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áll rthur Napoleâo & Miguéz.

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(1)

Anno I.

•í*

Sabbado, 15 de Março, 1879.

N. 11.

REVISTA

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I-Editores : __rthur Napoleâo & Miguéz.

Este semanário é*publicado aos Sabbados e assigna-se na casa dos Srs. Akthur N apoleão _ Miouez, Rua do Ouvidor n. 89. Preços de assignatura : — Corte, um anno 10$, semestre 6$, trimestre 4$000. Províncias, um anno 12$, semestre 71000.

Revista Musical

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_c*_n -jíí^_y; d_________fcw_____o__K^ -—</cvvs——<~j»_'-**¦ EACALEMIADE BELLAS-ARTES ir

principio ou á causa primaria da

arte é o sentiníento. .

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E* essa espécie de resonancia da alma ao aspecto das cousas que a cercam, ó essa faculdade det sentir a fP6^W^^^^^M- ^sthetiça | pàn

que a áisthesiê do grego nao exfe prime outra cousa senão sensibilidade

ou sentimento e, como tal, estende-se a tudo que nos impressione, seja o bello, ou o hediondo, o bem ou mal, o ipblime ou o ridículo, a felicidade- ou a desventura.

A arte deve necessariamente repousar sobre uma dupla base : a faculdade esthetica d'onde provéní a vn-vençâo e o poder de externar o sentimento, que é a

execução. ,

A primeira é uma faculdade innata, a segunda, com quanto desempenhe um papel importantíssimo na arte,

provém apenas da imitação. m

A metrificação de per si só não faz o poeta, assim

como a execução não faz o artista,; gg,

Onde não ha alma nem sentimento — não ha arte; Pois bem é exactamente esta máxima que mais

des-conhecem os críticos. *!

A correcção do desenho, «a propriedade do claro és-curo, as galãs do colorido e á elegância das linhas, todas essas bellezas da execução, são tomadas por elles como signaes manifestos de gênio.

Se escutarmos attentamente o que se diz, entre os espectadores que nos- cercam,A1em presença de um quadro qualquer, ouviremos- elogiar a severidade da

forma, desde o tronco da figura até a mais insignificante phalánge, ouviremos enumerar minuciosamente as per-feições do mais humilde accessorio, e das mais micros-copicas bellezas materiaes, como se essas cousas, relati-vãmente secundarias, constituíssem a parte mais impor-tante de uma composição artística.

Nos salões da Academia Imperial de Bellas-Artes está exposto um quadro, naturalmente destinado a ser o alvo principal da critica do publico e do jornalismo.

E* a Batalha dos Guararapes de Victor Meirelles. Parece-nosestar vendo já a critica inexorável, emba-rafustando! pelos meandros invios do calão de atélier} a notar os erros de officio e de savoir faire que a escal. dada phantasia dos críticos entendidos nunca deixa de ^nè^tifeaos cèn^

prima da arte. .

Sade discutir-se todo Ò quadro: dedo por dodo, arma por armar|3erão commentadas com inflexível r)gor, as plumaf, as lanças, as patas dos cavallos e até as pedríphas espalhadas pelo solo.

,** A critica esquecerá apenas v

Se a tela de Victor Meirelles faz ou não pulsar de

\*-*

fntbusisíêíno o sentimento patriótico do povo brasileiro; soo quadro, queoccupa o lugar de honra da nossa pina-còt-eca/ traduz ou não com eloqüência e fidelidade, esse heroicòlfeito do nosso exercito/ essa gloria immorre-doura jío nosso pavilhão !

/

¦ A. MUSICA INSTRUMENTALi

( Continuação )

4_/&Wespinêta do tempo das nossas avós, com *uma corda de ^§0g3 latão que era vibrada pelo bico de uma penna de ave ficou muito atraz dos Pieyels, Erards, etc; e quem sabe se o piano será a ultima palavra d'esta espécie çTinstrumeutos ?

Não é porém esta a única differença entre, o piano e a rabeca.

