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pt 0021 7557 jped 93 s1 0002

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ARTIGO

DE

REVISÃO

Sedation

and

analgesia

for

procedures

in

the

pediatric

emergency

room

,

夽夽

Carlos

Eduardo

Ramalho

a,b

,

Pedro

Messeder

Caldeira

Bretas

a,b

,

Claudio

Schvartsman

b,c

e

Amélia

Gorete

Reis

a,b,

aUniversidadedeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicina,HospitaldasClínicas,InstitutodaCrianc¸a,SãoPaulo,SP,Brasil bUniversidadedeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicina,DepartamentodePediatria,SãoPaulo,SP,Brasil

cFaculdadeIsraelitadeCiênciasdaSaúdeAlbertEinstein,SãoPaulo,SP,Brasil

Recebidoem4demaiode2017;aceitoem26demaiode2017

KEYWORDS

Conscioussedation; Deepsedation; Analgesia; Child;

Emergencyservice; Emergencymedicine

Abstract

Objective: Childrenandadolescentsoftenrequiresedationandanalgesiainemergency situa-tions.Withtheemergenceofnewtherapeuticoptions,theobsolescenceofothers,andrecent discoveriesregardingalreadyknowndrugs,itbecamenecessarytoreviewtheliteratureinthis area.

Datasources: Non-systematicreviewinthePubMeddatabaseofstudiespublishedupto Decem-ber2016,includingoriginalarticles,reviewarticles,systematicreviews,andmeta-analyses. Referencesfromtextbooks,publicationsfromregulatoryagencies,andarticlescitedinreviews andmeta-analysesthroughactivesearchwerealsoincluded.

Datasynthesis: Basedoncurrentliterature,theconceptsofsedationandanalgesia,the neces-sarycarewiththepatientbefore,during,andaftersedoanalgesia,andindicationsrelatedto theappropriatechoiceofdrugsaccordingtotheproceduretobeperformedandtheirsafety profilesarepresented.

Conclusions: Theuseofsedoanalgesiaprotocolsinproceduresinthepediatricemergencyroom shouldguidetheprofessionalinthechoiceofmedication,theappropriatematerial,andinthe evaluationofdischargecriteria,thusassuringqualityincare.

©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/ 4.0/).

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2017.07.009

Comocitaresteartigo:RamalhoCE,BretasPM,SchvartsmanC,ReisAG.Sedationandanalgesiaforproceduresinthepediatricemergency

room.JPediatr(RioJ).2017;93:2---18.

夽夽TrabalhovinculadoàUniversidadedeSãoPaulo(USP),FaculdadedeMedicina,HospitaldasClínicas,InstitutodaCrianc¸a,SãoPaulo,

SP,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.G.Reis).

2255-5536/©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCC

(2)

PALAVRAS-CHAVE

Sedac¸ãoconsciente; Sedac¸ãoprofunda; Analgesia; Crianc¸a; Servic¸ode emergência; Medicamentode emergência

Sedac¸ãoeanalgesiaparaprocedimentosnopronto-socorrodepediatria

Resumo

Objetivo: Crianc¸as e adolescentes necessitam frequentemente de sedac¸ão e analgesia em situac¸õesde emergência.Como surgimentode novasopc¸ões terapêuticas,aobsolescência deoutrasedescobertasrecentesdasdrogasjáconhecidas,fez-senecessárioumanovarevisão daliteraturanessaárea.

Fontesdosdados: Revisão não sistemáticanabasede dadosPubMed deestudos publicados até dezembro de 2016, inclusive artigos originais, artigosde revisão, revisões sistemáticas emetanálises.Tambémforamincluídosreferênciasdelivros-texto,publicac¸ões deagências reguladoras,alémdeartigoscitadosnasrevisõesemetanálisesatravésdebuscaativa.

Síntesedosdados: Combasenaliteraturaatual,sãoapresentadososconceitosdesedac¸ãoe analgesia,oscuidadosnecessárioscomopacienteantes,duranteeapósasedoanalgesia,além deindicac¸õesquantoàescolhaapropriadadosfármacosdeacordocomoprocedimentoaser feitoeoperfildeseguranc¸adesses.

Conclusões: Oempregodeprotocolosdesedoanalgesiaemprocedimentosnopronto-socorro pediátricodeveorientaroprofissionalnaescolhadamedicac¸ão,domaterialadequadoena avaliac¸ãodoscritériosdealtaegarantir,assim,qualidadenaassistência.

©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4. 0/).

Introduc

¸ão

Crianc¸as e adolescentes necessitam frequentemente de sedac¸ãoeanalgesiaquandoatendidosemsituac¸ãode emer-gência.Procedimentosinvasivosenãoinvasivosfazemparte das técnicas dediagnóstico e terapêutica em pediatriae frequentemente são desconfortáveispara a crianc¸a, seus pais e profissionais da saúde.1 Apesar de necessárias, a

sedac¸ãoeaanalgesiapodemterefeitosadversos,há

neces-sidadedemanejoemambienteadequadoeporprofissionais

capacitados.2

Asedac¸ãoparaprocedimentoevoluiueexpandiu-senas

últimas décadas, deixoude ser escopo exclusivoda

anes-tesiologia, passou a ser usada rotineiramente pelas mais

diversas especialidades médicas, como gastroenterologia,

cardiologia, neurologia,radiologia, medicinade

emergên-ciaemedicinaintensivapediátricas.3Emestudoqualitativo

commédicosdaIrlandaeReinoUnido,McCoyetal.

identi-ficaramafaltadetreinamentoeeducac¸ãonessaáreacomo

umabarreira significativa.A padronizac¸ãodaspráticas de

sedac¸ão e uniformizac¸ão das diretrizes e recomendac¸ões

ainda é umdesafio.4 No Brasil, poucos artigos de revisão

sobreotemaforampublicadosnosúltimosanos5,6eemdois

deleshásugestãodeprotocolos.6,7

A sedac¸ão reduz o estado de consciência, enquanto a

analgesiareduzoueliminaapercepc¸ãodador.Muitos

anal-gésicostêmalgumefeitosedativo,porémpoucossedativos

detêmapropriedade daanalgesia.Oobjetivodasedac¸ão

empediatriadiferedasedac¸ãodopacienteadulto,poisé

administradaparacontrolarocomportamentoepermitirum

términosegurodoprocedimento.2Paracrianc¸as

cooperati-vas,modalidadesnãofarmacológicasdevemserlevadasem

considerac¸ão,comopresenc¸adospais,hipnose,distrac¸ãoe

anestésicostópicos,poispodemreduziranecessidadeoua

profundidadedasedac¸ãofarmacológica.8,9

Níveis

de

sedac

¸ão

A sedac¸ão é descrita como um continuum, representada porestágiosprogressivosquevãodeleveàanestesiageral. Acetamina,como excec¸ão, é umagentedissociativo que temcomo particularidade produzir uma sedac¸ão que não segueessepadrão,estejaoefeitopresenteouausente,com manutenc¸ãodarespirac¸ãoespontânea,dosreflexos prote-tivosedaestabilidadecardiovascular.10

Em2002,aAmericanSocietyofAnesthesiologists(ASA)

definiuosquatroníveisdesedac¸ão:11

• Sedac¸ãomínima(ansiólise):estadoinduzidopormeiode

medicac¸ãonoqualospacientesrespondemnormalmente

aos comandos verbais. Embora a func¸ão cognitiva e a

coordenac¸ãopossamestarprejudicadas,asfunc¸ões

ven-tilatóriasecardiovascularesnãosãoafetadas.

• Sedac¸ão moderada: também chamada ‘‘sedac¸ão

cons-ciente’’, é um estado de depressão da consciência

induzido por medicamentos, no qual o paciente

res-pondedeformapropositalaoscomandosverbais,isolados

ou acompanhados de estímulos táteis leves. Nenhuma

intervenc¸ão é necessária para manter a patência da

via aérea e a ventilac¸ão espontânea é adequada. De

umaformageral,afunc¸ãocardiovascularé usualmente

mantida.

