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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.7 número2

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HSIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA DO SISTEMA LINFORETICULAR

A. Oliveira Lim a *

Q uando um agente invasor, capaz de reprodução e m ultiplicação nos tecidos, pe­ n e tra n a in tim idade do sistem a lin fo reti-

cular (SLR), as seguintes alterações pode­ rão ocorrer n a capacidade reacional do hos­ pedeiro: 1) to rn a r-se im une e m ais resis­ te n te ao agente invasor; 2) ficar hipersen-

sível a esse agente, ou a seus produtos; 3) adq uirir um estado específico de to lerância ou de p aralisia im unológica; 4) evoluir p a ra um estado de deficiência im unológica, to r­ nando-se incapaz de com bater a agressão. Todos esses estados dependem d a in te ra ­ ção e n tre o p a ra sita e o hospedeiro, envol­ vendo n a sua in tim idade particip ação de todas as células do sistem a lin fo re tic u la r.

O AGENTE INVASOR

De p a rte do p a ra sita (virus, bactéria, protozoário, fungo, etc.) h á inúm eros f a ­ tores a in terferir, em m aior ou m enor grau, n a capacidade reacional do SLR; presença de cápsulas ou de flagelos, n a tu reza dos com ponentes da parede e da m em brana celular, presença de exo ou de endotoxi- nas, atividade citopática, p arasitism o in tra ou ex tra-celu lar, m odulação an tig ên ica d u ­ ra n te o ciclo evolutivo do p arasita, in te n ­ sidade do parasitism o, vias de pen etração etc.

O SISTEMA LINFORETICULAR

A figu ra 1 nos d á um a visão esquem á- tica dos com ponentes do sistem a linfore­ ticu lar .

O SLR poderá, p o rtan to , ser estudado èm três níveis diferentes; 1) dos órgãos produtores de células indiferenciadas p ri­ m itivas (célula reticu lar prim itiva) de onde provêm as células linfoides e os m acró fa- gos; 2) dos órgãos linfoides centrais (ou p rim á rio s), como o tim o e b u rsa de F abri- cius, locais de u lterior m atu ração funcional e de in ten sa divisão das células linfoides; 3) do sistem a linfoide periférico (ou secun­ dário) , como os linfonodos, o baço, onde as células linfoides reagem ao agente in v a­ sor. O SLR se compõe, essencialm ente, de três tipos de células: os m acrófagos que pertencem ao sistem a retículoendotelial e os linfócitos T e B, p erten centes ao tecido linfoide.

AS CÉLULAS PRECURSORAS DO SISTEMA LINFORETICULAR

As células precursoras do SLR provêm, n a vida fetal, de células prim itivas do saco vitelino e que m igram p a ra o fígado fetal e a m edula óssea. A m edula, n a vida ex- tra u te rin a , rep resen ta um com partim ento

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N I V E L I

Co m p a r t i m e n t o d as c é l u l a s p r o g e n i t o r a s

{ m e d u l a o ' ssea )

I m u n o g l o b u l í n a s ( a n t í c o r p o s )

L i n f o c i n a s

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im p o rtan te do SLR. As células reticulares prim itivas podem circular pelo sangue e linfa, m as n ão reagem ao antígeno, com- po rtand o-se como células im unologicam en- te incom petentes no sentido convencional. As células prim itivas que m igram p a ra o tim o sofrem extensa diferenciação e se tran sfo rm am em tim ócitos, que tam bém se diferenciam an tes de m ig rar p a ra os ó r­ gãos linfoides periféricos (linfonodos, b a ­ ço) , o sangue e a linfa, onde passam a ser cham ados de linfócitos T, ou tim o -d epen - d en tes. As células prim itivas que não m i­ gram p a ra o tim o tam bém se diferenciam e se m ultiplicam , passando a ser cham ad as de linfócitos B, bu rsa-d ep en d en tes ou tim o- in d ep en d en tes. Nas aves essa d iferencia­ ção ocorre n a bu rsa de Fabricius, tecido linfoide apenso à cloaca; nos m am íferos, provavelm ente no tecido linfoide do a p a re ­ lho digestivo, nos linfonodos, no baço. Os linfócitos T e B vão h a b ita r os órgãos lin ­ foides periféricos, o sangue e a lin fa . T am ­ bém os m acrófagos se originam da célula reticu lar p rim itiva da m edula óssea.

OS ÓRGÃOS LINFOIDES CENTRAIS

Os órgãos linfoides são hoje classifica­ dos em dois grupos: 1) centrais, ou p rim á ­ rios; 2) periféricos, ou secundários. O tim o e bursa de F abricius são os órgãos centrais; os linfonodos, o baço, as placas de Payer, os periféricos. P a ra alguns autores o te ­ cido linfoide do aparelh o digestivo (am íg­ dalas, placas de Payer, apêndice) te ria função de órgão central, equivalente à da b u rs a .

T rês são as características principais dos órgãos linfoides centrais: 1) não fo r­ m am anticorpo em condições norm ais; 2) a in ten sidad e da linfopoiese de suas célu­ las não depende da estim ulação antig ê- nica; 3) en cerram form ação de células epi- teliais. Nos órgãos cen trais as células re ­ ticulares prim itivas sofrem am adu recim en­ to e diferenciação em células im unocom pe- ten tes. O tim o se divide em lóbulos com m edula e córtex, contendo células reticu la­ res, linfócitos, m acrófagos e células epite- liais. E stas últim as predom inam n a m e­ dula, form ando os corpúsculos de H assal. Em condições no rm ais o tim o não contém folículos linfoides, nem plasmócitos.