¦¦ '.-¦¦ ¦'¦¦¦¦ '%#' 5*Hfr ' ¦ ¦ * I- ¦'. - ' ¦ ' j ¦ i ' ¦•¦¦'

(2)

Fallavamos de gênio e do paciência. A paciência pôde fazer um pianista; não queremos dizer que ella chegue a dar um Ustz, ura Thalberg, um Prudent, etc, ura desses artistas hors ligne que marcam com um ponto luminoso o Armamento da arte, estrellas de primeira grandeza ou planetas, mas em rigor fará um pianista distin-cto ; para isso basta um discípulo que tenha disposição e boa von-tade, um professor excellente e um estudo de dez horas por dia du-rante doze ou quinze annos.

E a expressão ? e o estylo ? dirão algumas pessoas.

O estylo virá instinctivamente ou por conselhos do professor. A expressão virá da mesma maneira ou deixará de vir. O jogo das mãos é passivo, basta apoiar mais ou menos o dedo sobre a tecla, e a corda dará o som que ella representa.

Para a rabeca não é o mesmo. Aqui o papel do artista é muito mais activo. E' elle quem domina o instrumento e é ainda a elle que este deve obedecer.

A paciência e o trabalho não bastam para ser um bom rabe,

quista. .

E, comprehende-se, no rabequista a inspiração e mais fácil de mostrar-se do que em muitos pianistas, salvo o caso de serem corapo-sitores ou iraprovisadores.

O rabequista embala-se com os sons que tira do seu instrumento e é alternativamente pensativo, elegíaco, sombrio, magestoso. Est

Deus.

Isto sem contar com a inferioridade de um instrumento de per-cussão, Impotente para conservar um som respectivamente a outro, que pôde sem que o. arco deixe a corda graduar o som, e pela pressão dos dedos da mão esquerda dar toda a escala, chegar do fortíssimo ao smorzzato, o menos perceptível. Tomamos este exemplo dos-dous melhores e perfeitos instrumentos ou antes dos dous reis dos ins-trumentos, para ver em que proporções a paciência pôde contribuir, com o talento, para formar um musico, um grande virtuose. %í ^

Voltemos á musica instrumental.

Não trataremos de resolver esta questão, a saber: se são os instrumentos que multiplicando-se suggerem naturalmente aos com-positores a idéa de enriquecer a orchestra, ou se foram elles que, augmentando a orchestra, deram aos fabricantes a idéa de inventa-rem novos instrumentos.

A verdade é que comparando as orchestras actuaes com as que acompanhavam as operas dos compositores do século ultimo, ver-se-ha que é enorme a dififerenoa.

Este augmento de instrumentos teve, como era natural, por conseqüência desenvolver consideravelmente a arte de instrumeri-taçao ; o que convencionaram chamar harmonia occupa o mesmo lugar e marcha a par da melodia. A orchestra já não é mais hoje o humilde vassalo do canto, é o seu apoio e complemento.

Então os methodos, mettendo-se de permeio é contar que o bom êxito do discípulo depende quasi sempre de um d'elles, conforme o ensino do professor.

Ainda não é tudo, ha uma outra vantagem que o instrumento tem sobre o cantor.

E' raro que um excellente pianista, que um rabequista de pn-meira força, etc, etc, è raro repetimos, que o seu talento hors ligne não se manifeste maior quando compositor e que não deixe, quando morrer, obras de natureza a perpetuar o seu nome no mundo artistico. E' raro pelo contrario que a mesma cousa aconteça ao simples cantor, embora de primeira força; ou pelo menos o que é quasi uma regra para os instrumentistas celebres; cada um d'estes últimos pôde dizer como o poeta: Nbn omnis moriar.

Tudo não morre com elle, emquanto que o exegi monumentum é raro, mas muito raro aos privilegiados da voz e do canto. Os con-servatorios, pois, que deixam em geral muito a desejar, quanto ao ensino do canto, têm prestado e prestam os maiores serviços á mu-sica instrumental. (Continua.)

NOTAS BIOaRAPHIOAS

CARLOS GOMES.

'SfflWL

XXV II

Os conservatórios têm sido de grande utilidade para o desen-volvimento e aperfeiçoamento da musica instrumental e continuarão a ser por largo tempo rico e grande viveiro de professores de musica» de virtuoses e de solistas ; porque com a harmonia não se dá o mesmo que com a melodia em que os methodos variam infinitamente, carecendo estudar o instrumento e domal-o. Dê-se uma rabeca ou um violoncello a um discípulo, este não se deve mais occupar com o instrumento, mas sim com a maneira de tocal-o bem.