• Sedac¸ãoprofunda:éumadepressãodaconsciência

indu-zidapormedicamentos naqualospacientesnãopodem

serfacilmenteacordados,masrespondemaosestímulos

repetidosoudolorosos.Ahabilidadedemanterafunc¸ão

ventilatória de forma independente pode estar

preju-dicada.Pacientes podem necessitarde assistênciapara

manterapatênciadasviasaéreaseaventilac¸ão

espontâ-neapodeestar inadequada.Afunc¸ão cardiovascular,de

(3)

Tabela1 NeonatalInfantPainScale(NIPS)

Indicador 0ponto 1ponto 2pontos

Expressãofacial Relaxada Contraída

–-Choro Ausente Resmungos Vigoroso

Respirac¸ão Regular Diferentedabasal

–-Brac¸os Relaxados Fletidos/estendidos

–-Pernas Relaxadas Fletidas/estendidas

–-Estadodealerta Dormindoe/oucalmo Agitadoe/ouirritado

–-Presenc¸adedor:pontuac¸ão>3.AdaptadodeLawrenceetal.15

Tabela2 EscalaFLACC(Face,Legs,Activity,Cry,andConsolability)

Categorias 0ponto 1ponto 2pontos

Face Nenhumaexpressãoparticular

ousorriso

Caretasoufranzirde sobrancelhasocasionais, introversão,desinteresse

Caretasoufranzirde sobrancelhasfrequentes, queixotremendo,mandíbula cerrada

Pernas Posic¸ãonormalourelaxada Inquietas,agitadas,tensas Chutandoouesticadas Atividade Quieta,posic¸ãonormal,

move-sefacilmente

Contorcendo-se,movendo-se parafrenteeparatrás,tensa

Curvada,rígidaoucom movimentosbruscos

Choro Semchoro(acordadaou

dormindo)

Gemidosouchoramingos, queixa-seocasionalmente

Chorocontínuo,gritoou soluc¸o;queixa-secom frequência

Consolabilidade Satisfeita,relaxada Tranquilizadasportoques, abrac¸osouconversas;possível dedistrair

Difícildeconsolarouconfortar

AdaptadodeMerkeletal.16

• Anestesia geral: é um estado de perda da consciência

induzidopormedicamentosdurante oqualospacientes

nãosãodespertados,mesmocomestímulosdolorosos.A

habilidadedemanterafunc¸ãoventilatóriaestá

prejudi-cadaegeralmenteospacientesnecessitamdeassistência

paramanteraviaaéreapérviaeventilac¸ãocompressão

positiva.Afunc¸ãocardiovascularpodeestarprejudicada.

Umdosaspectosimportantesdoalíviodadorem

pedia-tria implicao entendimento dos métodosde avaliac¸ão da

dor e de seu uso. A dor pode ser avaliada em crianc¸as

com uso de parâmetros fisiológicos, observac¸ão

compor-tamental e autorrelato. O paciente com dor apresenta

taquicardia, dilatac¸ão pupilar, sudorese e vasoconstricc¸ão

periférica.12,13 Nenhuma avaliac¸ão da dor deve ser

base-adaapenasnessesparâmetros,aliam-seaescalasvalidadas

parasuaadequadamensurac¸ão.Asescalasdeavaliac¸ãode

dorforamvalidadasparaousona pediatria,levam-seem

conta a fase de desenvolvimento da crianc¸a (idade

ver-bal ou pré-verbal) e sua capacidade cognitiva de relatar

ador.14

ANeonatalInfantPainScale(NIPS)foidesenvolvidapara

avaliararespostaàdordospacientesnoperíodoneonatal,

avaliaseisparâmetrosobjetivos(tabela1).15AescalaFLACC

(Face,Legs,Activity,Cry,andConsolability)évalidadapara

crianc¸asentredoismeseseseteanosepontuacincoreac¸ões

àdorem umaescalade0a2 (tabela2).16,17 Em crianc¸as

menores,asescalasfaciaisbaseadasemfigurassãodefácil

usopornãonecessitaremdeconhecimentonuméricooude

OUCHER!

10

0 0

0

1 1

1

2 2

2

3 3

3

4 4

4

5 5

5

6 6

6

7 7

7

8 8

8

9 9

9

10 10

OUCHER! OUCHER!

Figura 1 Escala Oucher. Adaptado de Oucher.18 Explicar à

crianc¸a para ressaltar que aintensidade da dor aumentana escala nadirec¸ãodebaixoparacimaepedirqueelaaponte qualafiguraquedemonstraaintensidadededorqueelasente.

certaspalavras(figs.1-3).18---20Crianc¸ascomidadesuperior

aoitoanosjásãocognitivamentecapazesdeusarasescalas

(4)

Figura2 Escalafacialdedor---Revisada.AdaptadodeFacesPainScale-Revised©2001,InternationalAssociationfortheStudy ofPain(www.iasp-pain.org/FPSR).Usocompermissão.Explicaràcrianc¸apararessaltarafaceescolhidacomo0,2,4,6,8ou10, conta-sedaesquerdaparaadireita;0=semdore10=commuitador.Nãousarpalavrascomo‘‘alegre’’ou‘‘triste’’.Essaescala temporobjetivomedircomoascrianc¸assesenteminternamente,enãocomoaparentamestar.

0

Sem dor

Doi um pouco

Doi muito

Pior dor Doi ainda

mais Doi um pouco

mais

2 4 6 8 10

Figura 3 Escala de classificac¸ão da dor de Wong-Baker. Adaptado de © 1983 Wong-Baker Faces Foundation.

www.WongBakerFACES.org.Usocompermissão.Explicaràcrianc¸aquecadafacerepresentaumapessoacomnenhumaatémuita dor.Pec¸aaelaqueescolhaafacequemelhortraduzaadorqueelasente.

0

Sem dor Dor leve Dor moderada Dor intensa

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Figura 4 Escala visual analógica. Adaptado de McCaffery etal.21 Escalanúmericasimples. Pedirao pacienteque

indi-queaintensidadedoatual,domelhoredopiornível dedor nasúltimas24horasnumaescalade0(semdor)a10(piordor imaginável).

Asedac¸ãoeaanalgesiaparaprocedimentosdevemlevar

a um estado de depressão do nível de consciência que

permita ao paciente manter a via aérea pérvia de forma

independente econtínua. Para isso,é importante a

esco-lha correta de drogas, doses e formas de administrac¸ão.

Crianc¸asmaisnovaseasgravementeenfermasgeralmente

requeremumasedac¸ãomaisprofundaparaprocedimentos

dolorosos.

Avaliac

¸ão

pré-sedac

¸ão

AASArecomendaaclassificac¸ãodospacientesemseis cate-gorias,deacordocomsuasaúdebasal(tabela3).Pacientes

ASA I e II são candidatos apropriados à sedac¸ão mínima,

moderadaouprofunda,enquantocrianc¸asASAIIIeIV,com

necessidades especiais oucom anormalidadesanatômicas

deviasaéreas, requerem considerac¸õesadicionais noque

implicasedac¸ãomoderadaouprofunda.11 Atravésdo

acrô-nimomnemônicoSample,épossívellembraros

componen-tesessenciaisdohistóricomédicodopacienteque devem

serconsideradosnaavaliac¸ãoparasedac¸ão(tabela4).

Eventos adversos da via aérea, sistema cardiovascular

e respiratório representam as causas principais de

mor-bimortalidade associadas à sedoanalgesia na populac¸ão

Tabela3 Classificac¸ãodoestadodesaúdebasaldo paci-entesegundoaAmericanSocietyofAnesthesiologists

Classe Estadodesaúde

I Pacientenormalmentesaudável

II Pacientecomdoenc¸asistêmicaleve III Pacientecomdoenc¸asistêmicagrave IV Pacientecomdoenc¸asistêmicagraveque

ameac¸aavida

V Pacientemoribundo,nãoseesperaque sobrevivasemaintervenc¸ão

VI Pacientecommorteencefálicaqueteráos órgãosremovidosparafinsdedoac¸ão

Tabela 4 Avaliac¸ãobreveesistemáticadopaciente sub-metidoàsedac¸ão(Sample)

