RELATÓRIO FINAL
ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
Mestrado Integrado em Medicina
NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Nova de Lisboa
Sara Inês Pinto Sousa | 2014271
Orientador: Professor Doutor António Mário Santos
Regente: Professor Doutor Rui Maio
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Índice
1. Introdução ... 3
2. Síntese das atividades desenvolvidas ... 3
2.1 Estágio parcelar de Cirurgia Geral ... 3
2.2 Estágio parcelar de Medicina Interna ... 4
2.3 Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia... 5
2.4 Estágio parcelar de Saúde Mental ... 6
2.5 Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 7
2.6 Estágio parcelar de Pediatria ... 8
3. Elementos valorativos ... 8
4. Reflexão Crítica ... 9
5. Anexos ... 11
Anexo 1 – “Trauma Evaluation and Management” ... 11
Anexo 2 – “Antimicrobial Stewardship: A competency-based approach” ... 12
Anexo 3 – II Jornadas de Medicina Geral e Familiar ... 13
Anexo 4 – Workshop “Coagulação” ... 14
Anexo 5 – Intercâmbio Científico (Marrocos 2017) ... 15
Anexo 6 – Intercâmbio Clínico (Rússia 2019) ... 16
Anexo 7 – Comissão Organizadora do XVI Hospital da Bonecada ... 17
Anexo 8 – Direção AEFCM ... 18
Anexo 9 – Imed Conference 10.0 Crew ... 19
Anexo 10 – Grémio Académico da Faculdade de Ciências Médicas (GAFCM) ... 20
1. Introdução
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) assume, atualmente, um carácter profissionalizante, acentuando-se a sua importância na transição entre a formação pré e pós-graduada. Assim, o último ano do MIM está estruturado de forma a garantir que os alunos vivenciem as principais disciplinas da Medicina: Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria e Psiquiatria.
Desta forma, o Estágio Profissionalizante ambiciona a consolidação dos conhecimentos e competências sociais e pessoais adquiridos ao longo dos cinco anos de formação médica que o antecedem. É promovido o raciocínio clínico, em situações reais, nas quais se pretende que o futuro médico assuma responsabilidade e ganhe progressivamente mais autonomia na sua prática clínica, ainda que esta seja tutelada.
Por conseguinte, os objetivos que delineei para este ano são transversais a qualquer área da Medicina e têm como propósito facilitar a transição entre o meu papel como aluna e o meu futuro papel como médica. São eles:
1) Consolidar conhecimentos teóricos e práticos previamente adquiridos;
2) Melhorar as capacidades de comunicação com os doentes e as suas famílias, não só na colheita de dados relevantes como também na transmissão de informação clínica;
3) Integrar as equipas médicas e procurar contribuir para o funcionamento dos serviços de saúde; 4) Adquirir responsabilidade, confiança e alguma autonomia na prática clínica, refletindo sobre as minhas lacunas de forma a poder corrigi-las.
Com este relatório pretendo fazer um resumo das atividades que realizei nos diversos estágios parcelares do Estágio Profissionalizante, nomear valências que considero terem sido relevantes no meu percurso académico e proceder, por último, à reflexão crítica do ano que agora termina.
2. Síntese das atividades desenvolvidas
2.1 Estágio parcelar de Cirurgia Geral
Hospital das Forças Armadas (HFAR) - 9 de setembro a 1 de novembro de 2019
O estágio de Cirurgia Geral decorreu no Hospital das Forças Armadas (HFAR) sob orientação da Dra. Sara Brás, do Dr. Pedro Maurício e do Dr. Bruno Ferreira. Este foi composto por 1 semana de componente teórica - onde foram lecionadas sessões teóricas e teórico-práticas e foi realizado o curso TEAM (Anexo 1) -
4 e por 7 semanas de componente prática – com vivência hospitalar nas diversas valências inerentes ao quotidiano de um Cirurgião Geral: Consulta Externa, Internamento, Bloco Operatório, Bloco de Pequena Cirurgia e Serviço de Urgência.
