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OBTENC ¸ ˜ AO E UTILIZAC ¸ ˜ AO DE GRAFOS-LIMITE DE AUT ˆ OMATOS CELULARES ELEMENTARES

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE PROGRAMA DE P ´ OS-GRADUAC ¸ AO EM ENGENHARIA EL´ ETRICA E COMPUTAC ¸ ˜ AO

Eurico Luiz Prospero Ruivo

OBTENC ¸ ˜ AO E UTILIZAC ¸ ˜ AO DE GRAFOS-LIMITE DE AUT ˆ OMATOS CELULARES ELEMENTARES

S˜ao Paulo 2016

(2)

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE PROGRAMA DE P ´ OS-GRADUAC ¸ AO EM ENGENHARIA EL´ ETRICA E COMPUTAC ¸ ˜ AO

Eurico Luiz Prospero Ruivo

OBTENC ¸ ˜ AO E UTILIZAC ¸ ˜ AO DE GRAFOS-LIMITE DE AUT ˆ OMATOS CELULARES ELEMENTARES

Texto de tese apresentado ao

Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica e Computa¸c˜ao como requisito das exigˆencias do exame para obten¸c˜ao do t´ıtulo de Doutor em Engenharia El´etrica e Computa¸c˜ao.

Orientador: Prof. Dr. Pedro Paulo Balbi de Oliveira

S˜ao Paulo 2016

(3)

R934o Ruivo, Eurico Luiz Prospero

Obtenção e utilização de grafos-limite de autômatos celulares elementares / Eurico Luiz Prospero Ruivo - 2016.

111f.: il., 30 cm

Tese (Doutorado em Engenharia Elétrica e

Computação) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2016.

Orientação: Pedro Paulo Balbi de Oliveira Bibliografia: f. 96-100

1. Autômatos celulares elementares. 2. Comportamento

limite. 3. Complexidade. 4. Grafos de processo. 5.

Isomorfismo entre grafos. 6. Linguagem regular. 7.

Transformada discreta de Fourier. I. Título.

CDD 515.723

(4)
(5)

Agradecimentos

Agrade¸co a todos que me apoiaram e fizeram parte de minha vida durante esse per´ıodo.

Aos meus pais, Jo˜ao Luiz e Marilda, pela cria¸c˜ao e base quando era pequeno e pelo apoio e compreens˜ao agora que j´a cresci.

Ao meu irm˜ao Jo˜ao Pedro, pelo companheirismo eterno e pelos v´arios dias que passa- mos recordando a infˆancia e rindo de coisas que ningu´em mais entende (nem se explicar- mos).

Ao meu orientador Prof. Dr. Pedro Paulo Balbi de Oliveira, por todo apoio, pela confian¸ca depositada em mim, por todos esses anos de amizade, por ter me ensinado (com louvor) a dar os primeiros passos na vida acadˆemica. Meu muito obrigado e a esperan¸ca de continuarmos trabalhando juntos mesmo ap´os a conclus˜ao de meu doutorado.

Aos meus amigos da ´epoca do col´egio que permanecem at´e hoje, Rodrigo e Mikhail.

Desculpas por todas as vezes que recusei um convite para sair e obrigado por, mesmo assim, continuarem a me convidar.

Aos meus amigos e amigas de todos os lugares: Amanda Suhai, Ana Paula Sanches, Arthur Tamborino, Guilherme Ba´ıa, Karen Pierin, Lucas Dorin e Mauricio Boni,

Aos meus amigos do Laborat´orio de Computa¸c˜ao Natural, em especial Ana Carolina e Willyan Abilhoa (parab´ens aos dois e saudades da visita `a loja de doces quase todas as tardes), Alexandre Szabo, Daniel Ferrari, Danilo Cunha, D´avila Patr´ıcia, Mauricio Verardo, Pedro Henrique, Rafael F´elix, Rafael Xavier e Zorandir Soares.

A Vida em si e a todos os acontecimentos, positivos e negativos, pois cada um sempre` tem um papel e pode ser aproveitado de alguma forma.

Aos membros de minha banca: Prof. Dr. Pedro Paulo Balbi de Oliveira, Prof. Dr.

Arnaldo Mandel, Prof. Dr. Eric Antonio Goles Chacc, Prof. Dr. Leandro Nunes de Castro e Prof. Dr. Nizam Omar pelas observa¸c˜oes, coment´arios e sugest˜oes que possibilitaram um melhor desenvolvimento e conclus˜ao do presente trabalho.

Aos professores do Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica e Computa¸c˜ao da Universidade Presbiteriana Mackenzie pela base s´olida que me forneceram e sobre a qual pude me apoiar para o desenvolvimento deste trabalho.

Agrade¸co tamb´em ao MackPesquisa - Fundo Mackenzie de Pesquisa, pela disponi- biliza¸c˜ao de reserva t´ecnica, e `a Universidade Presbiteriana Mackenzie pela isen¸c˜ao de mensalidades e taxas oferecida para meu curso de doutorado.

(6)

RESUMO

Autˆomatos celulares s˜ao sistemas dinˆamicos localmente definidos, discretos no espa¸co, no tempo e nas vari´aveis de estado, e capazes de apresentar comportamento emergente global arbitrariamente complexo. Uma das quest˜oes centrais no estudo de autˆomatos ce- lulares refere-se ao comportamento limite, isto ´e, `as caracter´ısticas da dinˆamica global, ao considerar-se o limite de uma evolu¸c˜ao temporal infinita. Trabalhos anteriores mos- traram que para evolu¸c˜oes temporais finitas de autˆomatos celulares unidimensionais, suas dinˆamicas podem ser sempre descritas por linguagens regulares e, portanto, por autˆomatos finitos. Al´em disso, esses estudos indicaram a existˆencia de padr˜oes para a evolu¸c˜ao desses autˆomatos finitos para algumas regras; entretanto tais resultados foram obtidos manu- almente atrav´es da inspe¸c˜ao direta das estruturas que neles surgem ao longo do tempo.

Neste trabalho apresenta-se a formaliza¸c˜ao de um m´etodo autom´atico para o c´alculo de tais estruturas. Com base nisso, as regras do espa¸co de autˆomatos celulares elementa- res s˜ao classificadas de acordo com a existˆencia de um padr˜ao de crescimento de seus autˆomatos finitos. Al´em disso, este trabalho apresenta novos m´etodos para a inferˆencia do grafo-limite de alguns autˆomatos celulares elementares, por meio da an´alise das ex- press˜oes regulares que descrevem seus comportamentos em tempo finito e do estudo da evolu¸c˜ao dos atratores de cada regra, bem como uma aplica¸c˜ao desses grafos-limite para o c´alculo de espectros de Fourier das regras.

Palavras-chave: Autˆomatos celulares elementares, comportamento limite, complexidade, grafos de processo, isomorfismo entre grafos, linguagem regular, transformada discreta de Fourier

(7)

ABSTRACT

Cellular automata are locally defined dynamical systems which are discrete in space, time and in the state variables, and capable of presenting arbitrarily complex global emergent behaviour. One core question in the study of cellular automata refers to their limit beha- viour, that is, to the global dynamical features in a infinite time evolution. Previous works have shown that for finite time evolutions, one-dimensional cellular automata present dy- namics which can be described by regular languages and, therefore, by finite automata.

Also, such studies have shown the existence of growth patterns in the evolution of such finite automata for some cellular automata rules; however these results were obtained ma- nually by directly inspecting the structures that arise during the time evolution. In this work we present the formalisation of an automatic method to compute such structures.

Based on this, the rules of the elementary cellular automata rule space were classified ac- cording to the existence of a growth pattern in their finite automata. Also, we present new methods to infer the limit graph of some elementary cellular automata rules by analysing the regular expressions describing their behaviour in finite-time and the attractors of each rule, as well as an application of these graphs in computing the Fourier spectra of the rules.

Keywords: Elementary cellular automata, limit behaviour, complexity, process graphs, graph isomorphism, regular language, discrete Fourier transform

(8)

Sum´ ario

Lista de s´ımbolos e abreviaturas 1

Lista de defini¸c˜oes e exemplos 1

Lista de figuras 3

Lista de tabelas 5

1 Introdu¸c˜ao 6

1.1 Motiva¸c˜ao . . . 8

1.2 Objetivo . . . 8

1.3 Metodologia . . . 8

2 Fundamentos 10 2.1 Autˆomatos celulares . . . 10

2.1.1 Autˆomatos celulares, configura¸c˜oes e evolu¸c˜ao temporal . . . 10

2.1.2 ACs unidimensionais . . . 13

2.1.3 Classifica¸c˜oes dinˆamicas . . . 16

2.1.4 Espectros de ACs unidimensionais . . . 21

2.2 Linguagens formais e autˆomatos finitos . . . 24

2.2.1 Linguagens formais . . . 24

2.2.2 Autˆomatos finitos . . . 27

2.3 Linguagens-limite de autˆomatos celulares . . . 31

2.4 Trabalhos anteriores . . . 34

3 Crescimento dos grafos de processo 35 3.1 Grafos de processo dos autˆomatos celulares elementares (ACEs) . . . 35

3.1.1 Grafos de De Bruijn e o m´etodo iterativo . . . 35

3.1.2 Composi¸c˜ao de regras e o m´etodo direto . . . 42

3.2 Complementos de grafos . . . 47

3.3 Coberturas e conjuntos de diferen¸cas . . . 50

3.4 Grafos de processo de ACEs com crescimento constante . . . 53

4 Inferˆencia de grafos-limite por meio da evolu¸c˜ao de express˜oes regulares 57 4.1 An´alise do crescimento das express˜oes regulares . . . 57