Letra Itemavaliado

S Sinaisesintomasdapatologiaatual A Alergiaamedicac¸ão,alimentosoulátex M Medicac¸ãodaqualfazuso,sejacontínuoounão P Passadomédico---comorbidades,complicac¸ões

préviasrelacionadasaosagentessedativos L Líquidosesólidos---tempodejejumequaltipo

dealimentoingerido

E Eventosrelacionadosànecessidadedasedac¸ão

pediátrica.22 Uma metanálise (2016) que incluiu 41

estu-dos com 13.883 procedimentos sob sedac¸ão em crianc¸as

identificou como complicac¸ões mais frequentes vômitos,

agitac¸ão, hipoxia e apneia. Neste estudo, a incidência

de eventos adversos respiratórios graves (laringoespasmo

e necessidade de intubac¸ão) foi menor do que 0,5% e a

depressãorespiratóriaocorreu em1,5%dassedac¸ões,sem

relatodebroncoaspirac¸ão;97%doscasosdelaringoespasmo

(5)

Tabela5 Tempodejejumadequadoparasedac¸ãosegundo aAmericanSocietyofAnesthesiologists

Tipodealimento Tempodejejum

Líquidosclarosa 2h

Leitematerno 4h

Fórmulainfantileleitenãohumano 6h Refeic¸ãoleve(torradaelíquidos) 6h

aÁgua, sucode frutas sem polpa,bebidas carbonadas, chá

claroecafépreto.

publicaramestudomulticêntricoemquerelataramtaxasde eventosadversosaindamenores,aincidênciade laringoes-pasmoeaspirac¸ãofoide0,3e4,3paracada10.000casos, respectivamente.24Umametanálisequeavaliou9.652

adul-tos submetidos à sedac¸ão para procedimentos também

encontrou reac¸ões adversas semelhantes àsda populac¸ão

pediátrica.25

Osagentessedativosapresentamopotencialde

prejudi-carosreflexosprotetoresdasviasaéreas,particularmente

durante a sedac¸ão profunda, o risco daaspirac¸ão

pulmo-naré umdos motivosparaagircomprudênciaeavaliaro

tempodejejumantesdefazerumprocedimento(tabela5).

Asrecomendac¸õesdaAmericanSocietyofAnesthesiologists

de2011sãobaseadasnaextrapolac¸ãodepacientes

subme-tidosàanestesiageralnocentrocirúrgico,nãocondizente

com a realidade da sedoanalgesia no pronto-socorro.26 A

partirde2014,oAmericanCollegeofEmergencyPhysicians

(Acep) passoua recomendar que a sedac¸ão para

procedi-mentosnãodevaseradiadadeacordocomotempodejejum

pornãohaverevidência deque essetenha relac¸ãocoma

reduc¸ãonorisco deaspirac¸ão ouvômitos.27---29 Clarketal.

demonstraramque pacientescom menor tempode jejum

submetidosà sedac¸ãoprofunda paraprocedimentos

eleti-vosforadocentrocirúrgicotiveramtaxasdecomplicac¸ões

semelhantesàquelescomtempomaisprolongado.30Apesar

dasrecomendac¸ões maisatuais daAcep,osautoresdeste

artigoacreditamqueoriscodasedac¸ãoeapossibilidadede

aspirac¸ãodevamserponderadosemrelac¸ãoaosbenefícios

potenciaisdoprocedimento,jáqueonúmerodeestudosem

pronto-socorropediátricoémuitoreduzido.

Ao fazer o examefísico, deve-se ter atenc¸ão especial

àsanormalidadescardíacas,pulmonares,renais,hepáticas

e genéticas, que possam alterar a resposta esperada da

crianc¸aàsmedicac¸õesanalgésicas e sedativas.31---34 Alguns

autores evidenciaram um risco maior de eventos

adver-sos associado à sedac¸ão de pacientes com comorbidades

(ASA>1).32---34Oexamedasviasaéreasdevesercriterioso,

combusca ativade características queaumentem o risco

deobstruc¸ãodavia aérea duranteo procedimento,como

micrognatia,macroglossia,hipertrofiasignificantede

amíg-dalas,aberturalimitadadeviaaérea,obesidadeextrema,

pescoc¸ocurto,secrec¸ãoexcessivaoudiminuic¸ãodos

refle-xosprotetoresdasviasaéreas.11Algumasdoenc¸asgenéticas

e congênitas que cursam com malformac¸ões craniofaciais

necessitamdeumaabordagemmaiscautelosadevidoàvia

aéreadifícil.35(tabela6)

Emumestudoretrospectivocom11.219crianc¸as

subme-tidas a procedimentos sob anestesia geral com intubac¸ão

traqueal,a laringoscopia foi considerada difícil em 1,35%

Tabela6 Doenc¸asgenéticasecongênitasassociadasàvia aéreadifícil

Fendalabialepalatine Trissomiadocromossomo21 Fibrodisplasiaossificanteprogressiva Mucopolissacardiose

Malformac¸õesvasculares SíndromedePierreRobin

SíndromedeCrouzon(disostosecraniofacial)

SíndromedeTreacher-Collins(disostosemandibulofacial) SíndromedeGoldenhar(microssomiahemifacial) SíndromedeKlippel-Feil

SíndromedeFreeman-Sheldon(displasiacranio-carpo-tarsal)

Fonte:Butleretal.31

dos eventos,com taxa maisalta em crianc¸as menores de

umanoquandocomparadascomasmaioresdeumano,com

incidênciade4,7%e0,7%,respectivamente.Foiidentificado

aindaummaiorriscodelaringoscopiadifícilempacientes

classificados como ASA III e IV, com IMC (índice de massa

corpórea) baixo, submetidos a cirurgias na cavidadeoral,

maxilofacialecardíacas.36Estudosemelhanteanalisouuma

coortede102.305casosdepacientesadultossubmetidosà

anestesiageraleencontrouumaincidênciadelaringoscopia

difícilde4,9%,trêsvezesadapopulac¸ãopediátricageral.37

Ossinaisvitaisdopacientedevemserregistradosantes

do início da sedac¸ão, após cada dose de medicac¸ão, em

intervalos regulares duranteo procedimento,ao término,

durante a fasede recuperac¸ão e por ocasiãoda alta.11 A

AcademiaAmericanadePediatria (AAP) recomendaque o

registro dos sinais vitais seja feitoa cada 10 minutosem

pacientessubmetidos àsedac¸ão moderadae acada cinco

minutosnasedac¸ãoprofunda.38

Comexclusãodaasedac¸ãomínima,naqualaobservac¸ão

doníveldeconsciênciaésuficiente,amonitorac¸ãodo

paci-ente deve ser contínua e dispor de oxímetro de pulso,

monitorcardíaco,respiratórioedepressãoarterial.38A

cap-nografia podeserusada emassociac¸ãocomooxímetrode

pulso,temacapacidadededetectarapneiaantesdesse,é

recomendadanasedac¸ãomoderadaeobrigatórianasedac¸ão

profunda.11,27,38

Uma metanálise de 2011, baseada em estudos com

populac¸ãoadultasubmetidaàsedac¸ãoparaprocedimentos,

identificou umaprobabilidade17,6 vezesmaiorde

detec-tardepressãorespiratóriaquandohouvemonitorac¸ãocom

capnografia.39 Langhan et al. randomizaram 154 crianc¸as

submetidas à sedac¸ão no departamento de emergência e

verificaram que pacientes monitorizados com

capnogra-fia tiveram intervenc¸ões mais precoces em episódios de

hipoventilac¸ão, oque levoua menornúmerodeepisódios

de queda dasaturac¸ão de oxigênio em relac¸ão ao grupo

controle.40

Cuidadoespecial devesertomado aocobrira facee o

tronco da crianc¸a, já que a observac¸ão dacolorac¸ão das

mucosasedomovimentodacaixatorácicaficaprejudicada.

