UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
A S S I F I C A Ç Ã O D E S U P E R F I C I E S
SERGIO ELI CRESPI
Agradeço aos responsáveis por minfia formação , Josê e Santina, meus pais.
À Janete, pelas horas que d è l a t i r é i para poder reali
Esta tese foi julgada adequada para a obtenção do título de
"MESTRE EM CIÊNCIAS"
especialidade em Matemática e aprovada em sua forma final pelo Curso de Pos-Graduação.
Banca Examinadora:
Prof. William Glenn Whitley, Ph.D, Orientador
rof. Joao Bosco P. de Carvalho, Ph.D
fronteira e sem fronteira.
No decorrer desta classificação, apresentaremos al^ guns invariantes numéricos que completam a classificação de Homeomorfismos destas superfícies.
ABSTRACTS
The objective of this dissertation is to present a study of the classification problem for compact two manifolds with and without boundary.
We present some numerical invariants which completely determine the homeomorfism class of these manifolds
INTRODUÇÃO... vi
CAPÍTULO I - COMPLEXOS SIMPLICIAIS ... . 1
CAPITULO II - VARIEDADE T O P O L O G I A . ... 12
CAPÍTULO III - SUPERFÍCIES... ...
20-CAPlTULO IV - TEOREMA DA CLASSSIFICAÇAO DE SUPERFÍ CIE COMPACTA...'... 51
CAPÍTULO V - VARIEDADES COM FRONTEIRA;;... 73
vi
INTRODUÇÃO
O conceito topológico de superfície ou variedade de d i mensão 2 é uma abstração matemática do conceito familiar de super
fície feita de papel. Uma variedade de dimensão 2 é um espaço to pológico com as mesmas propriedades do plano cartesiano.
Definiremos e daremos alguns exemplos de variedade n-di mensional mas dedicaremos a maior parte deste trabalho para o ca so n = 2 .
A existência de um teorema de classificação de varieda des compactas de dimensão 2 , faz com que nossos conhecimentos so bre variedades de dimensão 2 sejam mais completos, que nossos co nhecimentos sobre os casos de dimensões superiores.
Este teorema nos mostra como obter todas as variedades compactas de dimensão 2. Definiremos invariantes que nos permitem determinar se duas variedades compactas de dimensão 2 são ou não homeomorfas. Até hoje não se conhece nenhum teorema que classifi que variedades compactas de dimensão 3, e os especialistas em ló gica provaram que não podemos esperar nenhum resultado completo de variedade n-dimensional n 4.
COMPLEXOS SIMPLICIAIS
Trabalharemos com subespaços especiais de Rn munido da topologia dada pela distância euclidiana.
1) Definição:
Sejam P e Q pontos de R . Um segmento PQ é o subconjun to da reta gerado por P e Q formado pelos pontos T = K P + L Q com K + L = l , K » 0 e L ^ O .
A medida que K e L variam o ponto T = K P + L Q descreve o segmen to P Q . 2) Exemplo: Seja P = (2,2) Q = (6 ,6 ) T = (x,y) T = K P + L Q (x,y) = j < 2 ,2 ) + “ (6 ,6 ) T = (4,4) 3) Definição:
Um conjunto L(^ R n é chamado convexo se para todo par (P, Q) de pontos de L, o segmento P Q está inteiramente contido em L.
2
E x e m p l o s :.n
-4) 0 disco D é convexo, 5) L não é convexo 6 ) Definição:Um conjunto {pQ ,p^,...,Pm } de vetores de Rn é convexo independente ou C - independente, que denotamos por C - I ,.se o conjunto {p^ - pQ , p 2 - P0 '***'Pm “ P0 ^ ® linearmente independen te. Pela forma que definimos, parece que a ordem dos elementos do conjunto influencia a C - independência do conjunto, o que não ocorre como mostraremos a seguir.
Seja L = {pQ , P]_/***/Pm } 11111 conjunto C - I, isto é, m
{P • - P ~ }• i e L - I . D o j = l
Vamos mostrar que para cada i ^ 0 o conjunto
L' = (P0 - P ± f P x - P ± , P 2 - P ± f•-•'Pi.! " P ± / P i + 1 " - P i 7 Pm - Pj_) é L - I , isto é, se Z a . (p. - p . ) = 0 teremos a. = 0
V.
/ i, j ^ i D D Assim 0 = Z a . (p. - p ) = Z a. (p. - p + p - p ) = j^i D D 1 3 D o o 1 = 2, a. (p - p ) - E a. (Pt -P_) jjíi,0 D1
o j^i D1
o= E a. ( p . - p ) + ( - E a . ) (p. - p ) .
3 ^ 1/0 J J 3^.1 J
Portanto sabemos que a. = 0 se j / 0,i e E a. = 0,
3 j^i 3
Desta forma a soma 0 = E a. reduz-se a 0 = a0 .--- --- - - V Q . Concluimos que todos os são nulos. Logo
{ p . - p . } . # . e L — I . D 1 D Exemplos: 7) Seja o conjunto: S = {(1,0,0),(0,1,0),(0,0,1)} ■-- ,--- ' I--- -— -j i--- ,-- 1 P« Pl P 2 Pl - P0 = (-1 ,1 ,0 ) P 2
“
P0= (-1,0,1)
Resolvendo o sistema de equações lineares homogêneas vemos que a única solução é trivial. Logo S é C - I.
8 ) Qualquer subconjunto não vazio de um conjunto C - I é C - I. Seja {pQ/p 1 ,--
'Pn #pn+1#
--- ,Pm^ um'conjunto C - I , isto, ,m „ ,
e, ÍPj _ P0 ^j_2. e L - I . Sabemos que qualquer subconjunto de um conjunto L - I é L - I , logo o conjunto {p^ “ P0 ^_]_ ® L - I , con cluimos assim que o subconjunto {pQ ,p^, . . . ,Pn ) é C - I .
9) Seja S = {p^,p2 ,..•,p } um conjunto L - I , -então o conjunto s U {
0
} e C - I , isto é, basta fazer pQ =0
obtendo assimPl " Po = Pl P 2 " Po = P 2
• • •
• • •
• • •
4
10) Qualquer conjunto L - I não vazio é C - I .
11) Definição:
Seja S um subconjunto de Rn .
Definimos a casca convexa de S como sendo o conjunto n
T = { £ a. p. com n <£ N / p, £ S, a. 5> 0 e £ a. = 1 } .
i=l 1 1 1
12) Lema
Seja S e T como na definição anterior, então T é conve xo .
n m n
Seja P = £ a.p. e Q = £ b.q. onde a . ^ 0 £ a. = 1
i=l 1 1 j=l 3 3 1 ±=1 1 m n . m Então se 0 $ t $ 1 , tp + (1 - t)q = t_ £ a.p..+ (1-t) £ b.q. = i=l 1 1 ' ~ j=l 3 3 n m n+m = £ a.tp. + £ b (l-t)q. = £ C W D . onde: i = l 1 " 1 j=l 3 3 R=1 R R f~CR = a it para R = l,...,n ,t Cn+j = 3 = •, Wn = Pi para i = 1 , . . . ,n Wn +1 = 3 j para j = í , ...,m . n+m
Para £ C W.Í pertencer a T é suficiente que: R=1 K R
n+m
CD ^ 0 e £ C_ = 1 .
