www.bjorl.org
Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ESPECIAL
First
Clinical
Consensus
and
National
Recommendations
on
Tracheostomized
Children
of
the
Brazilian
Academy
of
Pediatric
Otorhinolaryngology
(ABOPe)
and
Brazilian
Society
of
Pediatrics
(SBP)
夽
,
夽夽
Melissa
A.G.
Avelino
a,b,c,d,∗,
Rebecca
Maunsell
e,
Fabiana
Cardoso
Pereira
Valera
f,
José
Faibes
Lubianca
Neto
g,h,
Cláudia
Schweiger
i,j,
Carolina
Sponchiado
Miura
k,
Vitor
Guo
Chen
a,l,
Dayse
Manrique
a,m,
Raquel
Oliveira
n,
Fabiano
Gavazzoni
o,
Isabela
Furtado
de
Mendonc
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Picinin
p,q,r,
Paulo
Bittencourt
p,
Paulo
Camargos
r,
Fernanda
Peixoto
s,
Marcelo
Barciela
Brandão
t,
Tania
Maria
Sih
u,ve
Wilma
Terezinha
Anselmo-Lima
waUniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),EscolaPaulistadeMedicina(EPM),SãoPaulo,SP,Brasil bUniversidadeFederaldeGoiás(UFG),Goiânia,GO,Brasil
cPontifíciaUniversidadeCatólicadeGoiás(PUC-GO),Goiânia,GO,Brasil
dUniversidadeFederaldeGoiás(UFG),HospitaldasClínicas,UnidadedeCabec¸aePescoc¸o,Goiânia,GO,Brasil eUniversidadeEstadualdeCampinas(UNICAMP),FaculdadedeCiênciasMédicas,Departamentode
Oftalmo/Otorrinolaringologia,Campinas,SP,Brasil
fUniversidadeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto,DepartamentodeOftalmologia,Otorrinolaringologiae
CirurgiadeCabec¸aePescoc¸o,RibeirãoPreto,SP,Brasil
gUniversidadeFederaldeCiênciasdaSaúdedePortoAlegre(UFCSPA),PortoAlegre,RS,Brasil
hHospitaldaCrianc¸aSantoAntônio,Servic¸odeOtorrinolaringologiaPediátrica,PortoAlegre,RS,Brasil
iUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),ProgramadePós-graduac¸ãoemSaúdedaCrianc¸aedoAdolescente,
PortoAlegre,RS,Brasil
jHospitaldeClínicasdePortoAlegre,PortoAlegre,RS,Brasil
kUniversidadeSãoPaulo(USP),HospitaldasClínicasdaFaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto,RibeirãoPreto,SP,Brasil lUniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),EscolaPaulistadeMedicina(EPM),DepartamentodeOtorrinolaringologiae
CirurgiadeCabec¸aePescoc¸o,SãoPaulo,SP,Brasil
mAssociac¸ãodeAssistênciaaCrianc¸aDeficiente(AACD),ClínicadeOtorrinolaringologia,SãoPaulo,SP,Brasil nUniversidadeFederaldoCeará(UFC),Fortaleza,CE,Brasil
oHospitalPequenoPríncipe,Curitiba,PR,Brasil
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2017.06.002 夽
Comocitaresteartigo:AvelinoMA,MaunsellR,ValeraFC,LubiancaNetoJF,SchweigerC,MiuraCS,etal.FirstClinicalConsensusand NationalRecommendationsonTracheostomizedChildrenoftheBrazilianAcademyofPediatricOtorhinolaryngology(ABOPe)andBrazilian SocietyofPediatrics(SBP).BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:498---506.
夽夽Esteartigotratadeumconsensoelaboradoporespecialistasnoassunto,entãonãoseaplicaoenvioaoComitêdeÉticaePesquisa (CEP).
