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ISSN: VOLUME:2 NÚMERO:4 jan-jul 2013

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COMUNICAÇÃO & MERCADO

Revista Internacional de Ciências

Sociais Aplicadas da UNIGRAN

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Solicita-se permuta.

On demande l´échange.

Wir bitten um Austausch.

Si richiede la scambio.

Pídese canje.

We ask for Exchange.

Dourados : UNIGRAN, 2013. Semestral

ISSN 2316-3922I

1. Ciências Sociais. 2. Comunicação – marketing. I. UNIGRAN – Centro Universitário da Grande Dourados.

CDU: 659.3

Editora UNIGRAN

Rua Balbina de Matos, 2121 - Campus UNIGRAN

79.824-900 - Dourados - MS

Fone: 67 3411-4173 - Fax: 67 3422-2267

e-mail: [email protected]

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UNIGRAN Reitora

Rosa Maria D’Amato De Déa Pró-Reitora de Ensino e Extensão Terezinha Bazé de Lima

Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação Adriana Mary Mestriner Felipe

Pró-Reitora de Administração Tânia Rejane de Souza

Diretor da Faculdade de Ciências Administrativas e Contábeis

Marcelo Koche

Coordenador do Curso de Administração Valdir da Costa Pereira

Coordenador do Curso de Administração de Agronegócios

Josimar Crespan

Coordenador do Curso de Ciências Contábeis Domingos Renato Venturini

Coordenadora do Curso de Comunicação Social Gabriela Mangelardo Luciano

Revista Comunicação & Mercado

EDITOR

Prof. Dr. Bruno Augusto Amador Barreto

CONSELHO EDITORIAL - Consejo de Redacción Prof. MSc. Marcelo Koche (UNIGRAN)

Profa. MSc. Claudia Noda (UNIGRAN) Prof. MSc. André Mazini (UNIGRAN) Prof. MSc. Alceu Richetii (UNIGRAN) Prof. MSc. Josimar Crespan (UNIGRAN)

CONSELHO CIENTÍFICO - Consejo Científico INTERNACIONAL

Prof. Dr. Jorge Santiago Barnés (UPSA - Espanha) Prof. Dr. Ángel Badillo Matos (USAL - Espanha)

Profa. MSc. Tânia Oliveir (TAP - Portugal) Prof. MSc. Ruben Domingues (USAL - México) NACIONAL

Prof. Pós-Dr. José Marques De Melo (UMESP- São Paulo) Prof. Pós-Dr. Daniel Galindo (UMESP- São Paulo) Prof. Pós-Dr. Adolfo Queiroz (MACKENZIE - São Paulo) Prof. Pós-Dra. Maria Das Graças Targino (UFPI - Teresina) Prof. Pós-Dr. Antonio Teixeira De Barros (Câmara dos Deputados - Brasília/DF)

Prof. Dr. Jorge Antonio Menna Duarte (Secom/Presi-dência da República - Brasília)

Prof. MSc. Wille Muriel (Carta Consulta - Belo Horizonte) Prof. MSc. Carlos Manhanelli (Manhanelli S.A - São Paulo) Profa. MSc. Alessandra Falco (UFSJR - São João Del Rei/MG)

Prof. MSc. Roberto Rochadelli (UFPR)

Prof. MSc. Alessandro Vinícuis Schneider (UFPR) REGIONAL - CENTRO-OESTE

Prof. Dr. Yuji Gushiken (UFMT - Cuiabá)

Profa. Dra. Daniela Ota (UFMS - Campo Grande) Profa. Dra. Daniela Garrossini (UNB - Brasília) Profa. Dra. Ana Carolina Temer (UFG - Goiânia) Projeto Gráfico e Diagramação:

Prof. MSc. Luis Angelo Lima Benedetti

Correspondências e informações:

PROF. DR. BRUNO AUGUSTO AMADOR BARRETO UNIGRAN – Centro Universitário da Grande Dourados Rua Balbina de Matos, 2121 – Jd. Universitário CEP 79.824-900 – Dourados/MS - BRASIL (67) 3411-4173 / Fax: (67) 3411-4167

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TRANSFORMAÇÕES NO RELACIONAMENTO GOVERNO/IMPRENSA NO GOVERNO FEDERAL

Jorge Duarte¹, André Giusti²

EL MOVIMIENTO DE LOS TRABAJADORES RURALES SIN TIERRA Y SUS ESTRATEGIAS DE COMUNICACIÓN 1978 – 20101

Gabriela Mangelardo¹, Luz Mireya de Valence², María Carmela Julio³, Märt Trasberg4

A INFLUÊNCIA DO POSICIONAMENTO DOS GESTORES DAS ORGANIZAÇÕES DIANTE DAS CRISES DETECTADAS PELO MONITORAMENTO DE INFORMAÇÕES NAS REDES SOCIAIS Regina Zandomênico¹

INFO E TECNO-EXCLUSÃO NO BRASIL: CONCEITOS QUE AINDA EXPRESSAM A REALIDADE?

Maria Alice Campagnoli Otre¹

REPRESENTAÇÕES DA IDENTIDADE NACIONAL NA IMPRENSA: O CASO DA REVISTA BRASILEIROS

André Mazini¹

SUJEITO EMISSOR: O “BOLSA PROSTITUIÇÃO” COMO VERDADE NAS REDES SOCIAIS Helton Costa¹, Rafael Kondlatsch

A IMPARCIALIDADE COMO CONCEITO DE QUALIDADE JORNALÍSTICA Michelle Rossi¹, Mário Marques RAMIRES²

COMPORTAMENTO FEMININO EM RELAÇÃO AO CORPO: PERCEPÇÕES, COBRANÇAS E MÉ-TODOS DE CONSTRUÇÃO DO CORPO PERFEITO

Camila de Souza Alves¹, Thelma Lucchese-Cheung²

ANÁLISE DO USO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL EM UMA EMPRESA DE PEQUENO PORTE: UM ESTUDO DE CASO NUM COMÉRCIO DE ILUMINAÇÃO

Gustavo Anderson Gimenes Deboleto¹, Rosemar José Hall², Fábio Mascarenhas Dutra³, Reginaldo José da Silva

GESTÃO DE PESSOAS E SEU CONTEXTO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA Osmário Venâncio de Magalhães Filho¹, Valdir da Costa Pereira²

GASTRONOMIA EM EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS Keyt Ferreira Cardoso¹

07 20 32 41 55 65 77 84 98 115 126

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EDITORIAL

Editada semestralmente pelo Centro Universitário da Grande Dourados/UNIGRAN, a Revista Internacional de Ciências Sociais Aplicadas – Comunicação & Mercado, tem duplo motivo para comemorar a publicação de sua quarta edição: primeiro, completamos nosso primeiro ano de atividade, recebendo um número recorde de arti-gos oriundos de diversas instituições do país e do exterior. Segundo, recebemos a primeira avaliação “Qualis Pe-riódicos” da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação), o resultado, neste curto tempo que estamos em atividade, foi um surpreendente “Qualis B3” de classificação.

O Qualis avalia a produção intelectual e a qualidade dos periódicos científicos do país, esta classificação muito nos honra, visto que nossa revista não está vinculada a nenhum programa de Pós-Graduação stricto sensu e obteve a mesma qualificação que muitos veículos de Programas tradicionais de Mestrado e Doutorado, destacando-se entre os melhores conceitos de periódicos da região Centro-Oeste do país.

A divulgação científica é uma tarefa árdua, sobretudo, para um periódico que se propõe publicar estudos voltados ao desenvolvimento e o aprimoramento do mercado. Estas edições só têm sido possíveis graças à co-laboração de nosso pareceristas externos. Aproveito a oportunidade para agradecer todo o apoio do Conselho Científico e ao incondicional fomento possibilitado pela UNIGRAN.

A Revista destaca-se por publicar estudos sobre: Comunicação, Marketing, Gestão e Negócios, como os que poderão apreciar nesta nova edição. Neste número publicamos trabalhos de pesquisadores, mestrandos e doutorandos de programas de pós-graduação, do Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Espanha.

Uma boa leitura!

PROF. DR. BRUNO AUGUSTO AMADOR BARRETO1

Editor da Revista Comunicação & Mercado

1É doutor em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo/ Universidad Pontificia de Salamanca (España),

com MBA em Administração Acadêmica e Universitária, Mestrado e Graduação em Comunicação Social. Atualmente é Diretor de Planejamento de Ensino no Centro Universitário da Grande Dourados/UNIGRAN, [email protected].

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Transformações no relacionamento administração

pú-blica federal/imprensa

Palavras-chave: Assessorias. Imprensa. Jornalistas. Fontes.

