O MERCADO DE CAPITAIS
DAVID M. TRUBEK • JORGE HILARIO GOUVEA VHRi R^ULO FERNANDES DESA
TN APEC
j. h^j^icL
0 Mercado de Capitals e os
Incentivos Fiscals
^Xfam Lifemry Wf
TN-APEC Rio de Janeiro — GB
Copyright by
David M. Trubek, Jorge Hilario Gouvea Vieira e Paulo Fernandes de Sa
Capa: Marilia Bandeira e Rubens Maia Revisao: Moacir Pereira de Oliveira
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Rio de Janeiro — junho de 1971
INDICE
Prefacio: ... 9 Introdugao: ... 17
PARTE I
Capitulo I — A Lei, a Politica Economico-Financeira e a Teoria Economica: ... 23 A — Escopo do Estudo: ... 23 B — Porque Teoria Economica — Nota sobre
a Metodologia: ... 27 Capitulo II — Mobilizagao do excedente Economico: o Papel
da Formagao de Capital e do Mercado de Ca
pitals no Desenvolvimento: ... 33 A — Relagao entre Poupanga e Crescimento: 33 B — Criterios para Medir a Eficiencia do Pro-
cesso Alocativo: ... 35 C — Estrategias Alternativas Seletivas para a
Mobilizagao do Excedente: ... • 37 2. Requisites Basicos Institucionais e do corn-
portamento em relagao as tecnologias Al
ternativas — Construgao de uma Sociologia da Economia em face do Direito... 49
PARTE II
Capitulo III — Incentives Fiscais, Planejamento e Mercado de Capitals: Introdugao a um Estudo dessa Politica ... 93 Capitulo IV — O Esquema Conceitual: uma Serie de Medidas
e Objetivos no Tempo: ... 101 Capitulo V — Os Incentives Fiscais: Sociedade de Capital
Aberto: ... Ill Capitulo VI — Os Incentives Fiscais: Decreto-lei 157: ... 137
Capitulo VII — Outras contribuigoes da Lei de Mercado d«
Capitals e da Reforma Tributaria: ...• 159
Capitulo VIII — Deficiencias no Sistema Legal: Omissoes e Malogros da Reforma Legal: ... 173 Capitulo IX — Problemas Atuais no Sistema de Incentives
Fiscals — Proposta para modlficaeao da Re- solugao 106 que regulamenta Sociedades de Capital Aberto: ... 179 Capitulo X — O Sistema Fiscal de hoje — Procura de uma
Tecnologia de Poupanga e Investimento: .... 211 Capitulo XI — Avaliagao de uma Politica: ... 229
PARTE III
Capitulo XII — O Papel da Lei no Desenvolvimento do Mer
cado de Capitals: Consideragoes Adicionais: .. 239
Apendice: 257
introdu^ao
fiste livro tern uma longa historia. Tal como o mercado de que se ocupa, cresceu em tamanho e complexidade com
0 correr do tempo. Projetado de inicio como um pequeno artigo subordinado ao titulo A Lei de Mercado de Capitals, transformou-se primeiro num extenso estudo casuistico s6- bre o papel dos incentivos fiscais no mercado de agoes para, finalmente, assumir a sua forma atual, em que analises em- piricas e normativas se entremeiam de especulagoes teoricas.
Nossos pianos originals contemplavam a publicagao do que hoje constitui a segunda Parte como um pequeno livro.
Ocorre, entretanto, que as segdes teoricas desse estudo, tal como projetado em primeira mao, acabaram por se nos afi- gurar insatisfatorias. A fim de dar ao trabalho historico- -normativo uma estrutura teorica mais coerente, o Professor Trubek preparou o ensaio que Integra a primeira Parte do presente livro. O seu autor pretendeu que o referido ensaio constituisse, por si so, uma contribuigao a teoria do desen- volvimento economico, tentando com ele mostrar como a lei afeta a maneira de os diferentes paises selecionarem a politica que mais Ihes convem para estimular a formagao de capitals. Embora possa ser lida em separado pelas pessoas interessadas na legislagao e no desenvolvimento, a Parte pri
meira tambem se destina a preparar o terreno para a seguin- te, que de certo modo ilustra e confirma as especulagoes teo
ricas. A terceira Parte contem observagoes gerais sobre o pa
pel da lei na reforma do mercado de capitals no Brasil, cons- tituindo, a bem dizer, um desenvolvimento dos temas inicia- dos na primeira Parte. E verdade que essas tres partes podem
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ser consultadas, separadamente, mas recomendamos a sua lei- tura em conjunto.
A Parte mais importante do livro e a segunda, que en- cerra uma analise historica de alguns aspectos principals da politica do Governo destinada a estimular o crescimento do mercado de agoes no Brasil. Escrevemo-la com tres objetivos em mente.
Em primeiro lugar, esperavamos identificar os principals aspectos da politica do Governo nessa area, acompanhar-lhes a evolugao e estudar as questoes criticas do setor em causa.
Em segundo lugar, desejavamos demonstrar a importancia fundamental das leis e regulamentos no desenvolvimento desse aspecto da politica economica, pondo em evidencia a correlagao basica existente entre a legislagao e o desenvol
vimento economico no Brasil de hoje. Por fim — e talvez com maior grau de empenho — procuravamos sugerir um metodo de realizar pesquisas empiricas, de orientagao normativa, sobre a lei no Brasil.