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](M.A.Avelino).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
pServic¸odeAssistênciaIntegralàCrianc¸aTraqueostomizada(SAIT),BeloHorizonte,MG,Brasil qUniversidadeJosédoRosárioVellano(UNIFENAS),CursodeMedicina,BeloHorizonte,MG,Brasil
rUniversidadeFederaldeMinasGerais(UFMG),HospitaldasClínicas(HC),PneumologiaPediátrica,BeloHorizonte,MG,Brasil sUniversidadeFederaldeGoiás(UFG),UnidadedeTerapiaIntensiva,Goiânia,GO,Brasil
tUniversidadeEstadualdeCampinas(UNICAMP),FaculdadedeCiênciasMédicas,DepartamentodePediatria,Campinas,SP,Brasil uUniversidadedeSãoPaulo(FMUSP),FaculdadedeMedicina,SãoPaulo,SP,Brasil
vInternationalSocietyOtitisMedia(ISOM),SãoPaulo,SP,Brasil
wUniversidadeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicinadeRibeirãoPreto,RibeirãoPreto,SP,Brasil
Recebidoem31demaiode2017;aceitoem6dejunhode2017 DisponívelnaInternetem4deagostode2017
KEYWORDS
Tracheostomy; Child;
Guidelines; Consensus
Abstract
Introduction:Tracheostomyisaprocedurethatcanbeperformedinanyagegroup,including childrenunder1-yearofage.UnfortunatelyhealthprofessionalsinBrazilhavegreatdifficulty dealingwiththisconditionduetothelackofstandardcareorientation.
Objective: Thisclinical consensus by Academia Brasileira deOtorrinolaringologia Pediátrica (ABOPe)andSociedadeBrasileiradePediatria(SBP)aimstogeneratenationalrecommendations onthecareconcerningtracheostomizedchildren.
Methods:A group ofexperts experiencedinpediatric tracheostomy(otorhinolaryngologists, intensivecarepediatricians,endoscopists,andpediatricpulmonologists)wereselected,taking intoaccountthedifferentregionsofBrazilandfollowinginclusionandexclusioncriteria. Results:Theresultsgeneratedfromthisdocumentwerebasedontheagreementofthemajority ofparticipantsregardingtheindications,typeofcannula,surgicaltechniques,care,andgeneral guidelinesanddecannulation.
Conclusion: Theseguidelinescanbeusedasdirectivesforawiderangeofhealthprofessionals acrossthecountrythatdealwithtracheostomizedchildren.
© 2017 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
PALAVRAS-CHAVE
Traqueostomia; Crianc¸a; Diretrizes; Consenso
PrimeiroConsensoClínicoeRecomendac¸õesNacionaisemCrianc¸as
TraqueostomizadasdaAcademiaBrasileiradeOtorrinolaringologiaPediátrica(ABOPe) eSociedadeBrasileiradePediatria(SBP)
Resumo
Introduc¸ão: Atraqueostomiaéumprocedimentoquepodeserfeitoemqualquerfaixaetária, inclusiveemcrianc¸asabaixodeumano.InfelizmentenoBrasilexisteumaenormedificuldade dosprofissionaisdesaúdeemlidarcomestacondic¸ãoeumafaltadepadronizac¸ãodoscuidados. Objetivo: Este consenso clínico realizado pela Academia Brasileira de Otorrinolaringolo-gia Pediátrica (ABOPe) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) tem como objetivo gerar recomendac¸õesnacionaissobreoscuidadosecondutasdiantedascrianc¸astraqueostomizadas. Método: Foramselecionadosumgrupodeespecialistascomexperiênciaemtraqueostomiana infância(otorrinolaringologistas,pediatrasintensivistas,endoscopistas,pneumopediatras)que tivessemcomprovadaatuac¸ãopráticanoassunto,equetambémcontemplassemasdiversas regiõesdoBrasil,deacordocomoscritériosdeinclusãoeexclusão.
Resultados: Osresultadosgeradosnestedocumentoforamobtidosapartirdaconcordânciada maioriadosparticipantesemrelac¸ãoasindicac¸ões,tipodecânula,técnicascirúrgicas,cuidados eorientac¸õesgeraisedecanulac¸ão.