Os principais objetivos definidos para este estágio foram a revisão da abordagem às mais frequentes patologias cirúrgicas (contextos pré, intra e pós-operatório) e o treino das técnicas mais comuns (cirúrgicas, anestésicas e de assépsia) da Pequena Cirurgia. O primeiro objetivo foi conseguido já que tive oportunidade de observar e acompanhar (desde a consulta externa, ao internamento, passando pelo bloco operatório) doentes com patologias de diferentes áreas de intervenção da Cirurgia Geral (Patologia tiroideia, gástrica, colo-retal, da parede abdominal, das vias biliares e da mama). Já o segundo objetivo foi alcançado não só pela participação nos procedimentos realizados no Bloco de Pequena Cirurgia, onde pude praticar as técnicas supracitadas, como também pela oportunidade de intervir como 2ª ajudante em diversas cirurgias realizadas no Bloco Operatório (treino de técnica assética, atitudes no bloco operatório e manuseamento de instrumentos cirúrgicos).
Estagiar no HFAR conferiu-me, ainda, a possibilidade de visitar valências únicas a este hospital, dado o seu estatuto militar: o Centro de Epidemiologia e Intervenção Preventiva (CEIP), a Secção de Treino Fisiológico do Centro de Medicina Aeronáutica (CMA) da Força Aérea Portuguesa e o Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica (CMSH) da Marinha Portuguesa.
Este estágio terminou com o Mini-Congresso de Cirurgia, onde apresentei, em conjunto com duas colegas, o trabalho “Beauty and the Beast – duas abordagens ao carcinoma colo-retal”, com base em dois casos clínicos acompanhados durante a componente prática.
2.2 Estágio parcelar de Medicina Interna
Hospital de Santo António dos Capuchos (HSAC) - 4 de novembro a 20 de dezembro de 2019 e 6 a 10 de janeiro de 2020
O estágio de Medicina Interna decorreu na ala feminina do Serviço de Medicina 2.3 do Hospital de Santo António dos Capuchos (HSAC) sob orientação da Dra. Cristina Poole e do Dr. Augusto Ribeirinho. As 8 semanas de vivência hospitalar desenrolaram-se maioritariamente em contexto prático, com predomínio da atividade em Enfermaria, mas também na Consulta Externa e no Serviço de Urgência. A componente prática foi complementada com aulas teórico-práticas, workshops e sessões clínicas sobre diversos temas pertinentes à prática da Medicina Interna.
Neste estágio tive como principais metas melhorar a abordagem ao doente na Medicina Interna, com progressão da minha autonomia, desde a anamnese e exame objetivo ao pedido pertinente de exames complementares de diagnóstico e prescrição terapêutica, aperfeiçoar os meus registos clínicos e apurar as minhas capacidades de trabalho em equipa multidisciplinar. Estes objetivos foram na sua globalidade
conseguidos graças à forma como fui integrada na equipa do Serviço 2.3. Diariamente foi-me dada a responsabilidade de observar e acompanhar duas a três doentes, tendo tido oportunidade de realizar entrevista clínica e exame objetivo a todas elas, bem como discutir com os tutores a pertinência de exames complementares de diagnóstico ou alterações da terapêutica. Observei doentes com diversas patologias, sendo as mais frequentes o Acidente Vascular Cerebral isquémico e a Infeção do Trato Urinário. Realizei e foram-me corrigidas notas de entrada, diários clínicos, notas de alta e cartas de transferência tendo assim praticado e aperfeiçoado a redação dos meus registos, tão importantes no dia-a-dia do médico. O contacto com as equipas de enfermagem, auxiliares, secretariado e outras equipas foi crucial para otimizar os cuidados das doentes e melhorar o meu trabalho em equipa.
No contacto em consulta externa, compreendi a importância de estabelecer uma boa relação médico-doente, especialmente para o seguimento crónico dos doentes, característico do tipo de consulta a que assisti (doentes com VIH). Já nos momentos em que tive hipótese de estar no Serviço de Urgência, foi-me possibilitado praticar a entrevista dirigida e o raciocínio rápido, exigidos neste contexto. Apesar disto, gostava de ter tido mais oportunidades de estar no Serviço de Urgência sendo que terminei este estágio com a sensação de ter desenvolvido pouco as minhas capacidades nesta valência.
