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A IMPORTÂNCIA DA DINÂMICA DE GRUPO COMO INSTRUMENTO PRIMORDIAL NO TRABALHO COM GRUPOS: UMA CONTRIBUIÇÃO DO GRUPO DE ADOLESCENTES DO SESC

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(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO

SÓCIO-ECONÔMICO

DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL

A IMPORTÂNCIA DA DINÂMICA DE GRUPO COMO

INSTRUMENTO PRIMORDIAL NO TRABALHO COM GRUPOS:

UMA CONTRIBUIÇÃO DO GRUPO DE ADOLESCENTES DO SESC

DAIANY OLIVEIRA

(2)

Prof. K to,s Costa Orientadora: Nilva

Sousa Ramos

Chefe do Dep1. q Serviço Social CSEIUFSC

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO

SÓCIO-ECONÔMICO

DEPARTAMENTO DE

SERVIÇO

SOCIAL

A

IMPORTÂNCIA

DA

DINÂMICA

DE GRUPO COMO

INSTRUMENTO PRIMORDIAL NO TRABALHO COM

GRUPOS:

UMA CONTRIBUIÇÃO

DO GRUPO DE ADOLESCENTES DO SESC

tgAtincLcia.

sum.:

lyi&I

05 101101 .

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso,

apresentado como parte dos requisitos

para

obtenção

do

titulo

de Assistente

Social ao

Colegiado

do

Curso

de

Serviço

Social, Centro

Sócio Econômico,

da

Universidade Federal de Santa Catarina.

(3)

DAIANY CARINY DE OLIVEIRA

A

IMPORTÂNCIA

DA DINÂMICA DE GRUPO COMO

INSTRUMENTO PRIMORDIAL NO TRABALHO COM GRUPOS:

UMA CONTRIBUIÇÃO

DO GRUPO

DE

ADOLESCENTES DO SESC

Monografia

aprovada como requisito parcial para

obtenção

do titulo de Assistente Social no

Curso de

Serviço

Social da Universidade Federal de Santa Catarina, pela

comissão

examinadora integrada pelos membros:

Orientador:

Profa.

Nilva

Souza Ramos

Departamento de

Serviço

Social,

UFSC

Assistente Social, Selma

Junkes Departamento

Regional, SESC

ri e-

Assistente Social,

Cristhine

Reis Medeiros

Recursos

Humanos, CEPON

(4)

Mensagem

"Vim pelo caminho difícil, a linha nunca termina. A linha bate na pedra, a palavra quebra uma esquina, minima linha vazia, a linha, uma vida inteira, palavra, palavra minha."

Paulo Leminski "Você pode descobrir mais sobre uma pessoa ern uma hora de

(5)

AGRADECIMENTOS

A Deus, em primeiro lugar, que iluminou-me ern todo o percurso de elaboração deste trabalho proporcionando-me muita paciência e sabedoria, a ele que estará comigo sempre.

minha mãe Dilma e ao meu padrasto Alcides, que me oportunizaram e incentivaram sempre a seguir o caminho da educação.

Ao meu namorado e melhor amigo Marcos, que

esteve

ao meu lado em todos os momentos que mais precisei.

A todos que me amam e me querem bem.

ik minha orientadora Nilva Souza Ramos, por me manter sempre com os pés no chão, contribuindo para a elaboração deste TCC,

A minha supervisora Selma Junkes, que me motivou e incentivou durante o estágio, contribuindo para a concretização do meu estágio.

Assistente Social Cristhine Reis Medeiros, por quem tenho grande admiração, pelo exemplo de profissionalismo e de ser humano, e por acreditar sempre em meu potencial.

Ao SESC, que oportunizou a concretização do meu estágio. Aos adolescentes do "Projeto Crescer & Cia".

Aos funcionários do SESC, que participaram constantemente da minha prática, especialmente Ieda Maria Magri, por quem tenho muito carinho e admiração.

As acadêmicas de Serviço Social 2001, e as que ainda continuam nessa bela caminhada.

(6)

.SUMARIO

INTRODUÇÃO 01

CAPÍTULO I

1. IDENTIFICAÇÃO

DA

INSTITUIÇÃO:

SESC

1.1 Contextualização 03

1.2 0

SESC- Santa Catarina

05

1.3

Programas

e serviços

oferecidos

.07

CAPÍTULO II

2. DINÂMICA

DE GRUPO ENQUANTO INSTRUMENTO PRIMORDIAL DO

TRABALHO COM GRUPOS

2.1

Conceito de grupo

11

2.2

Aprendendo a trabalhar em grupo

13

2.3 Evolução e maturidade

de grupo

16

2.4 Tipos

de grupo

19

2.4.1

Grupo Operativo

19

2.4.2

Grupo de adolescentes

21

2.5

Técnicas grupais

24

2.6 Dinâmica

de Grupo

e

sua

abrangência 27

CAPÍTULO III

3. EXPERIÊNCIA

DA

PRATICA

DE

ESTAGIO

COM

0 GRUPO DE

ADOLESCENTES DO PROJETO CRESCER

&

CIA NO SESC

ESTRErTO

3.1 0 Serviço

Social

e o

trabalho com grupo no SESC

33

3.2 0

Grupo de Adolescentes Crescer

& Cia 34

3.2.1 0

processo

grupal 37

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(7)

INTRODUÇÃO

0 presente trabalho de conclusão de curso - TCC - "A Importância da Dinâmica de Grupo como instrumento primordial no trabalho com grupos: uma contribuição do grupo de adolescentes -"Crescer &Cia" do SESC, consiste em relatar a prática de estágio realizada no Serviço Social do Comércio, Centro de Atividades Estreito, no período de abril de 2000 à julho de 2001.

O interesse pelo tema surgiu durante o período de estágio, quando nos coube acompanhar e desenvolver atividades junto aos adolescentes inseridos no "Projeto Crescer & Cia", onde pode-se estreitar o contato com a importância da aplicação das técnicas grupais daqueles adolescentes durante a vivência grupal.

Para um maior conhecimento dessa importância utilizamos, além das atividades efetivas do Projeto, com reuniões semanais, trabalhos educativos, a aplicação da dinâmica de grupo, com o apoio de pesquisa bibliográfica e documental, a participação em um curso sobre teoria e prática da Dinâmica de Grupo, e a interpretação dos resultados das dinâmicas aplicadas junto ao grupo de adolescentes.

O objetivo desse trabalho foi analisar a importância da Dinâmica de Grupo corno instrumento interventivo primordial para o trabalho com Grupos, observando a operacionalização dos objetivos propostos pela instituição, e tendo em vista "propor" elaboração de trabalhos teóricos do Serviço Social sobre o assunto, ou a "chamar a

atenção"

do Serviço Social para a carência de materiais teóricos atuais sobre o tema e até mesmo para a sua devida atenção, como um instrumento da prática profissional.

Este trabalho foi organizado em três capítulos, o primeiro capitulo apresentará breve histórico da Instituição Serviço Social do Comércio - SESC, visando situar o campo de estágio do Serviço Social, bem como o "Projeto Crescer & Cia".

No segundo capitulo serão abordados alguns aspectos referentes a dinâmica de grupo, dando ênfase às concepções de grupos e técnicas.

(8)

Para finalizar, redigimos algumas considerações quanto a prática de estágio e os desafios e perspectivas do Serviço Social no trabalho com grupos, e do Projeto "Crescer & Cie no SESC.

(9)

CAPÍTULO

I

IDENTIFICAÇÃO

DA

INSTITUIÇÃO:

SERVIÇO

SOCIAL DO

COMÉRCIO

(SESC)

1.1 Contextualização

Em conseqüência do crescimento dos centros urbanos e do desenvolvimento do processo de industrialização no Brasil, no período que antecedeu o surgimento do SESC. os representantes das classes produtoras elaboraram a "Carta da Paz Social", fruto de um seminário realizado ern Teresópolis, Rio de Janeiro, ern maio de 1945, como forma de amenizar a relação entre o capital e o trabalho. Sendo que o resultado dessa "Carta -efetivou-se na criação do SESC, que tem a finalidade de planejar e executar medidas para colaborar com o bem estar e padrão de vida dos comerciários e de seus familiares.