Introduc
¸ão
Aliteraturainternacionalrelatatradicionalmentea neces-sidadedetraqueostomiaem0,5-2%dascrianc¸assubmetidas aintubac¸ãoeventilac¸ãomecânicaemunidadesdeterapia intensiva. Nos últimos 60 anos, as mudanc¸as na epidemi-ologia das doenc¸as infecciosas e a evoluc¸ão das técnicas médicasalteraramasindicac¸õesparatraqueostomia.A tra-queostomia podeser feita em crianc¸as dequalquer faixa etária,atéem lactentesmenores deumano. Oaumento datraqueostomianessafaixadeidadetemsidoatribuídoà maiorsobrevidaderecém-nascidosprematurosedaqueles que requerem ventilac¸ão prolongada.1 Esse procedimento
na crianc¸a, em especial nolactente e no recém-nascido, temsidoassociadoamaiormorbidadeemortalidadequando comparadoscomosadultos.2,3
Em relac¸ão às indicac¸ões de traqueostomia na infân-cia temos observado mudanc¸as significativas nos últimos anos.4,5
Nota-se hoje, no Brasil, uma enorme dificuldade dos profissionais de saúde de lidar com essa condic¸ão e uma falta de padronizac¸ão dos cuidados. Esse problema, em nível mundial, tem sido amenizado em outros países nos últimos anos através da discussão e sugestão de consen-sos entre profissionais que tenham contato com crianc¸as traqueostomizadas.6---9
Aformac¸ãodeequipesorientadasparaocuidado espe-cífico para essas crianc¸as comprovadamente aprimora o atendimentoepodepotencialmentereduzirnãoapenasos custoshospitalares,mastambémosofrimentodacrianc¸ae dafamíliaenvolvida,promoveumaevoluc¸ãocom perspec-tivasresolutivas.10Algunsestudosnaliteraturajáretratam
asdificuldades e o impacto negativo para a crianc¸a,pais e/ou cuidadores diante dapresenc¸a da traqueostomia na infância.11,12
Em trabalho de revisão publicado em 2016 sobre complicac¸ões de traqueostomia,13 que comparou as três
últimas décadas, a presenc¸a de granuloma, infecc¸ão e obstruc¸ãodacânulaaindaestáentreasmaisfrequentes,ou seja,problemasquedependemdecuidadoseorientac¸ões. Masinfelizmenteaindanãoexistemlinhasdecuidadopara issononossopaís.
As taxasdemortalidaderelacionadasa traqueostomias em crianc¸as na literatura internacional variam de 0% a 5,9%.13Emestudobrasileirode2009dadosdePortoAlegre
relatarammortalidadede4%.14
NoBrasil,essafaltadepadronizac¸ãonoscuidadosocorre pelaausênciadediretrizesnacionaisqueorientemoSistema ÚnicodeSaúde(SUS)eaAgênciaNacionaldeSaúde(ANS),o queserefletenafaltadedisponibilidadedematerial neces-sárioparaoscuidadoscomessespacientes,comocânulasde traqueostomianos servic¸osde atendimentomédico, além dafaltadetreinamentodasequipesmédicasenãomédicas queatendemessespequenospacientes.Semotreinamento adequadoparaatrocadecânula,essascrianc¸asficam reti-das nosistema terciário para esses procedimentos e sem assistênciaouorientac¸õesbásicas.Infelizmente,mesmonos grandescentrosehospitaisterciários,nãosetemesse mate-rialbásico(cânulas detraqueostomiapara trocaregular). Assim,essascrianc¸assãopertencentesaosistema,masnão existem códigos no SUS que incluam esse procedimento, essencialparaqueacrianc¸anãoevoluaparasituac¸õesde
emergência, como obstruc¸ão de via aérea ou internac¸ões porinfecc¸õespulmonares.Assim,apósser traqueostomiza-das,essascrianc¸asnamaioriadasvezesficamperdidasno sistemapúblico,poisnãoexisteumfluxoadequadode enca-minhamentoeseguimento,comoocorreemoutrasdoenc¸as comriscodevida.
AAcademiaBrasileiradeOtorrinolaringologiaPediátrica (ABOPe), durante seu eventocientífico nacional demaior relevância,em2016,lanc¸ouem assembleiaumprojetode consensonacionalpararecomendac¸õesemcrianc¸as traque-ostomizadas.
Assim,oobjetivodesteconsensoéobteraopiniãodeum grupo deespecialistas em crianc¸astraqueostomizadas, no intuitodeestabelecerdiretrizesnacionaisdecondutae cui-dadosepermitirnumfuturo próximoacriac¸ãode‘‘linhas decuidados’’eumfluxogramanoencaminhamentoe trata-mentodessascrianc¸asjuntoaoSistemaÚnicodeSaúde.
Método
Solicitou-seamanifestac¸ãoespontâneadecolegas presen-tesdediversasregiõesdopaísparacriac¸ãodeumgrupode especialistasnoassunto.Solicitou-seaindaamanifestac¸ão decolegasquemesmoausentes,mascomexperiência prá-ticaconhecidanessaárea,tivesseminteresseemparticipar desseprojeto.
Duas coordenadoras iniciais, com experiência prática comprovada em vias aéreas pediátricas em instituic¸ões universitárias nacionais, alémde atividades científicas no assunto,receberamindicac¸õesparaselec¸ãodogrupoaser criado.Convidou-seaSociedadeBrasileiradePediatriapara apoio e parceira neste trabalho e essa indicou membros pediatras com experiência no cuidado com crianc¸as com traqueostomiaparaparticipac¸ãonoconsenso.
