Comunicação, antes das
Comunicação, antes das
letras: As placas de xisto
letras: As placas de xisto
ibéricas
ibéricas
Nr
A alvorada da comunicação gráfca
A alvorada da comunicação gráfca
H
H
á cerca de 5.á cerca de 5.000 anos, muito antes de usarem qua000 anos, muito antes de usarem qualquerlquer alabeto escrito, os habitantes da Península Ibérica alabeto escrito, os habitantes da Península Ibérica identicavam os indiidenticavam os indi víduos sepul víduos sepultados nas atados nas antas comntas com padrões de nos riscos gravados em p
padrões de nos riscos gravados em placas de xisto – uma alacas de xisto – uma a nte- nte-cipação dos sistemas de registo mais complexos que vieram cipação dos sistemas de registo mais complexos que vieram depois
depois. A aná. A análise sistemática destes códigos grácos, realizadalise sistemática destes códigos grácos, realizada a mais de 1.
a mais de 1.100 pedras de xisto recol100 pedras de xisto recolhidahidas em túmulos megalí-s em túmulos megalí-ticos do Sul ibérico, deve-se à antropóloga Katina L
ticos do Sul ibérico, deve-se à antropóloga Katina L illios, queillios, que decirou e publicou na base de dados online
decirou e publicou na base de dados online ESPRIT este ESPRIT este nossonosso património pré-histórico. Katina Lil
património pré-histórico. Katina Lillios ez a sensaciolios ez a sensacional des-nal des-coberta dos primeiros registos de identidade praticados na coberta dos primeiros registos de identidade praticados na Europa. Ao analisar as placas de x
Europa. Ao analisar as placas de xisto gravadas, descobriu esteisto gravadas, descobriu este original sistema de comunicação social. As populações que original sistema de comunicação social. As populações que construíam antas para sepultar os seus deuntos de elite, já construíam antas para sepultar os seus deuntos de elite, já conheciam
conheciam registos de memória colectivaregistos de memória colectiva, comparáveis aos nos-, comparáveis aos nos-sos Bilhetes de Identidade – um enómeno único na Europa sos Bilhetes de Identidade – um enómeno único na Europa megalítica. Este é o
megalítica. Este é o primeiro tema deste Caderno de Tipogra-primeiro tema deste Caderno de Tipogra-a, que vêm azer reverência ao novo livro de Katina
a, que vêm azer reverência ao novo livro de Katina LillLillios –ios – Heraldry or the Dead
Heraldry or the Dead –, lançado no mercado este mês.–, lançado no mercado este mês.
Imagem da capa: Imagem da capa:
Forma bem defnida, clara e simples, Forma bem defnida, clara e simples, com decoração cuidadosamente com decoração cuidadosamente executada – esta placa de
executada – esta placa de xisto comxisto com gravação de áreas geométricas exprime gravação de áreas geométricas exprime os «ideais estéticos» do
os «ideais estéticos» do Calcolítico.Calcolítico. Este arteacto, longe de ser apenas um Este arteacto, longe de ser apenas um «belo objecto», oi eito para identifcar «belo objecto», oi eito para identifcar um deunto, pertencente às elites um deunto, pertencente às elites sociais do seu tempo.
sociais do seu tempo.
Datável para o 3.º milénio a.n.E. Datável para o 3.º milénio a.n.E. Proveniência
Proveniência: Necrópole d: Necrópole de Montee Monte Canelas, Alcalar, Algarve.
Canelas, Alcalar, Algarve.
Foto: Arquivo Histórico de Portimão, Foto: Arquivo Histórico de Portimão, cortesia do Pro. José Gameiro. cortesia do Pro. José Gameiro.
Índice de temas
Índice de temas
Comunicação
Comunicação, antes , antes das letras:das letras: As placas de x
As placas de xisto iisto ibéricabéricas ...s ... 22 Azulejo, um supo
Azulejo, um suporte parte para escrita ra escrita requentementerequentemente usado em
usado em PortugaPortugal e Espanha l e Espanha ...18...18 O Museu de
O Museu de PortimPortimão e as suasão e as suas máqui
máquinas nas de impressão ...de impressão ...22 77 Raphael Bor
Raphael Bordaldallo Pinlo Pinheiro heiro ...34...34 A Litogr
A Litograa em Portaa em Portugal e no Brasiugal e no Brasil l ...37...37 Anúncios
Anúncios ...39..39
Fi
Ficha técn
cha técnica
ica
Os Cadernos de Tipograa são redigidos, paginados Os Cadernos de Tipograa são redigidos, paginados e publi
e publicados por Paulo Hcados por Paulo Heitlinger; são igualeitlinger; são igual mentemente pro
propriepriedade intelectual deste editor. Qualquerdade intelectual deste editor. Qualquer comu
comunicanicação dirigida ao editor – calúnias,ção dirigida ao editor – calúnias, louvores, o
louvores, oertaertas de dinheiro ou outros valores,s de dinheiro ou outros valores, propos
propostas de subortas de suborno, etc.no, etc. –– ino.tipogra[email protected]o.tipogra[email protected]..
Os Cadernos estão abertos à mais ampla Os Cadernos estão abertos à mais ampla part
participação de colaboradores, quicipação de colaboradores, quer regulares,er regulares, quer episó
quer episódicos, que queiram ver os seus artigos edicos, que queiram ver os seus artigos e as suas opiniões di
as suas opiniões di undidos por este meio.undidos por este meio. Os ar
Os artigos assinatigos assina lados com o nome do(s) seulados com o nome do(s) seu(s)(s) autor(es
autor(es) são d) são da responsabia responsabilidade desse(s)lidade desse(s) mes
mesmo(s) aumo(s) autor(es) – e também tor(es) – e também suasua propriedade intelec
propriedade intelectual.tual.
Conorme o nome indica, os Cadernos de Tipograa Conorme o nome indica, os Cadernos de Tipograa
inci
incidem sobre temas relacionados com a Tipogra-dem sobre temas relacionados com a Tipogra-a, o typeace design, o design gráco, e a
a, o typeace design, o design gráco, e a análanáliseise so
social e culturacial e cultura l dos enól dos enómenos relamenos relaciocionados comnados com a visual
a visual ização, edição, publicação e reproização, edição, publicação e reprodução dedução de textos, símbolos e imagens.
textos, símbolos e imagens.
Os Cadernos, publicados em português, e também Os Cadernos, publicados em português, e também em brasileiro, castelhano, galego ou catalão, em brasileiro, castelhano, galego ou catalão, diri-gem os seus temas a leitores em Portugal, Brasil, gem os seus temas a leitores em Portugal, Brasil, Espanha e América Latina.
Espanha e América Latina. Os Cadernos de Tipo
Os Cadernos de Tipogragraa não proessam qualquera não proessam qualquer orien
orientação nacionalista, chautação nacionalista, chauvinista, vinista, partidária,partidária, religiosa, misticista ou obscurantista. Também não religiosa, misticista ou obscurantista. Também não discutimos tema
discutimos tema s pseudo-cientícos, coms pseudo-cientícos, como a Semió-o a Semió-tica, por
tica, por exemplo.exemplo. Em 2008, a distri
Em 2008, a distri buição é eita grátis, porbuição é eita grátis, por divulgação do PDF posto à disposição do público divulgação do PDF posto à disposição do público interessado em
interessado em www.tipograos.net/cadernoswww.tipograos.net/cadernos © 2007
A alvorada da comunicação gráfca
A alvorada da comunicação gráfca
H
H
á cerca de 5.á cerca de 5.000 anos, muito antes de usarem qua000 anos, muito antes de usarem qualquerlquer alabeto escrito, os habitantes da Península Ibérica alabeto escrito, os habitantes da Península Ibérica identicavam os indiidenticavam os indi víduos sepul víduos sepultados nas atados nas antas comntas com padrões de nos riscos gravados em p
padrões de nos riscos gravados em placas de xisto – uma alacas de xisto – uma a nte- nte-cipação dos sistemas de registo mais complexos que vieram cipação dos sistemas de registo mais complexos que vieram depois
depois. A aná. A análise sistemática destes códigos grácos, realizadalise sistemática destes códigos grácos, realizada a mais de 1.
a mais de 1.100 pedras de xisto recol100 pedras de xisto recolhidahidas em túmulos megalí-s em túmulos megalí-ticos do Sul ibérico, deve-se à antropóloga Katina L
ticos do Sul ibérico, deve-se à antropóloga Katina L illios, queillios, que decirou e publicou na base de dados online
decirou e publicou na base de dados online ESPRIT este ESPRIT este nossonosso património pré-histórico. Katina Lil
património pré-histórico. Katina Lillios ez a sensaciolios ez a sensacional des-nal des-coberta dos primeiros registos de identidade praticados na coberta dos primeiros registos de identidade praticados na Europa. Ao analisar as placas de x
Europa. Ao analisar as placas de xisto gravadas, descobriu esteisto gravadas, descobriu este original sistema de comunicação social. As populações que original sistema de comunicação social. As populações que construíam antas para sepultar os seus deuntos de elite, já construíam antas para sepultar os seus deuntos de elite, já conheciam
conheciam registos de memória colectivaregistos de memória colectiva, comparáveis aos nos-, comparáveis aos nos-sos Bilhetes de Identidade – um enómeno único na Europa sos Bilhetes de Identidade – um enómeno único na Europa megalítica. Este é o
megalítica. Este é o primeiro tema deste Caderno de Tipogra-primeiro tema deste Caderno de Tipogra-a, que vêm azer reverência ao novo livro de Katina
a, que vêm azer reverência ao novo livro de Katina LillLillios –ios – Heraldry or the Dead
Heraldry or the Dead –, lançado no mercado este mês.–, lançado no mercado este mês.