Em outras situac¸ões deobservac¸ão prejudicada, como na

ressonânciamagnética(RM),deve-seusarequipamentode

monitorac¸ão nãoinvasivacontínua(monitor cardíaco,

oxí-metro, capnografia).Além defontes e viasadequadas de

(6)

Tabela7 Etapasparasedac¸ãoeanalgesia

Anamnese Examefísico Monitorac¸ão Critériosdealta

Sinaisesintomas dealergia Medicac¸ão Passadomédico Líquidosesólidos Eventos

•Viaaéreasuperior: aberturadaboca, tamanhodamandíbula •Flexãodopescoc¸o: habilidadedeencostaro queixonotórax(avaliar limitac¸ão),nãoaplicável paravítimascom potencialdetraumada colunaespinhal •Auscultarespiratória •Auscultacardíaca

•Perfusãodistal:pulso, temperaturadapele, perfusãocapilar

•Frequênciacardíacae trac¸adode

eletrocardiograma •Frequênciarespiratória •PressãoArterial •Oximetriadepulso

•Níveldeconsciência •Escaladedor

•Capnografia(sedac¸ão moderadaeprofunda)

•Viaaérea,sinaisvitais eoximetriadepulo estáveisedevoltaao níveldebase

•Capazdeobedecera comandosapropriados paraidade

•Hidratadoetolerando ingestaoraldefluidos •Pacientedespertávele noseunívelbasalde capacidadeverbal •Pacienteconsegue sentarsemajuda(se apropriadoparaidade)

terà disposic¸ão umcarrinho deemergênciacom desfibri-lador,drogasderessuscitac¸ão,antídotoseequipamentode viaaéreadifícil.11

É essencial apresenc¸a deumprofissionaltreinadoque

saibareconhecerquandohácomprometimentodaviaaérea

e intervir a fim de providenciar apoio ventilatório.41 A

AAPrecomendaqueestejampresentesumprofissionalpara

monitorac¸ão do paciente e outro com treinamento em

manejoesucc¸ãodeviasaéreas,ventilac¸ãobolsa-máscara,

acessovasculareressuscitac¸ãocardiopulmonar,amboscom

treinamento em apoio avanc¸ado de vida em pediatria.38

EstudodoPediatricSedationResearchConsortiumanalisou

dadosde131.751casosdesedac¸ãodepacientespediátricos

paraprocedimentosemhospitaisdosEstadosUnidose

obser-vouquenãohouvediferenc¸aestatísticanastaxasdeeventos

adversosgraves quandoa sedac¸ãofoi feitapordiferentes

especialistas.42 Otreinamentodos profissionais envolvidos

comessetipo depráticaé importante parareduzir

even-tos adversos e promover melhor conforto e seguranc¸a ao

paciente,podeserefetuadoemmoldestradicionaisoupor

simulac¸ões.43-47Umdosperíodosdemaiorriscorelacionado

àsedac¸ãoé afasede recuperac¸ão. Assim,amonitorac¸ão

duranteesseperíodoéobrigatória.Opaciente estará

ele-gível para alta seacordar facilmente, falar e sentar sem

ajuda, ser capaz de seguir comandos apropriados para a

idade,estar hidratado, comafunc¸ãocardiovascular

está-veleasviasaéreaspérvias.Paracrianc¸asmuitojovensou

comalgumadesordemcognitivanasquaishádificuldadede

interac¸ão,oretornoaonívelderesponsividadepré-sedac¸ão

deve ser almejado.38 O tempode recuperac¸ão do estado

de base variacom a drogae a dose usadas,mas a

maio-riadospacientesapresentacondic¸õesdereceberaltaapós

1-2 horas. É recomendável que os pacientes não sejam

submetidos a atividades que requeiram concentrac¸ão ou

habilidademotoranasprimeirashorasapósrecuperac¸ãoda

sedac¸ão. Os cuidadores devem ser orientados a reportar

qualquereventoadversoqueocorranasprimeiras24horas

apósaalta.41

Protocolosdesedac¸ãoeanalgesianopronto-socorrosão

essenciais. A implantac¸ão de um protocolo específico de

sedac¸ão para procedimento em um hospital terciário do

Canadáreduziude49para19minutosotempomédioentre

aadministrac¸ãodosedativoeinterrupc¸ãodamonitorac¸ão

dopaciente,liberourecursosimportantesemum

departa-mentodeemergênciacomdemandaalta48 (tabela7).

Arsenal

terapêutico

A escolha da medicac¸ão usada durante o processo de sedac¸ão e analgesia develevar em contacritérios relaci-onadosaoprocedimentoaoqualopacienteserásubmetido, bemcomocritériosrelacionadosaoquadrodebasee comor-bidades.Atabela8apresentaumasugestãodemedicac¸ões

para diferentes tipos de procedimento. A seguir, serão

descritas as principais drogas usadas no pronto-socorro

pediátrico.Atabela9,nofimdocapítulo,resumeas

dife-rentescaracterísticasdecadadroga.

Benzodiazepínicos

Osbenzodiazepínicossãoagentessedativoshipnóticos.Seu mecanismodeac¸ãosedáatravésdeefeitoinibitóriono sis-temanervosocentral(SNC).Ligam-seareceptoresdoácido gama-aminobutírico (Gaba) pós-sinápticos e aumentam a permeabilidadeaíonscloro,ocasionamhiperpolarizac¸ãoe estabilizac¸ãodamembrananeuronal.Suametabolizac¸ãoé hepáticaeaeliminac¸ãoérenal.Seusefeitosfarmacológicos sãosedac¸ão,hipnose,reduc¸ãodeansiedade,amnésia, rela-xamentomusculareanticonvulsivante.Essegruponãotem efeitoanalgésico,deveserassociadoaoutrosagentes,como opioides,se forem usados em procedimentos dolorosos.49

Asduasprincipaisdrogasdogrupousadasparasedac¸ãoem

procedimentossãoodiazepameomidazolam.

Odiazepamfoiamplamenteusadoparasedac¸ão,porém

pode causar sedac¸ões prolongas por ter meia vida longa

e variável.Seu uso tem sido substituído pelo midazolam,

desde que esse chegou ao mercado, devido à

variabili-dadederotasdeadministrac¸ãoeàmenordurac¸ão.1Wright

etal. em estudo prospectivo multicêntrico randomizado,

compararamdiazepam emidazolanpara sedac¸ãoem

(7)

Tabela8 Sedoanalgesiaparaprocedimentosempronto-socorro

Tipodeprocedimento Indicac¸ões Efeitodesejado Sugestão

Procedimentosnão invasivos

Tomografiacomputadorizada Controlemotor Medidasdeconforto

Midazolama

Dexmedetomidina Ecocardiograma

Eletroencefalograma Ultrassonografia

Procedimentos associadosador leveealtograude ansiedade

Trocadetraqueostomia Analgesia

Sedac¸ão Controlemotor Reduc¸ãoda ansiedade

Medidasde conforto Midazolamb

Cetamina Analgesiatópica oulocal Trocadegastrostomia

Procedimentosdentários Nasofibroscopia

Punc¸ãovenosaperiférica Sutura

Punc¸ãolombar

Procedimentos associadosaalto níveldedor,alto graudeansiedade ouambos

Drenagemdeabscesso Sedac¸ão

Analgesia Controlemotor Reduc¸ãoda ansiedade Amnésia

Fentanil

Midazolam+Fentanil Cetamina

Cetamina+Propofol Propofol+Fentanil Morfina

Artrocentese

Aspirac¸ãodemedulaóssea Punc¸ãopericárdica Cardioversão

Punc¸ãovenosacentral Debridamentodequeimaduras Reduc¸ãodefraturas

Reduc¸ãodehérnia Reduc¸ãodeparafimose Toracocentese Drenagemtorácica Paracentese

Examefísicodevítimasdeviolênciasexual

aMidazolamparaEEGnãoéumaboaopc¸ão.

b Considerarassociac¸ãocomanalgésicosadependerdoprocedimento.

quepacientesquereceberamomidazolamobtiverammaior graudesedac¸ãoprecoce,maiorescore em90 minutosna escaladealerta,menornecessidadedenovadosedurante oprocedimentoemenosdorduranteainfusão.50

Midazolam

Midazolaméosedativointravenosomaisusadono departa-mentodeemergênciaparaadultose crianc¸as. Ilkhanipour etal. conduziramumapesquisa em80 programasde resi-dência de emergência nos EUA e encontraram 82% das instituic¸õesqueusavamomidazolamcomodrogadeescolha parasedac¸ãodepacientespediátricosnodepartamentode emergência.51EstudoconduzidonoBrasilporSukysetal.em

umpronto-socorro pediátrico constatou que o midazolam

foio sedativo deescolha em 80% doseventos de

sequên-ciarápidasdeintubac¸ão.52 Ajustificativaparatalfatoéo

rápidoiníciodeac¸ão,acurtadurac¸ão,amnésiaanterógrada

egrandevariedadedeviasdeadministrac¸ão.