Resumo: O presente relato de pesquisa trata das transformações no relacionamento com a imprensa em órgãos da administração pública direta e indireta do Governo Federal no período 2003 a 2013. A pesquisa de campo teve características exploratórias e foi realizada a partir de entrevistas semiestruturadas com profissionais que desempenham atividade em Brasília. Buscou-se identificar as transformações detectadas pelos entrevistados, estimular a compreensão da situação atual e permitir reflexão sobre perspectivas. Os resultados sugerem aumen-to do respeiaumen-to pelo trabalho dos assessores de imprensa por parte dos jornalistas que atuam em redações; uma necessária ampliação da qualificação do profissional; uma visão mais abrangente dos assessores em relação à comunicação; e um domínio mais seguro do potencial e uso das novas tecnologias para informação e interação não apenas com jornalistas, mas também com outros públicos.

Jorge Duarte

1

, André Giusti

2

Abstract: This research paper deals with changes in the relationship with the press on the direct and indirect public administration bodies of the federal government from 2003 to 2013. Field research had exploratoty cha-racteristics and was developed using semi-structured interviews done with professionals performing activities in Brasília. The research aimed at: (i) identifying changes spotted by interviwees; (ii) boosting the understanding of the current situation and (iii) pondering over perspectives. Results suggest an increase in the consideration towards the work developed by press agentries coming from journalists working on newspapers (news media); the need to improve the qualification of the press agentries; a more comprehensive view from press agentries towards commu-nication; and a mastering of the potential and use of new information technologies as well as interaction not only with journalists but also with other public.

Key words: Press Offices. Journalists. Sources.

Resumen: El presente relato de investigación busca las transformaciones en la relación con la prensa en los órganos de la administración pública directa e indirectamente por el Gobierno Federal en el periodo 2003-2013. La investigación de campo fue exploratorio y características se llevó a cabo entrevistas semi-estructuradas con profesionales que desempeñan actividades en Brasilia. Tratamos de identificar los cambios detectados por los entrevistados, fomentar la comprensión de la situación actual y permitir la reflexión sobre las perspectivas. Los resultados sugieren un mayor respeto por el trabajo de los responsables de prensa de los periodistas que trabajan

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1Jorge Duarte, [email protected]; jornalista, relações-públicas e Doutor em Comunicação. Professor de pós-graduação

do Centro Universitário de Brasília.

2André Giusti, [email protected]. São também autores: Ana Patricia Loinaz, [email protected]; Carla

Carva-lho, [email protected]; Carlos Américo, [email protected]; Carolina Vera Cruz Mazzaro, [email protected]; Daniela Rabello Nogueira, [email protected]; Dardêmora Tathielen Gouvêa, [email protected]; Flávia Gontijo, [email protected]; Isabelle Amaral, [email protected]; Julyana Cristina, [email protected]; Juliana Nogueira, [email protected]; Sizan Luis Esberci, [email protected]; Kíssila Vasconcelos, [email protected]; Lara Cristina, [email protected]; Luciana Silveira, [email protected]; Luis Fe-lipe Silva, [email protected]; Marcela Machado, [email protected]; Marília Milhomen, marilia.milhomen@gmail. com; Oniodi Gregolin, [email protected]; Rafael Bicalho, [email protected]; Renata Bittes, [email protected]; Silvia Cavichioli, [email protected]; Thiago Flores, [email protected] e Walquene Sousa, [email protected]. Todos são pós-graduandos em Gestão da Comunicação nas Organizações no Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

Palabras clave: Asesorías. Prensa. Periodistas. Fuentes.

los asesores en relación con la comunicación, y un área de un uso más seguro y el potencial de nuevas tecnolo-gías de la información y la interacción no sólo periodistas, sino también con otras partes interesadas.

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INTRODUÇÃO

A prática de divulgação jornalística e de atendimento às demandas da imprensa é uma das atividades de comunicação mais relevantes no âmbito do serviço público e está presente em praticamente todos os órgãos, geralmente caracterizadas sob o nome de assessorias de imprensa. Sua origem no Brasil remonta há mais de cem anos. Embora a divulgação por veículos de comunicação tenha ocorrido anteriormente, apenas em 1909, no governo Nilo Peçanha, quando surge o primeiro registro de uma área específica para atendimento à imprensa (Duarte: 2011, 52).

No governo federal, a estrutura de comunicação com a imprensa teve um primeiro processo de organização durante o período de 1939 a 1945, quando, sob o Regime Vargas, em um contexto ditatorial, a comunicação com a sociedade passa da ênfase no uso do rádio e da mídia impressa para um sistema amplo e organizado por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e dos Departamentos Estaduais de Imprensa e Propaganda (Deips). Esse sistema envolve todo um aparato que inclui não apenas a imprensa, mas teatro, cinema, música (Du-arte: 2011, 54). Depois do fechamento do DIP, em 1945, a reorganização de um novo sistema volta a ocorrer no Regime Militar, também dentro de um pano de fundo autoritário. Chaparro (2011, 12) conta que o novo ponto de partida foi o I Seminário de Relações Públicas do Executivo, em 1968, com a participação das áreas de comunica-ção de dezesseis ministérios. Ali, teve origem um Sistema de Comunicacomunica-ção que incluiu a articulacomunica-ção entre as diver-sas estruturas do Poder Executivo Federal (Singer et all, 2010) para, inclusive, coordena o atendimento à imprensa.

As áreas de atendimento à imprensa do governo federal tiveram uma mudança fundamental a partir da re-democratização do País, na década de 1980, quando a imprensa tornou-se a mediadora mais importante entre a informação governamental e as demandas por informação da sociedade. Nos anos seguintes, com a reforma do Estado, a ampliação das demandas da sociedade, a exigência de concurso público para contratação de pro-fissionais o atendimento à imprensa passa a ser alterado e aperfeiçoado.

Este estudo tenta capturar aspectos mais recentes das transformações, descrevendo e analisando os últimos dez anos, período em que houve a incorporação das ferramentas de internet aos processos de produção e distribuição de conteúdo, incluindo a adoção de estratégias para as chamadas mídias sociais, a necessidade de comunicação dirigida com múltiplos públicos, a terceirização de serviços antes executados por profissionais ligados diretamente aos órgãos e os editais que legitimaram a contratação de agências de comunicação para contratação de serviços especializados de assessoria de imprensa e análise de mídia.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Apresentamos neste trabalho os resultados da pesquisa de campo cujo objetivo foi caracterizar as mudanças nas assessorias de imprensa no período compreendido entre 2003 e 2013, situação atual e perspectivas. A

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3Assessores entrevistados: Ada Suene (assessora de imprensa do Ministério dos Transportes), André Luis de Quaresma

Carva-lho (assessor de imprensa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome), Ayana Figueiredo (assessora de imprensa do Conselho Nacional de Saúde), Bruno Ramos (assessor de imprensa da Polícia Federal), Cláudia Guerreiro (assessora de im-prensa do Ministério do Desenvolvimento Agrário), Darse Arimatea Ferreira Lima Junior (diretor de Comunicação do Ministério do Turismo), Emanoela Voltolini (assessora de imprensa do Ministério do Planejamento), Eumano Silva (assessor de imprensa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade-Icmbio), Fátima Gomes (assessora de imprensa do Ministério da Saú-de); Giovani Santoro (assessor de imprensa da Superintendência da Polícia Federal em Recife);Gisele de Melo Maeda (assessora de imprensa da Controladoria-Geral da União), Giselly Siqueira (assessora de imprensa da Procuradoria Geral da República - Ministério Público Federal), Janete Porto (assessora de imprensa do Ibama), Laura Toledo (assessora de imprensa da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel),

quisa foi executada por alunos da turma 2012 “B” de pós-graduação em Gestão da Comunicação nas Organizações do Uniceub. O trabalho de coleta das informações foi realizado por cinco grupos de até cinco alunos cada, entrevis-tando, cada grupo, de quatro a cinco assessores de imprensa que desempenham atividades de relacionamento com a imprensa nas administrações direta e indireta do Governo Federal3 há pelo menos dez anos.

O trabalho de coleta das informações foi realizado por cinco grupos de até cinco alunos cada, entrevistando, cada grupo, de quatro a cinco assessores de imprensa que desempenham atividades de relacionamento com a imprensa nas administrações direta e indireta do Governo Federal há pelo menos dez anos.

