Jornal Laboratório do Curso deComunicaçãoSocial, habilitaçãoJornalismo. UFSC ··Fevereiro de 1983 DistribuiçloGratuita .��.. ' .
PARA
ONDE
VAI
A
UNIVERSIDADE
... . . .. ' . .. . . .. . . .. . ...� ' J I'ESTA
E A
TURMA
QUE
VAI
PÓR
UMA
SOCA
NO MUNDO
ESTES
SÃO
OSPRIMEIROS JORNALISTAS FORMADOSPELA UFSC:.Aglair
Maria Bernardo Beatriz!'orto Bento SilvérioDoraci
Engel
Idro Antonio Prado JúniorJarson Elberto Frank JoednaCesalia da Silva Lúcia Helena E. Vieira da Silva Márcia Estela8arentinda Costa
Márcio Dison da Silva MarcosHumbertoScotti Maria
4parecida
M. Garcia VenosoMaria da
Graça
Silva Maria Goretti GambaProença
oSandraCarla de DeusInácio
Válmeron Luiz deBona Vanderlei LuizRicken Zenon VitoBonassisFilho
Para sensibilizaromercado detrabalho,a
primeira
turmaestá fazendooseu"lançamento"
atravésdeumacampanha publici··
tária.
Página
7.'
..
I.
CUIDADO! OS
TURISTAS
ESTÃO
(CHEGANDO
János
primeiros
dias doverãoanossaIlhacomeçaa serinvadida
pelos
turistas. Comacrescentedesvalorização
docruzeiro,
e com o processo inflacionário mundial,Florianópolis
tem sido foco de atraçãoturísticaparamuitaspessoas.Desdeos anos79e
80,
com o"boorn da invasão deargentinos,
querendeuparaaeconomia da Cidade a
quantia aproxi
mada de Cr$ 2
bilhões,
aPrefeitura temvisto este setor(O
turismo)
com outrosolhos.
Segundo
AirtonOliveira,
respon sávelpelaSetur-Secretaria de Turismo
-, nesta
época
do ano, os hotéis estão sempresuperlotados,comamaioriados turistas sendo pessoas quejá
costumamvisitaraIlhaneste
período.
ASeturcontacom um programa de lazer (essencial
mente
veranista)
incluindo campeonato de surf, campeonato develas,ginástica
na praia, etc.. Porém, nos corredores
destasecretaria,oassuntomais badalado
nestes diassão os preparos carnavales
cos."O
apoio
dadoaocarnaval nãoéumaformadeatrair turistas' ,garante Airton
Oliveira,
"mesmo porque os hotéisjá
estãosaturados. Aatenção dadaaocar
naval é umaforma do Estado
participar
das festaspopulares.
Afinaldecontasé sóumavezporano,entãooEstadodáesta
contribuição
àpopulação."
NO CALOR DOS
"
ONIBUS ESPECIAIS
A
temporada
deturismo é tambématemporadadosonibus
especiais.
Ivo Hiebert,
responsávelpela
DivisãodeTrans porteColetivo daPrefeituraMunicipal
deFlorianópolis,
diz queestes onibus fun cionamemacordocomaprefeitura,
de vido àgrande
procura pelaspraias.
Os onibus "de linha' teriam o seu horárionormal,enquantoosextrassairiamassim queestivessemlotados.Quantoaopreço,
quevariaentrecem acentoevinte
cruzei-ros,segundo
Ivo,
correspondeàtaxareal que a empresacobra sem o subsídio daPrefeitura,
oque não acontececom osde linha. No sistema de tarifa social ousuá riopagaquarentae cinco cruzeiros e, orestante, variando conforme a distancia
percorrida,é
subsidiado
pela
Divisão deTransporte
daPrefeitura.Ivo
Hiebert,
nãoacreditano sucessodaestatização
das empresas comosolução
aoproblemadetransportecoletivoediz: "Ousuáriopegaoonibus
especial
sequi
ser,porqueosda linhaestãofuncionando normalmente.
"
Seestão, realmente não
sesabe. Porémumacoisa é certa, numa
sociedade onde todos vivemos movidos pela pressa,
ninguém
consegue esperar horas e horasnum ponto de onibus,enquanto passam inúmeros onibus espe ciais, ainda que superlotados.
Quem
realmente sai perdendosãoos membros da
comunidade, pois
osturistas,
na suamaioria,
selocomovem decarropróprio.
Eopessoalda comunidadequeusaeste meiopara
chegar
atéoCentro. São famílias procurando um dia diferente numa
praia,
fugindo
da rotina diária. Eosoni busespeciais
estãoaí,rodandomaisfre qüentementequeos delinha.PRAIA INTERNACIONAL: U_\1 ENCLAVE E.\1 TERRITÓRIO NACIONAL
"É
outrapraia,
outronível,outraconcepção.
'
Estafraseestánumoutdoorna
RodoviaSC-401 que levaaJurere. Real
mente esta
praia
agoraéinternacional,
ela foielitizada,
e fica claro quepraia
não estásendo maisumlugarcomumatodos. Jurere Internacional, umempreendi
mentodaHabitasul,estavaemplanoshá
maisdedoisanos eagoraestáseconcre
tizando.
Sãoaproximadamentecem milmetros
quadrados
deespaçofísico,comlotesfi-nancia os ematéquarentaeoitomeses,e
casascomfinanciamentos deatévintee
cincoanos. Iniciadoem novembro,com
forte
campanha
publicitária,já
estácommaisde50% de seus lotes
vendidos,
na.
suamaioriapara
gaúchos,
cariocasepau listas. Istosignifica
que, contradizendoin-:formação
daSetur,oturistasemostrain teressadonaaquisição
deimóveisaqui
emFlorianópolis.
Contando basicamentecomcapital
da Habitasul, o empreendimento tambémteráparticipação
decapital
estatal via Embratur-Empresa
Brasileira de Turismo-naconstruçãodeumhotel in ternacional,
categoria
cinco estrelas, enquanto quea nível nacional enfrentamos
problemas gravíssimos de
habitação.