Omidazolamémetabolizadopelocitocromop450,

por-tantooefeitodeprimeirapassagemdeveserconsiderado

como dependente da via de administrac¸ão. Além disso,

sua metabolizac¸ão pode ser comprometida na presenc¸a

de processos inflamatórios, hipoxemia ou uso de outras

drogasmetabolizadas pelamesma via. Temalta afinidade

proteica (97%). Assim,na presenc¸a deoutras medicac¸ões

com a mesma característica,há aumento da frac¸ão livre

de midazolam circulante. Sua eliminac¸ão é 80% por via

renal.49Devidoaessascaracterísticasfarmacológicas,deve

seradministradocomcautelaem pacienteshepatopatase

nefropatas.Ameia-vidadomidazolamtambémpodeestar

aumentada em neonatos, devidoà imaturidadedafunc¸ão

renalehepática.53

Podeserusadonasviasoral(VO),retal(VR),intranasal

(IN),intramuscular(IM)eintravenosa(IV).Aapresentac¸ãoIV

(5mg/ml)podeserusadaemqualquerviadeadministrac¸ão,

porémtemefeitoirritativonasmucosas.54 Aapresentac¸ão

oraltemmenorconcentrac¸ão(2mg/ml),émaispalatável,o

queresultaem melhoraceitac¸ãopelospacientes,segundo

opinião de especialistas.55 Smith et al., em estudo

ran-domizado com 77 pacientes pediátricos, observou menor

desconforto quando lidocaína 4% atomizada IN foi usada

como pré-medicac¸ão.56 Chiaretti et al., em estudo com

46crianc¸assubmetidasasedac¸ãoparaprocedimentosnão

dolorosos,nãoencontraramdesconfortooudorrelacionados

aousodemidazolamINquandoemassociac¸ãocomlidocaína

spraycomopré-medicac¸ão.57

Osprincipais efeitoscolaterais sãohipotensão,

depres-são respiratória e efeitoparadoxal. O midazolam reduz a

resistênciavascularperiféricaeaac¸ãodosistemanervoso

simpático,oquediminuiodébitocardíaco,comimplicac¸ão

principalmente em pacientes hipovolêmicos ou naqueles

com cardiopatiascianogênicas. Adepressão respiratóriaé

dose-dependente.Nousocombinadocomopioides,hámaior

riscodehipotensãoedepressãorespiratória.Poroutrolado,

(8)

Tabela9 Característicasfarmacológicasdasdrogasusadasemsedac¸ãoeanalgesia

Droga Efeitos Efeitocolateral Indicac¸ões Dose Iníciodeac¸ão Durac¸ãoda

ac¸ão

Sedativo-hipnóticas

Midazolam Sedac¸ão, controlemotor, reduc¸ãode ansiedade,sem efeito

analgésico

Hipotensão, depressão respiratória, efeito paradoxal

Procedimentos querequerem sedac¸ão, Reduc¸ãoda ansiedadeou amnésia

IV(idade6 meses-5anos): inicial0,05-0.1 mg/kg, máximode0,6 mg/kg IV(6-12anos): inicial 0,025-0,05 mg/kg,máximo de0,4mg/kg IM:0,1-0,15 mg/kg VO:0,5-0,75 mg/kg IN:0,2-0,5 mg/kg VR:0,25-0,5 mg/kg

2-3min

2-3min

10-20min 15-30min 10-15min 10-30min

45-60min

45-60min

60-120min 60-90min 60min 60-90min

Diazepam Sedac¸ão,

controlemotor, reduc¸ãode ansiedade,sem efeito

analgésico

Hipotensão, depressão respiratória, efeito paradoxal

Poucousado devidoàmeia vidalonga

IV:inicial 0,05-0,1 mg/kg,Max 0,25mg/kg

2-3min 45-60min

Propofol Sedac¸ãorápida ecurta

Podecausar doràinfusão, hipotensão, apneiae bradicardia

Procedimentos decurta durac¸ão, associadosou nãoa analgésicos

IV:1-2mg/kg, poderepetir 0,5mg/kga cada3-5 minutos

1min 5-15min

Etomidato Sedac¸ãorápida ecurta

Podecausar dorlocal, mioclônus, supressão adrenal transitória

Procedimentos decurta durac¸ão, associadosou nãoa analgésicos

IV:0,2-0,3 mg/kg

30-60s 5-15min

Dexmedetomidina Sedac¸ãocom manutenc¸ãodo drive

respiratório Nãoaltera trac¸adodoEEG Usoofflabel

napediatria

Podecausar arritmia, hipotensãoe hipertensão

Procedimentos deimagem(TC eRNM), endoscopia, EEG

IV:2mcg/kg IN/Mucosal oral:1-3 mcg/kg IM:1-4,5 mcg/kg Oral:5mcg/kg

5-10min 60-120min

Analgésicos

Fentanil Analgesia Bradicardia,

rigidez torácica, depressão respiratória

Procedimentos comdor moderadaa severa

IV:

1,0␮g/kg/dose, podeser repetidoacada 3min

IN:

1,5␮g/kg/dose

2-3min

2-5min

30-60min

(9)

Tabela9(Continuação)

Droga Efeitos Efeitocolateral Indicac¸ões Dose Iníciodeac¸ão Durac¸ãoda

ac¸ão

Morfina Analgesia Liberac¸ãode histamina, hipotensão, náuseas, reduc¸ãoda motilidade gastrointestinal

Procedimentos comdor moderadaa severa

IV:inicial 0,05-0,15 mg/kg,pode serrepetidaa cada5min

5-10min 30-60min

Cetamina Agende dissociativo com propriedades analgésicase sedativas

Laringoespasmo, hipersalivac¸ão, reac¸õesde emergência, vômitos

Procedimentos dolorososde curtadurac¸ão ouquandoa amnésiaé desejada

IV:1-2mg/kg, poderepetir 0,5-1mg/kga cada5-10 minutos IM:2-5mg/kg poderepetir 2-4mg/kgapós 10minutos IN:1-9mg/kg

IV:1min IM:3-5min

EV:15min (dissociac¸ão), 60min (recuperac¸ão) IM:15-30min (dissociac¸ão), 90-150 (recuperac¸ão)

Antídotos

Flumazenil Reversorde benzodiazepí-nicos

Aumentoda pressão intracraniana, reduc¸ãodo limiar convulsivo

Reversãode efeitos indesejados

IV:0,02 mg/kg/dose, podeser repetidoacada minatéo máximode1 mg

1-2min 30-60min

Naloxone Reversorde opioides

Náuseas, ansiedade, estimulac¸ão simpática, hipertensão, taquicardia, edema pulmonar, retornodador

Reversãode efeitos indesejados

IVouIM:0,1 mg/kg/dose, máximode2 mg/dose;pode serrepetidoa cada2minse necessárioa

IV:2min IM:10-15min

IV:20-40min IM:60-90min

IM,intramuscular;IN,intranasal;IV,intravenoso;VO,viaoral;VR,viaretal. aAdoseparareversãoparcialémenor:0,01-0,03mg/Kg.

Flumazenil

Oflumazeniléumantagonistadebenzodiazepínicosdeac¸ão central,a administrac¸ão é exclusivamente intravenosa.A reversão dosefeitos dos benzodiazepínicosé contrária ao seu aparecimento durante a sedac¸ão, ou seja, pequenas dosesdomidazolamsãonecessáriasparagerarefeito ansi-olítico, ao passo que doses mais altas do flumazenil são necessáriasparareverteresseefeito.Poroutrolado,altas dosesdo midazolam são necessárias para induzir sedac¸ão profunda,enquantopequenasdosesdoflumazenilrevertem esse efeito. Os efeitos colaterais são elevac¸ão da pres-são intracraniana e diminuic¸ão do limiar convulsivo, por isso deve ser usado com cautela em pacientes que usem medicac¸õesque podeminduzir convulsão (antidepressivos tricíclicos,cocaína,lítio,metilxantinas,isoniazida, inibido-resdamonoaminaoxidase,bupropiona,teofilina).59

Opioides

Os opioides modulam a percepc¸ão cortical da dor. Agem atravésdaligac¸ãoareceptores␮,␦e␬centraise periféri-cos,causamhiperpolarizac¸ãocelular,diminuemaliberac¸ão deneurotransmissores. Suaprincipalindicac¸ão é para alí-viodadormoderadaagrave.12,13 Morfinaefentanilsãoos

opioidesmaisusadosnapráticaclínica.