Para enfrentar o desafio, os autores optaram pela pesquisa qualitativa, em que, conforme descrição de Demo (2001, p.10) os dados não são apenas colhidos, mas também resultado de interpretação e reconstrução pelo pesquisador, em diálogo aberto e crítico com a realidade. A seleção dos entrevistados foi baseada na via-bi¬lidade, a partir de proximidade ou disponibilidade (Duarte: 2005), sem repetição de fontes ou instituições. O tempo mínimo de atuação em assessoria de imprensa estabelecido foi de dez anos e, no momento da entre-vista, prevaleceu o critério de estarem no Poder Executivo Federal em atividades que incluam interação com a imprensa. As entrevistas foram presenciais, gravadas e duraram pelo menos 30 minutos. Os resultados obtidos foram sistematizados em relatórios por grupo e apresentados e discutidos em seminário. Posteriormente, foram consolidados pelos dois primeiros autores na primeira versão do presente relato geral de pesquisa, sendo, então, submetidos a todos os entrevistadores. Não foi objetivo estabelecer qualquer tipo de descrição quantitativa, obter generalização ou extrapolação dos resultados.

Para obtenção de informações junto às fontes, optou-se pelo uso da técnica de entrevistas semiestru-turadas, caracterizadas como as que partem “de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante” (Triviños: 1990, 146). As entrevistas em profundidade possuem certo grau de estruturação inicial, mas são flexíveis e adaptáveis às respostas dos entrevistados, garantindo que os resultados tenham mais relação com o que ocorre no mundo real do que com os pressupostos originais e que sejam aprofundados os aspectos mais relevantes do tema proposto, ao garantir uma participação efetiva do entrevistado na definição do conteúdo da pesquisa.

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Luís Cláudio Guedes (assessor de imprensa do Banco do Brasil), Patrícia Gripp (assessora de imprensa do Ministério das Cidades) Patrícia Linden (diretora do Departamento de Relações com a Mídia Regional da Secretaria de Comunicação da Pre-sidência da República), Renato Hoffmann (assessor de imprensa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI), Rose Lane César (chefe de comunicação da Embrapa Estudos e Capacitação), Virgínia Rodrigues (assessora de comunicação da Supe-rintendência de Mato Grosso do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra).

A matriz adotada, como prevê a técnica de entrevistas semiestruturadas, foi apenas ponto de partida para o levantamento de informações que permitam analisar não só o papel de cada ator, mas o sistema e as variáveis que o afetam. A matriz das entrevistas foi a seguinte: a) Mudanças na relação das assessorias com os jornalistas no período 2003-1013; b) Transformações recentes na relação das assessorias com as fontes e dirigentes; c) Mudanças na atividade de assessoria de imprensa ao longo dos últimos dez anos; d) Perspectivas da atividade de assessoria de imprensa.

levantamento de informações que permitam analisar não só o papel de cada ator, mas o sistema e as variá-veis que o afetam. A matriz das entrevistas foi a seguinte: a) Mudanças na relação das assessorias com os jorna-listas no período 2003-1013; b) Transformações recentes na relação das assessorias com as fontes e dirigentes; c) Mudanças na atividade de assessoria de imprensa ao longo dos últimos dez anos; d) Perspectivas da atividade de assessoria de imprensa.

MUDANÇAS NA RELAÇÃO DOS ASSESSORES DE IMPRENSA COM OS JORNALISTAS

Os depoimentos caracterizam mudanças no relacionamento cotidiano entre assessores de imprensa e jor-nalistas, originadas, em grande medida, pelas transformações nos campos político e tecnológico, refletindo no comportamento e na qualificação profissional de ambos os grupos.

As entrevistas indicam que o respeito cresceu nos últimos anos em decorrência do reconhecimento de que a atuação eficiente da assessoria de imprensa é fundamental para o trabalho das redações e da crescente qua-lificação dos profissionais de assessoria para o desempenho da tarefa. Segundo os entrevistados, há dez anos, era comum a percepção de que os jornalistas estavam interessados exclusivamente em crises e consideravam assessores como barreiras ao acesso às informações. “A fase mais crítica do relacionamento foi superada e hoje o jornalista tende a avaliar o profissional de assessoria de imprensa como alguém capacitado para ser o elo entre ele, jornalista, as informações e a fonte do órgão público.” Não é possível caracterizar, no conjunto de entrevista-dos, se houve uma melhor gestão nas assessorias ou simples redução de preconceitos por parte de jornalistas. “A imagem de que o assessor estava ali para esconder ou maquiar fatos se diluiu na percepção de um profissional facilitador”, resume um entrevistado.

Talvez um dos motivos desta equalização de interesses esteja na maior necessidade de conteúdo por parte dos jornalistas e a capacidade de fornecimento pelas assessorias. Entrevistados relatam contradição entre a maior necessidade de volume e rapidez na produção de matérias para atender às diferentes plataformas dos veículos

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de comunicação e a paralela redução no número de setoristas e jornalistas especializados. O resultado é que os assessores avaliam que o conteúdo gerado pela imprensa sobre os temas que conhecem carece de aprofunda-mento. Um traço comum para os entrevistados é que, em situações de rotina, o jornalista recebe o release e não investiga mais o assunto. “Aceitam o texto da assessoria como final, o que não é o ideal”, explica um entrevista-do. Talvez a avaliação surja do fato desses profissionais lidarem com enorme quantidade de veículos diferentes que acessam as páginas online e reproduzem, muitas vezes, textos e gravações na íntegra. De qualquer forma, esta avaliação não se aplica aos grandes veículos.

Se, de um lado, há indicações de uma cobertura mais “suave” e superficial em temas de rotina, por outro lado, quando a pauta é mais disputada entre jornalistas e mais relevante ou polêmica, os atritos são mais fre-quentes. Arrogância, preconceito, falta de preparo, de conhecimento do assunto e agressividade no trato com os assessores de imprensa e fontes são características citadas como presentes em temas sensíveis ou particularmente quando a pauta é originária das redações. Parcialidade explícita dos veículos e ênfase denuncista acentuadas pela pressa exigida pelo jornalismo online, consolidado nos últimos anos, geraram um constante ambiente de gerenciamento de crise em algumas assessorias e frequentes embates, com consequências na apresentação do noticiário. “Há quatro meses, não passamos uma semana sem enviar uma carta corrigindo informações veicula-das erroneamente. E, na maioria dos casos, por falta de entendimento do jornalista ou por cumprir a pauta, mes-mo com a resposta da área, da maneira que ele gostaria de escrever”, exemplificou uma assessora do Ministério do Planejamento. Sobre o chamado real time, a assessora da Anatel observa que a prioridade frequentemente é a velocidade e não a precisão e dá um exemplo característico: “o jornalista para de prestar atenção na coletiva e no assunto que está sendo tratado, concentrado em fazer o post e não ser o último a colocar aquela informação no site ou na rede social”. As relações também estão mais impessoais, de acordo com os entrevistados, e isso, em boa parte, se deve ao advento da tecnologia, que reduz o contato direto, mesmo telefônico, com as fontes. As assessorias, por exemplo, adotam cada vez mais a exigência de que as demandas sejam enviadas por e-mail, como forma de oficializar o que está sendo pedido pelo jornalista e registrar claramente o que está sendo respon-dido pelo órgão procurado. O contato pessoal, quando existe, pode tornar-se tenso devido a um procedimento comum, principalmente dos repórteres menos experientes, que cada vez mais procuram as assessorias e fontes, não para levantar e checar informações, mas buscando apenas confirmá-las. Misturam-se na abordagem da imprensa, muitas vezes, o tom inquisitório nas abordagens, a falta de preparo sobre o tema e uma tese pré-for-mulada nas redações.

De acordo com os entrevistados, é difícil demover jornalistas da ideia de que é insustentável a tese da reporta-gem que desejam fazer. É como se não estivessem incumbidos de produzir a apuração de uma pauta jornalística, mas apenas de confirmar um viés formatado previamente pelos editores, independentemente da apuração. Os jornalistas que vão a campo parecem, por sua vez, ter dificuldade de convencer seus chefes. “Hoje, quando o jornalista nos procura, ele não quer uma informação. Ele quer a confirmação da tese que está na cabeça dele.

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E quando ele não acha a resposta do jeito que ele quer, faz um arranjo para encaixar na tese. Já ligam com a matéria escrita”, avalia a assessora do Ibama. Entrevistados relatam que é possível interpretar que jornalistas já telefonam com a expectativa de que a assessoria não vá atender a ligação, para que na matéria saia a informa-ção de que o órgão foi procurado, mas não se pronunciou. Comum também parecem ser jornalistas ligarem em horário demasiado tarde, aparentemente a fim de evitar obter o desmentido a uma informação.