Imagem da capa: Imagem da capa:
Forma bem defnida, clara e simples, Forma bem defnida, clara e simples, com decoração cuidadosamente com decoração cuidadosamente executada – esta placa de
executada – esta placa de xisto comxisto com gravação de áreas geométricas exprime gravação de áreas geométricas exprime os «ideais estéticos» do
os «ideais estéticos» do Calcolítico.Calcolítico. Este arteacto, longe de ser apenas um Este arteacto, longe de ser apenas um «belo objecto», oi eito para identifcar «belo objecto», oi eito para identifcar um deunto, pertencente às elites um deunto, pertencente às elites sociais do seu tempo.
sociais do seu tempo.
Datável para o 3.º milénio a.n.E. Datável para o 3.º milénio a.n.E. Proveniência
Proveniência: Necrópole d: Necrópole de Montee Monte Canelas, Alcalar, Algarve.
Canelas, Alcalar, Algarve.
Foto: Arquivo Histórico de Portimão, Foto: Arquivo Histórico de Portimão, cortesia do Pro. José Gameiro. cortesia do Pro. José Gameiro.
Índice de temas
Índice de temas
Comunicação
Comunicação, antes , antes das letras:das letras: As placas de x
As placas de xisto iisto ibéricabéricas ...s ... 22 Azulejo, um supo
Azulejo, um suporte parte para escrita ra escrita requentementerequentemente usado em
usado em PortugaPortugal e Espanha l e Espanha ...18...18 O Museu de
O Museu de PortimPortimão e as suasão e as suas máqui
máquinas nas de impressão ...de impressão ...22 77 Raphael Bor
Raphael Bordaldallo Pinlo Pinheiro heiro ...34...34 A Litogr
A Litograa em Portaa em Portugal e no Brasiugal e no Brasil l ...37...37 Anúncios
Anúncios ...39..39
Fi
Ficha técn
cha técnica
ica
Os Cadernos de Tipograa são redigidos, paginados Os Cadernos de Tipograa são redigidos, paginados e publi
e publicados por Paulo Hcados por Paulo Heitlinger; são igualeitlinger; são igual mentemente pro
propriepriedade intelectual deste editor. Qualquerdade intelectual deste editor. Qualquer comu
comunicanicação dirigida ao editor – calúnias,ção dirigida ao editor – calúnias, louvores, o
louvores, oertaertas de dinheiro ou outros valores,s de dinheiro ou outros valores, propos
propostas de subortas de suborno, etc.no, etc. –– ino.tipogra[email protected]o.tipogra[email protected]..
Os Cadernos estão abertos à mais ampla Os Cadernos estão abertos à mais ampla part
participação de colaboradores, quicipação de colaboradores, quer regulares,er regulares, quer episó
quer episódicos, que queiram ver os seus artigos edicos, que queiram ver os seus artigos e as suas opiniões di
as suas opiniões di undidos por este meio.undidos por este meio. Os ar
Os artigos assinatigos assina lados com o nome do(s) seulados com o nome do(s) seu(s)(s) autor(es
autor(es) são d) são da responsabia responsabilidade desse(s)lidade desse(s) mes
mesmo(s) aumo(s) autor(es) – e também tor(es) – e também suasua propriedade intelec
propriedade intelectual.tual.
Conorme o nome indica, os Cadernos de Tipograa Conorme o nome indica, os Cadernos de Tipograa
inci
incidem sobre temas relacionados com a Tipogra-dem sobre temas relacionados com a Tipogra-a, o typeace design, o design gráco, e a
a, o typeace design, o design gráco, e a análanáliseise so
social e culturacial e cultura l dos enól dos enómenos relamenos relaciocionados comnados com a visual
a visual ização, edição, publicação e reproização, edição, publicação e reprodução dedução de textos, símbolos e imagens.
textos, símbolos e imagens.
Os Cadernos, publicados em português, e também Os Cadernos, publicados em português, e também em brasileiro, castelhano, galego ou catalão, em brasileiro, castelhano, galego ou catalão, diri-gem os seus temas a leitores em Portugal, Brasil, gem os seus temas a leitores em Portugal, Brasil, Espanha e América Latina.
Espanha e América Latina. Os Cadernos de Tipo
Os Cadernos de Tipogragraa não proessam qualquera não proessam qualquer orien
orientação nacionalista, chautação nacionalista, chauvinista, vinista, partidária,partidária, religiosa, misticista ou obscurantista. Também não religiosa, misticista ou obscurantista. Também não discutimos tema
discutimos tema s pseudo-cientícos, coms pseudo-cientícos, como a Semió-o a Semió-tica, por
tica, por exemplo.exemplo. Em 2008, a distri
Em 2008, a distri buição é eita grátis, porbuição é eita grátis, por divulgação do PDF posto à disposição do público divulgação do PDF posto à disposição do público interessado em
interessado em www.tipograos.net/cadernoswww.tipograos.net/cadernos © 2007
Já há cerca de 4.500 anos os habitantes da Península Ibérica
Já há cerca de 4.500 anos os habitantes da Península Ibérica
tratavam de identifcar os membros das suas elites, g
tratavam de identifcar os membros das suas elites, gravandoravando
padrões geométricos em pequena
padrões geométricos em pequenas placas de xisto. Este é os placas de xisto. Este é o
resultado de uma análise sistemática realizada pela antropóloga
resultado de uma análise sistemática realizada pela antropóloga
Katina Lillios a 1.100 pedras recolhidas em deze
Katina Lillios a 1.100 pedras recolhidas em dezenas de túmulosnas de túmulos
megalíticos. Uma reportage
megalíticos. Uma reportagem de Paulo Heitlinger.m de Paulo Heitlinger.
Com
Comunica
unicação, antes
ção, antes das
das letras
letras
Em média, as placas de xistoEm média, as placas de xisto têm o tamanho de uma mão têm o tamanho de uma mão aberta; algumas são porém aberta; algumas são porém maiores. Uma pequena maiores. Uma pequena percentagem são de percentagem são de tamanho mais reduzido. tamanho mais reduzido.Os membros dos clãs do Sul Os membros dos clãs do Sul ibérico oram
ibérico oram misturando-misturando-sese cada vez mais – isto é que cada vez mais – isto é que nos mostra a análise das nos mostra a análise das placas de xisto usadas para placas de xisto usadas para identifcação dos deuntos. identifcação dos deuntos. Do espólio da
Do espólio da Anta Grande Anta Grande do Olival da Pega
do Olival da Pega (imagem)(imagem) os arqueólogos Georg e os arqueólogos Georg e VeraVera Leisner puderam recuperar Leisner puderam recuperar todas as placas reproduzidas todas as placas reproduzidas em cima – e mais; ao todo, em cima – e mais; ao todo, 150 exemplares. Nesta anta 150 exemplares. Nesta anta observamos uma orte observamos uma orte mistura dos padrões gráfcos mistura dos padrões gráfcos – portanto a presença de – portanto a presença de deuntos oriundos de deuntos oriundos de diversos clãs. Esta diversos clãs. Esta interacção entre os clãs é interacção entre os clãs é bastante mais intensa do bastante mais intensa do que nos túmulos de que nos túmulos de gerações anteriores. gerações anteriores.
Q
Q
uando pela primeira vezuando pela primeira vez observei o seu trabalho no observei o seu trabalho no Museu Geológico de Lisboa, Museu Geológico de Lisboa, KatiKatina Lillna Lillios tinha acabado de regres-ios tinha acabado de regres-sar do Museu Arqueológico de sar do Museu Arqueológico de Madrid, onde tinha inventarizado Madrid, onde tinha inventarizado cerca de 40 placas de xisto gra
cerca de 40 placas de xisto gra vadas. vadas. Observar, documentar, interpretar, Observar, documentar, interpretar, tes
testar a vatar a validade da sua interpretaçãolidade da sua interpretação – este oi o trabal
– este oi o trabal ho de rigor cientícoho de rigor cientíco que Katina Lillios devotou durante que Katina Lillios devotou durante dois anos e meio em P
dois anos e meio em Portugal à aortugal à análisenálise das placas de xisto gravadas. Munida das placas de xisto gravadas. Munida de um vasto horizonte cultural, de de um vasto horizonte cultural, de uma bem estruturada base de dados uma bem estruturada base de dados no seu computador portátil e de uma no seu computador portátil e de uma
câmara otográca digital, a cientista câmara otográca digital, a cientista oi catalogando, peça por peça, uma oi catalogando, peça por peça, uma singular
singular herança legada pelos nossoherança legada pelos nossoss antepassa
antepassados mdos megalegalíticos.íticos.