0 SESC - Serviço Social do Comércio - foi criado em 13 de setembro de 1946, através do Decreto Lei n° 9.853, pelo então Presidente General Eurico Gaspar Dutra. por empresários do comercio e de organizações sindicais, sob o comando de João Daut d' Oliveira, em um período de mudanças no âmbito econômico, politico e social do pais.

Assim, este passou a representar uma solução politico-econômica para o problema de subdesenvolvimento do Pais, pois mesmo como uma entidade pública de Direito Privado e tendo coma prioridade atender aos comerciários e seus dependentes, o seu atendimento também se estendeu h comunidade em geral.

0 SESC configura-se num cenário sócio-econômico como uma entidade prestadora de serviço com caráter sócio-educativo, cuja atuação se dá no âmbito do bem-estar social, abrangendo as Areas

da

saúde, educação e lazer, visando a melhoria das condições de vida de sua clientela através de seu aprimoramento cultural e profissional, por meio da educação permanente.

(10)

Também procura assegurar melhores condições de vida aos trabalhadores do comércio e seus dependentes, e que, através das suas ações, estes possam alcançar um desenvolvimento econômico e social. E têm como objetivos específicos:

"Fortalecer através da ação educativa, propositiva e transformadora, a capacidade dos indivíduos para buscarem, eles mesmo, a melhoria de suas condições de vida: - Oferecer serviços que possam contribuir para o hem estar da sua clientela e

melhoria de sua qualidade de vida;

Contribuir para o aperfeiçoamento, enriquecimento e difusão da produção cultural" (SESC, 1997, p.08).

A sua política operacional corresponde ao modelo de composição jurídico-privada, organizada e administrada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que representa os empresários do comércio. Atualmente desenvolve programas de assistência. cultura, lazer, educação e saúde, compostos de sub-programas e atividades e/ou projetos.

A sua estrutura operacional está assim organizada: • Administração Nacional (NA)

Conselho Nacional (CN) — órgão deliberativo, Departamento Nacional (DN) — órgão executivo, e o Conselho Fiscal (CF) — órgão de fiscalização financeira.

• Administrações Regionais (ARs)

Conselho Regional (CR) — órgão deliberativo, Departamento Regional (DR) — órgão executivo.

A sede dessa instituição está localizada no Rio de Janeiro, e seus Departamentos Regionais espalham-se por todo o território brasileiro. Os programas desenvolvidos pelos Departamentos Regionais seguem as diretrizes da sede, entretanto cada unidade possui autonomia de realiza-los conforme sua realidade.

A Gestão Estratégica Criativa do SESC, prevista até 2004, analisa as ameaças

e

as oportunidades do ambiente externo (clientes) e os pontos fortes e fracos do ambiente interno (funcionários). Com base nestas informações o SESC, a partir de 1999, adotou esta gestão, onde definiu as atitudes que devem ser tomadas para superar as suas fraquezas e elevar a sua competitividade no mercado.

"Esse projeto engloba todas as áreas

e

recursos da empresa, desdobrado aos outros níveis em planos táticos (otimizam uma

área

da empresa) e planos operacionais (otimizam cada tarefa

ou

(11)

atividades). Por tanto, este processo implica em alavancar uma mudança organizacional que compromete a entidade como um todo. - (Freitas, 2000)

As etapas estabelecidas para a implantação da Gestão Estratégica são as seguintes; • Definição da Visão

• Definição da Missão

• Definição da Declaração dos Valores • Análise dos Grupos de Relação

• Análise do Ambiente Externo (clientes) • Análise do Ambiente Interno (funcionários) • Definição dos Objetivos e Metas

• Definição das Questões Estratégicas • Definição 'etas Estratégias

• Elaboração do Plano Estratégico de Ação do SESC / SC • Implantação e Avaliação do Plano Estratégico (SESC, 1999).

Então, para nortear as ações do SESC, foram definidas como

missão,

investir em ações de excelência nas áreas de saúde, cultura, educação e lazer, mantendo o caráter social e educativo para a melhoria da qualidade de vida, preferencialmente da família comercidria; e como visão, ser referência perante os empresários do comércio, como instituição social.

E assim, definiu como pauta das suas ações a seguinte declaração de valores, o respeito e a valorização ao ser humano; ética; estimulo à criatividade; ações inovadoras; comprometimento com o cliente; conscientização para a comunidade; transparência nas ações.

A adoção desse plano estratégico justifica-se por ser o SESC urna organização considerada aberta, que capta energia do meio, transformando-a e enviando-a ao meio sob a forma de informações, produtos e serviços, havendo assim, a necessidade de manter um continuo relacionamento com o seu ambiente externo (clientes).

1.2 0 SESC — Santa Catarina

(12)

implantadas outras unidades no Estado. A Administração Regional de Santa Catarina gerencia seus recursos humanos, materiais e equipamentos, constrói e mantém as instalações das Unidades Operacionais corn a contribuição recolhida pelos comerciantes (obrigados a recolher por lei suas contribuições sociais) de 1,5% sobre o valor da folha de pagamento de pessoal.

A área de atuação do SESC inclui Saúde, Cultura e Lazer, oferecendo uma gama de serviços que visam auxiliar o empregado do comércio, tanto em sua vida profissional quanto na particular.

Atualmente o Departamento Regional do SESC catarinense possui quinze Centros de Atividades, localizados em diversas regiões do Estado. Eles são citados abaixo por município e pela respectiva data de implantação:

- Florianópolis, o Centro de Atividades de Florianópolis — CAR criado em 1948. Blumenau, o Centro de Atividades de Blumenau — CABL, criado em 1961. - Raja., o Centro de Atividades de Raja — CAI, criado em 1962.

- Joinville, o Centro de Atividades Joinville — CAJ, criado em 1962. - Lages, o Centro de Atividades Lages — CALA, criado em 1963. - Estreito, o Centro de Atividades do Estreito — CAE, criado em 1964. - Laguna, o Centro de Atividades Laguna — CALU, criado em 1964.

Criciúma, o Centro de Atividades de Criciúma — CACR, criado em 1973. Tubarão, o Centro de Atividades Tubarão — CAT, criado em 1973. - Brusque, o Centro de Atividades de Brusque — CABR, criado em 1975. - Chapecó, o Centro de Atividades de Chapecó — CACH, criado em 1977. - Rio do Sul, o Centro de Atividades de Rio do Sul — CARS, criado em 1999. - Concórdia, o Centro de Atividades de Concórdia — CAC, criado em 1999. - Jaragud do Sul, o Centro de Atividades de Jaraguti — CAJS, criado em 1999. - Xanxerê, o Centro de Atividades de Xanxerés — CAXAN, criado em 1999.

0 SESC em Santa Catarina possui também duas Colônias de Férias, uma em Blumenau e outra em Cacupé - Florianópolis, o Restaurante do Comerciário, localizado junto ao Centro de Atividades de Florianópolis (CAF), e conta ainda com uma Pousada

Rural em Lages, recém inaugurada.

A estrutura organizacional do Centro de Atividades do Estreito (CAE), local onde foi desenvolvida a experiência de estágio, está assim organizada:

(13)

Gerência, que supervisiona e dirige, sob a orientação do Departamento Regional, os seguintes setores:

- Central de Atendimento; - Setor Administrativo; - Biblioteca;

Setor de Cultura; Setor de Grupos; - Setor de Cursos; - Setor de Esportes; - Setor de Educação; - Setor de Odontologia.

