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(1)1. UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DA SAÚDE CURSO DE ODONTOLOGIA ORTODONTIA. DETERMINAÇÃO DAS FORMAS E DIMENSÕES DOS ARCOS DENTAIS PARA USO DE ARCO CONTÍNUO NA TÉCNICA LINGUAL. SILVANA ALLEGRINI KAIRALLA. São Bernardo do Campo 2011.

(2) 2. UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DA SAÚDE CURSO DE ODONTOLOGIA ORTODONTIA. DETERMINAÇÃO DAS FORMAS E DIMENSÕES DOS ARCOS DENTAIS PARA USO DE ARCO CONTÍNUO NA TÉCNICA LINGUAL. SILVANA ALLEGRINI KAIRALLA. Dissertação apresentada à Faculdade de Odontologia da Universidade Metodista de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do Título de MESTRE pelo Programa de PósGraduação em ODONTOLOGIA, área de Concentração em Ortodontia. Orientador: Prof. Dr. Luiz Renato Paranhos. São Bernardo do Campo 2011.

(3) 3. FICHA CATALOGRÁFICA Kairalla, Silvana Allegrini Determinação das formas e dimensões dos arcos dentais para uso de arco contínuo na técnica lingual/ Silvana Allegrini kairalla. São Bernardo do Campo, 2011. xv, 87 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade da Saúde, Curso de Odontologia, PósGraduação em Ortodontia. Orientação: Prof. Dr. Luiz Renato Paranhos 1. Arco dental 2. Ortodontia 3. Estética I. Título D.Black D4.

(4) 4. Dedicatória. Ao meu marido Rogério. Pela compreensão, companherismo, carinho, amor e apoio em tudo aquilo que eu desejo fazer, seja no campo pessoal, no profissional, nos anos de casados e durante estes dois anos de mestrado, em que tive que optar pelos estudos e deixar a família de lado. Obrigada pela ajuda em todos os momentos em que esteve ao meu lado nestes nossos anos de convivência.. Aos meus filhos Paula, Cláudia e Gustavo. À vocês, que sempre me apoiaram e me deram estímulo para percorrer essa jornada e que em nenhum momento cobraram minha ausência, ao contrário, estimularamme sempre a estudar, porque assim, diziam-me que sentiriam mais orgulho da mãe que tem. Espero que tenha servido para que acreditem que o estudo é o alicerce de todas as profissões e, por isso, dedico este trabalho a vocês. Muito obrigada meus filhos! E agradeço a Deus pelo presente que Ele me deu, que são vocês!.

(5) 5. Agradecimento especial. Aos meus pais, Sérgio (in memoriam) e Rosa. Com vocês aprendi a dar valor as coisas e que cada momento da vida deve ser trabalhado com muita dedicação, determinação e amor, mesmo que para isto tenhamos que fazer sacrifícios. Que na vida devemos estabelecer metas para alcançarmos nossos objetivos e, se um dia, olharmos para trás, tenhamos orgulho do que fizemos.Você, minha mãe, que é prova viva do meu estudo e dedicação, obrigada por me ajudar e cuidar da minha família quando foi preciso. E a você meu pai, sei que sempre teve orgulho de mim, procuro ser digna dele e aonde você estiver, tenho certeza que esta orando por mim e me ajudando da forma que puder. Eu sinto o seu apoio!. À DEUS por guiar sempre meus passos no caminho do bem e permitir esta oportunidade com muita saúde e energia, além de colocar pessoas que muito me ajudaram durante esta caminhada..

(6) 6. Ao meu orientador, Prof. Dr. Luiz Renato Paranhos. Agradeço o apoio e confiança, pois acreditou desde o início na minha capacidade e determinou-se em me orientar, não só neste trabalho, mas em vários outros trabalhos que foram realizados. Fico eternamente grata pelo conhecimento que conseguiu transmitir e que foram fundamentais para minha formação. À voce professor, a palavra Mestre, remete exatamente o que você é, profissional competente, sempre ético, dedicado e empenhado em ajudar os seus orientados e todos demais alunos deste curso. Obrigada pela sua amizade e companheirismo!. "A vida é uma pedra de amolar; desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.". George Bernard Shaw.

(7) 7. Agradecimentos. Ao Prof. Dr. Marco Antonio Scanavini, Coordenador do Programa de Pósgraduação em Odontologia, área de concentração Ortodontia, pela dedicação com que tem conduzido este programa e apoio constante que sempre demonstrou.. As Prof.a Dra. Fernanda Angelieri, Prof.a Dra. Cláudia Toyana Hino, Prof. Dr. Fernando C. Torres, Prof.a Dra. Renata Cristina Faria Ribeiro de Castro, Prof. Dr. André Luis Ribeiro de Miranda, Prof.a Dra. Carla P.H.A.R. César pela amizade, atenção e contribuição na minha formação.. Aos colegas Aluisio Galiano e Octavio Margoni Neto, sempre alegres, tranquilos e divertidos, aliviavam os momentos de tensão e eram os companheiros do café!. Aos colegas Eduardo Carpinski Corrêa e Geraldo Eugênio Marchiori mansos e quietos como quase todos os mineiros, mas prestativos sempre que possível, principalmente auxiliando na parte tecnológica.. Às colegas Fabiola Francio, Mariana Helena Silva Carvalho, Valéria Rezende Nicodemos, sempre meigas e de convívio fácil, pudemos dividir momentos agradáveis e difíceis e nos apoiarmos e confraternizarmos com respeito e amizade..

(8) 8. Ao colega Marcos Felipe Nunes, foi demorado compreendê-lo no início, mas depois de acompanhar o seu crescimento, compartilhamos nosso trabalho e auxiliamo –nos mutuamente, foi muito bom o nosso convívio.. À colega Daniele Gambarini Pereira, minha grande dupla, companheira, dividimos nossa aulas e partilhamos juntas nosso conhecimento e aprimoramento.. À colega Sabrina Rocha Ribeiro, uma grande amiga, participamos de cursos e congressos, choramos juntas em aula e crescemos com isto.. À todos voces, meus colegas de turma, foi muito bom dividir estes dois anos, sabemos que crescemos juntos e agradeço pelo carinho especial de cada um, pelo companheirismo, dedicação e amizade. Jamais esquecerei esta turma!. Aos funcionários do Curso de Pós-graduação: Ana Regina Trindade Paschoalin, Célia Maria dos Santos, Edílson Donizete Gomes e Marilene Domingos da Silva, obrigada pela atenção, colaboração, amizade e constante disposição para auxiliarem em tudo que solicitei para a realização de todos os meus trabalhos.. À funcionária da Biblioteca Central da UMESP, Andreia Cristina Gomide, pela colaboração na busca dos artigos, sempre com muita rapidez e dedicação.. À bibliotecária Vanessa Barrote a atenção e gentileza em formatar este trabalho.. Ao Prof. Leandro Gonçalves Velasco por valorizar o estudo, acreditar na minha pesquisa e oferecer ajuda necessária de forma a permitir que todo trabalho fosse realizado nas suas unidades, Cubo e Bioguide. Muito obrigada pelo apoio e amizade..

(9) 9. Ao engenheiro Wilson Kenjiro Ideyama da Bioguide, que me orientou na parte técnica, no material e método e em todas as formas de utilização do programa DelcanPower Shape®2010, meu eterno agradecimento.. Ao técnico de radiologia e radiodiagnóstico Lucas Vieira de Oliveira da Bioguide, sempre prestativo e que também me dava o apoio necessário para entender o programa DelcanPower Shape®2010.. Ao cadista Pedro Arrighi Rodrigues dos Santos do Cubo, que com muita paciência e dedicação me auxiliou na parte final dos trabalhos, para definição dos desenhos e medidas dos arcos.. Ao técnico de prótese André Rodrigues de Almeida do Cubo, sempre disponível para auxiliar na digitalização dos modelos de estudo.. Ao atencioso José Roberto Pereira Lauris que realizou a análise estatística deste trabalho.. Ao Prof. Giussepe Scuzzo, de Roma, Itália, pela valiosa sugestão e orientação sobre o tema proposto.. Ao Prof. Yasushi Inoue Miyahira pela gentileza em disponibilizar sua dissertação e no envio de vários artigos seus sobre Ortodontia Lingual, que muito me auxiliaram neste trabalho. A Prof.a Tarcila Triviño pela amizade, apoio e orientação que muito enriqueceu este trabalho, por sua enorme experiência sobre o tema proposto. A Prof.a Dra. Liliana Ávila Maltagliati. por ajudar na minha formação. ortodôntica e acompanhar meu crescimento na ortodontia lingual, pela amizade e oportunidades oferecidas..