O estágio de Medicina Interna terminou com a discussão de um caso clínico e apreciação do relatório parcelar.
2.3 Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
Hospital de Vila Franca de Xira (HVFX) - 20 de janeiro a 14 de fevereiro de 2020
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia foi realizado no Hospital de Vila Franca de Xira (HVFX), sob orientação da Dra. Luciana Patrício (Obstetrícia) e da Dra. Lucinda Mata (Ginecologia). Durante as 4 semanas, a minha prática clínica alternou de forma equitativa entre a Ginecologia e a Obstetrícia, por forma a passar por todas as valências inerentes a estas disciplinas.
Para este estágio, defini como objetivos específicos consolidar a atuação na identificação, abordagem e tratamento das principais síndromes clínicas da ginecologia e obstetrícia, aconselhamento pré-concecional, vigilância de uma gravidez normal e reconhecimento de gravidez de risco, bem como praticar o exame objetivo ginecológico e obstétrico. Estes objetivos foram parcialmente cumpridos. O estágio de Ginecologia e Obstetrícia assumiu uma componente sobretudo observacional e, desta forma, a prática do exame objetivo ginecológico e obstétrico não foi suficiente para se considerar estes gestos como consolidados.
Ainda assim, e apesar do carácter meramente observacional com que se assumiu a maior parte do estágio, pude experienciar praticamente todas as valências desta especialidade médico-cirúrgica. Na obstetrícia, assisti a consultas de gravidez de alto risco (na sua maioria consequência do diagnóstico de hipertensão ou diabetes gestacional), observei a realização de ecografias (dos 3 trimestres, de avaliação do
6 crescimento e perfil biofísico) e presenciei a avaliação de puérperas. Já, semanalmente, no Serviço de Urgência, observei doentes com sintomatologia e patologia frequente da grávida (náuseas, vómitos, dor abdominal, cefaleias, aborto espontâneo) e acompanhei no Bloco de Partos a indução, trabalho de parto e parto de diversas utentes. Na ginecologia, estive presente em consultas de patologia do colo (onde pude realizar alguns exames ginecológicos e procedi à colheita de amostras para citologia), assisti à realização de ecografias ginecológicas e tive, ainda, oportunidade de ver histeroscopias. No bloco operatório, observei diversas cirurgias, principalmente do foro uro-ginecológico. Finalmente, no Serviço de Urgência, observei doentes com episódios agudos de dor pélvica, infeções genitais e um prolapso uterovaginal.
A componente prática do estágio foi complementada pelo Workshop “The Woman” lecionado pela Dra. Teresinha Simões, regente deste estágio parcelar.
Na última semana de estágio, apresentei um trabalho de grupo intitulado “Cuidados Pré-concecionais”.
2.4 Estágio parcelar de Saúde Mental
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) - 17 de fevereiro a 13 de março de 2020
O estágio de Saúde Mental decorreu no Serviço de Reabilitação do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) sob orientação do Dr. Miguel Nascimento e da Dr.ª Safira Hanemann. A atividade letiva presencial foi abruptamente suspensa a 9 março de 2020 pela ativação do Plano de Contingência no combate à COVID-19 sendo que o estágio teve o seu término no mesmo dia.
O estágio iniciou com a sua componente teórico-prática através de um workshop de casos clínicos sobre as principais patologias psiquiátricas e uma sessão sobre O estigma da doença mental. Realizaram-se, ainda, ao longo do estágio 2 aulas sobre “Bases da Psicopatologia” e “Estrutura da História Clínica em Psiquiatria”. As semanas de componente prática foram divididas entre o internamento, onde passei a maior parte do tempo, a consulta externa e o serviço de urgência. Neste estágio pretendia melhorar as capacidades de anamnese no doente psiquiátrico adulto, identificando os sintomas de perturbação psiquiátrica, aprimorar o raciocínio clínico na psiquiatria chegando a hipóteses diagnósticas e contactar com os doentes com patologia em fase aguda, nomeadamente no Serviço de Urgência.