4.2 An´alise da evolu¸c˜ao de atratores . . . 62

4.2.1 Inferˆencia de grafo-limite pela an´alise da evolu¸c˜ao de atratores . . . 63

4.2.2 Atratores calculados para a regra 178 . . . 68

4.2.3 Atratores calculados para a regra 160 . . . 75

(9)

5 C´alculo de espectros por meio de grafos-limite 78

5.1 M´etodo da poda . . . 78

5.2 M´etodo do grafo-limite . . . 81

5.3 Resultados e compara¸c˜ao entre os m´etodos . . . 83

5.3.1 Espectros sem diferen¸cas . . . 84

5.3.2 Espectros com diferen¸cas posicionais . . . 84

5.3.3 Espectros com diferen¸cas essenciais . . . 86

6 Conclus˜oes e poss´ıveis extens˜oes 93 Referˆencias Bibliogr´aficas 96 A Express˜oes regulares utilizadas para inferˆencia de comportamento li- mite 101 A.1 Regra 32 . . . 101

A.2 Regra 56 . . . 102

A.3 Regra 128 . . . 103

A.4 Regra 132 . . . 103

A.5 Regra 136 . . . 104

A.6 Regra 140 . . . 104

A.7 Regra 160 . . . 105

A.8 Regra 162 . . . 106

A.9 Regra 168 . . . 107

A.10 Regra 178 . . . 107

A.11 Regra 184 . . . 111

(10)

Lista de defini¸ c˜ oes e exemplos

2.1 Defini¸c˜ao: Autˆomato celular . . . 10

2.2 Defini¸c˜ao: Configura¸c˜ao . . . 10

2.3 Defini¸c˜ao: Configura¸c˜ao s-finita . . . 11

2.4 Defini¸c˜ao: Configura¸c˜ao peri´odica . . . 11

2.5 Defini¸c˜ao: Conjunto de configura¸c˜oes em tempo finito t . . . 12

2.1 Exemplo: Fun¸c˜ao de transi¸c˜ao local . . . 12

2.6 Defini¸c˜ao: Raio de um AC unidimensional . . . 13

2.7 Defini¸c˜ao: N´umero de Wolfram W(f) de uma regra . . . 14

2.2 Exemplo: C´alculo do n´umero de WolframW(f) . . . 14

2.8 Defini¸c˜ao: Composi¸c˜ao de dois ACs . . . 15

2.3 Exemplo: Composi¸c˜ao de ACs . . . 15

2.9 Defini¸c˜ao: Opera¸c˜oes de simetria . . . 19

2.4 Exemplo: Aplica¸c˜ao de simetrias . . . 19

2.5 Exemplo: Regras dinamicamente equivalentes . . . 20

2.10 Defini¸c˜ao: Transformada discreta de Fourier . . . 21

2.6 Exemplo: Espectro da regra 184 . . . 22

2.11 Defini¸c˜ao: Alfabetos e cadeias . . . 24

2.12 Defini¸c˜ao: Opera¸c˜oes sobre linguagens . . . 24

2.7 Exemplo: Opera¸c˜oes sobre linguagens . . . 24

2.13 Defini¸c˜ao: Gram´atica . . . 25

2.8 Exemplo: Linguagem gerada por uma gram´atica . . . 25

2.14 Defini¸c˜ao: Express˜ao regular . . . 26

2.15 Defini¸c˜ao: Autˆomato Finito Determin´ıstico . . . 27

2.16 Defini¸c˜ao: Grafo direcionado rotulado . . . 27

2.17 Defini¸c˜ao: Caminho em um grafo . . . 28

(11)

2.9 Exemplo: Representa¸c˜ao de um grafo . . . 28

2.10 Exemplo: Autˆomato Finito Determin´ıstico . . . 29

2.11 Exemplo: Cadeias aceitas por um AFD . . . 29

2.18 Defini¸c˜ao: Linguagem fatorial . . . 30

2.19 Defini¸c˜ao: Linguagem de processo . . . 30

2.12 Exemplo: Grafo de processo . . . 30

2.20 Defini¸c˜ao: Conjunto ω-limite de um subconjunto do espa¸co de configura¸c˜oes 31 2.21 Defini¸c˜ao: Atrator de um AF . . . 31

2.22 Defini¸c˜ao: Conjunto-limite de um AC . . . 31

3.1 Defini¸c˜ao: Grafo de De Bruijn de um AC . . . 35

3.1 Exemplo: Grafo de De Bruijn da regra 150 . . . 36

3.2 Defini¸c˜ao: Configura¸c˜oes aceitas por um grafo de processo (ou AFD) . . . 37

3.3 Defini¸c˜ao: Conjuntos de configura¸c˜oes induzidos por linguagens . . . 37

3.4 Defini¸c˜ao: Conjuntos de configura¸c˜oes descritos por grafos de processo (ou AFDs) . . . 37

3.2 Exemplo: Grafo gerado pela fun¸c˜ao NetCAStep para a regra 126 . . . 39

3.5 Defini¸c˜ao: Subgrafo . . . 48

3.6 Defini¸c˜ao: Isomorfismo entre grafos . . . 48

3.7 Defini¸c˜ao: Subisomorfismo entre grafos . . . 48

3.8 Defini¸c˜ao: Subgrafo gerado . . . 48

3.9 Defini¸c˜ao: Subgrafo complementar . . . 48

3.10 Defini¸c˜ao: Complemento entre grafos . . . 49

3.11 Defini¸c˜ao: Cobertura de grafos . . . 50

3.12 Defini¸c˜ao: Conjunto de diferen¸cas entre grafos . . . 51 5.1 Exemplo: Desaparecimento de padr˜oes finitos durante a evolu¸c˜ao temporal 83

(12)

Lista de figuras

2.1 Representa¸c˜ao de uma regra de transi¸c˜ao . . . 13

2.2 Representa¸c˜ao de uma evolu¸c˜ao temporal . . . 13

2.3 Evolu¸c˜ao temporal da composi¸c˜ao de duas regras . . . 16

2.4 Evolu¸c˜ao temporal com ponto-fixo e com regime peri´odico . . . 17

2.5 Evolu¸c˜oes temporais de regras representantes das classes de Wolfram e de Li-Packard . . . 19

2.6 Evolu¸c˜ao temporal de regras dinamicamente equivalentes . . . 20

2.7 Espectros da regra 184 para configura¸c˜oes com diferentes densidades . . . . 23

2.8 Aplica¸c˜ao de regras de substitui¸c˜ao e forma¸c˜ao de linguagem por uma gram´atica . . . 26

2.9 Representa¸c˜ao gr´afica de um grafo . . . 28

2.10 Representa¸c˜ao gr´afica de um AFD . . . 29

2.11 Exemplo de grafo de processo . . . 30

3.1 Grafo de De Bruijn da regra 150 . . . 36

3.2 Fluxograma do m´etodo iterativo . . . 38

3.3 Grafo gerado pela fun¸c˜ao NetCAStep para a regra 126 com t= 1 . . . 40

3.4 Grafo gerado pela fun¸c˜ao NetCAStep para a regra 126 com t= 1 . . . 40

3.5 Fluxograma do m´etodo direto . . . 43

3.6 Diferen¸ca de grafos utilizada em (Trafaniuc, 2004) . . . 47

3.7 Grafo e subgrafo gerados e grafo complementar . . . 49

3.8 C´alculo do complemento de dois grafos de processo da regra 184 . . . 50

3.9 Estruturas isomorfas em grafos . . . 51

3.10 Exemplo de cobertura de um grafo da regra 184 . . . 52

3.11 Conjuntos de coberturas e de diferen¸cas da regra 184 . . . 53

3.12 Exemplos de grafos com padr˜ao de crescimento . . . 55

(13)

3.13 Grafos das regras 136 e 184 constru´ıdos por estruturas adicionadas . . . 55

4.1 Grafo-limite da regra 32 . . . 59

4.2 Grafos e express˜oes-limite das regras 32, 56, 128, 132 e 136 . . . 60

4.3 Grafos e express˜oes-limite das regras 140, 162, 168 e 184 . . . 61

4.4 Grafo de processo descrevendo configura¸c˜oes sem a cadeia “11” . . . 62

4.5 Representa¸c˜ao gr´afica da rela¸c˜ao entre atratores e o conjunto-limite . . . . 63

4.6 Inferˆencia do conjunto-limite a partir de atratores . . . 64

4.7 Evolu¸c˜ao dos grafos de processo da regra 178. . . 68

4.8 Evolu¸c˜ao dos grafos de processo da regra 178 com exclus˜oes de 000 e 111. . 72

4.9 Grafos descrevendo atratores da regra 178 com exclus˜oes de 000 e 111 . . . 73

4.10 Grafo descrevendo o atrator da regra 178 obtido a partir de configura¸c˜oes iniciais que n˜ao possuem 0 e 1 . . . 74