(10) 10. Ao Prof. Dr. José Augusto M. Miguel pelo envio de artigos sobre ortodontia lingual, que puderam enriquecer este trabalho.. À minha prima Rossana Coppola por me ajudar na tradução de vários artigos na lingua inglesa, necessários para a realização deste trabalho.. Finalmente, a todos aqueles, familiares, amigos e colegas que contribuíram de forma direta ou indireta para que este trabalho pudesse ser realizado. Muito obrigada!.

(11) 11. "Embora nínguem possa voltar atrás e fazer um novo começo... qualquer um tem o direito de fazer mudanças, recomeçar e fazer um novo fim." Legrand. “Quero. o melhor do melhor. Se pensarmos pequeno, coisas. pequenas teremos... mas se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida. Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura”. Carlos Drumond de Andrade. “Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”. Autor desconhecido.

(12) 12. SUMÁRIO. RESUMO ............................................................................................................. XI ABSTRACT......................................................................................................... XII LISTA DE ILUSTRAÇÕES.............................................................................. XIII LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS............................................................. XV 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 2. 2 REVISÃO DE LITERATURA........................................................................ 6. 2.1 A morfologia do arco dental e o tratamento ortodôntico pela técnica vestibular............................................................................................................... 6. 2.2 A morfologia do arco dental e o tratamento ortodôntico pela técnica lingual.................................................................................................................... 21. 3 PROPOSIÇÃO................................................................................................ 35 4 MATERIAL E MÉTODOS............................................................................ 37 4.1 Critérios éticos da pesquisa.......................................................................... 37 4.2 Amostra........................................................................................................... 37 4.3 Métodos........................................................................................................... 38 4.3.1 Digitalização dos Modelos............................................................................. 38 4.3.2 Parâmetros para o posicionamento do modelo............................................. 40 4.3.3 Determinação dos pontos.............................................................................. 45 4.3.4 Definição da forma dos arcos dentais linguais.............................................. 46 4.3.5 Tomada de medidas...................................................................................... 47 4.3.6 Análise dos dados.......................................................................................... 54. 5 RESULTADOS................................................................................................ 57 5.1 Definição dos arcos linguais contínuos....................................................... 64.

(13) 13. 6 DISCUSSÃO......................................................................................... 69. 6.1 Morfologia do arco dental.............................................................................. 69 6.2 Considerações clínicas.................................................................................. 74. 7 CONCLUSÕES............................................................................................... 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................. 81 ANEXO................................................................................................................. 87.

(14) 14. KAIRALLA, S. A. Determinação das formas e dimensões dos arcos dentais para uso de arco contínuo na técnica lingual. 2011. 87f. Dissertação (Mestrado em Odontologia) – Faculdade da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2011.. RESUMO Este estudo objetiva encontrar a forma e dimensão de arcos dentais para definir a forma de um arco contínuo que possa ser utilizado na técnica lingual. A amostra foi composta de 70 indivíduos brasileiros, leucodermas, com oclusão normal natural, que apresentaram no mínimo quatro das seis chaves de oclusão de Andrews. Esta amostra possui 40% de indivíduos do sexo masculino (28 homens) e 60% do sexo feminino (42 mulheres) com idade média de 16,4a. Os modelos dos arcos dentais da maxila e mandíbula foram digitalizados (3D) e as imagens exportadas para o software Delcam Power SHAPE® 2010 (Birmingham, U.K.). Foram selecionados pontos nas superfícies linguais dos dentes e traçadas 14 medidas para determinar a forma e a dimensão do arco dental. O teste de Shapiro-Wilk possibilitou definir uma forma de arco pequeno utilizando o percentil 25% (P25%), um arco médio (média) e uma forma de arco grande pelo percentil 75% (P75%). O teste t-student comparou se houve uma diferença entre os sexos, e foram encontrados 12 tamanhos de arcos dentais (6 para o sexo feminino e 6 para o sexo masculino). Em todos os testes estatísticos foi adotado nível de significância de 5% (p<0,05). A partir dos resultados obtidos, foi possível definir uma forma de arco contínuo para ser utilizado na técnica Lingual Straight Wire (LSW) - parábola levemente achatada na região anterior - e, devido à similaridade entre alguns tamanhos de arcos dentais, encontrados pelo dimorfismo sexual, pôde ser elaborado um diagrama de arcos de maneira mais simplificada.. Palavras-chave: Arco Dental. Ortodontia. Estética..

(15) 15. KAIRALLA, S. A. Determination of shapes and dimensions of dental arches for the use of straight-wire arches in lingual technique. 2001. 87f. Dissertation (Masters in Dentistry) – Faculdade da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2011. ABSTRACT. This study aims to determine the shapes and dimensions of dental arches to define the shape of a straight wire dental arch that could be used in lingual technique. The sample consisted of 70 white Brazilian individuals with normal occlusion and who had at least four of the six keys to normal occlusion as defined by Andrews. This sample was composed of 40% male and 60% female subjects (28 men and 42 women), with an average age of 16,4. The maxilla and mandible dental arch models were (3D) scanned and the images were analyzed in the Delcam Power SHAPE ® 2010 software (Birmingham, U.K.). Points on the lingual surfaces of the teeth were selected and 14 measurements were outlined to determine the sizes and shapes of the dental arches. The Shapiro-Wilk Test enabled the definition of the small arch shape, using the 25th percentile (P25%); the average percentile for the medium arch, and a large one defined through the 75th percentile (P75%). Student t-test verified whether there were differences between male and female sexes and 12 dental arch sizes were found (6 for female sex and 6 for male sex). For all the statistical tests, the significance level used was of 5% (p<0,05). From the results found, it was possible to determine the straight-wire arch shape to be used in the LSW technique (Lingual Straight Wire) - a parabola-shaped arch -, slightly flattened on its anterior portion. And, due to the similarities found among the different dental arch sizes, shown by sexual dimorphism, we were able to create a more simplified diagram chart for dental arches.. Keywords: Dental Arch. Orthodontics. Esthetics..

(16) 16. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 2.1 – Arco de ANGLE7, em 1907................................................................ 7. FIGURA 2.2 – Diagrama de BOONE10, em 1963....................................................... 8. FIGURA 2.3 – Pontos de referências utilizados por CURRIER21, em 1969.............. 9. FIGURA 2.4 – Pontos de referências utilizados por RICKETTS53, em 1978............ 11 FIGURA 2.5 – Diagrama de INTERLANDI31, em 1978............................................. 12 FIGURA 2.6 – Ilustração mostrando uma maxila com marcas e medidas dos arcos. a) 18 pontos nas cúspides vestibulares e a linha da borda incisal; b) 6 medidas de profundidade; c) 6 medidas de largura horizontais; d) corte seccional do arco obtido por meio dos 14 pontos..................................................................... 15 FIGURA 2.7 – Programa DALI para conformação dos arcos linguais proposto por FILLION25, em 1998.................................................................................................. 25 FIGURA 2.8 – Arcos linguais ideais, SCUZZO; TAKEMOTO55, em 2003................ 27 FIGURA 2.9 – Arcos linguais da maxila e mandíbula nos tamanhos pequeno, médio e grande, definidos por LOMBARDO et al.37, em 2010..................................... 33 FIGURA 4.1 – Fotografias dos modelos da amostra de oclusão normal natural.a) lateral direita; b) frente; c) lateral esquerda.............................................................. 38 FIGURA 4.2 – a) Scanner Dental Wings®; b) modelo posicionado na plataforma.... 39 FIGURA 4.3 – Imagem do modelo digitalizado......................................................... 40 FIGURA 4.4 - Imagem transportada para o programa Delcam Power Shape®........ 40 FIGURA 4.5 – Imagem dos pontos unidos por retas oblíquas verticais.................... 41 FIGURA 4.6 – Imagem da figura de um trapézio na tela do computador................. 41 FIGURA 4.7 – a) posicionamento dos eixos x, y, z; b) ajuste dos eixos................... 42 FIGURA 4.8 – Trapézio sobre os modelos 3D da maxila e da mandíbula................ 43 FIGURA 4.9 – Linha em cor amarela definida pelo eixo y........................................ 43 FIGURA 4.10 – Eixos x, y e z posicionados no final da reta nos modelos................ 44 FIGURA 4.11 – Imagem do modelo em várias posições.......................................... 45 FIGURA 4.12 – Diferentes posições do modelo com a sequência de marcação dos pontos................................................................................................................. 46.