Este
empreendimento
vislumbraaimagem deumoásisnomeio deummundotão conturbado. Incluindo a caça submarina
noseu
leque
de opçõesdelazer,põe
emriscoafaunanaturalda
ilha,
que tão pouco interessetemdespertado
aosnossoscien tistas. Tudo isto é umprivilégio
de que viveno"pedaço
maisfascinante dailhade�anta
Catarina .(Valdir Cachoeira)
A
INVA�ÃO
Os turistas gradativamente "empur
ram oshabitantes dointeriordailha,das
comunidades costeiras como - Arma ção, Canasvieiras,
Lagoa,
etc-para
longe
da faixa litoianea, atrapalhando atranqüilidade
dopovo ilhéu.Além da
espoliação imobiliária,
exis- 'tem
queixas
apresentadaspormoradores de Canasvieirasquealegaramterperdido
a
praia, pois
aatividadepesqueira
artesanalfoi
proibida.
Umbarracãoquealojava
alguns bar cos de pescafoi demolidorecentemente pela
prefeitui
a deFlorianó-Lutar
e
Vencer
Sábado.
Enquanto
boaparte
dos estudantesdaUFSCjá
trocouasalade aula
pelo
solquente
destamanhã,
uma dezena de
professores
e estu dantes trabalham na sala de redação
doCursode Jornalismo. Laudas e laudasespalhadas pelas
mesas.Diagramas
sendo riscados. Conta tos.Negativos.
Uns batem à máquina,
um outro escuta Mercedes Sosa enquantopensanumtítulo. Estamos
fechando
aedição
"",o 3 doZero.
Aulas em
pleno
verão. Inconve niênciasprovocadas pela
intransigência
nãodeprofessores
efuncio
nários,
masdaqueles
que nãoquise
ramaceitarseumovimentoreivindi catório. Oscortesaconteceram, a
si-,
tuação
dasUniversidades está cadavez mais
difícil
e oZero,
mesmofa
zendo
regime
(em
poucotempo
emagreceu de 16 para 8
páginas)
terá que lutarparasobreviver.Pensar a
educação
no Brasiltransformou-se,
em1983,
num exercício cabalístico de
adivinhação.
Serãoosastros
propícios?
Seráaerade
Aquarius
favorável
à concessão de verbassuficientes?
Que
odestino nosseja
levee océunãocaia sobreasnossas
cabeças.
Para
ajudar,
dealguma
maneira,
neste exercício de
futurologia,
Zerodesvenda,
naspáginas
centrais,
aponta
de um"iceberg":
os candidatos a Reitor e a crise da Universi
dade serão os
pratos
principais
de todas as dicussões na UFSC esteano.
Pelá
-ponÚnha,
queaparece
muito de leve nestes levantamentos.
preliminares,
osfuturólogos
já
podem
prever que não terão muito trabalho:a coisa estápreta.
Estamos
perdendo
aeducação!
"Temos que
aprender
a convivercom uma
situação adversa",
disseaMinistra Ferraz diante do corte de 12 bilhões de cruzeiros nas
finanças
já raquíticas
do MEC. Um "bomconselho",
deumaprofessora "expe
riente". Ea
gente
aprende
aconviver com umasituação
adversa se organizando,
participando'
dos movi mentos deprofessores,
estudantes eservidores. (Marcus Vinicius e
Aderbal
Filho,
doCentroAcadêmico do Jornalismo)A
destruição
ambiental preocupa 'os moradores maisantigos
de Canasvieiras.
Seu Manoel, ocomerciante, diz que "oturistaacabou com
muita coisa boa
aqui".
Seu Joãocontaque "uma vez,
umafamflia
chegou
a botar aramefarpado
aténapraia".
polis,como
respaldodos
veranistas,quejá
estavam há bastante tempo pressio nandoos proprietários.Seu João Coelho da
Costa,
residente naquelalocalidade háí6 anos, diz queospescadoressó
podem
irao marapós
as 10horasdanoite,
pois
as lanchasdos veranistas destroem asredesdepesca,além de o ruído
afugentar
os cardumes: "agora, só dá pra pescar no invernooutarde da noite. Essa gente acabou com
nossa roça e a
pescaria,
uma vez umafamíliachegouabotararame
farpado
aténa
praia
.Os moradores deCanasvieiras,sentem
um total
desprezo,
por parte da Prefei tura, nas vias de acesso da rodovia àcomunidade. Estas continuam esburaca
dase seminfra-estrutura,comofoio caso
dessa última enchente "que derrubou tudo
aqui,
... umlamaçalqueoscarrosnem
conseguiram
passar . Jánafaixa litoranea deCanasvieiras, há rede dees
goto,asfalto, calçamentooferecendose
gurançaecomodidadeaos veranistas.
ManoelJosédaSilva, comerciante lo cal, dizqueoturismofavoreceuocomér cio,
porém
acaboucom suaclientelahabituai. Os moradores nativos agorafazem
seusranchos nacidade,ondeencontram
melhorespreços,consumindoali,apenas pequenas mercadorias.(Textoefotosde
Thalis
Telemberg)
-I
Jornal Laboratório doCursode Comunicação
Social
-Jornalismo,daUniversidadeFederal de
Santa Catarina. Fevereirode1983,Tiragem:2 mil
exemplares.Circulação:Campusda UFSe.Distri
buiçãogratuita,
REDAÇÃO:Aderbal João da RosaFilho,Aline Silvana Bertoli,Álvaro LobatoMartins,Beatriz
Wagner, Carlos Alberto de Souza, Celita Maria
ForteCampos,CelsoVicenzi, ElianaArndt,Gil berto Colzani Filho. Isabela Maria Barbosa da
Silva,Ivan LuizGiacomelli,JaneMaísaDidoné,
Janete JaneCardozo,José AntôniodeSouza.Lu
ciene Rebelo Cruz, Marcos VinIcius Spuldaro,
MariaAparecidaMartinsBorges,Maria Fernando FarinhaMartins,MariaJoséBaldessar,Patricia da
SilvaGrillo,RenatoBarreto,Romeu ScireaFilho,
SandraMaraCidadeGentil, SérgioMuriUode An
drade,SuzeteT,rezinhaSandinoTeresaRodrigues Hickel,Thalis Talernberg, ValdirCachoeira,Vi
vianeGoularteVivianeBonettiScirea(Repórteres,
Redatores, Diagramadores ePaginadores, Alunos
dasDisciplinasJornalismoGráfico, EdicaçãoeIlus
tração,6."fase).