Pelo contrario quem, convencido de ter um bom órgão de voz quer-se fazex cantor, deve começar por abrandar a voz, estudar e procurar tornal-a extensa, em uma palavra, occupar-se com o instru-mento e mais tarde tratar de tirar partido d'elle.

uitos poetas, muitos prosadores, muitos litte-ratos, seguindo o bom exemplo de Victor Hugo, tomam sempre nota dos pensamentos, que lhes occorrem ao aspecto de uma paisagem, na audi-ção de bella musica, ou na presença de qualquer pheno-mono notável. Chama-se a isto, na technologia hodierna,

ser impressionista.

I Sob este ponto de vista, Carlos Gomes é um Maestro impressionista. Todas as impressões, recebidas pelo seu cérebro, produzem pensamentos musicaes que elle es-creve logo.

Se fosse possível ver os phenomenos cellulares, que se passam no interior dessa cabeça admirável, notar-se-hia logo que todas as suas sensações vão ser elabo-radas pelas cellulas, onde se produzem as harmonias e

as melodias.

Se o systema nervoso fôrma uma espécie de rede tele-graphica, tendo por estações terminaes os diversos sen-tidos, o compartimeoto das cellulas musicaes é exacta-mente onde se acha a Estação Central do cérebro do illustre Maestro brazileiro. W abi que são recebidos todos os telegrammas exteriores ; é ahi que são elabo-rados, difierenciados e convertidos n'esses deliciosos pensamentos musicaes, que admiramos nas operas de

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II

Para os poetas, para os prosadores, para os litteratos o azul do céo, n esplendor do sol, a meiga luz da lua, o terno scintillar das estreitas, etc, fazem crear no ce-rebro metaphoras, antitheses, hyperboles, idéias asso-ciadas, e todas as bellezas litterarias, que ornam seus escriptos ; em Carlos Gomes todas essas bellezas na-turaes, todas as commoções profundas produzom melo-dia3 e harmonias, que são verdadeiras metaphoras, anti-theses, hyperboles, e idéias associadas musicaes.

O prodigioso final da Fosca é o mais convincente exemplo, que podemos apresentar da quantidade de poesia, que elabora em musica o cérebro de Carlos Gomes.

XXVI

freguez do Klier, proprietário da principal loja de mu-sica desse tempo, escreveu logo um bilhetinho,

man-dando vir dez cadernos de papel pautado.

O serviçal ZÈ foi, em dous pulos, á Rua do Hospício, e d-ahi a pouco faziam a Carlos Gomes a bella sorpresa de um presente de nitido papel de musica.

Ainda hoje Carlos Gomes não sabe pedir. São seus amigos, que têm o grato prazer de advinhar o que elle deseja, para depois terem a satisfação de apreciar as bellas manifestações de seu coração, simultaneamente cheio da mais nobre altivez e da mais sincera gratidão. Para agradecer foi logo tocar, divertindo os rapazes, até horas de jantar, com as peças de sua predilecção.

Comprehende-se que, pata chegar ao prodígio de poder produzir duas musicas inteiramente diversas, e igualmente admiráveis, com o mesmo assumpto e quasi com os mesmos versos, como fez Carlos Gomes, refor-mando varias scenás da Fosca, é necessário uma educa-ção musical incessante, desde os primeiros annos até o completo desenvolvimento intellectual.

O amor* a paixão indomável da gloria, deu a Carlos Gomes esta educação, desde os seus primeiros dias em Campinas. Logo aos dezesseis annos, antes de saber regra alguma de Harmonia e de Contraponto, principiou a adquirir o habito de escrever em musica todas as idéias, que lhe nasciam no cérebro ; em sua bella mo. destia elle diz : Já em Campinas eu garatujava ; sujava papel.

. Esse excellente habito Carlos Gomes ainda con-serva hoje.

— Quantas vezes o vimos, em Turim, em Lecco, e em Milão, interromper um passeio ou uma conversação, tirar do bolso um álbum musical, e escrever a combi-nação melódica ou harmônica, produzida por uma scena

pittoresca ou por alguma sensação profunda!

Ha. em Carlos Gomes irrecusavelmente um thesouro immenso, que lhe foi doado pelo Creador ; o trabalho não podia fazer tanto ; mas o que ha de mais admirável no Maestro brazileiro é essa devotação, realmente sobre-humana, á producção do bello musical; devotação que é exactamente o principal característico do gênio.

