língua Portuguesa.

Os autores, aqui discutidos, não usam o termo 'progressão' (ou o usam com reservas) e não fazem qualquer alusão ao termo progressão temática. Porém, mencionam a importância do uso de operadores argumentativos que estão ligados à coesão textual.

(30)

1.4.1 Maria Teresa Serafini

Serafini (1989) ao comentar que, mesmo sendo o português uma

língua complexa, aconselha o iniciante em prática de redação a

procurar primeiramente "encarar uma idéia de cada vez . Este é um

objetivo mínimo; num segundo momento, podemos aprender a escrever de modo mais complexo, talvez até tomando alguns escritores como modelo." Para que isso ocorra parece imprescindível a presença do professor a qual, segundo artigo de Richter (1992) "O problema da

completude textual em sala de aula"6 , deve ser preventiva e

operativa. Nesse artigo, o autor primeiro ressalta a unidade de

sentido como um dos fatores constitutivos da textualidade em

acordo com Fávero e Koch (1990) . A presença do professor deve ser

preventiva no sentido de levar o aluno a reconhecer o objetivo global de um texto e os objetivos que estrategicamente o apóiam. Na parte operativa, cabe ao professor demonstrar que a natureza dos tópicos frasais e dos desenvolvimentos deve subordinar-se a uma visão clara do que se pretende comunicativamente obter ao redigir e qual será a escolha e a ordenação das estratégias utilizadas para tal.

Serafini afirma ainda que "escrever não é uma simples operação de transferência de algo presente no cérebro para uma

folha de papel, mas as idéias devem ser progressivamente

organizadas e elaboradas". E, para que a progressão ocorra, descreve detalhadamente todas as fases que o aluno deve percorrer até automatizar uma escritura coesa e coerente de seus textos. Quando afirma da necessidade de se fazer um roteiro, cujo objetivo é estabelecer uma ordem seqüencial das idéias e dos argumentos a

serem usados no texto, apresenta o seguinte esquema

exemplificativo:

6 Marcos Gustavo Richter, Professor do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Santa Maria. Seu artigo tem como objetivo repensar a caracterização da unidade textual e as estratégias em sala de aula.

(31)

Esquema 2 - Exemplo de progressão textual segundo Serafini

Afirma, ainda, a autora que um texto é um continuum onde todas as partes se inter-relacionam e as técnicas de redação que apresenta em seu livro devem ser vistas como conselhos básicos para o estudante que, não tendo ainda assumido seu estilo próprio, escreve textos confusos e obscuros, nos quais não se percebe nenhuma progressão entre idéias. Justifica seu trabalho observando que o fracasso de certos textos não se deve à falta de informação de base, mas à incapacidade de construir um quadro global, organizando e sistematizando os dados disponíveis, e de usar estratégias argumentativas.

1.4.2 José Luiz Fiorin e Platão Savioli

Para Platão & Fiorin (1990) , "a construção de um texto

pressupõe que os seus segmentos se sucedam numa progressão constante, isto é, que cada segmento que ocorre no percurso deve

ir acrescentando informações novas aos enunciados anteriores. Num

texto, é proibido repetir-se, a não ser que essa repetição tenha alguma função no conjunto e - nesse caso - já não seria mais pura repetição."

Observe-se um dos textos comentados que estão no livro:

Dificilmente um caso de imoralidade pública terá sido tão clamoroso, tão irrefutável, tão estarrecedor como o da ferrovia Norte-Sul; atitudes do governo Sarney diante do episódio, todavia, não têm surgido como uma reação à altura da gravidade e evidência de tudo o que se revelou.

(32)

Segundo os autores, não há nesse texto nenhuma repetição de idéias. Ao contrário, há uma progressão que vai da gravidade do

fato, enfatizada pela gradação dos adjetivos (clamoroso,

irrefutável, estarrecedor), à inadequação das medidas

governamentais diante do episódio."