R R=1
Mas CD > 0 pois a. 0 e b . 0 além disso,,
n+m n m n m Z C = Z r + Z C = Z a t + Z (l-t)b. R= 1 K R=1 K R=n + 1 K R=1 1 j = l n m = t Z a. + (1 - t) Z b . = i=l 1 R=n+1 D = t . 1 + (1 — t ) . 1 = t + l - t = 1 Logo T é convexo. 13) Definição:
Seja S = {V0 '***/Vn > um conjunto C - I em Rn , sua cascâ convexa an será chamado o n-simplexo fechado com vértices
{v , . . ., v } .
o n
14) Lema:
n n
x ^ o se e somente se x = Z t . v. com t. 0 ~>e Z t. =1
n i=0 1 1 1 i=l 1
isto ê, x £ an se e somente se for uma combinação convexa de ele mentos de S. Além disso os t^ são unicamente determinados pelos v^ e são chamados, as coordenadas baricêntricas de x relativo aos vértices .v ,v ^ ,...,vn '.
D emonstraçao:
A primeira parte deste lema decorre da definição de cas ca convexa. A unicidade dos elementos t^ iremos provar a seguir.
n n
Seja Z t .v.. = Z s . v. i=0 1 1 i=0 1 x
n n
mostraremos que t. = s.. Assim Z t.v. - Z s.v. = 0 ou 1 1 i=0 1 1 i =0 1 1
6
n
Z (t - s . ) v . = 0 . i _ 0
Suponhamos que algum - s^ £ 0. Por simplicidade ire mos demonstrar para o caso i = 0 , isto é, t - s ^ 0 .
^ ’ o o
n t ® - s ? Então resolvemos a equação para v = Z (— — r— )v.,
° i=l so ~ o 1 deste modo n t -s. n t . ~ s . n t . - s . Z (r - _ ) ( v -v ) = E - - E ° 1 = 1 o o 1=1 o o 1=1 o o n t . - s . n t . - s . - vo - <.£. i r - r i r ^ o • 1 = 1 O O 1=1 o o n n n n Mas Z t. = 1 = Z s. Z t. - Z
s.
= 0 i = 0 1 i = Q 1 i = 0 1 i=0 1 n nz t.
-z
s . +(t
-■ s ) =o
i = l 1 i = l 1 ° ° n n t . - s . Z(t
. - s . ) = s -t
— Sz
~ — ™ = 1 . , ' i i o o — / . , s - 1 ' 1=1 1=1 o o n t . - s . 1 - Z — — ~ = 0 . 1=1 o oDeste modo concluimos que:
n t .
- s .
I — -- (V. - V ) = 0 , i=l so - 1 °t .
- s .
e .
.
-L-—
i = o pois
{v_,...,v }
é c -I.
so
o
o
n
Âssiiii t^ = s ^arai - l /.../n.'
n
n
Coiíid
Z
t. e 1
e
Z s .
= 1
temos
1=0
i=0 1
n n n
t o + . . Z t. = 1 rfS t i / o = 1 - Z t. = 1 - Z . , a . , s . = si o
i=l i=l i=l
logo tQ = sq , chegamos a uma contradição pois admitimos que ^ - so *
°-15) Definição:
Seja an um n-simplexo fechado com vértices {vQ ,...,vn ) . Definimos o n-simplexo aberto o com vértices {v }
c n o n
como sendo o conjunto
16) Exemplos:
a = a é um ponto,
o o c
é um intervalo aberto (v0 /v ]_) e c^ é um intervalo fechado [v0 /v i í •
a
2
é o interior de um triângulo e cr2 = cr2 V Fr ^a2 ^ ‘ a-, é o interior de um tetraédro e c 0 = V F (o0) .j J ô r . J
17) Definição:
Seja c?n um n-simplexo aberto^ou fechado^com vértices VQ ,...,vn e q um inteiro 0 ^.q^n.
Uma q - face fechada (aberta) com vértices v. /...,v. é um sub-
_ q 10
conjunto de cr formado pelos pontos Z t,v., com 0 ^ t, $ 1 k =0 K 1K ' K (0 < t ^ ^ l ) e Z t ^ = l .
Isto é, S é uma q - face aberta (fechada) de 'cr . se S ê um q-sim - plexo aberto (fechado) com vértices escolhidos entre os de'cr.
8
Agora introduziremos o conceito de simplexo orientado através da orientação de seus vértices.
18) Definição:
Um'simplexo é chamado um simplexo ordenado se munirmos o conjunto de seus vértices com uma ordem (total). Por exemplo, se on é. formado pelos vértices ív0 ,...,v } podemos munir os vérti ces com a ordem v < v, < .... < v .
o 1 n
Seja o simplexo tendo como vértices {vq , v i' v 2 ^ e
t^ tendo os mesmos vértices.
Seja a ordem de r vq < v^ < v 2 , e a ordem de v. < v„ < v, .
1 2 ô
Estes simplexos não são iguais como simplexos ordenados, mas são iguais como simplexos geométricos.
19) Definição:
Seja on e xn dois simplexos ordenados com os mesmos vértices {v ....,v } com as seguintes ordens: ví < .... < ví e
o n j-o n
VjQ < .... < Vj^ respectivamente.
Dizemos que as ordens em o e t determinam a mesma orientação se
n n
a permutação de (i ,...,in ) para (j , — ,j ) dos inteiros (0 ,... ,n) é uma permutação par. Caso contrário as ordens determinam orienta
ções diferentes.
Se as ordens de an e rn são equivalentes, isto é, deter minam a mesma orientação, dizemos que a e t são iguais como sim
n n . —
plexos orientados, caso contrário dizemqs que an = - xn *
Se a é um simplexo com vértices v ,v.,...,v , o símbolo
o 1 n
lente a v < v, <... < v ,
o 1 n
E x e m p l o : .
p 2
$2
® determinado por < pQ/p^ ,p2 > e t2 ® determinado po:r:< p^,p2,p^>Portanto o'
2 = - t2
20) Definição:
Um complexo simplicial K, é um conjunto de simplexos 00
abertos o , de R , tais que:
i - Se cr é K f todas as faces abertas de o também per
m m —
tencem a K.
ii - Dois simplexos distintos de K são disjuntos»
iii - Dois simplexos distintos de K não tem todas as fa~ ces coincidentes, ou equivalentemente simplexos distintos.não tem os mesmos vértices.
iv -• Se a é"um siraplexo de K, x í o e { x } , é uma
n ^ c n 1 n n -1
seqüência de pontos que converge para x e todos es tão contidos em simplexos de dimensão n, então even tualmente todos os {xn } são elementos de o‘n .
SjJ
com-10
plexo K é denominado poliédro, e é indicado por {K j » e K é chama do urna triangulação de j K j »
A dimensão do complexo K ê dada pela dimensão do maior simplexo, se existir.