TECNOLOGIA E MUDANÇAS

A tecnologia alcança destaque principal nas observações dos assessores entrevistados sobre transformações ocorridas na última década. Esses profissionais avaliam, de um lado, que, se os jornalistas tiveram o trabalho facilitado, ao mesmo tempo tenderam a ficar mais acomodados na apuração a partir das possibilidades de uso da internet, padronizando a informação que circula nos diferentes ambientes. O profissional de comunicação organizacional, do mesmo modo, passou a se conectar, buscando dominar conhecimentos de outras áreas e se adaptar às transformações tecnológicas, mesmo que aparentemente o domínio das ferramentas e possibilidades não seja frequente. Um depoimento exemplifica: “o twitter foi divisor de águas. Passou a exigir do assessor de imprensa maior agilidade, eficiência nas respostas e habilidade de interagir com diversos públicos, de diferentes classes, idades, formação acadêmica. As fontes se multiplicaram e ficaram mais acessíveis”. Comum em todos os relatos é a observação de que as transformações operadas na última década na comunicação impactaram não apenas na atuação dos assessores de imprensa e jornalistas, mas também nas exigências em relação ao conhecimento necessário para desempenhar o trabalho. Exige-se o domínio de diversas novas tecnologias e ferramentas relacionadas à informática e internet - um conhecimento não apenas de operacionalização, mas de gerenciamento da comunicação.

Uma das consequências é que há maior facilidade e agilidade, mas maior carga de trabalho e exigências, justamente porque a tecnologia permite contato permanente com as tarefas da assessoria. Um smartphone dá acesso contínuo aos e-mails, à movimentação das redes sociais em torno do órgão assessorado, tornando o profissional de comunicação disponível para qualquer um, a qualquer hora do dia. Ao mesmo tempo, o dirigente também fica conectado e mais facilmente aciona o profissional de assessoria, que vive numa espécie de turno de trabalho ininterrupto. Um exemplo citado é o horário de atuação. Se antes, o assessor esperava o clipping no órgão para começar o dia de trabalho, hoje já o recebe em casa, no computador, celular ou tablet, e cedo já começa a atuar para resolver as demandas do dia. As avaliações acerca da influência da tecnologia no traba-lho das assessorias de imprensa sugerem que existe, e haverá ainda mais, novo direcionamento no trabatraba-lho das próprias assessorias. O foco das ações de assessoria de imprensa está se voltando menos para a grande mídia, a tradicional imprensa de referência, e passando a atuar cada vez mais diretamente para a sociedade em geral e os públicos específicos do órgão. “Percebe-se que o setor de comunicação voltou-se para o todo

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e não somente para o jornalismo”, diz um entrevistado. Há preocupação com o que é veiculado nas mídias sociais, acompanhamento do posicionamento dos stakeholders, dos debates públicos, as demandas via Lei de Acesso à Informação e com as opiniões e críticas que chegam por meio dos serviços de atendimento ao usuário. Essa nova realidade, admitem os entrevistados, leva os jornalistas, tradicionalmente refratários ao contato com o público geral, a desempenhar funções de seus pares na configuração acadêmico-tradicional da comunicação – publicitários e relações públicas. Na prática, mantém a atividade de assessoria de im-prensa e assumem o papel tradicionalmente reservado no Brasil ao relações-públicas. Ou seja, gerenciam as relações, pelo menos informativas, com grande parte, senão com todos, os públicos da instituição.

O perfil multitarefas, uma exigência que é citada há pelo menos duas décadas, parece ter-se tor-nado comum em órgãos em que a assessoria de imprensa era praticamente a única área formal de comunicação. Os profissionais, naturalmente, assumiram a necessidade de possuir conhecimento em diversas áreas, inclusive domínio de redes sociais e isto se reflete na estrutura das próprias assessorias. Já surgem como tendência núcleos bem estruturados para a comunicação online com foco nas mídias sociais. Um exemplo tradicional é o da Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, que man-tém o Blog da Saúde, um dos mais acessados do serviço público. Depreende-se, então, da vivência pro-fissional dos entrevistados, que não é mais o caso de se falar no surgimento de novas ferramentas, mas de instrumentos consolidados para a execução de uma tarefa cada vez mais exigida dos assessores: dialogar diretamente, e não mais apenas por meio da imprensa tradicional, com os diferentes públicos da instituição respondendo seus questionamentos, atendendo queixas e demandas.

Assim, fica caracterizada uma importante mudança no perfil do assessor, que deixa de ser de imprensa para ser um gestor de processos comunicativos, assumindo a responsabilidade de se tornar um estrategista com capacidade de analisar no todo o cenário de comunicação do órgão para o qual trabalha. E isso, destaca-se de algumas opiniões, é questão de sobrevivência no mercado.

FONTES E MUDANÇAS NAS ASSESSORIAS

Nos últimos dez anos mudou a forma de relacionamento de assessores com assessorados, porta-vozes e fontes de uma maneira geral. E essa mudança começa pela maior compreensão de que as fontes vêm adquirindo em relação não apenas à importância da assessoria de imprensa, mas também pelo reconhecimento de que o setor possui papel estratégico na forma como o órgão – um ministério, por exemplo – vai ser percebido pela sociedade. Cada vez mais o assessor de imprensa está presente na discussão dos níveis hierárquicos superiores, participan-do participan-do planejamento estratégico e das decisões gerenciais e tenparticipan-do acesso mais facilitaparticipan-do ao corpo dirigente. A assessoria de imprensa amadureceu, deixou de lidar apenas com jornalistas, ganhou espaço, subiu na hierar-quia, passou a participar das decisões e a influenciar os processos de gestão, acreditam os entrevistados, numa

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avaliação não unânime, mas predominante. “Nos EUA e no Reino Unido esse movimento é anterior”, observa Darse Arimatea Ferreira Lima Júnior. “No Brasil, cada vez mais há diretores de comunicação sentados à mesa com os dirigentes. O papel da assessoria mudou ao longo dos anos. Antes era um apêndice reativo para blindar e abafar. Hoje os dirigentes estão mais preparados e sabem que a assessoria não faz mais só isso. A proatividade e a reação mais eficiente às crises são exemplos”.

Conclui-se, com base na avaliação dos entrevistados, que a percepção pode ser definida a partir de dois fatores contemporâneos: a maior cobrança que esta mesma sociedade faz ao Estado para que ele aja com trans-parência na condução do dinheiro e das políticas públicas (hábito adquirido na redemocratização do País, com a aquisição da própria consciência de cidadania, corroborado pela Constituição Federal e a constante ampliação e aperfeiçoamento das diferentes legislações relacionadas à transparência) e a acessibilidade aos negócios do Estado, possibilitada por mecanismos institucionalizados, entre os quais merece destaque a Lei de Acesso à Infor-mação, sancionada no final de 2011. A Lei é avaliada como fator recente que ajudou a consolidar uma cultura de transparência no serviço público. Informações antes confidenciais, não organizadas ou ignoradas tornaram-se acessíveis e os jornalistas passaram a obter dados e fazer pesquisa sem precisar das fontes tradicionais.

O contínuo aperfeiçoamento das atividades de comunicação com a incorporação de ações planejadas e integradas com as outras áreas da instituição, a exigência de resultados mensuráveis e prestação de contas contribuíram para o melhor entendimento, aceitação e respeito à assessoria de imprensa, tornando dirigentes e fontes mais acessíveis e parceiras do ao longo dos anos. Muitos profissionais atuam como uma “sombra” do dirigente principal, acompanhando, dirigindo e orientando sua atuação junto à imprensa. Alguns se veem como guardiões da instituição, numa função estratégica de apoio à gestão. Apesar disso, ainda é fundamental identificar o perfil da chefia. Num ambiente político, em que a capacidade de gestão não é necessariamente o atributo mais importante do ocupante do cargo, é comum que homens públicos coloquem na liderança da comunicação a pessoa por critérios de conhecimento pessoal e não por compe-tência. Além disso, nem sempre as condições de profissionalização do trabalho e qualificação da relação ficam estabelecidas. Caso a chefia seja mais aberta, a relação do assessor com a imprensa torna-se mais qualificada, mas há casos em que a área de comunicação pode, ainda, ser completamente ignorada, ten-do papel meramente burocrático, um tipo de mero operaten-dor de demandas ten-dos dirigentes e da imprensa, modelo considerado padrão nos estágios anteriores, particularmente até o final do século XX.

Ainda assim, o cenário geral é mais favorável ao trabalho do profissional de comunicação que atua em relações com a imprensa dentro de um órgão público, embora persistam problemas tradicionais. Um exemplo trazido por entrevistados é o da fonte ou porta-voz que determina o que deve ser feito pela área e comunicação, mesmo sem conhecimento do assunto. Outra citação comum é a disparidade no comportamento das fontes com a imprensa: ou há interesse exagerado em falar com jornalistas ou foge-se deles e esconde-se a informação. Há, também, a falta de compreensão dos gestores sobre o trabalho da imprensa e sobre as peculiaridades de

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agilidade que a relação com a imprensa exige, além da desconfiança das fontes – principalmente de áreas téc-nicas – em relação aos jornalistas, muitas vezes justificada. Isso ocorre não apenas quando se trata de prestar informações solicitadas pela imprensa, mas também nas demandas internas da própria assessoria, que precisa produzir conteúdo para site, blog, jornal interno, revista ou rede social. O consenso é que é fundamental um trabalho interno de conscientização para que as diferentes áreas e fontes facilitem o acesso do assessor à infor-mação, num trabalho educativo de valorização da comunicação. Os jornalistas muitas vezes não têm clareza de como pode ser difícil uma assessoria levantar as informações demandadas.

