ACÓRDÃO TC-634/2021-1 – 2
ª CÂMARAPRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAL – EXERCÍCIO DE 2019 – REGULAR – QUITAÇÃO - RECOMENDAR – DAR CIÊNCIA – ARQUIVAR.
O RELATOR EXMO. SR. CONSELHEIRO LUIZ CARLOS CICILIOTTI DA CUNHA:
1. DO RELATÓRIO:
Tratam os autos da Prestação de Contas Anual da Procuradoria Geral do Município de Aracruz, referente ao exercício de 2019, sob a responsabilidade dos Srs. Dolivar Gonçalves Junior e Wagner José Elias Carmo.
Com base no Relatório Técnico nº 00545/2020-7 e na Instrução Técnica Inicial nº 00023/2021-5, foi proferida a Decisão SEGEX nº 00024/2021-1, por meio da qual os gestores responsáveis foram citados para justificarem o seguinte indício de
irregularidade:
3.4.1 Recolhimento a menor ao INSS das alíquotas do FAP (Fator Acidentário de Prevenção e RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), com recolhimento da alíquota de 2%, sendo o correto o percentual de 2,72%.
Devidamente citados (Termos de Citação 00069/2021-7 e 00070/2021-1), os Srs.
Dolivar Gonçalves Junior e Wagner José Elias Carmo, respectivamente, apresentaram suas razões de justificativas e documentos conforme arquivos
Acórdão 00634/2021-1 - 2ª Câmara
Processo: 03071/2020-7
Classificação: Prestação de Contas Anual de Ordenador Exercício: 2019
UG: PROGE - Procuradoria Geral do Município de Aracruz Relator: Luiz Carlos Ciciliotti da Cunha
Responsável: DOLIVAR GONCALVES JUNIOR, WAGNER JOSE ELIAS CARMO
Conferência em www.tcees.tc.br Identificador: 2E553-9AA45-EE423
Assinado por LUCIANO VIEIRA 19/05/2021 11:29 Assinado por LUCIRLENE SANTOS RIBAS 19/05/2021 14:44 Assinado por LUIZ CARLOS CICILIOTTI DA CUNHA 19/05/2021 14:53 Assinado por SERGIO MANOEL NADER BORGES 19/05/2021 22:00
Defesa/Justificativas 00280/2021-9 e 00278/2021-1 e Peça Complementar 11876/2021-1.
Instado a manifestar-se, o Núcleo de Controle Externo de Economia e
Contabilidade – NCONTAS, por meio da Instrução Técnica Conclusiva nº 00976/2021-1, opinou, em síntese, no seguinte sentido:
(...)
3 CONCLUSÃO E PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
Foi examinada a Prestação de Contas Anual relativa à PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO DE ARACRUZ, exercício de 2019, formalizada de acordo com a Resolução TC 261/13 e alterações posteriores, de responsabilidade dos Sr.(s) DOLIVAR GONÇALVES JUNIOR E WAGNER JOSÉ ELIAS CARMO.
Respeitado o escopo delimitado pela Resolução TC 297/2016, a análise teve por base as informações apresentadas nas peças e demonstrativos contábeis encaminhados pelo gestor responsável, nos termos da Instrução Normativa 43/2017.
No mérito, quanto ao aspecto técnico-contábil e o disposto na legislação
pertinente, opina-se pelo julgamento REGULAR da prestação de Contas do Sr.(s) DOLIVAR GONÇALVES JUNIOR E WAGNER JOSÉ ELIAS CARMO TINS, no exercício de 2019, conforme dispõe o art. 84, inciso I, da Lei Complementar 621/2012, Regimento Interno do TCEES.
Considerando o item 3.1 do Relatório Técnico, sugere-se Recomendar ao gestor atual que adote providências administrativas cabíveis junto ao setor de contabilidade visando a parametrização do seu sistema contábil de forma a garantir que dados contábeis, encaminhados ao TCEES no formato de remessas mensais (PCM), não venham a sofrer alterações ou modificações posteriores, passando a adotar mecanismos de fechamento mensal e ajustes contábeis necessários dentro dos períodos ainda abertos, conforme a boa prática contábil e definições constantes das normas de contabilidade aplicadas ao setor público.
O Ministério Público de Contas, por meio do Parecer n.º 01872/2021-2, de lavra do Procurador Dr. Heron Carlos Gomes de Oliveira, anuiu a proposta da área técnica e pugnou pela regularidade das contas dos responsáveis.
É o Relatório. Passo a fundamentar.
VOTO
2. DA FUNDAMENTAÇÃO:
Analisados os autos, verifico que a área técnica e o Ministério Público de Contas manifestaram-se pela regularidade das Contas dos Srs. Dolivar Gonçalves Junior e Wagner José Elias Carmo, na forma do artigo 84, da lei complementar estadual 621/2012, conforme os fundamentos expostos pelo corpo técnico na Instrução Técnica Conclusiva 00976/2021-1, abaixo transcrita:
(...)
2.1 Recolhimento a menor ao INSS das alíquotas do FAP (Fator Acidentário de Prevenção e RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), com recolhimento da alíquota de 2%, sendo o correto o percentual de 2,72%. (item 3.4.1 do RT) Base Legal: Art. 22, inciso II da Lei Federal nº 8.212/1991, IN RFB nº 971/2009, art. 72, §1º e a alíquota RAT no Anexo V do Decreto Federal nº 6.957/2009.