O complexo ê dito finito, se possui só um número finito de simplexos.
21) Exemplos:.
P 2 p 6
Temos os seguintes simplexos:
0 - simplexo pQ ,px ,p2 ,p3 ,p4 ,p5 ,pg ,P ? . 1 - simplexo P0 'P1 /P0 P 2 'Pi P 2 ' P 2 p 3 /P4'p 5 /P4 p 6'p 5 p 6' P 6 .P7 rP5 P 7 . 2 - simplexo P0 P 1 .P2 'P4 P 5 P 6 /P4'.P6 P 7 fP4.-P5 -P7 fP5 -P6.P7 3 - simplexo p 4 p 5 p g p y . )
22)
Seja o conjunto {pQ ,PX ,P2 »P3 »P4 /PQ Pi'P0 ‘p 2'p l ,p2'p 3*p 4* Este conjunto não define um complexo, pois os simplexos p^ -P2 , p^ P 4 não são disjuntos.
No 19 exemplo o conjunto (po ,Pi,P2 fP0 Pi'P2 ^ nao define um complexo simplicial, pois o simplexo pQ p^ p 2 não tem as faces
P0 Pjy PQ P 2 * Px Pertencentes a K.
23) Seja o conjunto ÍP0 ^P1 ^P2 PQ 'p ljP 1 'p 2'P0P 1P 2 *
Pi
não é complexo pois pQ p^ P 2 não possui todas as faces no conjun to.
12
CAPITULO II
VARIEDADE TOPOLÕGICA
Definiremos e daremos alguns exemplos de variedades n-dimensional, mas dedicaremos a maior parte deste trabalho para o caso n = 2 .
1) Definição:
Seja n um inteiro não negativo. Uma variedade topológi- ca ou C°, n-dimensional é um espaço de Hausdorff, tal que cada ponto P tem uma vizinhança aberta homeomorfa a bola aberta n-di - mensional Un = { x £ Rn / |x| <1}.
2) Observação:
É fácil ver que se U é aberto em Rn e x € U, então exis te uma bola aberta com centro em x que está contida em U. Portan to podemos enfraquecer a condição na definição a ser:
"Cada ponto possui uma vizinhança homeomorfa a um
aber-„nto em R .
Exemplos:
3) 0 espaço euclidiano Rn é uma variedade n-dimensio nal. Basta verificar que a função identidade é um homeomorfismo de Rn sobre um aberto de Rn , ele mesmo.
4) A esfera Sn de dimensão n é uma variedade n-dimensio n a l .
Sn que contém o ponto P, e uma função f: D -*■ N , sendo N um aberto de Rn e provaremos que f é um homeomorfismo.
P i Definimos: S. = { (x1 ,x2 ---- 'xn + l ^ x l + x 2 + x 3 + * * * + xn = * N = { (x1 ,x2 , . . . ,xn , 0) é Rn + 1 / Exí < 1 } Q Rn . e D = { (x1 ,x2 ,...,xn + 1 ) ^ S / xn+1 > 0} Escolha x € D.
Seja r o segmento de reta que passa por x e -p, então:
rx = {tx + (1 - t) . (—p ) / 0 t ^ 1} . Como x = (x1 ,x2 ,. •/xn+i^
então: rx = {t (x1 ,x2 ,. . . ,xn + 1 ) + (1 - t) . (0 ,0 . ,-1)/O^t^ 1 } =
{ (tx1 ,tx2 , . . . /txn + 1 ) + (0 ,0 , . . . ,t-l) / O í t á l ) =
'{(tx1 ,tx2/ — ftxn / txn+1 + t - 1 ) / 0 ^ t ^ 1 } .
Definimos f(x) a ser o ponto onde r atravessa o plano
14 x ,, isto é, quando tx , + t - 1 = 0 . n +1 ^ n +1 x, x. X Portanto f(x) = ( n 1 + xn+l ' 1 * xn +1 1 + X )
.
n +1A verificação que f é contínua é imediata pois cada função coorde nada é contínua. Temos que 2 *x i J i=l + xn+ n (x.) | f (x) = E — ----■i _ i (1 + x n l )2 (1 + xn + 1 )2 . i=1E (x.) . n 2 2 n 2 ' 2
Desde que E (x.) + (x ,) = 1 sabemos que E (x.) = 1- (x ,) ,
i=l 1 n + x i=l 1 n+1
Substituindo na primeira equação temos:
f (x) | = — --- i--- -5- . 1 - ( x ,)2 (1 + xn + 1 )^ n +1 (1 - x , ) _n+l 1 - xn +1 ^ + xn + l >2 ' (1 + Xn+l) 1 + xn + 1 < 1
o que mostra que f(x) £ N.
Portanto f é uma função contínua de D em N. Seja (a1 /a2 / ...fa ) £ N.
Provaremos que o sistema de equações x. 1 “ 1 + Xn +1 x. 1 + Xn +1 x n +1
tem solução com (x1 ,x»,....x ,) A D. 1 2 ' ' n +1 c Se tiver soluçao/^^ = a^.íl + xn + ^) /
x2 = a2 * (1 + xn + l * '
• • • •
• • •
xn = V *1 +
xn.l>-Precisamos determinar xn + ^ e provar que a solução é elemento de D, Sabemos que se (x^ , . . ./xn+^ é" D . é solução, então:
1 = (X i )2 ) ♦ (xn + 1 )2 = a í < l + x n + 1 ) * <xn +l>2 = 9 n 2 ? = (1 + x ,) . E a . + (x n ) n+jL i — 1 n+1 n 2 Seja a = £ a. e x = x i=i 1 n+1
Substituindo na equação acima temos:
1 = (1 + x) 2 . a + x 2 ou (a + l)x2 + 2a x + ( a - l ) = 0 .
Resolvendo a equação do segundo grau obtemos as seguin tes raízes:
-2a ± v/~4a*~ - 4 (a + 1 ) . (a - 1 ) = -2a ± 2
X 2 (a + 1 ) 2 (a + 1 )
. -a + 1 ,, -a - 1
x ’ = -- — - x" =
-a + 1 a + 1
Como tem que ser positivo, escolhemos a seguinte raiz da equação: 1 — a * x ' 1 = --- > 0 desde que 0 < a .< 1 . n +1 1 + a ^ Verificaremos que (x ^'x2 '‘ *,Xn+l^ ^ D * "I ;
16
Y lv \2 /v \2 ? / l2 /I " a >2 (xi> + n + 1 = .Z=l (xi> + Í T T i ) =
n 2ü , « < i \ ^ x n í-\ /* \ 2 = Z (— i )2 + — = --- --- r 2 a + l 1-~ g i - =
i = l 1+a (1 + &) (1 + a) i=l 1 .(1 + a )
4a + 1 - 2a + a2 _ 1 + 2a + a2 _ ^ (1 + a ) 2 (1 + a )2
(
assim mostramos que (x^,x2 ,.../xn +i) 6 D * Logo podemos definir uma função g: N ■+ D
n 2
2a-^ 2a2 2a ^ ai
(a1 ,a2 /.../an )~* Ít-t n Z ' 5 2 ' ’ ’ ’' 5 ? ' " 7 *
1 + E a. 1 + E a 1 + E a 1 + E a
i=l 1 i=l 1 i=l 1 i=l 1
É imediato que g é contínua, desde que cada função coordenada é c ontínua.
