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Um Ministério Ideal - Charles Spurgeon

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UM

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fflllFERIO

IID EA l

Em 1865 Spurgeon inaugurou a “ Conferência Anual” do Colégio de Pastores, a quai foram convidados todos os pastores que haviam sido preparados no Colégio. Essa reunião anual estava destinada a oferecer um laço de união permanente entre eles. Durante toda sua vida, Spurgeon pronunciou vinte e sete palestras presidenciais na Conferência; doze delas foram reimpressas após sua morte, das quais seis estão neste livro.

Se havemos de entender atualmente porque o testemunho evangélico chegou a um nível tão baixo, é necessário que retrocedamos ao século dezenove e descubramos o que ocorreu. Este volume nos concede bastante luz adicional neste assunto, com as observações do fam oso pregador sobre a mudança de ênfase na pregação do evangelho, acerca dos aspectos da “ obra m issionária” moderna, no que se refere ao descuido da doutrina da soberania de Deus e a respeito da decadência geral da pureza doutrinária.

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UM MINISTÉRIO IDEAL

Volume 2

C onferências a ministros e estu d a n tes

C. H. Spurgeon

P

e

S

PUBLICAÇÕES EVANGÉLICAS SELECIONADAS Caixa Postal 1287 - 01059-970 - São Paulo, SP

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T ítu lo orig in al:

An Ali R o und M in istry

P rim e ira ed ição em p o rtu g u ê s: 1990

S eg u n d a ed ição em p o rtu g u ês: 2005

T rad u ção do inglês: E dgard L eitão R evisor: A ntonio Poccinelli C o o p erad o r: L uís C h ristian in i C apa:

W irley dos Santos Corrêa Im p ressão :

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ÍNDICE

In tro d u ç ã o ... 1. F é ... ... 2. A In d iv id u alid ad e e o con trário d e la ... 3. Como en fren tar os males da nossa é p o c a ... 4. Os males de nosso tem po: nossos objetivos,

necessidades e e n co raja m e n to s... 5. O poder do pregador e as condições para obtê-lo 6. O m in istro nos tem pos a tu a is ...

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INTRODUÇÃO

E m b o ra C. H . S p u rg eo n seja a in d a le m b ra d o com o preg ad o r popular, geralm ente se esquece que a in flu ên cia exercida p o r ele sobre m in istro s e estu d an tes de teologia foi um fator ainda m ais im p o rtan te , talvez, do que o seu próprio m inistério. H oje é pouco conhecido o fato de que ele o rg a n iz o u u m a in s titu iç ã o teo ló g ica, su p e rv isio n o u a p re p a ra ç ã o de m ais de 800 e stu d a n te s, p re s id iu um a conferência anual de m inistros, e considerou tudo isso como “o labor e deleite de m in h a vida, em relação ao qual o resto do m eu trabalho não é senão a plataform a; deleite superior ainda ao que m e oferece m eu êxito m in isterial” (Autobiografia,

vol. 3, p. 127). Os pontos de vista de Spurgeon quanto ao m inistério, especialm ente com referência à educação teológica, têm recebido pouca atenção desde a sua m orte em 1892. A prim eira vista é difícil explicar tal coisa, quando recordam os que d u ran te 37 anos Spurgeon pregou sem ana após sem ana a um a co ngregação de cerca de 5.000 pessoas. Será que em nossos dias, de tão ev id en te decadência no p o d e r da pregação e freqüência às igrejas, as opiniões de um hom em como ele não valem a pena ser conhecidas?

A m elh o r ilustração dos p o ntos de vista de Spurgeon quanto à preparação para o m in istério é a h istó ria do seu p ró p rio colégio teo ló g ico . Q u ase d esd e o in íc io do seu m inistério em L ondres em 1854, para as vastas m ultidões, ele sentiu a carga da necessidade de m uito mais pregadores de enérgica posição evangélica. Sabia, como tantas vezes repetia, q ue os s e m in á rio s se m p re h a v ia m tid o p a p e l v ita l no

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Introdução

provim ento de tais hom ens. “H o n o rato e C olum ba nos dias antigos, e tam bém Wycliffe, L u tero e Calvino na época da R efo rm a , p re p a ra r a m os e x é rc ito s do S e n h o r p a ra sua missão. As escolas dos profetas são fator p rim ário se se trata de m a n te r vivo e propagar o p o d er da religião n u m p aís” (Ibid. p. 137).