A b u rsa de Fabricius, peculiar às aves, é um a e stru tu ra linfoepitelial ju stap o sta à

cloaca, tam bém com porção m edular e cor- tical.

Os linfócitos T procedem de células que se diferen ciaram no tim o. Os linfócitos B provêm de células que se diferenciaram na bu rsa ou em tecido linfoide equivalente, nos m am íferos. Dos órgãos linfoides cen­ tra is esses linfócitos, já im unocom petentes, passam p a ra a circulação e p a ra os órgãos linfoides periféricos. H á evidências de que as células epiteliais do tim o elaboram um fa to r horm o nal capaz de in terferir n a m a­ tu ração dos linfócitos.

OS ÓRGÃOS LINFOIDES PERIFÉRICOS

Os linfonodos e o baço são os principais órgãos linfoides periféricos, p a ra onde m i­ gram os linfócitos T e B. Ali tam bém es­ tã o as células do sistem a retículo-endote- lial, os m acrófagos.

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F*g. o B ursa de F sb ric iu s. orsiao u n fó id e c e n tra l d as aves, ao lado do tim o .

alto, por onde atravessam os linfócitos re- circuladores. Zona pobre em m acrófagos e neutrófilos.

A zona m edu lar p en etra nos linfonodos form ando interdigitações en tre os seios. Na ausência d3 estím ulo antigênico a p re ­ sen ta e stru tu ra pouco proem inente, m as a p a rtir dc qu arto dia de estim ulação de res­ postas im ediata, acusa in filtração por cé­ lulas pironinófilas, proliferação de células plasm áticas, linfócitos, m acrófagos. As cé­ lulas plasm áticas m ad u ras tendem a p e r­ m anecer n a m edula onde se form am , en ­ q u an to os linfócitos, em geral, m igram pelos linfáticos eferen tes. Os seios m edu­

lar°s tam bém recobertos por endotélio (m acrófagos) são os m aiores filtros dos linfonodos.

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L i n f ó t i c o

a f e r e n t e F o l í c u l o s

Zona p ar a c o r t i c a 1

( t im o - d ep en d en t e) L i n f a t i c o e f e r e n t e

Se i o s i n f á t i c o s Co r t ex e Med ula (c o r d õ e s ) (zonas timo- independentes)

Fig. 4 R ep resentação esq u e m ática do lin fo n o d o m o stran d o as áreas d e d ep en d ê n c ia : tim o -d e p e n d e n te e tlm o -in d e p e n d e n te (ou b u rs a -d e p e n d e n te ).

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verm elha e, en tre am bas, a zona m arg i­ nal, que envolve o seio m arg in al.

A polpa b ran ca contém tecido linfoide difuso e os folículos lin fo id es. O tecido difuso que corresponde ao tecido cortical e p araco rtical dos linfonodos, é o cham ado m a n to linfocítico p eri-arterio lar, que e n ­ volve a arterio la central, zona tim o -d epen - tíente. Os folículos secundários são de a s­ pecto sem elhante ao dos linfono do s. A zona m arg in al consiste de tecido reticu lar fro u ­ xo, com as células reticu lares em itindo lo n ­ gas ram ificações, linfócitos, m acrófagos e células p iro n in ó filas. A cha-se em com uni­ cação com a polpa verm elh a. Q uando sob estim ulação an tig ên ica a p resen ta m assas de plasm ócitos em diferentes estádios de m a tu ra ç ã o .

AS CÉLULAS DO SISTEMA LINF ORETICUL AR

M a c r ó f a g o s . — O term o m acrófago no seu sentido m ais am plo, engloba as células m ononucleares dotadas da capacidde de fagocitar m aterial particulado, de pinocitar substâncias solúveis e de acum u lar co ran ­ tes v itais. D entro desse critério são con­ siderados como m acrófagos os plasm atóci- tos, as células de K upfer, os m onócitos de sangue circulante (m acrófagos im a tu ro s), os histiócitos, as células adventícias, as cé­ lulas ragiocrinas, as células septais do p u l­ m ão, as células da m icroglia. Os m acrófagos se en co n tram em todos os órgãos consti­ tuindo, no conjunto, o sistem a retículo endotelial, como se vê no quadro seguinte.

S i s t e m a R e t í c u l o E n d o t e l i a l

Tecido linfoide periférico (lin fo­ nodos, baço)

Timo Fígado,

m edula dos ossos

Cavidades serosas

Sangue Sistem a

nervoso cen tral T •>. »

Tecido

conjun-tivo

M acrófagos dos seios

Histióci­ tos peri- vascula-

res

M acrófa­ gos dos seios lin ­ fáticos M acró­ fagos M onóci­ tos Micro­ glia Histió­ citos

Células d en d ríti- cas dos folículos

M acrófagos “tin ­ gible bodies” dos centros g erm in a­ tivos

M acrófa­ gos “tin ­ gible bo­ dies”

i !

Os m onócitos do sangue são considera­ dos como form a jovem , im a tu ra , dos m a ­ crófagos, de passagem p a ra os tecidos. Exercem funções dos m acrófagos em bora em m enor in ten sid ad e. A e stru tu ra e m or- fologia dos m acrófagos varia, de certo modo, n a dependência da su a localização nos tecidos e da sua ativid ade. Cerca de 30% das células do fígado são constituídas por células de K upfer, que revestem os si- nusoides hepáticos. Nos tecidos linfoides

existem três tipos de m acrófagos: 1) m a ­ crófagos dendríticos dos folículos germ iná- ticos; 2) m acrófagos “tingible bodies”, dos centros germ inativos dos folículos secun­ dários da córtex dos linfonodos e da polpa b ran ca do baço; 3) m acrófagos clássicos, que revestem os seios dos linfonodos e do baço.