Critériosdeinclusãoparaselec¸ãodogrupodeespecialistas
- Manifestac¸ãodeinteresseemparticipardoconsenso; - Otorrinolaringologistascom experiência comprovadaem
viasaéreaspediátricas,sejaatravésdepublicac¸ões con-sistentesnoassuntoouporatuac¸ãopráticaem servic¸os dereferêncianopaís;
- Otorrinolaringologistasquenãoestiveramnaassembleia, mas que os coordenadores julgaram derelevância pela atuac¸ãonoassuntononossopaís;
- GrupodepediatrasindicadospelaSociedadeBrasileirade Pediatria:intensivistas,broncoscopistas,pneumologistas comexperiênciacomprovadanomanejodecrianc¸as tra-queostomizadas.
Critériosdeexclusão
- Nãotermanifestado interesseem participarmedianteo convite;
- Já existirum representante domesmo servic¸o no Con-senso;
Após ampla revisão do assunto por todos os membros doconsensocomliteraturaindicadae tambémsolicitac¸ão de revisão de temas específicos para cada participante, elaborou-seumquestionárioparaserrespondido presencial-mentesemdivulgac¸ãopréviaaosparticipantes.Discutiu-se umquestionário de 43 perguntas apresentadas sob forma de múltipla escolha. Foram consideradas consenso aque-las perguntasem quehouve concordânciademaisde50% dos participantes na resposta. Quando nenhuma das res-postasobteve50%deconcordânciaforamapresentadosos resultadosparacadaperguntaediscutidasasponderac¸ões feitaspelogrupo.Foisolicitadoaosparticipantes que res-pondessem com base naquilo que consideram ideal ainda quenãonecessariamenteconsigampraticardessamaneira emseusservic¸osdevidoàslimitac¸õesfinanceirase logísti-cas.Questõessobre técnicascirúrgicasforamrespondidas apenaspeloscirurgiõesparticipantes.
As perguntasforamdivididasem tópicos:indicac¸õesde traqueostomia,tipodecânula, técnicacirúrgica,cuidados eorientac¸õesedecanulac¸ão.
Duranteoconsensofoilevantadaaindaanecessidadede elaborac¸ãodeafirmativaspertinentesàpráticadiária relaci-onadasa:usodeválvulafonatória,complicac¸ões,indicac¸ão deterapiafonoaudiológicaefrequênciaaatividades esco-laresouemcreches.
Resultados
Indicac¸ões
Foi consenso entre os membros que a traqueostomia em crianc¸asdeveserfeitaemcentrocirúrgico.Osmembrosdo consenso consideraram essencial exame endoscópico das vias aéreas (EVA) antes datraqueostomia para avaliar as causasdaobstruc¸ãorespiratóriaecombasenosachadose napropostaterapêuticafuturadecidiramelhorlocalizac¸ão para a traqueostomia. Na impossibilidade de esse exame serfeitopreviamente àtraqueostomia sugere-seque seja feitoapóso procedimentoparaverificaro bom posiciona-mento da traqueostomia, dar seguimento ao tratamento
daspatologiasdavia aérea,orientartratamentosfuturos, bem como relatar a presenc¸a de via aérea pérvia acima datraqueostomia.Entende-seporendoscopiadeviaaérea (EVA)oexamedesdeasfossasnasaisatéosbrônquiosfontes principaisquandoépossívelavaliartodosospontospossíveis deobstruc¸ãoalta.Deveserfeitoexamecomfibraflexívele rígidasemprequepossível.IdealmenteaEVAdeveserfeita emcentrocirúrgicosobanestesiaemventilac¸ãoespontânea ondeexistamcondic¸õesdemaiorseguranc¸aeoportunidade deabordareventuaispatologiasnomesmoato.
Caso a avaliac¸ão endoscópica não seja possível no momentodatraqueostomia,osmembrosconsideraramque deveserindicadaomaisprecocementepossível,idealmente até 15 dias após a traqueostomia, e no máximo 30 dias após.Essaindicac¸ãosefazabsolutaseconsiderarmosque aatuac¸ãosobreoprocessoinflamatórioemsuafaseaguda podemodificar o prognósticoparticularmentenocaso das lesõesestenóticascicatriciaisdalaringe.
Diantedecrianc¸asemunidadedeterapiaintensiva(UTI) comfalhasdeextubac¸ãoporobstruc¸ãorespiratóriaalta,os membrosconsideram serabsoluta a indicac¸ãode EVAnas seguintessituac¸ões:
- apósasegundafalhaeletivadeextubac¸ãoe/ou;
- na persistênciadeestridor oudisfoniaapós72 horasde extubac¸ão.