Morfina

(10)

graudeanalgesia.60,61Estáindicadaemprocedimentosem

quesedesejamanteranalgesiapormaistempo,como,por

exemplo,nafixac¸ãodefraturas.Barcelosetal.compararam

morfina(0,1mg/Kg)ecetamina(2mg/Kg),ambas

associa-dasao midazolan(0,2 mg/Kg), paraanalgesiana reduc¸ão

defraturasem25crianc¸asemumdepartamentode

emer-gênciaenãoencontraramdiferenc¸aestatísticacomrelac¸ão

à taxa defalha, ao tempo deinício doprocedimento,ao

tempodepermanêncianohospital,àsescalasdedorouà

taxadesatisfac¸ãodepaiseortopedistas.62Outrouso

recor-rentenapráticaclínicaénoalíviodadorintensaagudaou

crônica,comonopacientecomdoenc¸afalciforme.63

Ametabolizac¸ãodamorfinaéhepáticaeextra-hepática,

os metabólitos são excretados na urina. Em pacientes

menores de seis meses,os mecanismosde metabolizac¸ão

estãoimaturoseháevidênciasdedepurac¸ãodiminuídaem

crianc¸ascominstabilidadecardiovascular.61,64McRorieetal.

observaramqueascrianc¸asquereceberammorfinaIVapós

cirurgiacardíacaatingiamosvaloresdedepurac¸ãoda

mor-finaadultosaosseismeses.65 Em outroestudo,Lynnetal.

identificaramvaloresdedepurac¸ãodemorfinadeadultonos

lactentespor volta deum atrês meses.66 Avariabilidade

dedurac¸ãodemorfinaé alta,o quetornadifícilprever a

durac¸ãodosefeitosdamorfina.

A morfina estimula a liberac¸ão de quantidades

sig-nificativas de histamina e inibe respostas simpáticas

compensatórias.Esseefeitopodecausarbroncoconstric¸ãoe

serdeletérioemasmáticos.Avasodilatac¸ãoproduzidapela

histaminapoderesultaremhipotensão,especialmentecom

aadministrac¸ãoeminfusãorápida.67

Efeitoscolateraisgastrointestinaisimportantestambém

sãoobservadoscomousodemorfina,comonáusease

vômi-tosquepodemocorrerematé40%dospacientes,efeitoque

tendeadiminuircomdosesrepetidasdamedicac¸ão.Outro

efeito,queécomumatodososopioides,é oaumentodo

tônuseareduc¸ãodamotilidadegastrointestinal.67

A descontinuac¸ão da infusão de morfina está

associ-ada a fenômenos de abstinência. Os sinais e sintomas

incluemdilatac¸ãopupilar,lacrimejamento,sudorese,

arre-piosna pele,hipertensão,febre, vômitos,dorabdominal,

diarreia, dores musculares e articulares e alterac¸ões

comportamentais.68

Fentanil

Ofentanil éumopioide sintéticocom cercade100 vezes a potência analgésica da morfina. É altamente lipossolú-vel,oqueexplicaseurápidoiníciodeac¸ão.Temmeia-vida de2-4horas na administrac¸ão intermitentee de21horas após a infusão contínua prolongada. Essa diferenc¸a acon-tecedevidoàsaturac¸ãodosreceptoresopiáceosnostecidos periféricoslipofílicos.69,70

Ometabolismodofentanilocorrequaseexclusivamente

nofígado,nãotemmetabólitos ativose pequenafrac¸ãoé

excretadainalteradanaurina.Lactentesecrianc¸asjovens

têm uma maior depurac¸ão do que crianc¸as mais velhas

e adultos, que muitas vezes exigem doses mais

frequen-tes. Singletonetal. avaliarama concentrac¸ão plasmática

de fentanil em três grupos etários e encontraram uma

concentrac¸ãoplasmáticamaiordefentanilnosadultosem

relac¸ão àscrianc¸as e umaconcentrac¸ão menor ainda nos

lactentes.71

Algumaspropriedadesdofentaniltêmimplicac¸ãoclínica,

porexemploasalterac¸õesdopHnosanguepodemalterar

suaionizac¸ãoedistribuic¸ãoentreoplasmaeSNCe

pacien-tescomacidosepodemterumaumentodafrac¸ãolivrede

fentanil,oqueoscolocaemmaiorriscodetoxicidade.72

Estudos têm demonstrado que o fentanil administrado

porviasopcionaiséeficienteparaalíviodador.Mineretal.,

emestudo clínicorandomizadofeitocom 41crianc¸as que

receberam1,5mcg/KgdefentanilIVou3mcg/Kgde

fenta-nilnebulizador,mostraramresultadosemelhantenoescore

demelhoriadador.73 Borland etal., emestudo que

com-parou fentanil IN na dose de 1,7 mcg/Kg com morfina IV

nadosede0,1mg/Kg,demonstrarammelhoriasemelhante

nosescoresdedornosdoisgruposdepacientespediátricos

submetidosareduc¸ãodefraturas.74Resultadossemelhantes

foramalcanc¸adosporYoungetal.,quecompararam

fenta-nil intranasal(1 mcg/Kg) com morfina IM (0,2 mg/Kg) na

reduc¸ãodefraturasempacientespediátricos,atolerância

àadministrac¸ãofoimelhornogrupodofentanilIN.75

O fentanil pode causar comprometimento

hemodinâ-micoatravésdareduc¸ãododébitocardíacoinduzidopela

bradicardia.58 Um efeito adverso amplamente descrito,

emborararo,éarigidezdaparedetorácica,queestá

asso-ciadacomdoseselevadas,acimade5mcg/kgadministradas

embólus.60

Depressão respiratória é efeito colateral presente,

comum a todos os opioides, e está relacionada à dose

empregada. A incidência de depressão respiratória é

sig-nificativamente maior quando os opioides são usados em

combinac¸ãocombenzodiazepínicos.Robacketal.

analisa-ramaocorrênciadeefeitos colateraisem2.500pacientes

submetidosasedac¸ãoeanalgesiaemumdepartamentode

emergênciapediátricanosEUAeencontraramtaxade

even-tosadversosrespiratóriosde19,3%quandohaviaassociac¸ão

demidazolam efentanil ede5,8%quandomidazolam era

administradoisoladamente.59,76

Asvantagenspotenciaisdofentanilemrelac¸ãoàmorfina

são:iníciodeac¸ão maisrápido,meia-vida maiscurtae o

fatodenãocausarliberac¸ãodehistamina,apresentabaixa

incidênciadenáuseas,vômitosepruridogeneralizado.Além

disso,nãoháreac¸ãocruzadacomaalergiaamorfina.77

Naloxone

Onaloxone é umantagonistado receptordeopioides. As viasdeadministrac¸ãomaisusadassãointravenosae intra-muscular,porém tambémpodeseradministradopelasvias subcutânea,sublingualeendotraqueal.Adosagemvariade acordocomoefeitodesejado,ouseja,reduc¸ãoparcialdo efeitodosopioide(0,01-0,03mg/Kg)oureversãocompleta (0,1-2 mg/Kg). Após administrac¸ão observa-se retorno da respirac¸ãoem 1-2min, podehavertaquipneiatransitória. Asdosespodemserrepetidasacadadois minutos,caso o efeitoesperadonãosejaobtido,ouareversão tenhasido transitória,jáqueameia-vidadonaloxoneémenordoque adosopioides.78

Efeitos colaterais possíveis são náuseas, ansiedade,

estimulac¸ão simpática, hipertensão, taquicardia, edema

(11)

reduziranáuseacausadapelosopioides.Metanálise

condu-zidaporBarrons e Woodsconcluiu que ouso donaloxone

reduzaocorrênciadenáuseapós-operatória,semaumentar

significativamenteanecessidadededosesextrasdeopioides

esemaumentodosescoresdedor.Noentanto,nãohouve

diminuic¸ãodaocorrênciadevômitos.79

Cetamina

Acetaminaéumagenteanestésicodissociativoqueatuano receptordoN-metil-D-aspartato-glutamato,desconectaos sistemaslímbico e talamocortical,dissocia osistema ner-voso central de estímulos externos. O estado cataléptico permiteumaanalgesia potente,sedac¸ão eamnésia, man-témapatênciadasviasaéreas,seusestímulosprotetorese aestabilidadecardiovascular.10