(17) 17. FIGURA 4.13 – Sequência da união dos pontos no modelo..................................... 46 FIGURA 4.14 – Formas dos arcos dentais linguais da maxila e mandíbula............ 47 FIGURA 4.15 – Traçado do trapézio e do arco na tela do computador.................... 48 FIGURA 4.16 – Trapézio removido da tela do computador...................................... 48 FIGURA 4.17 – Desenho do arco com pontos (key point)........................................ 49 FIGURA 4.18 – Medidas horizontais da mandíbula.................................................. 49 FIGURA 4.19 – Desenho das dez linhas horizontais na mandíbula........................ 50 FIGURA 4.20 – Desenho das dez linhas horizontais na maxila............................... 51 FIGURA 4.21 – Determinação das linhas verticais do lado esquerdo...................... 52 FIGURA 4.22 – Determinação das linhas verticais e horizontais no modelo da maxila........................................................................................................................ 52 FIGURA 4.23 – Determinação das linhas verticais e horizontais no modelo da mandíbula................................................................................................................. 53 FIGURA 4.24 – Determinação das medidas em milimetros...................................... 53 FIGURA 5.1 – Representação das medidas verticais e horizontais.......................... 64 FIGURA 5.2 – Traçado do arco lingual..................................................................... 65 FIGURA 5.3 – Desenho ilustrando medidas com desvio padrão (dp)....................... 65 FIGURA 5.4 – Traçado final do arco lingual.............................................................. 66 FIGURA 5.5 – Sequência de arcos linguais contínuos masculinos P M G.............. 67 FIGURA 5.6 – Sequência de arcos linguais contínuos femininos P M G................. 67 FIGURA 6.1 – Diagrama para maxila e mandíbula................................................... 78.

(18) 18. LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS. Tabela 5.1 – Média, desvio padrão das duas medições, e teste t pareado e erro de Dahlberg para avaliar o erro sistemático e o erro casual.................................... 58 Tabela 5.2 – Distribuição da amostra quanto ao sexo............................................. 59. Tabela 5.3 –Comparação entre os arcos da mandíbula e maxila das medidas obtidas entre os sexos masculino e feminino........................................................... 60. Tabela 5.4 – Medidas para o sexo masculino.......................................................... 61. Tabela 5.5 – Medidas para o sexo feminino............................................................ 62 Gráfico 5.1 – Medidas do arco da mandíbula para os sexos masculino e feminino.................................................................................................................... 63 Gráfico 5.2 – Medidas do arco da maxila para os sexos masculino e feminino.................................................................................................................... 63.

(19) 19. 1 INTRODUÇÃO. _________________________________.

(20) 20. 1 INTRODUÇÃO. Há muitos anos, autores como BONNE10, 1963; CURRIER21, 1969; BIGGESTAFF11, 1972; PEPE50, 1975; RICKETTS53, 1978; ANDREWS6, 1989, INTERLANDI32, 1999; FERRARIO et. al23, 1999; TRIVIÑO et al.60, 2008, PARANHOS49, 2009; ODA et al.47, 2010, estudaram a forma do arco dental, sob vários aspectos, isto porque, a forma original do arco dental auxilia na manutenção e estabilidade do tratamento ortodôntico (DE LA CRUZ et al.20, 1995; MCNAMARA et al.41, 2010), assim como, o equilíbrio e harmonia das estruturas que circundam os dentes maximiza a estabilidade dos resultados (STRANG58, 1946; BRADER9, 1972). Autores como BONWILL8, em 1885, e HAWLEY28, em 1905, definiram a forma dos arcos por meio de figuras geométricas. Alguns utilizaram medidas lineares (RICKETTS53,1978; DE LA CRUZ et al.20, 1995; BURRIS; HARRIS12, 2000; NOGIMA et al.45, 2001; KOOK et al.34, 2004; ODA et al.47, 2010), outros, equações e fórmulas matemáticas (CURRIER21, 1969; BIGGERSTAFF11, 1972; PEPE50, 1975; NOROOZI et al.46, 2001; RABERIN et al.51, 1993; FERRARIO et al.24, 2002; TRIVIÑO et al.60, 2008), sempre objetivando determinar a forma do arco dental dos humanos. Diversas formas de arcos (vestibular) foram encontradas, durante muitos anos de estudo: elíptica29,17,21,20, ovóide29,17,49,59, circular29,17, em U29,17,51,20, divergente29, parábola21,45,51,20,59 e cônica59, e puderam ser obtidas por meio de diferentes métodos, como por exemplo: fotocópias de modelos em gesso (DE LA CRUZ et al.20, 1995; ECHARRI; BACA22, 1998; TSENG; CHANG62, 1998; NOGIMA et al.45, 2001; KOOK et al.34, 2004), aplicação de um sistema cartesiano às fotocópias dos modelos identificando os eixos x e y (CURRIER21, 1969; NOGIMA et al.45, 2001) e também pela digitalização de modelos 2D (PEPE50, 1975; TRIVIÑO et al.60, 2008). Mormente, a digitalização 3D tem sido utilizada em diversas áreas da Odontologia (ACCORCI; VELASCO1, 2010), como pode ser observado em alguns dos trabalhos relacionados à forma do arco dental (FERRARIO et al.23, 1999; FERRARIO et al.24, 2002; CAMPORESI et al.15, 2006; ODA et al. 47, 2010)..

(21) 21. No final dos anos 1970, surge a Ortodontia Lingual, quando KURZ 35 (1982) em 1975, iniciou a colagem de um aparelho convencional na face lingual dos dentes (ALEXANDER et al.2, 1982). Porém, o primeiro trabalho que descreve braquetes e forma de arco lingual foi publicado em 1979 por FUJITA 26 (1979). A técnica lingual é a maneira mais estética quando reportamos a um tratamento ortodôntico. Conhecida como uma técnica invisível (KAIRALLA et al.33, 2010), apresenta-se com maior complexidade, pois exige mais destreza manual do profissional que a realiza (CACCIAFESTA13, 2008). Outra dificuldade, é o fato de que os braquetes ficam em contato direto com o músculo da língua, existindo um receio, por parte dos profissionais e pacientes, de que o aparelho lingual possa machucar, porém, autores como FILLION25 (1998) e WU et al.64 (2010) mostraram que a adaptação do aparelho por lingual é semelhante à técnica por vestibular. Na evolução da técnica lingual, surgiram vários tipos de braquetes, materiais e técnicas de montagem do aparelho. Existe diferenças importantes entre a técnica lingual e a vestibular (SEGNER57, 2007), entre elas, a colagem indireta e a necessidade de compensação de resina (pad) na interface lingual e a base do braquete devido à variabilidade anatômica da superfície lingual dos dentes. As técnicas diferem também quanto à forma do arco utilizado, que na técnica lingual, pode ser em formato de cogumelo ou árvore de natal (MONINI et al. 43, 2008). Poucos foram os estudos (CREEKMORE18, 1989; FILLION25, 1998; ECHARRI; BACA22, 1998, TSENG; CHANG62 ,1998; MIYAHIRA42 2007), para a determinação do arco dental na técnica lingual. Existem muitas variáveis entre as distâncias intercaninos (SCUZZO et al.56, 2010) e isto dificulta a determinação de quantos tamanhos de arcos linguais em forma de cogumelo (FUJITA 26, 1979) poderiam existir, mas, na tentativa de simplificar a técnica, KYUNG et al. 36, em 2002, propôs a montagem dos braquetes por meio de plataformas, de forma a permitir a utilização de arcos linguais sem curvas e possibilitar o uso de arcos contínuos ou arcos Straight Wire. SCUZZO et al.56, em 2010, preconizaram a colagem mais cervical dos braquetes linguais na tentativa de diminuir o degrau existente entre a face lingual do canino e primeiro pré-molar e desenvolveram o sistema STb Light Lingual Straigth Wire®, que permite utilizar arcos linguais contínuos (LSW)..