«Placas de xisto» é um imenso «Placas de xisto» é um imenso património pré-histórico que jaz nas património pré-histórico que jaz nas gavetas dos nossos museus gavetas dos nossos museus arqueoló-gicos (e que até à data nunca oi gicos (e que até à data nunca oi apre-sentado ao público); é o primeiro sentado ao público); é o primeiro registo de identidades praticado registo de identidades praticado cons-ciente e deliberadamente, para xar ciente e deliberadamente, para xar as linhagens dos clãs pe
as linhagens dos clãs peninninsusulalares.res. Estes
Estes registos de memória registos de memória colectivacolectiva, e-, e-nómeno social único na Europa nómeno social único na Europa mega-lítica, estão gravados nas placas de lítica, estão gravados nas placas de xisto que Katina Lill
cado pelo seu
cado pelo seu Bilhete de Identidade Bilhete de Identidade , já os nossos, já os nossos longínq
longínquos antepassados do Neolítico e da Idadeuos antepassados do Neolítico e da Idade do Cobre tinham decidido azê-lo de uma orma do Cobre tinham decidido azê-lo de uma orma vagamente comparável.
vagamente comparável.
As placas de xisto deciradas pela cientista As placas de xisto deciradas pela cientista Katina Lillios mostram a qual clã pertencia o Katina Lillios mostram a qual clã pertencia o deunto – e qual
deunto – e qual a sua lina sua linha de descendêha de descendência, ancia, a sua geração. São
sua geração. São Placas de Identidade Placas de Identidade ..
Contrariando a ignorância, o acilismo e a Contrariando a ignorância, o acilismo e a arrogância que até hoje marcou a avaliação arrogância que até hoje marcou a avaliação deste tipo de prendas tumulares depositadas deste tipo de prendas tumulares depositadas nos grandes monumento
nos grandes monumentos unerás unerários megalíti-rios megalíti-cos, Katina Lillios optou por introduzir uma cos, Katina Lillios optou por introduzir uma metodologia cientí
metodologia cientíca para poder decirar asca para poder decirar as «mensagens» inscritas nas placas de xisto «mensagens» inscritas nas placas de xisto encontradas juntas aos mortos sepultados encontradas juntas aos mortos sepultados essencia
essencialmente nas antlmente nas antas (dólmenesas (dólmenes), ), mas tam-mas tam-bém em
bém em tholoi tholoi (túmulos de cúpula alsa).(túmulos de cúpula alsa).
O avanço permitido por esta ascinante O avanço permitido por esta ascinante des-coberta é semelhante à visão que obtemos, coberta é semelhante à visão que obtemos, quando, tentando analisar um objecto, quando, tentando analisar um objecto, pode-mos tro
mos trocar um vcar um v idro osco por uma boa lente deidro osco por uma boa lente de aumento. Onde até agora o arqueólogo só via a aumento. Onde até agora o arqueólogo só via a mancha diu
mancha diusa de uma sociedade mal distin-sa de uma sociedade mal distin-guida, come
guida, começamos agora a discernir, senãoçamos agora a discernir, senão indi
indi ví víduos, pelos menos pequenosduos, pelos menos pequenos grupos de grupos de in
indi di ví ví duosduos devidamente identidevidamente identicados.cados.
Onde antes só se detectava uma pilha Onde antes só se detectava uma pilha dis-orme de um «monte de deunt
orme de um «monte de deuntos»os», vêm-se agora, vêm-se agora esboços de identidades. E começamos a esboços de identidades. E começamos a compre-ender melho
ender melhor a dir a dinâmica socianâmica social dessas comuni-l dessas comuni-dades.
dades.
Como oi possível chegar a esta
Como oi possível chegar a esta high defni-high defni-tion
tion? Para Katina L? Para Katina Lillios oi decisiillios oi decisi vo desviar-se vo desviar-se do m
do modelo especulatodelo especulatii vo comum vo comum mente usado emmente usado em Portugal. Pois até agora, «alan
Portugal. Pois até agora, «alando de maneirado de maneira geral, a maiori
geral, a maioria dos a dos arqarqueólogos ueólogos ibéribéricos optouicos optou por interpretar as placas de xisto gravadas por interpretar as placas de xisto gravadas como sendo ídolos do culto de uma suposta como sendo ídolos do culto de uma suposta Deusa Mãe»
Deusa Mãe», explica Li, explica Lillios.llios. Esta «divina» espe
Esta «divina» especulação, que peca porculação, que peca por cabal alta de substanciação empírica, travou cabal alta de substanciação empírica, travou até ao ano de 2000 a análise cientíca das até ao ano de 2000 a análise cientíca das pla-cas de xisto. Um acto
cas de xisto. Um acto bem lamentável, pois abem lamentável, pois a riqueza de conhecimentos que obteve a riqueza de conhecimentos que obteve a cien-tista american
tista americana já estava latentemena já estava latentemente disponí-te disponí- vel em Portugal h
vel em Portugal há mais de um sécá mais de um século..ulo....
Onde estamos:
Onde estamos: na Pré-históriana Pré-história ou já na
ou já na História?História?
N
N
a classifcação tradicional académica, éa classifcação tradicional académica, é comum atricomum atribuir à Pré-História os eventosbuir à Pré-História os eventos que não oram registados de orma escrita que não oram registados de orma escrita. . AA Pré-História terá a haver também com toda Pré-História terá a haver também com toda umauma série de eventos colectivos, normalmente não série de eventos colectivos, normalmente não atribuíveis a pessoas individualmente atribuíveis a pessoas individualmente identifcáveis.
identifcáveis.
Nesta ordem de ideias, já a História ocupa-se Nesta ordem de ideias, já a História ocupa-se dos eventos registados em
dos eventos registados em mediamediade qualquerde qualquer tipo (pedra, pergaminho, papiro) e muitas vezes tipo (pedra, pergaminho, papiro) e muitas vezes atribuíveis a personalidades identifcadas – a atribuíveis a personalidades identifcadas – a Aonso Henriques, para dar um exemplo. Aonso Henriques, para dar um exemplo.
As
As Placas de IdentidadePlacas de Identidade gravadas em xistogravadas em xisto que a cientista K
que a cientista Katina Lillios identifcou correc-atina Lillios identifcou correc-tamente pela primeira vez, levam obviamente à tamente pela primeira vez, levam obviamente à sobrepo
sobreposição das duas categorias; a linha divi-sição das duas categorias; a linha divi-sória que as separou torna-se diusa.
sória que as separou torna-se diusa. Se bem que as placas de xisto nã
Se bem que as placas de xisto não sejam regis-o sejam regis-tos escriregis-tos com letras, são regisregis-tos codifcados tos escritos com letras, são registos codifcados em material perene. (Hoje teríamos
em material perene. (Hoje teríamos usado códi-usado códi-gos de barra, pois claro!) Estes registos fxam gos de barra, pois claro!) Estes registos fxam re-lações amilia
lações amiliares e sociais, descendências.res e sociais, descendências. Documentos sem caractéres ou hieróglios, Documentos sem caractéres ou hieróglios, mas não menos explícitos. Os indivíduos assim mas não menos explícitos. Os indivíduos assim registados fca
registados fcaram «arquivados» num registoram «arquivados» num registo global, mas um registo descentralizado, visto global, mas um registo descentralizado, visto que as placas aparecem em centenas de que as placas aparecem em centenas de túmu-los megalíticos espalhados por uma zona los megalíticos espalhados por uma zona geo-gráfca de consideráveis dimensões.
gráfca de consideráveis dimensões.
Vejamos bem: o enómeno em causa não tem Vejamos bem: o enómeno em causa não tem nada a ver com a descontração bem-humorada nada a ver com a descontração bem-humorada de um arqueólogo que queira dar um nome de um arqueólogo que queira dar um nome pró-prio – «Justina»
prio – «Justina», por exemplo – a , por exemplo – a um esqueletoum esqueleto pré-histórico que está a
pré-histórico que está a estudar. Aqui, a aproxi-estudar. Aqui, a aproxi-mação é muito mais real – estamos bem mação é muito mais real – estamos bem próxi-mos de distintos indivíduos dos clãs mos de distintos indivíduos dos clãs megalíti-cos e começamos a conhe
cos e começamos a conhecer as suas fliações...cer as suas fliações... As placas gravadas defnem identidades. Mas As placas gravadas defnem identidades. Mas o que signifca «identidade», nesta época? No o que signifca «identidade», nesta época? No seu mais recente livro, K. Lillios cita um colega: seu mais recente livro, K. Lillios cita um colega: «Identity is not inherent in individuals or g «Identity is not inherent in individuals or groupsroups but is the product o engagement, interaction, but is the product o engagement, interaction, and ultimately the “social positioning o the sel and ultimately the “social positioning o the sel and other” (Bucholt
Se esta placa de xisto tivesse sido executada por umdesigner
contemporâneo, seria de louvar a clareza das ormas, o conceito
gráfco a virtuosa divisão das áreas, a excelência da gravura e a elegante dignidade que a
peça respira.