Esperamos ter alcangado o primeiro objetivo, que era 0 de langar luz sobre a politica em vigor. Por certo, teremos errado em algumas areas e passado por cima de outras: nesse particular, receberemos, com satisfagao, criticas e comenta- rios de outros observadores. A tarefa de compor um quadro coerente da politica que comanda esse setor e de grandes proporgoes. Em varios trechos do estudo chamamos a aten- gao do leitor para esse problema e salientamos a importancia do desenvolvimento de uma doutrina mais coerente e de me- didas normativas mais congruentes. Anima-nos a esperanga de provocar debates em torno dos aspectos nebulosos da sis- tematica normativa, pois acreditamos que so atraves de uma livre e franca troca de opinioes sobre o assunto, lograra o Governo alcangar os sens objetivos.
Esperamos que o estudo em causa tenha conseguido de
monstrar, de maneira adequada, o papel desempenhado pela lei no aspecto do desenvolvimento economico brasileiro por nos focalizado. Ao passo que alguns economistas talvez ve-
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jam na lei, meramente, um modo de “implementar” a poli- tica, preocupamo-nos em demonstrar que a lei e a politica economica sao indissociaveis no Brasil contemporaneo. A politica economica so se torna definida e concreta ao tradu- zir-se em medidas especificas. Quern nao entender as leis e regulamentos, nada podera dizer sobre a natureza da poli
tica economica. Ao reves, nenhum advogado chegara a com- preender as regras, postulados e normas em processo de cria- qao, a menos que saiba perceber o sentido da teoria e pratica economicas que o infomiam. Quando nao tenha outro merito, o nosso estudo demonstra, conclusivamente, que a lei e a po
litica economica constituem um todo uno e interligado no Brasil atual.
Assim sendo, torna-se essencial que os advogados e eco- nomistas aprendam a comunicar-se entre si. Encontramos muitas deficiencias na sistematica de elaboragao normativa e implementagao na area do mercado de capitais. Algumas delas sao, explicitamente, apontadas no nosso trabalho, en- quanto outras emergem da analise que fizemos de medidas especificas. Essas imperfeigoes do sistema normativo e regu- lador so poderao ser sanadas, mediante uma serie de meti- culosas pesquisas e analises.
Como procuramos demonstrar, isso requer a realizagao de cuidadosos estudos empiricos e a capacidade de divisar tanto as perspectivas legais quanto as economicas. Acredi- tamos que o nosso estudo sirva para ilustrar a maneira de levar a cabo essa analise e essa pesquisa. Se assim acontecer, isto e, se ele se mostrar util aqueles que se dedicam a pro
mover pesquisas empiricas nos campos interligados da lei e da economia, tera dado a solugao do problema uma contri- buigao inestimavel, e cujo sentido perdurara mesmo depois que os estatutos e normas especificas, objetos de nossa ana
lise, tiverem caido no esquecimento.
Seria impossivel citar aqui o nome de todas as pessbas cujos esforgos concorreram para a concretizagao do nosso es
tudo, pelo que so mencionaremos alguns. Recebemos inspi- ragao, tanto material como intelectual, do Centro de Estudos
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e Pesquisas no Ensino do Direito (CEPED), e fazemos ques- tao de consignar a ajuda dos Professores Caio Tacito e Al
fredo Lamy Filho, bem como do diretor-executivo do CEPED, Sergio Majella. Nossos amigos e conhecidos no campo do mercado de capitais for am prestimosissimos, cumprindo men- cionar, em particular, Marcilio Marques Moreira, do BIB, sem cuja colaboragao jamais teriamos chegado a completar a obra iniciada, Mario Henrique Simonsen, que foi prodigo em dedicar-nos parte de seu precioso tempo para debater co- nosco a materia do livro, e Roberto Paulo Cesar de Andrade, Rubens Torres, Henry Steiner, Hugh Patrick, Keith Rosenn, Alberto Venancio Filho, Judith Tendler e Norman Poser, que leram o manuscrito e nos ofereceram importantes comenta- rios e juizos criticos. No Apendice relacionamos todas as pessoas com as quais realizamos entrevistas formais ou se- miformais.
Os recursos para a realizagao do estudo provieram do International Legal Center, de Nova lorque, e da Universi- dade de Yale. O Programa sobre a Lei e a Modemizagao, da Escola de Direito de Yale, deu ao Professor Trubek o apoio material que Ihe permitiu dedicar maior parcela de tempo a conclusao do manuscrito. Miss Linda Lenzi, a Sr?^ Sonia Garcia Paula e a Sr^ Noemi Soares Tenorio nos proporcio- naram eficaz e paciente ajuda na qualidade de secretarias.
Por ultimo, mas nao em importancia, desejamos ex- pressar nossa gratidao as nossas respectivas esposas — Loui
se, Lucia e Sonia. Ja se tornou convencional os autores agra- decerem as suas esposas todos os sacriflcios, etc., implicitos no trabalho de publicagao de um livro. Desejamos esclarecer que no nosso caso o reconhecimento nada tern de formal;
os sacriflcios foram grandes e a gratidao e verdadeira.
A pesquisa basica para a segunda Parte foi levada a efeito de junho a agosto de 1969, tendo o Professor Trubek preparado o manuscrito original em ingles, fisse manuscrito foi traduzido para o portugues pelos dois outros autores com a colaboragao de Jefferson Barata. A primeira Parte foi es-
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crita em julho de 1970, tendo a segunda e terceira Partes side objetos de revisao no mesmo mes, em face da primeira Parte, e a luz de recentes mudangas ocorridas na sistema- tica normativa, apos a conclusao da primitiva versao da segunda Parte.
DAVID M. TRUBEK
JORGE HILARIO GOUVfiA VIEIRA PAULO FERNANDES DE SA
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