NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Nova de Lisboa
Relatório Final
Estágio Profissionalizante
ANO LETIVO 2018-2019 | 6º ANO
REGENTE: Professor Doutor Rui Maio
ORIENTADOR: Prof. Dr. Luís Pisco
Joana Filipa Cavaco Rodrigues | 2013426
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Índice
1. Introdução 2
2. Atividades Desenvolvidas 3
2.1. Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar 3
2.2. Estágio Parcelar de Pediatria 3
2.3. Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia 4
2.4. Estágio Parcelar de Psiquiatria 5
2.5. Estágio Parcelar de Medicina Interna 5
2.6. Estágio Parcelar de Cirurgia Geral 6
3. Atividades Valorativas 7
3.1. Estágio em São Tomé e Príncipe 7
3.2. Intercâmbio Clínico IFMSA na Finlândia 7
3.3. Programa Erasmus+ em Itália 7
3.4. Outros 8
4. Reflexão Crítica 8
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1. Introdução
O Relatório Final visa sumarizar as principais atividades desenvolvidas durante o Estágio Profissionalizante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. O Estágio Profissionalizante integra seis estágios parcelares realizados ao longo deste ano: Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Psiquiatria, Medicina Interna e Cirurgia Geral.
O presente relatório está dividido em cinco partes: a Introdução, com a apresentação do mesmo e explicitação dos objetivos; a síntese das Atividades Desenvolvidas em cada um dos estágios parcelares, apresentados por ordem cronológica; as Atividades Valorativas relevantes realizados durante o 6º ano ou em anos anteriores; a Reflexão Crítica com a avaliação dos objetivos cumpridos e por cumprir e os Anexos com os comprovativos de participação nas atividades descritas.
O Estágio Profissionalizante assenta num modelo de medicina tutelada, onde os alunos acompanham o tutor no seu dia-a-dia, incluindo a participação no serviço de urgência, e são integrados nas atividades clínicas e formativas do hospital ou centro de saúde. O principal objetivo passa por associar o conhecimento teórico adquirido em anos anteriores, ao desenvolvimento de competências práticas nas diversas áreas, com vista a uma maior autonomia clínica. Para isso é essencial cumprir os três passos deste processo de aprendizagem: aprender a fazer, ver fazer e fazer.
Ao longo deste ano, há também oportunidade para melhorar aptidões práticas inerentes a qualquer médico, como a colheita de história clínica, realização de exame objetivo, proposta de hipóteses de diagnóstico, requisição de métodos complementares de diagnóstico (MCDT’s) e discussão de planos terapêuticos, com vista no prognóstico do doente. Assim como a elaboração de diários clínicos, notas de alta e transferência ou o conhecimento de procedimentos administrativos. É também dado ênfase à importância do reconhecimento de situações urgentes e emergentes, bem como do trabalho em equipa, transversal a qualquer área da medicina. Não esquecendo a adoção de uma abordagem centrada na pessoa, situando o doente no seu contexto social, laboral e familiar.
Existem competências interpessoais que são igualmente desenvolvidas durante o Estágio Profissionalizante, como a comunicação, quer entre pares, quer entre membros da equipa, quer entre outros profissionais ou famílias. Assim como os princípios éticos inerentes à confidencialidade e ao respeito pelos doentes e familiares.
Este conhecimento só é integrado se houver um processo constante de auto-avaliação e reflexão crítica das limitações de cada um. É essencial compreender os valores e atitudes fundamentais para o exercício profissional futuro, bem como o ganho de responsabilidade individual que cada um de nós adquire progressivamente.
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2. Atividades Desenvolvidas
2.1. Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar
Neste estágio pude reconhecer a abrangência e a exigência da Medicina Geral e Familiar. Quer pelo seu papel crucial na prevenção, quer pela diversidade de utentes observados, com multimorbilidade frequentemente associada, obrigando à integração de várias áreas da medicina. Tive também oportunidade de lidar com questões práticas como a gestão do tempo de consulta ou elevada carga burocrática associada. Para mim foi também muito incentivador a existência de uma relação de proximidade, confiança e disponibilidade, quer entre profissionais de saúde, quer entre estes e os utentes. Relação esta que, por vezes, é diminuta nos cuidados de saúde hospitalares, onde fazemos a maioria da nossa formação, e que nos faz descurar este critério tão essencial para a relação médico-doente. Esta atitude de partilha também foi dirigida a mim, com uma total disponibilidade para o ensino e orientação, o que me fez sentir parte da equipa. Participei nalgumas atividades fora da USF como uma caminhada no âmbito do projeto Andar Bem –
Sintra Ativa, que pretende estimular a prática regular de exercício físico na população, e assisti às XVI Jornadas da USF de São João do Estoril, subordinadas ao tema Prescrição de Exercício Físico, que se focou no
aconselhamento em atividade física na prática clínica. Elaborei ainda um folheto sobre Alimentação para
Utentes com Gota, com a descrição da doença, dieta aconselhada, um exemplo de um menu diário e uma ressalva à importância do controlo dos critérios de síndrome metabólico.
