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COMO
PENSAR
TUDO ISTO?
Manual Versão
do Professor
do Aluno
Manual
Manual
do Estudante
Caderno
Cadeerno
C
Caderno de Apoio
Cade
ao Professor
Manual V
do Prof
fessor
Versão
d
Um manual para
ensinar como pensar
Um manual adaptável
a diversas necessidades
Recursos que tornam
o ensino da filosofia
estimulante e apelativo
erno de Apo
o Professor
Cadeerno
Estuudante
Cade
ao
Man
do Al
luno
ual
do
C
d
MILL
KANT
Os fins justificam
os meios!
Discordo!
2
2
Apresentação
do assunto principal
Um manual para
3
Capítulos 1 a 3 dedicados a
problemas relacionados com
as competências filosóficas
fundamentais.
Capítulos 4 a 7 dedicados
aos problemas filosóficos
destacados nas
Aprendizagens Essenciais.
Capítulo 8 apresenta
orientações sobre como
escrever um ensaio filosófico
e disponibiliza o acesso
direto a recursos digitais
para dois temas/problemas
do mundo contemporâneo.
Para o professor são
disponibilizados recursos
para quatro temas/
problemas.
Organização
do manual
Capítulos 1
problemas r
as competê
fundamenta
Capítulos 4 a
aos problema
destacados n
Aprendizagen
Capítulo 8 apre
orientações so
escrever um en
e disponibiliza o
direto a recurso
para dois temas/
do mundo contem
Para o professor
disponibilizados
para quatro tema
problemas.
Organiz
do manu
Identificação
do problema central
em análise
Explicitação
dos objetivos de
aprendizagem
MUITO PRAZER,
SOU O INSPETOR LEBEAUX!
AO SEU SERVIÇO NO
CAPÍTULO 2 DESTE PROJETO.
4
Pretende-se munir os alunos
de ferramentas que os ajudem
a pensar de modo crítico e
fundamentado.
Ensinar aos alunos não o que
pensar mas como pensar.
Os problemas filosóficos
são sempre o ponto de
partida através da rubrica
Laboratório mental
.
nos
udem
e
o que
ar.
emas filosóficos
mpre o ponto de
através da rubrica
ratório mental
.
Laboratório
mental
Durante um jantar numa mansão isolada,
Mr. Boddy, o anfitrião da noite, admite que está
a chantagear todos os convidados. As luzes
apagam-se e Mr. Boddy aparece morto, e agora
todos são suspeitos. Quem será o assassino?
A jovem astuta, atraente e sedutora Miss Scarlett?
O elegante e perigoso Coronel Mustard?
A governanta explorada Mrs. White? O Reverendo
Green, que parece ser capaz de tudo para esconder
o seu segredo? A Mrs. Peacock? Ou o enigmático
Professor Plum?
Todos eles tinham um motivo e eram os únicos
no local do crime. Mas como resolver este mistério?
Para o Inspetor LeBeaux, que ficou responsável
por resolver este caso, a solução era óbvia. Depois de
examinar todas as provas disponíveis e questionar
todos os suspeitos, LeBeaux obteve as seguintes
informações:
• Os suspeitos são: a Miss Scarlett, o Coronel
Mustard, a Mrs. White, o Reverendo Green,
a Mrs. Peacock e o Professor Plum.
O M B dd f i
d
• Pela distribuição do veneno no prato, pode
perceber-se que este foi despejado por alguém
destro.
• O Professor Plum e a Mrs. Peacock são destros,
mas não tiveram acesso à comida do Mr. Boddy.
• A Miss Scarlett nunca esteve sozinha com a
comida do Mr. Boddy. Numa ocasião, ela e o
Reverendo Green estiveram a sós na cozinha.
Noutra ocasião, o Coronel Mustard tentou
seduzi-la na sala de jantar antes de os outros
convidados chegarem. Portanto:
• Se foi a Miss Scarlett, então o Reverendo
Green ou o Coronel Mustard teriam de ser seus
cúmplices.
• O Reverendo Green estava verdadeiramente
apaixonado pela vítima. Portanto:
• O Reverendo Green não matou nem compactuou
com ninguém para matar o Mr. Boddy.
• O Coronel Mustard é esquerdino.
• A Mrs. White teve acesso à comida do
Mr. Boddy, mas não teve acesso ao veneno.
Mi é i
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Na pista de um assassino
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er-se que este foi despejado por alguém
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O planeta seguinte era habitado por
um bêbedo. A visita dur
ou pouco, mas
mergulhou o pr
incipezinho numa grande
tristeza.
E á a fazer
o quê? – perguntou a
o
l d
– Para me esquecer de que tenho
vergonha – co
nfessou o bêbedo
, baixando
a cabeça.
– Vergonha de quê? – tentou saber
o principezinho
, cheio de vontade de o
ajudar.
h de beber! – co
ncluiu o
Laboratório
mental
O principezinho e o bêbedo
Um manual para
ensinar como pensar
KANT
De mim não aprendereis
filosofia, mas antes como
filosofar, não aprendereis
pensamentos para repetir,
5
Nas suas viagens intergaláctic
as, o Comandante
Shepard deparou-se com uma enorme div
ersidade
de espécies, culturas e costumes.
Por vezes, essa
diversidade deixava-o um pouco per
plexo. Os
Quarian, por exemplo
, expulsavam os filhos de
casa antes de estes atingir
em a maioridade e só os
aceitavam de volta depois de encontrar
em algo de
valioso nas suas viagens de exploraç
ão da galáxia.
Entre os Krogan, naturais do inóspito planeta
Tuchanka, apenas a agr
essividade e o egoísmo eram
vistos como virtudes;
a compaixão e o altr
uísmo,
pelo contrário, eram enc
arados como sinais de
fraqueza que dever
iam ser evitados a todo o custo
.
Devido a um vírus que afetou grande par
te da
população, as fêmeas fér
teis eram raras e m
uito
preciosas. Por isso,
viviam numa com
unidade
à parte com as crianç
as e só esporadicamente
recebiam a visita de alguns machos,
escolhidos de
entre os mais fortes para assegurar a continuidade
da espécie. Os Asar
i, por sua vez, eram uma
espécie só com um géner
o. A sua fisiologia únic
a
proporcionava-lhes uma esperanç
a média de
vida de cerca de mil anos e a possibilidade de se
reproduzirem com qualquer géner
o ou espécie.
Talvez por esse motiv
o tenham adotado uma
atitude cooperativa r
elativamente às outr
as espécies,
valorizando a diploma
cia em vez do conflito
.
As suas decisões eram tomadas sobr
etudo com base
na razão e consideravam que as outras espécies não
se deviam deixar le
var tanto pelas emoções.
Os Salarian eram uma espécie de anf
íbios com
um metabolismo extr
emamente rápido.