No caso de crianc¸as com história de intubac¸ão difícil, sugere-seEVAantesdaprimeiraextubac¸ãoeletiva(fig.1).
Asindicac¸õesdetraqueostomiadevemnortearotipode cânulaesuporteventilatórionecessário,bemcomoo segui-mentoeplanejamentoterapêuticoedadecanulac¸ão.Todas essasvariáveiseperspectivas devemser discutidascoma famíliadesdeaindicac¸ãodatraqueostomia.
Tiposdecânula
Os tamanhos das cânulas devem acompanhar o peso e a idadedacrianc¸a(fig.2)eousodebalonetesoucuffsestá
SIM Não
Sucesso
Sucesso
Alta assintomática
EVA
EVA
Criança intubada intubação difícil?
Falha por obstrução alta
Estridor e/ou disfonia após 72 h
Estridor e/ou disfonia após 72 h
Falha por obstrução alta
Alta assintomática
Traqueostomia OU tratamento específico dos
achados 1a extubação
eletiva
2a extubação
eletiva
Idade/peso
Prematuros e RN pesando < 1.000 g 2,5 mm
3,0 mm
3,0 - 3,5 mm
3,5 - 4,0 mm
4,0 - 4,5 mm
(Idade + 16)/4 Bebês pesando entre 1.000 g e 2.500 g
RN entre 0 - 6 meses
Lactentes entre 6 - 12 meses
Lactentes entre 1 - 2 anos
Maiores de 2 anos
Cânula
de traqueostomia
recomendada (diâmetro
interno)
Figura2 Diâmetrodecânuladetraqueostomiaadequadaparaidade/peso.Onúmerodacânuladetraqueostomiacorresponde aodiâmetrointernoemmilímetros(mm).RN,recém-nascido;g,gramas.
Tabela 1 Descric¸ão das cânulas de traqueostomia mais frequentemente encontradas no mercado nacional com material decomposic¸ãoedurabilidadeindicadaembulapelofabricante
Cânulas/marcas Material Durabilidade
SHILEY PVCsiliconado 28dias---nãose
recomendamahigienizac¸ão eoreuso
PORTEX PVC 29dias---nãose
recomendamahigienizac¸ão eoreuso
BIVONA Silicone 9mesescomhigienizac¸ão
acada30dias
TRACHOE PVCsiliconado 120dias
COMPERa PVC 30dias
aAtenc¸ãoparaasdimensõesdessacânula,queapresentaemmédiaumcomprimento7mmmaislongodoqueasdemais.
indicadoapenasparaaprimoraraventilac¸ãoepara transito-riamentereduziroimpactodaaspirac¸ãoquandopresente.
Quandoindicadoousodebaloneteapressãodessedeve ser mensurada e mantida no máximo até 20cm H20 ou
15mmHg.
Recomenda-seo uso decânulas de traqueostomia bio-compatíveis siliconadas ou de plástico (tabela 1). Em hipótesealgumaserecomendaousodecânulasmetálicas emcrianc¸asdevidoàsuabaixabiocompatibilidade,ausência demaleabilidadeemaiorriscodelesãotraqueal,vistoque crianc¸as,diferentemente deadultos, nãorestringem seus movimentoscervicaisecorporaisquandoemtraqueostomia. Nãoserecomendatampouco aadaptac¸ão decânulascom comprimentos inadequados. A facilidade da higienizac¸ão domandril internotrazafalsasensac¸ão debaixoriscode obstruc¸ão,oquenãoécomprovadopelasevidênciasepode retardaratroca.Alémdisso,énecessárioconsiderarqueo mandrilinternoreduzolúmendacânulaepodelevarà insu-ficiênciarespiratória, apesardanumerac¸ãosupostamente adequadaparaaidade.
Técnicacirúrgica
Atécnica cirúrgica usada pelos cirurgiõesdeve variar em func¸ãodafaixaetáriae dapatologiaapresentada. Mesmo com essas variáveis, todos os cirurgiões usam: pontos de
reparoinabsorvíveisoumaturac¸ãodoestomacompontosde suturaabsorvíveisquefixamatraqueiaàpele,adepender daidadeedascaracterísticasdopacienteoucaracterísticas edemandasdaunidadedeterapiaintensiva.Outropontode discussãovariáveldeacordocomapatologiadopacienteé aalturadatraqueostomia,quevaidependerdodiagnóstico edotratamentofuturoparadecanulac¸ão.