XXVIII

O jantar foi menos alegre e turbulento do que o da véspera. Carlos Gomes estava visivelmente impres-sionado ; evitava com o maior cuidado, todas as refe-rendas a Djalma e Adriana.

Os caixeiros esperavam o patrão e não queriam que elle achasse a casa em desordem.

Effectivãmente o bom negociante Azarias chegou do Andarahy pelas oito horas da noite ; fez Carlos Gomes tocar a Casta Diva, e foi depois dormir, dando-se por muito cansado com os folguedos da véspera de S. João em casa do Commendador.

Os rapazes retiraram-se logo depois, abraçando frater-nalmente Carlos Gomes, e repetindo um milhar de oferecimentos e convites de passeios e de apresentações a varias famílias da Corte. Elle respondia-lhes invaria-velmente : —

— Depois! Depois! Depois que receber resposta de Papai.

Quando os rapazes sahiram, teve tentações de conti-nuar a ler os amores de Adriana e de Djalma ; resistio, porém, heroicamente ; deitou-se e apagou logo a vela, antes que fraqueasse a resolução.

Também a bella natureza de vinte annos tomou logo conta do corpo e sopitou as labaredas dessa ardente imaginação, dando-lhe um bom somno constante,

pro-fundo e eminentemente reparador.

( Continua.)

XXVII

Quando os companheiros do festim da véspera de S. João chegaram, um pouco além do meio dia, acharam Carlos Gomes sentado á meza tentando pôr em musica impossíveis impressões do seu phantastico sonho.

Notaram logo que tinha pautado a lápis o papel de musica. Apezar de ser dia-santo, um d^lles, que era

NOTICIÁRIO ESTRAN&EIRO

Todos os jornaes têm, em Pariz. fallado muito da entrega mys-teriosa de uma comedia em 3 actos e em verso, que fizeram ao Director do theatro Odeon.

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i

em uma carta que se fosse feliz a representação da comedia, então declararia o nome. Tem merecido elogios o trabalho do escriptor incógnito e alguns jornaes mais indiscretos já dão a paternidade a Paulo Ferrier. Gomo é sabido este foi quem escreveu o libretto da Marocaine, opera de Offenbach que não teve grande acceitação pela insipidez do enredo. A Revue Musicale commentondo o facto pergunta a Paulo Ferrier a razão porque assignou a Marocaine e não La perruque merveilleuse. W deixar o bom pelo máo.

Por occasião do 247° anniversario do nascimento de Molière no Odeon representou-se uma peça que já tinha sido dada no Gym-nasio de Marselha de 1853.

Intitula-se La fite de Molière ; foi applaudida ; mas ha muita gente que diz que a peça só tem um mérito : participar aos espec-tadores ( muitos ignoravam ) que Molière tinha filhos.

Uábime des Trayas é o titulo de um apparatoso drama, onde os crimes são mais numerosos do que os dias de vida que contam os malfeitores. Felizmente, e para satisfação dos espectadores, o crime recebe a devida recompensa; e o publico, que sempre é amigo da justiça, declarou que os Srs. Júlio Adoms e Júlio Res-taing são dois sentenciadores de mérito e applaudiram-os com éüthusiasmò.

Pelo contrario, os Srs. H. Raynaud e Alphonse Dumas não foram felizes com os Bois nababos, peça sem graça alguma. Também não sabemos porque não seguiram os autores o systema dos collegas supracitados. Se em vez de dois nababos tivessem posto em scena uns vinte é bem possivel que se sustentasse a peça ; mesmo porque o espirito que faltava aos dois nababos havia de se encontrar em vinte.

*

Muitos compositores estão, como já noticiamos, escrevendo operas sobre o mesmo assumpto, o Cid. 4pezar d'isso, porém, o que parece mais provável é que o Cid, de Massenet, tenha a primazia da direcção da Opera, de Pariz. O libretto, de L. Gailet e Ed J3lau já foi entregue ao {Ilustre compositor francez.

Fanitza, opereta de F. Suppé vai ser representada no thea-tro Nouveautês. O libretto primitivo que era allemão e seguia muito de perto o da Circassiene de Scribe, foi modificado pelo traductor belga Ooveliere ; em Pariz vai também ser modificado, para deste modo fugir mais do plagiato.