4.11 Grafo-limite da regra 178. . . 74

4.12 Evolu¸c˜ao dos grafos de processo da regra 160 com exclus˜oes de 111. . . 76

4.13 Grafo descrevendo o atrator da regra 160 com exclus˜oes de 111 . . . 77

4.14 Grafo-limite da regra 160. . . 77

5.1 Comportamento do crescimento de uma mesma configura¸c˜ao para diferen- tes regras . . . 79

5.2 Exemplos de evolu¸c˜oes temporais incorretamente representadas no espectro do m´etodo da poda . . . 81

5.3 Grafos com peso e espectros das regras 32, 128 e 136 . . . 84

5.4 Grafos com peso e espectros das regras 132, 140, 178 e 184 . . . 85

5.5 Evolu¸c˜oes temporais das regras 132, 140, 178 e 184 para configura¸c˜oes 0- finitas e 1-finitas . . . 87

5.6 Grafos com peso e espectros das regras 56, 160, 162 e 168 . . . 88

5.7 Exemplo da evolu¸c˜ao temporal da regra 56. . . 89

5.8 Exemplo de evolu¸c˜ao temporal da regra 160 . . . 90

5.9 Exemplo de evolu¸c˜ao temporal da regra 162 . . . 91

5.10 Exemplo de evolu¸c˜ao temporal da regra 168 . . . 91

(14)

Lista de tabelas

2.1 Tabelas de transi¸c˜oes de regras dinamicamente equivalentes . . . 21

3.1 Tabela de complexidade dos ACEs (1/2) . . . 45

3.2 Tabela de complexidade dos ACEs (2/2) . . . 46

3.3 Classifica¸c˜ao dos ACEs de acordo com o crescimento dos grafos de processo 54 4.1 Evolu¸c˜ao da express˜ao regular descrevendo Ωt32. . . 57

4.2 Express˜oes regulares de alguns atratores da regra 184 . . . 65

4.3 Express˜oes regulares em tempo finito para a obten¸c˜ao de um atrator da regra 184 . . . 66

4.4 Evolu¸c˜oes dos grafos de processo da regra 178 com exclus˜oes de cadeias de 1s. . . 69

A.1 Express˜oes regulares da regra 32 . . . 101

A.2 Express˜oes regulares da regra 56 . . . 102

A.3 Express˜oes regulares da regra 128 . . . 103

A.4 Express˜oes regulares da regra 132 . . . 103

A.5 Express˜oes regulares da regra 136 . . . 104

A.6 Express˜oes regulares da regra 140 . . . 104

A.7 Express˜oes regulares da regra 160 . . . 105

A.8 Express˜oes regulares da regra 162 . . . 106

A.9 Express˜oes regulares da regra 168 . . . 107

A.10 Express˜oes regulares da regra 178 . . . 111

A.11 Express˜oes regulares da regra 184 . . . 111

(15)

Cap´ıtulo 1 Introdu¸ c˜ ao

Os autˆomatos celulares (ACs) s˜ao sistemas dinˆamicos discretos no espa¸co, no tempo e nas vari´aveis de estado que apresentam comportamento s´ıncrono, paralelo e homogˆeneo (Kari, 2005). Propostos inicialmente por Von Neumann (1966) em um estudo sobre estruturas autorreplic´aveis, tˆem sido estudados desde ent˜ao sob diversos pontos de vista, como objetos computacionais, matem´aticos e como modelos de diversas situa¸c˜oes reais (Wolfram, 2002).

Um dos primeiros ACs a ficar famoso, o“Game of Life”, desenvolvido pelo matem´atico John Conway e divulgado ao p´ublico por Gardner (1970), ´e definido a partir de trˆes regras simples atuando localmente sobre um plano formado por c´elulas. Apesar da defini¸c˜ao simples de como a regra atua, o AC em quest˜ao ´e capaz de apresentar comportamento global arbitrariamente complexo, apresentando inclusive computabilidade universal (Kari, 2005).

Foi demonstrado por Cook (2004) que a regra 110 do espa¸co dos autˆomatos celula- res elementares – um dos tipos mais simples de ACs – tamb´em exibe computabilidade universal. Langton (1990) conjecturou anteriormente que ACs com capacidade de trans- miss˜ao, armazenamento e processamento de informa¸c˜ao encontram-se entre regras com comportamento peri´odico bem estabelecido e regras ca´oticas, em uma regi˜ao conhecida como“beira do caos” (“edge of chaos” no original).

Somando-se sua capacidade de processamento paralelo de informa¸c˜ao `a existˆencia de regras simples com computabilidade universal, o interesse nos ACs do ponto de vista computacional ´e indiscut´ıvel.

Os ACs tamb´em apresentam potencial para aplica¸c˜ao como modelos em simula¸c˜oes

(16)

de diversas ´areas do conhecimento. Wolfram (2002) chegou a conjecturar que todos os fenˆomenos poderiam ser descritos com base na intera¸c˜ao entre sistemas simples, incluindo ACs.

Modelos envolvendo ACs incluem, para citar apenas alguns, trabalhos nas ´areas de dinˆamica dos fluidos (Margolus, Toffoli, & Vichniac, 1986), processamento de imagens (Rosin, 2006; Shahverdi, Tavana, Ebrahimnejad, Zahedi, & Omranpour, 2016), estudo de propaga¸c˜ao de epidemias (Sirakoulis, Karafyllidis, & Thanailakis, 2000; Cisotto & Badia, 2016) e dinˆamica social (Hegselmann & Flache, 1998; Hunt, Mendi, & Bayrak, 2011).

Em contraste com os modelos desenvolvidos para aplica¸c˜oes pr´aticas, existe a possi- bilidade de se estudar os ACs como objetos matem´aticos, em abordagem de maior rigor formal e focado nas propriedades intr´ınsecas desses objetos.

Hedlund (1969) iniciou o estudo dos ACs sob o ponto de vista dadinˆamica simb´olica.

Em seu trabalho nunca se referiu aos sistemas estudados como autˆomatos celulares, mas sim como fun¸c˜oes definidas no conjunto de sequˆenciask-´arias que comutavam com oshift definido tamb´em nesse conjunto.

Alguns dos resultados fundamentais em (Hedlund, 1969) foram transcritos para seus equivalentes utilizando a terminologia padr˜ao de ACs por Kari (2005), incluindo resultados sobre a injetividade e sobrejetividade de ACs, bem como as diferen¸cas de comportamento global dos ACs existentes entre configura¸c˜oes finitas e infinitas.

Ainda do ponto de vista da dinˆamica simb´olica (Lind & Marcus, 1995), propriedades topol´ogicas e da teoria da medida relativas a ACs s˜ao apresentadas de maneira geral em (Blanchard, K˚urka, & Maass, 1997) e (K˚urka, 2012).

J´a Wolfram (2002) sugeriu o estudo dos ACs do ponto de vista fenomenol´ogico, isto

´e, o estudo de suas propriedades emergentes e de como estas relacionam-se entre si e com as defini¸c˜oes locais das regras.

Nesse sentido, Wolfram analisou diversas propriedades, como por exemplo o surgi- mento de padr˜oes ao longo da evolu¸c˜ao temporal de regras (Wolfram, 1983), a classifica¸c˜ao dos ACs de acordo com a complexidade do comportamento emergente padr˜ao (Wolfram, 2002) e o estudo das linguagens definidas a partir de regras de ACs (Wolfram, 1994).

(17)

1.1 Motiva¸ c˜ ao

Wolfram (1994) estudou a complexidade de regras de ACs a partir de caracter´ısticas do autˆomato finito (de fato, o sub-tipo grafo de processo, em que todos os estados s˜ao finais e iniciais) que reconhece a linguagem definida por essa regra. Mais precisamente, essa complexidade foi estudada com base no crescimento do n´umero de v´ertices e arestas do grafo de processo que descreve itera¸c˜oes sucessivas da regra.

Isso possibilita a compara¸c˜ao da complexidade dasdinˆamicas das regras e como essa complexidade evolui com o tempo.

Uma das perguntas feitas em (Wolfram, 1985) corresponde a que este trabalho se prop˜oe a responder parcialmente, a saber: quais conjuntos-limite um autˆomato celular pode produzir?

1.2 Objetivo

Mesmo sendo um dos espa¸cos mais simples de regras, o espa¸co dos autˆomatos celulares elementares (ACEs) pode apresentar comportamento dinˆamico arbitrariamente complexo (Cook, 2004).

De maneira informal, um ACE ´e um sistema dinˆamico temporal e espacialmente dis- creto cujas configura¸c˜oes s˜ao sequˆencias bin´arias nas quais cada bit (c´elula) ´e atualizado com base em seu estado e nos estados das c´elulas vizinhas `a esquerda e `a direita. Em resumo, a dinˆamica de um ACE ´e definida localmente com base nos estados (bin´arios) da pr´opria c´elula e de seus vizinhos mais pr´oximos.

Este trabalho tem como objetivo desenvolver ferramentas e m´etodos para determinar o comportamento limite de alguns (ACEs) por meio de um conjunto de t´ecnicas desenvol- vidas para a an´alise da evolu¸c˜ao de suas linguagens e detec¸c˜ao de padr˜oes de crescimento dessas linguagens, conforme detalhado a seguir na Se¸c˜ao 1.3.