As mudanças nas assessorias de imprensa também são de ordem física, estrutural, e não se limitaram ao surgimento de núcleos dirigidos à comunicação online. Os assessores relatam, em geral, que as assessorias da administração direta tendem a com o quadro de pessoal fixo igual ao de 2003. E há mais trabalho, lamentam os entrevistados, justamente porque hoje, nas assessorias, não se cuida apenas do atendimento à imprensa. Os jorna-listas são responsáveis por dar informação direta à sociedade ou segmentos dela por meio de instrumentos como sites, blogs, redes sociais, instrumentos de comunicação interna. A diferença, em alguns casos, é a contratação de agências de comunicação que permitiu a ampliação e qualificação de alguns produtos e serviços, mas, ainda assim, não de maneira generalizada. Reduzidas em número de pessoas, extrai-se também dos depoimentos que as assessorias estão empregando jornalistas mais jovens e mesmo recém-formados, quebrando o paradigma de rece-ber profissionais com longa experiência na imprensa diária, e que lá iam parar justamente por causa dessa longa estrada de fechamento de jornais e noticiários. Parece estar sendo comum que profissionais mais experientes sejam absorvidos pelas agências de comunicação, muitas delas prestando serviços ao governo federal.

A presença de jornalistas mais experientes no serviço público aparentemente ocorre mais frequentemente em órgãos que pagam salários mais atraentes como no Legislativo e Judiciário. Entrevistados da administração direta do Poder Executivo explicam que os salários oferecidos a quem prestou concurso e é do quadro efetivo dos ministérios, por exemplo, são baixos, e a carga horária – cinco horas -, incompatível com os atuais horários das redações. Portanto, quem permanece tocando as demandas são os funcionários terceirizados ou os profissionais com cargo de confiança, a maioria deles não vinculados ao órgão. Há certa contundência no depoimento de alguns entrevistados, quando dizem que se não fosse a terceirização, assessorias de alguns ministérios estariam bastante limitadas em sua atuação.

TENDÊNCIAS

Os depoimentos sugerem que as mudanças ocorridas nas assessorias de imprensa no Governo Federal no período investigado pela pesquisa – 2003 / 2013 – serão ampliadas nos próximos anos, com possibilidades de ampliação das tarefas da área de comunicação e a certeza de que será um setor cada vez mais valorizado. Se hoje o relacionamento com a imprensa vem perdendo espaço, mas ainda é o carro-chefe de uma assessoria, no futuro

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ele deixará de ser o foco do trabalho, que recairá, na visão dos entrevistados, sobre a comunicação direta com a sociedade. O assessor de imprensa deverá ser um profissional com conhecimento mais amplo da comunicação, que domine a essência do trabalho de relacionamento com a imprensa, mas com visão global e holística, capaz de ser um mediador, conselheiro e orientador dos diferentes setores e não apenas do dirigente principal. Ele deverá ser um agente analítico, dominar os assuntos de interesse da organização e saber dialogar mais efetivamente com seus integrantes. Também terá que aperfeiçoar as relações com os jornalistas, qualificando a informação disponibilizada e sendo mais didático na forma de atender às demandas. O assessor não poderá ser um mero distribuidor de infor-mações, mas agente efetivo na interlocução interna e na definição e operacionalização das decisões estratégicas. Um destaque comum dos entrevistados é a ênfase cada vez maior para a comunicação digital, num ambiente onde a informação não será mais privilégio de poucas pessoas e sim de todos os interessados, cada um deles protagonista ativo em sua especialidade. Até mesmo pela maior facilidade de acesso do público às informações organizacionais, cada vez mais as instituições públicas devem produzir conteúdo específico de maneira ágil e adaptada para dialogar diretamente com os públicos interessados, numa desintermediação da comunicação. Isto deverá implicar em maior demanda sobre as assessorias e ampliação da terceirização para produção e gestão de conteúdo para diferentes plataformas e públicos. Entender as possibilidades da tecnologia, as relações sociais, ser especialista no tema em que atua, ter visão política e estratégica e partir do princípio de que transparência é um conceito consolidado são exigências fundamentais para o profissional. Vão proliferar ainda mais, nesta visão, as informações infundadas, não oficiais e sem respaldo legal. Como consequência, a carga de trabalho deve aumen-tar, ampliar as ações com públicos diversificados e a necessidade de agilidade. Um consenso é que o futuro deverá trazer um mercado de trabalho mais exigente e promissor para os profissionais que hoje atuam em relações com a imprensa. A liderança parece ser um traço fundamental. Alguém, que, independentemente da formação, domine habilidades gerenciais, seja criativo, tenha confiança da equipe e saiba organizar a atuação da comunicação. Na visão de quem foi ouvido, haverá mais oportunidades para suprir diversas demandas e o trabalho não será mais orientado prioritariamente para atendimento da grande imprensa. A atual assessoria de imprensa irá diversificar seus produtos e serviços e terá sua atuação baseada na noção de comunicação integrada e estratégica.

A expectativa é de que a atividade será cada vez mais exigida em termos de resultados e mensurada através de indicadores. Outra expectativa geral dos entrevistados é de que, crescendo em conceito e valorização entre jornalistas e assessorados, a atividade de assessoria de imprensa sofrerá cada vez menos preconceitos.

CONCLUSÃO

A partir de entrevistas com profissionais que atuam em assessorias de imprensa da Administração Direta e indireta do Governo Federal, é possível concluir que o respeito e a importância do trabalho dos assessores de imprensa cresceram não apenas junto aos jornalistas, mas também dos assessorados. Destaca-se que

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conti-nuarão em evidência e ampliados os conceitos de acesso e transparência na Administração Pública, alterando ainda mais o foco original do trabalho das assessorias, que se deslocará do atendimento à grande imprensa para o público usuário dos serviços da instituição assessorada. O cenário apresentado pelos entrevistados indica que o assessor de imprensa não se limita mais à execução de tarefas relacionadas à divulgação e atendimento a demandas da imprensa. Seu papel cresceu e ele ganhou espaço dentro da organização. Hoje, ele gerencia diferentes tarefas de comunicação e elabora a estratégia desta a partir do que e com quem a instituição quer e precisa dialogar. Complementando o quadro está a tecnologia. Por meio dos relatos baseados nas experiências diárias, a realidade da informação instantânea e da interação imediata com a sociedade deu realce à atividade de assessoria de imprensa e obrigou o profissional de comunicação a qualificar e ampliar sua atividade já ca-racterizada como multitarefa.

Uma das limitações deste estudo é não ter ouvido profissionais terceirizados nem de agências de comunicação que atuam junto aos órgãos do Poder Executivo Federal. Outros autores que deveriam ser estudados para uma avaliação mais ampla seriam os dirigentes públicos a quem os profissionais de comunicação se reportam. Apesar disso, pela diversidade de órgãos e número de profissionais em função de gestão de estruturas de comunicação ouvidos, acreditamos que o relato de pesquisa possa fornecer insigths para compreender as mudanças recentes na comunicação de governo e pontos de debates para o aperfeiçoamento das práticas no serviço público.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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DEMO, Pedro. Pesquisa e informação qualitativa: aportes metodológicos. Campinas: Papirus, 2001. DUARTE, Jorge (Org.). Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia: teoria e técnica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

DUARTE, Jorge (Org.). Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005. SINGER, André; VILLANOVA, Carlos; GOMES, Mario Helio; DUARTE, Jorge. No Planalto, com a Impren-sa: entrevistas de secretários de imprensa e porta-vozes de JK a Lula. 2. ed. 2v. Recife, PE: Massangana, 2010.

TRIVINOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1990.

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EL MOVIMIENTO DE LOS TRABAJADORES RURALES SIN

TIERRA Y SUS ESTRATEGIAS DE COMUNICACIÓN

1978 – 2010

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Trabajo presentado en 2011 en la asignatura de Historia de la América Latina del Máster de Estudios Latinoamericanos, Universidad de Salamanca/ Espanha.

* Coordinadora de los Cursos de Comunicación Social de la UNIGRAN y Máster en Estudios Latinoamericanos de la Univer-sidad de Salamanca – [email protected].