Oamiilo Saint-Saens, o festejado autor da Banse macabre e tantas outras obras musicaes, effectuará, depois da representação da sua opera Elienne Mareei um passeio pela Allemanha, Áustria, Suissa e Itália.

O illustre pianista dará alguns concertos nas capitães d'estas nações.

Na exposição de bellas artes de 1878, em Berlim, um quadro assignado por um tal O. Begas, era designado no catalogo da se-guinte maneira : " Frederico o grande, assistindo, na igreja de

Charlottembourg, á execução do Requiem de Mozart. "

Ora, Frederico morreu em 1786, Mozart em 1791 e como é sabido o Requiem só foi composto em 1791. Os pintores invejam os anachronismos que até hoje eram o sustento de muitos drama-turgos e romancistas.

¦*.'

A opera Oeorges Bandin, que na primeira representação em Bruxellas não foi bem aceita, tem sido, depois de retocada, devida-mente apreciada e applaudida.

O seu autor Emile Mathieu tem sido festejado.

*

Bie Wélfenbraut, opera nova do conde Frederico de Wittgens-tein foi muito applaudida em Graz.

O joven compositor já era vantajosamente conhecido pelo seu melodrama Frithjof.

*

Segundo noticias de Lisboa o Proplieta, opera tão applaudida pelos Fluminenses, foi mal snecedida em Lisboa. Os cantores, e scenario, tudo emfim contribuio para o máo êxito, sendo por varias vezes pateados artistas e machinistas.

*

Christina Nilson receberá por dois mezes de contracto no Theatro Real de Madrid a quantia de 90.000 francos. *

#

E' sabido que além do theatro Colon existe na capital da Repu-blica Argentina outro theatro lyrico o qual é conhecido pela deno-minação de theatro da Opera. Para ahi se acham contractados para a futura época lyrica os seguintes artistas : Turolla, soprano dramático; Media, soprano ligeiro ; Barbocina, Ia dama contralto ; Oittolui, Io tenor ; Tambelli, Io barytono ; Miller, Io baixo.

Espera-se que será contractado o celebre Bottesini como maestro regente.

Gom a excepção deste ultimo que é uma celebridade universal como contrabaixo, regente e compositor, bem como Miller, baixo bem conceituado nos theatros d'Itália, os outros artistas são quasi desconhecidos.

*

No dia 28 de Janeiro, anniversario do nascimento de Hérold, a sociedade dos compositores de musica mandou collocar na casa n. 10 do rua d'Argout uma placa commemorativa, indicando que n'e8ta casa nasceu a 28 de Janeiro de 1791 o celebre autor da Zampa.

*¦¦¦" ""

Em S. Petersburgo obteve um completo triumpho no Theatro Imperial O Ouarany de Garlos Gomes.

Foi á scena na noite de 12 do corrente. A parte de Cecilia foi confiada á Sra. Harris-Zagury.

Masini na parte de Pery causou verdadeiro fanatismo. Ootogni, Maurel e Gasparino foram esplendidos nos seus respectivos papeis. A orchestra sob a direcção de Goula esteve irreprehensivel.

Já se sabe officialmente que entrou em ensaios de 20 a 22 do mez próximo passado em Milão, a Maria Tudor nova opera do nosso maestro Garlos Gomes.

*

Em Milão teve o desgosto de perder sua mãi o tenor Tamagno. Foi substituído depois da primeira representação do Rei de Lahore pelo tenor Petrovich que foi muito bem aceito pelo publico o qual reconheceu o esforço prodigioso do artista que em poucas horas e sem um único ensaio ousou com tanto desembaraço inter-pretrar uma tão difficil parte.

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CHBONICA LOCAL

Concerto Pereira da Costa.— O violinista portuguez

Pereira da Costa, deu no dia 11 do do corrente, um concerto no salão Arthur Napoleão & Miguéz.

A festa artística do distincto concertista inaugu-rou-se, não com a symphonia do Quarany executada a 8 mãos como estava no programma ; mas sim por uma fantasia de violino, escripta por Leonard sobre a opera Baile de Mascaras e tocada pelo Sr. Pereira da Costa. N7esta peça manifestou, como de costume, essas quali-dades que mais orecommendam : correcção de ostyloe affinação irreprehensivel.