2.2. Estágio Parcelar de Pediatria
O estágio decorreu maioritariamente na área da Pneumologia Pediátrica, quer nas consultas, quer no apoio ao internamento. No entanto, procurei sempre suplantar este défice, permutando entre subespecialidades. Assisti a consultas de Hematologia, Nefrologia, Medicina do Viajante e Imunoalergologia,
Local: Unidade de Saúde Familiar (USF) Lapiás/Pêro Pinheiro Coordenador: Prof.ª Doutora Isabel Santos
Tutor: Dr. Gonçalo Envia
Duração: 4 semanas (10 de Setembro a 4 de Outubro de 2018)
Local: Hospital de Dona Estefânia,
Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) Coordenador: Prof. Doutor Luís Varandas
Tutor: Dra. Ana Casimiro
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complementando com as subespecialidades assistidas no estágio de Pediatria do 5º ano, como Reumatologia, Cirurgia Plástica, Endocrinologia, Neurologia e Neonatologia, penso que consegui ter uma visão geral dos diversos ramos da Pediatria.
Ainda assim, creio que os períodos mais formativos são no serviço de urgência, onde há um maior contacto com as patologias mais frequentes da Pediatria Geral, com as quais nos podemos deparar em qualquer especialidade. Concluí que a maioria destas situações não exigia cuidados de saúde hospitalares e poderia ter sido tratada nos cuidados de saúde primários, o que mostra o quanto se deve investir na educação para a saúde da população.
Durante o estágio, realizei o Workshop de Simulação Avançada em Pediatria, onde foram propostos três casos clínicos com o objetivo de reconhecer, avaliar e atuar de acordo com as recomendações científicas em situações clínicas de urgência e emergência pediátrica. Assisti diariamente às reuniões de serviço, semanalmente às sessões clínicas e apresentei uma História Clínica, bem como o Seminário Viajar com
Crianças abordando tópicos como segurança, vacinação, prevenção de doenças transmitidas por insetos e
tratamento de doenças diarreicas.
2.3. Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
A Maternidade Alfredo da Costa tem uma forte componente formativa com muitos alunos e internos da formação específica, tendo sido, por vezes, difícil conhecer algumas subespecialidades. Contudo, na área da Ginecologia, pude assistir a consultas de Ginecologia e Uroginecologia, bem como à realização de técnicas como a Ecografia Ginecológica e a Histeroscopia. Na área da Obstetrícia, estive no Diagnóstico Pré-Natal, onde assisti à realização de ecografias morfológicas e amniocentese, assim como nas consultas de Alto Risco, Infertilidade e Gravidez Indesejada. Mais uma vez compreendi a necessidade da educação para a saúde da população, uma vez que a maioria das gravidezes indesejadas ocorre pela ausência ou incorreta utilização dos métodos contracetivos.
Tive ainda oportunidade de integrar semanalmente a equipa de urgência onde foi possível ver a diversidade de patologias específicas da mulher que não vemos noutras especialidades.
No Workshop apresentei o tema Complicações no Pós-Parto, que abordava o diagnóstico diferencial da patologia infeciosa no puerpério, a depressão pós-parto e as principais recomendações, assim como os cuidados a ter neste período.
Local: Maternidade Alfredo da Costa, CHULC Coordenador: Prof.ª Doutora Teresinha Simões Tutor: Dra. Celina Ferreira e Dra. Mariana Cardoso Duração: 4 semanas (5 a 30 de Novembro de 2018)
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2.4. Estágio Parcelar de Psiquiatria
Este estágio decorreu maioritariamente no internamento de Psicogeriatria, no entanto também tive oportunidade de assistir a consultas de Neuropsiquiatria e Neurologia, bem como acompanhar a equipa do serviço de urgência sediado no Hospital de São José do CHULC.
A Psicogeriatria, a Neuropsiquiatria e a Neurologia estão intrinsecamente relacionadas, o que tornou este estágio muito apelativo pelo meu gosto nestas áreas. Contrariamente à tendência dos últimos anos, em que há uma separação clara entre especialidades, na Psicogeriatria há uma fusão entre várias áreas da medicina, o que enriquece a abordagem do doente. As consultas de Neuropsiquiatria, por exemplo, eram dirigidas por um Neurologista e por um Psiquiatra, destinando-se aos doentes com patologias de ambas as especialidades ou aos doentes com sintomatologia psiquiátrica resultante de patologias neurológicas. Ao longo do estágio, pude ainda constatar a elevada prevalência de situações de isolamento social, daí a importância de integrar o doente no seu contexto social, laboral e familiar.