Agora calcularemos a composição de f com g.
a) g o f g o f ,x2 ' • • • ' xn + i ) ~ Çf ( x ,
2^2
, • * * , ) ) = 1 2 n 1 + x„ l1 1 + x v cn+l 1 + xn+l 1 + xn+l n Xi 22,xl/1 +xn+l
2*xn/1 + xn+l
1
i l l1
+ ^n+l
,,
n
x
2'” "
n
x.
2 '
n
x.
2
l + z (----i-- )z 1 + E (---- Í-- r l + z (— i---) i=l 1 + *n+l i=l 1 + ^n+1 i=l 1 + *n+in ( x . ) 2 n 2 2
fazendo x = E --- :--- - temos que E (x. ) = 1 - (xn + ^) i=l (1 + x ,) i = l
n +1 ou
Portanto x x = 1 ~ (xn+l> = ±_______n + 1 (1 + (xn + 1 ))2 1 + xn +1 1 - x 1 + x = 1 + n +1 1 + xn+l 1 + xn+l 1 + x n + 1 1 + x :^ xn+l 1 - X 1 + X 1 + X. n +1 2xn +1 1 + x.n +1 1 + xn +1 1 + xn +1 g o f (x1/x2,...,xn+1) 2 x, 1 + x , .2 x 1 + x .. . 1 n+1 n n+1 „ v - \ _ r • " / • • • i • -m— 2Í I 1 + xn +l 2 l t x n+l 2 n+1 “ ^x l'x 2 ' * * *'xn+l^ ‘ Calculamos agora f o g . b) f o g
f o g (a1 ,a2 f. . . #an ) = f (g (a1 ,a2 , . . . ,a ) ) = n 2 2 a, 1 - .2, aI • - f /______ ^ \ n 0 ' ’ * ‘ ' n 0 ’ 1 + £ a 1 + Z a . , 1 . , 1 1 = 1 1 = 1 n 9 n x. 2 a , / l + E a 1 - Z (— - --- )2 /____________ i = l j_i 1 + x n + i n x, n x. 0 ' i + z (-— r i +• s (-— -— ) i=l + xn+l i=l + xn+l
18 n
2 a
, £ 2 n (x.)2 , + . ai Sabemos que x = Z. 1 X 1_ i = l + x n + l^ 2 1 + x n 2 1 + Z a i = l 1 n 2 •5 a 1 + Z az i 2 a . , i 1 - x _ ______n ____ i=l 1 + x n * 2 an 1 + Z af i=l 1 n 2 1 - Z a^ Portanto 1 + x = 1 + — n p n ? 1 + Z a 1 + Z a • n 1 • i 1 1 = 1 1 = 1 n 2 0 1 + Z aT 2 a, . . i 1 i = lf o g (a1 ,a2 ,...,an ) = (--- ---- 1... ...an ) 1 + Z a
i = l 1
Provamos assim que g é a função inversa de f. Como am bas são contínuas concluímos que f é um homeomorfismo, provando assim que a esfera de dimensão n é uma variedade n-dimensional.
Algumas propriedades sobre variedades topológicas
5) Seja M uma variedade m-dimensional e N uma variedade n-dimensional, o espaço produto M x N é uma variedade (m + n) di mensional .
Mostraremos que dado um ponto Z £ M x N existe um aber to U x U £ M x N homeomorfo a um aberto em Rm + n .
P q
S e j a Z = (p,q) £■ M x N, como M é uma variedade m-dimen sional existe um homeomorfismo xLi: U -»■ Rm sendo U uma vizinhança
y P P
aberta de P em M, analogamente para N existe -> Rn .
O conjunto Up x Uq ® 111113 vizinhança aberta de Z = (p,q ) em M x N : e a função f: x + ,Rm x Rn = Rm+n definida por f(a,b) = (ijj(a), Y (b)) é um■ homeomorf ismo de U x U sobre Rm + n .
p q
6 ) Como exemplo desta propriedade temos:
S^ x S^ x .... x S 1 = Tn é uma n-variedade desde que S^ é 1 - variedade.
7) Se M n é uma variedade n-dimensional, qualquer aber to V de M n é também uma variedade n-dimensional. Escolha P é V C M n, existe U vizinhança aberta de P em M tal que f: U Rn é um
P M P
homeomorfismo.
Então f/U U C W + f (U f\ V) é um homeomorf ismo de
P A V p p
uma vizinhança aberta de P em V sobre um aberto em Rn . Logo V é uma variedade n-dimensional.
CAPÍTULO III
SUPERFÍCIE
Superfície é uma variedade topológica conexa de dimen
-são dois, isto é, um espaço topolõgico de Hausdorff, tal que,,
ca-2
da ponto tem uma vizinhança aberta homeomorfa a um aberto de R .
Uma técnica para determinar quando duas superfícies..são
homeomorfas, que explicitaremos mais a frente, pode ser visualiza
da assim:
Dada uma superfície S^ podemos abri-la através de .
um
corte, deformá-la e obter uma nova superfície 82 # através da iden
tificação dos pontos onde houve o corte.
I) Definição:
Espaço quociente
2) Definição:
Seja '
V
j
uma relação de equivalência em um espaço topolõ
gico A. Chamamos o conjunto quociente de A pela relação de equiva
lência 'v., denotamos por A/^, ao conjunto de todas as classes
de
equivalência de
isto é:
elemento x em relação a 'v ou, x = {a
çA / a ^ x}.
3) Observamos que a função n: A -
»
■
A/^
n(x) = x é so
bre
jetiva. Assim dizemos que U C A / ^ é aberto se e somente
se
(U) é aberto em A. A/£^ munido com esta topologia é chamado
o
espaço quociente de A por ^ . 0 espaço quociente responde a nossa
idéia intuitiva de formar um novo espaço topolõgico identificando
certos pontos de um espaço topolõgico dado. Corresponde a
noção
de colar juntos dois ou mais espaços topológicos. É um método im
portante para formar novos espaços topológicos a partir de
uma
coleção de espaços dados. Por exemplo, começamos com os
espaços
Xj e X2 e passamos a sua união disjunta X = X^ ü X2 . Depois defi
nimos de maneira conveniente uma relação de equivalência
r Jque
identifica alguns pontos de X^ com outros de X2 em X, a
colagem
serã
X/^u.Usaremos este método para definir algumas
superfícies
que aparecerão no decorrer deste trabalho.
Exemplos de superfícies:
4) Esfera S2
S2 = {(x,y,z)£ R^/x2 + y2 +
z ‘'= 1} para
demonstrar
2que S ê uma superfície, basta analisar o exercício n9 4 pag. 12
para n = 2 „
5} 0 toro T ê uma superfície
Seja X = [0,1] x [0,1]. Definimos a seguinte relação de
equivalência o. em X:
^ = ((x,y), (x,y)/(x,y) £
x} t/{ (x,0), (x,l)/x £ [0,l]}IJ{(0,y), (l,y)/y£ [0,1]}.