(22) 22. No mesmo ano, LOMBARDO et al.37, valendo-se do conceito citado anteriormente, determinaram, na população européia, uma forma de arco lingual mais quadrangular, com tamanhos específicos para serem utilizados na técnica lingual Straigth Wire. Desta forma, pela incessante procura por parte dos pacientes por tratamentos cada vez mais estéticos, pela necessidade de simplificação da técnica lingual e pela escassez de trabalhos que existem sobre o tema, este estudo objetiva determinar quais seriam as formas e as dimensões de arcos dentais pela face lingual, para definir formas e tamanhos de arcos linguais contínuos, utilizando para isto, recursos atuais, como um scanner (3D) e um programa de computador Delcam Power SHAPE® 2010 (Birmingham,U.K.), para que a técnica lingual possa tornar-se cada vez mais acessível a novos profissionais na área da Ortodontia..

(23) 23. 2 REVISÃO DA LITERATURA. _____________________________________.

(24) 24. 2 REVISÃO DE LITERATURA. Com a finalidade de apresentar a revisão da literatura de maneira didática, permitindo a visualização mais clara e objetiva dos itens estudados esta foi distribuída cronologicamente, da seguinte forma: 2.1. A morfologia do arco dental e o tratamento ortodôntico pela técnica vestibular. 2.2. A morfologia do arco dental e o tratamento ortodôntico pela técnica lingual. 2.1 A morfologia do arco dental e o tratamento ortodôntico pela técnica vestibular. BONWILL8, em 1885, foi pioneiro no estudo das formas dos arcos, baseandose em figuras geométricas, como de um círculo e um triângulo equilátero. Os dentes anteriores formariam um semicírculo e definiriam a parte anterior do arco e os dentes posteriores seguiriam em linha reta em direção às extremidades da base do triângulo e definiriam a parte posterior do arco. ANGLE7, em 1907, considerando as dificuldades de estabelecer a linha de oclusão de forma individual - caracterizando o arco dental -, descreveu-a passando pelas coroas dos dentes permanentes, independente das suas posições. Essa linha representaria não só o comprimento, a largura e a curva peculiar do arco dental, mas também o tamanho de cada dente. Deixou claro que esta linha deve estar em harmonia quanto à forma e a posição. Afirmou que, geralmente, essa linha seria semelhante a uma curva parabólica, variando inclusive de acordo com a raça (Figura 2.1)..

(25) 25. 7. FIGURA 2.1 - Arco de ANGLE , em 1907.. HRDLICKA29, em 1916, relacionou a forma do arco dental e a posição dos dentes, com o crânio e os maxilares. Segundo o autor, as formas encontradas foram: elípticas, ovóides, circulares e em forma de U. Com relação à largura, os arcos foram classificados como médio, estreito e largo e com relação ao comprimento em curto, médio e longo. Concluiu que pode existir diferenças entre as formas dos arcos em todos os grupos raciais. CHUCK17, em 1934, relatou que os ortodontistas preocupam-se em conhecer a forma do arco dental, usualmente denominadas de elíptica, oval, redonda e achatada. Observou a influência das forças e dos movimentos mandibulares sobre os arcos, quando compara modelos logo após o tratamento ativo com modelos após um ano ou mais de tratamento com contenção. Acredita que deve-se buscar um bom alinhamento e finalização e, para isto, deve-se construir arcos metálicos ideais respeitando os off set dos caninos e molares e que os arcos da maxila e mandíbula deveram estar coordenados. Para facilitar a construção dos arcos utiliza o método Bonwill-Hawley onde as medidas dos dentes são obtidas em um papel milimetrado. STRANG58, em 1946, acreditando no conceito que toda oclusão apresenta-se como uma dentição sob influência e estabilização de forças musculares balanceadas, as quais podem estar presentes na forma de tônus muscular, afirmou que os objetivos do tratamento ortodôntico deveriam estar focados na manutenção.

(26) 26. do equilíbrio e da harmonia das forças musculares para se obter um resultado estável, mas precisamente, respeitar o limite existente entre os elementos dentais, estruturas ósseas (osso basal) e as estruturas musculares, caso contrário, a força muscular movimentaria os dentes às suas posições originais. LUNDSTROM38, em 1961, preconiza a utilização de diagramas individuais para confecção dos arcos ortodônticos, pois segundo o autor, é comum encontrarmos assimetrias nos arcos dentais e se mantivessemos essas assimetrias nos arcos ortodônticos, incorreriamos em erros maiores do que construir arcos ortodônticos simétricos. BOONE10, em 1963, relatou que a forma do arco é uma parte essecial para um bom tratamento ortodôntico, por este motivo, criou um método para reproduzir a forma do arco levando em consideração a distância inter-caninos e inter-molares da maxila e da mandíbula, pois considerava importante preservar estas distâncias para a manutenção da estabilidade do tratamento. O diagrama para obtenção de arcos individualizados por meio de um gabarito milimetrado permitia definir o perímetro do arco de forma simétrica e arcos coordenados. Segundo o autor, a vantagem de se usar um diagrama era poder individualizar o tratamento, de forma a correlacionar o diagnóstico e planejamento do caso, mantendo a simetria e coordenação dos arcos da maxila e mandíbula, como também suas larguras e comprimentos, permitindo a confecção de dobras necessárias, de maneira a facilitar o trabalho do profissional para obtenção de bons resultados (Figura 2.2).. 10. FIGURA 2.2 - Diagrama de BOONE , em 1963..

(27) 27. INTERLANDI30, em 1964, acreditava que os arcos devem apresentar características de simetria e proporção e que os arcos da maxila e mandíbula devem estar coordenados, representando o máximo de características gerais e individuais, como por exemplo: as distâncias inter-caninos e inter-molares. Idealizou um diagrama para determinação do arco de canto individual, com a finalidade de orientar alunos nos cursos de typodont e ter na documentação do paciente um esquema individual de orientação para o contorneamento de todos os arcos, na sequência do tratamento. CURRIER21, em 1969, estudou a forma do arco por meio de radiografias de modelos da maxila e mandíbula de vinte e cinco adultos caucasianos adultos com oclusão normal. Para isto, selecionou pontos que foram transferidos para um sistema de coordenadas (x e y), e depois utilizou um programa de ajuste da curva por meio de polinomios, a fim de determinar uma curva, parabólica ou elíptica, que melhor se adequasse aos pontos. Foi definida uma curva externa, uma curva média, e uma curva interna, de acordo com a localização dos pontos previamente selecionados. Observou que a forma elíptica representou melhor as curvas externas, tanto para a maxila, como para a mandíbula, e a parábola, representou melhor as curvas médias também da maxila e mandíbula, e a curva interna não se adaptou a nenhuma das duas formas. Concluiu que a parábola é a forma que melhor representa a maxila e a elipse a que melhor representa a mandíbula (Figura 2.3).. 21. FIGURA 2.3 - Pontos de referências utilizados por CURRIER , em 1969..