Composto e I mpressona EmpresaEditora °
ESTADO,RodoviaSC-401,Saco Grande.Floria
nópolis- Se.
2
-ZERO
)'.
UMA PONTE
E
MUITOS
PROBLEMAS
ComofechamentodaponteHercílio
Luz,
háumano, os
florianopolitanos
voltaramasofrerde
algo
quejá
faziapartedopassado:
asfilas nas pontes que
ligam
aIlha ao Continente. O
tráfego
que passavapela
cinquen
tenária ponte t24 milveículos/dia)
foi des viado para a Colombo Sallest50
milveículos/dia)
eproblemas
identicosaosqueacidade enfrentavaantesde 1974
-quando
haviauma sóponte
-recomeçaram. Primeiro voltaram as
quilométricas
filas,
que
chegam
acongestionar
o transito doCentrode
Florianópolis
elongos
trechos da avenida Ivo Silveira (noContinente).
Depois,
com asfilas,
aumentaramosacidentes.SónaColombos
Salles,
aDelegacia
de Acidentes de Transito da
capital registrou,
no anopassado,
um número de ocorrencias duas vezessuperior
aos ocorridos nos últimos doisanos nasduaspontes.
Ma, estes números não dão a dimensão real dos acidentesnaponte,
já
queas ocor.renciasqueacontecemnahora do rush não são
registrados
nempela
Delegacia
nempelo
Detran. Nem
poderiam, pois
umainterrup
ção
depoucos minutosnofluxo de automó veisque passapela
pontecausa umengarrafamento
gigantesco.
Como
solução
para estescongestionamen
tos,aSecretariadosTransportes
eObras do Estadopediu
ao DNER aagilização
nasobras donovo acessoa
BR-lOl,
queestavamparalisadas.
Esteacesso,segundo
aSecretaria,
deveriasolucionar,
emgrande
parte, oincomodo das
longas
esperasnasfilas. Masisto nãoocorreu.
A
exemplo
dasdemaisobrasconcluídas àsvésperas
daseleições,
oacesso,inaugurado
nodia 8 de novembro,com custode Cr$ 1 bilhãoe120
milhões,
não estavaprontoparaserabeitoe,em vezde
solução,
está trazendo maisproblemas,
quepodem
ser localizados assimque saímos daponte,noContinente:aentradatem
sinalização inadequada.
Os tre-Não se sabe quanto custou à cidade oaguaceiro
do dia 6 dejaneiro,
mas sabe-se queparte dosproblemas
poderiam
serevitadoscom a
aplicação
de 700 milhões decruzeiros,
custoprevisto
paraoalargamento
deseis canais na cidade. Como é comum, o
trabalho não foi feito soba
alegação
de faltade verbas
Engenheiros
daThemag
realizaram um
plano
dedrenagem
concluído emmaio do ano
passado.
Mais recentemente,foi feitoumestudosobreocanalda
Agrono
mica,
rnr.s tambémnãoháprevisão
sobreoinício dos trabalhos. Omesmo
problema
certamente afetará
Palhoça,
São José e Bi guaçu,municípios
quetambém estãomerecendoa
atenção
dosengenheiros,
comestu dos dedragagem
emandamento. Mas não há nenhumaprevisão
paraofinal dos estudosemuitomenosparaoinícioefinal das obras.
Segundo
oengenheiro
Fernando ClarckNunes,
professor
da UFSCquefezpartedaequipe
queiniciouoprojeto,
umafiscalização
competentepoderia
evitar muitos problemas. "As
prefeituras
temcompetencia
para
exigir
das firmas deconstrução,
basea dasemlei,aimplantação
degalerias pluvio
métricas e
equipamentos
dedrenagem
nosloteamentos",
dizele.e-Valmi
Bittencourt, arquiteto
eprofessor
da
UFSC,
éincisivo:"ninguém
estápreocupado
anãoser com ocustodoterreno", dizele. "Oterrenotemqueser
barato,
nãointeressa emque buraco for.
"
"Os fundos de vale onde existem passa gensde
água
nãopodem
serocupados"
,dizvos ainda
hoje
nãoforamconcluídos,
o que·
obriga
osmotoristasquedirigem
aCoqueiros,
·
Bom
Abrigo
ou Abraãoafazeremo retornoI
notrevodeCampinas,
quasenofinal da Ivo �i Silveira.Mas sãoosturistasosmais
prejudicados:
daBR-fol,
eles não conseguemchegar
aosA
bairrosaoSul doacesso.Precisam vir atéo
Centro da
cidade,
paraconseguí-lo,
Outropaliativo
para estacaóticasituação
foi
imaginada
pelo
Detran: dividiraponteem·três vias
nosentidoqueapresentaromaior · fluxo de carros f; uma noque
apresentar
omenor.
Assim,
dasseteàsnoveda manhãedaumàstresda
tarde,
as trespistas
opera,
riamnosentido
Continente-Ilha,
edasonzeda manhã àuma edascincoàsseteda
tarde,
,nosentidoIlha-Continente.
Paraa
implantação
deste esquema,a Secretaria de
Transportes
instalou sinaleirasnasduascabeceirasdaponte,aumcustode
Cr$25
rnilhôesjsendo
queembreveossinaisserão
operados
porcomputador
comandado·
porsensoresinstalados sobas
pistas.