Não seria menos de admirar o artista anónimo, que executou
esta obra de arte há 4.500 anos...
O material escolhido pelos artistas oi o xisto, em 99%
dos casos; xisto, nas suas variedades de ardósia (cor de
chumbo até ao cinza), xisto clorítico e micaxisto (cor
esverdeada). São muito raras as placas eitas de calcário.
Dimensões: 19,8 x 12,9 cm. Proveniente doTholos do Escoural ,
Montemor-o-Novo, Évora. Foto: Cortesia do Museu Nacional de
Arqueologia, Belém, Lisboa.
Da esquerda para a direita:
Museu de Sevilha, (16,7 x 7,98 cm), Anta 1 da Courela, Montemor-o-Novo, Évora. Foto: Cortesia MNA .
«Inelizmente passaram mais de 120 anos sem avanços signicativos na interpretação destas ascinantes peças», relata K. Lillios. E se Estácio da Veiga, gura pioneira da Arqueo-logia portuguesa, há mais de um século já reeria um total de cerca de 70 placas de xisto, «hoje temos, só no Museu Arqueológico de Belém, mais de 2.000 placas». Em 2003, as placas guardadas neste Museu começaram a receber sua primeira catalogação ocial – depois do trabalho de análise realizado pela cientista.
Trabalhando com uma base de dados
Já em 1985, o arqueólogo Manuel Farinha dos Santos tinha oportunamente comentado: «É possível utilizar os numerosos dados que mais de um milhar de placas pode ornecer, não havendo para isso nada mais próprio e ecien-te que a utilização de um computador electró-nico. Para já, parece-me um bom princípio procurar saber a razão por que existe, em cada túmulo colectivo, determinada percentagem de cada um dos principais padrões decorati- vos.»
Como se tivesse ouvido Farinha Santos, Katina Lillios reuniu na sua base de dados umas primeiras 680 placas de xisto gravadas. Começou por agrupar as placas em amílias que se denem pelos padrões (ou desenhos) típicos recorrentes nas placas: ziguezagues,
xadrez, triângulos, espinha de peixe, traços verticais, che vrons.
Em seguida, dirigiu a sua atenção para um acto importantíssimo: Se bem que haja nume-rosas placas parecidas ou semelhantes (um acto continuamente salientado por colegas menos atentos), nenhuma placa é exactamente idêntica a qualquer outra – acto nunca comen-tado por qualquer arqueólogo ibérico até essa data.
Katina Lillios: «São sempre peças únicas, nunca repetidas.» Os desenhos riscados sobre as placas oram sempre deliberadamente exe-cutados. Os desenhos não são aleatórios, não são ruto de uma criação puramente estética ou de uma vontade ornamental. Não apresen-tam uma variabilidade que se possa traduzir por um espírito de improvisação artística.
As placas são obviamente uncionais, usa-das para identicar. Identicam a região onde o deunto oi depositado segundo os rituais unerários da época. Identicam o clã, a estirpe. Identicam a linhagem, identicam gerações e descendências.
As placas, que são no seu conjunto tokens de uma grande unidade cultural, não só se dierenciam pelos reeridos padrões; olhando para todas as placas de um padrão, essas pla-cas dierem no número de aixas. Este porme-nor, que é essencial, oi explicar a Katina Lillios que o número de aixas equivale à
gera-Katina Lillios à entrada do corredor da Anta Grande do Zambujeiro
– um dos grandes dólmenes alentejanos. Esta anta orneceu mais de 150 placas de xisto.
ção n do deunto em relação a uma «primeira pessoa da estirpe».
Os padrões identicam clãs, ortemente relacionados com os territórios «marcados» pelos seus túmulos unerários. O número de aixas, sempre cuidadosamente gravadas – por vezes mesmo em detrimento da estética das placas – «diz» que um sepultado pertence à geração n do seu clã. Dene, portanto, a linhagem (veja caixa de texto). O número n, vai, em vários casos, até 16, 17 ou mesmo 18. Considerando que nesse tempo uma geração vivesse em média 20 ou 30 anos, estamos a observar Placas de Identidade emitidos ao longo de um período de 500 anos, aproxima-damente.
Conjugando elementos para uma datação, derivados de análises arqueológicas, geológi-cas, antropomórcas ou etno-sociológigeológi-cas, conhecemos a identicação de indivíduos (ou de grupos de indivíduos) que morreram entre 3.000 e 2.500 a.n.E. – são portanto os registos europeus mais antigos conhecidos até hoje.
Se muitas placas aparecem em contextos unerários ainda claramente neolíticos, outras placas já estão incluídas em tumulações calco-líticas e campaniormes, como por exemplo, o nível superior do monumento da Pedra Branca (Montum, Melides).
Os seres humanos que posteriormente habitaram a Península Ibérica só poucas vezes
voltaram a igualar esta perormance em maté-ria de Arquivos de Identidade; inelizmente os nossos avós e os seus antepassados mais pró- ximos não depositaram, ao longo de muitos séculos, os seus mortos em túmulos colecti- vos, devidamente identicados.
Este privilégio cou reservado aos nobres e aristocratas; mas também já em tempos pré-históricos tudo indica que não todas, mas só algumas pessoas de uma comunidade «mere-ciam» identicação. Mais um elemento a con-rmar a acelerada emergência de elites na transição do Neolítico nal para a Idade do Cobre peninsular.
A expansão dos clãs
Do número n, Katina Lillios deriva também a expansão demográca dos diversos clãs pela geograa do Sul ibérico; as suas penetrações mútuas, igualmente.
Nos túmulos grandes – por exemplo no enorme monumento unerário Anta Grande do Zambu jeiro, perto de Évora – encontraram-se mais de centena e meia de placas de xisto, e nelas constatamos uma orte mistura de padrões, portanto de clãs. Uma mistura muito mais intensa (denindo mais interrelações) do que nos túmulos usados para deposições de gerações mais antigas, contendo placas com menos aixas.
A base de dados de Katina Lillios ornece várias correlações – por exemplo as geográfcas
As populações que identifcaram os seus deuntos com placas de xisto gravadas viviam em mais orte concentração nas planícies do Alentejo, mas também em zonas que até à região de Lisboa, até à costa algarvia e que tinham ronteiras orientais para além do Guadiana, até Badajóz, Sevilha e Cáceres. Não só nos dólmenes e tholoi do Alentejo e do Algarve, mas também em vários monumentos unerários das
Penínsulas de Lisboa e Setúbal oram recolhidas placas gravadas.
Por exemplo: na Península de Lisboa, na Anta Cabeço da Arruda (Torres Vedras), 11 placas de xisto. Na gruta artifcial câmara ocidental do Tholos
da Praia das Maçãs (Sintra), 12 placas. Nas grutas artifciais de Carenque, 8 placas de xisto. Em Alapraia 2 (Cascais), 2 placas. Encontraram-se placas na Península de Setúbal, nas grutas artifciais do Casal do Pardo (Quinta do Anjo, Palmela). Também em grutas naturais: Furninha, Cova da Moura, Casa da Moura, Cova das Lapas, Gruta da Marmota, Poço Velho. Na gruta artifcial São Paulo 2 (Almada), 5 placas. No Hipogeu de Monte Canelas (Alcalar, Algarve), 10 placas. Para obter um inventário mais completo e mais actualizado, aceda à base de dados das placas gravadas, online research2.its.uiowa.edu/ iberian/
para Katina Lillios tornou-se cada vez mais evidente a orte carga de signicado das pla-cas de xisto. Estes arteactos marcavam a identidade de indivíduos excepcionais de um clã – seriam chees? xamãs? mágicos?
A génese de novas identidades
Serviriam as placas gravadas simplesmente para identicar e «honrar os mortos»? Ou teriam uma unção mais prática? Hipótese plausível: as placas, uncionando como regis-tos de linhagens, tinha m a unção de assegu-rar direitos hereditários e de denir regras aplicáveis aos casamentos intra-tribais ou intertribais para os indiv íduos de elite de um clã.
Identicando sem margem de dúvida os antepassados, os seus herdeiros tinham as bases para justicar os seus «direitos de posse» sobre aldeias, campos, jazigos de pedra e ontes de minério. Uma legitimação de privi-légios, da ocupação ou da posse (colectiva, ou amiliar) de territórios e recursos naturais de interesse local e geral.