1.3 Metodologia

Baseando-se nas ideias discutidas em trabalhos anteriores (Trafaniuc, 2004; Miki, 2006;

Costa, 2013), procurou-se inferir o comportamento limite de alguns ACEs a partir da observa¸c˜ao do padr˜ao de crescimento dos grafos que descrevem suas linguagens em tempo

(18)

finito.

Para isso, o conjunto de informa¸c˜oes sobre esses grafos contido em (Wolfram, 1994) foi recalculado e expandido, utilizando varia¸c˜oes das t´ecnicas descritas anteriormente.

A seguir, foi desenvolvida uma t´ecnica, baseada em isomorfismos entre grafos, para caracterizar o crescimento dos grafos em termos das estruturas que surgem ao longo da evolu¸c˜ao temporal de uma regra.

Essas estruturas foram ent˜ao analisadas e, para algumas regras estudadas, observou- se um padr˜ao regular nas estruturas adicionadas ao grafo em diferentes momentos da evolu¸c˜ao temporal.

Tomando como hip´otese a permanˆencia desse padr˜ao de crescimento para qualquer evolu¸c˜ao temporal finita, foi poss´ıvel calcular express˜oes regulares descrevendo as lingua- gens geradas por parte das regras para qualquer tempo finito.

Finalmente, para essas regras foi poss´ıvel inferir uma express˜ao regular descrevendo o conjunto-limite e, portanto, um grafo-limite descrevendo esse mesmo conjunto.

Os grafos-limite foram ent˜ao aplicados `a constru¸c˜ao dos espectros de Fourier dessas regras sob condi¸c˜ao de contorno n˜ao-peri´odica, resolvendo de maneira mais eficaz um problema abordado em (Ruivo & de Oliveira, 2013), a saber: que o comprimento de tais configura¸c˜oes podem variar ao longo do tempo.

Este texto est´a dividido como segue. O Cap´ıtulo 2 introduz as no¸c˜oes fundamentais e estabelece o referencial te´orico deste trabalho, estando dividido em se¸c˜oes de acordo com o assunto. As Se¸c˜oes 2.1 e 2.2 introduzem a terminologia, nota¸c˜ao e resultados relevantes sobre autˆomatos celulares e linguagens formais, respectivamente. Na Se¸c˜ao 2.3 ´e feita uma revis˜ao bibliogr´afica sobre comportamento limite de autˆomatos celulares.

No Cap´ıtulo 3 s˜ao apresentados os grafos que representam as linguagens associadas `as regras de autˆomatos celulares elementares e a conceitua¸c˜ao te´orica ´e ent˜ao seguida das contribui¸c˜oes do presente trabalho. As t´ecnicas utilizadas para detectar o padr˜ao de crescimento dos grafos descritos acima s˜ao discutidas e, em seguida, o m´etodo para inferir grafos-limite a partir da evolu¸c˜ao de express˜oes regulares ´e explicado no Cap´ıtulo 4, bem como um m´etodo para an´alise de subconjuntos do conjunto-limite e sua aplica¸c˜ao para duas regras de autˆomatos celulares. ´E feita ent˜ao uma aplica¸c˜ao desses grafos-limite para o c´alculo do espectro de Fourier das regras (Cap´ıtulo 5). Finalmente, as conclus˜oes e perspectivas para trabalhos futuros s˜ao apresentadas no Cap´ıtulo 6.

(19)

Cap´ıtulo 2

Fundamentos

2.1 Autˆ omatos celulares

2.1.1 Autˆ omatos celulares, configura¸ c˜ oes e evolu¸ c˜ ao temporal

Um autˆomato celular (AC) ´e um sistema dinˆamico discreto no espa¸co e no tempo, homogˆeneo (isto ´e, a fun¸c˜ao que define sua dinˆamica ´e a mesma em todos os pontos do espa¸co) e localmente definido. Segue abaixo uma defini¸c˜ao mais formal.

Defini¸c˜ao 2.1. Um autˆomato celularA´e uma qu´adruplaA= (S, N, f, d) (Kari, 2005), na qual:

• S ={0,1,· · · , k−1} ´e o conjunto de estados;

• N = (~v1, ~v2,· · · , ~vn), ~vi ∈Zd, ´e o vetor de vizinhan¸ca;

• f :Sn−→S ´e sua fun¸c˜ao de transi¸c˜ao local ouregra local;

• d ∈Z+ ´e sua dimens˜ao.

Defini¸c˜ao 2.2. Uma configura¸c˜ao ´e uma fun¸c˜ao c:Zd −→S. O conjunto das fun¸c˜oes deZd em S ´e denotado porSZd e ´e denominado o espa¸co das configura¸c˜oes.

O conjunto Zd ´e denominado de espa¸co celular e cada um de seus elementos ´e uma c´elula. Uma configura¸c˜ao pode ser interpretada como uma atribui¸c˜ao de um estado (isto

´e, um elemento deS) a cada c´elula. Sendo assim, dada uma configura¸c˜ao, c(~v), ~v ∈Zd,´e oestado da c´elula ~v na configura¸c˜aoc.

(20)

Defini¸c˜ao 2.3. Dado s ∈ S, uma configura¸c˜ao c ´e dita s-finita quando o conjunto {~v ∈ Zd :c(~v)6=s}´e finito. Dito de outra maneira, c´e s-finita quando, exceto por uma quantidade finita, suas c´elulas tˆem estado s. Em particular, uma configura¸c˜ao s-finita unidimensional (d = 1) pode ser escrita na forma· · ·s, s, s0, s1,· · · , s(L−1), s, s,· · ·.

Assim, uma configura¸c˜ao s-finita unidimensional c:Z−→S tal que

c(i) =





si ∈S, se 0≤i≤(L−1)∈Z s, caso contr´ario

´e denotada por c= [s0,· · · , s(L−1)]s e ´e denominada uma configura¸c˜ao s-finita unidi- mensional de tamanho L.

Defini¸c˜ao 2.4. Seja {~e1,· · · , ~ed} a base canˆonica de Zd. Se existe Li ∈ Z tal que c(~v) = c(~v +Li ·~ei), a configura¸c˜ao c ´e dita ~ei-peri´odica. Caso c seja ~ei-peri´odica para todos os vetoresei da base canˆonica de Zd,c´e ditatotalmente peri´odica.

Em particular, os dois conceitos de periodicidade descritos acima coincidem no caso unidimensional, no qual uma configura¸c˜ao obedecendo `a descri¸c˜ao acima ´e chamada sim- plesmente de peri´odica ouc´ıclica.

Uma configura¸c˜ao unidimensional c:Z−→S c´ıclica dada por

c(i) =





si ∈S, se 0≤i≤(L−1)∈Z c(i+L) = c(i), caso contr´ario

´e denotada por [s0,· · ·, s(L−1)] e ´e dita uma configura¸c˜ao unidimensional c´ıclica de tamanho L.

Dado um AC A = (S, N, f, d), a regra local f do AC induz uma fun¸c˜ao de transi¸c˜ao global F :SZd −→SZd no espa¸co das configura¸c˜oes da seguinte maneira:

(F(c))(~v) = f(~v+~v1, ~v+~v2,· · ·, ~v+~vn)

Os vetores~v1,· · ·, ~vns˜ao os elementos do vetor de vizinhan¸caN e (~v+~v1,· · · , ~v+~vn)∈ (Zd)n ´e a vizinhan¸ca de~v. Sendo assim, o estado de cada c´elula v da configura¸c˜ao F(c)

´e calculado a partir dos estados das c´elulas na vizinhan¸ca de~v na configura¸c˜ao c.

Denotando porFt(c) a itera¸c˜ao deF tvezes sobrec(isto ´e,Ft(c) = (F ◦F ◦ · · · ◦F)

| {z } t vezes

(c)),

(21)

a sequˆenciac, F(c), F2(c),· · · , Ft(c),· · · ´e aevolu¸c˜ao temporal ou´orbitadecporF. Nesse caso, c´e denominada configura¸c˜ao inicial.

Defini¸c˜ao 2.5. O conjunto de configura¸c˜oes obtido ap´os t itera¸c˜oes do AC com regra localf sobre todas as configura¸c˜oes do conjunto de configura¸c˜oes ´e denotado por Ωtf.

No caso unidimensional, a evolu¸c˜ao temporal de uma configura¸c˜ao por uma regra pode ser representada bidimensionalmente em Z2, com o tempo representado na vertical (ge- ralmente orientado para baixo) e cada elemento da sequˆencia de configura¸c˜oes ocupando uma linha.

A fim de resumir e dar maior clareza aos conceitos discutidos acima, ´e apresentado o exemplo a seguir.

Exemplo 2.1. Considere um ACA= (S, N, f, d) comS ={0,1},N = (−1,0,1),d= 1 ef :Z−→ {0,1} dada por

f(a1, a2, a3) =





0, sea1+a2+a3 ´e par 1, caso contr´ario

Trata-se de um AC unidimensional (d = 1), com conjunto de estados bin´ario (S = {0,1}) e o vetor de vizinhan¸ca N = (−1,0,1) define que, dada uma c´elula i ∈ Z, sua vizinhan¸ca ser´a (i−1, i, i+ 1).