Isso fazia
com que fossem c
apazes de pensar, falar e mov
er--se mais rápido do que qualquer outra espécie
.
Os Salarian valoriz
avam o conhecimento
, o
trabalho e a eficácia e co
nsideravam as restantes
espécies ignorantes,
lentas e preguiçosas.
Os Batarian viviam sob uma dita
dura e estavam
proibidos de sair do seu planeta natal.
Os poucos
que conseguiam esc
apar a esse destino viviam
espalhados pela galáxia e dedic
avam-se a todo o
tipo de práticas ilegais,
como o tráfico de escrav
os
e narcóticos, para assegurar a sua sobr
evivência.
Tudo isto acabou por faz
er com que o
Comandante se questio
nasse: “Será que o cer
to
e o errado dependem do planeta em que nos
encontramos?”. Mas,
assim que esta esta pergunta
lhe passou pela cabeç
a, ocorreu-lhe que também
no seu planeta havia difer
entes noções de bem e
de mal, consoante a r
egião e a cultura do
minante.
E, no entanto, o pr
oblema parecia ser ainda
mais profundo, pois mesmo dentr
o das mesmas
culturas havia opiniões div
ergentes acerca do cer
to
e do errado. “Será que tudo depende do po
nto
de vista ou existem coisas objetivamente cer
tas e
outras objetivamente erradas?”
– interrogava-se
novamente o Comandante
.
Mass Effect, jogo RPG desenvolvido pela Bio
ware e pela EA e Lucien Malson. (1988). As Crianças Selvagens. Porto: Livrar
ia Civilização, pp. 26-28
1.
Será que exis
tem coisas objetiv
amente certas ou err
adas? Porquê?
#agora_pensa
Laboratório
mental
Cada planeta,
sua sentenç
a
Soluções
no Caderno de Apoio Professor
•Animação: Cada planeta, sua sentença
ioridade e só os
ntrarem algo de
ação da galáxia.
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mente às outras espé
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espécies ignorantes,
lentas e preguiçosas.
Os Batarian viviam s
ob uma ditadura e estavam
proibidos de sair do seu planeta nat
al. Os poucos
que conseguiam esc
apar a esse destino viviam
espalhados pela galáxia e dedic
avam-se a todo o
tipo de práticas ilegais
, como o tráfico de escrav
os
e narcóticos, para assegurar a sua sobr
evivência.
Tudo isto acabou por faz
er com que o
Comandante se questio
nasse: “Será que o cer
to
e o errado dependem do plane
ta em que nos
encontramos?”. Mas,
assim que esta esta pergunta
lhe passou pela cabeç
a, ocorreu-lhe que também
no seu planeta havia
diferentes noções de bem e
de mal, consoante a r
egião e a cultura do
minante.
E, no entanto, o pr
oblema parecia ser ainda
mais profundo, pois mesmo dentr
o das mesmas
culturas havia opiniões div
ergentes acerca do cer
to
e do errado. “Será que t
udo depende do po
nto
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outras objetivamente err
adas?” – interrogava-se
novamente o Coma
ndante.
Mass Effect, jogo RPG desenvolvido pela B
ioware e pela EA e Lucien Malson. (1988). As Crianças Selvagens. Porto: Livraria Civilizaç
ão, pp. 26-28
1
1.
Será que exis
tem coisas objetiv
amente certas ou err
adas? Porquê?
#
#agora_pensa
Em 2013, um surto de uma mutação de um
fungo infesta os Estados Unidos, transformando
os seus hospedeiros humanos em criaturas hostis,
conhecidas como “infetados”.
Vinte anos mais tarde, a civilização foi
dizimada pela infeção. Os poucos sobreviventes
vivem em zonas de quarentena altamente
policiadas, ou espalhados em pequenos povoados
e grupos nómadas. Joel é um contrabandista a
quem foi confiada a mais importante missão da
história da humanidade: conduzir a jovem Ellie,
é indispensável para o sucesso do projeto e que,
em consequência disso, acabará por morrer.
Assim que ouve estas palavras, Joel irrompe pela
sala de cirurgias, atacando todos aqueles que se
atravessam no seu caminho, e arranca Ellie, ainda
inconsciente, da mesa de operações, fugindo dali
o mais depressa possível.
Quando estavam prestes a sair da cidade,
Ellie recupera os sentidos e questiona Joel sobre
o sucedido. Este resolve mentir-lhe e diz-lhe que
os médicos chegaram à conclusão de que não era
Laboratório
mental
O que resta de nós
•Animação: O que resta de nós
6
6
6
Textos filosóficos clássicos e
contemporâneos para análise
direta em sala de aula.
Exposição clara e
sistemática das
principais ideias e
argumentos incluídos
nos textos.
Um manual adaptável
a diversas necessidades
Ideia-chave
identificada para
apoio à análise
do texto.
7
Formulação explícita
na forma canónica
dos argumentos
centrais em análise.
O professor pode optar por explorar cada uma destas três
possibilidades isoladamente, ou combiná-las do modo que
considerar mais adequado às necessidades dos seus alunos.
TOMARA CONSEGUIR
ORGANIZAR OS MEUS
PENSAMENTOS ASSIM TÃO
CLARAMENTE!
De acordo com Rawls, se D2 não coin-cidir com o tipo de distribuição exigida pelo Princípio da Diferença, será necessário re-distribuir o dinheiro para se voltar ao pa-drão inicial D1, ou seja, a uma distribuição da riqueza de acordo com o Princípio da Di-ferença (e não meramente com base na ti-tularidade, isto é, no direito de propriedade). Mas, para voltar a esse padrão inicial D1, de forma a respeitar o Princípio da Dife-rença, será necessário o Estado redistribuir o dinheiro de Chamberlain, por exemplo, através de impostos.
Contudo, para Nozick isso constitui uma interferência inaceitável do Estado, pois viola direitos de propriedade e desrespeita a liberdade individual de cada um gerir o seu rendimento e riqueza como bem en-tender. Por outras palavras, na perspetiva de Nozick, e seguindo a ética deontológica de Kant, o Estado estaria a tratar Cham-berlain como um mero meio.
Nozick defende que a tributação dos rendimentos do trabalho (isto é, cobrar impostos sobre o salário obtido através da realização de um trabalho) é equiparável ao trabalho forçado. Nozick defende esta ideia no texto que se segue: A tributação dos rendimentos do trabalho é equiparável ao trabalho forçado. Ficar com os rendimentos de n horas de trabalho é ficar com n horas de trabalho da pessoa; é como forçar a pessoa a trabalhar n horas para os objetivos de outrem. Aqueles que se objetam ao trabalho forçado, também objetariam a obrigar cada pessoa a trabalhar cinco horas extra por semana para beneficiar os necessitados. Mas um sistema que fica com cinco horas do rendimento em impostos (normalmente) não lhes parece que force alguém a trabalhar cinco horas. O facto de outros intervirem intencionalmente, violando uma das partes, faz do sistema fiscal um sistema de trabalho forçado.