O Sr. Pereira da Costa é incontestavelmente o violi-nista mais notável que possuímos, e nessa qualidade relevará de certo uma observação que vamos fazer sobre um habito que possue que nem sequer rasteja

por um vicio ou defeito artistico.

O notável concertista, talvez arrastado pelo exemplo do inspirado violoncellista Nascimento, que aqui esteve ha tempo, adoptou ultimamente o systemade prolongar por tal fôrma os andamentos que excede tudo quanto é permittido aos desvios indisciplinados das prescripções metronometricas.

E* necessário possuir uma paixão e um sentimento rarissimos para tirar partido d'esta exageração ; e, com quanto não queiramos negar este talento ao~Sr. Pereira da Costa, não podemos na nossa missão de críticos, deixar de mencionar este facto que, se não constituo um erro condemnavel, está também muito longe de fazer escola.

O violoncellista Nascimento, se não era um concer-tista hors ligne, era pelo menos o poeta mais inspirado que jamais temos ouvido ferir as cordas de um instru-mento. A sua musica era por assim dizer nm devaneio éolico, era um sonho vaporoso e divino, que se des-prendia de todas as realidades d;este mundo e que reagia contra todos os preceitos disciplinares da escola.

Nascimento arrastava o auditório ás mais estranhas sensações, commovia, elevava a alma a regiões desço-nhecidas ; mas ninguém ousaria por certo applicar, como doutrina n/um conservatório, as liberdades, posto que inspiradissimas, do talentoso violoncellista setuba-lense.

Ora Pereira da Costa é um talento temperado pelo estudo e soffreado pelos preceitos de uma escola esta-belecida, que tem á sua frente ura dos mais notáveis instrumentistas do século XIX, o celebre Allard.

De Nascimento, contentar-nos-iamos com os vôos ins-pirados do seu gênio, de Pereira da Costa temos direito

de exigir todos os requisitos que competem a um ar-tista modelo.

O violoncellista portuguez era a natureza nos des-lumbramentos do seu estado primitivo e selvático ; o violinista portuense é a arte cultivada com todos os re-quintes da sciencia musical.

Qualquer dos dous podem conquistar um logar conspicuo na estadella da arte ; mas é necessário que nenhum delles saia da orbita que a providencia marcou para a revolução do seu gênio.

Pereira da Costa, como todos os artistas superiores, dará decerto o devido peso a esta sincera obser-vaçáo.

Deslealdade seria se o não fizéssemos, quando, tanto nos temos por seus amigos como por seus admiradores. No seguimento do concerto foram muito applaudidos :. a Tarantetta de Liszt executada no piano pela estudiosa amadora D. Marianna de Azevedo ; o Tremulo de Gots-chalk que o Sr. Geraldo Ribeiro tocou era substituição da Danse Macabxe de Saint-Saens, a symphonia para duas rabecas escriptas por Allard e executada primoro-samente pelo beneficiado e pelo Sr. Robert Benjamim ; a romanza Vagheggiamento, peça modulada com muita felicidade para a flauta pelo Sr. Silveira e com igual felicidade tocada pelo Sr. Duque Estrada Meyer e final-mente a Fantaisie Suedoise que, neste com nos ante-riores concertos, tem sido o melhor triumpho do Sr. Pereira da Costa.

A Sra, D. Luiza Regadas cantou a walsa Extasi de Arditi, peça que não se combina com os seus recursos vocaes e a Sra. D. Carlota Millié Kunhard uma ária da Força do Destino o a bailada do Ouarany. Em ambas estas peças deixou transparecer ainda por vezes esta senhora quanto foi boa a sua voz e notável o seu talento musical.

0 concerto foi um dos mais concorridos a que temos assistido.

#

Theatro S. Pedro.— Pelos annuncios vê-se que é hoje o dia da representação do novo drama que fomos os primeiros a noticiar ter sido escripto pelo artista Furtado Coelho.

Como é fácil de prever, as Misérias humanas com os seus 5 actos, um prólogo e sete quadros deve ser um drama espectaculoso e a que não faltará um séquito de uns trinta personagens, a fora as massas de compar-sana.