Imaginando-se o espa¸co celular Z como uma sequˆencia bi-infinita de quadrados ar- ranjados horizontalmente, onde cada c´elula ´e representada por um desses quadrados, a vizinhan¸ca de cada c´elula ´e formada pela c´elula imediatamente `a sua esquerda, pela pr´opria c´elula e pela c´elula imediatamente `a sua direita.

Isso permite uma visualiza¸c˜ao gr´afica da regra local f, conforme a Figura 2.1, onde quadrados brancos e pretos representam, respectivamente, c´elulas no estado 0 e no estado 1. Esse c´odigo de cores ´e utilizado no restante do texto.

Considerando agora uma configura¸c˜ao 0-finita c= [1]0, parte da evolu¸c˜ao temporal de cpor F (fun¸c˜ao de transi¸c˜ao global induzida por f) encontra-se representada na Figura 2.2, com o tempo representado no eixo vertical e orientado para baixo. Observando a representa¸c˜ao gr´afica da evolu¸c˜ao temporal, ´e poss´ıvel notar a forma¸c˜ao de um padr˜ao fractal.

De fato, mesmo regras de ACs unidimensionais e bin´arios podem apresentar compor-

(22)

Figura 2.1: Representa¸c˜ao gr´afica da regra f (Exemplo 2.1). Quadrados brancos e pretos representam, respectivamente, os estados 0 e 1.

Figura 2.2: Parte da evolu¸c˜ao temporal da regraf (Exemplo 2.1). Observa-se a forma¸c˜ao de um padr˜ao fractal.

tamento complexo, conforme ser´a discutido na Se¸c˜ao 2.1.3

2.1.2 ACs unidimensionais

Autˆomatos celulares unidimensionais s˜ao extensivamente estudados sob diversos pon- tos de vista. Pelo fato de serem mais simples que os ACs de outras dimens˜oes e, mesmo assim, serem capazes de apresentar comportamento n˜ao-trivial, s˜ao um ponto de partida natural para a investiga¸c˜ao de propriedades e caracter´ısticas desses objetos.

Al´em disso, a possibilidade de observar simultaneamente as diversas itera¸c˜oes de uma evolu¸c˜ao temporal, conforme exemplificado na Figura 2.2, possibilita uma an´alise visual do comportamento dinˆamico da regra, facilitando o estudo emp´ırico e fenomenol´ogico destes, como ´e feito, por exemplo, por Wolfram (2002). Tal investiga¸c˜ao visual torna-se mais dif´ıcil (d= 2) ou imposs´ıvel (d≥3) em outras dimens˜oes.

De agora em diante, exceto se houver men¸c˜ao contr´aria, todos os ACs considerados ser˜ao unidimensionais.

Defini¸c˜ao 2.6. Sejar ∈ {12,1,112,2,· · · } e sejaNr dado por:

(23)

Nr =





(−r,−(r−1),· · · ,0,· · · , r−1, r), se r∈Z (− brc,− b(r−1)c,· · · ,0,· · · ,d(r−1)e,· · · ,dre), caso contr´ario

Um AC cujo vetor de vizinhan¸ca ´e igual a Nr, para algum r como definido acima ´e dito um AC de raio r.

Por exemplo, sejam A1 eA2 dois ACs com raios 1 e 212, respectivamente. Ent˜ao seus vetores de vizinhan¸ca s˜ao, respectivamente,N1 = (−1,0,1) e N21

2 = (−2,−1,0,1,2,3).

Fixando-se o conjunto de estados S ={0,· · · , k−1} e o raio r, o conjunto de regras que um AC com essas caracter´ısticas pode apresentar ´e denominado o espa¸co de regras k-´arias de raio r. Dentro de um espa¸co de regras como esse, cada regra individualf pode ser identificada atrav´es de seu n´umero de Wolfram (Wolfram, 2002), W(f).

Defini¸c˜ao 2.7. Dado um AC unidimensional comk estados e raio re regra local f, seu n´umero de Wolfram W(f) ´e dado por:

W(f) = X

a=(a1,···,a(2r+1))∈Z(2r+1)

f(a)kk(2r)a1+k(2r−1)a2+···+k0a(2r+1) (2.1)

Exemplo 2.2. Considere o AC do Exemplo 2.1. Temos:

f(1,1,1)222·1+21·1+20·1 = 1·24·1+2·1+1·1

= 1·27 = 128 f(1,1,0)222·1+21·1+20·0 = 0·24·1+2·1+1·0

= 0·26 = 0 f(1,0,1)222·1+21·0+20·1 = 0·24·1+2·0+1·1

= 0·25 = 0 f(1,0,0)222·1+21·0+20·0 = 1·24·1+2·0+1·0

= 1·24 = 16 f(0,1,1)222·0+21·1+20·1 = 0·24·0+2·1+1·1

= 0·23 = 0 f(0,1,0)222·0+21·1+20·0 = 1·24·0+2·1+1·0

= 1·22 = 4 f(0,0,1)222·0+21·0+20·1 = 1·24·0+2·0+1·1

= 1·21 = 2 f(0,0,0)222·0+21·0+20·0 = 0·24·0+2·0+1·0

= 0·20 = 0

Assim, como 128 + 16 + 4 + 2 = 150, a regra definida no Exemplo 2.1 ´e a regra 150 do espa¸co de regras bin´arias de raio 1.

ACs unidimensionais cujas regras tˆem raio 1 e est˜ao definidas para um conjunto bin´ario de estados s˜ao denominados autˆomatos celulares elementares (ACEs). Esse espa¸co de

(24)

regras possui 223 = 256 regras distintas e ser´a o principal objeto de estudo nos cap´ıtulos seguintes.

Apesar dos ACEs serem ainda mais simples que os ACs unidimensionais como um todo, seu espa¸co de regras apresenta grande riqueza de comportamentos dinˆamicos, desde o trivial, definido por pontos fixos, at´e a existˆencia de computabilidade universal, como ´e o caso da regra 110 desse espa¸co (Cook, 2004). Detalhes a respeito dessa diversidade de comportamentos dinˆamicos ser˜ao abordados na pr´oxima se¸c˜ao.

No restante do texto, um ACE cuja regra local apresenta n´umero W(f) ser´a referido apenas pelo n´umero de sua regra local, a qual ser´a denotada por fW(f) e cuja fun¸c˜ao global induzida ser´a denotada porFW(f). Assim, “regra 110” refere-se tanto ao ACE que apresenta regra local de n´umero 110 quanto `a regra local f110 em si.

E necess´´ ario abordar o conceito de composi¸c˜ao de dois ACs, o qual ´e utilizado em parte do texto.

Defini¸c˜ao 2.8. Dados dois ACs A1 = (S, Nr1, f,1) e A1 = (S, Nr2, g,1), define-se a composi¸c˜ao de A1 com A2 por A1◦A2 = (S, N(r1+r2), f◦g,1), com a fun¸c˜ao local (f◦g) dada por:

f ◦g(a1, a2,· · · , a2(r1+r2)+1) =f(g(a1, a2,· · · , a2r2+1),· · · , g(a(2r1+1),· · · , a2(r1+r2)+1))) A fun¸c˜ao global induzida por (f ◦ g) corresponde `a composi¸c˜ao F ◦G das fun¸c˜oes globais induzidas por cada fun¸c˜ao local.

Exemplo 2.3. Seja A1 o ACE de regra 150 (a mesma definida no Exemplo 2.1) e A2 = ({0,1}, N1

2, g,1), com g(a1, a2) = a2,∀(a1, a2) ∈ {0,1}2. Ent˜ao (A1 ◦ A2) = ({0,1}, N11

2, f150◦g,1), com

(f150◦g)(a1, a2, a3, a4) =f150(g(a1, a2), g(a2, a3), g(a3, a4)) =f150(a2, a3, a4) (f150◦g)(a1, a2, a3, a4) =





0, sea2+a3+a4 ´e par 1, caso contr´ario

A Figura 2.3 mostra a evolu¸c˜ao temporal da configura¸c˜ao 0-finita [1]0 (a mesma uti- lizada no Exemplo 2.1) para a composi¸c˜aoF150◦G, induzida pela composi¸c˜ao calculada acima.

(25)

Figura 2.3: Parte da evolu¸c˜ao temporal da composi¸c˜ao de regras mostradas no Exemplo 2.3.

A composi¸c˜ao de ACs unidimensionais ´e uma maneira natural de explorar conjuntos de regras de maior raio a partir da combina¸c˜ao dos comportamentos de regras de menor raio.

2.1.3 Classifica¸ c˜ oes dinˆ amicas

Seja F uma regra global de um AC e c uma configura¸c˜ao qualquer e considere a evolu¸c˜ao temporal de c por F. Temos trˆes possibilidades naturais para essa evolu¸c˜ao, a saber:

1. A evolu¸c˜ao temporal alcan¸ca um ponto-fixo: isto ´e, existe t0 ∈ Z+ para o qual Ft(c) =Ft0(c),∀t≥t0;

2. A evolu¸c˜ao temporal entra em regime peri´odico: isto ´e, existemt0, p∈Z+ tais que, dado t ≥ t0, existe 0 ≤ ∆t < p tal que Ft(c) = Ft0+∆t(c). Nesse caso, p ´e um per´ıodo da evolu¸c˜ao temporal;

3. A evolu¸c˜ao temporal n˜ao chega aos regimes descritos nos itens anteriores.

Dito de outra forma, o caso (1) acima ocorre quando, a partir algum momento na evolu¸c˜ao temporal, as configura¸c˜oes de itera¸c˜oes consecutivas s˜ao idˆenticas, enquanto que o caso (2) ocorre quando, a partir de algum momento na evolu¸c˜ao temporal, configura¸c˜oes que est˜ao distantes um certo n´umero fixo de itera¸c˜oes s˜ao idˆenticas.