No Serviço de Reabilitação estão internados doentes oriundos dos Serviços de Agudos que procuram adquirir estabilidade e independência para voltarem ao quotidiano fora das instalações hospitalares. Pelas características inerentes a este tipo de serviço, os doentes internados ao longo do meu período de estágio não se modificaram, sendo que contactei com um reduzido número de doentes em internamento. Neste contexto, contactei com doentes com o diagnóstico de Esquizofrenia e Transtorno Afetivo Bipolar. Na consulta externa, a que tive oportunidade de assistir durante duas manhãs, observei doentes com Transtorno de Ansiedade Generalizada e com Episódios Depressivos de diferentes graus de gravidade. O Serviço de
Urgência revelou-se o melhor momento de aprendizagem neste estágio, não só pela observação de doentes em fase aguda, mas também pelo razoável número de doentes e variadas patologias que surgiram neste contexto. No seu conjunto, a experiência nas três valências permitiu-me alcançar os objetivos específicos neste estágio, sendo de salientar a preponderância do Serviço de Urgência no cumprimento destes.
Após o término abrupto do estágio, a avaliação final, onde é feita a discussão do relatório do estágio parcelar, foi feita à distância com o Professor Doutor Miguel Talina, regente do estágio em Saúde Mental.
2.5 Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar
Ensino à distância - 16 de março de 2020 a 17 de abril de 2020
O estágio de Medicina Geral e Familiar viu-se corrompido pela ativação Plano de Contingência no combate à COVID-19. A interrupção abrupta da atividade letiva presencial levou a profundas mudanças nos métodos de ensino e avaliação e o desejado estágio nos Cuidados de Saúde Primários não se realizou como habitualmente, mas sim através de ensino à distância.
Os objetivos para o estágio de Medicina Geral e Familiar modificaram-se com a alteração da forma do estágio. A incerteza e confusão inicial até que os novos métodos de estudo e avaliação estivessem definidos levou-me a rentabilizar menos o meu tempo na aprendizagem e consolidação de conhecimentos desta área clínica. Assim, durante o período de estágio de Medicina Geral e Familiar defini como objetivos rever as medidas de prevenção essenciais à prática de Cuidados de Saúde Primários, rever as principais patologias agudas que esta especialidade clínica aborda e aprender sobre a COVID-19, vírus emergente que assola hoje o mundo com incerteza.
Os novos moldes de estágio dividiram-se, então, em 4 componentes. A primeira componente consistiu na realização de cursos na plataforma online da Organização Mundial de Saúde. Foram realizados cursos sobre infeções respiratórias víricas (incluindo a COVID-19) e sobre antibioterapia, onde foram revistos os principais conceitos da farmacologia e do uso destes fármacos em infeções de diferentes tecidos (Antimicrobial Stewardship: A competency-based approach – Anexo 2). A segunda componente apelou ao raciocínio clínico e à investigação científica através da resolução de um caso clínico, onde foi motivada a avaliação do doente como um todo, resolvendo a patologia aguda (crise gotosa) tendo em conta as co-morbilidades do doente. Já a terceira componente, de cariz teórico-prático, consistiu na observação de videoconsultas e posterior análise das mesmas, de modo a aprimorar técnicas de comunicação, gestão de tempo e de consulta nos Cuidados de Saúde Primários. A quarta e última componente de aprendizagem consistiu na realização de um trabalho individual. O meu trabalhou visou a revisão da abordagem à mulher com infeções do trato urinário recorrentes.
Apesar de ter aprendido bastante com as técnicas de aprendizagem adotadas, os objetivos a que me propus foram apenas conseguidos através de estudo individual complementar às atividades propostas.