22
Devemos mostrar que o toro T é uma 2-variedade, isto é,
se Z pertence a T existe uma vizinhança de Z em T que é
homeomor-to (x,y) no interior de X. Falta verificar os ponhomeomor-tos representa -
dos por elementos da fronteira. Para verificar isso, usaremos
a
seguinte proposição.
Seja A = (a,b] x (c,d) e B = [e,f) x (c,d)
com
(a,b]
[e,f) = 0 .
Defina 'u a sei' a menor relação de equivalência em A U'B
que identifica (b ,y) com (e,y) para y £ (c ,d) . Então A U
é
2
homeomorfo a um retângulo aberto de R .
Demonstração:
Se (x,y)
éA U B, [(x,y)] representará a classe de equi
valência de (x,y) em A ü B/^.
Seja P: A U B
A U B/^ a projeção natural que leva
o
ponto Z na sua classe de equivalência [Z].
Seja D = (a,b + f- e)x(c,d). Definimos duas funções
A
D
e
\p2
: B
D P°r
9 - _
fa a um aberto de R " . Isto e obvio se Z e representado por um pon
i|;1 (x,y) = (x,y)
e
ip2(x,y) = (x - e + b, y) .
As funções ^ e
ip2
determinam assim a função
^ ^2: A U B -
>
-
D
definida por;
\p
3
U
412
(Z)
Í
>2
(Z)
\pj
(Z)
se
Z £A
e Z £ B
Claramente as funções
e ^ U
4>2
são contínuas.
Mostraremos agora qu.e 4* = (ipj_ U
\p2 )0p-1 é uma função de ,
A ü B/^
ein D e portanto uma função contínua. Isto
é ,mostraremos que para
cada ponto Z £" A U B/^
(ip^U
\p2
)C>p~^(Z)consta de um único ponto
de D.
Tome Z
eA U B A
'
"
'
'
Caso 1:
Z = [(x,y)] com (x,y) £ (a,b) x (c,d)
neste caso p"“ (Z) = { (x,y)} e y(Z) consta unicamente do
ponto
ip} (x,y) = (x,y) .
Caso
2%Z = [(x,y)] com (x,y) £ (e,f) x (c,d)
Do mesmo modo como no caso 1, y(Z) consta de um único ponto
\p2
(X tY) = (x - e + b, y) .
Caso 3:
Z = [(b,y)]
Neste caso p
(Z) = { (b,y),(e,y)}. Portanto
V
(Z) =
(b,y) /
(e/Y) } = { (b,y) , (e - e + b,y) } = { (b,y)}
logo y (Z) consta unicamente de um ponto.
Caso 4:
Z = { (e,y)}
Este caso está incluido no caso 3.
Assim
y êuma função contínua de A U B/^ em D.
Agora mostraremos que ¥ é injetora.
Seja
e
£ D tal que zx ^ Z2 e ^^zi^ =
24
r
^ CZ1 ) = C^-j_ U ip2 ) o p ' 1 Cx^ , y ^ ) = ~JZx = r Cxx , y1) 3
Z2 “ I(x2 > y 2 )] Desde q u e :.Cxi, y^) se x 1 g (a, bj
(xx + b - e , y x) x 1 £ [e,.f)'
"1 í *
(Z23 = (i/i-j U tj)2) o p (x2> y2) = I (x2, y2) se x2 <£ (a, b(!I
sw (x2 + b - e, y2) se x2 g [e-, f)J
tem-se que y^-=.y2
Se x^ e x 2 estão em (a, b] ou ambos em [e, £) segue que as primeiras coordenadas de ¥(Z^) e 4'(Z2) são iguais, isto é, x i - x 2 0u x l t b * e . x 2 + b . e.
De qualquer modo x^ = x 2 , com isto ocorre uma contradição. Portan to podemos supor que x^ ^ (a, b] e x 2 £ [e, £).
Assim lembrando que y^ = y 2 , temos que
Cx^ > ~ ^ 2 s ^1^ = ^ ^ 1^ = ^ ^"
2
) ~ ^2 ^x2 * ^1^ = ^x2 ^ ~ ® > ^1^Desde que a < x^, <c b_ tem-se que a < x 2 + b - e ^ b ou (a - b) + e <
mas e 4 x2 < f com isto segue que x2 = e
substituindo
em
= x 2 + b -e r)
x ^ = e + b - e ^ x ^ = b
.Portanto
Z1 = [ ( b , y x ) 3 = [Ce, y ^ ] = Z2
-0 que e uma contradição, logo 'F é injetora. Vamos mostrar que y ê sobrejetora.
Desde que A U B/^ e localmente compacto, D é Hausdorff e ¥ é con tínua e bijetora, T e um homeomorfismo e a proposição estã demonjã t r a d a .
Voltamos ao problema de construir vizinhanças planas no toro, se Z £ T e é representado pelo ponto Co, y) em X, podemos escolher c, d Ç ÇO, 13 tal que c < y < d.
Seja A = (|, 1] x (c, d) B = [0, |) x (c,d). ^ A proposição mostra que A U B/^ ê uma vizinhança aber ta de Z no toro que é homeomorfa a um retângulo aberto do plano. Os outros casos de pontos representados na fronteira são resolvi dos de maneira semelhante. Do mesmo modo mostramos que as seguin tes 2 - variedades são superfícies.
6 ) Faixa de Moebius.
Em Q = [0,1] x (0,1) definimos a seguinte relação de equivalência.
a) se x / 0 e x' ^ 1 então (x, y ) ^ (x1, y ’) se e somente se x = x 1 e y = y 1.
’
3
-b) (o,y) ^ (1, 1 - y ) . O modelo de Q/^ em R e a faixa de M o e b i u s .
(°,y)
(
1
,1
-y)/
26
7) Garrafa de Klein K
Q = [0/1] x [0,1]/ defina a relação de equivalência:
a) Se x, x '
£0,1 e y, y'
40,1 então (x,y) ^(x'y')
se
x - x '
e y = y 1
.
b) (x,0) a. (x*
/1)
se x = x '
c) (0 ,y) 0/
(1 ,y')
se y + y 1
= 1
y 1
= 1 - y
8) Plano projetivo
a) Definimos o plano projetivo P2 como sendo o
espaço
2quociente da esfera S obtido pela identificaçao de cada par
de
pontos diametralmente opostos.
Outra definição de plano projetivo.
2
b) Seja T = { (x,y ,z) ^ S / z
0} o hemisferio
supe-2rior fechado de S .
O
Ê evidente que, de cada par de pontos de S t diametral
mente opostos, ao menos um se encontra em T.
Se os dois pontos se encontram em T , então estarão sobre o equa -
dor que é a fronteira de T. Assim podemos definir também o plano
projetivo ?2 como o espaço quociente de T Qbtido pela identifica
ção de pontos diametralmente opostos da fronteira de T.