Não há um aprofundamento maior do assunto. Enquanto outros manuais apresentam recursos que auxiliam os alunos a identificar a

progressão do texto (como os operadores argumentativos), os

autores aliam a falha na progressão discursiva com a redundância ou a repetição, para eles, sem função no texto. Observa-se esse procedimento através dos exercícios propostos nos quais se pede ao aluno que reescreva os fragmentos de texto que possuem repetições que nada ou quase nada acrescentam de novo comprometendo a progressão discursiva.

1.4.3 Francisco Moura

Seu livro Trabalhando com dissertação (1992) inicia com

propostas de temas para serem debatidos em sala de aula a fim de "ensinar" o aluno a construir, elaborar sua opinião sobre assuntos polêmicos. Com essa finalidade, fornece um roteiro de perguntas a

serem pensadas e respondidas .

Introduz como noção de parágrafo o fato de que "em geral, os

parágrafos dissertativos devem apresentar uma idéia básica

acrescida de uma ou mais frases que esclarecem melhor essa idéia".

Como exercício escrito, estimula o aluno a escrever seu próprio parágrafo e aconselha o aluno a 1er o que seus colegas escreveram, observando se os mesmos conseguiram desenvolver uma idéia central.

Quando se refere à estrutura da dissertação, analisa um texto jornalístico e afirma que a estrutura padrão de um texto

dissertativo é constituída de introdução, desenvolvimento e

conclusão. Associa a introdução com a idéia principal a ser desenvolvida e com o primeiro parágrafo; o desenvolvimento é associado com a exposição de argumentos que vão fundamentar a

(33)

idéia principal e com o segundo e o terceiro parágrafos; associa a conclusão à retomada da idéia principal e com o parágrafo final.

A maioria dos textos apresentados para que o aluno

identifique a introdução, desenvolvimento e conclusão, e a maioria dos textos apresentados para que ele tome o assunto como base para elaboração de seu texto são de fundo jornalístico.

Este contato com textos predominantemente jornalísticos fixa- se em apenas um tipo de texto com características particulares de progressão. Além do que, Moura(1989), em sua dissertação de

Mestrado, já alertava para a necessidade de se reconsiderar a

tipologia textual utilizada no ensino de primeiro e segundo graus. A utilização (1er, elaborar) de somente um tipo de texto limita significativamente a experiência textual do aluno. A produção e recepção de todo tipo de texto, segundo a autora, leva o aluno a

desenvolver sua própria capacidade de raciocínio, veiculando

idéias, deixando de ver o texto como um amontoado de palavras.

Sobre delimitação do tema, Moura (1992) apenas apresenta algumas possibilidades de abordagem de um assunto complexo, como por exemplo, a questão indígena no Brasil. Sugere ao aluno que

leia outros textos sobre o assunto, também jornalísticos,

analisando-os, delimitando o tema, e que elabore um texto emitindo seu ponto de vista.

Sobre coesão e coerência, enumera, a partir de um texto, o uso inadequado do conectivo e a falta de seqüência lógica como

aspectos relativos à coesão textual. Com relação a seqüência

lógica, salienta que não há lógica entre uma e outra oração do texto comentando que faltam elementos de ligação que explicitem melhor essas relações. Porém não há no livro nenhuma referência sobre quais são esses elementos de ligação e como eles atuam no texto.

1.4.4 Branca Granatic

Quando inicia o capítulo VII, que trata da dissertação, a autora define termos como tema, título e assunto e, a partir desse

(34)

capítulo, passa a demonstrar técnicas de montagem de um texto

dissertativo: argumentação, causa e conseqüência; argumentos

favoráveis e argumentos contrários; localização espacial.