Robert Nozick. (2009). Anarquia, Estado e Utopia. Trad. Vitor Guerreiro. Lisboa: Edições 70, pp. 213-215 (com supressões e adaptado).
“
”
A ideia central por detrás da argumen-tação de Nozick é a seguinte: tributar o trabalho é ficar com os rendimentos de
n horas do trabalho de uma pessoa, ou
seja, é como ficar com o resultado do es-forço associado a essas n horas de
traba-lho. Ora, ficar com o resultado do esforço associado a n horas de trabalho de uma
pessoa é como forçar essa pessoa a tra-balhar essas n horas para garantir a
satis-fação dos objetivos de outrem. Mas isso é equiparável a trabalho forçado. Portanto, a tributação do trabalho é equiparável a trabalho forçado. Ideia-chave do texto A tributação dos rendimentos do trabalho é equiparável ao trabalho forçado.
262 O PROBLEMA DA JUSTIÇA SOCIAL
Este argumento consiste numa falácia da derrapagem. Serão as premissas do argu-mento plausíveis?
Para melhor compreenderes a crítica de Nozick, considera o seguinte esquema:
Ações livres dos indivíduos Interferência do Estado (impostos) Eticamente inaceitável Padrão
(Princípio da Diferença) Padrão quebrado
A interferência do Estado viola direitos de propriedade e desrespeita a liberdade individual
D2 D1 1 2 3 4
Analisando este esquema, podemos tirar as seguintes conclusões:
1
O Princípio da Diferença é uma conce-ção padronizada da justiça: a proprie-dade deve ser distribuída de forma que os mais desfavorecidos fiquem o me-lhor possível. De acordo com Rawls, se não se respeitar este padrão, então a sociedade será injusta.
2
Mas, uma vez dado o rendimento e a ri-queza às pessoas segundo o Princípio da Diferença, algumas gastá-los-ão, outras obterão mais, e assim a socie-dade acaba por se afastar do Princípio da Diferença. Portanto, algumas ações livres (trocas, ofertas, apostas, seja o que for) acabarão inevitavelmente por quebrar o padrão.
3
Para que o padrão inicial seja reposto, a propriedade terá de ser redistribuída. O Estado terá de intervir através de meios como a cobrança de impostos. Deste modo, para se concretizar o pa-drão do Princípio da Diferença o Estado tira a alguns indivíduos parte daquilo que possuem legitimamente para be-neficiar os mais desfavorecidos.
4
Porém, de acordo com Nozick esta re-distribuição interferirá consideravel-mente com a liberdade e os direitos de propriedade de que as pessoas deviam gozar. Segundo Nozick, esta interfe-rência do Estado é eticamente inacei-tável, pois viola os direitos de proprie-dade dos indivíduos e desrespeita a liberdade individual.
263 O PROBLEMA DA JUSTIÇA SOCIAL
De acordo com Rawls, se D2 não coin-cidir com o tipo de distribuição exigida pelo Princípio da Diferença, será necessário re-distribuir o dinheiro para se voltar ao pa-drão inicial D1, ou seja, a uma distribuição da riqueza de acordo com o Princípio da Di-ferença (e não meramente com base na ti-tularidade, isto é, no direito de propriedade). Mas, para voltar a esse padrão inicial D1, de forma a respeitar o Princípio da Dife-rença, será necessário o Estado redistribuir o dinheiro de Chamberlain, por exemplo, através de impostos.
Contudo, para Nozick isso constitui uma interferência inaceitável do Estado, pois viola direitos de propriedade e desrespeita a liberdade individual de cada um gerir o seu rendimento e riqueza como bem en-tender. Por outras palavras, na perspetiva de Nozick, e seguindo a ética deontológica de Kant, o Estado estaria a tratar Cham-berlain como um mero meio.
Nozick defende que a tributação dos rendimentos do trabalho (isto é, cobrar impostos sobre o salário obtido através da realização de um trabalho) é equiparável ao trabalho forçado. Nozick defende esta ideia no texto que se segue:
A tributação dos rendimentos do trabalho é equiparável ao trabalho forçado. Ficar com os rendimentos de n horas de trabalho é ficar com n horas de trabalho da pessoa; é como forçar a pessoa a trabalhar n horas para os objetivos de outrem. Aqueles que se objetam ao trabalho forçado, também objetariam a obrigar cada pessoa a trabalhar cinco horas extra por semana para beneficiar os necessitados. Mas um sistema que fica com cinco horas do rendimento em impostos (normalmente) não lhes parece que force alguém a trabalhar cinco horas. O facto de outros intervirem intencionalmente, violando uma das partes, faz do sistema fiscal um sistema de trabalho forçado.
Robert Nozick. (2009). Anarquia, Estado e Utopia. Trad. Vitor Guerreiro. Lisboa: Edições 70, pp. 213-215 (com supressões e adaptado).
“
”
A ideia central por detrás da argumen-tação de Nozick é a seguinte: tributar o trabalho é ficar com os rendimentos de
Ideia-chave do texto A tributação dos rendimentos do trabalho é equiparável ao trabalho forçado. 262 O PROBLEMA DA J
Este argumento consiste numa falácia da derrapagem. Serão as premissas do argu-mento plausíveis?
Para melhor compreenderes a crítica de Nozick, considera o seguinte esquema:
Ações livres dos indivíduos
Interferência do Estado(impostos)
Eticamente inaceitável Padrão
(Princípio da Diferença) Padrão quebrado
A interferência do Estado viola direitos de propriedade e desrespeita a liberdade individual
D2 D1 1 2 3 4
Analisando este esquema, podemos tirar as seguintes conclusões:
1
O Princípio da Diferença é uma conce-ção padronizada da justiça: a proprie-dade deve ser distribuída de forma que os mais desfavorecidos fiquem o me-lhor possível. De acordo com Rawls, se não se respeitar este padrão, então a sociedade será injusta.
3
Para que o padrão inicial seja reposto, a propriedade terá de ser redistribuída. O Estado terá de intervir através de meios como a cobrança de impostos. Deste modo, para se concretizar o pa-drão do Princípio da Diferença o Estado tira a alguns indivíduos parte daquilo que possuem legitimamente para be-neficiar os mais desfavorecidos.
n horas do trabalho de uma pessoa, ou
seja, é como ficar com o resultado do es-forço associado a essas n horas de
traba-USTIÇA SOCIAL
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2
Mas, uma vez dado o rendimennto e a ri- e acordo com Nozick esta
re-4
Porém, d ç
L
,
John Stuart Mill é o defensor de uma teoria chamada “utilitarismo”. O utili-tarismo caracteriza-se por defender que: – a única coisa que tem valor intrínse-co é a felicidade – teoria do valor; – a ação correta é aquela que, de entre
as alternativas disponíveis, mais pro-move a felicidade – teoria da obri-gação.
