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Transversal – Revista em Tradução, Fortaleza, v.2, n.1, p. 01-03, 2016. EDITORIAL

O volume 1, n.1, 2016 da Transversal – Revista em Tradução, ao ser publicado, reafirma nosso esforço de fomentar o debate sobre problemas relacionados à

tradução, seus processos e impactos sobre sistemas receptores. Este primeiro número do

segundo ano de existência da revista, seguindo a linha editorial, apresenta quatro

artigos, dando diferentes enfoques teórico-metodológicos à pesquisas na área dos

Estudos da Tradução e a publicação de duas traduções sobre textos de grande relevo

dentro do sistema literário brasileiro; uma proveniente da literatura alemã e outra da

literatura grega.

O primeiro artigo traz uma reflexão de cunho mais teórico, envolvendo o campo de

Estudos da Tradução na contemporaneidade, e os outros discutem de modo mais

pontual os resultados de análises de objetos mais específicos, envolvendo problemas de

tradução e processos de recepção. “Da contemporaneidade, do pós-colonial e da

tradução: sobrevivências”, de Jânderson Albino Coswosk, tem como proposta traçar

percursos teóricos a respeito dos conceitos de contemporaneidade, pós-moderno e

pós-colonial, no sentido de observar a forma como esses conceitos impactam os Estudos de

Tradução, tendo em vista o papel do tradutor e da tradução no mundo contemporâneo.

Com base em teóricos como Derrida (1973), Gentzler (2008), Agamben (2009) e outros,

o autor reforça a necessidade de se pensar epistemes intercessoras que auxiliem na

compreensão de fenômenos econômicos, culturais, sociais e políticos gerados por

rastros de sobrevivências do passado com os impactos do momento contemporâneo. “Tradução de humor: algumas considerações”, de Tiago Marques Luiz, apresentando parte de resultados de uma pesquisa de Mestrado, levanta algumas

considerações teóricas sobre a tradução do humor, e seus desafios do processo de

tradução tanto na perspectiva verbal quanto audiovisual. Para tal, o autor retoma

considerações propostas por Jeremy Munday (2009), Patrick Zabalbeascoa (2001),

Salvatore Attardo (2002), Stanislaw Baranczak (1992), e mostra que essas

considerações ainda se fazem relevantes atualmente, uma vez que os estudos no campo

da tradução e do elemento cômico como algo significativo para o tradutor e

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Transversal – Revista em Tradução, Fortaleza, v.2, n.1, p. 01-03, 2016.

“Retradução comentada de um proêmio de Leonardo da Vinci”, de Paulo Henrique Pappen, investiga uma tradução existente de um proêmio para uma obra

(possivelmente um livro sobre anatomia) que não chegou a ser concluída, de Leonardo

da Vinci, e propõe duas retraduções desse texto. Considerando as ideias de Berman

(1995; 2013) sobre tradução e crítica de tradução, o autor analisa uma tradução de 1997

e, então, propõe uma retradução, buscando unir procedimentos literais (VINAY &

DARBELNET, 1972) a uma concepção de tradução que leve em conta o ritmo

(MESCHONNIC, 2010). Em seguida, propõe uma terceira tradução do proêmio,

buscando equilibrar a literalidade com a adequação a um português brasileiro

contemporâneo em que se reconheça o italiano antigo, mas sem estranhamentos

exagerados

Em “As expressões idiomáticas traduzidas nas legendas da série Glee, Nathalia Leite de Queiroz Sátiro e Sinara de Oliveira Branco analisam a tradução de

Expressões Idiomáticas (EI) na legenda de um episódio do seriado Glee, além de

observar as estratégias tradutórias utilizadas para a tradução de EI na legenda e de

verificar a implicância da questão cultural nas traduções delas, levando em consideração

o contexto cultural brasileiro. As autoras utilizam como embasamento teórico princípios

dos Estudos da Tradução Audiovisual e Legendagem (DIAZ-CINTAS e ANDERMAN,

2009; GOROVITZ, 2006; ARAÚJO, 2004); a Tradução e a Cultura

(SNELL-HORNBY, 1995; LARAIA, 1986; HATJE-FAGGION, 2009); as Expressões

Idiomáticas (TAGNIN, 2005; BAKER, 1992; ALVAREZ, 2011); e as Representações

Estereotipadas em Glee (BIEGING, 2010). Concluíram que, por meio de maior número

de paráfrase e tradução por outra EI na língua alvo, os tradutores conseguiram, de forma

geral, traduzir as EI.

Na seção seguinte, Greice Bauer apresenta a tradução, até então inédita em

português brasileiro, de um texto que faz parte da obra Hans Bär, de 1837, de autoria do

escritor, poeta e novelista alemão Theodor Storm. A tradução é resultado de um projeto de pesquisa em desenvolvimento intitulado “Tradução e paratradução de contos de Theodor Storm”, desenvolvido desde 2012 junto à Universidade Federal de Santa

Catarina, que tem por meta a ampliação do acervo literário referente a obras elaboradas

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Transversal – Revista em Tradução, Fortaleza, v.2, n.1, p. 01-03, 2016.

Por fim, Ana Maria César Pompeu traz a tradução de um excerto de

Assembleia de mulheres (393/2 a.C.), a décima peça que nos chegou de Aristófanes,

único comediógrafo da Comédia Antiga Grega que deixou textos completos (onze

comédias, das aproximadamente quarenta que teria composto). A peça em questão é a

primeira do século IV a.C. e apresenta modificações formais importantes em relação às

comédias do século V a.C., fazendo uma transição para a Comedia Intermediária ou

Média Grega. A autora apresenta no excerto uma proposta de tradução em forma de

versos no intuito de comparar com a tradução portuguesa, que é em forma de prosa,

mantendo na medida do possível a ordem das palavras, em especial a primeira de cada

verso, desafiando o processo de tradução, mas buscando uma maior aproximação ao

texto em grego clássico.

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Carlos Augusto Viana da Silva e Roseli Barros Cunha (Organizadores)

Referências

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