O teorema abaixo mostra que T/% e S^/o, são homeomor
-fos
.9) Teorema;
Seja X um espaço topológico compacto, ^ uma relação de equivalên
cia em X e A um subconjunto fechado de X. Seja % a.relação de equivalência em
A induzida por
tal que a^ %
a,.
a^,
Q_
A^ e 'a^ ^
.
como
elemento-de X. Se caia classe elemento-de equivalência elemento-de 'V intercepta A, então X/% e A/ffe são
homeomarfos.
Demonstração:
Sejam i': A-> X a função inclusão, P: X
X^je P: A/#
a projeção natural. Mostraremos que P o i induz um homeomorfismo4*
de A/$ em
x/rj.
A
P
A/# p o 1p
x/a/a)
Vamos mostrar que (poi) o p "
êuma função contínua.
Sejam a^, a2
éA com p (a^) = p (a2 )
e (a^^ a2)
(po i)
a-j= P
(a^)= P
(a2) = (p o i)
a2 e segue que¥
é
uma função contínua de A/# emXfa .
(poi) o p
Assimj
b) y é injetora.
Escolha Z1 ,
2>2
é.A /# tal que
(Z^) =
(Z2 ) .
Escolha a^, a2 £ A tal que p(a^) = Z^ e p(a2 ) = ^
P^a^)
=
(poi) (a^)= y(Z1) = ^(Z2 ) =
(poi) (a2 )=
P(a2 ).a^ e a2 são elementos de A que s ã o ^ equivalentes, portanto
96
equivalentes, logo
= Z2 .
c) ('F
ésobrejetora,
28
Segue imediatamente que ¥ (p(a)) - Z .
d) f é um homeomorfismo.
Desde que A é fechado em X e X é compacto, ambos X/^ e
A/% são compactos, logo ¥ é um homeomorfismo.
10) Corolário:
As duas construções de plano projetivo definidaas ante
riormente determinam espaços homeomorfos.
Triangulagão de superfícies compactas
...11) Definição:
Uma triangulação de uma superfície compacta S consiste
em complexo simplicial K e um homeomorf
ismo f = /K/
S .
Os subconjuntos de T ^ S que são imagem por f de 0-sim~
plexos fechados, 1-simplexos fechados e 2-simplexos fechados, cha
mam-se vértices, arestas e triângulos. Dois triângulos, ou
são
distintos ou tem um sõ vértice em comum, ou tem toda uma
aresta
em comum.
Algumas situações que não são permitidas em uma triangu
lação:
T. Radõ em 1925 foi o primeiro a demonstrar que isto é possível. Para demonstrar este teorema necessita-se do uso de uma forma forte do teorema da curva de jordam.
Esta demonstração é dada no primeiro capítulo do texto de Ahlfors y S a r i o ,,ver referência [2],
A triangulabilidade das 3-variedades, provaremos na par . te final d e s t e .trabalho e não se sabe ainda se as variedades de
dimensão superior podem ou não ser trianguladas.
Podemos imaginar uma superfície S triangulada, como sen do construida colando de uma certa forma os triângulos distintos. Visto que os triângulos distintos não podem ter os mesmos vérti - ces, podemos determinar completamente uma triangulação enumerando os vértices e especificando que terna de vértices são vértices de um triângulo.
Com esta lista de triângulos, determinamos completamen te a superfície S junto com a triangulação dada. Usaremos a trian gulação para provar um dos teoremas mais importante deste traba
lho, que é o teorema da classificação de superfícies compactas, para o cálculo de um importante invariante topológico, a caracte- rística de Euler e também para definir a orientabilidade de uma superfície co,mpacta.
30
Exemplos:
1
2
3
12) Seja a
esfera S , consideramos a se-
2
2
3
4
guinte
triangulaçao para S dada
2
a.o
3
4
1
lado „
4
1
2
13) Uma triangulação para o toro é:
3 8 9 2 3 9 2 3 7 2 7 6 6 7 8 6 8 9 8 5 1 8 1 3 3 1 4 3 4 7 4 7 5 7 5 8 5 9 2 5 2 11 2 6
1 6 4 4 6 9 4 9 5 9 8 5 932
14} Em uma faixa de Moébius podemos t.er a seguinte tria
angulação:
0 1 4
1 2 5
2 3 0
15) Seja a seguinte triangulação do plano projetivo;
2 4 5
1 2 64 5 6
1 2 4
2 3 5
1 5 63 4 6
1 3 4
2 3 6
1 3 5
Podemos concluir que:
a) Cada aresta é exatamente comum a dois triângulos. Is
to segue da nossa demonstração que T é 2-variedade onde demonstra
mos que a colagem de duas quadras semi-fechadas ao longo de
seu
2
lado fechado, dá um aberto em R .
- 2
Logo sera impossível colar um terceiro e montar um aberto em R .
b) Escolha um vértice v de uma triangulação.
Podemos ordenar o conjunto de todos os triângulos
que
tem o vértice v ciclicamente, T ,T,,...,T = T , de maneira
que
34
para 0 4 i Ti e Ti + 1 tenham uma aresta em comum.
Superfícies orientáveis e não orientáveis
16) Definição:
Seja K uma triangulação para uma superfície S.
S é orientável se é possível escolher orientações para os triângulos que venham a induzir na aresta comum aos triângulos, dois a dois adjacentes, orientações opostas. Çaso contrário dize mos que a superfície S é não orientável.
Seja <a,b,c > um triângulo orientado, isto será reprei-sentado graficamente pelo desenho.
\
• a
onde a seta interior segue a direção a para b para c, ou (b para c para a ) .
Também se tivermos um triângulo a b c com uma seta
\
c b
A mesma determina uma orientação < b,c,a > = < c,a,b > = < a , b , c > orientando os vértices no sentido da seta.
Exemplos:
2
17) Seja a triangulaçao da esfera S dada no exercício n9 12 pag. 30.
Tomando como orientação do triângulo 1.2 4 a seta no sen tido anti-horário, o mesmo ocorrendo com os demais triângulos, ela induz na aresta comum aos triângulos, dois a dois adjacentes,
2
-orxentaçoes opostas, portanto S e orientavel.
1
36
Escolhida a orientação horário para os triângulos, notamos que os triângulos dois a dois adjacentes induzem na aresta comum orientações opostas, logo o toro é orientável.
19) Usando a triangulação do plano projetivo do exercí cio número 15 pág. 33, temos:
Escolhida a orientação para o triângulo 1 2 6 como sendo a seta no sentido horário, o mesmo tem que acontecer com os triângulos restantes, mesmo assim nos triângulos 1 2 6 e 1 2 4 as orien tações na aresta comum, 1 2 , são iguais, portanto o plano proje tivo não é orientãvel. Se mudarmos a orientação inicial, novamen te teremos orientações iguais sobre a aresta comiam a dois triân gulos .
20) Usando a triangulação da faixa de M o é b i u s , te mos:
3 4 5 0
38
Escolhida a orientação para o triângulo 0 3 4 como sendo a seta no sentido horário o mesmo ocorrendo com os demais triângulos. Mas nos triângulos 0 3 4 e 0 3 2 as orientações na aresta comum 0 3 são iguais; portanto a faixa de Moébius é não orientãvel.