Este esquema,sem as
sinaleiras,
foi acio nadopelo
Detranemjulho
doanopassado,
quando
houveumdos maiorescongestiona
mentosdesdequeaHercílioLuzfoifechada (era dia de
jogo
do Brasil naCopa
doMundo).
O resultado foioutro
engarrafamento,
naoutraextremidadedaponte. Em fins de
ja
, neirodesteano, tentou-seaplicar
novamenteoesquema, destavez com assinaleirasfun cionandoeoresultado foi
identico, previsto
·
inclusive
pelo guardas
que fazemopolicia-·
mentonaponte: "Vai daramaiorzebrat.E
�
deu.
Marcos
Brusa,
secretárioadjunto
da Se cretaria dosTransportes,
também considera estasmedidaspaliativas,
"mas sãoasúnicas quepodemos
tomar, estamos apenas ten tando evitargrandes
congestionamentos".
Paraele,
asolução
paraosengarrafamentos
não é
técnica,
mas "administrativa": "So ,mentecom acriação
dehorários diferenciaidos
detrabalhoparaoscomerciários,
estu!
dantes e funcionáriospúblicos
resolveriaI
mos oproblema"
.i
Alémdesta
solução política, "que
só o11
governador pode
tomar",Brusatemoutra,[esta
definitiva: "a conclusão das obras da Iterceiraponte,prevista
para maio de 84eaI
recuperação
da Hercílio Luz dois mesesi
mais tarde".Isto,
senãofaltaremasverbasi
necessárias...E A NOVA
PONTE,
SERÁ QUE
SAI?Emagostodoano
passado
oPDS fezum
-grande
comício para receber o PresidenteFigueiredo
que estava trazendo Cr$ 300 milhõesparaaconstrução
daterceira ponte.Hoje, passados
quase sete meses, a obra,que iria "resolver definitivamente o pro blema do
tráfego
entre a Ilha e o Continente',
,está
ameaçada
deparar porfalta deverbas. E
já
sequestiona
o tempo de suaconclusão.
"A obranãoestánoritmo que
desejava-.
mos, mas não vaiparar. Ainda não conse
guimos
os recursosexternos(28
milhões dedólares) necessários,
masatualmenteo Es tado tem coberto todos os gastos com aponte,
(Cr$
600milhões, aplicados
na implantação
do canteiro e no pagamento daComissão)",
disseosecretárioadjunto
da SecretariadosTransportes
eObras,
Marcos Brusa. Osecretárioadjunto
acrescentouqueeh
.uca;,
a
cidade desaba
o Estado só vai ter
condições
de bancar aobra por maisseismeses
(faturas
deCr$300 milhõespormês), quando chegar
aestrutura metálica. Apartir daí,
os custos crescerão muitoe,sedentro desteprazo(seis
meses) nãochegar
ofinanciamentoexterno, não vai dar paragarantir
a viabilidade da obra. Sobreacomissãocriadaparaa construção
daponte,Marcos Brusa afirmouque elaexistecomo "efeitodefacilidadeadmi .nistrativa' eque se encarrega exclusiva
menteda
construção
efiscalização
daponte. A comissão é formadapelo
ex-governador
ColomboSalles,
porOyedo
Gouveia LinseEmani Santa
Rita,
que recebem proventospelo
seutrabalho. Brusa disse "nãotercondições
de verificar a quantochegam
estes proventos,"pois
nãofaço
parte desta comissão"
(segundo
aInformação
Geral de O Estado de02.02.83,
na mesmatardeemqueBrusa recebiaoZERO,o
governador
Henri-.
queCórdovanomeava-oparasubstituirCo lombo
Salles,
que fora nomeado para oTribunal de Contas do
Estado).
Mas se osecretário
adjunto
acha que dá parair tocandoaobra,omesmonãoachamos
operários
da empresaMega
, subempreiteira
encarregada
dasfundações
da ponte.Segundo
eles,aobra "está quasepa randoe táfaltandoverba . Ainda
segundo
os
operários,
dosaproximadamente
280trabalhadores que iniciarama
construção,
80já
haviam sido demitidos eque
poderia
haver mais-iemissôes. (TextoefotodeIvan <:'iacomelli).
.o
engenheiro
Fernando Castro Nunes. Sobre\0
bairro MonteVerde,
totalmente inundadonodia6,ele afirmaquehouve
impermeabili
zação
de áreas situadasem umaregião plana,
'nopé
deumabacia. Mas também écategó
rico, lançando
suspeitas
sobreosistema dedrenagem
feito por lá: "é necessárioqueali existamgalerias
dedrenagem
nosubsolo. Se,
não tem, quese
façam
."! Na
UFSC,
queperdeu
60 milhões nessa!
enchente,
oproblema
foi deincompetencia
e.falta de
fiscalização.
"Quem
évoceparapor emdúvidao nossotrabalho?'.perguntarama
ValmiBittencourtos
engenheiros
queconstruíramaEscolade
Engenharia.
Valmi havia denunciadojunto
àCongregação
da Escola.
queonível do edificioestavaabaixo do nível
idas
águas. Agora,
anualmente,
oreitor vaia1,
Brasíliaestragos.em busca de verbas para pagar os Jáque nãoseouviuoarquiteto
Valminai quela época,
talvez fosseimportante
ouvi-loi
agora,
quando
fala das leisque regemaimplantação
deloteamentos, "sujeitas
àespeculação
imobiliária". Valmi declara que é'preciso
inverter a maneiradefazeras leis."
Assimcomoestá- diz ele
-um
especula-dor
pede
aumvereador queapresente
umaI lei
quepareçainocente, modificandoesteouaquele
dispositivo
e,narealidade,
éumalei que vai esfacelàracidade..."
---_._--- .-... -_. __
._--LEIS
ELITI�TA�,
DANOSINCALCULÁ
VEI�"Não
podemos responder
àsuapergunta semterumalicença
especial
paraisso",
responde
a vozpelo telefone, quando
orepórter
indagou
sobreoíndicepluviométrico
do dia6,
emFlorianópolis,
equecausou umasérie deproblemas
até então desconhecidos da cidade."Nós
dependemos
deuma ordem do 8.0distrito,
que ficaemPortoAlegre" ,explica
ofuncionário,
após
amanifestação
de surpresa do
repórter. Afinal,
ordemespecial
paraumdadotão
simples'!