A felicidade
Segundo Mill, o fundamento da mora-lidade é aquilo a que ele decidiu chamar
“Princípio da Utilidade” (ou “Princípio da Maior Felicidade”). Este princípio es-tabelece que:
Para justificar a sua perspetiva, Mill começa por argumentar a favor da sua
teoria do valor. Nas suas palavras:
Neste excerto, Mill começa por defen-der que a única prova de que algo é visível (ou audível) é o facto de ser visto (ou ouvi-do) por alguém. Por analogia, Mill conclui que a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém. Em seguida, nota que a única coisa que as pes-soas desejam, como um fim em si, é a sua própria felicidade. Por isso, conclui que a felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa. Chamemos a este argumento “ar-gumento da felicidade”. O argumento pode ser reconstruído conforme se segue:
(1) A única prova de que algo é visível (ou audível) é o facto de ser visto (ou ouvido) por alguém.
(2) Logo, a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém. (De 1, por analogia)
(3) A única coisa que cada pessoa deseja, por si mesma, é a sua felicidade.
(4) Se a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém, e a única coisa que cada pessoa deseja, por si mesma, é a sua felicidade, então a felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa.
(5) Logo, a felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa. (De 2 a 4) No que diz respeito à premissa (1), o que Mill está a tentar fazer é mostrar que o tipo de prova que podemos for-necer em relação a certos assuntos, embora possa ser encarado por alguns como sendo bastante limitado, é o único tipo de prova que pode alguma vez ser […] as ações são corretas na medida em que tendem a promover
a felicidade, e incorretas na medida em que tendem a produzir o reverso da felicidade.
John Stuart Mill. (2020). Utilitarismo. Trad. Pedro Galvão. Lisboa: Book Builders, p. 13
A única prova que se pode apresentar para mostrar que um objeto é visível é o facto de as pessoas efe-tivamente o verem. A única prova de que um som é audível é o facto de as pessoas o ouvirem, e as coisas passam-se do mesmo modo com as outras fontes da nossa experiência. Similarmente, entendo que a úni-ca evidência que se pode produzir para mostrar que uma coisa é desejável é o facto de as pessoas efetiva-mente a desejarem. […] [C]ada pessoa, na medida em que acredita que esta é alcançável, deseja a sua própria felicidade. Isto […] dá-nos […] toda a prova que é possível exigir, para mostrar que [...] a felicida-de felicida-de cada pessoa é um bem para essa pessoa […].
John Stuart Mill. (2020). Utilitarismo. Trad. Pedro Galvão. Lisboa: Book Builders, p. 62
“
“
”
”
John Stuart Mill (1806-1873), filósofo e economista inglês, foi um dos mais importantes reformistas sociais do séc. XIX. Ideia-chave do texto A felicidade é um bem.2. O utilitarismo de John Stuart Mill
194 A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS PERSPETIVAS FILOSÓFICAS
,
[É] notório que as pessoas desejam coi-sas que, na linguagem comum, são de-cididamente distintas da felicidade. […] O princípio da utilidade não significa que qualquer prazer (como a música, por exemplo) ou que qualquer ausência de dor (como a saúde, por exemplo) devam ser vistos como um meio para uma coisa coletiva chamada “felicidade” e desejados nessa perspetiva – são desejados e desejá-veis em si e por si mesmos. […] Nestes casos […] [a]quilo que che-gou a ser desejado como instrumento para atingir a felicidade acabou por se tornar desejado por si mesmo. Ao ser desejado por si mesmo é, no entanto, desejado enquanto parte da felicidade. A pessoa torna-se feliz, ou pensa que se tornaria feliz, com a sua simples posse, e torna-se infeliz por não conseguir obtê-lo.
John Stuart Mill. (2020). Utilitarismo. Trad. Pedro Galvão. Lisboa: Book Builders, pp. 62-66
“
”
apresentado a esse respeito e, em certa medida, parece ser suficiente para satis-fazer a nossa necessidade de justificação. Por exemplo, que outra prova posso apre-sentar para justificar a minha convicção de que está um livro à minha frente a não ser a de que estou a ver o livro? Aparente-mente, nenhuma. Mas isso não nos deixa insatisfeitos. Pegamos no livro, folheamos o livro, lemos o livro, sem necessitar de qualquer outro tipo de prova de que este efetivamente existe.
Mill considera que algo de semelhante se passa com o facto de algo ser visível (ou audível). Isso só pode ser demonstra-do pelo facto de ser, efetivamente, visto (ou ouvido) por alguém.
Com base nessa premissa, Mill infere, por analogia, o passo (2) do seu argumen-to: “a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém”.
A estas duas ideias, Mill acrescenta a premissa (3), que sustenta que “a única coisa que cada pessoa deseja, por si mes-ma (e não apenas como um meio para qualquer outra coisa), é a sua felicidade”.
Mas como pode Mill defender esta ideia? Pelo menos à primeira vista, parece haver diversas coisas que as pessoas de-sejam independentemente da felicidade. Por exemplo, ser boa pessoa exige, fre-quentemente, que as pessoas sacrifi-quem a sua felicidade individual e, no en-tanto, há quem deseje ser boa pessoa. Há, também, quem deseje ter dinheiro, fama e poder, a todo o custo. Como é que Mill explica estas possibilidades?
Mill defende que tudo o que nós de-sejamos é desejado ou como um meio para a nossa felicidade, ou porque se tornou uma parte constituinte e in-distinguível da própria felicidade. Nas suas palavras:
De seguida, na premissa (4), Mill limita--se a estabelecer que as ideias defendidas nos passos (2) e (3) implicam que “A felici-dade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa”.
Assim sendo, uma vez que as duas condições que formam a antecedente des-sa condicional parecem estar des-satisfeitas (linhas (2) e (3)), Mill conclui, no passo (5), que “A felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa.”
Ideia-chave do texto
Tudo aquilo que nós desejamos é parte da nossa felicidade ou um meio para a alcançar.
195 A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS PERSPETIVAS FILOSÓFICAS
John Stuart Mill é o defensor de uma teoria chamada “utilitarismo”. Ou
utili-tarismo caracteriza-se por defender que: – a única coisa que tem valor intrínse-co é a felicidade – teoria do valoor; – a ação correta é aquela que, de entre
as alternativas disponíveis, mais pro-move a felicidade – teoria da o
obri-gação.