* Máster Estudios Internacionales, especialidad en América Latina por la Universidad de Sorbonne Nouvelle Paris 3 – luz. [email protected]

*Máster Estudios Latinoamericanos, especialidad en Economía por la Universidad de Salamanca - [email protected] * Estudiante del Doctorado de Tulane Univeristy (EE.UU.) en Ciencia Politica y Estudios Latinoamericanos, Máster de Estudios Latinoamericanos de Universidad de Salamanca (Espana).

[email protected]

Resumo:

A partir de uma pesquisa bibliográfica o presente artigo tem como objetivo demonstrar a importância da comu-nicação para os movimentos sociais, em específico o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST e as estratégias comunicacionais utilizadas para chamar a atenção da opinião pública – desde o início até a atualidade.

Gabriela Mangelardo*

Luz Mireya de Valence*

María Carmela Julio*

Märt Trasberg*

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INTRODUCCIÓN

Toda acción colectiva es, hasta cierto punto, una representación pública (Tarrow, 2004: 138). Ya sean protes-tas convencionales, actos de violencia o actos de alteración del orden, los movimientos sociales buscan captar la atención de un público cada vez más vasto gracias al desarrollo de las nuevas tecnologías de comunicación e información. La emergencia de los medios de comunicación de masa ha tenido un impacto considerable en los movimientos sociales porque ha hecho de sus acciones fenómenos globales. Esto ha significado un aumento im-portante en el peso de la opinión pública, nacional e internacional, en la resolución de conflictos que conservan aún un carácter nacional. Por esto, la lucha de los movimientos sociales modernos no puede ignorar los medios de comunicación, al contrario, tiene que servirse de ellos en la “pugna por el imaginario social” (Calle, 2002: 47) La acción colectiva es posible cuando hay cambios importantes en las oportunidades y en las restricciones políticas dentro de una sociedad. Sin embargo, antes de lograr que la gente actúe de manera conjunta en favor de una causa particular, es necesario dar sentido a esta acción. “La realidad proporciona las razones objetivas del conflicto, mientras que los movimientos sociales construyen, desde sus razones subjetivas, el sentido que permite identificar y enfrentarse a ese conflicto.” (Calle, 2002: 40) Un movimiento social tiene, primero, que es-tablecer valores a partir de los cuales fundamenta su acción por una transformación de su entorno. Es a partir de estos valores que se puede juzgar si hay o no una injusticia contra la cual habría que luchar. Los valores ayudan a establecer marcos de significado, esquemas interpretativos, los cuales dan sentido a toda acción. A partir del marco de significado se crea un marco de acción, o sea, el repertorio de acciones que se pueden llevar a cabo para intentar superar la situación inicial percibida como injusta. De esta manera, un movimiento social es un constructor de sentido y el éxito, o fracaso, de su lucha dependerá de la capacidad que tiene para vincular a los individuos a su propio imaginario social.

Para el Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra de Brasil (MST), uno de los movimientos político-so-ciales más importantes de América Latina con gran proyección nacional e internacional, los valores que justifican su lucha son el socialismo y el humanismo. El MST inscribe su lucha, campesino-terrateniente, dentro del marco más extenso de la lucha entre explotadores-explotados globales, haciendo referencia a la lucha entre clases. Este diagnóstico de la situación lleva a proponer una reforma agraria que llevaría hacia una nueva sociedad carac-terizada por “la justicia social y la igualdad de derechos económicos, políticos, sociales y culturales”. A partir de éste marco de significación la acción más conocida y tradicional del MST es la ocupación de tierras, que a su vez representa lo que el movimiento propone como respuesta a la actual situación de la repartición de tierras en Brasil (Calle, 2002: 40-41) y un primer paso para el logro de la reforma agraria. Además de las ocupaciones, el MST tiene una acción mediática extremadamente activa ya que necesita representar su visión del conflicto político-social dentro del espacio mediático para lograr el apoyo de la opinión pública nacional e internacional.

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comunica-ción del MST en Brasil desde su origen hasta el uso de las nuevas tecnologías de la informacomunica-ción y de la comuni-cación. Las estrategias de comunicación consisten en “la elaboración de tácticas de interlocución con los medios de comunicación de masa, [así como] la construcción de redes de solidaridad y recursos identitarios” (Costa da Fonseca, 2006: 1). De esta manera el MST se vale de estrategias de comunicación para difundir el sentido de su lucha, darle legitimidad, mantener el apoyo y la cohesión interna y permanecer vigentes.

Este trabajo se centra así en el MST como productor de mensajes para la creación de marcos de significado dentro y fuera del movimiento, y no en el MST como objeto de los medios de comunicación. En una primera parte se presenta la historia del movimiento de 1978 a 2010 y el uso que han dado a los medios de comunicación. Posteriormente se analiza la importancia de la comunicación para el MST y se presentan sus actuales estrategias de comunicación.

DE LAS PRIMERAS OCUPACIONES A LOS ACTUALES ASENTAMIENTOS

Durante la segunda mitad de la década de 1970 surgieron en Brasil nuevos movimientos sociales (sindica-listas, vinculados a la Iglesia, de derechos humanos) que comenzaron a cuestionar seriamente la legitimidad del régimen militar del país. El surgimiento del MST coincidió con este proceso de movilización social. Entre 1978 y 1980 salieron las primeras noticias en la prensa nacional sobre ocupaciones de parcelas en diferentes regiones de Brasil, que se convirtió en la principal estrategia del MST.

Las explicaciones del surgimiento del MST se pueden dividir en tres grupos. En primer lugar, una de las explicaciones destaca que las raíces del movimiento están vinculadas con la modernización capitalista de la agricultura durante el periodo de 1960 a 1980, que agravó la situación económica de los trabajadores sin tierra (Wolford 2004: 409). Aunque históricamente la concentración de la propiedad de la tierra ha sido extre-madamente alta y los intentos de reforma agraria han sido siempre vetados por los terratenientes, las reformas impuestas por la dictadura militar (1964-1985) tuvieron un efecto especialmente relevante en la intensificación de los conflictos en el ámbito rural. Estas reformas causaron un aumento en el número de los trabajadores rurales cuyos salarios fueron muy bajos y el acceso a la tierra estaba totalmente restringido. Los efectos de la modernización y los conflictos rurales consecuentes eran especialmente graves en el estado de Sao Paulo y los estados del Sur de Brasil, donde surgieron las acciones iníciales de MST (Almeida 2000: 18).

En segundo lugar, el surgimiento del movimiento fue ayudado por la existencia de una larga tradición de luchas agrarias, que proporcionó unos ejemplos para la movilización social rural. Por ejemplo, los diferentes sindicatos de los trabajadores rurales, especialmente la União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do

Brasil, podrían ser considerados como predecesores del MST (Almeida 2000: 14). Además, era

extremada-mente importante la actuación de las organizaciones de la Iglesia asociadas con la teología de la liberalizaci-ón, que proporcionaron gran cantidad de recursos para la institucionalización del movimiento (Wolford 2004: 412). Cabe destacar que los primeros líderes locales del MST vinieron básicamente de las organizaciones

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religiosas como Comunidades Eclesiais do Base (CEB), lo cual permitía mantener un fuerte lazo entre el MST y estas organizaciones religiosas (Wolford 2004: 412).

En tercer lugar, la apertura política y la democratización de Brasil proporcionaron una nueva estructura de oportunidades para los movimientos sociales, que facilitó la emergencia del MST y los otros movimientos so-ciales de la época. Las primeras actuaciones del MST mostraron que el estado no tenía voluntad de usar la vio-lencia directa para destruir el movimiento. Es relevante destacar que el MST tenía desde el inicio unos lazos con otras organizaciones políticas brasileñas de izquierda, como el Partido de los Trabajadores y la Central Única

dos Trabalhadores (CUT), que fueron ambas creados en el inicio de la década de los 80 (Ondetti, 2006: 67).

Entre 1978 y 1980 se produjo la ocupación de las primeras parcelas de tierra en los estados de Rio Grande do Sul y Santa Catarina en el Sur de Brasil. Aunque las ocupaciones ilegales causaron una reacción inmediata del Estado, no se produjo ningún acto de represión violento. El éxito inicial tenía un efecto catalizador, que causó la difusión del movimiento a las otras regiones del país. Las ocupaciones se convirtieron en la principal estrategia del MST y ayudaron a la difusión del repertorio de acción colectiva del movimiento a otras áreas de Brasil.

En este momento se crea además el primer instrumento de comunicación del MST: “Sem Terra: Boletim

Infor-mativo da Campanha de Solidariedad aos Agricultores Sem Terra” en 1981.