8 A falta de prática clínica torna-se limitante na consolidação de conceitos teóricos e técnicas práticas em qualquer área da Medicina. Desta forma, e dada a importância dos Cuidados de Saúde Primários, termino este estágio com a noção de que tenho grandes lacunas que terei de compensar posteriormente com prática presencial nesta área médica.
2.6 Estágio parcelar de Pediatria
Ensino à distância - 20 de abril a 15 de maio de 2020
A realização do estágio parcelar de Pediatria foi também impossibilitada pela atual situação pandémica. Assim, a regência deste estágio viu-se obrigada a arranjar alternativas ao estágio clínico presencial para os seus alunos. Desta forma, o ensino e avaliação foram feitos à distância.
Os objetivos para este estágio foram, pelas condicionantes impostas, diferentes daqueles que se proporiam num cenário com prática clínica. Assim, tive como propósito, ao longo do período de estágio, rever as principais patologias da criança e adolescente.
O novo formato do estágio de Pediatria incluiu aulas online sobre diferentes patologias pediátricas e a realização de dois trabalhos, um individual e um de grupo. O trabalho individual consistia na redação de um artigo de revisão sobre um tema relevante na idade pediátrica. No meu trabalho, debrucei-me sobre a tosse persistente, sintoma frequente e causa de grande morbilidade na criança e ansiedade na sua família. Além de ter aprendido sobre a tosse persistente na criança, sinto ter melhorado as minhas técnicas de investigação científica, seleção de artigos e redação científica. O trabalho de grupo, que realizei em conjunto com três colegas, incidiu sobre as Perturbações do Crescimento, nomeadamente a Baixa Estatura, e foi apresentado em modo de seminário online.
Tal como ocorrido no estágio parcelar anterior a este, a falta de prática clínica gera lacunas no estudante que visa profissionalizar-se. Assim, apesar do modelo adotado ter contribuído para a minha aprendizagem na Pediatria e ter ajudado a alcançar o objetivo proposto, sinto que futuramente terei de investir na consolidação desta área médica através de prática clínica presencial.
3. Elementos valorativos
Participei, como complemento curricular do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina, nas II Jornadas de Medicina Geral e Familiar (Anexo 3), por ser uma especialidade do meu interesse, organizadas pela CUF Academic and Research Medical Center. Participei ainda no Workshop “Coagulação” (Anexo 4) organizado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas (AEFCM).
Ainda como complemento académico, realizei dois estágios internacionais, organizados pela
International Federation of Medical Students Associations. Em julho de 2017, estive na capital marroquina
(Anexo 5). Já em agosto de 2019, fiz um intercâmbio clínico em Cirurgia Geral no Moscow Clinical Scientific Center em Moscovo, Rússia (Anexo 6).
Porque segundo Abel Salazar, “O médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe”, à parte da vertente académica, o meu crescimento ao longo destes seis anos teve o grande contributo e impacto de diversas atividades em que participei e grupos que integrei. Destes saliento a ter feito parte da Comissão Organizadora do XVI Hospital da Bonecada (Anexo 7), a minha participação enquanto associativista na Direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas (AEFCM) como coordenadora do projeto MOVE! do departamento internacional (Anexo 8), a colaboração na Imed Crew da Imed Conference 10.0 (Anexo 9) e a integração no Grémio Académico da Faculdade de Ciências Médicas (Anexo 10) e na Tuna Médica de Lisboa (Anexo 11).
4. Reflexão Crítica
Concluído o Estágio Profissionalizante, cabe ao aluno que o experiencia refletir e avaliar o cumprimento dos seus objetivos académicos e pessoais ao longo do mesmo.
O plano curricular do Mestrado Integrado em Medicina da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas pretende não só capacitar o aluno de conhecimento teórico sólido como também garantir o contacto precoce com a prática clínica. Este início precoce, no 3º ano do MIM, leva a que o aluno chegue ao Estágio Profissionalizante mais motivado e confiante para o realizar. Foi assim que iniciei este ano letivo. A esperança de aumentar a minha participação ativa na prática clínica e a consolidação dos conhecimentos que fui adquirindo ao longo dos últimos cinco anos foi para mim um incentivo para este ano letivo.