Antes,porém,
de tentarargumentarcom ofuncionáriosobreodireitoà
informação
- ousobreoabsurdo da
proibição
-recebeuma
indicação:
"tele foneparao CEDEC. lá elesinformam.De fato.NaComissão EstadualdeDefesa
Civil,
oatendimentofoicompleto.
Nodia6 I dejaneiro, quando
amais forte chuva deque
setem notícia desabou sobrea
ilha,
Florianópolis
encontrava-sedespreparada
para mediressaintensidade. "Choveuprincipal
mente no leste da
ilha,
na borda exterioratlantica ,
explica
o funcionário da CEDEC, "e lá não há
pluviógrafo
oupluvio
metro..
Masos
aparelhos
daCELESC,
instaladosem
Coqueiros, registraram
umaprecipitação
de 12í,2mm
naquelas
24 horas. Enocentroda cidadeo
registro
foi de134,3
mm.Qual
querdestas duasmarcas
ultrapassa
amaiormarca
já
registrada
nailha,
de 1934 atéhoje,
que foi de
119,5
mm. Tres semanas maistarde,
no dia30,
tudoparecia
que iria serepetir:
em apenas ties horas dechuva,
foramregistrados
80mm.Segundo
cálculosainda não oficiais da Comissão de Defesa
:
Civil,
omesdejaneiro
desteanodeverá do brar a média deprecipitação
feita desde!
1934,
nesteperíodo,
que é de154,2
mm. Costuma-sedizer,
nesses momentos decalamidade,
que "os danos são incalculá veis' . Podeser.Hádezenasdecasos
parti
culares deresidencias
destruídas,
depósitos
e oficinas
danificados,
edificios invadidos. .\ias resta uma pergunta: queprevisão
foifeita sobre essa
possibilidade
de chuva _que,
afinal,
não foi nenhum ciclone _quando
seconstruíram estradas (que desabaram),
se avançou sobre os mangues (queinundaram),
foram feitos bueiros(insuficien-tes)ou levantadas
'barreiras
(que caíram)'-José Antonio de Souza
VivianeBonetti Scirea
ZERO
.
-3
. .. ....
sãodobolo.Issonummomentoem
que a maioria dos centros
já
estápedindo
por socorro. O Centro deCiências
Humanas,
porexemplo,
abriga
cinco cursos - todos comproblemas
financeiros. O curso deGeografia pediu
Cr$
3milhõesparasuprir
as deficiências de materialespecífico.
A chefe doDeparta
mento deGeograjia,
Neide Almeida,
entregou
a'solicitação
aochefe do
Departamento
de Geo Ciências e descobriu comespanto
queesseéototal
aproximado
queoCentro
dispõe
paratodos oS.,cursos. Sobre apossibilidade
de fechamentodecurso,Neide Almeidanão aceita nem conversar, acrescen
tando que o mesmo vale para os
cursos de História e Estudos So ciais. "A
formação
doprofessor
de 1.oe2.0 Graus é
imprescindível.
Fechar os cursos
é
baixar cada vezmaisonível do
ensino", concluiu.
tros
problemas.
Goteiraspingando
são comuns, localizadas em salas
onde o sistema de
esquadrias
fun ciona mal.Segundo
oChefe do Departamento
deEngenharia
Mecânica,
AmoBollmann,
quem mais sofre com isso são osprofessores,
que lecionam em
salas 'insalubres.
Elenãoé
exceção
dasreclamações,
pois
consideraasverbas insuficientes, tendo em vista que além
d�s
instalações
deficientes,
"estáprati
camenteazero acomprade novos
equipamentos
e material permanente".
OUTRO "NECESSITADO"
O
curso
deEngenharia
de Alimentos tem esbarrado constante mentena
falta
deverbas,
paraefeti
var a sua
implantação.
Em novembro do ano
passado,
a coordenadoria de
Engenharia Química
fezum
pedido
deCr$
51 milhõesparaacompra de
equipamentos
necessá
riosaquele
curso.Foram atendidos emsomenteCr$
7milhões(70%
das verbas do CentroTecnológico),
O que dá apenas paraumadisciplina.
Como a
administração
não dispunha
do totalreinvindicado,
reduziu-se
opedido
paraCr$
19.milhões,
quantia
que davapelo
menos para comprar as Unidades
Experimentais
docurso.Ã
ÓRDEM
É
ECONOMIZAR Saúdeeeducação
são duasáreas onde apalavra"economia"
nãodeveria
seraplicada.
Afinal,
sendoprioridade
dequalquer
país
queesteja
interessado no futuro de sua
população,
certamente haveria outros setores para fazercontenção
dedespesas
- acome
çar
pelas
mordomias dopróprio
Governoe empresas estatais.
Contudo,
é sobre o ensinoque
apalavra
começa a seraplicada
cada vez mais com ênfase não só
pelo
MECereitoresmascomotam bém_pelos
diretores de centros ecursos. A
Odontologia,
porexemplo,
é um dos cursos maiscaros da Universidade e só no se
mestre do ano
passado
teve umadespesa
deCr$
17 milhões e meio paraacompradeequipamentos.
A verba destinadapela
reitoria não é suficienteeoconvênioqueocursotem com o
lnamps ajuda
mas não cobreodefi'cit. Porisso
ochefe doDepartamento
deEstomologia,
Lauro Caldeira de
Andrade,
achaque "ojeito
éfazer economia" .Segundo
ele,
houveumtempo
em
queoalunofaziaummoldee senão
prestasse,
fazia outros.Hoje
não. Faz erradoecertamentevai apren der naboca de seuspacientes.
En-fim,
não há verbas...Masomaior
problema
paraoPro fessor Lauro éoexcesso de alunosnasaulas
práticas.