Neste estágio, realizei uma História Clínica, assisti semanalmente ao Journal Club, onde era feita a apresentação de um artigo por parte dos internos da formação específica, e participei no Encontro de
Psiquiatria Geriátrica - Pensar o Futuro.
2.5. Estágio Parcelar de Medicina Interna
O estágio decorreu na Unidade Funcional de Medicina 4, no Hospital de Santa Marta. Indubitavelmente, foi o estágio onde me foi dada e onde ganhei mais autonomia. Rapidamente fui parte integrante da equipa, realizando as mesmas tarefas que os internos de formação geral, com a atribuição diária de vários doentes e discussão da sua evolução clínica em reunião. Estas reuniões permitiram-me melhorar a capacidade de comunicação e de transmissão de informação relevante aos restantes membros da equipa. Para o meu crescimento, também contribuiu o clima de entreajuda e de proximidade que existia na equipa, bem como a grande disponibilidade que havia para o ensino e esclarecimento de dúvidas.
Local: Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa Coordenador: Prof. Doutor Miguel Talina Tutor: Dr. Luiz Cortez Pinto
Duração: 4 semanas (3 de Dezembro 2018 a 11 de Janeiro 2019)
Local: Hospital de Santa Marta, CHULC Coordenador: Prof. Doutor Fernando Nolasco Tutor: Dra. Teresa Garcia
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Outra vertente enriquecedora foi a abordagem de casos sociais e de doentes em fim de vida. O acompanhamento deste tipo de doentes ao longo do estágio e o seminário sobre Decisões de Fim de Vida, lecionado pela Dra. Camila Tapadinhas, permitiu-me desenvolver competências para gerir o melhor possível os sentimentos inerentes a estas situações, garantindo o maior conforto possível do doente e da sua família. As reuniões de serviço decorriam semanalmente, assim como as sessões clínicas com a apresentação de um artigo por parte dos internos da formação específica. Tive ainda a oportunidade de assistir a dois seminários de Pneumologia, lecionados por médicos convidados pelo serviço - Dr. Kai M. Beeh e Dr. Christian Domingo Ribals. Além disso, apresentei o tema Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde - Clostridium
difficile com tópicos como a fisiopatologia, fatores de risco, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento
e prevenção desta infeção.
2.6. Estágio Parcelar de Cirurgia Geral
Este estágio parcelar está dividido numa semana de sessões teórico-práticas e curso TEAM Anexo 5.4.,
quatro semanas de Cirurgia Geral, duas semanas de opcional e uma semana de serviço de urgência.
Nas quatro semanas de Cirurgia Geral, a atividade foi dividida entre bloco operatório, serviço de urgência, consulta e internamento. No bloco operatório, tive a oportunidade de assistir a diversas cirurgias, com diferentes abordagens cirúrgicas, e pude observar a dinâmica e o trabalho da equipa existente na sala operatória. Semanalmente, acompanhei o meu tutor na urgência de Cirurgia Geral que, no HBA, funciona como um meio de apoio na avaliação de doentes com possível necessidade de tratamento cirúrgico. Nas consultas também vi uma grande variedade de patologias, sendo que havia consultas de primeira vez, seguimento pós-operatório ou proposta cirúrgica. O curso TEAM, que decorreu na primeira semana, permitiu-me estruturar a abordagem do doente politraumatizado, treinar as técnicas de ressuscitação adequadas e relembrar a importância do trabalho em equipa. O período de estágio opcional decorreu na Unidade de Cuidados Intensivos, onde assisti diariamente à reunião de serviço, no fim da qual acompanhei os assistentes na avaliação dos doentes. Na semana no serviço de Urgência Geral, assisti à avaliação de doentes no balcão Azul e Verde, no balcão Amarelo e Laranja e na Pequena Cirurgia.
No final do estágio, apresentei o trabalho intitulado You can run, but you can’t hide refente a um caso clínico de hemorragia digestiva baixa obscura, com a respetiva abordagem diagnóstica e terapêutica.