1.3 Programas e serviços oferecidos

Visto a gama de serviços oferecidos pelo SESC, sua finalidade e preocupação com a sua clientela, vários programas podem ser definidos com atividades semelhantes

a

nível

nacional,

assim descritos:

- na saúde, o programa educação

em

saúde desenvolve ações educativas, aliadas ao aprimoramento de técnicas e medidas preventivas, dentro da assistência médica. odontológica, refeições e lanches. As atividades são voltadas para a difusão de conhecimentos e para a criação de hábitos que contribuam para a conquista da saúde em seu sentido mais amplo, como um estado de bem-estar físico, mental e social, participando das grandes campanhas nacionais;

(14)

-

na

educação,

o SESC intensifica sua atuação no setor, com o incremento da educação infantil, da alfabetização de jovens e adultos, dos cursos supletivos, dos cursos de atuação de conhecimentos, da capacitação de professores e das mostras e exposições de divulgação cientifica e cultural. Além da educação infantil (pre-escola) desenvolve também o inovador "habilidades de estudo", freqüentado por alunos de escolas do ensino fundamental, no horário inverso ao da escola que cursam, para realizar as tarefas escolares e participar de atividades pedagógicas;

-

no

lazer.

conta com o desenvolvimento físico-esportivo, com a recreação e o turismo social, sendo que as colônias de férias, localizadas nas grandes cidades brasileiras, constituem-se na atividade de maior visibilidade da entidade, abrangendo uma série de atividades destinadas à recuperação física e psíquica de centenas de milhares de usuários, em todo o pais;

-

na

assistência,

conta com o projeto Ação comunitária que atua em conjunto com outras instituições, possibilitando a participação e a integração da comunidade; a Assistência especializada, que é um serviço oferecido nos eventos comunitários em parceria com as instituições afins; e o Trabalho com Grupos que tern como principal meta a valorização social

e

o crescimento integral dos participantes, independente da faixa etária. Sendo que neste último, possui o Programa de Terceira Idade que dentro dos três núcleos que o compõem, na Unidade Operacional do Estreito, estão designados:

Núcleo de Vivência: onde o objetivo geral é trabalhar as relações interpessoais. estimulando e valorizando a participação mais efetiva do idoso na sociedade. Encontram-se neste, os Grupos de Convivência (Amizade e Felicidade);

Núcleo

de

Motivação

à Vida: onde o objetivo geral é propiciar condições para que o idoso sinta-se atuante, valorizado o consciente do seu papel no contexto familiar e na sociedade, encontram-se: Projeto AtivaIdade (Atividade física), Grupos de Apoio e Liderança, e Projetos Especiais;

(15)

Núcleo de Estudos e Atualização: baseado em estudos, reflexões, debates

e

vivências com profissionais de diversas

áreas o

idoso interage de forma direta no processo de construção, encontra-se: GRUPATI- Grupos de Estudos

e

Atualização.

O trabalho com grupos possui ainda, dentro do Programa de Terceira Idade

,

o projeto Grupo de Vivências, voltado para a clientela jovem

e

adulta do SESC. onde através de vivências como

o

próprio nome já sugere, de experiências com

dinâmica

de grupo, possibilitam ao integrante um maior conhecimento do seu estilo pessoal

,

permitindo uma maior capacidade de auto direção,

e

na relação que gostaria de estabelecer com outras pessoas. Ressaltando que este projeto foi criado em conjunto, por urna técnica da Area de grupos

e

uma estagiária do

Serviço

Social no trabalho com grupos do CAE, sendo aprovado pelo Departamento Regional.

Será

colocado em prática a partir do mês de julho ainda deste ano de 2001 .

E o

Projeto Crescer & Cia„ criado pela Recreação do Departamento Regional, possui uma perspectiva sócio-educativa, busca uma conscientização

e

uma atuação

crítico-política

do adolescente na sociedade, através do estudo de urn tema determinado por uma

dinâmica

realizada no decorrer das etapas operacionais. 0 projeto

é

destinado a adolescentes, preferencialmente entre 13

e

16 anos,

e

tem a intenção de

através

de um circuito

sistemático,

multiplicar

e

engajar, no

mínimo o

dobro de adolescentes no programa, anualmente. A sua operacionalização

é

dividida em 6 etapas estipuladas pelo próprio projeto,considerando também , ser igual para todas as unidades em nível nacional, como veremos a seguir:

• Primeira etapa- formação dos grupos;

• Segunda etapa- reuniões com grupos, atividades de integração

e

captação de

recursos;

• Terceira etapa- pré-gincana, gincana

e

distribuição dos temas a serem estudados, 1' avaliação, relatório do projeto;

• Quarta etapa- estudos

e

estratégias de aprendizagem sobre

o

tema proposto sorteado;

• Quinta etapa- agendamento de escolas

e

comunidades, multiplicação dos conhecimentos

e

criação de um novo grupo;

(16)

Sendo que o grupo se encontra na quarta etapa-estudos e estratégias de aprendizagem sobre o tema Música, sorteado para a nossa unidade - Estreito e também para a unidade de Lages, na gincana.

Então, é através dessa experiência de estdgio vivenciada cOm esse grupo, que vamos procurar mostrar no decorrer deste trabalho, a importância da dinâmica de grupo enquanto instrumento primordial do Serviço Social no trabalho com grupos. Considerando que a dinâmica de grupo busca

a

valorização das experiências de cada um, permitindo laços de convivência e fraternidade, a formação de seres inteligentes com uma visão ampla da realidade natural e humana, contribuindo para a construção e consolidação das relações sociais baseadas na solidariedade, na integração, na democracia e no coletivismo dos indivíduos.

(17)

CAPÍTULO

II

DINÂMICA

DE GRUPO ENQUANTO INSTRUMENTO

PRIMORDIAL DO TRABALHO COM

GRUPOS

2.1- Conceito de grupo

Hoje vivemos em um mundo, em que a globalização, a evolução tecnológica, crise de valores

e

conceitos até

então

considerados "verdades", a retomada da essência como seres humanos corno parte integrante do meio-ambiente, entre outros fatores, nos leva a repensarmos

o

homem como ser essencialmente grupal. Neste sentido, torna-se urgente que se criem espaços para que a pessoa possa buscar ultrapassar as formas de relacionamento marcadas pela mascara, pelos mecanismos inconscientes, pela agressividade, pela complicação

e

pela dominação.

E

isto só

poderá

acontecer através da auto-percepção

e

da percepção do outro, através da vivência grupal, num clima de liberdade, de aceitação, de

diálogo,

de encontro, de comunicação, de

comunhão.

Visando atingir esses objetivos

é

que a técnica

dinâmica

de grupo entra como instrumento primordial no trabalho com grupos. Porém antes de abordarmos esta questão, que

é

objeto de nosso estudo, faz-se necessário entender alguns conceitos de grupo, seu processo

e

assim ter claro

o

sentido da

dinâmica

de grupo.

0 ser humano

é

gregário por natureza

e

somente existe, ou subsiste, em

função

de seus inter-relacionamentos grupais. Sempre, desde

o

nascimento, o

indivíduo

participa de diferentes grupos, numa constante dialética entre a busca de sua identidade individual

e

a necessidade de uma identidade grupal

e

social. Um conjunto de pessoas constitui uni grupo, um conjunto de grupos constitui urna comunidade

e

um conjunto interativo das comunidades configura uma sociedade.

(18)

valores, capacidades, mecanismos defensivos e, sobretudo, necessidades básicas, corno a dependência

e

a de ser reconhecido pelos outros, com os quais ele é compelido a conviver. Assim, como

o

mundo interior

e o

exterior são a continuidade um do outro, da mesma forma

o

individual

e o

social não existem separadamente, pelo

contrário,

eles se diluem, interpenetram

,

complementam

e

confundem entre si." (Zimerman

e

Osório, 2000, p.27)

Grupo, segundo Carvalho (1965),

é

a

família, o

escritório,

o

grupo terapêutico. o corpo de baile, a paróquia, os

funcionários

de urna

corporação,

os integrantes de urna instituição,

o

sindicato, a torcida de um time, a população de uma cidade,

o

proletariado, a nação, os judeus, os ocidentais, os brancos...

Segundo Minicucci (1992), grupo

é

um conjunto de pessoas que: a) são interdependentes na tentativa de relação de objetivos comuns; h) visam a um relacionamento interpessoal satisfatório.