Para deixar a ideia mais clara, a Figura 2.4 mostra parte da evolu¸c˜ao temporal de uma mesma configura¸c˜ao c´ıclica para as regras 69 e 178. A evolu¸c˜ao `a esquerda mostra o

(26)

Figura 2.4: Evolu¸c˜ao temporal de uma mesma configura¸c˜ao c´ıclica por duas regras de ACEs distintas. `A esquerda, a regra 69 resulta numa evolu¸c˜ao temporal que alcan¸ca um ponto-fixo. `A direita, a regra 178 faz com que a mesma configura¸c˜ao tenha uma evolu¸c˜ao temporal que entra em regime peri´odico (com per´ıodo 2).

caso em que a evolu¸c˜ao temporal alcan¸ca um ponto-fixo, ao passo que a evolu¸c˜ao `a direita mostra uma evolu¸c˜ao temporal que entra em regime peri´odico.

Entretanto, as Figuras 2.2 e 2.3 sugerem que existem outros tipos de comportamento, do ponto de vista das evolu¸c˜oes temporais. Existem duas classifica¸c˜oes j´a consagradas na literatura, uma devida a Wolfram (1984) e outra a Li e Packard (1990), ambas fortemente correlacionadas e baseadas na an´alise qualitativa e emp´ırica de amostras de configura¸c˜oes que aparecem nas diversas evolu¸c˜oes temporais de uma regra.

Wolfram (1984) divide os ACs unidimensionais em quatro classes distintas, denomi- nadas aquiclasses de Wolfram, sendo elas:

• Classe I (C I): para a maior parte das configura¸c˜oes, evolu¸c˜oes temporais por regras desta classe s˜ao tais que, a partir de certa itera¸c˜ao, todas as c´elulas apresentam o mesmo estado;

• Classe II (C II): para a maior parte das configura¸c˜oes, evolu¸c˜oes temporais por regras desta classe chegam a um regime de ponto-fixo ou peri´odico, existindo diver- sidade no estado das c´elulas;

• Classe III (C III): nas evolu¸c˜oes temporais por regras desta classe geralmente h´a o surgimento de padr˜oes n˜ao-peri´odicos e com comportamento aparentemente ca´otico;

• Classe IV (C IV): regras desta classe em geral d˜ao origem a evolu¸c˜oes temporais

(27)

onde h´a o surgimento de regi˜oes peri´odicas est´aveis e regi˜oes com comportamento aparentemente ca´otico e intera¸c˜ao complexa entre estruturas existentes nas confi- gura¸c˜oes.

Wolfram (1984) conjecturou que regras pertencentes `a Classe IV apresentam com- putabilidade universal. Cook (2004) demonstrou que a regra 110 do espa¸co dos ACEs apresenta, de fato, tal propriedade. A outra ´unica regra do espa¸co dos ACEs que per- tence `a Classe IV ´e a regra 54, entretanto, at´e a data de impress˜ao deste texto, nada foi provado a respeito desta possuir ou n˜ao computabilidade universal.

A classifica¸c˜ao de Li e Packard (1990) est´a muito pr´oxima `a classifica¸c˜ao de (Wolfram, 1984) e possui cinco classes, a saber:

(A) Regras nulas: evolu¸c˜oes temporais geralmente chegam a uma configura¸c˜ao ho- mogˆenea, isto ´e, onde todas as c´elulas est˜ao no mesmo estado;

(B) Regras de ponto-fixo: evolu¸c˜oes temporais geralmente alcan¸cam um ponto-fixo, a menos, eventualmente, de uma transla¸c˜ao da configura¸c˜ao;

(C) Regras peri´odicas: evolu¸c˜oes temporais geralmente entram em regime peri´odico, a menos, eventualmente, de uma transla¸c˜ao da configura¸c˜ao;

(D) Regras ca´oticas: h´a o surgimento de padr˜oes n˜ao-peri´odicos e as evolu¸c˜oes tempo- rais tendem a apresentar intera¸c˜oes ca´oticas locais;

(E) Regras complexas: regras nesta classe apresentam um comportamento ca´otico global, apresentando uma evolu¸c˜ao temporal aparentemente aleat´oria.

O mapeamento entre as classes de Wolfram (1984) e de Li e Packard (1990) ´e o seguinte:

as classes (C I), (C III) e (C IV) de Wolfram correspondem, respectivamente, `as classes (A), (D) e (E) descritas acima, enquanto a classe (C II) engloba as classes (B) e (C).

A Figura 2.5 mostra exemplos de evolu¸c˜oes temporais de regras das classes de Wol- fram e de Li-Packard, indicando tamb´em a correspondˆencia entre os dois sistemas de classifica¸c˜ao.

As classifica¸c˜oes descritas acima baseiam-se na observa¸c˜ao visual do que, tipicamente, ocorre durante a evolu¸c˜ao temporal das regras. Outra classifica¸c˜ao, que n˜ao ´e emp´ırica e

(28)

Figura 2.5: Evolu¸c˜oes temporais de regras de ACEs representantes das classes de Wolfram e de Li-Packard obtidas a partir de uma mesma configura¸c˜ao inicial.

independe de amostragem, baseia-se no agrupamento de regras que apresentam o mesmo comportamento dinˆamico a menos de alguma simetria.

Observe, por exemplo, a Figura 2.6, onde s˜ao exibidas evolu¸c˜oes temporais das regras 10, 80, 175 e 245 do espa¸co dos ACEs. As evolu¸c˜oes temporais s˜ao qualitativamente equivalentes e pode-se transformar uma na outra atrav´es de reflex˜oes em rela¸c˜ao ao eixo horizontal, troca de zeros por uns ou uma combina¸c˜ao dessas opera¸c˜oes.

Defini¸c˜ao 2.9. Dado um vetor bin´arioa= (a1,· · · , aL), define-se as seguintes opera¸c˜oes:

• Reflex˜ao: a0 = (aL,· · · , a1);

• Conjuga¸c˜ao: a= (1−a1,· · · ,1−aL);

• Reflex˜ao conjugada (ou conjuga¸c˜ao refletida): a0 =a0 = (1−aL,· · ·,1−a1) As opera¸c˜oes definidas acimas s˜ao denominadas simetrias.

Exemplo 2.4. Seja a= (1,0,0). Temos: a0 = (0,0,1), a = (0,1,1) e a0 = (1,1,0).

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Figura 2.6: Evolu¸c˜oes temporais das regras 10, 80, 175 e 245 do espa¸co dos ACEs. A menos de reflex˜ao e/ou troca de zeros por uns, elas s˜ao qualitativamente idˆenticas.

Pode-se extender tais opera¸c˜oes para as regras de transi¸c˜ao. Seja f a regra local de um ACE. Define-se:

• Reflex˜ao de f: f0(a1, a2, a3) = f(a3, a2, a1),∀(a1, a2, a3)∈ {0,1}3

• Conjuga¸c˜ao def: f(a1, a2, a3) =f(a1, a2, a3),∀(a1, a2, a3)∈ {0,1}3

• Reflex˜ao conjugada de f: f0(a1, a2, a3) = f(a3, a2, a1),∀(a1, a2, a3)∈ {0,1}3 O conjunto {f, f0, f , f0} ´e a classe de equivalˆencia dinˆamica de f. As 256 regras do espa¸co dos ACEs se agrupam em 88 classes de equivalˆencia dinˆamica.

Exemplo 2.5. A Tabela 2.1 abaixo apresenta as fun¸c˜oes de transi¸c˜ao local das regras 10, 80, 175 e 245, representadas na Figura 2.6, todas na mesma classe de equivalˆencia dinˆamica.

Regra 10 (1,1,1)0; (1,1,0)0; (1,0,1)0; (1,0,0)0; (0,1,1)1; (0,1,0)0; (0,0,1)1; (0,0,0)0 Regra 80 (1,1,1)0; (1,1,0)1; (1,0,1)0; (1,0,0)1; (0,1,1)0; (0,1,0)0; (0,0,1)0; (0,0,0)0 Regra 175 (1,1,1)1; (1,1,0)0; (1,0,1)1; (1,0,0)0; (0,1,1)1; (0,1,0)1; (0,0,1)1; (0,0,0)1 Regra 245 (1,1,1)1; (1,1,0)1; (1,0,1)1; (1,0,0)1; (0,1,1)0; (0,1,0)1; (0,0,1)0; (0,0,0)1

(30)

Tabela 2.1: Transi¸c˜oes das regras dinamicamente equiva- lentes `a regra 10

Uma vez que, qualitativamente, o comportamento dinˆamico de regras da mesma classe

´e o mesmo, pode-se estudar um representante de cada uma das 88 classes, reduzindo o tamanho do espa¸co de regras a ser analisado. Tal redu¸c˜ao foi utilizada nos estudos descritos neste trabalho.