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Po l p a v e r m e l h a

Fo l ícu l o g er m in at ivo (Fg ) A r t er ío l a ce n t r al ( a c )

Mant o lin f o cít ico p er iar t er io lar

( M L P )

Fig. 6 R ep resen tação esq u em ática do baço m o stran d o as porções da polpa b ra n c a d e -m a io r -interesse n a s reações im im ológicas.

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óssea, células dotadas de grand e atividade m itó tic a .

F u n ç õ e s d o s m a c r ó f a g o s . — D entre as principais funções dos m acrófagos figuram as seguintes: 1) fagocitose e pinocitose de su b stâncias e stra n h a s aos tecidos; 2) fa ­ gocitose de células envelhecidas ou a lte ra ­ das por m ecanism os diversos; 3) fagocitose de sub stâncias que se form am no m etab o­ lismo celular; 4) controle do m etabolism o da hem oglobina, do ferro, dos lipides, do osso; 5) rep aração de tecidos nos processos in flam atórios; 6) captação, processam ento e arm azen am en to de antígenos; 7) d estru i­ ção de complexos an tig eno-antico rpo ; 8) elaboração de in terfero n e de certos com ­ ponentes do com plem ento.

F a g o c i t o s e e p i n o c i t o s e . — Os autores . costum am estu d ar a fagocitose em duas etap as: 1) da aderência da p artícu la ao fagocito; 2) da incorporação ao fagocito da p artícu la ad erid a. Seria útil, no en tan to , subdividir essas duas etap as nas seguin­ tes: quim iotaxia, opsonização, im unoade- réncia, endocitose, form ação de vacúolos fagocíticos (fagosom as), degranulação dos lisosomas, form ação de fagolisosom as, des­ truição ou elim inação (exocitose) da subs­ tâ n c ia in gerida.

A quim iotaxia consiste n a m igração un i- direcional do fagocito orientado por um gradiente da sub stân cia a tiv a . D entre os agen tes quim iotáticos f k u r a m certos fra g ­ m entos do com plem ento (C3a, C 5 a), o com plexo m acrom olecular do com plem ento C567, agentes elaborados por bactérias, pep- tídeos catiônicos dos lisosomas, su b stâ n ­ cias elaboradas pelos linfócitos e n eu tró - filos, etc. A opsonização e im u noad erên - cia são etap as que se seguem à quim io­ ta x ia . F uncionam como agentes opsônicos e im u noad eren tes as im unoglobulinas (IgG,

IgM) e o com plem ento (C3, C4) . As

im unoglobulinas funcionam íixan do-se às m em branas dos m acrófagos pela porção F c. A aderência das p artícu las à sup erfí­ cie dos m acrófagos precede à fagocitose, isto é, à interiorização da m em brana do fagocito. Essa aderência poderá ocorrer por m ecanism os diversos: 1) pelo encontro ao acaso do m acrófago com a p artícu la nu m a superfície ap ro p riad a; 2) pela a tr a ­ ção eletro stática; 3) pela aderência da p artícu la, em geral um agente estru tu rad o (célula, b actéria) ao m acrófago através de

anticorpos ou do com plem ento de com ­ plexos an tig eno-antico rpo . Nos prim eiros casos a fagocitose é ch am ad a não-im uno- lógica; no últim o, im unológica. Depois de aderid a a p artícu la à superfície do m acró­ fago, correm vários fenôm enos que podem ser assim resum idos: 1) interiorização da p artícu la por invaginação e fusão da m em ­ b ra n a plasm ática, form ando o vacúolo fa - gocítico (fagosom a) desprovido de enzi­ m as; 2) m ovim entação dessas vesículas p a ra o centro da célula, onde se fundem com os lisosom as do citoplasm a, dos quais recebem as enzim as e se tran sfo rm am em e stru tu ra digestiva; 3) destruição da p a r­ tícula ingerida ou sua elim inação p ara fora da célula (exocitose) .

O m ecanism o da pinocitose é basica­ m ente sem elhante ao cia fagocitose, do qual se, difere pel.o fato de incorporar subs­ tân cias solúveis e pelo fa to de as vesículas resu ltan tes serem m enores.

M o b i l i z a ç ã o d o s m a c r ó f a g o s . — Q uando o organism o necessita de m aior núm ero de m acrófagos, no advento de agressão em d eterm inado tecido, ocorrerão os seguintes fenôm enos: 1) estim ulação e proliferação das células progenitoras da m edula óssea e sua tran sfo rm ação em prom onócitos; 2) e n tra d a dos prom onócitos da circulação m edu lar e sua transform ação em m onóci­ tos; 3) pen etração dos m onócitos nos te ­ cidos com prom etidos e sua transform ação em m acrófagos; 4) m obilização dos m acró­ fagos de depósitos próxim os ao tecido le­ sado. Os m acrófagos podem se organizar em granulom as nos tecidos, quando as cé­ lulas estim uladas pelas linfocinas, aderem e n tre si pelas projeções digitais e adqui­ rem o aspecto de cálulas epitelioides. Os estím ulos (bactérias, etc.) que atu am so­ bre os m acrófagos podem tran sfo rm á los em “m acrófagos ativad os” que apresentam e n tre outras, as seguintes características: m aior atividade m etabólica, m aior núm ero de lisosomas, m aio r teo r de enzim as, m a i o r capacidade de fagocitose, m aior m obilida­ de. D entre os estím ulos de m aior im por­ tân cia nessa ativação tíos m acrófagos, fi­ gu ram os lipides e endotoxinas bacterianos

( M . t u b e r c u l o s i s , M . le p r a e , L . m o n o c y t o -g e n e s , B r u c e l l a , S a l m o n e l l a , C . p a r v u m , e tc .).