No livro de Zimerman

e

Osório , Corno trabalhamos corn grupos (2000), caracteriza-se como um grupo propriamente dito:

• Um grupo não

é

um mero somatório de

indivíduos;

pelo contrário, ele se constitui como nova entidade, com leis

e

mecanismos próprios

e específicos;

• Todos os integrantes do grupo

estão

reunidos, face a face, em torno de uma tarefa

e

de um objetivo comuns ao interesse deles:

• 0 tamanho de um grupo não pode exceder

o

limite que ponha em risco a indispensável preservação da comunicação, tanto a visual como a auditiva

e

a conceitual;

• Deve haver a instituição de um enquadre (setting)

e o

cumprimento das combinações nele feitas. Assim, além de ter os objetivos claramente definidos,

o

grupo deve levar em conta a preservação de

espaço

(os dias

e o

local das reuniões), de tempo

(horários,

tempo de duração das

reuniões,

plano de férias, etc.),

e

a combinação de algumas regras

e

outras variáveis que delimitem

e

normatizem a atividade grupal proposta;

• 0 grupo é uma unidade que se comporta como uma totalidade,

e

vice-versa

,

de modo que, tão importante quanto

o

fato de ele se organizar a serviço de seus membros,

é

também a reciproca disso. Cabe uma analogia com a relação que existe entre as peças separadas de um

quebra-cabeças e

deste com

o

todo a ser armado;

(19)

• Apesar de um grupo se constituir como uma nova entidade, corn uma identidade grupal própria e genuína, é também indispensável que fiquem claramente preservadas, separadamente, as identidades especificas de cada um dos indivíduos componentes do grupo;

• Em todo grupo coexistem duas forças contraditórias permanentemente em jogo: uma tendente à sua coesão, e a outra, a sua desintegração;

• A dinâmica grupal de qualquer grupo se processa em dois planos, tal como nos ensinou Bion: um é o da intencionalidade consciente (grupo de trabalho). e o outro é o da interferência de fatores inconscientes ( grupo de supostos básicos).

claro que, na prática, esses dois pianos não são rigidamente estanques, pelo contrário, costuma haver uma certa flutuação e superposição entre eles;

• E. inerente à conceituação de grupo a existência entre os seus membros de alguma forma de interação afetiva, a qual costuma assumir as mais variadas múltiplas formas;

• Nos grupos sempre vai existir uma hierárquica distribuição de posições e

de

papéis, de distintas modalidades;

• É inevitável a formação de um campo grupal dinâmico, em que gravitam fantasias, ansiedades, mecanismos defensivos, funções, fenômenos resistenciais e transferenciais, etc., além de alguns outros fenômenos que são próprios e específicos dos grupos.

2.2 Aprendendo a trabalhar em grupo

Toda reformulação de comportamento grupal, de acordo com Minicucci (1992), é uma mudança na pessoa. Por isso, quando se fala em aprender a trabalhar em grupo, fala-se em educação, isto é "educação não significa ensinar as pessoas a saberem o que não sabem... significa ensiná-las a procederem como elas não procedem...".

(20)

valores,

princípios,

atitudes, sentimentos

e

comportamentos concretos. 0

indivíduo

tem de experimentar, explorar, tentar errar, aprender, até que se comporte adequadamente,

e

para atingir esse desenvolvimento, conta com a colaboração dos outros.

Os chamados problemas de relações humanas, segundo Miles, não são apenas provocados pelo comportamento de outras pessoas, mais que as ações de um indivíduo constituem também parte da

situação

do problema, sendo que talvez seja seu próprio desempenho que esteja causando distorções.

No processo de aprendizagem do trabalho de grupo, Miles (1962) estabeleceu etapas em fases

cíclicas.

Nesse modelo de desenvolvimento, acredita que

o

crescimento do

indivíduo

não representa uma progressão metódica, mas um processo vivo

e

pessoal, que varia de

indivíduo

para

indivíduo.

Ao passar por diferentes aprendizagens, a pessoa vai equacionando problemas, propondo soluções, criando alternativas e,

o

que

é

mais importante, vai reformulando seu comportamento em relação ao grupo.

As etapas de desenvolvimento propostas por Miles foram as seguintes:

• A insatisfação gera um problema

Quando os membros do grupo

estão

insatisfeitos com suas atitudes, com

o

comportamento de seus participantes, com as dificuldades de relacionamento.

então o

grupo

estará

preparado para a aprendizagem. Os desejos de reformulação do comportamento devem partir da própria pessoa

e

não vir de fora. 0 grupo deve criar condições ao

indivíduo

para que as tensões, a insegurança, as dificuldades, as insatisfações que possa sentir sejam

diluídas

num clima de aceitação, de ausência de

ameaças e

de punições.

• Escolha de novos comportamentos

Depois do tensionamento causado pela insatisfação,

o indivíduo

tem necessidade de conhecer

e

de experimentar novos comportamentos, de ensaiar novas atitudes. Entra na fase de pensar criativamente, de encontrar diferentes alternativas para

o

problema. Várias são as soluções alternativas que se

apresentam para que se possa resolver um problema. Dentre elas, basta escolher a mais adequada

e

válida. 0 grupo enriquece

o

trabalho de escolha de novos comportamentos em virtude de múltiplas fontes de soluções alternativas.

(21)

• Prática de novos comportamentos

Criado o tensionamento da insatisfação e o desejo de participar do aprendizado em grupo, é acionado o elenco de escolha de novos comportamentos. Diversas técnicas são utilizadas nessa etapa de desenvolvimento, como demonstração experimental, análise e estudo de casos, inversão de papéis, psicodrama, role-plaing, dramatização. E assim, é criado um clima de compreensão e de aceitação que pode levar à. reformulação de comportamento no grupo, bem como extrapolar os novos comportamentos adquiridos para o grupo de trabalho.

• A obtenção de indícios dos resultados

0 que limita o exercício de nossas atividades no grupo é que não conseguimos apreciações sinceras do impacto que causamos. Isso dificulta a elaboração de insights e a reformulação de comportamentos. A utilização de feedback realimenta nossos comportamentos e atitudes e leva-nos a pensar sobre o que realizamos. Acredita-se que um aspecto altamente positivo, reside em processos sistemáticos de feedback, como a avaliação ao término das reuniões, a análise das atividades de grupo e o emprego de observadores de grupo que transmitem as análises realizadas.

• Generalização, aplicação e integração

Sabe-se agora o que funciona e o que não funciona no grupo; passa-se então a utilizar e a aplicar os conhecimentos que auferiram no grupo. Somente quando o indivíduo consegue interiorizar a seu comportamento às experiências do grupo, numa integração de sua personalidade, é que se pode dizer que os resultados da aprendizagem foram válidos.

• Novas insatisfações, novos problemas

(22)

2.3 Evolução e maturidade de grupo

Aqui, tendo sido primeiramente discriminado pelo dirigente o tipo de grupo e os indivíduos do grupo chegando na fase em que aprendeu a aprender, como vimos na fase anterior, é que começa a segunda etapa em busca da maturidade grupal.

Então, ao estudar as necessidades que levam o indivíduo a participar de um grupo, verificamos que ele se relaciona com os fins explícitos do grupo, que também lhe atendem As necessidades acessórias e especificas. 0 dirigente deve estar ciente dos motivos (declarados ou não declarados) que levam o indivíduo a participar de urn grupo. 0 grau em que o indivíduo se entrega As atividades de um grupo é diretamente proporcional A atmosfera social e psíquica com o que o grupo o acolhe. No indivíduo participante e centrado no grupo, a busca de maturidade, o dirigente deve compreender a estrutura da personalidade dos elementos que compõem o grupo, tem de conhecer as causas que determinam um tipo de comportamento e predizer corno podem reagir os indivíduos As distintas classes de estimulação social. De acordo com Haiman (1965), os comportamentos mais comuns, em situações sociais de grupo, que merecem destaque , são:

a) Compensação

Quando uma pessoa se sente inferiorizada numa situação ou se lhe nega a satisfação de uma necessidade, ela procura compensar essas deficiências corn um comportamento denominado compensatório.

b) Retraimento

As vezes, por questões de frustração, o indivíduo se isola e procura evitar as pessoas e as situações que se lhe apresentam. Fundamentalmente, seu comportamento nasce do medo, medo de que suas idéias não sejam aceitas.

c) Racionalização

Este é um dos processos de que o indivíduo lança mão no grupo. Da uma explicação razoavelmente aceitável de sua conduta ou atitude, com o fim de esconder de si mesmo e dos demais a verdadeira razão, que lhe parece indigna ou indesejável.