Con el fin de organizar las acciones y darles una proyección nacional, se realizó el Primer Encuentro Nacional de Trabajadores Sin Tierra en enero de 1984, que se considera la fecha de fundación del MST (Harnecker, 2002). Ese mismo año, el boletín Sem Terra “se transforma en el “Jornal Sem Terra”, un tabloide mensual que desde entonces ha circulado regularmente a nivel nacional, con tirajes superiores a los 25 mil ejemplares” (León, 2005). Desde el inicio, las demandas articuladas por el MST estaban básicamente relacionadas con la reforma agraria, sin embargo, la democratización no llevó a que este tema se considera central. Entre 1985 y 1986, la propuesta moderada de reforma agraria del presidente José Sarney produjo una amplia movilización de los terratenientes, que fueron capaces de paralizar todos los intentos reformistas durante los siguientes años (On-detti 2006: 66). Cabe destacar también que la Constitución democrática brasileña de 1988 fue especialmente ambigua en la cuestión de la reforma agraria, que dificultó una división efectiva de la tierra (Ondetti 2006: 66). El fracaso de la reforma agraria sólo aumentó el número de las acciones del MST. Al final de la década de los 80, el MST tenía ya presencia en 18 de los 26 estados de Brasil (Ondetti 2006: 66). En estos años, el movimiento experimentó un proceso masivo de difusión en todo el territorio nacional. Es importante resaltar que las bases sociales del MST eran muy distintas en diferentes áreas geográficas. En el Sur, la mayoría de los miembros del movimiento eran “campesinos pequeños”, mientras que en el Norte y el Nordeste de Brasil, la mayoría de los miembros eran trabajadores de las plantaciones (Wolford 2004: 410).

La ocupación de las tierras aumentó durante toda la década de los 90 y entre 1986-1996 más de 145 mil familias adquirieron parcelas gracias a la ayuda del MST. Sin embargo, quizás el efecto más importante de las acciones del MST fue el surgimiento de la cuestión de la tierra como uno de los debates nacionales

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más importantes. Las acciones del MST se situaron en el centro de la atención pública con los dos actos de violencia protagonizados por las fuerzas de seguridad contra los miembros del movimiento en Corumbiara en agosto de 1995 y en Eldorado dos Carajás en abril de 1996. Estas masacres tuvieron una fuerte resonancia en los medios de comunicación a nivel nacional e internacional, concentrando la atención de la opinión pública de Brasil en la cuestión de la tierra y a favor de la reforma agraria (Ondetti 2006: 67). Al mismo tiempo, las ocupaciones de tierra aumentaron considerablemente entre 1995 y 1996 (Ondetti 2006: 67). Los periódi-cos nacionales más importantes comenzaron activamente a apoyar la reforma agraria moderada y al mismo tiempo continuaron reflejando las acciones del MST a nivel nacional (Almeida 2000: 20). A partir de la mitad de los años 90, la gran mayoría de la población brasileña apoyaba la reforma agraria, contribuyendo así al aumento de la influencia del MST.

Desde la “Marcha Nacional por el Empleo, la Justicia y la Reforma Agraria”, cuando miles de militantes del MST llegaron desde distintos estados a Brasilia el 17 de abril de 1997 (exactamente un año después de la matanza en Eldorado dos Carajás), el MST adquirió un carácter de movimiento de masas (Fontaine, 2008). Esto llevó a una mayor visibilización de sus acciones, no sólo a nivel de los medios de comunicación que registraban sus ocupaciones, sino también con la creación de su propia página web en 1998, a través de la cual exponían sus idearios y objetivos a la sociedad brasilera en general (Lourenção, 2007). Es una página que continua siendo actualizada hasta el día de hoy y sirve como medio para conseguir apoyos tanto en Brasil como en el exterior.

Anteriormente, su principal medio de comunicación había sido el Jornal Sem Terra, que desde 1984 ha tenido dos finalidades: informar a la sociedad y a los trabajadores rurales las luchas que estaba llevando a cabo el MST en todo el país, y formar a los cuadros políticos promoviendo la unidad e identidad nacional (León, 2005). Sin embargo, a partir de 1997 y luego de un llamado de atención del presidente Cardoso a los principales medios de comunicación por su supuesta sobrevaloración del movimiento, el MST decidió crear la Revista Sem Terra. Con un lenguaje diferenciado y un tiraje mucho mayor al del Jornal, buscaba “desbloquear el cerco informativo tendido por los medios convencionales” y llegar a un público más allá de los militantes y simpatizantes locales, como: los “formadores de opinión, parlamentarios, educadores, sindicalistas, iglesias, ONGs, partidos políticos y colaboradores internacionales” (León, 2005: 100). Con la misma finalidad se crea la página web.

Los medios y estrategias de comunicación se amplían junto a su transformación como movimiento de ma-sas. Si bien antes “las comunidades indígenas, campesinas y de trabajadores rurales estaban en lucha al inte-rior del país, en el campo, y poco se sabía sobre su situación de exclusión, violencia y asesinatos, el MST trajo

²Curiosamente en una entrevista realizada en 2000, el antiguo líder del MST Joao Pedro Stedile, no menciona las estrategias y medios de comunicación utilizados por el MST como una de las razones del aumento de su visibilidad. En su lugar menciona que su visibilidad se debe a que la causa del MST es justa, la lucha es persistente, a no vinculación con los gobiernos y a la práctica de ciertos principios de organización (Pinassi et al., 2000).

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a las ciudades, a los medios y a la academia esa lucha” (Lourenção, 2007: 128). Pero su mayor visibilización² se debió también a sus prácticas territoriales y políticas, expresadas en el aumento de grandes manifestaciones, caminatas, ocupaciones de edificios públicos y plazas, registradas, positiva o negativamente , en los medios de comunicación.

“La ocupación de edificios públicos y los bloqueos se iniciaron durante el gobierno de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) con el fin de presionar al mismo en dirección a la reforma agraria” (Fontaine, 2008: 137). A pesar de esto, Cardoso nunca tuvo un proyecto de reforma agraria real, muchos “de los asentamientos implantados durante su mandato fueron el resultado de las ocupaciones de tierra” (Secretaria Nacional do MST, 2010: 10). Adicionalmente, el gobierno de Cardoso apoyó la implantación de un modelo agroexporta-dor caracterizado por la oligopolización de las agroindustrias, la agricultura extensiva de monocultivos para la exportación, precios internacionalizados, la monopolización de los recursos biotecnológicos y la disminución del papel del Estado en la agricultura. Esta situación afectó evidentemente al MST que promueve formas alter-nativas de producción y comercialización agrícola, basadas en pequeñas propiedades administradas por fami-lias. Cardoso además apoyó la campaña de desinformación y tergiversación que llevaron a cabo los medios de comunicación en contra del movimiento, que se sumó a los allanamientos de la Policía Federal a casas de agricultores y a la apertura de investigaciones en contra de algunos dirigentes. Esto llevó al MST a desarrollar una importante campaña de formación de cuadros y al fortalecimiento de sus medios de comunicación, como ya se ha señalado (Harnecker, 2002). El triunfo de Lula en 2002 generó positivas expectativas en el movimiento debido a que había sido un líder que desde el Partido de los Trabajadores, había defendido la reforma agraria y la había incorporado como objetivo en sus programas de campaña. Esperando crear un marco de coope-ración con el presidente, el MST suspendió durante los primeros tres meses de gobierno, “todas sus acciones coercitivas directas y manifestativas” (Fontaine, 2008: 138).

Pero Lula no pudo implementar una reforma agraria, ni contrarrestar el modelo agroexportador imperan-te, porque ello implicaba poner en peligro la unidad de la coalición que lo respaldaba y podía llevar a una disminución de los ingresos por exportaciones. Estas limitaciones fueron reconocidas por el movimiento que, en abril de 2003 (el “abril vermelhio”), con el fin de presionar por la reforma agraria, organizó una serie de movilizaciones que llevaron a 140 ocupaciones de tierra en todo el país (Stédile, 2004). Posteriormente, el MST logró reunirse con el presidente Lula para elaborar un segundo Plan Nacional de la Reforma Agraria y participó en la redacción y ejecución de proyectos gubernamentales de salud y educación que beneficiaban a los asentamientos. Sin embargo, las metas establecidas en el plan no lograron cumplirse y en una marcha organizada en mayo de 2005, el movimiento amenazó con no apoyar a Lula en las elecciones de 2006. Al

³Para ampliar la información sobre el tratamiento del MST en los medios de comunicación, véase Hammond (2004). 4http://www.mstbrazil.org/?q=history.

5La apropiación del territorio por parte del MST comienza con la ocupación de tierras baldías que cumplen los requisitos para

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ter-nal terminaron apoyándolo y reduciendo el número de ocupaciones durante la campaña para no perjudicarla, aunque más por la ausencia de alternativas (Fontaine, 2008).