“Falam os de L u tero e Calvino nos tem pos da Reform a, mas devemos recordar que esses hom ens chegaram a ser o que eram devido, em grande parte, a seu poder para gravar a sua im agem e sua influência sobre outros hom ens com os quais entraram em contato. Se alguém fosse a W ürtem burg, não via apenas L u tero , m as tam b ém o colégio de L u tero , os h o m en s a seu redor, todós os e stu d a n te s que estavam sen d o fo rm a d o s em o u tro s L u te ro s sob su a d ire ç ão . O m esm o ocorria em G enebra. Q uanto deve a Escócia ao fato de Calvino ter in stru íd o Jo h n Knox! Q uanto benefício têm alcançado outras nações, advindo da pequena república da Suíça devido ao fato de que C alvino teve o bom senso de p erceber que u m só hom em não po d ia esperar in flu en ciar um a nação in teira a m enos que se m ultiplicasse e estendesse seus pontos de vista, escrevendo-os sobre as tábuas de carne dos corações de h o m e n s jovens e fervorosos! As igrejas p a re c e m te r esq u e c id o d isso . A Ig re ja d e v e ria to m a r o colégio teo ló g ico o o b jeto p rin c ip a l dos seus c u id a d o s ” (“Vida e O bra de C. H. Spurgeon”, G. H. Pike, vol. 4, p. 356).

Inform a-nos Spurgeon que pouco depois de haver in ic i­ ado seu m in istério em L ondres, “vários jovens zelosos foram trazid o s ao co n h ecim en to da verdade; e en tre eles alguns cujas pregações ao ar livre foram abençoadas p o r D eus para a co n v ersão de a lm a s” . O p rim e iro d estes foi u m m oço cham ado M edhurst. Certos m em bros da igreja disseram ao pastor que o m encionado jovem não estava preparado para tal trabalho. Spurgeon então entrevistou o m oço e recebeu a seguinte m em orável resposta: “ Sr. Spurgeon, eu ten h o que

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pregar, e continuarei pregando - a m enos que o senhor me degole”. Isso induziu a Spurgeon à decisão prática de fazer algo a fim de preparar tais hom ens para o m inistério. Assim, no ano de 1855 (quando Spurgeon tin h a apenas 21 anos e havia m il pessoas que davam provas seguras de conversão e desejavam ser adm itidas na sua capela), M edhurst começou a freqüentar cada sem ana a casa de seu pastor, para receber várias horas de instrução teológica. Em 1857 surgiu outro estudante. Pouco tem po depois o núm ero aum entou para 8; a seguir 20 e finalm ente 70 a 100 alunos, que recebiam um curso de dois anos no que chegou a ser conhecido como o “Colégio dos P astores”. Em 1891 haviam sido preparados 845 hom ens. D eles, m u ito s ab riram novos cam pos e fo r­ m aram novas igrejas n a In g la te rra , porém m u ito s outros levaram o evangelho aos confins da terra.

Pode-se interrogar porque Spurgeon formava um novo colégio q u a n d o já h av ia ta n ta s in stitu iç õ e s de form ação teológica não-conform ista. M uitos criam ser tal iniciativa desnecessária e divisionista. A resposta dele era, essencial­ m e n te , p o r não h a v er u m se m in á rio que satisfizesse às necessidades conform e ele percebia a situação. Além disso, ele se d istin g u ia das d em ais organizações ex isten tes nos quatro seguintes aspectos:

P rim eiro, quanto ao ingresso dos estudantes - Spurgeon possuía a convicção de que não devia aceitar um hom em que não estivesse apto para pregar e, até onde fosse possível discernir, vocacionado po r Deus. N em a capacidade m ental nem os m éritos universitários podiam com pensar a ausência desses req u isito s. “O grau in fe rio r de p iedade, a falta de entusiasm o, o fracasso na devoção particular e a ausência de consagração” eram fatores negativos intoleráveis em hom ens que aspirassem ser servos de C risto. C ategoricam ente ele afirm ou: “Nossa instituição tenciona im pedir que ocupem o en cargo sag rad o os que não são v o cacio n ad o s p a ra ele.

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Introdução

C onstantem ente estam os rejeitando candidatos p o r d u v id ar­ mos de sua aptidão; nesse caso, nada lhes aproveita educação, dinh eiro ou intercessão de parentes ou am igos”.