(23)

d) Conduta agressiva

A conduta agressiva adquire manifestações diversas dentro de um grupo, por exemplo:

- critica maliciosa;

- explosão de agressão verbal; - comentários crônicos; - negativismo habitual;

ser contrário a tudo que se faça ou se discuta em grupo.

e) Verborragia

Nos grupos, há sempre aquele elemento que fala demais, que praticamente arrebata todo o tempo disponível para suas exposições. que afinal não passam de mero palavrório. Não dá aos outros a oportunidade de falar, inibindo os mais retraídos com sua torrente de palavras.

f) Perseveracão

Há elementos no grupo que apresentam o que se chama viscosidade. " Grudam -em certas idéias ou pensamentos e não se desprendem deles. Por essa razão, entravam o desenvolvimento do grupo. Quando um assunto já foi discutido, voltam novamente a abordá-lo, insistindo para que seja reconsiderado.

g) Obsessividade

o elemento que se preocupa e se angustia com detalhes de menos importância para o grupo, como horário rígido para as reuniões, posição dos componentes, técnicas de funcionamento. Sua escrupulosidade irrita o grupo.

h) Viscosidade

(24)

i) Idealização

Esta forma de ajustamento ao grupo está relacionada com a identificação. É o ajustamento a sentimentos tais corno a própria insuficiência, mediante a superestimação de si mesmo, o exagero de suas aptidões, de suas aquisições e de sua importância.

Podemos perceber aqui, baseados nas pesquisas realizadas por Haiman (1965), com referência â evolução e à maturidade de um grupo que, o processo de desenvolvimento de um grupo assemelha-se ao de um indivíduo. Na infância, o grupo se comporta como um recém-nascido, e suas atitudes são torpes e mal coordenadas. Está muito ligado ao

dirigente ou líder.

Ao passar à adolescência, os membros do grupo lutam corn os conflitos de dependência e de contradependência por que passam os jovens. Começam a fazer as coisas por si mesmos e trabalham com eficiência, muito embora não saibam trabalhar sem crises emocionais. Haiman propõe 20 critérios. em forma de questões, que possibilitam avaliar o grau de maturidade que se encontram os grupos, são eles:

1. Tem o grupo um claro entendimento dos fins e metas que deseja atingir?

2. Caminha progredindo, para alcançar seus objetivos, com um máximo de eficácia e um minima de esforço

3. É capaz de ver e planejar o futuro?

4. Conseguiu um alto grau de intercomunicação eficaz?

5. É capaz de iniciar a seguir urn raciocínio lógico dos problemas, dando a eles urna solução eficaz?

6. Conseguiu um equilibria adequado entre os métodos estabelecidos de trabalho de equipe e disposição de mudar os padrões de procedimento?

7. É objetivo a respeito de seu próprio funcionamento? Pode enfrentar seus problemas processo-emocionais e fazer de forma inteligente as modificações que se requerem?

8. Mantém um equilibria apropriado entre a produtividade do grupo (funções do sociogrupo) e a satisfação das necessidades pessoais (funções do psicogrupo) ? 9. Tem o grupo dispostas a distribuição e a participação nas responsabilidades pela

direção?

10. Consegue um equih'brio adequado entre a orientação e o conteúdo, e a orientação e o processo de desenvolvimento?

(25)

11. Tem um alto grau de coesão e de solidariedade, mas sem atingir o ponto de ser exclusivo e sem afogar a individualidade de seus elementos?

12. Faz uso inteligente das diferentes capacidades de seus membros?

13. Enfrenta a realidade e trabalha de acordo com os fatos, não com a fantasia? 14. Cria urna atmosfera de liberdade psicológica para a expressão de todos os

sentimentos e pontos de vista?

15. Não está excessivamente dominado por seu dirigente, nem por qualquer de seus membros?

16. Conseguiu um perfeito e sadio equilíbrio entre a colaboração e a competência, da parte de seus membros?

17. Mantém um bom equilíbrio entre o emocional e o racional?

18. Pode mudar facilmente, e adaptar-se às necessidades de diferentes situações? 19. Reconhece que os meios são inseparáveis dos fins?

20. Reconhece as excelências e as limitações dos procedimentos democráticos? Se a média das respostas foram:

de 17 a 20 respostas afirmativas: grupo muito maduro; de 14 a 16 respostas afirmativas: grupo maduro; de 10 a 13 respostas afirmativas: grupo adolescente;

menos de 10 respostas afirmativas: seu grupo ainda é criança.

2.4 Tipos de grupo

2.4.1 Grupo operativo

(26)

principal do grupo, a camada das pessoas que 0 compõem, o esquema referencial teórico adotado e o procedimento técnico empregado, também sera diferente.

E seguindo a mesma linha de visão desses autores, com o amplo leque de aplicações da dinâmica grupal, a vasta possibilidade de fazer arranjos combinatórios criativos entre os seus recursos técnicos e táticos, e uma certa confusão semântica na area da grupalidade, podem gerar uma confusão conceitual, inclusive com um prejuízo na comunicação relativa ao necessário intercâmbio de experiências e idéias entre os diferentes profissionais.

Assim, a necessidade de urna classificação das distintas e múltiplas modalidades de grupos se faz aqui necessária, considerando que durante esse período de estudos e pesquisas para a elaboração deste trabalho, não foram encontradas nenhuma classificação mais abrangente e que fosse de utilização consensual. A classificação que aqui está sendo descrita, portanto, se fundamenta no critério das finalidades a que se destina o grupo que foi estudado.

"0 grupo operativo é um instrumento de trabalho, urn método de investigação e cumpre, além disso, uma função terapêutica." (Pichon Rivière)

todo grupo que tiver uma tarefa a realizar e que puder, através desse trabalho operativo, esclarecer suas dificuldades individuais, romper com os estereótipos e possibilitar a identificação dos obstáculos que impedem o desenvolvimento do indivíduo.

A técnica operativa caracteriza-se por estar centralizada na tarefa; dessa forma. privilegia a tarefa grupal, ao sucesso de seus objetivos. E é essencialmente aplicada a um grupo centralizado na aprendizagem. Justifica-se aqui, a classificação dada ao grupo Crescer

& cia

como sendo um grupo operativo, já que possui uma perspectiva educativa, na busca de urna conscientização e atuação critico-política na sociedade, através do estudo da música e de algumas tarefas realizadas para este objetivo.

"0 grupo operativo é o primeiro elemento de uma abordagem do cotidiano. Nele (o grupo operativo), tendem a reproduzir-se as relações cotidianas, os vínculos que põe em jogo modelos internos. O enquadramento ou a técnica operativa do grupo facilitam - pela confrontação desses modelos internos com uma nova situação de interação, bem como com a análise das condições

que

a produziram - a compreensão das pautas sociais internalizadas que geram e

(27)

organizam as formas observáveis de interação." (Minicucci, 1997. p.166)

2.4.2 Grupo de adolescentes

Assim, como se fez necessário a classificação do grupo Crescer & cia como um grupo operativo, acreditamos ser também necessária a classificação do mesmo, como o de um grupo de adolescentes. E através do estudo de René Fau (1962), sobre a existência de grupos de crianças e de adolescentes, podemos perceber dois aspectos diversos, embora ligados entre si:

• Aspecto psicológico, referente a sua formação, causas do nascimento, modalidades, evolução e dinamismo.

• Aspecto prático, ao mesmo tempo médico, pedagógico e social, vale dizer, a utilização do grupo tendo em vista sua interferência na formação da personalidade da criança normal e na reparação das tendências da criança patológica.