2.1.4 Espectros de ACs unidimensionais

Uma maneira de estudar o comportamento t´ıpico de ACs (ap´os seus transientes) sob o ponto de vista dos tipos de padr˜oes formados nas configura¸c˜oes obtidas de suas respectivas evolu¸c˜oes temporais ´e atrav´es da an´alise de seus espectros de Fourier (Wolfram, 2002).

Estudos anteriores mostram a relevˆancia de tal abordagem. Li (1987) correlacionou a existˆencia de atratores para regras de ACs e o espectro gerado por elas. Ninagawa (2006) conjecturou haver correla¸c˜ao entre determinado tipo de espectro e computabilidade universal de um AC. Em (Ruivo & de Oliveira, 2013), o espa¸co dos ACEs foi explorado sob tal ponto de vista e uma caracteriza¸c˜ao do significado desses espectros foi enunciada.

Defini¸c˜ao 2.10. Dado um vetor complexo v = (v1,· · · , vL) ∈ CL, a transformada discreta de Fourier (TDF) dev ´e o vetor F(v), dado por:

(F(v))(k) = 1 L

L

X

j=1

[(F(v))(j)]·e2πi(j−1)(k−1)/n

(2.2) em quei ´e a unidade imagin´aria e (F(v))(k) ´e a k-´esima componente do vetor F(v).

A TDF transforma informa¸c˜oes do dom´ınio do tempo para o dom´ınio da frequˆencia. A interpreta¸c˜ao deste ´ultimo no caso de ACs ´e detalhado mais `a frente. Antes conv´em definir o conceito de espectro de Fourier (ou simplesmente espectro) de um AC unidimensional.

Sejafa regra local de um AC unidimensional qualquer,F sua respectiva fun¸c˜ao global, C = {c1,· · ·, cp} um conjunto de configura¸c˜oes iniciais aleat´orias (finitas ou c´ıclicas) de comprimentoL∈Ne t∈Nmaior que o transiente da regra f em quest˜ao. Oespectro de f ´e calculado da seguinte maneira:

1. Calcula-se o conjunto C0 = {c01,· · · , c0p} no qual c0i = Ft(ci),∀i,1 ≤ i ≤ p, isto ´e,

(31)

o conjunto de configura¸c˜oes obtidas iterando-se F t vezes sobre cada configura¸c˜ao inicial em C;

2. Aplica-se a TDF sobre cada c0i, obtendo-se o conjuntoF(C0) ={F(c0) :c0 ∈C0};

3. Define-se o espectro Sf de f por Sf = 1pP

c0∈C0|F|(c0), isto ´e, como a m´edia aritm´etica do m´odulo das transformadas F(c0), tomado coordenada a coordenada.

Uma vez que Sf ´e sempre sim´etrico, considera-se apenas a primeira metade das coor- denadas. Al´em disso, as coordenadas de Sf s˜ao normalizadas pelo seu maior valor.

Vale salientar que o espectro s´o tem relevˆancia como representante das caracter´ısticas dos padr˜oes formados por uma regra quando esta ´e iterada um n´umero suficiente de vezes.

Para isso, ´e necess´ario que o n´umero de vezes que uma regra ´e iterada supere o seu tempo transiente m´edio (ou simplesmente transiente).

De maneira informal, o transiente ´e uma quantidade m´edia de itera¸c˜oes para as quais ainda aparecem configura¸c˜oes que n˜ao possuem os padr˜oes tipicamente formados pela regra. Isso pode ser estimado observando-se a varia¸c˜ao dos espectros entre duas itera¸c˜oes sucessivas: quando a diferen¸ca entre os espectros de itera¸c˜oes sucessivas se estabiliza, o transiente foi superado.

Agora ´e necess´ario explicitar o que est´a representado no dom´ınio da frequˆencia dado por Sf. Aqui, o termo frequˆencia refere-se `a quantidade de mudan¸cas de valor en- tre posi¸c˜oes adjacentes numa configura¸c˜ao obtida ap´os as t itera¸c˜oes de F. Assim, no caso bin´ario por exemplo, · · ·010101· · · ´e uma configura¸c˜ao com frequˆencia m´axima e

· · ·000000· · · e· · ·111111· · · s˜ao configura¸c˜oes comfrequˆencia m´ınima e todas as outras configura¸c˜oes apresentam uma frequˆencia que est´a entre esses dois extremos.

Exemplo 2.6. Um caso bastante ilustrativo ´e o da regra 184 do espa¸co dos ACEs.

Tal regra possui um comportamento dinˆamico conhecido e, ap´os um transiente, atua da seguinte maneira sobre as configura¸c˜oes:

• Se a configura¸c˜ao possui a mesma quantidade de zeros e uns, a configura¸c˜ao obtida ap´os o transiente consiste em zeros e uns alternados;

• Se a configura¸c˜ao possui mais zeros do que uns, a configura¸c˜ao obtida ap´os o transi- ente consiste em zeros e uns alternados e agrupamentos contendo os zeros excedentes;

(32)

Figura 2.7: Espectros da regra 184 para configura¸c˜oes com diferentes valores de densidade.

• Se a configura¸c˜ao possui mais uns do que zeros, a configura¸c˜ao obtida ap´os o tran- siente ´e an´aloga `a descrita imediatamente acima.

A densidade de uma configura¸c˜ao bin´aria ´e a raz˜ao entre a quantidade de uns na configura¸c˜ao e o tamanho desta. Sendo assim, se analisarmos os espectros da regra 184 calculados a partir de conjuntos de configura¸c˜oes com densidades cada vez mais pr´oximas a 0.5, ser´a poss´ıvel notar um decr´escimo nos n´ıveis de densidade das frequˆencias baixas e um aumento nos n´ıveis de densidade das frequˆencias altas, at´e o caso extremo (com d= 0.5) no qual apenas a frequˆencia mais alta encontra-se representada, conforme pode ser observado na Figura 2.7.

Observa-se uma diversidade espectral at´e mesmo no espa¸co dos ACEs. Em (Ruivo &

de Oliveira, 2013), esse espa¸co de regras foi particionado em 59classes espectrais distintas, contendo regras com o mesmo comportamento do ponto de vista espectral. Em espa¸cos de regras mais gerais, mas ainda bin´arias, observa-se a presen¸ca de regras cujos espectros assemelham-se `aqueles de filtros digitais (Ruivo & de Oliveira, 2014).

O aspecto mais relevante dos espectros para este trabalho ´e o de eles carregarem informa¸c˜oes a respeito dos padr˜oes de mudan¸cas de valores dos bits de um grupo de c´elulas adjacentes contidos nas configura¸c˜oes dos conjuntos-limite das regras.

(33)

2.2 Linguagens formais e autˆ omatos finitos

2.2.1 Linguagens formais

Defini¸c˜ao 2.11. Um alfabeto ´e um conjunto Σ n˜ao-vazio de s´ımbolos. Uma cadeia (ou palavra) ´e uma sequˆencia finita de s´ımbolos de Σ. Dada uma cadeia w, ocomprimento de w, denotado por|w|, ´e a quantidade de s´ımbolos na sequˆencia definida por w.

Umasubcadeia de uma cadeia w=w1· · ·wn ´e uma cadeia da forma w0 =wi· · ·wi+k, isto ´e, ´e uma cadeia formada por um fragmento de s´ımbolos adjacentes da cadeia original.

Independentemente da escolha do alfabeto, existe acadeia vazia, representada por, a qual n˜ao possui s´ımbolos (||= 0). A cadeia vazia ´e, por defini¸c˜ao, subcadeia de qualquer cadeia.

Nesse contexto, Σ+representa o conjunto de todas as cadeias n˜ao-vazias que podem ser formadas a partir do alfabeto Σ, enquanto Σ representa o conjunto de todas as cadeias, vazias ou n˜ao, que podem ser formadas a partir de Σ, isto ´e, Σ = Σ∪ {}. Assim, por exemplo, se Σ ={0,1}, ent˜ao Σ+ ´e o conjunto de todas as cadeias bin´arias n˜ao-vazias.

Dadas duas cadeias x = x1· · ·xm e y = y1· · ·yn, define-se a concatena¸c˜ao de x e y porxy=x1· · ·xmy1· · ·yn.

Defini¸c˜ao 2.12. Um subconjunto n˜ao-vazio de Σ ´e denominado umalinguagem formal (ou simplesmente linguagem) sobre Σ. Dadas linguagens L1 e L2 (n˜ao necessariamente sobre o mesmo alfabeto), define-se as seguintes opera¸c˜oes:

• Soma: L1+L2 ={x:x∈L1∪L2}

• Concatena¸c˜ao: L1L2 ={xy :x∈L1, y ∈L2};

• Exponencia¸c˜ao: L1n=L1· · ·L1

| {z }

n vezes

,∀n∈N (por defini¸c˜ao, L10 =);

• Fecho de Kleene: L1 =S

i≥0L1i;

• Fecho positivo: L1+=L1− {}

Exemplo 2.7. Seja Σ1 = {0,1,· · · ,9},Σ2 = {a, b, c, d, e, f}, L1 = {0,1,2} e L2 = {a, b}. Temos:

• L1+L2 ={0,1,2, a, b}

(34)

• L1L2 ={0a,0b,1a,1b,2a,2b}

• L32 ={aaa, aab, aba, abb, baa, bab, bba, bbb}

• L1 e L2 s˜ao os conjunto de cadeias de tamanho arbitr´ario formadas, respectiva- mente, por elementos de {0,1,2} e {a, b}

Outra maneira de definir uma linguagem sem a necessidade de uma listagem exaustiva de suas cadeias ou por meio de uma descri¸c˜ao do conjunto ´e pelo uso de gram´aticas.