Na introdução ao seu mais recente livro, Heraldry or the Dead , Katina Lillios traça o seguinte resumo: «Durante o Neolítico Final na Península Ibérica, poderosas orças econó-micas e sociais estruturaram a génese de novas identidades. As populações humanas estavam cada vez mais xas a uma base resi-dencial, um resultado da intensicação da agricultura. Ao mesmo tempo que esta estabi-lidade residencial cresce, também encontra-mos evidência para o acto que (pelo menos alguns indivíduos ou grupos) viajavam longos distâncias para ir buscar importantes maté-rias-primas ao Alentejo – anbolito para abri-car achas; variscita, para colares e cobre, para erramentas e armas.» A antropóloga sugere que «a polarização de experiências e de conhe-cimentos, dierenciando aqueles que viajavam daqueles que cavam próximo de casa, levou a cristalizar novas identidades sociais.» Isto escrito em 2008.
Clãs, linhagens, antepassados, territórios, direito de posse e o poder político
É
da disciplina da Antropologia que nos che-ga uma multitude de estudos sobre comu-nidades contemporâneas em todo o globo, que nos permitem compreender o signifcado das linhagens neolíticas/calcolíticas num contexto de evolução social humana mais geral, mais am-plo, mais universal.O signifcado político-social da linhagemé geralmente derivado da descendência do «pri-meiro antepassado» – personagem real, ou fc-tícia, mas já mistifcada. Este primeiro antepas-sado, o supostofundador da linhagem, teria sido sempre o primeiro ocupante do território, o primeiro habitante dohomeland.
A linhagem é um relacionamento preciso com a postulação desse «primeiro antepassa-do» e leva necessariamente a azer da contí-nua celebração do culto dos antepassados uma maniestação de ordenamento político das co-munidades que o praticavam com certa regula-ridade esse culto.
A pertença ao parentesco deste antepassa-dolegitima o descendente, dando-lhe aces-so ao poder, a matrimónios avoráveis, à heran-ça ou à posse de terrenos, e de maneira geral, dando-lhe o prestígio necessário para partici-par nas actividades de cariz político e social do clã – decisões cruciais sobre actividades eco-nómicas, sobre permuta e comércio a curta e a longa distância, sobre alianças com outros clãs – e sobre guerras e assaltos.
Este sistema é requentementepatrilinear. A fgura do pai, descendente directo do antepas-sado Nr. 1, é sempre proeminente; é exclusiva-mente ele que detem a autoridade e o poder.
Duas placas gravadas do espólio do Museu de Torres Vedras. Fotos do autor. Cortesia Michael Kunst. Placa de desenho muito regular, Badajóz, Pardaleras.
Foto: Museo Arqueológico Provincial de Badajóz.
N
a maioria dos casos, as placas oram riscadas com linhas cuidadosamente gravadas, numa execução bem exacta. A orma básica da placa é quase sem-pre clara e simples: um trapézio, em cima mais estreito que em baixo. Mas tam-bém existem ormas menos elegantes, algo humorísticas, mais redondas, mais largas, ou bastante mais altas, como nos exemplos documentados nestas páginas.A maioria exibe padrões geométricos; alguns mostram traços biomórfcos, que esboçam um mocho estilizado. Os oriícios (para pendurar as placas ao peito?) azem a unção de «olhos» – mas nem sempre. O tamanho das placas é, em média, o de uma mão aberta. Mas há excepções; a maior placa conhecida mede uns 24 cm; algumas muito menos.
Quanto tempo demorava um artista a gravar uma placa destas? Katina Lillios ez na Universidade de Iowa um teste de arqueologia experimental. Pediu a um es-tudante do seu curso, um jovem com habilidade e destreza artesanal, para copiar uma placa. Em quatro horas, a réplica norte-americana da placa fcou pronta...
Na imagem: A alta qualidade destas reproduções é típica dos livros publicados pelos Leisner. As placas aqui reproduzidas estão ilustradas na obraLes Monuments Préhistoriques de Praia das Maçãs et de Casaínhos (1969), uma pesquisa da autoria de Vera Leisner, Georges Zbyszewski e Octávio da Veiga Ferreira.
A originalidade da solução ibérica
C
oncentrando-se no estudo das placas identifca-tórias, Katina Lillios mostrou que, se bem que os túmulos megalíticos abundassem em Portugal, Es-panha, França, Irlanda, Dinamarca, Grã-Bretanha e Alemanha do Norte, oi só exclusivamente na Penín-sula Ibérica que se encontraram placas de xisto usa-das comomnemonic aids – testemunhos da prática de uma memória colectiva, registos partilhados pe-los clãs peninsulares.Os padrões usados seriam de leitura universal, no sentido que todos os clãs entenderiam as linhagens aí codifcadas. A consulta destes registos dava inor-mações sobre a descendência dos deuntos, legiti-mando os seus herdeiros ao poder, a estatuto social destacado, à herança de bens ehomelands.
Possivelmente, outros europeus da Idade do Cobre teriam optado por registar as suas linhagens com ta-tuagens, quem sabe? Ou fxando-as empadrões
te-cidos, ou gravando esses registos em materiais perí-veis, como a madeira, por exemplo.
Ou talvez usaramtradições orais, como hoje ainda o azem os Maoris e diversos povos aricanos. Mas oi a oportuníssima ideia dos ibéricos gravarem os seus registos em pequenas pedras de xisto requin-tadamente gravadas, que nos possibilita, 5.000 anos mais tarde, conhecê-los um pouco mais pessoal-mente. Estes registos, chegaram, na sua maioria, em bom estado até nós.
Portanto, é só dos nossos antepassados peninsu-lares que vamos conhecendo as suas linhagens, as suas descendências, e também – impressionante! – as evoluções demográfcas e o trânsito de popula-ções. Populações que viviam na costa sul do Algarve, nas planícies do Alentejo, nas Penínsulas de Lisboa e de Setúbal e para além do Guadiana, até Badajóz, Se-vilha e Cáceres.
Ver para crer
Seis anos antes, no primeiro estudo sobre o tema publicado em Portugal, a cientista tinha-se baseado em material ornecido por outros cientistas; usou os desenhos publicados na magníca obra do casal Georg e Vera Leisner, os dois arqueólogos alemães que começaram a inventarização sistemática dos megálitos na Ibéria (veja os desenhos na página dupla no início deste texto).
Mas posteriormente, Katina Lillios veio a vericar que as placas ilustradas pelo casal Georg e Vera Leisner na amosa obra Die Megalith gräber der Iberischen
Halbinsel obe-deciam ao critério de documentar a variabili-dade encontrada nos espólios tumulares – con-tudo, em prejuízo do registo da abundância dos distintos tipos e padrões de placas.
Ver para crer! Katina Lillios passou a anali-sar já não só a documentação ornecida por outros, mas a observar e otograar pessoal-mente as placas uma por uma, conorme oi tendo acesso directo aos espólios – uma tarea cheia de obstruções e demoras.
O prémio para este esorço: quantas mais placas de xisto oi analisando e inventari-sando, mais os actores de correlação oram subindo em qualidade. A tese inicial está hoje ainda mais bem undamentada do que em 2002: não temos nas placas os «santos» ou «deusas» dos nossos antepassados, temos sim, os seus «bilhetes de identidade». Ou, em lin-guagem mais cientíca: temos o registo das memórias colectivas das sociedades dessa época.
Catálogo digital: ESPRIT online
Qualquer pessoa tem hoje acesso a estas memórias colectivas. Katina Lillios terminou a primeira versão do catálogo digital das pla-cas, oportunamente designado por ESPRIT – sigla para Engraved Stone Plaques Registry and Inquiry Tool . Esta base de dados integra mais de 1.100 placas de xisto, oriundas de mais de 200 tumulações megalíticas da Penín-sula Ibérica. Para consultar a base de dados, aceda a: research2.its.uiowa.edu/iberian
Artistas …e aprendizes
Ao estudar e documentar em todo o pormenor os desenhos das placas, a sensibilidade da cientista vai dierenciando não só os deuntos que «mereceram identicação», vai conhecen-do igualmente os artesãos/artistas que grava-ram as placas. Pois encontra placas de impe-cável eitura artesanal e de impressionante valor estético, e encontra também «peças ra-cas», com linhas tortas e oriícios mal peru-rados.
«Por vezes começo a dialogar com os eito-res das placas como se ossem os meus alunos da Universidade, e começo a dar notas: Esta placa aqui está óptima: Nota 18!; porém esta vale só ... mais ou menos, digamos: 11
valo-res!»
Nesta onda de bom-humor, Katina Lillios explica o universo de leituras proporcionado pela graa e pelo ducto do risco. Existem gru-pos de placas gravados com o risco apontando para a direita, e outras com riscos inclinados para a esquerda. E existem por vezes similari-dades impressionantes no grasmo praticado! A antropóloga: «Provavelmente, temos algu-mas placas abricadas pela mesma pessoa, ou abricadas por membros da mesma ocina, ou da mesma amília...»
Uma ocina de placas
Foi identicado em Águas Frias (Alandroal), num povoado na margem esquerda da Ribeira Luceecit , afuente do Rio Guadiana, uma o-cina de placas de xisto, atestada pela presença
de todas as ases do processo de abrico – à excepção de placas gravadas «terminadas».