Pela tendência grupal manifestada pelos adolescentes, o grupo é a matriz dinâmica onde melhor podemos acompanhar e entender a expressão de seus conflitos, propiciando sua "resolução" dentro e pelo próprio grupo.

de suma importância considerar as notáveis diferenças entre um adolescente de treze anos e outro de dezoito, tanto quanto ao grau de amadurecimento e autonomia do ego, quanto As exigências do ambiente sócio-familiar, considerando também o nível de escolaridade e certa homogeneidade quanto aos interesses sócio-culturais. Com essa visão Osório e Zimermman (1997) dividiram os adolescentes em três subgrupos: os púberes (ou escolares do 1° grau), cuja idade oscila dos treze aos quinze anos, em média: os adolescentes intermediários (ou escolares de 2'grau), de dezesseis a dezoito anos aproximadamente e os adolescentes tardios (ou universitários e / ou profissionais), dos dezenove anos ern diante.

(28)

envergonha de brincar, por exemplo, animam-se a expor seus "aspectos infantis" que, justamente ao contrário do que supõem, enquanto não tiverem livre acesso à consciência e

puderem ser aceitos como parte indissociável de suas experiências de vida, comprometem seu processo de amadurecimento.

É durante a procura de sua autonomia interior que o adolescente experimenta a necessidade imperiosa de apegar-se a um grupo, por isso, para Aberaustury (1998). as mudanças psicológicas que se produzem neste período, que são correlação de mudanças corporais, levam este a uma nova forma de relacionar-se com os pais e corn a sociedade. Quando o adolescente inclui-se no mundo adulto, um corpo maduro, a imagem que tem de si muda também sua identidade, precisando então adquirir ideologia que permitia-lhe adaptar-se ao mundo e/ou agir sobre ele para mudá-lo. E é neste sentido que esta autora conceitua adolescência como sendo:

"...um período de contradições, confuso, ambivalente, doloroso. caracterizado pôr fricções com o meio familiar e social... Só quando sua maturidade efetiva e intelectual, que lhe possibilite a entrada no mundo adulto, estará munido de um sistema de valores, de uma ideologia que confronta com a de seu meio e onde rejeição a determinadas situações cumpre-se numa critica construtiva. Confronta suas teorias políticas e sociais e se posiciona, defendendo um ideal. Sua idéia de reforma do mundo se traduz em ação...- (Aberaustury,1988,p.13-15)

A tese proposta por Fau (1962), de que o grupo presta um auxilio transitório ao adolescente, pois, enquanto na criança a adaptação ao chamado grupo escolar (de escola) responde a uma necessidade de desenvolvimento intelectual e estrutural, e representa por isso uma aquisição definitiva na formação da personalidade, no adolescente, a adaptação ao grupo representa apenas um socorro transitório, prestado ao indivíduo durante a crise que atravessa.

0 adolescente pede ao grupo que o ajude a conquistar sua autonomia, mas abandona este apoio assim que consegue seus intentos, pois a noção de autonomia e a noção de grupo são contraditórias. Assim, para o adolescente, o grupo 6, sob todos os aspectos, a expressão de urna crise. Sendo a expressão de uma crise, o grupo de adolescentes tem existência efêmera; seu mecanismo é complexo, seu dinamismo e sua coesão se acham incessantemente ameaçados.

(29)

na adolescência que desabrocha o caráter de liderança e, na maioria dos casos, os lideres escolares continuam sendo os chefes do grupo adolescente. Suas qualidades intrínsecas persistem através da idade, das mudanças de classe, de ambiente. As modalidades, de acordo com Fau (1962), como veremos a seguir são:

1) Adolescente adaptado

0 chefe de grupos de adolescentes pode ser, e na maioria das vezes o 6, mau aluno ou mau aprendiz, isto porque o grupo de adolescentes, por mais bem-adaptado que seja, está sempre carregado de oposição.

Dai resulta que o grupo normal de adolescentes 6 mais socializador para os membros do que para o próprio líder. Com efeito, este Ultimo está sujeito a continuar para sempre adolescente, e isto é comum entre chefes de movimentos juvenis.

2) Adolescente inadaptado

Torna-se chefe do chamado grupo delinqUente , o litter é pseudo-perverso, neurótico ou impulsivo. Seu dinamismo exige que faça parte de um grupo normal, ativo e eficaz, mas sua inadaptação básica não lhe permite tal coisa.

Analisando o adolescente como homem social, BUrhler verificou que, enquanto para a criança a família é a comunidade social natural, à qual se incorpora e que, As vezes, a absorve, para o adolescente é o contrário, pois que começa a distanciar-se e a subtrair-se dela.

Procura efetivar seu individualismo, e para isso, irá em busca de grupos que se fundamentem sobre bases mais objetivas, que sirvam a fins determinados, que sustentem e cultivem determinadas convicções e que possam dar a sua vida intima liberdade de manifestar-se ou de ocultar-se.

(30)

crescimento sugere a direção do desenvolvimento e os problemas de controle interpessoal que tanto os adolescentes como as crianças devem enfrentar.

2.5 Técnicas grupais

As técnicas grupais, segundo Minicucci (1997), que se têm desenvolvido nos últimos anos está marcada por um superpovoamento extensivo, numa pluridimensionalidade que parece não querer deixar espaços vazios. E de acordo com a sua teoria, essa variedade de grupos distribuem-se em operativos, tarefa, psicanalíticos, entre outros.

O uso das dinâmicas nos processos alternativos de educação em grupos visa proporcionar momentos que possibilitem ao grupo vivenciar situações inovadoras em todos os níveis. Ao confrontar comportamentos, hábitos, valores e conhecimentos, espera-se que os participantes sei am levados a uma avaliação e reelaboração individual evolutiva, podendo assim potencializar o grupo no aprimoramento da subjetividade e no próprio processo de educação e construção do conhecimento e da prática social.

Buscando assim potencializar todas as faculdades humanas, ativando o homem para atuar nas esferas da vida social, não só intelectualmente (razão) mas também para o prazer, criação, o afeto como produto da história de sua vida e de seu imaginário como ser humano singular e coletivo.

A dimensão grupal enquanto espaço de interações sociais é um campo fértil para o desenvolvimento de experiências educativas. Neste sentido, a vivência, o jogo, o lúdico, viabilizados através de dinâmicas de grupos possibilitam o surgimento das condições propicias para a constituição do grupo.

As dinâmicas devem ser aplicadas com as suas regras e objetivos bastante claros, para eliminar a sensação de insegurança do tipo "O que será que vai acontecer? - . Deve-se também, respeitar a vontade dos participantes de participar ou não da atividade proposta. t, necessário sensibilidade para perceber os momentos do grupo, mas sempre podemos usar o termômetro da nossa inserção para sentir o ritmo, o equilíbrio e a tensão do grupo.

Sendo assim, tomamos como base a classificação de dinâmicas proposta por Yozo (1998), correlacionada à luz da teoria da Matriz de identidade, de Moreno(1975), como

(31)

"fio condutor" para o desenvolvimento do trabalho corn o grupo

Crescer

& cia. apresentada a seguir como fases:

"1.

Identidade do Eu

Correlacionados à primeira fase da Matriz de identidade (Eu-Eu), ou seja, são dinâmicas de Apresentação, de Aquecimento, de Relaxamento e Interiorização, e de Sensibilização. Podemos ainda classificar os jogos em que há a interação do indivíduo com o meio (pesquisa de espaço, ambiente, aguçando suas percepções; tátil, auditiva, visual, olfativa e gustativa).

Nesta fase, as dinâmicas têm por características o desenvolvimento da sensação e principio de percepção. É o momento do Eu-Comigo, garantindo ao indivíduo a descoberta de si mesmo. Desta forma, restringe-se a dinâmicas em que não há contato físico entre os participantes. Neste tipo promove-se também 11111

principio de integração entre os elementos, a fim de desenvolver reconhecimento grupal.

2. Reconhecimento

do Eu

A referência desta classificação abrange a segunda fase da Matriz (Eu-Tu). Silo dinâmicas de interação com o outro, podendo ser individual ou em duplas, utilizando-se de objetos intermediários ou não.

E. o momento do Eu e o Outro, o principio da descoberta do outro. Suas características envolvem a sensopercepção e principio de comunicação, sendo esta última característica melhor avaliada na terceira fase.

As dinâmicas desta fase são classificadas como: Dinâmicas de Percepção de Si Mesmo, Percepção do Outro/Espelho e Pré-Inversão. Geralmente apresenta pouco cantata físico ou nenhum, uma vez que é o momento em que o indivíduo percebe-se através do outro (Espelho).