0
0
Se mudarmos a orientação inicial, novamente teremos orientações iguais sobre a aresta comum a dois triângulos.
21) Seja a triangulação da garrafa de Klein, com a se - guinte orientação sobre os triângulos.
4 8 3 4 p-— <— \ ^ -•' T \ 5----f----r \ N ... r» ✓ '' / í * / \ a í V > -V S \ / \J \ J% t y . A / , / j ' ‘ k A ) --- j— - V _ > ----4 8 3 4 ’
Escolhida a orientação para o triângulo 3 4 7 como sendo a seta no sentido anti-horário o mesmo ocorrendo com os demais triângu - los. Nos triângulos 1 4 3 e 1 4 5 temos na aresta comum 1 4 a mesma orientação, portanto a garrafa de Klein é não orientãvel. Se mudarmos a orientação inicial, novamente teremos o-orientações iguais sobre a aresta comum a dois triângulos.
Soma conexa de superfícies
22) Definição:
Dadas duas superfícies S^, S2 disjuntas, definimos a so ma conexa representada por S2 , da seguinte maneira:
fazemos um pequeno buraco circular em cada superfície e em segui da colamos (identificamos) as superfícies ao longo da fronteira destes buracos.
Uma definição mais precisa:
Sejam os conjuntos D^ C S 1 e D 2 C"S2 , sendo D 1 è D.2
2 2 2 2
discos fechados (isto e, homeomorfos a E = { (x,y)g R /x + y <1». Seja S| o complemento do interior de D^ em S. i = 1,2. Escolhemos um homeomorfismo h da fronteira de D^ sobre a fronteira de D 2 .
Então S S 2 é o espaço quociente de S| U S^ obtido identificando os pontos x e h(x), para todo x pertencente a fron teira de D-^, com S ^ : ^ S2 resultando uma nova superfície. Daremos alguns exemplos que servem como preparação para a demonstração do teorema da classificação de superfícies compactas.
Exemplos: 1
\
Soma conexa de toros
23) Seja e T 2 toros, representados cada um, por um retângulo com os lados opostos identificados segundo as setas,
sendo os quatro vértices de cada quadrado identificados em um só ponto no toro correspondente.
Primeiramente faremos um buraco circular, em cada toro, designando por C 1 e C 2 as fronteiras destes buracos, que estão
40
identificados segundo as setas na figura 1-a.
Podemos representar as fronteiras dos buracos em ambos os toros pelos pentágonos da figura 1-b.
Identificamos, os segmentos c^ e , obtendo o octágono da figura 1-c, no qual os lados estão identificados aos pares, se gundo as orientações dadas as arestas.
Usando este mesmo processo, verificamos que a soma cone
xa de três toros é o espaço quociente do dodecãgano, onde as ares
tas estão identificadas aos pares, segundo as orientações dadas.
Procedendo deste modo, por indução podemos concluir que
a soma conexa de n-toros é homeomorfa, ao espaço quociente de um
polígono de
4n lados, cujas arestas estão identificadas aos pa
res obedecendo a orientação das arestas nos polígonos.
24) Soma conexa de planos .projetivos
Lembramos que o plano projetivo é definido, como .sendo
o espaço quociente de um disco circular, identificando os pontos
diametralmente opostos da fronteira. Escolhendo um par de pontos
da fronteira diametralmente opostos como vértices, o círculo
do
disco fica dividido em dois segmentos.
Assim podemos considerar o plano projetivo como obtido
a partir de um polígono de dois lados ao identificá-los. O método
para. obter a soma conexa de dois planos projetivos P^ e P2 basi
camente é o mesmo usado no problema anterior.
42
De modo análogo, a soma conexa de três planos projeti
vos é o espaço quociente de um hexágono com os lados identifica
dos aos pares, como mostra a figura abaixo.
Novamente usando indução, podemos concluir que a
soma
conexa de n-planos projetivos é o espaço quociente de um polígono
de 2 n lados, com os lados identificados aos pares, obedecida
a
orientação das arestas de polígono.
al al
25) Soma conexa de esferas
A soma conexa de duas esferas nos dá uma esfera. Repre
sentamos a esfera como o espaço quociente de um polígono com dois
lados identificados aos pares como nesta figura:
Podemos imaginar uma esfera, como uma bolsa que tenha a abertura
com um feiche chair, se o feiche estiver aberto a bolsa^pode tor
nar-se plana.
2 6) Lema:
A soma conexa de dois planos projetivos, é
homeomorfa
a uma garrafa, de Klein.
44
Demonstração:
Como vimos na página 41, podemos representar o
plano
projetivo pelo seguinte polígono:
a
Fazendo um pequeno buraco no plano projetivo, através de um
dos
vértices, vem:
Abrindo no vertice escolhido
a
v b
Colando ao longo das fronteiras dos planos projetivos representa
dos por c, temos o seguinte polígono:
Colando ao longo da aresta b resulta o seguinte polígono:
Identificando as arestas iguais,obtemos a representa -
ção usual da garrafa de Klein. Podemos obter a garrafa de
Klein
de outro modo.
Usaremos a técnica de cortar e colar (identificar) para a demons
tração deste lema.
27) Lema: Plano projetivo, menos um disco D é
homeomorfo a faixa de Moébius e a fronteira do disco ê homeomorfo
a fronteira da faixa de Moébius.
Seja S. um plano projetivo e D. CL.S.
um disco
fechado
com i = 1,2, retirando o interior de
obtemos S| que é homeomor
fo a faixa de Moébius, para mostrar isto vamos tomar uma triangu
lação do plano projetivo S , .
.
1
a
46
Cortando ao longo da aresta c f , e retirando
, obtemos a
guinte figura
Cortando ao longo da aresta e c, resulta a seguinte figura:
Identificando as arestas c a b c obtemos o seguinte polígono:
Identificando as arestas e c f obtemos a faixa de Moébius.
se-A garrafa de Klein é duas faixa de Moébius coladas
ao
longo de suas fronteiras. Com estes exemplos de soma conexa obser
vamos que:
a) Não existe distinção entre
S2 e s2 ^ts^,
isto
ê, S 1 ip S2 5 S 2f â S 1 .Demonstração:
Sejam D^ e D2 discos fechados de S-^ e S2 respectivamen
te. Sejam as funções:
hs 3D^ -»• 8 D2
homeomorfismo
h
3 D-
9D,
homeomorf
ismo sendo 3 D. com i :
=1,2 a
2 1 i '
fronteira de D , .
x
Pela definição de soma conexa temos:
S
1 # S2
= (S2 - Ó2 > Uh <S1 - °1>
S2 :^ r S^ = (S^ - D^)
^S2 “ ^2 ^
sendo Èk
interior
de D i
-Definimos em (S2 - È>2 ) U (S^ - D^) a seguinte
relação
de equivalência
C = {(x,x)/x £ (S2 - D 2 ) U (S1 - D 1)} U {(x,h(x))/x£
d D ^U
28) Corolário:
{(h(x)x)/x £
3 Di>
assim
êo espaço quociente de
(S2 - Ò2) U (S^ - D^)
pela relação de equivalência C.