Em várias ossas e buracos oram detecta-das todetecta-das as etapas da cadeia de produção detecta-das placas: blocos de matéria-prima (xisto), blocos de xisto com os contornos das placas, placas sem qualquer gravação, mas já polidas, algu-mas placas polidas e gravadas (embora nenhuma tivesse o oriício de suspensão), e até algumas placas não polidas, mas gravadas. Obviamente, muitas vezes a gravação das pla-cas era eita nos locais onde eram usadas – o que explicará, em parte, a enorme diversidade observada no riscado dos desenhos.
À semelhança de outros produtos de pedra, também neste caso se verica uma divisão de trabalho a nível regional – como Katina Lillios já o tinha constatado na sua pesquisa sobre as
erramentas de pedra de anbolito.
Emergência de elites através do controlo do anbolito
O controlo de jazigos de pedra, a aquisição (comércio, permuta ou tributagem) da maté-ria-prima anbolito, o transporte, a produção de erramentas e utensílios em «ocinas» – são actividades que despoletam importantes câmbios sociais. Na Península Ibérica, o Cal-colítico sinaliza a transição de sociedades ega-litárias para sociedades eega-litárias; as comuni-dades maiores passaram a viver em povoados orticados, erguidos sobre majestosos espo-rões. Para os povoados calcolíticos da Estre-madura e do Centro, as pedreiras estavam dis-tantes, mas a matéria-prima – em orma de barras de anbolito – circulava numa rede inter-regional. O controlo dos transportes e da produção de erramentas garantiam poder e domínio social às elites emergentes.
Pouca evidência para a Senhora Dona «Deusa Mãe»
Doutora Lillios: Onde está a Deusa Mãe ? Que azer com os arqueólogos ibéricos de tradição orientalista que insistem em azer a reverên-cia à Mater Magna que pensam ter sido o objecto devoção dos azedores de placas de xisto?
Responde Katina Lillios: «Eu alo do acto de certas placas terem traços óbvios que eu classico como placas biomórfcas . Para mim, essas placas, tipicamente possuidoras de dois grandes olhos, tem muito mais relação com um animal , do que com um ser humano. Qui-sessem os ibéricos dessa época representar um ser eminino, teriam espaço mais do que suciente para gravar seios, ou o triângulo do sexo, ou qualquer outro atributo relacionado com o eminino. Mas não o zeram.»
«Tudo me indica que o animal representado em algumas placas seja a coruja – Tyto Alba – ave que ainda hoje abunda no Alentejo. Ani-mal que vive próximo dos homens, predador nocturno de ecácia ulminante – e que por isso é muitas vezes relacionado com a morte.» E salienta mais uma vez que estas placas bio-mórcas representam um sector muito pequeno do total de placas conhecido: «Ape-nas cinco por cento de todas as placas têm as características que tem servido para alimen-tar a tese da Deusa Mãe».
As próximas tarefas
Katina Lillios: «Falta azer a análise química das placas de xisto. Se tratarmos as placas
Junto à Anta Grande do Zambujeiro, recapitulando as imagens de placas de xisto e o mapa publicado em 1887 nas Antiguidades Monumentaes do Algarve,
A Anta da Comenda... e alguns dos seus ocupantes
«Bilhetes de Identidade» em orma de placas de xisto, que serviram para identifcar os deuntos depositados naAnta da Comenda da Igreja. Fonte: Base de dados ESPRIT. Foto da anta: J.T. Lopes
A Geografa das placas. Da esquerda para a direita: placas provenientes de túmulos megalíticos da região Sul (Algarve-Badajóz): Monte Canelas (Alcalar) – Aljezur – Badajóz – Aljezur. O padrão «triângulos» é típico desta zona do sul ibérico. A primeira placa
mostra 3, a segunda e a terceira, 4 e a quart a 5 aixas de triângulos. A primeira imagem oi acilita pelo Museu de Portimão, as duas ilustrações azem parte do Tomo I das «Antiguidades Monumentaes» de Estácio da Veiga. Badajóz: oto do autor.
Três exemplos de placas com padrão ziguezague, banda intermediária decorada e aixas na parte
superior. Duas otos gentilmente cedidas pelo Museu Arqueológico Nacional, MAN, em Lisboa.
Terceiro exemplo: Monte das Pedras (Évora), V.S. Gonçalves 2004, fg. 13. Esta placa é a mais alta conhecida: 25 cm.
como os objectos geológicos que são, podería-mos saber em que pedreiras oram obtidas, e entender que viagem zeram para chegar aos túmulos onde as encontrámos. Saberíamos algo mais sobre a mobilidade destas
socieda-des, sobre permutas ou sobre o comércio prati-cado.» Falta também azer uma análise de detalhe aos desenhos gravados nas «cabeças» das placas, que poderão revelar aspectos com-plementares.
Placas de Monte Canelas, imagens de Rui Parreira. Com 3, 4, 5 e 6 aixas de triângulos. O primeiro desenho identifca a primeira oto desta página. Estas placas são mostradas no Museu de Portimão.
Datações
As placas de xisto ibéricas oram utilizadas ao longo de ~500 anos, com o apogeu na primeira metade do 3.º milénio, entre 3.000 e 2.500 a.n.E. Para uma placa especíca, a J.8-667, proveniente da Anta 3 da Herdade de Santa Margarida, o arqueólogo Víctor dos Santos Gonçalves publicou a sua datação, obtida por radiocarbono: entre 2.920 e 2.870 cal BC. Os autores da escavação da «ocina de placas» acima reerida, Victor Gonçalves e Manuel Calado, pensam que a ocina seja datável para entre 3.200 e 2.900 a.n.E.
Onde se podem ver placas de xisto?
Lamentavelmente, os arquivos dos museus onde se conservam a maioria das placas de xisto não estão abertos ao público. O acesso a estes acer vos é apenas acultado a cientistas.
Cerca de 2.000 exemplares guardados nos arquivos do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa e vão car aí mesmo nos tempos mais próximos.
Uma bela colecção de cerca de 90 peças está no Museu Geológico de Lisboa. Aí, o leitor poderá apreciar alguns exemplares interes-santes. No Museu Arqueológico do Carmo estavam visíveis quatro placas. O autor detec-tou vários exemplares no Museu de Torres Vedras (10 peças), Sevilha, Huelva, Lagos e Olhão (Algarve). Em Beja pode ser observado um único, mas magníco exemplar.
Uma das exposições mais sugestivas é a do recém-aberto Museu de Portimão, onde algu-mas belas placas de xisto são mostradas no seu contexto sócio-cultural (Alcala r).
Esta placa é uma réplica realizada no Museu de Portimão, onde a Secção de Pedagogia realiza um excelente trabalho baseado nas peças expostas neste museu algarvio. As quatro réplicas de placas de xisto mostram o que poderia terem sido as etapas de elaboração de um destes arteactos. O Museu de Portimão é um dos poucos museus portugueses que expõem placas de xisto
megalíticas, provenientes de escavações
arqueológicas na região de Alcalar, dirigidas por Rui Parreira.
Bibliograa comentada
Foi o arqueólogo algarvio Philippe Simões Estácio da Veiga um dos pri meiros a publicar imagens das placas de xisto com os seus fascinantes padrões gravados. Gravuras e
informações estão disponíveis a partir de 1887, data em que Estácio da Veiga começou a publicar as suas
Antiguidades Monumentaes do Algarve. A percepção que as placas são todas diferentes, manifesta claramente Estácio da Veiga: «Entretanto, não há em algum dos dois grupos duas placas com formas, dimensões e desenhos iguaes...»
«Mas ainda antes de Estácio da Veiga, já o erudito médico português Filipe Simões tinha escrito sobre as placas de xisto», salienta Katina Lillios. No trabalho publicado em 2002 na Revista Portuguesa de Arqueologia, intitulado
Some new views ot the engraved slate plaques of southwest Iberia, Katina
Lillios revolucionou a interpretação deste material préhistórico ao propor «dois modelos para explicar a
iconograa e a distribuição das placas (de xisto)». Desen vol vese e testase a hipótese de que as placas teriam uma função heráldica, servindo para registar a liação numa linhagem e a distância genealógica do falecido a que estavam associadas a um fundador da mesma (linhagem). Na Introdução à análise de correlações, diznos Katina Lillios que já alguns cientistas tinham refutado a interpretação especulativa que as placas representariam ídolos do culto de uma suposta «Deusa Mãe». Katina Lillios mostra o essencial
contributo que a Antropologia pode oferecer à Arqueologia. Desde 1982 vem desen volvendo actividades de
prospecção arqueológica e análise cientíca em Portugal – em estações do Neolítico e da Idade do Cobre, da ndo particular atenção à gênese, dinâmica e extinsão, mais em especial à gênese de desigualdade e de cheas nas
sociedades préhistóricas. Katina Lillios tem colhido bons frutos das suas análises. É de salientar o estudo sobre ferramentas de anbolito usadas em povoados calcolíticos estremenhos e o estudo sobre as placas de xisto. O currículo académico de Katina Lillios
incorpora actividades nas
Universidades de Yale, Boston, UCLA , Ripon College e Iowa. O seu trabalho
Creating Memory in Prehistory: The Engraved Slate Plaques of Southwest Iberia,faz parte do livro Archaeologies
of Memory, publicado em 2003 pela editora Black well.