No vestibularentram50porsemestremas nasaulas
aparecem85 e
ninguém
diz porque."Eusei queunsvemtransferidos de
outros cursos, outros são reprova
dos,
alguns
sãodeoutroshoráriosehá até
aqueles
que conseguematra vés depolítica.
Mascomoé queeu voucolocaressesalunosnumasala comapenas 56equipes?".
Lauro Caldeira de
Andrade,
contudo,
parece interessado em tão somenteresolveroproblema
deseucurso,porque para
ele,
"temcursosque não
precisam
de materiais evocé
pode
colocar200alunosnumasalaedar aula."
Sem baixara
quali
dade. Mas
prosseguindo,
oprofes-.
soracrescentouqueisso não épos sível na
Odontologia
porque é um curso "essencialmenteprático"
nãoadiantasentarna mesa earrotar sabedoria- tem
quefazer" .
O Coordenador de
Engenharia
Química,
Leonel TeixeiraPinto,
não procuroueufemismos
parade tinir asituação
do curso deEnge
nharia
de Alimentos: "Sem essesCr$
19 milhõesocursoserá inviabilizado".
Porém,
mesmoqueseobtenhaessa
verba,
háoutroproblema
não menos grave- afalta de espaço
tisico
para ainstalação
dosequipamentos.
Os estudantes de
Engenharia
Química,
que foramconversar com oReitorErnany Bayer,
nãoconseguiram
obtergarantia
de nada. O'diretor
do Centro Acadêmico deEngenharia
Química,
estudante Ed son,explicou
queno início dareunião "o Reitor
prometeu
darosos
19 milhões mas no tinal encerrou com
um'
eu vou conversar com aadministração"
.Por tudo isso- emuito mais
-as
perspectivas
para este ano não serão nadatranqüilas
na universi dade.O
presidente
daAssociação
dosProfessores,
RaulGüenther,
disse que "ademocratização
dauniversi dade passapela elaboração
e execução
de umorçamento
baseadonasreais necessidades da universi
dade,
de cada curso.Hoje
existemanipulação
noorçamento.
O MECdiz
quanto
tem para dar e nãoquanto
precisa
cadainstituição".
Por issoele considerIqueéneces sário unificara
comunidade
universitária'no sentido
de·conseguirmos
força política
e depressão."
(Re
portagem
de MariaJosé,
Marcus Vinicius eJane
Maisa.Texto finalde Celso
Vicenzi)
UNIVE
QUEM
SÃO
OS
CANDIDATOS
Em maio de 1984 o Presidente da
República
escolherá,
apartir
deumalista
sêxtupla,
o novoreitor da Universidade Federal de Santa Catarina.
Apesar
dosproblemas
deverbas,
das férias alteradaspela
greveedeumfimde ano que ocorre em
janeiro,
começamas
articulações
dos
diversos gruposnosentido de
lançar
seuscandida
tos.
Afinal,
a reitoria da UFSC é umdosmais
cobiçados
eimportantes
cargosdaárea da
Educação
emSantaCatarina,
etrazumcharmee umstatusde secretaria de Estado.Começam
asarticulações
- mas à boca pequena. Asinformações
fluemcom
dificuldade,
os grupospreferem
escondera
escalação
desuasequipes.
Na
Reitoria,
porexemplo,
osfuncio
nários só
poderão
se manifestar oficialmente sobreo assuntoa
partir
de maio. Ealguns
nomes,apontados
como
reitoráveis,
esquivam-se
dasentrevistas.
Mas como sedá a
eleição
parareitor?
O
Colégio
Eleitoralqueelege
o reitoracada
quatro
anosé formadopelo
Conselho
Universitário,
pelo
Con selho de Curadoresepelo
Conselho deEnsino,
Pesquisa
eExtensão,
numtotal de 58 membros.
Destes,
20 sãoprofessores,
10 sãorepresentantes
estudantis,
10 sãoDiretores deCentro,
ehá 6
representantes
da comunidade-oude
parte
dela. Sãoos2representan
tes daFederação
daIndústria,
2 daFederação
doComércio
e2 da Federação
daAgricultura.
Fazemaindaparte
doColégio
oreitor,
ovice-reitor,
4pró-reitores,
oreitor dagestão
anterioreum
representante
do MEC. Onomemais
votado
poresseColégio
encabeçará
umalistasêxtupla
quepoderá
-ou não - ser aceita
pelo
PresidenteFigueiredo.
AS
QUATRO
GRANDES
FORÇAS
A Reitoriatem umcandidato
prati
camente declarado: Rodolfo Pinto da
Luz,
pró-reitor
deAdministração,
apontado
como candidato "natural".E
ex-colega
de trabalho da Ministra Esther deFigueiredo
Ferraz no Con selho Federal deEducação,
oqueéum.
trunfo
poderoso.
Alémdissocomanda,
durante a atual
gestão
doprofessor
Emani
Bayer
naReitoria,
aárea maiséspinhosa,
talvez,
nesses momentoscríticos de falta de verbas. Familiari zadocom os
problemas
e(1X)mtrânsitonos
gabinetes
emBrasília,
Rodolfotem nissooutrotrunfo nadadesprezível.
Caspar
ErichStemmer,
que lidera outro grupo, diz quejá
perdeu,
massempreháosque têmesperanças. Ex reitorno
período
do PresidenteGeisel,
com quem mantinhalaços amistosos,
realizouuma
administração
polêmica.
Administrou com mão de ferro e até
hoje
comenta-seseus métodos esdrúxulos de combaterosma-smotoristas: em pessoa, Stemmer esvaziava os
pneus dos automóveis mal estaciona dosno
Campus.
Entrevistado,
deu declarações
e tambémrespostas
por escrito. Cuidadoso coma
imprensa,
fezquestão
de ficarcomumacópia
doqueescreveu. Mas Stemmernão é candi
dato. O nome deseu grupoé
Rogério
Vahl"que,
segundo
contou, cultiva asecreta esperança de ocupar o
pri
meiro andar da Reitoria há muitos
anos.
