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DIREITO E INTERPRETAÇÃO

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Academic year: 2021

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DIREITO E INTERPRETAÇÃO

Aula do curso de Teoria do Direito II (2º período) da Faculdade Nacional de Direito e ministrada pela Profa. Dra. Ana Paula

Barbosa-Fohrmann

Bibliografia:

Friedrich von Savigny. Sistema del Derecho Romano Actual (Trad. Jacinto Mesía y Manual Poley). Tomo I. Madrid: F. Góngora y Compania Editores, 1878.

Paulo Nader. Introdução ao Estudo do Direito. 35ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. Riccardo Guastini. Interpretar y argumentar. Madrid: Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, 2014.

Tercio Sampaio Ferraz Jr. Introdução ao Estudo do Direito. Técnica, Decisão, Dominação. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2011.

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I. Interpretação do Direito

1. CONCEITUAÇÃO:

Em sentido amplo: Interpretar o Direito é a atividade

de constatar ou decidir o significado de algum

documento ou texto jurídico, assim como a

interpretar significa o resultado ou produto de tal

atividade.

Em sentido restrito: Interpretação de fontes do

Direito/esclarecer o conteúdo normativo de uma

disposição ou seu campo de aplicação (a que caos

concretos se aplica).

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II. Quem exerce a interpretação? Variedade de

Intérpretes

1. Interpretação Doutrinária: É realizada por juristas acadêmicos em seus

estudos: monografias, artigos, ensaios, comentários de jurisprudência, compêndios, cursos...

Interpretação em abstrato: atividade de interpretar é cognitiva

(conhecimento do Direito), decisória (política do Direito) ou criadora (produção do Direito). Carece de efeitos jurídicos.

2. Interpretação Judicial: É a realizada por juízes na atividade jurisdicional.

Interpretação decisória e interpretação em concreto. Interpretação judicial é eficaz (inter partes).

3. Interpretação Autêntica: É a interpretação realizada pelo próprio

legislador mediante uma lei posterior, cujo conteúdo reside em determinar o significado de uma lei anterior.

Interpretação em abstrato e interpretação decisória. Riccardo Guastini, 2014, p. 89-93

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III. Interpretação do Direito quanto ao Resultado

1. INTERPRETAÇÃO LITERAL: 3 Sentidos: interpretação prima

facie, interpretação não-contextual ou a-contextual, interpretação não-corretora.

1.1. INTERPRETAÇÃO DECLARATIVA (NÃO-CORRETORA): É a

interpretação que se abstém de corrigir o significado do texto normativo interpretado (interpretação não-corretora). Especificamente: é aquela que atribui ao texto normativo seu significado intrínseco (objetivo e subjetivo) sem modificá-lo.

2. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA / RESTRITIVA (CORRETORA):

 Ex. habitação: apartamento em que alguém vive, estendendo-se

aos quartos de dormir e à cozinha. Não compreende certamente o escritório e não se aplica provavelmente ao sótão ou a algum anexo do apartamento.

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2.1. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA:

 1º sentido: Reduz a indeterminação, a “zona de

penumbra”/aplicação aos casos duvidosos. Ex. aplicação da norma ao sótão.

 2º sentido: Analogia: uma nova norma é produzida por

semelhança e à luz de uma suposta ratio legis. Ex. aplicação da norma ao escritório.

2.2. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA:

 1º sentido: Reduz a indeterminação/campo de aplicação só para

casos claros. Ex. norma não se aplica ao sótão.

 2º sentido: argumento da dissociação/norma não se

aplica/cláusula de exceção. Ex. norma não se aplica à cozinha. Norma originária: “Se habitação, então x”, norma corretora restritiva: “Se habitação e não cozinha, então x”.

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3. INTERPRETAÇÃO ORIGINALISTA/EVOLUTIVA

3.1. INTERPRETAÇÃO ORIGINALISTA:

 2 versões:

 Significado originário/ Significado linguístico histórico

(versão linguística)/momento em que o texto foi promulgado.

 Significado originário/Significado/sentido querido pela

autoridade normativa.

3.2. INTERPRETAÇÃO EVOLUTIVA: Significado atual do

texto, significado novo.

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IV. Métodos de Interpretação do Direito (comparar com Riccardo Gaustini, seção III)

Bibliografia:

Friedrich von Savigny. Sistema del Derecho Romano Actual (Trad. Jacinto

Mesía y Manual Poley). Tomo I. Madrid: F. Góngora y Compania Editores, 1878.

Paulo Nader. Introdução ao Estudo do Direito. 35ª ed. Rio de Janeiro:

Forense, 2013.

Tércio Sampaio Ferraz Jr. Introdução ao Estudo do Direito. Técnica, Decisão,

Dominação. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2011.

1. GRAMATICAL2. LÓGICO

3. SISTEMÁTICO4. HISTÓRICO5. TELEOLÓGICO

1. Método Gramatical: A ORDEM DAS PALAVRAS e como elas se conectam

umas com as outras são importantes para que o intérprete atribua significado ao enunciado normativo. Ex. “A investigação de um delito que ocorreu num país estrangeiro não deve levar-se em consideração pelo juiz brasileiro”.

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2. Método Lógico: Estrutura linguística (vontade e raciocínio)/texto legislativo exige subsídios da lógica para a sua interpretação.

 A LÓGICA nesse sentido se divide em LÓGICA INTERNA E LÓGICA

EXTERNA.

2.1. Lógica Interna: A PRÓPRIA INTELIGÊNCIA DO TEXTO

LEGISLATIVO/ NÃO OS ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO EXTRA LEGEM. O disposto em lei geral para o caso concreto particular.

 RACIOCÍNIO SILOGÍSTICO: premissa maior (p1), premissa menor (p2) e

conclusão.

 Exemplos:

 Todo homem é mortal (p1). Sócrates é homem (p2). Sócrates é

mortal (conclusão).

 Todo homem é dotado de dignidade (p1). Toda pessoa com deficiência

é homem (p2). Toda pessoa com deficiência tem dignidade (conclusão).

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3. Método Sistemático: Consiste na pesquisa do SENTIDO E

ALCANCE das expressões normativas, considerando-as EM RELAÇÃO a outras expressões normativas presentes NA ORDEM JURÍDICA, mediante COMPARAÇÕES.

Finalidade: Harmonia e unidade do ordenamento jurídico.

4. Método Histórico: Quase todos os INSTITUTOS JURÍDICOS

ATUAIS têm suas RAÍZES NO PASSADO, ligando-se às LEGISLAÇÕES ANTIGAS.

 Como a finalidade da interpretação moderna não é

desvendar a mens legislatoris (= significado dado à lei pelo legislador original), deve-se apenas dar relativa importância a occasio legis (= circunstâncias jurídico-sociais que rodearam a elaboração da lei). Exs.: Discussões das comissões técnicas do Congresso e debates parlamentares.

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5. Método Teleológico: Trata-se dos fins que a lei visa a

atingir. Os interesses sociais que pretende proteger e que inspiraram a formação dos documentos legislativos (ratio

legis).

 O FIM está IMPLÍCITO no dispositivo legal. Como este deve

acompanhar as NECESSIDADES SOCIAIS, cumpre ao intérprete revelar os NOVOS FINS que a lei visa a atingir.

 Harmonização dos VELHOS FINS COM OS NOVOS FINS

Referências

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