A antropóloga escreveu Heraldry for the Dead: Memory, Identity, and the Engraved Plaques of Neolithic Iberia,
(2008) e analisa desde o Verão de 2007 o sítio arqueológico de Bolores (Torres Vedras), datável para o Calcolítico. Na apresentação deste livro, salienta o
editor: «Employing an eclectic range of theoretical and methodological lenses, Katina Lillios surveys all that is currently known about the Iberian engraved stone plaques and advances her own carefully considered hypotheses about their manufacture and meanings. After analyzing data on the plaques' workmanship and
distribution, she builds a convincing case that the majority of the Iberian plaques were genealogical records of the dead that served as durable markers of regional and local group identities. Such records, she argues, would have contributed toward
legitimating and perpetuating an ideology of inherited social dierence in the Iberian Late Neolithic.»
Åberg, N.Civilisation énéolithique dans la péninsule ibérique. Uppsala, A.b.
Akademiska bokhandeln i kommission. 1921.
Almagro Gorbea, M. J. Los Idolos del Bronce I Hispano. Madrid, Consejo
Superior de Investigaciones Cientícas. 1973.
Bueno Ramírez, P. Les plaques décorées alentéjaines: approche de leur étude et analyse. L’Anthropologie 96 (23): 573
604. 1992.
Buchholtz, Mary; Hall, Kira. Identity and interaction: a sociocultural linguistic approach. Discourse Studies. SAGE Publications. Vol 7 (4–5): pp 585–614. 2005.
textiles en la prehistoria: las placas de telas en el Calcolítico peninsular . Zephryus. Salamanca. 49, p. 125145. 1996.
Cerdá, Francisco Jordá. Àcerca de unos idolos del neolítico peninsular y su posible origen. In: Da PréHistória à História Homenagem a Octávio da Veiga Ferreira. Editorial Delta. Lisboa, 1987. Cerdá, Francisco Jordá. Formas de vida
económica en el arte rupestre levantino. Zephyrus. Salamanca 25, p. 209223. 1974.
Chapman, Robert. Emerging complexity: The later prehistory of south-east Spain, Iberia, and the west Mediterranean.
Cambridge University Press. Cambridge, 1997.
Carpenter, E., Ed. Materials for the study of social symbolism in ancient & tri bal art : a record of tradition & continuity/ based
on the researches & writings of Carl Schuster . New York, Rock Foundation. 19861988.
Cartailhac, E. Les ages préhistoriques de l'Espagne et du Portugal . Paris, Ch. Reinwald. 1886.
Correia, V. Arte pré-histórica: os ídolos- placas. Terra Portuguesa 12: 2935. 1921. Correia, V. El Neolítico de Pavía. Madrid, Museo Nacional de Ciencias Naturales. 1917.
Davis, D. D. Hereditary emblems: material culture in the context of social change, Journal of Anthropological
Archaeology. 4, p. 149176. 1985. Edmonds, Mark.Towards a Context for
Production and Exchange: The Polished Axe in Earlier Neolithic Britain. In:Trade and Exchange in Prehistoric Europe. Proceedings of a Conference held at the
University of Bristol, 1992. Oxbow Monograph 33. The Short Run Press. Exeter, 1993.
Fohrenbaher, Stašo. Production and exchange during the Portuguese chalcolitic
: The case of bifacial aked stone industries. Trabajos de prehistoria, vol. 55, no2, pp. 5571, 1998.
Farinha dos Santos, Mário. Pré-História de Portugal . (Livro de bolso da série
Biblioteca das Civilizações primitivas). Editorial Verbo. Lisboa, 1985, 1989. Ferreira, O. da Veiga. Acerca dos
enigmáticos “báculos” da cultura megalítica do Alto Alentejo.
Arqueologia. Porto. 12, p. 8693. 1985. Fleming, A.The myth of the
mother- goddess. World Archaeology. 1, p. 247 277. 1969.
Frankowski, E. Estelas Discoideas de la Península Ibérica. Madrid, Museo
Veiga; Viana, A. Estudos arqueológicos nas Caldas de Monchique. Porto: Trabalhos de Antropologia e
Etnologia. 14. 19531954. Pesquisas feitas por arqueólogos amadores em Alcalar. Gimbutas, Maria.Civilization of the
Goddess: The World of Old Europe. San Francisco, Harper San Francisco. 1991. Apologia da «DeusaMãe».
Gonçalves, V. S. (1999). Reguengos de Monsaraz: Territórios Megalíticos.
Lisboa, Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz. Gomes, M. V. (1997) Anta da Belhoa
(Reguengos de Monsaraz, Évora). Resultados da campanha de 1992.
Cadernos de Cultura. Reguengos de Monsaraz. 1, p. 3969.
Gonçalves, V. S.. (1992). Revendo as antas de Reguengos de Monsaraz. Lisboa:
UNIARQ/INIC.
Gonçalves, V. S.Sítios, “Horizontes” e Artefactos. CM Cascais. 1995. Gonçalves, V. S. (1999) Reguengos de
Monsaraz, territórios megalíticos. Reguengos de Monsaraz: Câmara Municipal.
Gonçalves, V. S. (1999)Time, landscape and burials. 1. Megalithic rites of ancient peasant societies in central and southern Portugal: an initial overview. Journal of
Iberian Archaeology. 1. Porto. Gonçalves, Victor dos Santos. (2001) A
Anta 2 da Herdade de Santa Margarida (Reguengos de Monsaraz). Revista Portuguesa de Arqueologia. Lisboa. 4:2. p. 115206.
Gonçalves, Victor dos Santos; Sousa, A. C. (1997) A propósito do grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz e das origens do megalitismo no Ocidente Peninsular .
In Actas do ColóquioO Neolítico Atlántico e as orixes do megalitismo.
Santiago de Compostela, p. 609634. Gonçalves, Victor dos Santos.; Sousa, A.
C. (2000) O grupo megalítico de Reguengos de Monsaraz e a evolução do
megalitismo no Ocidente Peninsular (espaços de vida, espaços da morte: sobre as antigas sociedades camponesas em Reguengos de Monsaraz). In Muitas antas, pouca gente?Actas do I Colóquio
Internacional sobre Megalitismo. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia, p. 11104.
Gonçalves, V. S.; Sousa, A. C. Novos dados sobre as práticas funerárias das antigas sociedades camponesas em Reguengos de Monsaraz: o limite oriental . In Actas do
2º Colóquio Internacional sobre Megalitismo (Reguengos de Monsaraz, 2000). Lisboa.
Gonçalves, V. S; Calado, Manuel.O povoado-ocina de placas de xisto gravadas de Águas Frias, Alandroal.
Gonçalves, V. S; Calado, Manuel.Working at Home (and Abroad): the Atelier of Engraved Schist Plaques of Águas Frias
(Alandroal). UISPP / IUPPS XV Congress / XV Congrès. Lisboa. 2006. Gonçalves, V. S.; Pereira, André; Andrade,
Marco. As notáveis placas votivas da Anta de Cabacinhitos (Évora)Revista
Portuguesa de Arqueologia, Vol 8, nr 1. pp 43109. 2005.
Kopyto, I.The cultural biography of things: commoditization as process. In A.
Appadurai, (Ed.),The social life of things: Commodities in cultural perspective, pp 6491. Cambridge University Press. Cambridge, 1986.
Leisner, G.; Vera. Die Megalithgräber der Iberischen Halbinsel. Der Süden.Berlin,
Walter de Gruyter. 1943.
Leisner, G.; Vera Leisner (1951). Antas do Concelho de Reguengos de Monsaraz.
Lisboa: Instituto de Alta Cultura (reeditado pelo INIC/UNIARQ , Lisboa, 1985).
Leisner, Georg; Vera Leisner. Die
Megalithgräber der Iberischen Halbinsel. Der Westen. Berlin, Walter de Gruyter.
Madrider Forschungen, Vol. I, 2. 1959. Leisner, Vera. Die Megalithgräber der
Iberischen Halbinsel. Der Westen. Berlin, Walter de Gruyter. Madrider
Forschungen, Vol. I, 3. 1965. Leisner, Georg; Lesiner, Vera. Die
Megalithgräber der Iberischen Halbinsel: Der Süden. RömischGermanische
Forschungen, Vol. 17. 1943.
Lillios, Katina T. Lives of Stone, Lives of People: Re-Viewing the Engraved Plaques
of Late Neolithic and Copper Age Iberia. European Journal of Archaeology, Vol. 7, No. 2, 125158. 2004. Sumário: De sde há mais de um século que o tema das placas de xisto decoradas (3.0002.500 BC) tem sido abordado pelos pré historiadores sob uma perspectiva monolítica e idealista, em que as placas são vistas como representações da DeusaMãe.