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cidos têm sido bem estudados n a captação de antígenos e de complexos a n tíg e n o -a n ti- corpo. Um deles predom ina n a cavidade peritoneal e nos seios dos órgãos linfoides periféricos. O outro, o que retem o a n tí- geno n a sua m em b ran a plasm ática, o c h a ­ m ado m acrófago dendrítico, predom ina nos folículos linfoides. H á duas m an eiras co­ nhecidas de localização do antíg eno nos nódulos linfoides: 1) fixando-se à porção F ab livre do anticorpo citofílico aderido à superfície do m acrófago pela porção Fc; 2) fixando-se atrav és do com plem ento do complexo an tíg e n o -a n tic o rp o . O antígeno pode ser fagocitado e to talm en te deg ra­ dado pelos m acrófagos, ou ser neles retid a um a pequena porção do tad a de atividade im u nológ ica.- Os m acrófagos em bora não sintetizem anticorpos, in terferem de vários modos n a sua form ação: 1) com petindo com os linfócitos n a captação do antígeno; 2) processa.ndo o antíg eno e au m en tand o sua potencialidade im unogênica; 3) elabo­ ra n d o RN A capaz de conferir a linfócitos norm ais a capacidade de fo rm ar anticorpos específicos p a ra o antígeno fagocitado.

R e l a ç õ e s a n a t ô m i c a s e n t r e m a c r ó f a g o s e l i n f ó c i t o s . — Os m acrófagos dos seios e cordões m edulares dos linfonodos se acham em con tato estreito com as células linfoi­ des. O papel aux iliar dos m acrófagos n a produção de anticorpos se dem o nstra en tre ou tros m étodos: 1) pela presença de lin fó ­

citos em volta dos m acrófagos, form ando rosptas; 2) pela tran sfo rm ação blastoide dos linfócitos m ais próxim os aos m acró fa­ gos; 3) pela form ação de pontes citoplas- m ática en tre m acrófagos e plasm ócitos ou linfócitos.

L i n f ó c i t o s . — H á pelo m enos duas clas­ ses d istin tas de linfócitos periféricos, tendo em m ente suas propriedades biológicas: T e B . Os linfócitos T provêm de célula precursora da m edula óssea que m igra para o tim o onde se diferencia em tim ócito. O tim ócito perde alguns dos seus antígenos da m em brana e m igra p a ra os órgãos lin ­ foides periféricos onde recebe os nomes de linfócitos T, linfócitos tim o-dependen- te s. Os linfócitos B tam bém têm sua ori­ gem nu m a célula precursora da m edula e m igram p a ra a periferia. Nas aves essa diferenciação se faz n a bu rsa de Fabricius; nos m am íferos, em algum tecido “bursa- equivalente” ou nos próprios órgãos linfoi­ des periféricos. Esse tipo de linfócito que se diferencia sem p assar pelo tim o é ta m ­ bém cham ado “tim o -in d ep en d en te”, “bursa- d ep end ente” . Os linfócitos T e B são m or- fologicam ente indistinguíveis. Ambos são encontrados nos tecidos linfoides periféri­ cos, n a lin fa do can al torácico e no sangue p eriférico .

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Fig. 10 L in fó cito . Não se consegue d istin g u ir os lin fó ­ cito s B e T pelo asp ecto m orfológico.

sam ente estu dad a no cam undongo e se b a ­ seia, en tre outras, nas seguintes prop rie­ dades: 1) som ente os linfócitos T possui­ riam o antígeno te ta n a sua m em brana plasm ática; 2) os linfócitos B conteriam antígenos não encontrados nos linfócitos T; 3) os linfócitos B seriam m ais sensíveis à ação dos corticosteroides;; 4) som ente os linfócitos B possuiriam receptores em. sua m em brana p ara complexos ligados a com plem ento. Como já foi dito, as células precursoras da m edula óssea que m ig ra­ ram p ara o tim o se tran sfo rm am em tim õ- citos, quando adquirem os antígenos te ta e TL. Com a diferenciação os tirnócitor. perdem o antigeno TL (conservando o ari- tigeno teta) e m igram p a ra os órgãos lin ­ foides periféricos. A distribuição dos lin ­ fócitos T e B, no cam undongo, é a seguinte:

Linfócito T %

Linfócito I %

Timo ... 100 0

C anal torácico . . . 85 15

Sangue periférico . 70 35

Linfonodos ... 65 30

Baco ... 35 56

P e ritô n e o ... 35

-P lacas de F ayer .. 30 —

Medula óssea 0 40

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reações im unológicas: 1) n a form ação de anticorpos; 2) n a produção de anticorpo co n tra o h ap ten o e o “c arread o r’r; 3) na reação enxerto-hospedeiro; 4) n a to le râ n ­ cia im unológica. A produção de an tic o r­ pos pelos linfócitos B exige, n a m aioria das vezes, a colaboração dos linfócitos T . O con tato do antíg eno sensibilizador co.m os receptores da m em b ran a p lasm ática leva os linfócitos T à diferenciação e elaboração de in form ação aos linfócitos B. Estes que tam b ém possuem receptores em sua m em ­ b ra n a se diferenciam em células prod uto­ ras de anticorpos. Os linfócitos T e B coo­ p eram n a form ação de anticorpos con tra antígenos contendo hap ten o s como d eter­ m in a n te . O h ap ten o reage com os recep­ tores dos linfócitos B, enq u an to a ou trá p a rte da m olécula, a porção “c a rread o ra”, reagirá com os receptores dos linfócitos T. Todavia, nem todo antíg eno requer a co­ laboração das células T p a ra elaboração de antico rp os. Os antígenos com m uitos de­