(28) 28. BRADER9, em 1972, relatou que a forma do arco dental mantêm-se em equilíbrio, por meio da musculatura da língua, lábios e bochechas. Assim, definiu a forma do arco dental como uma forma geométrica, semelhante a uma elipse, e definiu que a geometria da curva, mais aberta ou mais fechada na região anterior, está relacionada com a força da língua, uma vez que, segundo o autor, as forças exercidas pela língua excedem as forças exercidas pelos lábios e bochechas. Concluiu que esta pressão é inversamente proporcional ao raio da curvatura. BIGGERSTAFF11, em 1972, definiu e marcou pontos nas superfícies incisais e oclusais dos dentes em modelos digitalizados, aplicou um sistema de coordenadas (x e y) e com o auxílio de um programa de computador, por meio de uma equação quadrática, descreveu um método para a definição da forma individual do arco dental. Esse método possibilitou definir o arco dental segundo as formas hiperbólica, parabólica e elíptica. PEPE50, em 1975, em uma amostra com sete crianças com dentição permanente e oclusão normal natural, analisou a diferença entre equações polinomiais e a curva catenária. Selecionaram pontos nos modelos da maxila e mandíbula e, por meio de um método fotográfico, estes pontos foram transferidos e medidos em um sistema cartesiano (x e y). A autora concluiu que as equações polinomiais descrevem melhor a forma de arco do que a curva catenária. RICKETTS53, em 1978, após a reavaliação do conceito de linha de oclusão segundo Angle, afirmou que a linha de oclusão encontra-se sobre as superfícies oclusais, mas especificamente sobre os pontos oclusais de contato entre os dentes superiores e os inferiores. Sendo assim, reforçou a definição de linha de oclusão, como a linha na qual os dentes deveriam ser posicionados para estar em estabilidade e harmonia entre si e com as demais estruturas anatômicas, estabelecendo assim uma oclusão normal (Figura 2.4)..

(29) 29. 53. FIGURA 2.4 - Pontos de referências utilizados por RICKETTS , em 1978.. INTERLANDI31, em 1978, desenvolveu um diagrama para contorneamento de arcos durante o tratamento ortodôntico. Primeiramente idealizou a curva anterior do arco, à partir de uma amostra de 200 casos. A curva variava de 18 a 26 mm, e sua construção baseou-se na curvatura anterior dos incisivos inferiores, uma vez que o osso basal da mandíbula é menor que o da maxila e preconiza-se não alterar muito o posicionamento dos dentes inferiores a fim de manter a estabilidade do tratamento ortodôntico. Para definir a parte posterior do arco, foram obtidas medidas da distância dos pré-molares até a distância inter-ômegas (molares). O autor concluiu que a vantagem de se utilizar um diagrama, é ter um guia rápido e apropriado para o contorno dos arcos, a durabilidade do guia, evitar o manuseio dos modelos de gesso e reduzir erros na coordenação dos arcos superiores e inferiores (Figura 2.5)..

(30) 30. 31. FIGURA 2.5 - Diagrama de INTERLANDI , em 1978.. ANDREWS6, em 1989, ao tentar desenvolver um braquete que incorporasse as dobras de primeira e segunda ordem, porpôs o plano de Andrews, o que possibilitou a utilização de um arco sem dobras. O estudo foi feito em 120 modelos com oclusão normal natural. Os modelos foram desgastados até a metade oclusal de cada coroa e foi traçada uma linha unindo os pontos das áreas de contato. Foi calculada a distância desta linha até o ponto mais vestibular dos dentes, e estes dados serviram para o desenvolvimento do braquete. GOTTLIEB27, em 1993, relatou que em todo sistema simétrico qualquer deformação que venha a provocar a destruição da simetria, é complementada por uma deformação oposta de igual intensidade que tende a restaurá-la. Relembra, que o corpo humano não é simétrio, e, portanto o arco dental também não é absolutamente simétrico, seja nos casos de má oclusão como nos de oclusão normal. Assim, a assimetria é mais uma regra do que exceção e, na prática ortodôntica, a simetria é imposta pelo ortodontista aos arcos dentais, mesmo que a base seja assimétrica. Acrescentou que, no momento, aceitar a simetria no tratamento ortodontico seja ainda o melhor caminho, e, no futuro possa ser melhor compreendida e estudada por meio de programas computadorizados que possam analizar os arcos maxilares e mandibulares como uma estrutura tridimensional. RABERIN51 et al., em 1993, compararam as dimensões do arco dental mandibular e desenvolveram uma classificação para as formas encontradas. Foram selecionados 278 adultos franceses (159 homens e 119 mulheres), entre 17 e 30.

(31) 31. anos de idade, com oclusão normal natural e classe I de Angle. Nos modelos, determinaram distâncias sagitais e transversais e pontos de referência como linha média, ponta de cúspide dos caninos, cúspide mesiovestibular dos primeiros molares e cúspide distovestibular dos segundos molares. Classificaram os arcos em cinco formas, denominando de arcos pentamórficos. Concluiram que a forma ideal do arco dental não seria uma única, mas sim, poderiam ser de, no mínimo, cinco formas diferentes. DE LA CRUZ20 et al., em 1995, analisaram, à longo prazo, a estabilidade ortodôntica das mudanças na forma do arco da maxila e da mandíbula. Foram analisados modelos em gesso antes do tratamento, depois do tratamento, e no mínimo de 10 anos após a contenção em 45 pacientes com Classe I, 42 com Classe II, divisão 1 com 4 extrações de pré-molares. Foram feitos pontos nas pontas das cúspides dos primeiros molares, pré-molares, caninos e mesial, distal e central dos incisivos. Estes foram digitalizados de forma padronizada. Os resultados mostraram que os formatos mais redondos durante o tratamento mudaram para mais afunilados e que 96% dos arcos dentais foram mais bem descritos pela forma elíptica. O restante da amostra (4%) foi melhor representado pelas formas hiperbólica e parabólica. As formas dos arcos tenderam a retornar à forma prétratamento depois da contenção. Mudanças maiores ocorrem durante e após o tratamento. A forma do arco pré-tratamento parece ser a melhor guia de manutenção. da futura estabilidade do arco, porém, minimizar as mudanças no. tratamento não garante uma estabilidade pós contenção. FERRARIO et al.23, em 1999, estudaram a curvatura tridimensional do arco dental mandibular. Para tanto, utilizaram a referência da distribuição das pontas das cúspides e das incisais dos dentes na superfície de uma esfera (Teoria Esférica de Monson) com um raio de 4 polegadas nos adultos jovens. A amostra constou de modelos em gesso obtidos da mandíbula de 50 adultos (entre 19 a 22 anos) e 20 adolescentes (entre 12 a 14 anos) com dentição permanente, dentes hígidos e sem problema têmporo-mandibular. As três coordenadas (x, y e z) das pontas de cúspides foram digitalizadas de forma tridimensional (3D) e utilizadas para criar uma curva formando um modelo esférico, os raios das curvas da direita e da esquerda (Spee) e da curva lateral (Wilson), foram computados e o tamanho do arco dental mandibular também foi calculado (distâncias inter-dentais). A curvatura oclusal do arco dental mandibular não foi muito influenciada pelo sexo, entretanto, a idade teve.

(32) 32. efeito significativo com p<0.05. O raio das curvaturas em adultos eram de 101 mm e nos adolescentes 80 mm. Idade e sexo não influenciaram no tamanho do arco. As diferentes curvaturas do plano oclusal dos adolescentes e adultos podem ser justificadas pelo movimento rotacional progressivo no eixo principal dos dentes, que levam o plano oclusal para uma posição mais vestibular. Os autores concluíram que houve uma modificação na curvatura tridimensional dos arcos dentais mandibulares de adolescentes para adultos, com incremento dos raios das curvas de Monson (Spee e Wilson) em torno de 20 mm, no entanto não houve modificação significante no tamanho do arco e que esses movimentos rotacionais dos dentes poderiam justificar as recidivas do tratamento ortodôntico. BURRIS; HARRIS12, em 2000, estudaram as diferenças entre o tamanho e forma dos arcos entre brancos e negros americanos. Afirmaram que os negros possuem dentes mais largos que os brancos, mas apresentam menos apinhamento devido às maiores dimensões dos arcos dentais. Este estudo quantificou as diferenças em tamanho e forma do arco dental nestes dois grupos de população dos EUA. A amostra constou de 330 indivíduos com dentição permanente natural, sendo 171 negros e 159 brancos (164 homens e 166 mulheres). Foram selecionados 18 pontos nas cúspides e incisais dos dentes da maxila, os modelos em gesso foram digitalizados a fim de obter medidas lineares, angulares e de área (Figura 2.1.8). A largura dos arcos foi em média 10% maior em negros do que em brancos, e a profundidade 12% maior. Os negros com formato de palato mais quadrangular possuíam uma distância inter-caninos e inter-pré-molares maior que os brancos. O perímetro do arco foi maior nos negros em 8%, e em área 19% maior. Portanto, os negros diferem dos brancos não só no tamanho do arco como também no formato. Essas diferenças são relevantes na orientação do tratamento protético e ortodôntico, pois pode-se individualizar o tratamento e tratar o paciente de forma mais eficaz e padronizada (Figura 2.6)..