Foi consenso entre os autores a necessidade de a primeira troca ocorrer após uma semana da traqueos-tomia, quando também devem ser removidos pontos de reparo inabsorvíveis para evitar a exacerbac¸ão de pro-cessos inflamatórios locais. O uso de antibioticoprofilaxia é recomendado, é habitualmente usada uma cefalospo-rina de primeira gerac¸ão. A indicac¸ão de radiografia de tóraxapóstraqueostomiadeveserconsideradaemcrianc¸as menores de um ano para certificac¸ão de que a cânula está bem posicionada em relac¸ão à carina se não houver essa confirmac¸ão por endoscopia no intraoperatório. Em crianc¸as maiores a radiografia de tóraxno pós-operatório pode ser padronizada em algumas unidades de tera-pia intensiva, mas não é recomendada de rotina pelo grupo.
semanasóemcondic¸õesespeciais;eosdemaisnãojulgam necessáriaessafixac¸ão,usamapenasocadarc¸o.
Cuidadoseorientac¸ões
Aspirac¸ão
Recomenda-seaorientac¸ãoquantoàtécnicadeaspirac¸ão, necessidade deumidificac¸ão e trocas regularesdas cânu-lassempre antesdaalta.Éimprescindívelqueocirurgião quefaz a traqueostomiafac¸aelemesmo essaorientac¸ão, ainda que haja uma equipe multiprofissional apta para o treinamentodoscuidadores.
Orienta-seaaspirac¸ãoadependerdaquantidadee carac-terísticadasecrec¸ãotraquealqueacrianc¸aapresenta,sem horáriospreestabelecidos.Recomenda-sequeoscuidadores fac¸amaaspirac¸ãonomínimoaoacordareantesdedormir. Nalistademateriaismínimosdisponíveisnodomicíliodevem constar:luvasnãoestéreis,sondasdeaspirac¸ãodescartáveis deusoúnicoeumacânula detraqueostomiameionúmero menor doquea em uso.Recomenda-separamanipulac¸ão da cânula, aspirac¸ão e troca de curativo e cadarc¸o uma técnicalimpamodificada,conformedefinic¸ãodaATS( Ame-ricanThoracicSociety):luvasnãoestéreis,massondasde aspirac¸ãoestéreis.
Atécnicadeaspirac¸ãopodesofrerpequenasvariac¸ões, mas de maneira geral deve ser suave, porém eficiente. Atenc¸ãodeveserdadaà:
- escolhadocalibredasonda,quenãodeveultrapassardois terc¸osdocalibredacânula;
- profundidadedaaspirac¸ãoparaevitartraumasàtraqueia distaleàpontadacânula;
- tempo de aspirac¸ão para evitar hipóxia, pneumotórax, reflexosvagais.
Quanto ao tipodefixac¸ãodacânula, nãohá evidência querecomende qualquerpreferênciaentrecadarc¸oe vel-cro. Houve consenso entreospresentes que nenhum tipo específicodeaspiradortemeficiênciasuperiorcomprovada. É recomendávelqueosservic¸osfornec¸amnomomento daaltahospitalarumcartãodeidentificac¸ãodacrianc¸a tra-queostomizada(fig.3)noqualdevemconstarasseguintes informac¸ões:
- nomeeidadedacrianc¸aedatadatraqueostomia; - alertacríticoqueexpliciteseavia aéreaacimada
tra-queostomiaencontra-sepérviaounão;
- númerodacânulaemusoenúmerodasondadeaspirac¸ão recomendada;
- profundidaderecomendadaparaaspirac¸ão;
- identificac¸ãodohospitalouservic¸odereferênciaquefaz oseguimentodacrianc¸aedomédicoresponsável.
Sugere-seaindaumalistademateriaisbásicosquedevem estaràdisposic¸ãoparaoscuidadosesituac¸õesdeurgência (fig.4).
Trocas de cânula e cuidado com o estoma. As trocas periódicas das cânulasde traqueostomia devem respeitar aorientac¸ãonabulapelofabricantedacânulaemusoenão devemexcederummês.Em algunscasosépossível higie-nizarereusaracânula,noentantoessapráticadeveestar
indicadapelofabricante.Cânulasmetálicasnãodevemser usadasemcrianc¸as.Astrocasdevemserfeitaspor profissi-onaishabilitadosetreinados.Recomenda-sequeomédico responsávelensineoscuidadoresafazeratrocadecânulas. Atrocadomiciliar,emambientehospitalarousobanestesia, vaidependerdaexperiênciadaequipeedascaracterísticas dopacienteedesuavia aérea.Recomenda-seaavaliac¸ão casoacaso.