No final do 3o acto será executado um lundu bahiano, cuja musica foi escripta pelo Sr. Silveira, hábil flautista e digno auetor de varias composições. A peça é realista ; se de facto o é e, se não enganam os programmas,é contar que não faltarão espectadores. O realismo tem

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conta-6

minado quasi todos os paizes, e, pronunciado como esta o gosto por semelhante escola, e fora de duvida que o subtitulo peça realista é hoje ojmaior attrativo de um drama ou comedia, ou uma ratoeira para incautos.

Companhia Lyrica.— Communicam-nos : " Está

for-mada uma companhia lyrica para os theatros da Bahia e Pernambuco, cujo elenco é o seguinte :

Primeira dama soprano — Nina Bonnal.

Primeiras damas meio-sopranos e contraltos

Giu-seppina Cavallari, Consolani Piazza. Primeiro tenor — Tommaso Villa.

Primeiro barytono — Rossi Romiati.

Eegente — Danielli Antonietti.

O emprezario é o Sr. Pasini que tenciona começar os espectaculos no próximo mez de Maio. v

*

Bmpreza Ferrari-— Está difinitivamente assignado o

contracto entre o maestro Carlos Gomes e o emprezario Ferrari, autosisando este a levar á scena a opera Maria Tudor e obrigando aquelle a vir ao Rio de Janeiro pôr em scena a sua opera.

O emprezario Ferrari já se acha em Buenos Ayres. Ernesto Bossi.— Conforme diz Guilherme de Aze-vedo no seu folhetim do Jornal Ido Commercio este grande trágico que era esperado em Lisboa em fins de Fevereiro partirá dopois de algumas recitas para o Brazil.

KAMEAU

A' ULTIMA HORA

Academia de bellas-artes. — Abriu-se hoje as 11 horas da manhã a exposição geral da Academia Imperial de Bellas-Artes.

S.S. M.M. LI. dignaram-se inaugurar esta exposição onde se demoraram por 3 horas.

O catalogo menciona 396 objectos d?arte expostos. A exposição de 1864 tinha apenas 109 ; a de 1865,103; a de 1866, 92 ; a de 1867, 122 ; a de 1868, 74 ; a de

1870,109 ; a de 1872,196 ; e a de 1876, 147.

Com razão dissemos que a exposição d'este anno é a mais brilhante que temos visto no Rio de Janeiro, já pelo numero das obras d'arte, já pela sua importância e merecimento.

(Conclusão).

Rameau morreu em 1764, aos 81 annos, com uma fama tal que a historia inteira do XVÍII século não lhe pôde apresentar a rivali-dade de um nome francez.

As doutrinas especulativas de Rameau não lhe sobreviveram; deram lugar a theorias móis claras, mais praticas baseadas sobre a tonalidade moderna e não sobre cálculos algebricos e phenomenos de resonancia.

Mas a despeito dos erros que contém, o Tratado de harmonia é ura dos monumentos da arte musical, mérito tanto mais subido quanto cita-se um diminuto numero de compositores lyricoa que tenham escripto tratados especiaes e codificado systemas.

No século XVIII Rameau só teve um émulo, foi Gluck nessa associação quasi única da sciencia que formula a arte de

escre-ver bem.

Tem-se comparado Lulli a Rameau '¦ antes de tudo é preciso pôr | em evidencia as differenças essenciaes. Se o recitativo de Rameau nem sempre tem a energia declamatória dos recitativos do seu pre-decessor, em compensação a phrase melódica mais extensa, os ensembles mais desenvolvidos, as cadências firmes mais variadas, a harmonia mais colorida e a orchestração mais aproveitada affirmam que Rameau era de facto um ennovador.

Rameau, sem abandonar completamente as tradições queria engrandecer o quadro, introduzir effeitos novos ; e estes mesmos, impressionando os velhos amadores em seus hábitos rotineiros, foram a primeira cansa das provações que quasi retiveram a vo-cação — gênio do compositor francez.'

No ponto de vista especial de compositor instrumentista está patente na historia da arte que Rameau era um organista hábil, inspirado improvisador. As numerosas peças de cravo publicadas por Méreaux, Richault e Farrenc provam também a riqueza dlma-ginação do celebre artista quando se tem em conta a época em que foram escriptas, as idéias e o estylo que estavam em uso. A ornamentação e os processos de fioriture parecem envelhecidos ; eliminando, porém, esses bordados de outro tempo, encontram-se pensamentos originaes e característicos, em que a naturalidade apparente não exclue de modo algum o mérito dá feitura. Oa baixos têm um certo movimento, mais decidido do que os da maior parte das composições dos nossos cravistas do XVIII século a excepção de Couperin, cujo encanto natural, e a extrema dis-tincção na escolha dos pensamentos musicaes fazem delle um me-lodista puro, um harmonista de sentimento.