Segundo, no que se refere ao plano de estudos da preparação teológica, havia ênfase especial à teologia bíblica. G eorge Rogers, escolhido por Spurgeon para d ireto r do Colégio de Pastores, afirm ou: “D ia a dia cresce a convicção de que a te o lo g ia deve ser a m a té ria p r in c ip a l n u m a in s titu iç ã o teológica”. Spurgeon era cuidadoso ao declarar o que e n ten ­ dia p o r Teologia B íblica. “A firm am o s sem ro d eio s que a teologia do Colégio é p u ritan a. N ossa experiência e leitura das E scritu ras nos confirm am na crença das d o u trin as da graça, tão pouco em m oda; m in h as opiniões sobre o evan­ gelho e o m odo de p rep arar os pregadores são peculiares. P regadores das grandes e antigas verdades do evangelho, m in istro s adequados para tran sm iti-las às m assas, podiam ser en co n trad o s m ais facilm ente n u m a in stitu ição onde a pregação e a teologia eram as m atérias p rin c ip a is - e não os diplom as e outras láureas da erudição h u m an a.”

E m b o ra o p ró p rio Spurgeon não te n h a recebido um a educação u n iv e rsitá ria n o rm al, desde a in fân cia recebera na g ran ja de seu avô um sólido fu n d a m e n to de teologia c a lv in ista , e q u a n d o in ic io u sua p reg ação em L o n d re s , d em o n stro u n o v am en te o que a m aio ria h avia esquecido desde os dias de W h itefield - que nessa teologia reside o verdadeiro po d er de um m in istério evangélico. Ele sem pre en ten d ia haver um a relação, m u ito m ais ín tim a do que os h o m en s crêem , e n tre a pregação de um m in istro e a sua teologia. O que o levou a p ô r a a n tig a teologia em lugar p ro e m in e n te no p lan o de estu d o s do seu colégio não era m ero interesse teórico nas doutrinas. “Para serem pregadores eficazes devem ser teólogos au tên tico s” era o axiom a que constantem ente repetia aos alunos.

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UM MINISTÉRIO IDEAL, Vol. 2

os estudantes, Spurgeon sustentava com firm eza que a in stru ­ ção deve ser m in istrad a de form a definida e dogm ática. Os p ro fesso res não devem e n s in a r de m o d o vago e lib eral, a p re se n ta n d o d ife re n te s “p o n to s de v ista ”, d eix an d o ao aluno a escolha do que lhe convier; pelo contrário, precisam declarar de m aneira convincente e inco n fu n d ív el a m ente de D eu s e d e m o n stra r p re d ile çã o re so lu ta p ela teologia antiga, evidenciando-se saturados dela e dispostos a m orrer por ela.

Falando em nom e de Spurgeon, George Rogers, diretor do Colégio de Pastores declarou: “A teologia calvinista deve ser ensinada dogm aticam ente. N ão usam os essa palavra no sentido ofensivo do term o, e sim como o ensino indiscutível da Palavra de Deus. N ão sim patizam os com n en h u m a das m o d ern as distorções das g ran d es verdades do evangelho. Preferim os a teologia p u ritan a à m oderna”.

S p u rg eo n , p o ré m , d e fe n d ia qu e além do e n sin o ser v erdadeiro, tam bém devia ser fervoroso. “Q ue espécie de hom ens devem ser os m in istro s?” Precisam trovejar quando pregam , e relam pejar quan d o conversam ; devem ard er na oração, b rilh a r na vida e consum ir-se no espírito. Se não são assim, que poderiam realizar? Se não forem Sansões esp iritu ­ ais, como poderão vencer o leão rugidor? Com o podem as portas do inferno ser levantadas dos seus gonzos?

“E n tre ta n to , m esm o conh ecen d o a verdade e estando co n firm ad o s nela pela graça d iv in a, não é tra b a lh o fácil d ifu n d ir o tesouro celestial. C om unicar aos outros o ensino de D eus é serviço delicado e difícil. Temos de con h ecer prim eiro a verdade em nossa p ró p ria alm a a fim de trans- m iti-la eficazm ente. Precisam os tam bém viver no desfrute cotidiano dela. Só quando o E spírito in u n d a a m ente de um hom em pode esse in flu ir noutras m entes de form a correta. O esp írito do evangelho deve estar nele ta n to q u an to a sua doutrina.”