A felicidade
Segundo Mill, o fundamento da mora-lidade é aquilo a que ele decidiu chamar
“Princípio da Utilidade” (ou “Princcípio
da Maior Felicidade”). Este princípio es-tabelece que:
Para justificar a sua perspetiva, Mill começa por argumentar a favor da sua
teoria do valor. Nas suas palavras:
Neste excerto, Mill começa por defen-der que a única prova de que algo é visível (ou audível) é o facto de ser visto (ou ouvi-do) por alguém. Por analogia, Mill conclui que a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém. Em seguida, nota que a única coisa que as pes-soas desejam, como um fim em si, é a sua própria felicidade. Por isso, conclui que a felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa. Chamemos a este argumento “ar-gumentoo da feliciddade”. O argumento pode ser reconstruído conforme se segue:
(1) A única prova de que algo é visível (ou audível) é o facto de ser visto (ou ouvido) por alguém.
(2) Logo, a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém. (De 1, por analogia)
(3) A única coisa que cada pessoa deseja, por si mesma, é a sua felicidade.
(4) Se a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém, e a única coisa que cada pessoa deseja, por si mesma, é a sua felicidade, então a felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa.
(5) Logo, a felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa. (De 2 a 4) No que diz respeito à premissa (1), o que Mill está a tentar fazer é mostrar que o tipo de prova que podemos for-necer em relação a certos assuntos, embora possa ser encarado por alguns como sendo bastante limitado, é o único tipo de prova que pode alguma vez ser
[…] as ações são corretas na medida em que tendem a promover a felicidade, e incorretas na medida em que tendem a produzir o reverso da felicidade.
John Stuart Mill. (2020). Utilitarismo. Trad. Pedro Galvão. Lisboa: Book Builders, p. 13
A única prova que se pode apresentar para mostrar que um objeto é visível é o facto de as pessoas efe-tivamente o verem. A única prova de que um som é audível é o facto de as pessoas o ouvirem, e as coisas passam-se do mesmo modo com as outras fontes da nossa experiência. Similarmente, entendo que a úni-ca evidência que se pode produzir para mostrar que uma coisa é desejável é o facto de as pessoas efetiva-mente a desejarem. […] [C]ada pessoa, na medida em que acredita que esta é alcançável, deseja a sua própria felicidade. Isto […] dá-nos […] toda a prova que é possível exigir, para mostrar que [...] a felicida-de felicida-de cada pessoa é um bem para essa pessoa […].
John Stuart Mill. (2020). Utilitarismo. Trad. Pedro Galvão. Lisboa: Book Builders, p. 62
“
“
”
””
John Stuart Mill (1806-1873), filósofo e economista inglês, foi um dos mais importantes reformistas sociais do séc. XIX. Ideia-chave do texto A felicidade é um bem.2. O utilitarismo de John Stuart Mill
194 A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS PERSPETIVAS FILOSÓFICAS
[É] notório que as pessoas desejam coi-sas que, na linguagem comum, são de-cididamente distintas da felicidade. […] O princípio da utilidade não significa que qualquer prazer (como a música, por exemplo) ou que qualquer ausência de dor (como a saúde, por exemplo) devam ser vistos como um meio para uma coisa coletiva chamada “felicidade” e desejados nessa perspetiva – são desejados e desejá-veis em si e por si mesmos. […] Nestes casos […] [a]quilo que che-gou a ser desejado como instrumento para atingir a felicidade acabou por se tornar desejado por si mesmo. Ao ser desejado por si mesmo é, no entanto, desejado enquanto parte da felicidade. A pessoa torna-se feliz, ou pensa que se tornaria feliz, com a sua simples posse, e torna-se infeliz por não conseguir obtê-lo.
John Stuart Mill. (2020). Utilitarismo. Trad. Pedro Galvão. Lisboa: Book Builders, pp. 62-66
“
”
apresentado a esse respeito e, em certa medida, parece ser suficiente para satis-fazer a nossa necessidade de justificação. Por exemplo, que outra prova posso apre-sentar para justificar a minha convicção de que está um livro à minha frente a não ser a de que estou a ver o livro? Aparente-mente, nenhuma. Mas isso não nos deixa insatisfeitos. Pegamos no livro, folheamos o livro, lemos o livro, sem necessitar de qualquer outro tipo de prova de que este efetivamente existe.
Mill considera que algo de semelhante se passa com o facto de algo ser visível (ou audível). Isso só pode ser demonstra-do pelo facto de ser, efetivamente, visto (ou ouvido) por alguém.
Com base nessa premissa, Mill infere, por analogia, o passo (2) do seu argumen-to: “a única prova de que algo é desejável é o facto de ser desejado por alguém”.
A estas duas ideias, Mill acrescenta a premissa (3), que sustenta que “a única coisa que cada pessoa deseja, por si mes-ma (e não apenas como um meio para qualquer outra coisa), é a sua felicidade”. Mas como pode Mill defender esta ideia? Pelo menos à primeira vista, parece haver diversas coisas que as pessoas de-sejam independentemente da felicidade. Por exemplo, ser boa pessoa exige, fre-quentemente, que as pessoas sacrifi-quem a sua felicidade individual e, no en-tanto, há quem deseje ser boa pessoa. Há, também, quem deseje ter dinheiro, fama e poder, a todo o custo. Como é que Mill explica estas possibilidades?
Mill defende que tudo o que nós d
e-sejamos é desejado ou como um meio
para a nossa felicidade, ou porque se
tornou uma parte constituinte e
in-distinguível da própria felicidade. Nas suas palavras:
De seguida, na premissa (4), Mill limita--se a estabelecer que as ideias defendidas nos passos (2) e (3) implicam que “A felici-dade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa”.
Assim sendo, uma vez que as duas condições que formam a antecedente des-sa condicional parecem estar des-satisfeitas (linhas (2) e (3)), Mill conclui, no passo (5), que “A felicidade individual é a única coisa que é, por si mesma, desejável para cada pessoa.”
Ideia-cchave do texto
Tudo aquilo que nós desejamos é parte da nossa felicidade ou um meio para a alcançar.
195 A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS PERSPETIVAS FILOSÓFICAS
8
Avaliação crítica do argumento
da boa vontade
Um utilitaris
ta, como Mill, poder
á rejeitar
a premissa (1) do argumento da boa v
onta-de, defendendo que a felicidade tem v
alor
intrínseco independentemente do facto de
estar associada a uma boa v
ontade ou não.
De acordo com es
ta perspetiv
a, a infe
de é sempre intrinsecamente má (aind
possa ser ins
trumentalmente boa). A
mesmo a infelicidade de um criminoso
na melhor das hipóteses, um v
alor m
mente ins
trumental (pois pode dis
suadir
tras pessoas de agir de forma semelhan
ideias em diálogo
Olá Kant! Não percebo como
é que podes defender que a
felicidade não é a única coisa
com valor intrínseco.
Mill
Como assim? Não achas que a
felicidade é algo que tem v
alor
por si só?
Mill
Na minha opinião, a felicidade
é sempre intrinsecamente boa.