Com relação à argumentação, resume-a, após demonstração com texto, no seguinte esquema geral:

Esquema 3 - A argumentação dentro do texto dissertativo

segundo Granatic Primeiro parágrafo Segundo parágrafo Terceiro parágrafo Quarto parágrafo Quinto parágrafo Título TEMA + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3 Desenvolvimento do argumento 1 Desenvolvimento do argumento 2 Desenvolvimento do argumento 3 Expressão inicial + reafirmação do Tema + observação final

}

introdução desenvolvimento

}

conclusão

Com este exemplo geral de estruturação de argumentos, a autora afirma que o aluno será capaz de redigir uma dissertação com organização e coerência. Alerta que cada parágrafo deve corresponder a uma idéia, que cada parágrafo deve evidenciar as partes componentes de uma dissertação e que o número de argumentos pode ser variável.

Apresenta, da mesma forma, esquemas para as outras técnicas de montagem de textos dissertativos.

A autora cita, de maneira bastante suscinta, a importância do uso correto de operadores argumentativos.

Tanto o trabalho em sala de aula com o livro de Moura quanto com o de Granatic, ou com o do próximo autor a ser comentado, surtirá bons resultados, dependendo de como o professor vai corrigir e avaliar o texto do aluno e de como vai proceder a fim de que o próprio aluno reestruture ( se necessário) o seu texto.

(35)

1.4.5 Ulisses Infante

O livro de Infante traz uma abordagem mais complexa sobre leitura e redação; muito mais necessária para o professor do que para o aluno. Defendo a idéia de que toda noção teórica necessária para que o aluno redija textos coesos e coerentes deve partir do próprio texto produzido pelo aluno. Naturalmente o enriquecimento do vocabulário e a relevância do conteúdo devem ser conseqüência de boas leituras. Mas esta já é outra questão.

O trabalho de tecer um texto que o produtor executa, segundo Infante, pode ser avaliado a partir de quatro elementos centrais e, como se vê, são correspondentes às metarregras de Charolles:

a. repetição: "Ao longo de um texto coerente, ocorrem

repetições, retomadas de elementos (palavras, frases, seqüências). Essa retomada pode ser feita por pronomes ( e pelas terminações verbais que os indicam), ou por palavras e expressões sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o que deve ser feito com cuidado, a fim de que o ritmo não seja prejudicado."

b. progressão: "Num texto coerente, o conteúdo deve

progredir, ou seja, devemos sempre acrescentar novas informações ao que já foi dito. A progressão complementa a repetição: esta garante a retomada de elementos passados; aquela garante que o texto não se limite a repetir indefinidamente o que já foi colocado. Dessa forma, equilibramos o que já foi dito com o que vamos dizer, garantindo a continuidade do tema e a progressão do

sentido."

c. não-contradição: "Num texto coerente, não devem surgir elementos que contradigam aquilo que já foi colocado. O texto não deve destruir a si mesmo, afirmando como verdadeiro aquilo que já

foi considerado como falso, ou vice-versa. Esse tipo de

contradição só é tolerado se for um elemento intencional, um contraste fundamental para o desenvolvimento do texto."

d. relação: "Num texto coerente, os fatos devem estar

(36)

que as diversas colocações feitas, os vários fatos levantados devem relacionar-se diretamente. "

No decorrer do livro, o autor apresenta, não de modo

esquemático, mas através de exercícios de perguntas e respostas sobre textos dados, elementos de seqüenciação frástica, procurando destacar a importância dos mesmos para uma boa estruturação do texto.

Como se pode observar, são vários os termos que podem ligar- se ao conceito de progressão. Entre os lingüistas: Danes, Koch e Combettes - progressão temática; Van Dijk - progressão discursiva. Nos manuais de redação: Serafini - progressão entre idéias; Platão

& Fiorin - progressão discursiva; Infante - progresão do

sentido.

Adoto, neste trabalho, a terminologia progressão temática (dos temas) no texto.