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Introdução

Q uarto, a posição de Spurgeon referen te à preparação te o ló g ic a d iv e rg ia b a s ta n te do e n s in o c o n v e n c io n a l p re d o m in a n te . C o n fo rm e o seu e n te n d e r, o objetiv o que devia controlar tudo era a form ação de pregadores p o d ero ­ sos. D efendia ardorosam ente ser indispensável to rn a r cada alu n o da in s titu iç ã o teo ló g ica e fic ie n te no p ú lp ito . E le com bateu o que denom inou “idolatria do intelecto” . N a sua época havia exagerado destaque ao prestígio acadêm ico e à resp eitab ilid ad e cu ltu ral; m u ito s dem o n strav am ganância po r alcançar diplom as universitários, havendo p o r isso um a invasão do e sp írito m u n d a n o n a Ig reja, em p re ju íz o da v erd ad eira fin a lid a d e da p rep aração m in iste ria l. E m b o ra reconhecendo o valor e o devido lugar do cultivo da m ente, Spurgeon declarou: “H á um a erudição, que é essencial para um m in istério eficiente, a saber, a erudição de to d a a Bíblia; c o n h e c e r a D e u s p e la o ra ç ã o e a e x p e r iê n c ia d a Sua m isericórdia” . A inda que contrariasse as opiniões de m uitos, ele acrescentou em term os inconfundíveis: “Nossos hom ens não buscam diplom as universitários, nem títu lo s h o n o rífi­ cos, em bora m uitos pudessem alcançá-los, mas pregar com eficácia, chegar ao coração das massas, evangelizar os perdidos; essa é a am bição deste colégio; isso, e nada mais. O desígnio do Colégio de Pastores desde o p rin cíp io tem sido ajudar aos pregadores, e não form ar eruditos. Q ue o m u n d o eduque os hom ens para os seus próprios propósitos, e que a Igreja in stru a aos obreiros para o seu serviço especial. A spiram os auxiliar aos hom ens a proclam ar a verdade de D eus, a expor as Escrituras, a atrair os pecadores e a edificar os santos”.

Em 1865, Spurgeon inaugurou a “C onferência A nual” do Colégio de Pastores. Ele considerava a sem ana da C onferência com o um a das m ais im p o rtan te s do ano; dedicava m u ito tempo, pensamento, cuidado e oração ao preparo das mensagens que d irig ia às cen ten as de p a sto res e e stu d a n te s q ue na ocasião se reuniam , vindos de toda parte do país.

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UM M INISTÉRIO IDEAL, Vol. 2

Os últim os trin ta anos do século 19 presenciaram um a triste decadência do evangelism o, como escreveu Spurgeon em 1887: “Estam os descaíndo a um a velocidade vertiginosa”.

A pesar de p ro n u n c ia d as h á m ais de um século, estas m ensagens apresentam verdades que jamais envelhecem . Os fatores espirituais necessários a um m in istério poderoso são tão in d e p e n d e n te s do te m p o com o o eram n os dias de C risóstom o, L atim er ou W hitefield.

N um a hora em que estam os presenciando um crescente retorno à d o u trin a R eform ada, há necessidade im periosa de q ue os m in is tro s e e stu d a n te s re c o n sid e re m com o esta m ensagem deve ser pregada o u tra vez, com energia capaz de converter as massas. D ificilm ente poderia haver m elhor guia nessa questão do que C. H. Spurgeon.

A bril de 1960 Iain M urray

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Tendo chegado a hora em que devo falar a vocês, m eus am ados irm ãos, desejo que D eus m esm o seja quem fale por m eu interm édio.

O tem a escolhido para esta p alestra tra ta de fé. Com o crentes em C risto, todos somos da linhagem da fé. H á duas lin h as de descendência que afirm am te r d ireito à herança do pacto. U m a delas, encabeçada po r Ism ael, filho de Hagar, é o ram o da natu reza, dos esforços h u m an o s e das obras. N ão nos consideram os parentes dela. Sabemos que a mais elevada posição que pode alcançar o filho da carne só te r­ m in a com a ord em : “ L an ça fora a escrava e o seu filho, p o rq u e de m odo algum o filho da escrava h erd a rá com o filh o da liv re ” (Gál. 4:30). N ós, irm ão s, som os filhos da p ro m essa, n ascid o s n ão seg u n d o a carn e, não seg u n d o a energia da natureza, m as pelo po d er de D eus. N ão a trib u í­ m os nosso novo nascim ento ao sangue, nem à vontade da carne, nem à vontade do hom em , mas u n icam en te a D eus. N ão devemos nossa conversão ao raciocínio do lógico nem à eloqüência do orador, nem tam pouco às nossas qualidades naturais ou esforços pessoais; som os, como Isaque, filhos do poder de D eus conform e a prom essa.