3. Reconhecimento do Tu

(32)

indivíduo. Além disso, pode-se construir personagens, avaliando

a

qualidade dramática,

a

espontaneidade e

a

criatividade na construção e desempenho

de

papéis.

Ainda ligados

à

terceira fase da Matriz, consideramos dinâmicas que apresentam características

de

comunicação e integração (Eu-Ele x Eu-Nós), é o momento

do

Eu com Todos.

Aplica-se tanto para

a

preparação como para

a

configuração da integração entre os participantes.

Os

tipos

de

dinâmicas que fazem parte desta fase são denominadas

de

dinâmicas com Personagens ou Papéis, Inversão

de

Papéis e

as

de

Identidade Grupal

I

Encontro." (Yozo, 1998 p.29-30)

E também para preparação

de

uma atividade com o uso

de

dinâmicas, alguns princípios devem ser levados em conta:

• Quais são

as

características

do

grupo: número

de

participantes, faixa etdria, sexo, nível

de

integração;

• As

condições operacionais: carga horária disponível, espaço fisico, equipamentos e materiais

de

que pode dispor e outros;

• Ter

consciência

do

conteúdo da atividade, ou seja, o eixo temático que

se

pretende desenvolver,

as

etapas que vão percorrer nesse desenvolvimento, os objetivos existentes para cada uma delas;

• É fundamental

que o coordenador já tenha vivenciado ou mesmo vivencie

as

dinâmicas

antes de

aplicá-las.

A

insegurança e comandos confusos geram dinâmicas confusas;

• Após

a

aplicação

de

cada dinâmica, é preciso

tempo

para que os participantes socializem

as

emoções, sentimentos, dificuldades e descobertas. Não cabe o coordenador expressar nenhum juizo

de valor;

• As

dinâmicas só devem ser usadas quando houver uma proposta, uma concepção

de

educação que acredite na produção

do

conhecimento corno um processo

lento

e gradativo alcançado pela vivência.

Um

processo que busque

um

mundo

de

relações mais solidárias, uma sociedade

de

experiências autênticas e alternativas;

• Ao coordenador cabe ainda o papel

de

acompanhar

a

realização da dinâmica. explicá-la e propiciar o momento

de

reflexão

do

grupo auxiliando na

sistematização dessa vivência.

(33)

Deve-se considerar na estrutura do planejamento três momentos específicos:

• Introdução - momento para a apresentação, motivação e integração. aconselhável que sejam utilizadas dinâmicas rápidas, de curta duração.

• Desenvolvimento - quando será proposto o tema / conteúdo principal da atividade. Devem ser utilizadas dinâmicas que facilitem a reflexão e o aprofundamento; são, geralmente, mais demoradas.

• Conclusão - o momento da síntese final, dos encaminhamentos, da avaliação. Estas dinâmicas permitem atitudes avaliativas e de encaminhamento.

Cabe aqui, ainda ressaltar que esses principias para preparação de uma atividade e os três momentos na estrutura do planejamento, foram também utilizados na experiência da prática de estágio, relatada nesta monografia.

Enfim, as dinâmicas são um meio utilizado para que os grupos ampliem seu conhecimento pessoal; facilitem o relacionamento; expressem sentimentos; confrontem idéias; incentivem a comunicação não verbal; busquem o consenso; solucionem conflitos; caracterizem os tipos de lideranças; explorem a riqueza de expressão grupal; despertem o sentimento de solidariedade; de confiança mútua, o descobrimento do outro, etc.

2.6 Dinâmica de Grupo e sua abrangência

0 estudos pioneiros de Kurt Lewin e de seus discípulos, sobre campo, praticamente marcaram o aparecimento da dinâmica de grupo. A partir de seus estudos, especialistas em dinâmicas de grupo vêm empregando grande variedade de métodos de pesquisa.

"Essencialmente, quatro profissões marcaram papel importante no desenvolvimento da dinâmica de grupo: serviço social, psicoterapia de grupo, educação e administração. Sendo que o Serviço Social foi uma das primeiras profissões a reconhecer a importância da orientação em grupo, de forma que seus participantes pudessem obter as modificações pretendidas." (Osório, 2000).

(34)

• â ideologia política, que acentua a importância da liderança democrática. a participação dos membros de urn grupo nas decisões e na solução de problemas; • ao conjunto de técnicas, tais como desempenho de papéis, discussão, interação,

estudo e prática de técnicas de trabalho com grupo;

• ao campo de pesquisa, destinado a obter conhecimento a respeito da natureza dos grupos, das leis que regem seu desenvolvimento e de suas relações e inter- relações corn os indivíduos, em outros grupos e com a sociedade em geral. Onde durante esse processo de estudo, consideramos ser a dinâmica de grupo, um conjunto dessas fits interpretações. Pois, não apenas os grupos constituem objeto de estudo da dinâmica de grupo, mas principalmente a dinâmica da vida coletiva, os fenômenos e os princípios que regem seu processo de desenvolvimento.

"Em sentido amplo, a expressão dinâmica de grupo não limita seu significado apenas ao campo de investigação dirigida no sentido de progredir no conhecimento da vida do grupo; também se refere a uma série de premissas valorativas, a uma série de objetivos de educação e a um conjunto de procedimentos mediante os quais possa ser mantida a ordem no grupo, para a obtenção do sucesso desses objetivos." (Banny e Johnson, 1975)

Através de um resgate teórico nas obras sobre trabalho com grupos de Zimerman e Osório (1997), Osório (2000) e Minicucci (1992), podemos colocar entre as principais teorias que desenvolveram o estudo da dinâmica de grupo:

• Teoria de campo -

criada por Kurt Lewin, propõe que o comportamento é o produto de um campo de determinantes interdependentes, conhecido como espaço de vida.

0 campo social, segundo Lewin, é formado pelo grupo e por seu ambiente. Assim como o indivíduo e seu ambiente formam um campo psicológico, o grupo e seu ambiente formam um campo social. Esta representação do grupo como um campo social é um instrumento indispensável para a análise da vida do grupo.

"A percepção do espaço social e a pesquisa experimental e conceitual de dinâmica e de leis dos processos no espaço social são de importância fundamental, teórica e prática." (Garcia Roza,

1972).

(35)

• Teoria

de interação - desenvolvida por Bales, Homans, Whyte, concebe o grupo corno um sistema de indivíduos que interagem entre si.

"O sistema social segundo Homans, se estabelece como caráter e estado e relações entre interação, atividade e sentimento, em meio a. um agrupamento de duas ou mais pessoas que se identificam corno ulna unidade - grupo de trabalho, turma, família." (Minicucci,I992, p.59)

"A análise do processo de interação

(API)

no grupo, proposta por Bales, destina-se a satisfazer as exigências de uma boa técnica de observação do desempenho e um grupo, interacionando. E também propicia as comparações entre grupos satisfeitos e insatisfeitos. As análises dos perfis de todos os grupos podem servir de base tanto para retratar o equilíbrio entre tipos de atos comunicativos, que caracterizam os grupos de solução de problemas, como para localizar perturbações no grupo." (Osório e Zimerman, 2000)

• Teoria

de sistema

- apresentada por Newcomb, Miller, Stogdill. acentua que o grupo é um sistema de interação, de comunicação, de encadeamento de posições e de papéis, e principalmente de vários tipos de entrada (imput) e de saída (output) do sistema.

• Teoria

sociométrica - criada por Moreno, estuda essencialmente as escolhas interpessoais que ligam o grupo as pessoas.

"A sociometria relata o feixe de interações e de comunicações de todas as pessoas com as quais o indivíduo se relaciona e mostra objetivamente a dinâmica do grupo no qual está inserido. - (Minicucci, 1992, p. 73).

• Teoria

psicanfilitica-idealizada por Freud, estuda os processos motivadores e defensores do indivíduo na vida grupal. Tern sido trabalhada por Bion, Thelen, Stock, Berne e todos os pesquisadores da terapia de grupo.

(36)

influir no desempenho e seu comportamento. Dedicaram-se a esse estudo Piaget, Heidar, Krech e Crutchfield.