Correndo por
fora,
e levandocerto dissabor àreitoria,
daqual
é dissidente,
vem ovice-reitor Nilson Paulo.Eleteria
sido
indicadoparamembro do CFE com aintenção
de tirá-lo dopá
reo. Verdadeounão,
écerto queNilsonPaulo dribloua
questão
mantendofirmes
seus contatosesuaposição
naUFSC. Ele não recebeu a
imprensa.
Prometeu,
porém, responder
as perguntas
por escrito-o que também não
fez. Sabe-se,
noentanto,que tem bom trânsito emesferas
federais,
sendo
representante
de.Santa
Catarina
noCFE.É presidente
do Conselho Estadual de
Educação.
A
quarta
força
é considerada tam bém "candidato natural". Trata-se doprofessor
OsvaldoMaciel
queentreasbases
-servidores,
estudanteseprofessores
- temuma
força
enorme.Tidocomo
ponderado
masdecidido,
é bomnegociador
edestacou-senasgre vesdos docentes. Comopresidente
daAssociação
Nacional dos Docentes -ANDES - teveatuação
impecável,
segundo
seuspróprios
adversáriosdentro do movimento.
foi presidente
da APUFSCmas,éclaro,
tem contes tadores fortesmesmoentreosprofes
sores.É respeitado
por estudantes eservidores com os
quais,
nagrevedoano
passado,
tentouformarum iníciode
atuação
conjunta.
Existemoutros candidatos.
Alguns
sãoindependentes,
tentando comporforças,
outros tentamindicação
dentro de seus grupos. PauloLago
e SílvioCoelhosão dois deles.
"ESTUDANTE E
FUNCIONÁRIO
NÃO SABEM
VOTAR" Das 16 mil pessoas que habitam ocampus, apenas58votam para
reitor,
sendoqueentre estescom
exceção
dosprofessores,
nãohá nenhumrepresen tantedos trabalhadores. NemdaUni versidade(servidores),
nemda comunidade,
onde só asfederações
patro
nais estão
representadas.
O processo eleitoral está sendo bastante discutidoe
questionado.
Existe umacertauna-nimidade em considerá-lo artificial e
pouco
representativo.
Asdivergências
sedão
quanto
aintensidade da críticaea naturezadas
sugestões.
O ex-reitorStemmer,
porexemplo,
reconhece fa lhas noprocesso, mas vé dificuldades emsugerir algo
melhor. No entanto,ele tem certezade umacoisa: "estu dantese
funcionários
não
estão preparadospara votar."
Jápara o
professor
Maciel "o processo é totalmente
antidemocrático,
fechado e de pouca
participação
dacomunidade". E conclui: "sou anti
processo".
AReitoria,por
suavez,pareceinteressadaempromoveruma re
formulação geral
no processo de escolha. Pelomenos é
isso
quetranspa
rece nas
declarações
de Rodolfo Pintoda Luz. Para ele "oprocessodevese
dar da maneira mais
representativa
possível".
Mas faz a ressalva de que estarepresentatividade
deve estar, dentro dalei,
porissoanecessidadedereformulação.
ParaoDCE,
oprocesso éantidemocrático
eporissopretende
exigir
arealização
de uma consultaprévia
à:
comunidade. Esta também éaproposta
da APUFSC quevenarealí-:
-zação
dasprévias
apossibilidade
deseimplementar
umamplo
debate sobrea!reestruturação
daUniversidade. OQUE
PESARÁ
NA DISPUTA?
Nessa batalha que apenas começa,
as
previsões
de vitóriasãodifíceis.
Se'fizermos
aavaliação
considerando
somente as
declarações
dõS
reiteráveis,
nenhum grupovenceporque ninguém
admite ser candidato.Rodolfo
diz que não é
candidato
e quer falarsobre o assunto apenas a
partir
demaio.Maciel acha que
professores,
estudantes e
servidores
não devem lan çarninguém.
Opapel
desseconjunto
-segundo
Maciel- é transformaro processo eleitoral em forum de debates. Nilson Paulo sequer
pôde
ser entrevistadoeVahlestavaem
viagem.
Oprofessor
Stemmer se diz mais preocupado
em defender auniversidade,
apontando
um caminho diametral menteoposto
ao indicadopela
APUFSC. "Estamosnatrincheira de
fendendo
a universidade eesperando
passar esta
onda
democratizante",
in formou ele.Jáaassociação
dosprofes
sores, que no ano
passado lançou
apalavra
deordem''professores
emde fesa dauniversidade",
liderou uma.
greve quetinhacomouma das
princi
pais reivindicações
ademocratização
da
instituição.
Democratização,
paraesses
professores,
significa,
entreoutras
medidas,
realizareleições
livresediretas para a reitoria. A APUFSC
apóia
Maciel.Ninguém
admite que écandidato,
mas sabe-se que
já
estão
ena ampanha.
Todos sabem que aindicação
de seus nomes não é aleatória. Pelo
contrário: ela é fruto de um trabalho
desenvolvido ao
longo
dos anos, da habilidadepolítica,
dopoder
deplan
tão,
emBrasília,
e, éclaro,
dasinformações
do SNI.Aqui
no campus,quando
oscomponentes
dos váriosgrupos se referiam aos
adversários,
preferiam
comentar seus trunfos aoinvés desuas
qualidades
mais visíveis.Afirmações
dotipo
"ele éamigo
daministra,
ou "fulano relaciona-se bem como Cruz eSousa" ou,ainda,
"ele tembom tránsito entreosmilitares",
dão bemumaidéia dequevalores en
tram em
jogo.
Porisso,
apergunta:
oque
pesará
mais,
emmaio? O conceitoadquirido
dentro doCampus?
Habili dadepolítica
em Brasília'! Influenciado
palácio
CruzeSousa? Osregistros
noSNI? Mesmocomtudo
isso,
oPre sidenteFigueiredo poderá
recusar alista.
.