(33) 33. FIGURA 2.6 - Ilustração mostrando uma maxila com marcas e medidas dos arcos. (A) 18 pontos nas cúspides vestibulares e a linha da borda incisal. (B) 6 medidas de profundidade. (C) 6 medidas de largura horizontais. (D) corte seccional do arco obtido por meio dos 14 pontos.. NOGIMA et al.45, em 2001, com o objetivo da esclarecer as diferenças morfológicas entre as formas dos arcos mandibulares de caucasianos e japoneses nas más oclusões da Classe I, II e III de Angle, avaliaram uma amostra contendo 60 indivíduos portadores de má oclusão de Classe I, 50 de Classe II, e 50 de Classe III de Angle, de cada grupo étnico. Foram calculados pontos clínicos dos braquetes para cada dente e tomadas 4 medidas lineares e 2 medidas de profundidade. Os arcos dentais foram classificados nas formas ovalar, quadrangular e triangular para determinar e comparar as frequências de distribuições entre os dois grupos étnicos. A população caucasiana apresentou uma diminuição estatisticamente significante de largura do arco e de aumento em profundidade do arco se comparados com a população japonesa. Quando os indivíduos foram reagrupados por forma de arco, nenhuma diferença estatisticamente significante foi observada na dimensão dos.

(34) 34. arcos entre as amostras dos dois grupos étnicos. Os resultados sugeriram que não existe uma única forma de arco específica para qualquer uma das classificações. NOROOZI, NIK, SAEEDA46, em 2001, baseados nas distâncias inter-caninos (distância entre as pontas de cúspides), distância inter-segundos molares (distância entre as pontas de cúspides disto vestibular dos segundos molares), profundidade dos caninos (distância entre o ponto inter-incisal e a linha que passa pelas pontas de cúspides dos caninos) e profundidade dos segundos molares (distância entre o ponto inter-incisal e a linha que passa pelas pontas das cúspides disto vestibular dos segundos molares), estabeleceram uma equação para medir a curva do arco, estabelecendo as formas: triangular, ovalar e quadrangular. Para isto, selecionaram 23 pares de modelos com dentição permanente e oclusão normal natural, para então ser medidos os comprimentos e larguras das regiões de caninos e segundos molares. A função y = ax6 + bx2 representou adequadamente as formas de arcos dentais nos humanos, principalmente a ovalar. FERRARIO et al.24, em 2002, avaliaram a morfologia, o tamanho e o formato do palato em um estudo longitudinal de dez anos, com seis mulheres e seis homens adultos saudáveis, com idade média da segunda avaliação de 33 anos. Todos os indivíduos tinham dentição permanente completa (incluindo os segundos molares) e não apresentavam alterações das vias aéreas superiores. Os pontos de referência no palato foram digitalizados (3D) e coordenadas foram usadas para determinar matematicamente o tamanho e formato do palato. O formato do palato, independente do tamanho, teve como referência um polinômio de quarto grau tanto no plano sagital quanto frontal. Os dois estudos foram avaliados pelo teste t pareado. Observou-se uma grande variabilidade no tamanho, porém, não significante ( p> 0.5). Também não houve modificações na forma com relação ao sexo. Este estudo mostrou que em indivíduos saudáveis, o tecido duro do palato não parece mudar entre 30 e 40 anos de idade. CAPELOZZA FILHO; CAPELOZZA16, em 2004, pensando no diagnóstico e nos objetivos do tratamento, analisaram a forma do arco dental mandibular, para então, indicar o uso de um guia que pudesse representar a forma do arco escolhido e de um diagrama que permitisse a construção dos arcos ortodônticos pensando na meta terapêutica escolhida. A curva anterior do arco deveria representar os objetivos do tratamento quando do posicionamento dos incisivos e caninos, e, a largura do arco (sempre ajustado a borda WALA) representar a movimentação.

(35) 35. desejável dos dentes posteriores no sentido vestibulo-lingual. O diagrama - DIAO (diagrama individual anatômico objetivo) preconizado, consistiu em uma série de transparências com desenhos de arcos, os quais se apresentavam com diferentes curvaturas combinadas às diversas aberturas, totalizando 41 opções de formas de arco. Afirmam que a forma do arco maxilar seria a mesma do mandibular, porém aumentada. A determinação do diagrama é manter a forma original do arco, com a intenção de manter a estabilidade do tratamento ortodôntico e recidivas póstratamento. Em 2004, TANER et al.59 avaliaram longitudinalmente mudanças na largura e forma do arco, por meio de um novo método computadorizado. Foram selecionados 21 modelos da maxila e da mandíbula de pacientes Classe II divisão 1, antes do tratamento (T0), depois do tratamento (T1) e após três anos de contenção (T2). As medidas de largura foram obtidas diretamente sobre as imagens digitalizadas dos modelos superiores e inferiores. As mudanças ocorreram entre T 0-T1 e T1-T2 e estas foram avaliadas por meio da sobreposição de imagens feita pela curva Bezier encontradas nos programas de computador. Os tipos de arcos foram definidos por meio da sobreposição deles a um sistema de arcos pentagonal, com 5 formas de arcos: normal, ovóide, cônico, ovóide estreito e cônico estreito. Chegaram à conclusão que as larguras da maxila e da mandíbula aumentaram durante o tratamento ortodôntico, porém a expansão na mandíbula foi menor do que da maxila. Antes do tratamento, as formas mais encontradas foram a cônica e cônica estreita. No período de contenção, a forma do arco manteve-se estável em 76% na maxila e em 71% na mandíbula. KOOK et al.34, em 2004, propuseram estudo a fim de verificar as diferenças morfológicas entre os arcos mandibulares de indivíduos coreanos e norte americanos, pois acreditavam que as formas dos arcos estavam relacionados à etnia e ao tipo de má oclusão. Os indivíduos foram divididos por grupos de acordo com o formato do arco (cônico, ovóide e quadrangular), como também pela classificação de Angle. A amostra incluiu 160 americanos (60 de Classe I, 50 de Classe II e 50 de Classe III) e 368 coreanos (114 de Classe I, 119 de Classe II e 135 de Classe III). Foram feitas 13 marcas entre os pontos de contato dos dentes da mandíbula, e feitas fotocópias das imagens digitalizadas, com a finalidade de estimar a localização do slot do braquete. Também foram marcados 12 pontos aproximadamente sobre as pontas de cúspides, afim de determinar quatro medidas:.