Rameau procede de facto de Couperin; reproduz imperfeita-mente as qualidades de suavidade e de expressão natural; mas é-lhe superior pelo seu forte temperamento de harmonista, as suas modulações são mais variadas, o seu estylo mais enérgico, de mais movimento.

E' preciso estabelecer uma reserva para ficarmos do lado da verdade esthetica.

Os processos os mais engenhosos, a vontade a mais pronun-ciada não substituem a facilidade e a habilidade de escrever que dá o habito de grupar notas, de dispor e de combinar os sons, e de fazer mover com clareza as partes vocaes e instrumentaes concer-tantes. A arte do contraponto muito pouco praticada em França, n'essa época faltou á educação de Rameau, e apezar do seu gosto creàdor, pensamentos audazes os mais felizes, e a producção consi-deravel deixaram-o relativamente inferior como pratico aos seus

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illustres contemporâneos, S. Bach, Haendel, A. Scarlatti, Marcollo, Léo, Durante, e Oaldara.

Os retratos de Rameau são numerosos, mas todos,—reflexos de uma gloria tardia, discutida e laboriosamente conquistada -• mos-tram o compositor em idade avançada. A physionomia, eminente-mente característica, está cheia de rugas profundas. A testa proe-minente, o nariz aquilino, as maçãs do rosto salientes, significam uma vontade enérgica.

No moral, Rameau era de um caracter concentrado, sombrio e taciturno ; absorvido nos trabalhos de compositor e theorico, sempre oecupado a responder aos ataques, ás criticas judiciosas ou errôneas, reservava todas as forças para o triumpho das suas idéas,

para a propagação da sua fé musical.

Rameau, apezar de concentrado, teve amisades fieis que de certo o abandonariam se não lhe reconhecessem nobreza de alma, sentimentos elevados e delicados.

Egoísta, tal é o Rameau das chronicas ligeiras do XVIII século ; pensativo e concentrado, tal é o dos biographos im-parciaes.

Luiz XV nomeou-o membro da Ordem de S. Miguel. Rameau nunca registrou estes titulos.

Deste modo já elle antecipava-se á idéia de Beetthoven que dizia , que a verdadeira nobreza estava nas suas mortaes creações.

Funeraes pomposos foram feitos ao artista francez.

Hoje, ha mais de duzentos annos, um grupo de artistas fez uma subscripção para erigir uma estatua a Rameau, idéia generosa, cujo bom êxito provou que a gloria de Rameau entrou no patri-monio nacional.

Marmontel.

partes tinham marcado que eram escriptas para clari-netto em si bemol, mas o transporte não estava feito.

A peça era escripta em ré natural.

Pois os senhores estam tocando em rè ? pergunta Berlioz.

Estamos.

Está errado. Transportem para/á natural. Não sabemos transportar,

Pois então é impossivel ensaiar, responde Berlioz. Qual historias ! exclama um dos clarinettistas, o senhor está nos fazendo uma injustiça, somos membros da sociedade, temos todos o mesmo direito de tocar em ré. E esta!....

UMA ANELOCTA

A directoria de uma sociedade musical de .amadores, imaginando que a sua maior gloria seria dar um certo debaixo da direcção e regência de Berlioz, con-vidou este musico notável para dirigir a execução dos melhores trechos dos Troymos, do mesmo Berlioz.

O celebre instrumentista não podendo deixar de corresponder ao instante pedido dos amadores marcou dia e hora para o primeiro ensaio.

Berlioz levanta a batuta, dá o signal de começar ; e quando menos se esperava uma desafinação diabólica compromette os créditos da partitura.

Berlioz põe as mãos na cabeça e faz vêr aos clari-nettistas que o que elles estão tocando não é nada do

que elle escreveo.

Começam de novo, e teimosa repete-se a desafinação. Berlioz, impaciente, arrependido de ter cedido ao pedido dos amadores, pede aos clarinettistas que lhe deixem ver os papeis.

Então, é que se dá pela causa do descalabro : as

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