Local: Hospital Beatriz Ângelo (HBA) Coordenador: Professor Doutor Rui Maio Tutor: Dr. João Sousa Ramos
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3. Atividades Valorativas
3.1. Estágio em São Tomé e Príncipe
Em Janeiro deste ano realizei um estágio de duas semanas em São Tomé e Príncipe, no âmbito do projeto Saúde Para Todos, em parceria com o Instituto Marquês de Valle Flôr. Este estágio foi o prémio do concurso Boehringer Ingelheim Clinical Mind CompetitionAnexo 5.1., que integra o congresso iMed Conference®.
Na primeira semana, eu e a minha colega, estivemos num dos centros de Proteção Materno-Infantil da capital, auxiliando as enfermeiras nas consultas de Pediatria de rotina ou de patologia infeciosa. Uma vez que apenas havia um médico uma vez por semana, era depositada muita confiança na nossa opinião, o que nos fazia sentir uma grande responsabilidade. No entanto, sempre que tínhamos dúvidas, as crianças eram encaminhadas para o Hospital Central Dr. Ayres de Menezes. Foi neste Hospital que realizámos a segunda semana de estágio, onde estivemos nos balcões do serviço de urgência, na triagem e no internamento de Medicina Interna. Os défices de recursos humanos e materiais eram notórios. No serviço de urgência, por exemplo, não havia um esfigmomanómetro funcionante, um oxímetro ou um aparelho de eletrocardiografia e a informação clínica dos doentes era escrita em papéis em formato A7. No internamento as condições eram igualmente precárias, não havendo qualquer possibilidade de desinfeção entre doentes, por exemplo. Foi um grande desafio e uma experiência muito rica que nos permitiu conhecer uma realidade muito diferente.
3.2. Intercâmbio Clínico IFMSA na Finlândia
No extremo oposto, em Agosto de 2018, realizei um Intercâmbio Clínico de quatro semanas em Neurologia Anexo 5.2. no Helsinki University Hospital, na Finlândia. No estágio, acompanhava a minha tutora, a
Dra. Outi Rantala, na avaliação dos doentes no internamento ou no serviço de urgência, onde desenvolvi muito o exame objetivo neurológico. Para além disso, aprendi bastante sobre a relação médico-doente, isto porque, apesar de não compreender finlandês, vi a dedicação da minha tutora que estava sempre disponível para responder às dúvidas dos doentes, mostrar os resultados de MCDT’s ou discutir a proposta terapêutica. Este estágio foi também uma experiência valiosa que me deu a conhecer outra realidade totalmente diferente da anterior.
3.3. Programa Erasmus+ em Itália
No 2º Semestre do 4º ano, no ano letivo 2016-2017, integrei o programa Erasmus + Anexo 5.3. na Facoltà
di Medicina e Chirurgia, da Università degli Studi di Parma,em Itália. Em Portugal, aprendi italiano durante um ano, uma vez que as aulas, estágios e avaliações orais eram nesta língua. Fiz as disciplinas de Neurologia, Psiquiatria, Ortopedia, Italiano para Estrangeiros e os estágios de Infeciologia e Pediatria. Foram seis meses que contribuíram muito para o meu crescimento médico e pessoal.
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3.4. Outros
Realizei dois Curtos Estágios Médicos em Férias (CEMEF’s) Anexo 5.5., um em Julho de 2016, em
Ginecologia e Obstetrícia no Hospital de Faro e outro, em Julho de 2014, em Medicina Geral e Familiar. Integrei a Exchange Commission Anexo 5.6. inserida no programa de Intercâmbios Clínicos, em Julho de
2017, e fiz parte da iMed Crew Anexo 5.7. no congresso iMed Conference®, em Outubro de 2017.
Participei em várias palestras e sessões de formação, das quais destaco: Otoneurologia em MGF Anexo 5.8., Meet the Expert-TEV na Mulher Anexo 5.9., Jornadas de Cardiologia de Lisboa Ocidental Anexo 5.10., 5º ABC de
Imunologia para Médicos Anexo 5.11., Gestão em Saúde Anexo 5.12., O Sexo do Cérebro Anexo 5.13., Future MD Anexo 5.14.
e Tráfico de Seres Humanos Anexo 5.15..
4. Reflexão Crítica
Tendo concluído o Estágio Profissionalizante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina, é tempo de realizar uma reflexão crítica do mesmo, revendo os principais objetivos alcançados e obstáculos encontrados.
No estágio de Medicina Geral e Familiar, uma das aptidões melhoradas foi o raciocínio clínico, com a adoção de uma abordagem centrada na pessoa e direcionada aos problemas de saúde mais frequentes na comunidade. Na verdade, esta era uma das minhas dificuldades, na medida em que sendo a formação médica tão extensa em cada uma das especialidades hospitalares, por vezes era-me difícil reconhecer as hipóteses de diagnóstico mais prováveis. Gostaria de ter tido mais autonomia, com a realização de consultas de forma independente, melhorando assim a comunicação com os doentes e os seus familiares.