(36) 36. distâncias inter-caninos, inter-molares, profundidade dos caninos e dos molares. Os resultados estatísticos mostraram que a forma mais freqüente dos arcos no grupo coreano foi a quadrangular e nos americanos a cônica. Além disso, os arcos dos coreanos tinham uma tendência a serem mais largos e profundos em todos as 3 formas de arcos. Concluíram assim, ser esperado para o tratamento de pacientes coreanos a utilização de arcos quadrangulares. E que os arcos super elásticos préfabricados são mais estreitos e, portanto, deveriam ser modificados para serem usados no início do tratamento destes pacientes. CAMPORESI et al.15, em 2006, compararam a forma do arco em indivíduos com oclusão normal natural do sul da Europa com 10 tipos de arcos produzidos comercialmente. A amostra era composta de 50 indivíduos (26 homens e 24 mulheres), com idades de aproximadamente 26 anos. Pontos na face vestibular dos dentes foram digitalizados (3D). Foi usada uma técnica morfométrica, por meio da análise Thin-plane spline (TPS), para comparar as diversas formas. Com relação ao sexo, não houve diferença quanto à forma do arco, independente do tamanho. A avaliação dos arcos produzidos comercialmente, mostrou diferença estatisticamente significativa na forma, sendo que a configuração média mais encontrada foi a forma Brader. TRIVIÑO et al.60, em 2008, considerando a importância da manutenção das dimensões dos arcos dentais durante a terapia ortodôntica, avaliaram 63 modelos da mandíbula, de brasileiros (35 do sexo feminino e 28 do sexo masculino), com faixa etária entre 12 e 21 anos, com dentição permanente e oclusão normal natural, por meio de um método matemático associado à uma função polinomial do sexto grau. Uma miçanga por dente foi utilizada para simular um acessório ortodôntico e depois os modelos foram digitalizados para obtenção do gráfico da função de cada arco. Os segmentos foram organizados em oito grupos de acordo com a forma da curva anterior do arco dental, em três tamanhos (pequeno/médio/grande). Concluíram que o arco dental mandibular pode ser representado por 8 formas, embora não haja uma forma ideal representativa para uma oclusão normal. A maioria das formas dos arcos foi representada pelo tamanho médio, e a incidência foi similar nos dois gêneros. Em 2008, RONAY et al.52 pesquisaram a forma de arco dental sob pontos de vista clínicos, tanto na região de colagem dos braquetes quanto nas estruturas anatômicas da base apical. A correlação entre ambas as formas foi estudada a fim.

(37) 37. de determinar se o osso basal poderia servir de modelo para definir a forma do arco. Para isto foram usados modelos da mandíbula de 35 pacientes (13 homens e 22 mulheres) representando uma Classe I esquelética e dental, depois foram digitalizados (3D). Dois pontos de referência foram tomados: FA representando o ponto central de maior proeminência na superfície dental vestibular e WALA, um ponto na altura da junção muco gengival para cada dente do primeiro molar do lado direito ao lado esquerdo. Foram comparados os arcos formados pela junção dos pontos FA e WALA, como também a distância inter-caninos e inter-molares. As formas dos arcos resultantes dos pontos foram boas. Quando comparadas entre si, em que existia acréscimo de tamanho, havia um aumento correspondente, com uma diferença de (0,75mm) na região de canino e (0,87mm) na região de molares sempre maior para os arcos formados por FA. Os autores concluíram que os pontos FA e WALA formam arcos individuais, mas que não serviriam para definir uma forma generalizada. A correlação altamente significativa entre os pontos FA e WALA provou que os pontos WALA podem ser capazes de representar a base apical, correspondem aos valores de FA e podem ajudar a predeterminar e individualizar a forma clínica do arco dental. PARANHOS49, em 2009, verificou a prevalência da morfologia do arco dental da mandíbula, da coroa do incisivo central superior e do padrão esquelético vertical da face em brasileiros com oclusão normal natural, além de verificar uma possível correlação entre as variáveis. A amostra foi composta de 51 indivíduos leucodermas com oclusão normal natural, sem história de tratamento ortodôntico prévio, que apresentavam, no mínimo, quatro das seis chaves de oclusão de Andrews. O padrão esquelético da face foi definido pela coincidência de duas grandezas cefalométricas (SN.Gn e SN.GoGn). As imagens dos arcos dentais mandibulares e dos incisivos superiores geradas pela digitalização (3D) dos modelos foram avaliadas por 12 ortodontistas. Para verificar a concordância entre examinadores, quanto à classificação da morfologia do arco dental e do incisivo central, foi utilizado o teste Kappa. Para verificar a associação entre as variáveis foi utilizado o teste do quiquadrado. Os resultados mostraram que a prevalência de arco dental com forma ovalar foi de 41,17%, quadrangular de 39,22%, e triangular de 19,61%. Os dentes apresentaram a seguinte prevalência: ovalar (47,06%), seguido de quadrangular (31,37%) e triangular (21,57%). Quanto ao padrão esquelético da face foi encontrado 47% de indivíduos braquifaciais, seguido de 27% de indivíduos.

(38) 38. mesofaciais e 26% de dolicofaciais. O teste do qui-quadrado não mostrou haver associação estatisticamente significante entre as variáveis estudadas. Concluiu que a referência do padrão esquelético da face na determinação da morfologia do arco dental e/ou da coroa dental não é apropriada. MCNAMARA et al.40, em 2010, aplicaram um questionário para dentistas clínicos praticantes de ortodontia e ortodontistas do Bristol Dental Hospital entre 2005 e 2006. Foram questionados sobre quais eram os critérios para utilização dos arcos (formas e dimensões) e também se utilizavam modelos ou diagramas para confecção dos mesmos. Dos 1.000 profissionais questionados, 92,6% responderam. A maioria respondeu que a forma do arco é importante, porém não nos estágios iniciais do tratamento e, em particular, que seria adequada a preservação da distância inter-caninos. Alguns responderam que usam modelos e diagramas para auxiliar na confecção dos arcos e outros que utilizam outros métodos. Os autores concluíram que não houve uniformidade em como a forma do arco é preservada e que embora percebessem que havia uma preocupação em preserva-la, levantaram o seguinte questionamento: será que eles estão escolhendo corretamente a forma e o tamanho do arco? MCNAMARA et al.41, em 2010, afirmaram que a forma do arco é importante para manter a estabilidade do tratamento ortodôntico, principalmente por meio da manutenção da distância inter-caninos e inter-molares. Propuseram verificar se existe diferença com relação à estas distâncias antes e após o tratamento ortodôntico. Para isto, dividiram o estudo em duas partes. Na primeira parte orientaram 30 profissionais à confeccionarem arcos em modelos de estudo standart, para que pudessem participar do estudo. Para a segunda parte, foram escolhidos 10 destes profissionais, cada um com 5 casos pré-tratamento e 5 pós-tratamento, totalizando 50 casos para serem medidos. Afirmaram haver diferenças nas distâncias inter-caninos e inter-molares entre os arcos e modelos. Dos pacientes tratados, o resultado foi que houve diferença entre as distâncias inter-caninos e inter-molares dos modelos pré-tratamento e pós-tratamento. Concluíram, que embora muitos profissionais tentassem manter a mesma forma do arco prétratamento, isto não era feito na prática clínica. ODA et al.47, em 2010, compararam arcos pré-formados disponíveis no comércio com a forma de arcos dentais normais. Foram selecionados 30 modelos da mandíbula de estudantes da. Nippon Dental University não tratados.

(39) 39. ortodonticamente e com oclusão normal natural. As distâncias inter-caninos e interprimeiros molares, foram obtidas por meio da digitalização (3D) dos modelos, e um scanner foi usado para digitalizar os 20 arcos pré-formados. As larguras dos arcos naturais foram medidas pela média dos caninos e dos primeiros molares, tanto em profundidade quanto em largura e depois comparadas com os arcos pré-formados. Os resultados foram estatisticamente analisados com o Mann-Whitney test. Concluíram que vários arcos pré-formados não correspondiam às profundidades e larguras dos arcos do grupo de oclusão normal natural, e que a disponibilidade dos arcos pré-formados não suprem a grande variação destes arcos, mas são necessários para a ortodontia atual. TRIVIÑO et al.61, em 2010, compararam as distâncias entre os molares permanentes e o processo alveolar de brasileiros e americanos com oclusão normal natural. Foram selecionados 59 modelos da mandíbula de indivíduos com dentição permanente com as seis chaves de oclusão normal de Andrews. Foi utilizado um programa de computador (ImageJ) para medir as distâncias entre os pontos marcados no centro da coroa clínica dos dentes (FA) e dos pontos marcados no processo alveolar (WALA) de cada dente Os valores médios obtidos foram comparados com os valores normais pelo teste Student t com nível de significância 0,05. Os resultados mostraram um aumento progressivo das distâncias da região anterior (incisivos) para a posterior (molares) de 0,00 mm a 2,49 mm. Houve uma diferença estatística na amostra de americanos, exceto para os valores de canino e pré-molares. Os autores concluíram que brasileiros com oclusão normal possuem uma posição de coroa mais lingualizada nos incisivos, segundos pré-molares e molares quando comparada com oclusão normal de americanos e embora esses resultados tenham significado estatístico, não são clinicamente significantes.. 2.2 A morfologia do arco dental e o tratamento ortodôntico pela técnica lingual. FUJITA26, em 1979, pioneiro na publicação científica sobre Ortodontia Lingual, idealizou braquetes para a técnica lingual e arcos que ficaram conhecidos pela forma de mushroom (cogumelo)..