Durante el segundo mandato de Lula, las ocupaciones continuaron como una forma de materializar poco a poco la reforma agraria que no se ha querido implementar como política pública nacional. Hoy el MST sigue siendo uno de los movimientos sociales más grandes y organizados de América Latina, que mantiene la lucha por la defensa de un proyecto de desarrollo rural alternativo, a pesar del avance de cultivos de exportación como la caña de azúcar (para biocombustible), la soja y la celulosa, en detrimento del cultivo de alimentos. El MST está presente en 23 de los 27 estados de Brasil4 , ha conseguido asentar5 (hasta 2001) a unas 350 mil

familias campesinas (Harnecker, 2002) y otras 90 mil están distribuidas en unos mil campamentos ubicados en 23 de los 27 estados de Brasil y en el Distrito Federal (Secretaría Nacional do MST, 2010). En los asenta-mientos no sólo se desarrollan planes para la producción y comercialización de productos agrícolas sino que se crean comunidades campesinas mediante programas de educación y capacitación a niños y jóvenes.

LAS ESTRATEGIAS DE COMUNICACIÓN DEL MST

En la denominada sociedad de la información y la comunicación los movimientos sociales buscan en la media-tización una manera de defender sus ideales, así como explorar todas las oportunidades que las nuevas tecnologías ofrecen. Para conseguir un espacio en esta sociedad en proceso de mediatización las organizaciones acaban incor-porando dentro de sus prioridades la comprensión de las características de los medios de comunicación.

Según Verón, “una sociedad en vías de mediatización es aquella donde el funcionamiento de las instituciones, de las prácticas, de los conflictos, de la cultura, comienza a estructurarse en relación directa con la existencia de los medios” (Veron, 2002: 3). Actualmente, son varios los movimientos sociales cuyas acciones se orientan también a generar noticias en los medios de comunicación, pero a la vez se han vuelto mediadores creando y manteniendo sus propios medios de comunicación.

En el caso del MST, sus acciones y los resultados de estudios sobre las estrategias comunicacionales apuntan a que el movimiento se preocupa por la temática de la comunicación más allá de sus principales propuestas de reforma agraria y de contribuir para la construcción de una sociedad igualitaria, solidaria, humanista y ecoló-gicamente sostenible. Para Calle (2002) los movimientos sociales más recientes invierten en “nuevas formas de acción social y política”. El autor sitúa en este grupo al MST, a la Red Ciudadana por la Abolición de la Deuda Externa - RCADE (España) y al Movimiento de Derechos Sociales e Indígenas en Guatemala como organizaciones que hacen sus confrontaciones por medio de símbolos:

En primer lugar, el alcance del actual universo de comunicación y cultura (internet, me-dios de comunicación, literatura, cine y música, etc.) obliga a que los distintos actores so-ciales tengan que “representar” su visión del conflicto dentro de este universo; en segundo lugar, los actores sociales tratarán de conquistar espacios socioculturales que sostengan los

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valores y los mensajes de cada uno de dichos actores (a través de campañas dirigidas a: potenciales integrantes o simpatizantes del movimiento social, centros de difusión de cultura y pensamiento como universidades, grupos de intelectuales o artistas, los propios medios de comunicación, etc.)” (Calle, 2002: 44).

El acceso a las nuevas tecnologías dio varias oportunidades a los movimientos sociales, tanto para que ellos conozcan experiencias de otras organizaciones en distintos países, como permitiendo que sus políticas y sus po-sicionamientos críticos sean conocidos por toda la sociedad.

El mismo autor utiliza en su artículo una declaración de un integrante de la Coordinación Nacional de Comunicación Social del MST para reafirmar su hipótesis: “[...] la comunicación es para nosotros una de las estrategias de nuestra lucha y nos ayuda principalmente si es hecha por un medio de comunicación hecho por nosotros” (Guindani, 2010: 8-9).

Para exponer sus contenidos a la sociedad el MST tiene actualmente varios medios de comunicación bien estructurados, con producción constante para públicos distintos. Ellos son el Jornal Sem Terra, periódico impreso considerado precursor de las actividades de comunicación de masa del MST, existe desde 1984. La Revista Sem

Terra, revista bimestral impresa que existe desde 1997 y actualmente tiene un tiraje de 10 mil ejemplares. Un

portal en la web – www.mst.org.br que funciona desde 1997 y videos en YouTube producidos por sus militantes. La Editora Expressão Popular, que el MST coordina desde 1999, conjuntamente con otros empresarios que tienen el mismo posicionamiento político que el movimiento, a través de la cual publica libros con precios econó-micos. Brasil de Fato, periódico semanal creado en 2003 durante el Fórum Social Mundial de Porto Alegre que continua en circulación. El MST, así como otros movimientos sociales brasileños, hace parte de esta iniciativa que actualmente edita 50 mil ejemplares todas las semanas. Realiza también programas radiofónicos en emisoras comerciales y comunitarias; un ejemplo es el programa Terra e Vida, que hace 12 años es transmitido por la Radio Rainha das Quedas AM, en la provincia de Santa Catarina6 .

Más allá de los productos de comunicación citados, uno de los dirigentes nacionales del movimiento, Joao Pedro Stédile, participa en programas de televisión defendiendo los ideales del movimiento y escribe artículos para periódicos y revistas de gran circulación nacional. Stédile, como otros líderes del MST, participa en con-ferencias en universidades y escuelas de enseñanza técnica de Brasil (Guindani, 2010: 13). Sobre el tema de la comunicación brasileña, precisamente sobre la libertad de expresión en el país, Stédile, en un programa de entrevista del canal de televisión Bandeirantes, contesta que en el país no hay libertad de prensa:

Lo que tenemos hoy son siete grupos que hacen y deshacen lo que quieren, hablan lo que quieren, (…) Brasil necesita de una amplia reforma en los medios de comunicación que garantice que, no sólo a quien tiene poder económico, sino a los sindicatos, las entidades, cualquier asociación, pueda tener su periódico, su televisión (Stélide, Canal Livre da TV Bandeirantes, 2008).

6Estos datos tienen como fuente la página web del MST: www.mst.org.br, y los artículos de J. GUINDANI (2010) y I. COSTA

(28)

Otra demostración del MST en el marco de las políticas de comunicación en Brasil y la concentración de poder en los grandes grupos, puede ser vista en una carta que el grupo envió al gobierno federal:

La media permanece concentrada en las manos de pocos grupos económicos. Este cua-dro refuerza la difusión de un pensamiento único que privilegia las ganancias en detrimento de las personas y excluye la visión de los segmentos sociales y de sus organizaciones del debate público. Para revertir esta situación y colocar la media al servicio de la sociedad, es necesario ampliar el control de la población para el funcionamiento de las radios comuni-tarias terminando con la represión sobre ellas. Por eso, es urgente que el Gobierno Federal convoque la Conferencia Nacional de la Comunicación (MST, 2009: 48).

El MST y varios otros movimientos sociales han entendido la comunicación, como “el más eficaz motor del desenganche e inserción de las culturas - étnicas, nacionales o locales - en el espacio/ tiempo del mercado y las tecnologías globales” (Barbero, 2003: xiii). Siguiendo esta línea de pensamiento muchos grupos sociales pasa-rán a utilizar “el espacio mediático” también como una estrategia política, capaz de llevar sus ideales y luchas adelante (Guindani, 3010: 15).

En el caso del MST, tener sus propios medios garantiza a los interesados, conocer las propuestas del movi-miento sin la interferencia de mediadores – que en este caso serían los medios de comunicación tradicionales. En consecuencia, la función de productores de contenido mediático que el MST asumió implica que ahora el movimiento también puede utilizar técnicas de persuasión para convencer a su público de que tienen razón. Ahora el elector, telespectador, oyente e internauta tiene la responsabilidad de conocer la opinión de todos los actores envueltos en las problemáticas sociales, lo cual puede contribuir a la disminución de los prejuicios en las sociedades actuales.

CONCLUSIÓN

El MST se originó a finales de la década de 1970 con el fin de impulsar la reforma agraria en medio de una dictadura que contribuyó a una mayor concentración de la tierra e impuso salarios rurales bajos. Luego del fin de la dictadura, el movimiento tomó fuerza gracias a un contexto donde las restricciones políticas estaban desa-pareciendo y donde redes sociales importantes para la acción colectiva ya se habían establecido. Las acciones más conocidas del MST son las ocupaciones de tierras que empezaron en los estados de Rio Grade do Sul y Santa Catarina, pero rápidamente se extendieron al resto del país. El éxito de estas acciones está vinculado con el logro de haber introducido en la agenda nacional la problemática de la distribución de tierras. Las masacres de Corumbiara en 1995 y la de Eldorado do Carajas un año después, atizó el interés nacional e internacional por el movimiento y consiguió el apoyo de la opinión pública en general a pesar de que el número de ocupaciones seguía aumentando.

Referências

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