AS DIFICULDADES DO
PRÓXIMO
REITOR Sabe-se que ofuturo
reitorencon-·
traráumauniversidadecarentedere
cursos,aindamais
podados pelos
cortesanunciados
pela
ministra. Masnemtodos acham queeste- verbas- é
o
problema
maior. Para Stemmer osgrandes
problemas
dauniversidade
sãoodesmoronamento da
hierarquia,
a
pseudo-democratização (sic),
opro-,cessode
sindicalização
dosprofesso-·res e as constantes greves que inter rompem as
atividades didáticas.
A falta derecursosestá relacionadacoma crise económica mundial. "Basta
apenasumpoucode
criatividade
e tra balho para superar osproblemas
financeiros",
afirmaele,
semaprofun
dara
questão.
Jáparaopró-reitor
Ro dolfo Pinto daLuz,
afalta derecursosé permanente. Ainda
assim,
ele está bastante otimista eaposta
nasuple
mentação,
contrariandodeclarações
recentes daprópria
ministra. Veremos.Para
ele,
osesforços
desenvolvi dospela
futuraadministração
devemser nosentido deconvencer ogoverno
da necessidade deseteruma
universi-·dade
competente.
"Temos queinves
tirnaeducação,
temosqueconvencer ogoverno de queaeducação
é essencial",
propagaRodolfo.Osvaldo Maciel também
ultrapassa
a barreira da
questão
financeira.Se-·
gundo ele,
auniversidade está tambémfalida
política,
social e moralmente. "Parasuperarosproblemas
o sucessordevesertantoumbom administra dor
quanto
umsujeito
capazdesomardentro da comunidade e fora
dela",
analisa ele.
(Eliana
Arndt e RomeuScirea)
4-, ,
este ano
profundas
marcas nasáreas de maior
importância
social do País.Salários,
saúdeeeducação
já
estão recebendo toda série depressões
e cortes.Em
relação
àUniversidade,
há muitosefalanapretensa
"necessidade" de cortes no
despauperado
orçamento
do MEC.Para seteruma
idéia, segundo
opresidente
daApufsc,
RaulGuenther,
oúltimoreajuste
concedidoaosservidores federais esteve tão
aquém
das reais necessidades que "tudoaquilo
que havíamos conseguido
comas grevesanteriores,
foiperdido.
Contudo,
a última greveconseguiu algo
muito maisimpor
tante que foi barrar o começo da
implantação
doensinopago quejá
estava
pronto
paraserpassado
por decreto".AUFSC PAROU
Umaprova evidente de quea
uni-DINHEIRO EXTERNO
versidade
está em crise são osor-çamentos
do MEC paraaUFSCem OcursodeEngenharia
Mecánica,
82e83. Noano
passado
recebemos apesar do elevado custo de seusCr$
9bilhões
para seremdistribuí-equipamentos
e dosmateriais
em-dos aos 10 centros que mantém os
pregados
nas aulaspráticas,
é um66 cursos que a universidade
ofe-
dos que menos temsofrido
com orece. Averba destinada
pelo
MEC cortede verbas.Simplesmente
por-este ano,também é deCr$
9bilhões,
que háumgrande
interesseexterno como seauniversidade
tivesse pa- naformação
desta mão de obraes-radono
tempo
e como sefosse pos-pecializada,
o que quase reduz asível
desconhecer
umainflação,
obrigação
daUFSC
aopagamento
prevista pelo
próprio
Governo,
de dosprofessores (90%),
numtotalde70%
em 83 mas que somente emCr$
250 milhões.janeiro já disparou
em 9%, Orestantedas verbasprovém
de EaMinistradaEducação
eCul- várias entidadesouinstituições,
taistura, Esther
Ferraz,
já
advertiu os como o BancoInteramericano
dereitores de que somente aos casos
Desenvolvimento,
que investiu 700 consideradosde"extrema
urgêncict
mil dólares durante cinco anos, serãoconcedidas
suplementações
sendo que. 670 mil foram para ade verbasparaasuniversidades- o compra de
equipamentos.
O go-que era praxe em todas porque os vemo alemãoinjetou
7 milhões deorçamentos
sempre estiveram marcos,sendo que 3 milhões foramaquém
dasreais
necessidades do emequipamentos.
AFinep
-Fi-ensino. nanciadora de Estudose
Projetos
-Há quem
prefira
não temer as acertouCr$
190 milhõesem1981/82
duras
palavras
daMinistra,
como o (naverdade,
ao darverba emdoispró-reitor
deAdministração,
Ro- anos reduziu-a bem menos,devido dolfo Pinto daLuz,
para quem a adesvalorização
do.cruzeiro).
HáUniversidade Federal de Santa Ca- ainda outros
convênios
com a tarinadeverá
receber umasuple-
Capes
(Coordenação
deAperfei-mentação
demais deCr$
6bilhões,
çoamento
do Pessoal de Ensino Su-oquetotalizaria
umorçamento
emperior),
CNEM(Comissão
Nacio-83 de
Cr$
15bilhões.
O ex- naldeEnergia Nuclear)
Fipec
(umpresidente
daAndes,
Osvaldo
Ma-fundo
ligado
ao Banco doBrasil)
eciel,
porsuavez,já
encara areali-CNPq.
Estes recursos sãorespon-dadecom umpoucode
pessimismo,
sáveis por cerca de 25% do total afirmandoque "seasuniversidades
aplicado
nacompradeequipamen-permitirem,
oMEC contarámesmo, tos e material deconsumo.a
suplementação
eoorçamento
glo-.
Contudo,
apesar de toda esta balo AfinaloMECrepresenta
osis-"opuléncia
..
- em
comparação
temaque nãotemcomo
prioridades
comoutros cursos- aEngenharia
asaúdee a
educação"
entreoutros. Mecânica não é o"paraíso
da
-Com um
orçamento
minguado,
UFSC", Ascaríssimas
máquinas
chega
a serconstrangedora
a divi- estãosujeitas
asintempéries
eou-L-::��==::���----������---�---;;lERO
__.