DE ACORDO DO RT
A ressalva foi apontada no item 1.2.2 do RELUCI nos seguintes termos (Pág. 14):
O responsável pela UG apresentou suas justificativas por meio do relatório PROEXE (Pronunciamento Expresso do Chefe do Poder atestando ter tomado conhecimento das conclusões contidas no Parecer Conclusivo emitido pelo Órgão Central do Sistema de Controle Interno) nos termos abaixo:
[...]Pelo achado, a conclusão do órgão de controle foi de que o gestor responsável pela Procuradoria não teria repassado o índice correto no que concerne ao Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), para os meses de janeiro e fevereiro de 2019. Ocorre, contudo, que há um erro grosseiro na indicação do gestor da procuradoria para o ponto de controle, pois, na Prefeitura Municipal de Aracruz, em razão
folha de pagamento, dos servidores, é da Secretaria Municipal de Administração e Recursos Humanos. Aliais. A prova da ausência de responsabilidade do gestor da procuradoria é confirmada pelo Senhor Secretário de Administração, ao exarar o Memorando n.º 161/2020 (anexo I) para esclarecer o motivo da ocorrência do ponto de controle.
Assim dispõe a Lei Municipal n.º 3337/2010:
Art. 11. A Secretaria Municipal de Administração centralizará o controle e elaboração das folhas de pagamentos do pessoal dos órgãos constituídos em unidades orçamentárias, cabendo ao seu titular autorizar essas despesas à conta das dotações orçamentárias próprias consignadas a todos os órgãos Assim, analisando a ressalva do Controle Interno e as justificativas apresentadas pelo responsável da UG, nos meses de janeiro e fevereiro de 2019, a alíquota utilizada para o recolhimento ao INSS, a título do FAP e RAT, foi de 2% sendo o correto 2,72%.
O Gestor também menciona que a responsabilidade por tal diferença seria do titular da Secretaria de Administração municipal, mas não trouxe aos autos se a referida diferença previdenciária foi devidamente recolhida em momento oportuno (a partir de março de 2019), pois este responde pelas contribuições previdenciárias dos servidores lotados na pasta de sua responsabilidade, mesmo que a atribuição da elaboração da folha de pagamento seja de responsabilidade de outra UG municipal.
JUSTIFICATIVAS
Os responsáveis Srs. Dolivar Gonçalves Junior e Wagner José Dias Carmo, em suas respectivas defesas 280/20213 e 278/2021, alegaram as mesmas justificativas a seguir:
Em resposta ao questionamento apresentado no item 3.4.1, cabe informar que as diferenças apuradas pelo Departamento de RH nos meses de janeiro e fevereiro de 2019 referentes a alíquota correta de FAP, foram devidamente recolhidas no exercício de 2020 conforme anexos apresentados a esta defesa.
Cabe ressaltar, que na justificativa do Sr. Wagner José Elias Carmo, constatou –se que não foram anexadas as guias de recolhimento, entretanto, o Sr. Dolivar Gonçalves Junior anexou essas informações, que podem ser aproveitadas para ambas defesas.
ANÁLISE DAS JUSTIFICATIVAS
A peça inicial questiona pagamento a menor de contribuição previdenciária, paga em decorrência dos riscos de ambientais do trabalho – RAT, com fator acidentário de prevenção – FAP, de 2% quando deveria ser 2,72%.
A referida inconsistência ocorreu no mês de janeiro e fevereiro de 2019, como já havia relatado o controle interno por meio, arquivo RELUCI, assim, o analista, responsável pela elaboração do Relatório técnico sugeriu a citação do gestor para que apresentasse justificativas pelo não recolhimento das diferenças ocorridas naquele período.
Foi anexado aos autos, os documentos trazidos pela defesa ((fl.10 e 11/11 da defesa 280/2021), correspondentes as cópias das Guias da Previdência Social – GPS, com as competências janeiro e fevereiro de 2019 e seus comprovantes de pagamento, datados de 21/12/2020, comprovando a alegação da defesa e afastando o indício de irregularidade.
Os valores pagos referentes às competências janeiro e fevereiro de 2019, foram respectivamente R$554,82 e R$480,71, dos quais R$ 122,82 e R$104,71, referem-se a ATM/MULTA E JUROS, perfazendo o valor total de R$ 227,15.
Ainda a título de informação, observa-se que, consta na defesa 280/2021, às fls. 10 e 11, constam memorandos da Secretaria de Administração, datados de 17 de dezembro de 2020, os quais trazem planilhas elaboradas pelo Setor de Recursos Humanos, com os valores a serem pagos à título de “diferença de pagamento referente a atualização da alíquota FAT” de todas as Unidades Gestoras do Município, cujas somatórias representam os valore de R$ 23.643,41 e R$ 22,960,62, respectivamente, referentes a janeiro e fevereiro de 2019.
Diante de todo o exposto, considera-se esclarecido o apontamento e opina-se pelo afastamento do indício de irregularidade e, ainda, considerando a imaterialidade do valor dos juros, entende-se não haver necessidade de apuração da responsabilidade pelos pagamentos realizados com o valor das alíquotas equivocadas nesta unidade gestora.