Julgo que a única r
azão que
podemos dar par
a justificar
porque é que a felicidade do
criminoso é uma coisa má é
o facto de ela poder ser
vir de
encorajamento par
a outros
possíveis criminosos.
Mill
Não só acho que não é a única,
como nem sequer acho que ela é
intrinsecamente boa.
Kant
Não. Para que a felicidade tenha
valor tem de ser merecida. A
felicidade de um criminoso que
escapou à jus
tiça não é uma
coisa boa.
Kant
Então afinal admites que alguma
felicidade pode ser má?
Kant
Sim, mas se repar
ares
limitei-me a afirmar que er
a
instrumentalmente má, is
to
é, má porque pode conduzir
a muita infelicidade.
Nunca defendi que er
a
intrinsecamente má.
Mill
Mill deixou de seguir-te.
Pois eu acho que seria jus
to ele
sofrer e ser de alguma forma
castigado pelo mal que fez.
Kant
Queres dizer que se não
houvesse maneir
a de
essa felicidade influenciar
negativamente o
comportamento dos outros, não
seria má de todo? P
or exemplo,
imagina que o criminoso fugiu
em segredo par
a uma ilha
deserta, preferias que ele
vivesse feliz par
a o resto dos
seus dias ou que vies
se a sofrer
de alguma forma por todo o mal
que causou?
Kant
Para mim, todo o sofrimento
é intrinsecamente mau, ainda
que, por vezes, pos
sa ser
instrumentalmente bom. As
sim,
dado que nes
sas circuns
tâncias
o seu sofrimento seria
absolutamente inútil, penso que
seria melhor que viv
esse feliz
sem causar mais nenhum tipo
de sofrimento seja a quem for
.
Mill
•
Animação: Ideias em
diálogo – Mill e K
ant
214
A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMP
ARATIVA DE DUAS PERSPETIV AS FILOSÓFICAS
Na minha opinião, a felicidade
é sempre intrinsecamente boa.
Julgo que a únic
a razão que
podemos dar par
a justificar
porque é que a felicidade do
criminoso é uma coisa má
é
o facto de ela p
oder servir de
encorajamento par
a outros
possíveis criminosos
.
Mill
Não. Para que a feli
cidade tenha
valor tem de ser
merecida. A
felicidade de um criminoso que
escapou à jus
tiça não é uma
coisa boa.
K
Ka
ant
t
Então afinal admites que
alguma
felicidade pode
ser má?
Kant
•
Animação: Ideias em
diálogo – Mill e Kant
214
A NECESSIDADE DE FUND
AMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLIS
E COMPARATIVA DE DUAS PE
ideias em diálogo
Robert Nozick criou o grupo “T
eoria da justiça”
Robert Nozick alterou o ícone do grupo
É uma maneira de garantir
que toda a gente tem
condições mínimas de vida.
Rawls
E qual é o problema dis
so?
Rawls
Como assim?!
Rawls
Mas porquê?
Rawls
John Rawls foi adicionado ao grupo
por Robert Nozick
Olá, Nozick!
Rawls
Então e se alguém, como tu,
que até aqui usufruiu de bons
rendimentos fruto do seu tr
abalho,
sofrer algum infortúnio
Não estou de acordo com a tua
teoria da justiça.
Olá Rawls!
O teu Princípio da Diferença parece
não respeitar as nossas liberdades
fundamentais.
As pessoas são livres e fazem o
que bem entenderem com a sua
pessoa e com os seus bens (desde
que legitimamente adquiridos).
E então?!
Não vês que isso vai exigir uma
interferência constante do
Estado para repor esse padr
ão,
desrespeitando assim a liberdade
individual?
Imagina que duas pessoas têm a
mesma riqueza; uma delas esbanja
todo o seu dinheiro e a outr
a faz
investimentos que acabam por lhe
trazer mais dinheiro.
Achas justo que o Estado
redistribua esse dinheiro?
Mas isso é equiparável
a trabalho forçado!!!
O que estás a dizer é que os mais
desfavorecidos têm direito a uma
parte do meu trabalho.
E isso parece-me
simplesmente inaceitáv
el!
Nozick
Nozick
Nozick
Nozick
Nozick
Nozick
Nozick
(um incêndio ou um
acidente, por exemplo)
fi
privado do usufruto des
ses
Rawls
Rawls
•
Animação: Ideias em
diálogo – Nozick e Rawls
Recursos que tornam o ensino
da filosofia estimulante e apelativo
ill deixou de seguir-te.
eu acho que seria jus
to ele
e ser de alguma forma
ado pelo m
al que fez.
Kant
ade influenciar
negativamente o
comportamento dos outros, não
seria má de todo? P
or exemplo,
imagina que o cr
iminoso fugi
u
em segredo par
a uma ilha
deserta, preferias que e
le
vivesse feliz par
a o resto dos
seus dias ou que vie
sse a sofrer
de alguma forma por
todo o mal
que causou?
Kant
Para mim, todo o sofrimento
é intrinsecamente mau, ainda
que, por vezes, pos
sa ser
instrumentalmente bom. As
sim,
dado que nes
sas circuns
tâncias
o seu sofrimento seria
absolutamente in
útil, penso
que
seria melhor que viv
esse feliz
sem causar mais nenhum tipo
de sofrimento seja a quem for
.
AS FILOSÓFICAS
ideias em diálogo
Diálogos imaginários entre
filósofos que ajudam os
alunos a compreender as
ideias em confronto.
Os diálogos recriam o
ambiente da popular
aplicação WhatsApp e trazem
os filósofos e as suas ideias
para o universo dos alunos.
9
elicida-da que
Assim,
o terá,
mera-ir
ou-nte).
o que era a justiça, elogiar
am a justiça como algo da maior impor
tância, mas
acaba-ram por não conseguir responder de forma satisfatória à pergunta. Mais ainda, de cada
vez que tentavam oferecer algo que se as
semelhasse a uma definição de jus
tiça,
aca-bavam por cair em flagr
antes contradições, mos
trando, assim, que afinal não sabiam
muito bem de que é que es
tavam a falar. Um exemplo dis
to é o diálogo que se segue:
Sócrates mostrou que a definição de jus
tiça apresentada pelo seu interlocutor
,
se-gundo a qual “é justo res
tituir a cada um o que se lhe de
ve”, não se aplica a todas as
situações, demonstrando que tal
vez este não saiba, afinal, em que consis
te a justiça.
Algo de semelhante aconteceu quando se apro
ximou dos militares e lhes
per-guntou:
“O que é a coragem?”
, e também quando ques
tionou os professores:
“O que é o conhecimento?”
, ou quando perguntou aos ar
tistas:
“O que é a
be-leza?”
. Enfim, aqueles que reclama
vam ser especialistas nos respetiv
os assuntos
acabavam por revelar o seu desconhecimento a respeito dos mesmos. F
oi aí que se
fez luz, e Sócrates acabou por perceber a mensagem do or
áculo. Ao contrário
da-queles que julgam pos
suir o conhecimento, mas quando de
vidamente questionados
acabam por demonstr
ar a sua ignorância, ele pelo menos tinha
consciência da sua
ignorância
.