Nocaso de decanulac¸ão acidentaldeve serrecolocada umacânula domesmo calibreoumeionúmeromenor. Na indisponibilidade dessas recomenda-sea passagem de um tubotraquealmeionúmeromenorseguida de encaminha-mentodacrianc¸acomurgênciaaoservic¸odereferênciapara reposicionamentodeumacânuladetraqueostomia.Ogrupo ressalvaainda a importância deorientaraos paissobre o riscodedecanulac¸ãoededemonstraraposic¸ãodacrianc¸a (hiperextensãocervical)paraessereposicionamento,bem comoaexposic¸ãodoestomaafastandoapeledaregiãocom osdedoselubrificandooorifício.
Orienta-seahigienizac¸ãodiáriadoestomaoucommaior frequência, a depender das condic¸ões climáticas e de saúdegeraldacrianc¸a,presenc¸aexcessivadesecrec¸õesou complicac¸õeslocais.Nãoserecomendaderotinao usode pomadas,excetonocasodehaversinaisdeinflamac¸ãoda peleperiestomal.Nocasodepomadas,essasdevemseguir prescric¸ãomédicasempre.O usodegazesentrea cânula eapele dopescoc¸otambémédiscutível,é consensoque o maisimportante seria evitar o acúmulode umidade na regiãodapeleperiestomal. Algumasvezes ousodegazes podepromoveroacúmuloearetenc¸ãodesecrec¸õese umi-dadeperiestomal, portanto seusadas devemser trocadas semprequehouversujidade.
Oestabelecimentodeprotocolospadronizadosdiminuiria orisco decomplicac¸ões, em particularaquelas relaciona-dasàocorrênciadeprocessosinflamatóriosperiestomais.O estabelecimentode umachecklist de emergência poderia reduziroriscodacomplicac¸ãomaistemidadetodos,queé adecanulac¸ãoacidental(fig.4).
Inalac¸ões,nebulizac¸õeseumidificac¸ão. Ousodeinalac¸ões enebulizac¸õesdeve seguirorientac¸õesmédicas, nãoestá bemestabelecidaapráticadeinalac¸õescomsoluc¸ões fisi-ológicas e o seu benefício no sentido de umidificar a via aérea.Nointuitodemanteraviaaéreahidratadae umidifi-cadaéprecisorecomendarsemprequeacrianc¸amantenha umaboaingestahídrica,considerando-seamaiorperdapela traqueostomia.
Ousodefiltroshidroscópicosou‘‘falsonariz’’podeser útilemboapartedoscasosesuaindicac¸ãodeveser individu-alizadaparacadacasoemfunc¸ãodaquantidadedesecrec¸ão edafunc¸ãopulmonardacrianc¸aprincipalmente.
DADOS DO PACIENTE COM TRAQUEOSTOMIA NOME DO PACIENTE:
Hospital:
Médico responsável:
Tamanho da cânula
Diâmetro externo
Diâmetro interno
Presença de cuff
Aspiração Comprimento
Tamanho da sonda:
Profundidade da sonda: cm
Considerações aplicáveis:
ALERTA CRÍTICO: PATÊNCIA DA VIA AÉREA ACIMA DA CÂNULA SIM NÃO
Insuflação do cuff: não sim Se sim: água ar volume: ____ mL
Data da última troca: ______/______/___________
Ficha preenchida por:
Figura3 Cartãodeidentificac¸ãodacrianc¸atraqueostomizada(CICT).
Lista de materiais de consumo sugeridos por mês: 120 unidades de sondas uretrais (descriminar calibre)
120 unidades de ampolas (flaconetes de 10ml) de soro fisiológico 0,9% 60 pacotes de gazes estéreis (pacotes com 5 unidades)
3 caixas de luvas de procedimento
1 unidade de micropore 25mmX10
1 unidade de cadarço para fixação (a cada 3 meses) 1 vidro de 150ml de álcool
Opcional (solicitado pela equipe assistente)
1 ambu infantil (máscara de silicone) sem reservatório
Material permanente para urgências:
1 cânula de traqueostomia meio tamanho menor do que a em uso xylocaína gel ou outro lubrificante para facilitar passagem da cânula
Válvulas fonatórias. O uso de válvulas fonatórias é recomendadotantoparafacilitaracomunicac¸ãoeo desen-volvimento de fala quanto e talvez principalmente para reduzir orisco debroncoaspirac¸ão, promove-se o retorno da pressão subglótica. O uso das válvulas fonatórias está contraindicadonocasode:
- Estenoseseveradaviaaérea;
- Necessidadedeusodecânulacombaloneteinsuflado; - Traqueomaláciagrave;
- Doenc¸apulmonarrestritiva;
- Distúrbioneurológicograveoupacientecomatoso.