As respectivas variabilidade, técnica de fabricação e biograa só muito raramente foram objecto de
tratamento. Neste artigo, propõemse novas interpretações das placas ibéricas baseadas num catálogo online
exaustivo (ESPRIT), o primeiro do seu género, com mais de 1100 placas provenientes de mais de 200 sítios de Portugal e Espanha. A análise da matériaprima, do estilo, da cadeia operatória e da distribuição espacial sugere que aos diferentes tipos de placas correspondiam funções e signicados. As placas parecem ser registos duráveis da identidade dos grupos humanos, tanto a nível regional como local, e podem ter contribuído para a legitimação e perpetuação de uma ideologia de transmissão hereditária da diferenciação social. Lillios, Katina T.Symbolic artifacts and
spheres of meaning: groundstone tools from Copper Age Portugal . In: John
Robb (Ed.). Material Symbols: Culture and Economy in Prehistory, Center for Archaeological Investigations, pp. 7387.
Carbondale, 1999.
Lillios, Katina T. Regional Settlement Abandonement at the End of the Copper Age in the Lowlands of West-Central Portugal . In: C. Cameron, S. Tomka,
(Eds.), Abandonment of Settlements and Regions: Ethnoearchaeological and Archaeological Approaches, pp 1020.
Cambridge Press University. Cambridge, 1993.
Lillios, Katina T.Competition to Fission: The Copper to Bronze Age Transition in the Lowlands of West-Central Portugal (3000-2500 BC)Ph.D. Diss., Yale University. 1991.
Os oriícios em muitas placas de xisto (por vezes um, por vezes dois) não oram ainda explicados. Alguns apresentam sinais de atrito, de uso – oram
possivelmente pendurados (ao pescoço?). Teriam sido exibidas por vivos, por exemplo durante certos rituais? Será que as placas eram depositadas nos túmulos, mas retiradas durante certas ocasiões? Ou será que eram abricadas para serem «vistas» exclusivamente pelos mortos?
competition, and ssion: the Copper to Bronze Age transition in the lowlands of
west-central Portugal . In: Encounters and Transformations: The Archaeology of Iberia in Transition, Miriam S.
Balmuth and Lourdes Prados Torreira, Eds. Monographs in Medit. Arch. Sheeld: Academic Press, pp 2532. 1998.
Lillios, Katina T. Amphibolite Tools of the Portuguese Copper Age (3000-2000 BC): A Geoarcharcheological Approach to Prehistoric Economics and Symbolism.
Geoarcheology. Vol 12, 2, pp 137163. John Wiley & Sons, 1997.
Lillios, Katina. T.; C. Read; R. Grapes.
Chemical Analyses and Petrography of Amphibolite Implements and Possible
Source Rocks from Western Iberia.
Analytical Facility Publication No. 19. Victoria University of Wellington Press. Wellington, New Zealand, 1997. Lillios, Katina T.; Read, Caroline; Alves,
Francisco.The axe of the Óbidos Lagoon (Portugal): an uncommon nd recovered during an underwater archaeological survey (1999). Revista Portuguesa de Arqueologia, Vol. 3, Nº. 1, 2000, pp. 514
Lillios, Katina T.Some new views of the engraved slate plaques of southwest Iberia. Revista Portuguesa de
Arqueologia 5(2): 135151. 2002. Lillios, Katina T.Creating memory in
prehistory: the engraved slate plaques of southwest Iberia. In: Archaeologies of
Memory. R. van Dyke and S. Alcock. Oxford, Blackwell: 129150. 2003. Lillios, Katina T.Objects of memory: the
ethnography and archaeology of heirlooms. In: Journal of
Archaeological Method and Theory, Nr. 6 (3): 235262. 1999.
Lillios, Katina (ed.)The Origins of Complex Societies in Late Prehistoric Iberia. Ann Arbor, Michigan:
International Monographs in Prehistory. 1995.
Lisboa, Isabel M. Gomes. Meaning and messages: mapping style in the Iberian Chalcolithic. Archaeological Review from Cambridge 4:3, p. 181196. 1985. Isabel Gomes Lisboa avançou a ideia que as placas deviam ser vistas como sendo «ordered and mea ningful, in the sense that they are being used to transmit messages» e sugeriu que as placas possuíam «função heráldica, não necessariamente associada com indivíduos». Se bem que Isabel Gomes Lisboa já tivesse fornecido a ideia chave para desvendar o signicado das misteriosas placas, não disponibilizou um modelo – umtestbed empírico –
para provar a sua tese. Foi aqui que Katina Lillios cortou o nó górdico que tinha vindo a atroar a avaliação das placas.
Martínez Fernandéz, G.; Morgado Rodríguez, A.; Afonso Marrero, J. A.; Sánchez Romero, M.; Roncal los Arcos, M. E. Reexiones sobre la explotación de materias primas para la producción de artefactos de piedra
tallada durante la Prehistoria reciente de Andalucía Oriental: el caso de Los
Castillejos (Montefrío, Granada). Pinto, A. M.; J. S. Pinto (1978). Problemas
de análise descritiva de placas de xisto gravadas do megalitismo português. 1ª Mesa-Redonda Sobre o Neolítico e o
Calcolítico em Portugal, Porto.
prehistoricos em Portugal; noticia de algumas estações e monumentos prehistoricos, memoria apresentada à Academia real das sciencias de Lisboa.
Lisboa, Typ. da Academia. Rodrigues, Maria da Conceição
Monteiro. As regras da Informática na organização tipológica do Vaso campaniforme. In: Da Pré-História à História. Editorial Delta. Lisboa: 1987. Rodrigues, Maria da Conceição
Monteiro.Código para a análise das placas de xisto gravadas do Alto Alentejo – Nova estratégia para o tratamento de dados em arqueologia. Vol. I. Castelo de
Vide: Câmara Municipal. 1986. Rodrigues, Maria da Conceição
Monteiro. Estudo Ideológico-Simbólico das Placas de Xisto Gravadas. CM
Castelo de Vide, 1986.
Simões, A. F. Introducção a Archeologia da Peninsula Iberica. Lisboa, Livraria
Ferreira. 1878.
Siret, H.; Louis Siret. Les premiers âges du métal dans le sud-est de l'Espagne. Anvers. 1887.
Sousa, Ana Catarina.O Neolítico Final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros. Trabalhos de Arqueologia II, IPA, Lisboa, 1998.
Vasconcellos, J. L. de (1894) Antas do termo de Monsaraz (Alentejo). O Archeologo Português. Lisboa, 1, p. 222223.
Veiga, S. P. M. Estácio da. Antiguidades monumentaes do Algarve: tempos prehistoricos.Lisboa, Imprensa
Nacional. 1887.
Gonçalves, V.S. Manifestações do sagrado na Pré-História do Ocidente peninsular: 4. A síndrome da placas loucas. Revista
Portuguesa de Arqueologia, Vol. 6, Nr.1, p. 131157. Lisboa, 2003. – As deusas da noite: o projecto «Placa
Nostra» e as placas de xisto gravadas da região de Évora. Revista Portuguesa de Arqueologia, Vol.7, Nr. 2. p.4972. Lisboa, 2004.
– Reguengos de Monsaraz: territórios megalíticos. Lisboa: CM de Reguengos de Monsaraz. Lisboa, 1999.
Já em 1887 o padre Nunes da Glória tinha sabido dignifcar a qualidade estética das placas de xisto - por exemplo desta placa oriunda de Aljezur no Algarve. Óptimos desenhos seus oram publicados nas Antiguidades Monumentaes do Algarvede Estácio da Veiga. Diz o
autor nessa publicação:
«Recorrendo aos museus, ao avor de alguns collectores particulares e às minhas collecções, tenho
conseguido reunir cópia exacta de cincoenta e seis placas e vinte e tres ragmentos de outras...» Scan: Gentileza Biblioteca Municipal de Silves, onde se encontra um exemplar desta obra.
Azulejo, um suporte para escrita
frequentemente usado em
Portugal e Espanha
O azulejo é um revestimento
omnipresente na Península Ibérica. É usado para revestir paredes, como suporte de pintura ... e para placas e letreiros. Compilação de textos de Paulo Heitlinger.
O
termo azulejo designa uma peça cerâmica de pouca espessura, geral-mente quadrada ou rectangular, em que a ace visível é v idrada, resultado da coze-dura de uma substância à base de esmalte que se torna impermeável e brilhante. Esta ace visível pode ser monocromática oupolicromá-tica, lisa ou em relevo.
A palavra azulejo tem origem no árabe azze-lij (ou al zuleycha, al zuléija, al zulaiju) que signica pequena pedra polida e era usada para designar o mosaico bizantino. É comum, no entanto, relacionar-se o termo com a pala- vra azul (termo persa lazhward , lápis-lázuli)
Uma orma tradicional de letras modularizadas em azulejo. Monograma integrado na achada de um ediício em Barcelos. Foto do autor.