É amplamente usada em procedimentos dolorosos de

curtadurac¸ão ounaquelesem que aamnésia édesejada,

comoparaexamefísicodepacientesvítimasdeabuso.80Não

érecomendadaparasedac¸ãoparatomografia

computadori-zada(TC)decrânioouRM,poisoestadodissociativopode

produzirmovimentosinadequados eresultarem pior

qua-lidadedaimagem. Temmetabolismo hepático e excrec¸ão

predominantementeurinária(91%).10

Étipicamenteadministradaporviaintravenosaou

intra-muscular,podeaindaseradministradapelasviasintranasal

e oral. A via IV permite uma recuperac¸ão mais rápida e

menortempoatéaalta; enquantoa viaIM éumpreditor

independentedeêmese.81,82Emumestudorandomizado,a

administrac¸ãodedosesmaioresdecetamina(1,5e2mg/kg)

emcomparac¸ãocomumadosemenor(1mg/kg)diminuiua

necessidadedenovasdosesparaatingirsedac¸ãoadequada

(2,9%e5%contra16%),semaumentodosriscosdeefeitos

adversos(14,3%e10%contra10%)oudadurac¸ãodasedac¸ão

emminutos(24,5mine23mincontra23min).83

Acetaminapodecausarlaringoespasmoeapneia

transi-tórios,hipersalivac¸ão,vômitose agitac¸ãona recuperac¸ão.

Inibearecaptac¸ãodecatecolaminas,resultaemefeito

sim-patomiméticoqueresultaemaumentodapressãoarterial,

frequênciacardíacaedébitocardíaco.Umestudo

prospec-tivocom 11 pacientes adultos com cardiopatia isquêmica

demonstrou reduc¸ão da func¸ão sistólica e diastólica do

ventrículoesquerdo.84Areduc¸ãodapressãosistólica

secun-dáriaàdiminuic¸ãodafrac¸ãodeejec¸ãoapósacetaminafoi

demonstradaem umpequenogrupodepacientesna faixa

etáriapediátrica.85Osefeitoscatecolaminérgicosmascaram

adepressãomiocárdica.Aindasãonecessáriosmaisestudos

paraesclarecer os efeitos hemodinâmicos provocadospor

essadroga.

Ofenômenodeemergênciapós-sedac¸ãocomcetamina,

raronapediatria,podemanifestar-seporchoro,sonhos

lúci-dos,alucinac¸õesemaisraramentepordelíriograve.Émais

comumem adolescentes, quando a droga é administrada

porviaintramuscularouemaltasdoses.86,87Não

evidên-ciadequeainfusãodemidazolamcomo pré-medicac¸ãoà

cetaminareduzaaincidênciadefenômenosdeemergência.

Wathenetal.encontraramtaxassemelhantesdefenômeno

deemergência entreospacientespediátricosque

recebe-ramcetaminaisoladamente(7,1%)enosqueareceberam

emassociac¸ãoaomidazolam (6,2%).88 Outroestudo

publi-cadoporSherwinetal.tambémnãodemonstroubenefício

adicional do midazolam paraprevenc¸ãode fenômenos de

emergência.89

Acetaminaé contraindicadaempacientes menoresde

três meses pelos riscos de complicac¸ões de vias aéreas

e em pacientes esquizofrênicos pelo risco de estímulo

psicótico.90 Os fatores de risco para eventos adversos de

vias aéreas e respirac¸ão são dosesintravenosas elevadas,

idademenordedoisanosemaiorde13eacoadministrac¸ão

deanticolinérgicosebenzodiazepínicos.91 Ousoassociado

daatropinapodereduzirahipersalivac¸ão,porémnãoreduz

a frequência de eventos adversos.92 Dois estudos

rando-mizadosevidenciaram areduc¸ão dahipersalivac¸ão nouso

profilático da atropina, sem impacto positivo na taxa de

eventosadversos.93,94

Ouso dacetaminadeveserevitado em pacientes

car-diopatas,compatologiaspulmonaresativaseanomaliasdo

sistemanervosocentral.Atualmentenãohácontraindicac¸ão

ao seu uso em traumatismo cranioencefálico, pois nãose

observa o aumento do risco de hipertensão intracraniana

oucomplicac¸õesneurológicas,mesmonoscasosgraves.95---98

Revisão sistemática não evidenciou diferenc¸a significativa

dapressãodeperfusãocerebral,nodesfechoneurológico,

notempodepermanênciaemunidadedeterapiaintensiva

(UTI)ounamortalidadequandosecomparouousoda

ceta-minacomoutrossedativos.99Entretanto,aindapermanecea

contraindicac¸ãorelativaempacientescommassas

intracra-nianas,alterac¸ãoanatômicaintracranianaehidrocefalia.100

Propofol

Opropofoléumagentesedativohipnóticocompropriedades anestésicasdeac¸ãorápidaecurta,correspondeao2,6- dii-sopropilfenol,queexercesuaac¸ãohipnóticapelaativac¸ão doGaba,umneurotransmissorcentralinibitório.101,102Pode

ser usadoparaprocedimentos breves, associado ounão a

agentesanalgésicos,comofentanilecetamina.103,104

Paraprocedimentosmaisprolongados,comonasedac¸ão

paraRM,opropofolpodeserusadosobinfusãocontínua.105

Sebe et al. publicaram um estudo pediátrico prospectivo

com umacoorte de 200pacientes pediátricos submetidos

aexamesdeimagemnoqualousodopropofolfoimais

efi-caz doque odomidazolam com relac¸ão àefetividadeda

sedac¸ãoeaomenortempoderecuperac¸ão,semdiferenc¸a

estatísticanataxadeeventosadversosentreasdrogas.106

Estudosquecompararampropofol,pentobarbitale

dexme-detomidina nasedac¸ão paraRM tambémforamfavoráveis

àprimeiradroga.107---109Estudosdeimagemmaiscomplexos

edemoradospodemserfeitosdeformaeficazcominfusão

contínua,semaumentodotempoderecuperac¸ãooudorisco

deefeitosadversos.110

Ometabolismo dopropofolé hepático, aeliminac¸ãoé

bifásica (com umafase inicial aos 40 minutos e terminal

entre 4-7 horas) e a excrec¸ão é urinária em sua

maio-ria (88%). A administrac¸ão é exclusivamente intravenosa,

geralmente associada àdor durante ainfusão, efeito que

podeserreduzidocomopré-tratamentodaveiacom

lido-caína,ouseja,administrac¸ãodepequenasdosesdeopioide

oucetamina previamenteouinfusão em veias degrandes

calibres.111

Opropofoltemefeitoscardiovascularesdiversos,a

(12)

arterial pela diminuic¸ão do tônus simpático, mas

tam-bém por afetar a contratilidade miocárdica e o débito

cardíaco.113Essesefeitospodemserexacerbadosem

pacien-teshipovolêmicosoucomcardiopatiapreexistenteoucom

ouso concomitantedeoutrasdrogascardiodepressoras. A

administrac¸ãodebólusde20mL/kgdesorofisiológico0,9%

previamente àinfusão dopropofolnão reduziuo risco de

hipotensãoem pacientespediátricos em relac¸ão ao grupo

controle em umestudo randomizadopublicado por Jager

etal.114Adiminuic¸ãodaresistênciavascularsistêmicaque

adrogainduz podeserprejudicial empacientescom

car-diopatia congênita, entretanto a frequência cardíaca não

sofre variac¸ões significativas. A apneia e a obstruc¸ão de

vias aéreas é frequente, mesmo com doses habituais, já

que opropofol deprimeo SNC,podereduzira frequência

respiratóriaeosvolumespulmonares.115Oriscode

depres-são respiratória aumentaproporcionalmente à rapidez da

infusão,assimcomo orisco debradicardiae hipotensãoé

associadoadosesmaiores.116,117 Écontraindicadoem

paci-entescomalergiaaovo,sojaeseusderivados.118

Apesardosefeitosadversos,ousodopropofoléseguro

e eficazquandofeitocommonitoramentoadequado.