A nível de estrutura, considero que o Estágio Profissionalizante se encontra bem organizado, com um excelente rácio tutor/aluno (1:1 na maioria dos estágios), que permite um melhor aproveitamento dos estágios e a resolução de questões/dúvidas que vão surgindo ao longo da prática clínica. Apesar disso, sente-se alguma desigualdade entre locais de estágio, não só na dificuldade exigida (por exemplo, por diferentes exigências horárias) como na componente teórica associada a alguns estágios. Assim, penso que a uniformização destas componentes seria benéfica para os alunos.
Retrospetivamente, analisando o desempenho da minha atividade ao longo deste ano letivo, assumo uma apreciação positiva da generalidade do mesmo, tendo cumprido globalmente os objetivos propostos inicialmente. Cada estágio contribuiu de forma diferente para o meu crescimento, mas todos eles me deram alguma confiança, segurança e autonomia.
O estágio parcelar de Medicina Interna foi dos melhores estágios a nível de crescimento prático pela minha integração na rotina da equipa médica e pela responsabilidade e autonomia que me foi dada ao longo do mesmo. Melhorei as minhas capacidades de comunicação em equipa, não só médica como também com
10 todos os profissionais que contribuem para os cuidados dos doentes nesta especialidade hospitalar, com os doentes e com as suas famílias. A aplicação prática do conhecimento foi estimulada e senti ter havido grande desenvolvimento das minhas aptidões clínicas, nomeadamente na anamnese, exame objetivo e redação de registos clínicos. O estágio parcelar de Cirurgia Geral constituiu a segunda oportunidade de contacto com esta especialidade. Pelo facto de no primeiro contacto, no 3º ano do MIM, ter acompanhado uma equipa dedicada à cirurgia bariátrica, este estágio permitiu-me complementar a primeira experiência seguindo de perto um grande leque de outras patologias cirúrgicas. Além disso, possibilitou-me evoluir nas minhas capacidades técnicas, pela participação em cirurgias e pequenas cirurgias, transversais a todas as especialidades cirúrgicas e médico-cirúrgicas. O estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia, pelo seu carácter maioritariamente observacional, como mencionado acima, foi dos estágios presenciais onde senti menos evolução a nível prático. Saliento a equidade com que o tempo de estágio foi distribuído entre as duas disciplinas desta especialidade, tendo assim obtido uma visão abrangente e realista do trabalho nela desenvolvido. O estágio de parcelar Saúde Mental foi especialmente vantajoso na observação de doentes em fase aguda, oportunidade que tive pela frequência do Serviço de Urgência. Além disso, pela minha experiência anterior no 5º ano do MIM ter sido unicamente relativa a doentes em idade pediátrica (Pedopsiquiatria), este estágio foi um bom contributo para o consolidação e reconhecimento da patologia psiquiátrica no adulto. Os estágios de Medicina Geral e Familiar e Pediatria foram, pelas condicionantes geradas pela COVID-19, bastante diferentes, como já explicado anteriormente. Assim, foram os estágios que menos contribuíram para o meu desenvolvimento profissional nas competências práticas que se pretendem aprimorar neste ano letivo. Ainda assim, é de salientar a rapidez com que as soluções foram propostas pela regência de ambos os estágios parcelares e a qualidade destas soluções, que permitiram, num contexto nunca antes experienciado no ensino médico contemporâneo, complementar a formação interrompida.
Finalizado o Estágio Profissionalizante, concluo o meu percurso académico com a certeza de que todas as equipas e tutores que me acompanharam me ajudaram a crescer como pessoa e futura profissional de saúde.
Resta-me agradecer a todos aqueles que me acompanharam ao longo deste longo percurso, tanto a nível académico aos professores, tutores, colegas e doentes que contribuíram para o sucesso da minha formação, como a nível pessoal à minha família e amigos que me apoiaram e partilharam todas as aventuras destes 6 anos.
5. Anexos
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