48
E = {(y#y)/y£-
U (S2 -Ô2)}U
{
(h-1 (y) ,y)/y
e
3
D2
} u
u {(y,h-1(y))/y^ 3D2 }
S2
féS-j é o espaço quociente de (S-^ -
) ü
( S n- D^) pela relação
de equivalência E. Desde que h e h”^ são homeoraorfismos
entre
3 (D^) e 9{D2 ) vemos que as duas relações de equivalência
em
(S^ U D^) ü (S2 - f>2 ) são iguais. Portanto os espaços quocientes
S^.#: S2 e S2
são iguais.
b)
(S2
#s3 ) s
(s
1^ s 2 ) #
s3.
'
A demonstração deste fato é um corolário de uma proprie
dade de assoeiatividade de adjunções, ver referência [6], página
61- 6 2;.
Lema:
Sejam X^, X2 e Y espaços topolõgicos, H um homeomorfiss
mo de X^ em X2 •
.
Seja
Aum subconjunto de X2 , f; A -* Y uma função, seja
B = Hf1
(A)«C.X1 e g = f o H/B: B + Y.
Então Y Uf X- = Y U X.
£ *■ . 9
Demonstração:
Consideremos o seguinte diagrama
p
Y U X2 --- L -- ^ Y U
X 1--- — 2--->
Y u X 1P
f
V
Y Uf
X,onde
]p(Z) = | Z ,
Z £Y
Pf , P projeções.
X2 g
Vimos que P o ^ o P ^ é uma função e portanto uma função
contínua que denotamos por $. Do mesmo modo se definirmos
ji = Y U X1 + Y U X2 , por
\p(Z) = jZ, Z £ Y
H(Z) , Z £ X 1
teremos uma função contínua $ = P^ o ip o P~^.
Segue que í> o $ = P^
P ^
ipP“^ = id
e
$ o
<P= P, í P-1 ip p“1 = id
f ■
g y f
Logo $ e 0 são homeomorfismo, um inverso do outro.
29) Corolário:
2 ?
Seja S uma superfície qualquer e S a esfera, S # S ' = S.
2Seja D^ e
discos fechados de S e S respectivamente.
Seja Y = (S - Dx )
X 1 = D 1
X2 = (S2 -
D2
)
h: 3D2 -
>
•
3D^ homeomorf
ismo. Existe uma extensão de h a um homeo-
morfismo H: (S2 - Ê>2 ) "v Di *
Assim aplicando o lema anterior temos:
.2
S # S - . Y 0id Dx S Y UH (S2 - D2 ) =
S # SS
fe. S2
=
(S -
C^) Uh (s2
-
i>2 )
=
Y
Uh
X2
S
Y
U
X1
=
S
50
Veremos agora uma maneira bem simples de indicar os pa
res de arestas identificadas em um polígono.
Seja um polígono no qual esteja indicado como se identi
ficam as arestas, partindo de ura determinado vértice, percorremos
a fronteira deste polígono, anotando em seqüência uma a uma,
as
letras que aparecem no polígono.
Se a flecha de uma aresta indica a mesma direção em que
percorremos a fronteira, então escrevemos a letra correspondente
a esta aresta sem expoente, se a flecha .indicar dirèção contrária-a le
tra correspondente a esta aresta será representada com
expoente
menos um.
Observando os exemplos anteriores podemos escrever:
a) Esfera
a a“^
-1 -1 --1 -1
b) Soma conexa n toros a, b. an
b n .... a b a
b
1
1
1
1
n n n
n
c) Soma conexa de n planos projetivos
a, a. a_ a_ ... a a
1 1 2 2
n n
Obtemos assim novas superfícies com o auxílio de somas
conexas.
O teorema principal deste nosso trabalho, nos
garante
ique, com estes exemplos esgotam todas as possibilidades de cons -
truir novas superfícies, nos dando a classificação completa
das
superfícies compactas.
1. TEOREMA DA CLASSIFICAÇÃO DE SUPERFÍCIE COMPACTA
Toda superfície compacta é homeoraorfa a uma esfera,
a
uma soma conexa de toros, ou a uma soma conexa de planos projeti
vos .
Demonstração:
Demonstraremos o teorema em partes, provando que a su -
perfície S ê homeomorfa a um polígono com as arestas identifica -
das aos pares, segundo alguns dos símbolos da lista dada na pâg_i
na 50.
Primeira Parte
Seja K uma triangulação de uma superfície S. Enumeramos
os triângulos'{T^,T2
,Tn ) de modo que o triângulo T^ tenha uma
aresta e i comum com ao menos um dos triângulos T., ,T2 , .. . ,T^_^
2 í i í n,
Para demonstrar isto, escolhemos um triângulo qualquer
do conjunto acima a ser T-^, escolhemos como T^ qualquer triângulo
que tenha alguma aresta comum com T^, T^ qualquer triângulo
que
tenha uma aresta comum com T^ ou T2 . Suponhamos que, era^algum pon
to não fosse possível continuar este processo. Logo teríamos dois
conjuntos de triângulos '
{T^ ,T2
,T^.} e
>• • • / T ) tal
que
nenhum triângulo do primeiro conjunto teria uma aresta ou vértice
comum com nenhum triângulo do segundo conjunto, com isto teríamos
uma partição de S em dois conjuntos fè.chados disjuntos è. não"- var
52
zios, o que vem contra a hipótese de quç S é conexa.
Utilizaremos a ordenação dos triângulos T^,...,Tn junto
com a escolha das arestas e2 ,e3 ' ••*'en / Para construir um modelo
da superfície S no plano cartesiano, este modelo será um polígono
cujos lados estão identificados aos pares.
Sabemos que, para cada triângulo T^, existe um triângu
2lo ordinário T!
em Re um homeomorf
ismo
\b. âe Tlsobre T..
X Y X 1 3,
Suponhamos que os triângulos
,T^,•..
, T ^são disjuntos
dois a dois, se não forem, podemos transladar alguns deles
para
2 n
outras partes do plano R . Seja T 1
= U Tl, ..T" e um subconjunto
2 1=1 1
compacto de R ,
Definimos a aplicação
\p:T ’
S como sendo i^/T^ =
.
A aplicação
ij) êcontínua e sobrejetiva.
Como T ’
é compacto e S é um espaço de Hausdorff,
\p êuma aplicação fechada. Portanto, S tem a topologia quociente de
terminada por
]p. Com isto temos a idéia intuitiva de que consegui,
remos uma triangulação de S colando os triângulos ao longo
de
suas arestas apropriadas.
0 polígono desejado será construido como um espaço quo
ciente de T*. Para cada i,
2 ^i ^n, escolha uma aresta e^ d<? T.. ,
que é também aresta de algum T_. , 1 ^ j ^ i.
-1
Entao
ip(e.) consta de duas arestas, uma de T í
e outra de Tl.
1 x 3