1.5 Definição dos elementos envolvidos na segmentação do texto

A fim de que se possa estabelecer, no texto, a sua progressão temática, é necessário, primeiramente, identificar qual o seu tema e como este tema está estruturado. A definição de tema é bastante difícil de se estabelecer, principalmente se levarmos em conta que

o conceito deste termo pode confundir-se com o de "tema" da

dicotomia tema/rema. Segundo Bernárdez (1982), há ainda outro motivo que dificulta a definição do que seja tema do texto pois o conceito que este termo recobre pode enquadrar-se no que a maioria dos autores chamam de "plano global", "estrutura profunda",

"macroestrutura" textuais. Assim, Bernárdez considera:

El plan global dei texto, (...) es un concepto que reúne elementos tanto pragmáticos como semánticos. El concepto de "tema dei texto" puede considerarse como el

componente "exclusivamente" semántico de ese plan

global. Es el contenido informativo básico,

fundamental, del texto. En otras palabras, puede

considerar-se el "mínimo informativo" de um texto, (p.152)

É no título que devem estar resumidas as linhas fundamentais do texto dissertativo, expressando a sua macroestrutura. Pode o

(37)

título estabelecer uma ligação anafórica (caso mais raro) com o texto, remetendo a um elemento anterior, que não aparece no texto mas que pode ser reconhecido pelo leitor. Na maioria dos textos analisados, o título estabelece uma ligação catafórica com a informação presente no texto, induzindo a uma determinada leitura, e, portanto, o título será considerado como elemento de nível superior nos esquemas progressivos propostos, o supertema (ST) . Elisa Guimarães (1990) considera como evidente "a função cognitiva

bem como a função articulatoria do título, no processo de

organização e de desmontagem do texto." (p.51)

Para que se compreenda a organização do texto e se processe a sua "desmontagem" (segmentação), segundo a autora, é preciso que se estabeleçam critérios. Neste trabalho os critérios referem-se à

identificação dos subtemas, das ampliações temáticas e ao

estabelecimento dos grupos nominais a fim de que se possa proceder à esquematização.

A depreensão da macroestrutura do texto é o primeiro passo, entendendo-se macroestrutura semântica assim como Van Dijk (1972) a define: "são a reconstrução teórica de noções como tema ou tópico do discurso" e que, conforme já afirmei, deve estar representada no título. Ainda segundo Van Dijk, "A macroestrutura é considerada como a estrutura subjacente abstrata ou 'forma

lógica1 de um texto e pode ser identificada como a estrutura

profunda do texto. Consiste na representação semântica global que

define a significação do texto 'como um todo'."

Em Texto e Contexto (1980), Van Dijk apresenta uma teoria

da macroestrutura fazendo observações acerca de sua natureza lingüistica e, em particular, semântica. Nessa obra, o autor afirma ainda que as macroestruturas são essenciais em qualquer modelo cognoscitivo que dá conta da produção e compreensão do discurso, da observação de episódios, da participação e da interpretação da ação e da interação, da solução de problemas, e do pensamento em geral :

"Isto é, constantemente reduzimos e organizamos as

grandes quantidades de informação que temos de

processar (seja na produção ou na recepção) e buscamos

(38)

globalmente coerentes, de objetos, de relações entre

objetos, de séries de fatos, etc. Portanto, na

compreensão do discurso, a idéia de macroestrutura explica o fato de que é possível ver e descrever os "mesmos" fatos em diferentes níveis de especificação,

já com todo detalhe, já descrevendo categorias

progressivamente mais globais."

O lingüista salienta, ainda, que ao se obter a redução do texto, a propriedade geral que deve tornar-se evidente é a de que a informação reduzida deve estar vinculada pela informação semântica plena do texto.

Limito-me, neste trabalho, a identificar os segmentos do

texto que, lidos em seqüência, permitam depreender sua

macroestrutura (que poderá estar corretamente expressa pelo

título ou não). Não formalizo a macroestrutura textual como

propõe Van Dijk através das regras que estabelece, por entender que, para se verificar como se processa a progressão do texto (e para que esta análise torne-se acessível a uma utilização metodológica), é mais importante uma análise dos conectores e

operadores argumentativos, descritos neste capítulo, que o

constituem.