“
”
SÓCRATES:
Explica então tu, […] que é que af
irmas que
Simónides disse tão acertadamente acer
ca da justiça?
POLEMARCO:
Que é justo restituir a cada um o que se lhe
deve. Parece-me que diz bem, ao faz
er esta afirmação.
SÓCRATES:
Sem dúvida que não é fácil deixar de dar cr
é-dito a Simónides, pois é homem sábio e divino
. Em todo
o caso, tu, Polemarco, sabes tal
vez o que ele quer dizer
com isso, ao passo que eu ignor
o-o. Pois é evidente que
se alguém receber armas de um amigo em per
feito juízo,
e este, tomado de loucura, lhas r
eclamasse, toda a gente
diria que não se lhe deviam entregar
, e que não seria justo
restituir-lhas […]. E contudo, f
ica-se a dever, penso eu,
uma coisa que foi entregue em depósito? O
u não?
POLEMARCO:
Fica.
SÓCRATES:
Mas de modo algum se deve restituir
, quando
alguém que esteja privado da raz
ão reclamar?
POLEMARCO:
É verdade – disse ele.
SÓCRATES:
Então não é isto, mas outra coisa,
ao que
pa-rece, que Simónides quer dizer, r
elativamente a ser justo
restituir-se o que se deve.
Platão. (2017). República. Trad. Mar
ia Helena da Rocha Pereira. Lisb
oa:
Fundação Calouste Gulbenkian, pp
. 9-10 (adaptado)
ideias em diálogo
O que é a justiça?
Sócrates
Então, se um amigo te pedir
para guardar a sua arma e
depois enlouquecer, a coisa
certa a fazer é devolv
er-lha?!
Sócrates
Então, afinal, o que é a jus
tiça?
Sócrates
Polemarco saiu do grupo.
Não, nem pensar!
Polemarco
É restituir a cada um o que se lhe
deve.
Polemarco
•
Animação: Ideias
em diálogo – Sócrates
e Polemarco
14
INTRODUÇÃO À FILOSOFIA E AO
FILOSOFAR
Os mesmos diálogos estão disponíveis sob a forma
de divertidas animações em Aula Digital.
QUE
DIVERTIDO!
Sócrates mostrou que a definiç
ão de jus
gundo a qual “é justo res
tituir a cada um o
situações, demonstrando que tal
vez este n
Algo de semelhante aconteceu q
uand
guntou:
“O que é a coragem?”
, e tam
t ?”
ou quand
Platão. (2017). República. Trad. Mar
ia Helena da Rocha Pe
Fundação Calouste Gulbenkian, pp
. 9-10 (adaptado)
•
Animação: Ideias
em diálogo – Sócrates
e Polemarco
do perguntou aos
ser especialistas nos respetiv
os assu
mento a respeito dos mesmos. F
oi aí qu
r a mensagem do orácul
o. Ao contrári
nto, mas quando devidamente ques
tion
a, ele pelo menos tinha
consciência da
Os mesmos diálogos estão disponíveis sob a forma
de divertidas animações em Aula Digital.
QUE
DIVERTIDO!
“O que é o conhecimento?”
, ou quand
leza?”
. Enfim, aqueles que reclama
vam
acabavam por revelar o seu
desconhecim
fez luz, e Sócrates acabou por perce
ber
queles que julgam pos
suir o conhecimen
acabam por demonstr
ar a sua ignorância
ignorância
.
14
INTRODUÇÃO À FILOSOF
S
IA E
E
E
AO
A
AO FI
AO FI
AO FI
O FI
O
FI
FI
SOF
LOSOF
LO
LO
L
LO
O
O
OSOF
OF
LO
LOSOF
OF
LOSOF
LO
AR
AR
A
A
AR
AR
AR
R
R
R
10
112
LÓGICA INFORMAL
Negar neg
Comecemos
ções. É fácil perc
gação é o mes
que ela nega
. P
verdade que a Mr
é o mesmo que di
cente”. Uma tabela
ideia ainda mais c
“
P” representa “
A M
tabela de v
erdade p
é verdade que a Mrs
pode ser preenchid
dando os seguintes p
Em primeiro lug
valor de v
erdade da
contra imediatament
é o operador que tem
operador aplica-se ap
“
P”, por is
so, inverte o
apresenta.
A negação de proposições é outr
a
com-petência filosófica fundamental. Como
vi-mos,
a negação inver
te o valor de
ver-dade de uma proposição
, ou seja, quando
uma proposição é v
erdadeira, a sua negação
é falsa, e vice-v
ersa.
Isto significa que,
mostrando que a
negação de uma proposição é
verda-deira, mostramos que essa proposição
é falsa
.
Assim, quando um filósofo não aceita
uma dada tese, por e
xemplo, tem de saber
negar essa proposição par
a saber e
xata-mente qual é a tese que es
tá a defender
.
Si-milarmente, quando um filósofo não aceita a
conclusão de um argumento v
álido, terá de
negar (pelo menos) uma das suas
premis-sas. Como as teses e as premis
sas dos
argu-mentos surgem de todas as formas e feitios,
é importante que os filósofos saibam
negar todos os tipos de proposições
.
3. Como negar proposições
LÓGICA FORMAL
78
Diálogos apresentados sob a
forma de atraentes
bandas
desenhadas
ajudam o aluno
a captar os aspetos essenciais
da discussão de uma forma
didática e divertida.
Recursos que tornam o ensino
da filosofia estimulante e apelativo
Negar neg
Comecemos
ções. É fácil perc
gação
é
é
é
é o
o mes
que el
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n
n
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. P
verdade que a Mr
é o mesmo
que di
cente”. Uma tabela
ideia ainda mais c
“
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A M
tabela de v
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é verdade que a Mrs
pode ser preenchid
dando os seguintes p
Em primei
i
r
r
ro
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contra imediatament
é o operador que tem
operador aplica-se ap
“
P”, por is
so, inverte o
apresent
m-
i
-o
osições
11
gações
s pela negação de
nega-ceber que
negar uma
ne-smo que afirmar aquilo
Por exemplo, dizer “Não é
rs. White não é inocente”
dizer “A Mrs. White é
ino-la de verdade torna es
ta
clara. Consider
ando que
Mrs. White é inocente”
, a
para a proposição “Não
s. White não é inocente”
da conforme se segue
passos:
ugar
, determinamos o
a negação que se
en-te atrás de “P”, pois
m menor âmbito. Es
te
penas à proposição
os valores que es
ta
Outros diálogos
encontram-se
acessíveis para os alunos através de
códigos QR e também disponíveis
no Caderno de Apoio ao Professor.