term in an tes iguais e repetidos (polissaca- rides, substâncias que se polim erizam ) con­ seguem estim u lar diretam en te os linfócitos B. As células T, graças à sua capacidade de recircular, podem c a p ta r o antíg eno e con centrá-lo em zonas (dos linfonodos, baço) onde predom inam os linfócitos B.

P r o d u ç ã o d e l i n f o c i n a s e d o s f a t o r e s d e t r a n s f e r ê n c i a . — Q uando os linfócitos T, do anim al ou do hom em , adequadam ente sensibilizados, são cultivados em presença do antígeno, aparecem , no sobrenadante da cu ltu ra, várias substâncias solúveis do­ ta d a s de atividade biológica de grande im ­ p o rtân cia. Essas substâncias, que tam bém podem ser elaboradas por outros estím ulos inespecíficos (fitoh em ag lu tin ina, etc.) po­ dem ser divididas em dois grupos: 1) das linfocinas; 2) dos fatores de transferên cia. O quadro seguinte condensa as principais linfocinas e suas propriedades biológicas.

L infocina Sistem a biológico revelador da sua atividade

F ato r m itogênico (ou derepres- Induz a síntese de RNA, DNA pelos linfócitos,

levando-sor) dos linfócitos -os à tran sfo rm ação blástica.

F ato r in flam atório Induz reação in flam ató ria re ta rd a d a quando in jetad o por via in trad érm ica

F ato r citotóxico ou citopático Citotoxicidade p a ra células em condições adequadas, atrav és da linfotoxina

F a to r de inibição da m igração Inibição da m igração de m acrófagos e neutrófilos, “in v itro ”

F ato r agregador de m acrófagos Agregação de m acrófagos “in vitro” e “in vivo”

F ato r ativad or dos m acrófagos A um enta a capacidade fagocitária dos m acrófagos em cultu ra

F ato r ativad or dos linfonodos A um enta o ta m a n h o dos linfonodos em injeções in tra -linfáticas

F ato r quim iotático Q uim iotaxia p a ra m acrófagos, neutrófilos, eosinófilos,

linfócitos

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PLASKOCI TO

Fig. 11 P lasm ó cito. F ase fin a l de evolução dos lin fó cito s B.

F a g o c i t o s e P i n o c i t o s e C i t o t o x i n a , etc.

A N T ÍG EN O S— > L i n f o c i f o

V i r u s B a c t é r i a s

P ro to zoo f r i o s

F u n g o s H e l m i n t o s A l i m e n t o s D r o g a s

> L i n f o c i t o )< A N T IGEN O

Vi r u s B a c t é r i a s Pr o t o z o á r i o s Fu n g o s H e l m i n t o s A l i m e n t o s D r o g a s

L I N FQ C IN A S IM UN O GLO BULIN A S

( a n t i c o r p o s )

I H l P E R S E N S I B I L I D A D E

I I I M U N I D A D E

I I I PA R A L I SI A 1 M U N O L O GI C A I V D E F I C I Ê N C I A I M U N O L O GI C A

Fi g. 12 A s p r i n c i p a i s m o d a I i d a d es d e r e s p o s t a d o s i s t e m a

N* 2

(15)

As linfocinas funcionam como m ed ia­ dores farm acológicos da hipersensibilidade e da im unidade celu lar. A tuariam am ­ plian do e regulando a resposta das células linfoides ao an tíg en o . Os fatores de tra n s ­ ferência, tam b ém sem n en h u m parentesco com as im unoglobulinas, existem prefor- m ados den tro das células linfoides (linfó­ citos T ), de indivíduos com elevado grau de hipersensibilidade re ta rd a d a , de onde podem ser facilm ente extraído s. Estes fa ­ tores tra n sfe re m a sensibilidade re ta rd a d a de um indivíduo p a ra o outro, quando in ­ jetad o s em doses adequadas. Consegue- -se, tam bém , tra n sfe rir, “in v itro ”, a sensi­ bilidade de um linfócito p a ra outro por m eio desses fato res. Eles podem ser con­ siderados como m oléculas do tad as da ca­ pacidade de induzir as principais reações im unocelulares, enq uan to que as linfocinas am pliam e regulam a extensão dessa res­ p o sta. Os fatores de tran sferên cia se ob­ tem de linfócitos T sensibilizados, mesmo n a ausência do antígeno; as linfocinas exigem a presença do antíg eno sensibiliza- dor e, ap aren tem en te, da colaboração do m acrófago. C um pre lem b rar que as lin ­ focinas podem ser produzidas por células estim u lad as inespecificam ente.