Os segmentos selecionados, representantes da macroestrutura

textual, são denominados subtemas. Os subtemas estão ligados ao

supertema através dos quadros temáticos, ou seja, grupos nominais criados para identificar esses subtemas como possuidores de um tema constante e assim compreender como os diversos subtemas estão ligados a um mesmo supertema. Os grupos nominais por mim elaborados baseiam-se nos subtemas presentes nos textos.

Os demais segmentos do texto, aqueles que complementam a informação contida nos subtemas através de processos de inserção

ou reconstrução são denominados ampliações temáticas. Os

processos de inserção caracterizam-se por: avaliar, atenuar, explicar, ilustrar, fazer ressalvas etc; entre os processos de

reconstrução estão: correções, reparos, repetições,

(39)

O supertema, os subtemas e as ampliações temáticas podem ser esquematizados à semelhança da proposta de Ingedore Koch (1992) para um esquema da organização tópica da conversação conforme se pode observar no capítulo seguinte. A partir do momento em que iniciei o processo de esquematização das redações de vestibular, senti a necessidade de estabelecer mais de um esquema organizacional para dar conta dos textos dissertativos do

corpus como se pode observar no próximo capítulo.

Para que os textos fossem escritos, cada candidato/redator recebeu a mesma orientação na folha de prova: um texto de três linhas e um desenho (descritos no próximo capítulo) e que podem ser considerados como hipertema.

O texto 28 serve como exemplo da segmentação proposta para todos os setenta e sete textos analisados.

O quadro abaixo apresenta duas colunas. Na primeira, que

denomino nível 1 de análise estão os subtemas; na segunda, que denomino nível 2 de análise, estão as ampliações temáticas.

(40)

Quadro 2 - texto 28/ Século XX: Alienação x Humanismo

Nível 1 (subtemas)

1. A perda da consciência humanística é a tragédia do homem hodierno.

2 . Fatos ocorrem, episódios se sucedem, descobertas científicas- que são exuberantes demonstrações do progresso humano- são reveladas cotidianamente, porém o ser humano, dia-a dia, encontra-se mergulhão em um oceano de dúvidas e incertezas.

3. O aguçamento dessa crise, que é coletiva e assume proporções planetárias, explica-nos a complexidade e o desafio que é viver- se no século XX.

4 . Mister se faz que olhemos mais para o nosso interior, que voltemos para o estado de consciência.

5. Somente assim, renascerá essencialmente, com o surgimento de um homem mais humanizado e consciente de si mesmo, de seu papel no mundo.

Nível 2 (ampliações temáticas)

la. A complexidade das relações sociais e a exacerbada tecnificação conduziram o ser humano a um estado de alienação a cerca de si mesmo, de seu papel social enquanto elemento da comunidade humana.

lb. Com efeito, encontramo-nos existencialmente sobre o signo do desconhecimento e da ignorância no tocante a própria razão de ser da nossa existência.

2a. 0 homem contemporâneo, a par de irrefutáveis aVanços, não consegue desvendar-se a si próprio.2b. Inobstante aVance materialmente o mundo não consegue irradicar a fome em algumas regiões do planeta.

2c. São essas contradições, que desafiam a própria lógica, que nos impingem angústias e insatisfações. 3a. Vivemos sob a égide da insegurança, fruto do desconhecimento e da ausência de autoconhecimento do homem moderno.

3b. Paralelamente ao seu progresso material, mensurado através de indicadores econômicos, a humanidade empobreceu-se, na medida em que o ser humano se desumanizou.

3c. No entanto, há uma saída, uma tábua de salvação.

A partir daqui, entre os segmentos do nível 1 de análise, pode-se observar as relações que determinam como o texto progride temáticamente, as quais serão descritas nas análises dos textos através dos mecanismos de seqüenciação frástica (SF)e parafrástica

Referências

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