Algumassituac¸õespodemdificultar,masnão impossibili-tar,ousodaválvulafonatóriaeporissocadacasodeveser avaliadoindividualmente.Aválvuladeveserindicadapela equipequefazoseguimentodacrianc¸atraqueostomizada comoavaldomédicoassistente.
Complicac¸ões
As fístulas traqueocutâneas persistentes pós-decanulac¸ão são consideradas complicac¸ões menores das traqueosto-mias. Se persistentes após três meses, deve-se indicar avaliac¸ãomédicaparafechamentocirúrgico.
Osgranulomassãocomplicac¸õesbastantefrequentesdas traqueostomiasepodemocorrerexternamentenoestoma ouinternamentenatraqueia.Paraosgranulomasexternos estáindicado,alémdaaplicac¸ãodemedicac¸õestópicas,o reforc¸onoscuidadoslocais.Osgranulomasinternosdevem serabordadosquandoobstrutivoseprincipalmenteno pro-cesso de decanulac¸ão, mesmo quando houver obstruc¸ão parcial.
Terapiafonoaudiológica
A avaliac¸ão fonoaudiológica foirecomendada em crianc¸as traqueostomizadasnoperíodopré-lingualpara desenvolvi-mentodecomunicac¸ãoenoscasosdedisfagia.
Decanulac¸ão
Foram considerados fatores que contraindicam a decanulac¸ão:
- AusênciadeEVA;
- Dependência de ventilac¸ão mecânica nos últimos três meses;
- Dependênciadatraqueostomiaparatoaletepulmonar.
Apósavaliac¸ãodetalhadaecompletadaviaaéreacoma crianc¸aacordadaesobanestesiaemventilac¸ãoespontânea, sugere-seoseguinteprotocolodedecanulac¸ãoparacrianc¸as acimadedoisanos:
- Reduc¸ãoprogressivadocalibredacânula; - Oclusãodacânuladuranteodiaemcasa;
- 68,75%dos autoresacreditam quea oclusãonoturnada cânuladeveserfeitaemambientehospitalar;
- Decanulac¸ão de pacientes com comorbidades deve ser feita na unidade de terapia intensiva nas primeiras 24horas;
- Observac¸ão em ambiente hospitalar por no mínimo 48horaspós-decanulac¸ão.
Paracrianc¸asabaixodedoisanosoprotocolo recomen-dadoé:
- Nãoénecessáriooperíododeoclusãodacânulaprévioà decanulac¸ão;
- Observac¸ão durante as primeiras 24 horas pós--decanulac¸ão sempre na UTI, independentemente decomorbidades;
- Observac¸ão em ambiente hospitalar por no mínimo 72horaspós-decanulac¸ão.
Apolissonografiacomacânulaocluída,apesarde preco-nizadaemalgunsservic¸os,nãofoirecomendadapelogrupo. AEVAcom acrianc¸aem sono induzidoe a observac¸ãodo padrãorespiratório durante o exame e ainda nohospital foramconsideradas suficientes para descartar a presenc¸a deobstruc¸ãoqueimpec¸aadecanulac¸ão.
Acessoàescola
A presenc¸a de traqueostomia isoladamente não deve ser impeditiva para frequência a escolas. É necessário, no entanto,quehajaumapessoahabilitadaaofereceros cuida-dosnecessáriosdeaspirac¸ãoedesobstruc¸ãodacânulacaso sejanecessário.
Considerac
¸ões
finais
Esteconsensofoigeradonointuitodegerarrecomendac¸ões nacionaisdeespecialistasemrelac¸ãoàscondutaseaos cui-dados com crianc¸as traqueostomizadas, mas vale a pena ressaltarquenãosignificaquedevamobrigatoriamenteser seguidasexatamentecomoaquiforamcolocadas.Sabemos dadiversidade e das limitac¸ões donosso vasto país,mas tambémjulgamosdeextremaimportânciaumolharespecial dasnossasentidadespúblicas paraessegrupo decrianc¸as que,ao ser portadores deuma traqueostomia,se tornam tãovulneráveis.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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