P r o d u ç ã o d e i m u n o g l o b u l i n a s ( a n t i c o r ­ p o s ) . — Os anticorpos são globulinas que aparecem nos líquidos e tecidos de anim al subm etido a sub stâncias im unológicas. Um a das característic as principais dessas globu­ linas é a de se com binarem especificam ente

com os antígenos que presidiram à sua form ação. São, por isso, cham ad as im uno­ globulinas. Os anticorpos são form ados pelos linfócitos B, sobretudo pelos plasm ó- citos, que represen tam a etap a fin al de evolução desses linfócitos. A dm ite-se que o antígeno, se está em form a particu lad a (células, bactérias, etc.) an tes de estim ular a célula prod utora de anticorpo, seja a n ­ tes fagocitado ou “processado” pelos m a ­ crófagos. Como já vimos, os linfócitos T tam bém auxiliam os linfócitos B n a ela­ boração de antico rp o. Assim, em m uitos casos, a form ação de anticorpo exige o con­ curso de pelo m enos três células: m acró­ fagos, linfócito T e linfócito B.

C l a s s e s d e i m u n o g l o b u l i n a s . — J á se co­ nhecem cinco classes de im unoglobulinas, designadas pelas siglas IgG, IgA, IgM, IgD, IgE. No hom em existem ain d a subclasses: IgG l, IgG2, IgG3, IgG4. H á pelo menos duas IgM denom inadas IgM7S e IgM19S. A IgA é en co n trad a sob duas form as: IgA e IgA -S. O com ponente S é cham ado peça secretória, u m a glicoproteína elaborada por células epiteliais (epitélio de revestim en­ to) . A IgA-S, ch am ad a exócrina, encon­ tra -se em teo r elevado nas secreções (sa ­ liva, suco gástrico, colostro, etc.) e parece ser de grand e im p ortância n a proteção das m ucosas.

A l g u m a s d a s p r o p r i e d a d e s d a s i m u n o ­ g l o b u l i n a s . — Essas propriedades podem ser condensadas no quadro seguinte.

I g G I g A I g M I g D I g E

M obilidade eletroforética ...

yi. y

2

yi

yi

yi

y i

Peso m olecular ...

160.000

160.000

390. C00

900.000

160.000

200.000

Teores no rm ais no soro .hum ano

(mg/100 ml) ...

800

a

1600 140

a

420 50

a

200 0,3

a

30

0,01 a 0,07

Coeficiente de sedim entação ...

7S

7S 11,4S

19S

7S

8S

Meia vida (dias) ...

25

6

5

— —

E specificidade genotípica

G m ... + 0

0

— —

In v ... + + + —

Valência ...

2

2

5

-- —

P rodução (g /d ia) ...

2,3

2,7

0,4

— —

T ransm issão pela p lacen ta ... +

0

0

--- 0

Fixação n a pele ... -f

0

0

---

-f-Fix. com plem ento ... +

0

+ --- 0

Com binação c /fa to r reum atóide . . . + 0

0

- - —

(16)

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Vol. VII — N? 2

C o m b i n a ç ã o a n t i g e n o - a n t i c o r p o . — A com binação antig en o -an tico rp o se exterio- riza por fenôm enos físico-quím icos e por m anifestações biológicas, a saber: 1) fo r­ m ação de agregados m oleculares; 2) p re ­ cipitação e aglutinação; 3) fixação do com ­ plem ento e citólise; 4) opsonização, im u-

noaderência e fagocitose; 5) liberação de substâncias farm acológicam ente ativas so­ bre a m icrocirculação (histam ina.seroto- nina, SRS-A, an afilatox in as, b ra d ic in in a ); 6) elaboração de linfocinas; 7) tra n s fo r­ m ação blástica dos linfócitos; 8) alterações nos tecidos: in flam ação simples, p ro lifera­ ção, degeneração, necrose, hem orragia, etc..

A RESPOSTA IMUNOLÓGICA

A resposta im unológica pode ser dividida em três com partim entos: aferen te, ce n tra l e eferen te. A e ta p a aferen te diz respeito à m ensagem antig ênica trazid a ao sistem a linfoide e à form ação de anticorpo. A e ta ­ pa cen tral cuida d a origem, n a tu reza e função das células linfoides e da base ge­ n ética da in form ação necessária p a ra a síntese dos anticorpos. A etap a eferente estuda as alterações celulares que decor­ rem do encontro efetivo en tre o antíg eno e as células linfoides reato ras.

As reações im unológicas podem ser clas­ sificadas em dois grandes grupos: 1) de­ pendentes de substâncias elaboradas pelos

linfócitos B (im unoglobulinas); 2) depen­ dentes de substâncias elaboradas pelos lin ­ fócitos T (linfocinas e fatores de tra n s fe ­ rência) . D ependem dos anticorpos a hiper- sensibilidade reagínica (a to p ia ), o fenô­ m eno de A rthus, a doença do soro, as re a ­ ções citotóxicas que envolvem o com ple­ m ento, a elim inação de p arasitas, a n e u ­ tralização de toxinas, a im unidade hum o-

ra l. Dependem das linfocinas e dos fa to ­ res de tran sferên cia as form as de hiper- sensibilidade re ta rd a d a (alergia b aeteria- na, alergia de contato, a rejeição de en x er­ tos, a reação enx erto -h o sp ed eiro ), a des­ truição in trav ascu lar de p arasitas, a im u ­ nidade celular. T an to nu m grupo como no outro, as reações im unológicas são con tro ­ lad as por substâncias solúveis elaboradas

pelas células linfoides. Os m acrófagos de­ sem penham papel im p ortantíssim o em p ra ­ ticam ente to d a form a de reação im unoló­ gica, como já vim os.