Mal-lory et al., em estudo retrospectivo que analisou 25.433

episódios de sedac¸ão com propofol, evidenciaram uma

taxa de eventosadversos graves, como obstruc¸ão de vias

aéreas,apneiaequedadesaturac¸ãodeoxigênio,em2,2%,

sem relato de morte associada a essa droga.104 Chiaretti

etal.revisaram36.156procedimentoseobtiveramtaxade

complicac¸õesequivalentesaindamenor,de0,75%.119

A síndrome da infusão do propofol é definida como

umabradicardia agudarefratária que progridepara

assis-tolia, acidose metabólica, rabdomiólise, hiperlipidemia e

esteatose hepática, é descrita em pacientes pediátricos

gravemente enfermos que fazem o uso contínuo dessa

medicac¸ãoportempoprolongado(>48h)eemdosesaltas

(>4mcg/kg/min).120

Ketofol

O uso da cetamina e propofol em associac¸ão, conhecido como ‘‘ketofol’’, tem setornado popular devido à possi-bilidade de contrabalancear osefeitos colaterais decada umadas medicac¸ões,potencializar asedac¸ão e aumentar a eficácia e a seguranc¸a.121 A cetamina mantém o drive

respiratório, evita a hipotensãoe a bradicardia, além de

proporcionar analgesia, já o propofol reduz a incidência

de náusea e vômitos, além de hipoteticamente prevenir

reac¸õesdeemergência.122

Quandocomparadocomopropofolcomodrogaúnica,o

usodoketofolempacientespediátricosresultouemmenos

eventos adversos respiratórios, hipotensão e bradicardia,

alémdemenornúmerodedosesadicionaisdadroga.123Uma

metanálise com 932 pacientes evidenciou menos eventos

adversos respiratórioscom o grupo doketofol comparado

com o do propofol (29% vs. 35,4%) sem diferenc¸a

signifi-cantena proporc¸ão deeventosadversos gerais(38,8% vs.

42,5%).124OutrametanálisedeJalilietal.demonstrouque

oketofolreduziusignificativamenteascomplicac¸ões

respi-ratóriasecardiovasculares(hipotensãoebradicardia).125

Aindanãoháconsensosobrequaladosedecadadroga

deve serusada quandoem combinac¸ão, sugere-se a dose

inicialde0,5 mg/kg depropofole 1 mg/kg decetamina.

Nãofoiobservadadiferenc¸anaqualidadedasedac¸ãoouno

perfildeseguranc¸aentremisturasnasproporc¸ões1:1e1:4

decetaminae propofolem adultos.126 Maisestudossobre

ousodoketofol empacientes pediátricossãonecessários

paraelucidarsuasvantagense desvantagenscomoagente

sedativo.127

Dexmedetomidina

Adexmedetomidina(DEX)éumagonistaalfa-2adrenérgico com ac¸ão nãomediada pelo Gaba,que promove sedac¸ão semdiminuic¸ãododrive respiratório.128 Apesardoseuuso

off-label na pediatria, seu uso tem aumentado para

pro-cedimentoscurtosetambémparasituac¸õesquedemandam

sedac¸ãoprolongada.129Podeserusadocomoagenteúnicoou

combinadocommidazolam,cetaminaouopioides.130,131No

departamentodeemergência,éprincipalmenteempregada

paraestudosdeimagem.132,133 Devidoàsuacaracterística

farmacológica única, a DEX é usada para induc¸ão de um

padrão de eletroencefalograma (EEG) similar ao do sono

natural.134,135Éumaopc¸ãoeficazaomidazolamnasedac¸ão

duranteendoscopiadigestivaalta,commelhorpotencialde

sedac¸ãoemenosefeitosadversos.136

Tem metabolismo hepático e excrec¸ão urinária (95%),

as vias de administrac¸ão são intravenosa, intranasal,

mucosa oral e oral gástrica, essa última de menor

biodisponibilidade.128 Podecausar hipotensão,bradicardia

e arritmia sinusal.130,137 Por suas características

farma-cológicas e suas aplicac¸ões clínicas, a dexmedetomidina

pareceserumaboaopc¸ãoaousodohidratodecloralnos

departamentosdeemergênciadepediatriaapósarecente

interrupc¸ãodousodessenopaís.

ApesardeseuusonãoserliberadopelaagênciaFoodAnd

DrugAdministrationparaapediatriapelafaltadedadosque

demonstrem seu perfil de seguranc¸a, estudos já

demons-traramquesetratadeumsedativoseguro,principalmente

nocontextodaUTIadultoepediátrica.138Constantinetal.

publicaramumametanálisede1994pacientes adultosem

UTI, evidenciaramuma reduc¸ão no tempode internac¸ão,

tempodeventilac¸ão mecânicae deocorrência dedelírio

em48horas,porémseobservouaumentodecasosde

bra-dicardia e hipotensão.139 Berkenbosch et al., em estudo

pediátricoprospectivo,demonstrarameficáciaeseguranc¸a

dadexmedetomidinaparaprocedimentosnãoinvasivos.140

Etomidato

Oetomidatoéumderivadoimidazólicousadocomoagente sedativo-hipnóticodeac¸ãoultrarrápidaqueseligaa recep-toresGabanosistemanervosocentral.Comumenteusadona sequênciarápidadeintubac¸ãoemcrianc¸as,podeser empre-gadoem procedimentos não dolorosos de curta durac¸ão, como TC de crânio, e em procedimentos dolorosos asso-ciados a uma droga analgésica. Tem pouca repercussão hemodinâmicaeosefeitosrespiratóriossãoraros.141,142

Trata-se de droga altamente lipofílica, com

metabo-lismohepáticoeexcrec¸ãourinária(75%).Temadministrac¸ão

exclusivamenteintravenosa, podehaverirritac¸ãonolocal

da infusão, é preferível usar em veias de maior calibre

(13)

(sem repercussão ao EEG), náusea, vômito, apneia e

hipoventilac¸ão.142,143DiLiddoetal.compararametomidato

e midazolam na sedac¸ão depacientes pediátricos

subme-tidos à reduc¸ão de fraturas e evidenciaram uma maior

proporc¸ão depacientesadequadamentesedados nogrupo

doetomidato(92%vs.36%)ecommenortempodeinduc¸ão

erecuperac¸ão.144

Como o etomidato inibe a enzima 11-beta-hidroxilase,

aqualparticipa daproduc¸ão dehormônios adrenais,uma

doseúnicapodesuprimirarespostainduzidapeloestresse

na produc¸ão de cortisol pode durar de 6-8 h.145,146 Dessa

forma,o uso dessa drogaem pacientes sépticos ou

criti-camente enfermos,ainda que em dose única, permanece

controverso.145 Poroutro lado,o usoem pacientes

saudá-veispareceserbemtolerado.147 Doisestudosprospectivos

randomizados em adultos nãodemonstraram aumento da

morbimortalidadeoudotempodepermanênciahospitalar

quandoumbólusdeetomidatofoiadministradona

sequên-ciarápidadeintubac¸ão.148

Conclusão

Procedimentos diagnósticos e terapêuticos dolorosos que frequentementeexigemacolaborac¸ãodopacientesão fre-quentesnapráticadaurgênciaeemergênciapediátrica.A indicac¸ãodaanalgesiae sedac¸ão parataisprocedimentos deveocorrerapós avaliac¸ão criteriosadopaciente, consi-derara finalidade, osriscose os benefícios associadosao procedimentoeaousodemedicac¸ões.Oempregode pro-tocolosparaessefimdeveorientaroprofissionalnaescolha da medicac¸ão, do material adequado e na avaliac¸ão dos critérios de alta e garantir, assim, a qualidade na assis-tência. Analgesia e sedac¸ão para procedimentos exigem treinamentodasequipesdesaúde,comvistasàseguranc¸a eefetividade.Estudostêmdemonstradoquaisasmelhores escolhasfarmacológicasparadeterminadosprocedimentos, levam-seem contaa idade e o estado de saúdede cada paciente,oquetornaasedoanalgesiaumapráticacadavez maiscomumemaisseguranopronto-socorropediátrico.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Tabela 1 Neonatal Infant Pain Scale (NIPS)
Tabela 4 Avaliac ¸ão breve e sistemática do paciente sub- sub-metido à sedac ¸ão (Sample)
Tabela 5 Tempo de jejum adequado para sedac ¸ão segundo a American Society of Anesthesiologists
Tabela 7 Etapas para sedac ¸ão e analgesia
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Referências

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