Este
penas à proposição
os valores que
est
141
DETERMINISMO E LIBERD
ADE NA AÇÃO HUMANA
141
DETERMINISMO E LIBERD
ADE NA AÇÃO HUMANA
231
A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS PERSPETIVAS FILOSÓFICAS
ar que, para
é errado”
“a minha
quando
al-está
sim-ha
socie-omummente
ativismo é o
diversidade
mento:
Recurso multimédia
Diálogo sobre a
natureza da moralidade –
relativismo
Este diálogo
encontra-se
também disponível
no Caderno de Apoio
ao Professor.
12
1.
De acordo com o utilitarismo de Mill, a única coisa que tem valor intrínseco é...
A.
a boa vontade.
B.
a felicidade.
C.
o prazer espiritual.
D.
o prazer corporal.
2.
De acordo com o utilitarismo de Mill, uma ação é correta se, e só se, ...
A.
promove a felicidade do maior número de pessoas.
B.
promove o maior total de felicidade, independentemente da forma como está
dis-tribuída.
C.
promove a felicidade do próprio agente.
D.
promove a felicidade apenas daqueles que são dignos de ser felizes.
3.
O utilitarismo de Mill…
A.
é uma teoria hedonista, pois defende que a felicidade consiste apenas no prazer e
na ausência de dor.
B.
não é uma teoria hedonista, pois defende que a felicidade consiste apenas no prazer
e na ausência de dor.
C.
é uma teoria hedonista, pois defende que a felicidade não consiste apenas no prazer
e na ausência de dor.
D.
não é uma teoria hedonista, pois defende que a felicidade não consiste apenas no
prazer e na ausência de dor.
4.
O utilitarismo de Mill…
A.
é uma teoria deontológica, pois defende que as consequências não são o único fator
relevante para determinar o estatuto moral dos atos.
B.
é uma teoria deontológica, embora defenda que as consequências são o único fator
relevante para determinar o estatuto moral dos atos.
C.
é uma teoria consequencialista, pois defende que as consequências são o único
fa-tor relevante para determinar o estatuto moral dos atos.
D.
é uma teoria consequencialista, embora defenda que as consequências não são o
único fator relevante para determinar o estatuto moral dos atos.
consolida
consolida
os teus
os teus
conhecimentos
conhecimentos
#
agora_pensa_mais
A necessidade de fundamentação da moral –
análise comparativa de duas perspetivas filosóficas
GRUPO I · Seleciona a alternativa correta.
10 × 7 pontos = 70 pontosSoluções no Caderno de Apoio ao Professor. Soluções das questões de escolha múltipla exclusivamente na edição do manual para o professor.
•Teste interativo 1 Exclusivo do Professor
• Teste interativo 2
A NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL – ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS PERSPETIVAS FILOSÓFICAS 239
,
ç
,
,
A.
promove a felicidade do maior número de pessoas.
emente da forma c
nos de ser felizes.
de consiste apena
dade consiste ape
não consiste ape
dade não consi
ências não sã
equências sã
sequências s
consequênc
s atos.
#agora_pensa
REVISÃO1.
O que é a posição original?
2.
O que é o véu de ignor
ância?
3.
Como são car
acterizadas as par
tes em confronto na posição original?
4.
Indica se são v
erdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmações que se seguem.
a.
Segundo Ra
wls, para que uma sociedade seja jus
ta deve assentar em
princípios que tenham origem num acordo real e efetiv
o entre cidadãos
livres e racionais.
b.
Segundo Ra
wls, as partes na posição original de
vem estar plenamente
informadas par
a que as suas escolhas sejam r
acionais.
c.
Segundo Ra
wls, as partes na posição original querem sal
vaguardar os
seus próprios interes
ses.
d.
Segundo Rawls, quanto mais igualitária for uma sociedade, mais jus
ta será.
e.
A teoria da jus
tiça de Rawls é por v
ezes designada “jus
tiça como
equi-dade”, porque gar
ante que as par
tes na posição original par
tem todas
da mesma posição e, por conseguinte, são imparciais na escolha dos
princípios da jus
tiça.
f.
A teoria da jus
tiça de Rawls é por v
ezes designada “jus
tiça como
equi-dade”, porque gar
ante que todos recebem e
xatamente a mesma
quan-tidade de bens primários.
g.
Segundo Ra
wls, as par
tes na posição original jamais consentiriam
numa distribuição desigual de bens, ainda que todos tiv
essem a ganhar
com isso.
h.
Segundo Ra
wls, as partes na posição original consentiriam numa dis
tri-buição desigual de bens, desde que todos tiv
essem a ganhar com is
so.
i.
A regra maximin
diz-nos que em situações com as car
acterísticas da
posição original é r
acional escolher como se o pior nos fos
se acontecer
.
j.
A regra maximin
diz-nos que em situações com as car
acterísticas da
posição original é r
acional escolher de forma a procur
ar maximizar a
nossa utilidade esper
ada.
DISCUSSÃO
5.
Imagina que A, B e C correspondem a diferentes clas
ses sociais e que os
valores apresentados no quadro que se segue correspondem ao
rendimen-to médio anual (em milhares de euros) de cada uma des
sas classes em
duas sociedades pos
síveis.
F F V F V F F V V F
5.1
De acordo com R
awls, qual
seria a sociedade mais jus
ta?
5.2
Concordas com a perspetiv
a
defendida por R
awls? Porquê?
A
B
C
Total
Sociedade1
7
36
55
98
Sociedade2
8
10
12
30
Soluções no Caderno de Apoio ao Professor. Soluções da questão 4 exclusivamente na edição do manual para o professor.•Atividade interativa
254 O PROBLEMA DA JUS TIÇA SOCIAL
RSPETIVAS FILOSÓFICAS 239 A DE DUAS PER
com as caracte
rísticas da
posição origina
l é racional escolhe
r como se o pior nos fos
se acontece
r.
j.
A regra maximin
diz-nos que em situações
com as car
acterísticas d
a
posição original é r
acional escolhe
r de forma a procur
ar maximizar a
nossa utilidade espe
rada.
DISCUSSÃO
5.
Imagina que A,
B e C correspondem a diferente
s classes sociais e
que os
valores apresentados no q
uadro que se segue correspondem ao
rendimen-to médio anual (em milhares de euros) de cada
uma dessas clas
ses em
duas sociedades
possíveis.
F
5.1
De acordo
com Rawls,
qual
seria a sociedade ma
is justa?
5.2
Concordas
com a pers
petiva
defendida por R
awls? Porquê?
A
B
C
Total
l
l
l
l
Sociedade1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
7
7
36
55
98
Sociedade2
2
2
2
2
2
2
8
8
8
10
12
30
uções no de Apoio sor. da ququestão amentente na manual fessor. nterativaO PROBLEMA DA JUSTIÇA SOCIAL