ESTADOS DE HIPERSENSIBILIDADE ESPECÍFICA

Os estados de hipersensibilidade especí­ fica resu ltam de um a hiperplasia do sis­ tem a linforeticu lar com aum en to da a tiv i­ dade funcional das suas células, ocasiona­ da pela in trodu ção no organism o de subs­ tân cias im unogênicas em condições ade­ quadas. O processo h iperplástico poderá ser do m inan te em alguns dos setores desse sistem a, ou poderá esten der-se a todos eles. Q uando dom inante no setor das células form adoras de anticorpo (linfócitos B ) , ocorrerão as form as de hipersensibilidade de resposta im ed iata (anafilax ia, alergia reagínica, fenôm eno de A rthus, doença do s o ro ); quando do m inante no setor dos lin ­ fócitos T, in sta la r-se -ã o form as de h ip e r­ sensibilidade do tipo retard ad o (alergia bacterian a, alergia de contato, rejeição de enxerto, reação en x erto -h o sp ed eiro ). Q u an­ do a hiperplasia se estende aos dois seto­ res de células ocorrerão estados de h ip e r­ sensibilidade m istos, im ediatos e r e ta rd a ­ dos.

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R e a ç õ e s i n f l a m a t ó r i a s :

H ipersensibilidade re ta rd a d a Form ação de granulom a Rejeição de tran sp lan tes R eação enxerto-hospedeiro

R e a ç õ e s ã e v i g i l â n c i a :

R estrição no crescim ento de tum ores, p arasitas

D estruição de p arasitas Ativação de m acrófagos

R e a ç õ e s a d j u v a n t e s :

Form ação de anticorpo

Prom oção da resposta auto-im une.

IMUNIDADE HUMORAL E CELULAR

P a ra que o p a ra sita que venceu os m e­ canism os inespecíficos de defesa crie um estado de im unidade, de m aior resistência ao agente invasor, é indispensável que esse agente, ou seus antígenos, en tre n a in ti­ m idade do sistem a lin fo re tic u la r. A re s­ posta desse sistem a se exterioriza de duas

form as que, em geral, se desenvolvem p a ­ ralelas: 1) im unidade hu m oral; 2) im u­ nidade celular.

A p rin cipal característica da im unidade h u m oral é o aparecim ento no sangue de im unoglobulinas (anticorpos) elaboradas pelos linfócitos B (plasm ócitos) e que e n ­ tra m em com binação específica com o p a ­ ra sita ou seus antígenos solúveis. Os a n ti­ corpos auxiliam a ta re fa a ser executada pelos m acrófagos, a fagocitose, de várias m an eiras: 1) neu tralizando as exotoxinas; 2) atu a n d o como opsoninas ou anticorpos citofilicos e que possibilitam a aderência dos p a ra sita s à superfície dos m acrófagos (im u n o ad erên cia); 3) funcionando como agente citotóxico p a ra o p a ra sita , em p re ­ sença do com plem ento.

A im unidade celular se caracteriza pelo aparecim en to de células linfoides (linfóci­ tos T) especificam ente sensibilizados aos antígenos do p arasita. Q uando em con tato com o p a ra sita eles se tran sfo rm am em células blásticas (células pironinófilas) com a capacidade de elaborarem as linfocinas, os fatores de tran sferên cia, o in terferon , como já fci descrito. As linfocinas

exer-F a t o r e s : inflam atório, citotoxina, quimio- tático, m itogênico, inibidor da m igração

de m acrófagos, aglu tin ad o r de m acró­ fagos.

F a t o r e s : citotóxico, ativador de m acró fa­ gos

F a t o r e s : ativad or do linfonodo, mitogênico, ativad or de m acrófagos.

cem papel im p o rtan te n a atividade dos m a­ crófagos, aum en tan d o sua capacidade de fagocitose, to rn and o-os “m acrófagos a ti­ vados”, levando-os a se organizarem em granulom as, etc. Q uando os linfócitos T deixam de fornecer essa aju d a aos m acró­ fagos, como acontece em c a rá te r tem p orá­ rio n a fase aguda de certas viroses (saram ­ po, rubeola, m ononucleose infecciosa, e tc .), ou em c a rá te r duradouro, em algum as doenças com deficiência im unológica (ca- lazar, lep ra leprom atosa, blastom icose, con­ dições neoplásicas, etc.) a im unidade ce­ lu lar fica grand em ente prejudicada, ora em c a rá te r específico, ou em c a rá te r inespe- cífico, to rn an d o p recária a situação do hos­ pedeiro. Em bora se desconheça o m eca­ nism o íntim o pelos quais os linfócitos tim o- dependentes, sensibilizados, executam essa função, se som ente através das linfocinas e dos fatores de tran sferên cia, o cham ado eixo “m acrófago-linfócito”, tim o-dependen- te, co n stitui a base a tu a l da im unidade c e lu la r.

A im unidade celular poderá ser enca­ ra d a sob dois aspectos tendo em m ente seu significado clínico: 1) o que diz res­ peito ao aum en to das propriedades parasi- ticidas tíos m acrófagos; 2) o que se refere ao papel dos m acrófagos n a im unidade an ti-célu la neo p lásica.

(18)

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Vol. VII — N? 2

L . m o n o c y t o g e n e s , em cam undongos, reve­ laram que a m aior resistência dos anim ais infectados não tem c a rá te r estritam en te específico. O estím ulo ao sistem a lin fo reti­ cular, independentem ente do agente agres­ sor (BCG, Salm onella, Brucella, Listeria, e tc .), em elevado grau, se exterioriza por efeitos inespecíficos, que se generalizam envolvendo os m acrófagos do fígado, baço, pulmões, peritôneo, pleura, etc.