• Orientação empírica e estatística - seguidores dessa teoria acreditam que os conceitos de dinâmica de grupo devem ser descobertos por processos estatísticos e não constituídos de antemão por um teórico. Nessa linha estão Cattell, Meyer, Hemphill, entre outros.

• Mode

los

formais

- de orientação acentuadamente matemática, seus pesquisadores lidam corn rigor formal em apenas alguns aspectos do processo de um grupo.

Um dos estudos mais completos sobre o movimento contemporâneo da dindmica de

grupo

é de um dos discípulos de Pichon-Revière, Gregório Baremblitt (1974), onde diz que:

a. Considerando-se campo da vida social de onde se origina e onde é

predominantemente praticada, a dinâmica grupal dispõe de três áreas principais de geração e ação. A saber: a medicina (na qual as técnicas grupais são empregadas corn finalidades psicoprofiláticas e psicoterapêuticas), a pedagogia (procedimentos grupais de ensino) e a sociologia (psicossociologia dos pequenos grupos na indústria e no comércio, na comunidade vicinal e étnica etc.).

b. Tendo em vista suas fontes epistemológicas (extremamente intricadas), pode-se tragar o seguinte panorama sintético: Existe uma base psicandlitica. fenomenológica-existencial, psicodramática, empirista, pragmatista, e ulna base aestaltista.

c. As escolas contemporâneas de dinâmica de grupo são tantas que desafiam qualquer tentativa não somente de sistematização, mas também de enumeração. Unicamente enquanto tentativa de colocar algumas balizas neste panorama, assinalamos: Uma linha inglesa: Bion, Ezriel, Foulkes, Anthony, Balint. Várias norte-americanas: Schilder, Taylor, Bach, Gibbs, Cartwright e dezenas de outros. Uma linha francesa: Anzieu, Kaes, Lebovici, M. Pages, Lapassade etc. Uma linha argentina: Pichon-Revière, Grinherg, Langer, Rodrigui, Bleger, etc.

(37)

Como podemos perceber as misturas e combinações entre tendências são indescritíveis, a tal ponto que se pode afirmar que não existe tendência alguma que não haja incorporado elementos teóricos ou técnicos das outras. Sendo que essas correntes seguiram em prol do controle social (prevenção, educação, trabalho social, delinqüência, marginalidade, racialidade e a moral sexual cultural).

d. Como resposta ao emprego das correntes anteriormente referidas, surgem movimentos geralmente grupalistas ou multitudindrios, cujo paradigma seria (reconhecendo como antecedentes uma série de lutas jurídicas pelos direitos dos presos, dos internados etc.) a antipsiquiatria. Surgem então, importantes teóricos críticos dos sistemas institucionais.

e. A explosão primeiramente nos EUA, e em seguida na Europa e América Latina, de uma série de psicoterapias quase regularmente praticadas em grupos. São elas: a terapia gestaltista, transacional, a bionergética, a terapia do grito, massagens, as terapias behavioristas radicais, sexuais, as relacionadas com o zen-budismo, as técnicas marciais, de respiração e relaxamento orientais, e assim por diante. Considerando que a dinâmica de grupo por si só não resolve o problema social do grupo. E. apenas uma parte da contextura da sociedade que abrange organização e instituição.

"Nas últimas décadas, a produção teórica está dispersa dentro das várias Areas de atuação do Serviço Social, a Area de saúde é uma das que mais contribuem com publicações e que mais tem utilizado o trabalho com grupos na sua prática, e o trabalho interdisciplinar vem ganhando muita importância, contribuindo para fortalecer a operacionalidade do trabalho grupal, com a intervenção do Serviço Social buscando o trabalho com grupos de acordo com seu campo especifico de atuação." (Roxe1,1996)

(38)

A partir do estudo redigido neste capitulo, podemos identificar a importância do trabalho de grupo na atualidade, o que nos reporta a experiência vivenciada na pRitica de estágio do Serviço Social, desenvolvido no SESC - Estreito, onde a dinâmica de grupo

(39)

CAPÍTULO

III

EXPERIÊNCIA

DA

PRATICA

DE

ESTAGIO

COM

0

GRUPO

DE ADOLESCENTES DO PROJETO CRESCER

&

CIA

NO SESC ESTREITO

Neste capitulo abordaremos o processo da intervenção do Serviço Social corn Trabalho com Grupos no SESC, demonstrando sua importância e a experiência de estágio vivenciada.

3.1 0 Serviço Social

e o

trabalho com grupos no SESC

A importância do profissional de Serviço Social no Trabalho com grupos é imprescindível para as relações sociais do usuário no seu dia-a-dia, pois busca suprir suas necessidades e enfrentar as condições de vida, no seu contexto social. 0 profissional possui uma visão ampla do todo, analisando aspectos da realidade, e buscando através desses elementos constituir seu projeto de intervenção, fazendo conexões, de forma dialética, entre teoria

e

prática.

A sua função / atribuição no Trabalho com grupos é

a

de organizar, promover, planejar, desenvolver e monitorar atividades como encontros, seminários, palestras, entre outros, que visem o desenvolvimento do ser social, baseada na educação continuada e na sensibilização.

(40)

conhecimento dos deveres, enfatizando o exercício da cidadania deve ser urn dos objetivos principais do profissional das área. conhecimento das politicas sociais, bem corno o embasamento teórico-metodológico são fundamentais para a efetivação do trabalho, assim como o comprometimento." (Junkes. 2001)

As expectativas do SESC frente ao Serviço Social junto ao Trabalho com Grupos, são de profissionais capacitados para trabalhar corn as relações sociais, baseadas na valorização, integração, auto-conhecimento, etc, oportunizando ao usuário aprimorar o seu processo de educação e construção do conhecimento e da prática social, para enfrentar as condições de vida, no seu contexto social.

E a partir de estudos e da vivência de estágio, identificamos o papel do profissional de Serviço Social no SESC, como:

- Assessoria projetos sociais;

- Atuação direta no Programa de Assistência nas atividades: Trabalho corn: Grupos e Ação Comunitária;

- Estabelecer parcerias com outras instituições;

- Subsidiar na tomada de decisões nos diversos âmbitos da instituição; - Mobilizar recurso humano visando envolve-lo nos projetos da instituição; - Buscar a participação dos funcionários, dos usuários na tomada de decisões de

melhorias que se fazem necessárias na instituição (Divisão de Recursos Humanos - Setor de Cargos, Treinamento, Salários e Benefícios).

O método de trabalho está pautado ern pesquisa cientifica, levantamento de dados, acompanhamento das atividades através de visitas nag Unidades, planejamento, execução e avaliação continua.

3.2 0 Grupo de adolescentes Crescer & Cia

Considerando a grande demanda de adolescentes dos mais variados níveis sociais, culturais e econômicos, e sendo esta uma fase de transformação, de auto-afirmação. onde as dúvidas e as inseguranças são uma constante, as novas condições socioculturais em que vivem oferecem acesso a informações errôneas ou mesmo a desinformação, que acabam

(41)

refletindo no relacionamento com as diversas "comunidades" que integram a família, escola, o bairro, etc...

O projeto Crescer

& Cia

6 destinado a adolescentes, preferencialmente entre 13 e 16 anos, das Unidades Operacionais do SESC em Santa Catarina, sendo uma alternativa de

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A sua operacionalização é dividida então em 6 etapas, estipuladas pelt) próprio projeto, como já vimos:

• Primeira etapa

-

formação dos grupos;

• Segunda etapa

-

reuniões com grupos, atividades de integração e capacitação de recursos;

• Terceira etapa

-

pré-gincana, gincana e distribuição dos temas a serem estudados., primeira avaliação, relatório do projeto;

• Quarta etapa

-

estudos e estratégias de aprendizagem sobre o tema proposto sorteado;

• Quinta etapa

-

agendamento de escolas e comunidades, multiplicação dos conhecimentos e criação de um novo grupo;

• Sexta etapa

-

o segundo encontro de adolescentes do estado, com seminário de apresentação dos resultados e entrega do relatório anual.

Referências

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