(40) 40. ALEXANDER et al.2, em 1982, relataram que em 1975, Dr. Craven Kurz ficou convencido de que a colagem lingual era possível e citaram que, devido ao aumento do interesse dos adultos por um tratamento ortodôntico mais estético e funcional, Dr. Kurz e colaboradores (1976) iniciaram os estudos de um novo braquete com a empresa Ormco e patentearam o aparelho lingual Edgewise. Em 1980, formou-se uma equipe denominada Lingual Task Force para trabalhar em busca desses objetivos. Este grupo deveria criar um braquete ideal, desenvolver uma mecanoterapia para aplicação da técnica, definir desenhos de arcos, discutirem a seqüência de tratamento e determinar o critério de seleção dos casos. Como existe uma grande variação anatômica da superfície lingual, deveria ser feita uma individualização em laboratório para montagem dos braquetes, o grupo deveria mostrar como seria feita essa adaptação em cada braquete, bem como idealizar procedimentos clínicos para a colagem indireta. PAIGE48, em 1982, relatou que por razões estéticas, os pacientes aceitariam o tratamento por lingual, pois não se submeteriam ao tratamento convencional. Também enumerou alguns critérios que deveriam ser considerados com relação ao desenho do braquete: A distância inter braquetes no aparelho lingual é menor e, portanto, o desenho do braquete deve ser o mais estreito possível. Outro fator considerado foi a topografia da superfície lingual dos dentes anteriores da maxila e mandíbula, já que qualquer mudança na colagem no sentido ocluso-gengival provoca uma mudança no torque da raiz, porém isto pode ser solucionado por meio de procedimentos de colagem indireta. Considerou importante a facilidade de inserção, ligação e remoção do arco no braquete e propôs a colocação do arco por incisal ou oclusal. A seleção do arco também foi considerada, utilizava os arcos em forma de cogumelo (Fujita, 1979) e arcos mais leves e resilientes devido à distância inter braquetes ser menor e para fixação utilizava o doublé-over-tié (amarração com elástico em cadeia ou fio de amarrilho de metal em forma de gravata). Afirmou que o aparelho lingual apresenta vantagens distintas em relação ao aparelho convencional, inclusive por não afetar o esmalte por vestibular, nos casos em que possa haver pequena descalcificação. KURZ et al.35, em 1982, continuaram sua pesquisa e desenvolvimento do novo braquete lingual baseado no critério de serem tão bons quanto os braquetes usados na técnica vestibular, por serem pequenos, terem um perfil baixo para interferir o mínimo possível nos tecidos bucais, por proporcionar conforto ao.

(41) 41. paciente e que também pudessem ser usados na técnica de Edgewise e, se possível, na técnica Straight Wire. Outro desafio seria adaptar esse braquete às superfícies linguais dos dentes, que são mais curvas e irregulares do que as faces vestibulares. Para isto, fizeram um estudo com 400 dentes, em modelos que foram cortados sagitalmente, montados e projetados numa tela, traçando uma linha na vestibular e lingual e outra representando o plano do arco para definir o torque vestibular e tentar calcular o equivalente para o torque lingual. SCHOLZ; SWARTZ54, em 1982, preconizaram a colagem indireta para os braquetes linguais pela dificuldade de visualização e contorno da superfície lingual. A base do braquete deveria ser adaptada à superfície lingual, bastante irregular quando comparada com a superfície vestibular. A colocação do braquete necessita ser precisa, pois é muito difícil fazer dobras de compensação no arco lingual e leva mais tempo. Sendo assim, o trabalho laboratorial também necessita de precisão. Nesta época, começou a evolução da parte laboratorial para montagem do aparelho lingual, uma vez que a mesma régua utilizada para definir a altura do braquete vestibular não poderia ser usada para lingual, pois uma pequena inclinação dada na régua, devido à diversidade da morfologia lingual, determina uma posição alterada do braquete e pode-se mudar consideravelmente o torque dado ao dente. A dificuldade em visualizar a face lingual da coroa também pode provocar erros quanto à angulação do braquete. Assim, nesta época, a Lingual Task Force fez muitas experiências clinicas no sentido de tentar modificar consideravelmente e melhorar a técnica indireta de colagem lingual. ALEXANDER et al.3, em 1983, relataram a importância da mecanoterapia na técnica lingual. A sequência primária utilizada no tratamento da mecânica de Edgewise lingual foi: nivelamento e alinhamento, controle de torque, mecânica de retração, detalhamento e finalização. Salientaram que para utilizar a mecânica correta deveria-se observar o sorriso do paciente, a altura da coroa clínica lingual, a ancoragem e a forma do arco.. A forma do arco deve ser observada devido à. anatomia lingual e à mecânica utilizada, seja para expansão ou retração sendo necessárias dobras de primeira e segunda ordem. Estas dobras de compensação geralmente devem ser feitas entre os caninos e pré-molares e entre pré-molares e primeiros molares. CREEKMORE18, em 1989, comentou que quando surgiu o aparelho lingual, houve um grande entusiasmo, porém, como os ortodontistas ainda não estavam.

(42) 42. preparados e não haviam braquetes específicos para o tratamento lingual, ocorreu uma grande frustração. Surgiu então a necessidade de se ter um sistema de aparelho lingual que, segundo o autor, deveria ter pelo menos seis requisitos importantes: o aparelho deveria alinhar os dentes por lingual tão eficientemente quanto por vestibular; deveria existir um posicionador de braquetes preciso semelhante a um aparelho de Straight Wire no lado lingual; com posicionamento correto dos braquetes e montagem pela técnica indireta; os arcos deveriam ser préformados com dobras de in set entre caninos e pré-molares e poderia ser utilizado um diagrama; deveriam ser usadas pinças com desenhos apropriados com cabos longos e pontas que possam fazer os in sets e off sets e alicates para dar torques e remover os braquetes e, por fim, que houvessem ortodontistas e auxiliares treinados para a técnica de tratamento lingual como na rotina do tratamento por vestibular. Citou que, o tratamento lingual tem obviamente suas vantagens sobre o tratamento convencional por não prejudicar a superfície externa dos dentes e não causar gengivite vestibular, e por permitir ver o alinhamento e contorno vestibular dos dentes. Porém, tem desvantagens, como o sistema de colagem que deve ser feito na superfície lingual irregular dos dentes que não são tão alinhados quanto na face vestibular, criando a necessidade de se fazer a colagem indireta dos braquetes. A capacidade de alinhar os dentes no aparelho lingual é a mesma que com o aparelho por vestibular. Concluiu que usar simplesmente braquetes da técnica vestibular por lingual não traz resultados satisfatórios, fazendo-se necessário o uso de um sistema de braquetes específico para a técnica lingual. ALEXANDER et al.4, em 1997, argumentaram que a técnica lingual não deve ser uma técnica que utilize o arco contínuo semelhante à técnica vestibular Straight Wire (Andrews,1989), isto porque normalmente os arcos confeccionados seguem a anatomia lingual e portanto os arcos deveriam ser contornados com a forma de cogumelo (Fujita, 1979), onde são feitas dobras entre a distal do canino e a mesial do primeiro pré-molar e, às vezes, também entre o segundo pré-molar e o primeiro molar, denominada forma de árvore de Natal. FILLION25, em 1998, afirmou que grandes mudanças nas técnicas tradicionais estavam acontecendo no mundo todo e que isto, certamente, iria intensificar-se e aumentaria a competitividade dentro do mercado da Ortodontia. Foi assim que Fillion iniciou suas primeiras experiências com a técnica lingual, motivado pelo artigo publicado pela Lingual Task Force. Acreditava que seria necessário um.

Referências

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