Uma outra questão m uito im p o rtan te no setor da im unidade celular é o que diz re s­ peito à viabilidade do p a ra sita em causa. Em geral, só os agentes viáveis, isto é, aqueles que conseguem sobreviver nos te ­ cidos, não im p ortand o de que m an eira se opere essa sobrevivência, serão capazes de criar im unidade celular d u rad o u ra. R a ­ ram en te se consegue esse estado de im u­ nidade com b actérias m ortas, ou com seus antígenos. A im unidade celular du rad o u ra parece exigir um a estim ulação antigênica persistente com o que se conseguiria um a contínua ativação dos m acrófagos. Ade­ m ais, pensam alguns pesquisadores, essa

estim ulação precisa atin g ir tam bém as cé­ lulas da m edula óssea precursora dos m a ­ crófagos .

TOLERÂNCIA OU PARALISIA IMUNOLÓGICA

Estado em que não h á resposta, em c a ­ rá te r específico, das células do sistem a lin ­ foreticular, im unocom petentes, quando es­ tim uladas pelo antígeno, em condições ad e­ quadas. Pode ser criado por diferentes m é­ todos, em condições experim entais: 1) ino-

culação do antíg eno em anim ais recém - nascidos; 2) inoculação do antíg eno em do­ ses elevadas ou em doses m uito pequenas; 3) injeção do antíg eno (proteínas) livre de agregados, isto é, subm etidas a a lta cen tri- fugação; 4) anim ais subm etidos à rad io te­ rapia; 5) com drogas im unosupressoras d u ­ ra n te a estim ulação antigênica; 6) com so­ ros anti-linfócitos tim o-dependentes, h ete- rólogos, etc. A to lerância im unológica, um a vez estabelecida, pode d u rar por lo n­ go período, ou pode te rm in a r esp o n tan ea­ m ente com o auxílio de vários recursos té c ­ nicos. Ferm anece obscuro o m ecanism o ín ­ tim o dos estados de to lerância im unológi­ ca. Sabe-se, no en tan to , que eles podem ocorrer ta n to no setor dos linfócitos T, como dos linfócitos B, ou de ambos sim

ul-tân eam en te, e que podem ocorrer no de­ curso de qualquer tipo de parasitism o.

ESTADOS DE DEFICIÊNCIA IMUNOLÓGICA

Os estados de deficiência im unológica podem ocorrer no setor dos linfócitos T, dos linfócitos B ou, sim ultân eam en te, nos dois setores. As agam aglobulinem ias, ou hipogam aglobulinem ias, constituem os p rin ­ cipais achados im unológicos nas condições com deficiência im unológica dos linfócitos B. Os estados com deficiência im unológica no setor dos linfócitos T decorreriam de um a hipoprodução de linfocinas, quer se­ letiva, quer global. Os m ediadores dos lin ­ fócitos T e B, as linfocinas e as im unoglo­ bulinas, teriam , assim , enorm e im p ortância não som ente nos estados de hipersensibili­ dade e de im unidade, m as tam bém , nos estados de deficiência im unológica. No quadro seguinte estão as principais con­ dições em que se dem o nstra facilm ente um estado de deficiência im unológica.

I) D e f i c i ê n c i a s i m u n o l ó g i c a s - p r im á r ia s :

1) C elular (aplasia tím ica, etc.) 2) H um oral (hipogam aglobulinem ia li­

gado ao sexo)

3) C elular e hum oral (autosôm ica)

II) P a r a s i t i s m o i n t r a c e l u l a r c r ô n i c o :

1) C andidiase m uco-cutâneo 2) Leishm aniose visceral 3) Leishm aniose c u tân ea difusa 4) L epra leprom atosa

5) Blastom icose

III) N e o p l a s i a s :

1) D oença de H odgkin 2) Leucem ia lin fática crônica 3) C arcinom as avançados

IV) D o e n ç a s g r a n u l o m a t o s a s c r ô n i c a s :

(19)

V) A f e c ç õ e s v i r ó t i c a s a t i v a s :

1) S aram po 2) Rubeola

3) M ononucleose infecciosa

VI) U s o d e i m u n o s u p r e s s o r e s .

Nas sindrom es de deficiência im unoló­ gica dos linfócitos B, em que existe baixa do teor dos anticorpos, global ou seletiva, as repercussões sobre a im unidade hu m o­ ral (baixa da resistência aos agentes

bac-terianos, viróticos, etc.) dependem de vá­ rios fatores: época de aparecim ento, d u ra ­ ção, características genéticas, teores de im unoglobulinas do soro, etc. Na síndrom e com deficiência dos linfócitos T ocorrem, en tre outras, as seguintes m anifestações: linfocitopenia, plasm acitose, hipo ou hiper- gam aglobulina, amiloidose, teste de Coombs positivo, incapacidade no controle da ho- m eostase im unológica, m utações som áticas, hiperplasia de células reticulares, infecções viróticas repetidas, fenôm enos de auto- agressão, processos neoplásicos.

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Imagem

Fig.  2  (a)  T im o  h u m a n o   de  recém -n ascid o ,  (b)  G ran d e  au m en to p a ra   m o stra r  os  corpúsculos  de  H assal  n a   região  m ed u lar.
Fig.  5  L infonodo  m o stran d o   a   d istrib u iç ã o   dos  lin fático s,  os  cordões  m ed u la-  res  e  os  folículos  cortlcais.
Fig.  7  A m ígdala  p a la tin a .  P ara  algu n s  au to re s  poderia  fu n c io n a r  como  órgão  linfoide  cen tra l.
Fig.  8  M acrófagos,  c o n ten d o   m a te ria l  fago citado   em   fago-  lisosom as,
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