Defini¸c˜ao 2.13. Umagram´atica G´e uma qu´adruplaG= (S, N,Σ, P), na qual:

• S ∈N ´e o axioma ou s´ımbolo inicial;

• N ´e o conjunto de s´ımbolos n˜ao-terminais;

• Σ ´e o conjunto de s´ımbolos terminais;

• P ´e o conjunto dasregras de produ¸c˜ao, as quais s˜ao fun¸c˜oes do tipoσ(α) = β , onde α ∈(N ∪Σ)N(N ∪Σ) eβ ∈(N∪Σ), isto ´e, s˜ao fun¸c˜oes que levam uma cadeia com pelo menos um s´ımbolo n˜ao-terminal em uma cadeia de (N ∪Σ). Geralmente, tais fun¸c˜oes s˜ao denotadas simplesmente por α−→β

Dada uma gram´atica G = (S, N,Σ, P), uma palavra gerada por G ´e uma cadeia de Σ que pode ser gerada atrav´es de aplica¸c˜oes consecutivas de regras de produ¸c˜ao sobre o s´ımbolo inicial. Mais formalmente, uma cadeia w ∈ Σ ´e gerada por G se existem σ1,· · ·, σn ∈P tais que σn◦σn−1◦ · · · ◦σi(S) =w.

O conjunto das cadeias geradas por uma gram´atica G ´e um subconjunto de Σ e, portanto, uma linguagem sobre Σ. Tal linguagem ´e denotada porL(G) e ´e denominada alinguagem gerada por G.

Exemplo 2.8. Seja N = {A, B, S}, Σ = {0,1}, P = {S −→ 0A, A −→ 1B, B −→

0B, B −→0}. Ent˜ao a linguagem gerada porG= (S, N,Σ, P) ´eL(G) = {010,0100,01000,· · · }= {010i :i≥0}. A Figura 2.8 mostra a constru¸c˜ao das cadeias de L(G) esquematicamente

atrav´es de aplica¸c˜oes sucessivas das regras de produ¸c˜ao.

As linguagens geradas por uma gram´atica podem ser classificadas de acordo com sua complexidade atrav´es da Hierarquia de Chomsky (Chomsky, 1956), a qual hierarquiza as gram´aticas de acordo com as regras de produ¸c˜ao que podem apresentar. Tal classifica¸c˜ao das gram´aticas ´e dada a seguir.

(35)

Figura 2.8: Diagrama exibindo as aplica¸c˜oes sucessivas das regras de substitui¸c˜ao e a forma¸c˜ao da linguagem gerada pela gram´atica descrita no Exemplo 2.8.

• Tipo 0: n˜ao apresenta restri¸c˜oes quanto `as regras de produ¸c˜ao. As linguagens definidas por uma gram´atica do tipo 0 s˜ao denominadas linguagens recursivamente enumer´aveis;

• Tipo 1: as regras de produ¸c˜ao devem ser da forma αAβ −→ αγβ, com α, β ∈ (N ∪Σ), γ ∈ (N ∪Σ)+ e A ∈ N. Linguagens geradas por gram´aticas deste tipo s˜ao denominadas linguagens sens´ıveis ao contexto;

• Tipo 2: apresenta regras de produ¸c˜ao na formaA −→α, comA∈N eα∈(N∪Σ). Tais gram´aticas geram linguagens livres de contexto;

• Tipo 3: suas regras de produ¸c˜ao tˆem forma A−→a ou A−→aB, com A, B ∈N e a ∈ Σ. As linguagens definidas por este tipo de gram´atica s˜ao denominadas linguagens regulares.

Vale notar que linguagens definidas por gram´aticas de certo tipo englobam as lingua- gens definidas por gram´aticas de tipo com ´ındice maior. Assim, por exemplo, linguagens livres de contexto s˜ao um tipo particular de linguagens sens´ıveis ao contexto. A linguagem descrita no Exemplo 2.8 ´e regular, como se nota atrav´es da observa¸c˜ao de suas regras de produ¸c˜ao.

No caso das linguagens regulares, ´e poss´ıvel defin´ı-las ainda atrav´es de outro forma- lismo: as express˜oes regulares.

Defini¸c˜ao 2.14. Dado um alfabeto Σ, ent˜ao w ´e uma express˜ao regular se obedece a uma das seguintes condi¸c˜oes:

1. w=; 2. w∈Σ

(36)

3. w=w1+w2 sendo w1 e w2 express˜oes regulares;

4. w=w1w2 sendo w1 ew2 express˜oes regulares;

5. w=w1 ouw=w+1 sendo w1 uma express˜ao regular.

O conjunto de cadeias contidas no conjunto descrito por uma express˜ao regular ´e uma linguagem regular e para cada linguagem regular existe uma express˜ao regular que a descreve (Lewis & Papadimitriou, 2008). Assim existe uma equivalˆencia entre express˜oes regulares e linguagens regulares. A linguagem do Exemplo 2.8 ´e descrita pela express˜ao regular 010+.

Uma maneira dual de se estudar as linguagens formais ´e atrav´es de seus respectivos reconhecedores, isto ´e, atrav´es de estruturas capazes de classificar cadeias de acordo com sua pertinˆencia ou n˜ao a certa linguagem.

A seguir trata-se dos autˆomatos finitos, que s˜ao os reconhecedores das linguagens regulares, as quais tˆem estreita conex˜ao com o comportamento dinˆamico dos ACs em tempo finito, conforme ser´a descrito na Se¸c˜ao 2.3.

2.2.2 Autˆ omatos finitos

Defini¸c˜ao 2.15. Umautˆomato finito determin´ıstico(AFD) ´e uma qu´ıntupla (Q,Σ, δ, q0, F), na qual:

• Q ´e um conjunto n˜ao-vazio de estados;

• Σ ´e um alfabeto;

• δ :Q×Σ−→Q´e a fun¸c˜ao de transi¸c˜ao;

• q0 ∈Q ´e o estado inicial;

• F ⊆Q´e o conjunto dos estados finais ouaceitos.

Geralmente representa-se um AFD atrav´es de um grafo orientado com r´otulos nas arestas. Conv´em definir formalmente a no¸c˜ao de grafo e como este pode representar um autˆomato finito.

Defini¸c˜ao 2.16. Um grafo direcionado rotulado ´e uma qu´adupla G = (V, E,Σ, L), na qual:

(37)

Figura 2.9: Representa¸c˜ao gr´afica do grafo do Exemplo 2.9.

• V 6=∅ ´e o conjunto de v´ertices;

• E ⊆V ×V ´e o conjunto de arestas;

• Σ ´e um conjunto n˜ao-vazio de r´otulos;

• L:E −→Σ ´e a fun¸c˜ao que associa um r´otulo a cada aresta.

Em geral, os v´ertices de um grafo s˜ao representados graficamente por pontos, enquanto suas arestas s˜ao representadas por linhas conectando os v´ertices e os r´otulos s˜ao escritos pr´oximos `as suas respectivas arestas.

Defini¸c˜ao 2.17. Um caminho em um grafo ´e uma sequˆencia v1, v2,· · · de v´ertices de maneira que exista uma aresta direcionada devi paravi+1,∀i∈N, isto ´e, de maneira que (vi, vi+1) ∈ E. A cadeia definida por um caminho ´e a sequˆencia L(v1, v2), L(v2, v3),· · · dos r´otulos relativos `as arestas pertencentes ao caminho em quest˜ao. Tanto o caminho quanto a cadeia definida por ele podem ser finitos ou n˜ao.

Exemplo 2.9. Considere o grafo G= (V, E,Σ, L) com V ={q1, q2, q3},

E ={(q1, q3),(q1, q2),(q2, q3),(q3, q3)}, Σ = {0,1} e L(qi, qj) = (i+j)mod 2. Sua repre- senta¸c˜ao gr´afica encontra-se na Figura 2.9.

A representa¸c˜ao de um AFD atrav´es de um grafo ´e natural: os estados s˜ao represen- tados pelos v´ertices (sendo que o estado inicial ´e destacado por uma seta enquanto os estados finais s˜ao circulados) e a fun¸c˜ao de transi¸c˜ao ´e representada atrav´es das arestas direcionadas, as quais s˜ao rotuladas com o respectivo s´ımbolo do alfabeto.

Mais formalmente, dado um AFD A = (Q,Σ, δ, q0, F), o grafo GA = (VA, EA,Σ, LA) que o representa ´e definido da seguinte forma: VA =Q,EA=δ(Q×Σ) eLA(qi, δ(qi, x)) = x,∀qi ∈Q, x∈Σ.

Referências

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