No estágio de Pediatria, considero que houve um maior reconhecimento das principais patologias da criança e do adolescente, sabendo os princípios gerais de atuação e identificando os critérios de gravidade. No entanto, pela grande subespecialização do Hospital de Dona Estefânia, o contacto com casos da Pediatria Geral foi reduzido, ocorrendo apenas no serviço de urgência ou, por iniciativa própria, na assistência a consultas de outras especialidades. Também não houve oportunidade para a realização de notas de entrada ou notas de alta, uma vez que a maioria do estágio decorreu em consulta.
No estágio de Ginecologia e Obstetrícia, houve também uma melhoria na identificação das patologias mais frequentes na mulher e na grávida, na realização de exame objetivo e na distinção dos casos graves. Mais uma vez, devido à elevada subespecialização da Maternidade Alfredo da Costa, por vezes, o contacto com as patologias mais frequentes na comunidade foi reduzido. Outro dos aspetos que ficou por realizar foi a ida ao bloco operatório de Ginecologia, pela ausência de marcações nas duas semanas de estágio.
No estágio de Psiquiatria, aprendi a reconhecer os principais sintomas da patologia psiquiátrica, a avaliar as capacidades funcionais dos doentes, a inclui-los no seu contexto biopsicossocial e a identificar
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situações de risco. No entanto, como a maior parte do estágio decorreu na enfermaria de Psicogeriatria e o número de doentes observados no serviço de urgência foi reduzido, raramente assisti à abordagem das patologias psiquiátricas mais frequentes no adulto.
No estágio de Medicina Interna, como me foi concedida uma grande autonomia, houve um desenvolvimento marcado na colheita da anamnese, realização do exame objetivo, interpretação de MCDT’s, discussão de planos terapêuticos e elaboração de diários clínicos ou de notas de alta. Ao longo do estágio senti também um progresso na exposição da situação clínica do doente e na transmissão da informação mais relevante. No entanto, gostaria de ter tido mais oportunidades para comunicar com os familiares dos doentes ou de aprender a melhor forma de fazê-lo, procurando garantir a estabilidade emocional face ao estado de saúde do doente, principalmente nas situações graves, de fim de vida ou de falecimento de um familiar.
No estágio de Cirurgia Geral, diferenciei as principais síndromes cirúrgicas, a sua abordagem e os seus critérios de gravidade. Na consulta como a maioria dos doentes tinha patologia colo-retal, melhorei a realização de exame objetivo proctológico que considerava ser deficitário até à realização deste estágio. No entanto, o rácio tutor:aluno de 1:3 revelou ser uma desvantagem, uma vez que não podiam estar mais do que dois alunos dentro da sala operatória o que, na maioria das vezes, levava a que um dos colegas ficasse fora da mesma.
De um modo geral, creio que o rácio tutor:aluno, ao longo dos vários estágios parcelares, é adequado para uma melhor aprendizagem e autonomia crescente, com um aperfeiçoamento constante do raciocínio clínico. Contudo, o facto da maioria dos locais de estágio ser muito diferenciada condiciona o contacto com as patologias mais frequentes na população.
Quanto às outras atividades desenvolvidas, todas elas foram grandes desafios e experiências muito enriquecedoras, quer a nível profissional, pelo contacto com as metodologias de trabalho e de ensino de outros profissionais, quer a nível pessoal, pela compreensão da grande responsabilidade de ser médico em diferentes contextos.
Concluindo, o Estágio Profissionalizante foi o culminar de um longo processo de formação na NOVA Medical School que, para mim, começou na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e passou pela Faculdade de Medicina de Badajoz. Ao longo deste percurso sinto que melhorei muitas competências, tendo tentado sempre reconhecer e ultrapassar as minhas dificuldades. Compreendi a importância do trabalho em equipa e da comunicação entre colegas e outros profissionais, assim como da relação médico-doente na prestação dos cuidados de saúde. Melhorei também questões práticas como a gestão de tempo e de stress. Para o meu desenvolvimento contribuiu a grande disponibilidade e vontade de ensinar dos profissionais com quem contactei, bem como o apoio da minha família, namorado e amigos a quem deixo um especial agradecimento.
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5. Anexos
5.1. Certificado do Clinical Mind Competition
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5.3. Certificado do Programa Erasmus+
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5.6. Certificado da Exchange Commission
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5.8. Certificado da Formação Otoneurologia em MGF
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5.10. Certificado das Jornadas de Cardiologia de Lisboa Ocidental
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5.12. Certificado da Palestra Gestão em Saúde
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