O ra, pertence-nos o pacto, pois foi decidido - e o apóstolo declara esta decisão em nom e de D eus - que “a A braão foram feitas as prom essas, e à sua sem ente. Não disse: às sem entes, como se falasse de m uitos, mas com o de um : e a tua sem ente, a qual é C risto... E se sois de C risto, sois certam ente linhagem

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UM MINISTÉRIO IDEAL, Vol. 2

de Abraão, e herdeiros segundo a prom essa” (Gál. 3:16,29). Somos totalm ente salvos pela fé. O dia mais lum inoso que já b rilh o u sobre nós foi aquele em que pela p rim eira vez “olham os para Ele e fomos ilu m in ad o s”. Tudo era obscuro até que a fé co n tem p lo u o Sol da Justiça. A au ro ra da fé foi para nós a m anhã da vida; unicam ente pela fé começamos a viver. D esd e en tão tem os a n d ad o pela fé. S em pre que tem os sido tentados a sair da verdade da fé, nos tornam os como os insensatos gálatas e chegam os a sofrer p o r nossa loucura. Espero que não tenham os “sofrido tantas coisas em vão ” (Gál. 3:4). C om eçam os no E sp írito , e se ten ta rm o s aperfeiçoar-nos pela carne, logo descobrim os estar navegando p o r um a ro ta errada e aproxim ando-nos dos escolhos. “O justo viverá pela fé” ; é um a verdade sem pre dem onstrada eficaz em nossa experiência, pois um a; e outra vez tem os visto que em qualquer outro cam inho a m orte nos m ira de frente; p o rtan to , “nós pelo E spírito aguardam os a esperança da justiça pela fé” (Gál. 5:5).

Ora, irm ãos, visto que a nossa linhagem é a da fé, e nosso direito aos privilégios do pacto é o da fé, e nossa vida em seu prin cíp io e sua con tin u id ad e é toda da fé, atrevo-m e a dizer que o nosso m inistério é tam bém o da fé. Somos arautos aos filhos dos hom ens, não da lei do Sinai, e sim do am or do C alvário. D irig im o -n o s a eles, não com o m a n d am en to : “Faze isto e v iv erás”, p o rém com a m ensagem : “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Nosso é o m inistério da fé cheia de graça, e não segundo o hom em , nem conform e à lei de u m m a n d am en to carnal. N ão pregam os os m éritos hum anos, e sim a Cristo crucificado.

O objetivo de nossa pregação, assim como a sua doutrina, é a fé; pois não pensam os haver feito nada pelos pecadores até que pelo poder do E sp írito Santo os tenham os trazidos à fé; e só tem os por ú til nossa pregação aos santos quando os vemos crescer na fé. Assim como a fé é em nossa mão o

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Fé p o d er com o qual sem eam os, e à m e d id a que a sem en te que sem eam os é recebida por nós por fé, e em bebida n a fé, assim tam bém a colheita que buscam os é ver a fé bro tan d o dentro dos corações hum anos para louvor e glória de Deus.

P ortanto, entretecida com toda a nossa vida espiritual e com todo o nosso trabalho m in isterial, está a d o u trin a e a graça da fé; p o r isso devem os ser m u ito claros neste aspecto, o qual é negócio pequeno; e ser m u ito fortes neste aspecto, o qual é negócio grande. E sobre esse tópico que lhes falarei, o ra n d o fe rv o ro sa m e n te qu e cad a u m seja com o A b raão “fortalecido n a fé, dando glória a D eus” e à sem elhança de Estevão, “cheio de fé e do E sp írito Santo”.

Nossa obra exige especialm ente fé. Se fracassarm os na fé, seria m elh o r não havê-la iniciado; e a m enos que obtenham os fé à p ro p o rç ã o qu e nos d e d ica m o s ao serv iço , logo nos cansarem os dele. A observação dem onstra sem pre que a eficá­ cia no trabalho do Senhor geralm ente está m uito em proporção à fé. C ertam ente não está em proporção com a capacidade, nem sem pre segue paralela a um a exibição de zelo; mas é in v aria­ velm ente conform e à m edida da fé, pois esta é, sem exceção, a lei do Reino: “ Seja-vos feito segundo a vossa fé”. E, pois, essencial que tenham os fé se queremos ser úteis, e que tenham os grande fé se alm ejam os ser ex trao rd in ariam en te úteis. Por m uitas o utras razões além da u tilid a d e (a saber, inclusive para po d er resistir aos inim igos da verdade e a fim de vencer as tentações que cercam o nosso encargo), é im perativo que tenham os ab u n d an te confiança no D eus vivo. N ós, m ais do que todos os hom ens, necessitam os da fé que move m ontanhas, pela qual, n a an tiguidade, os hom ens de D eus “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram prom essas, taparam as bocas dos leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da esp ad a, da fraq u e za tira ra m força, fiz e ra m -se p o d ero so s n a g u e rra , p u seram em fuga os ex ército s dos estranhos”.

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I. Inicialm ente considerem os, em relação ao assunto, a pergunta. E M Q U E T E M O S FÉ , C O M O M IN IS T R O S , O U P E L O M E N O S G R A N D E N E C E S S ID A D E D EL A ?

P rim eiram ente, temos/g' em Deus. Cremos que Ele “existe e é galardoador dos que o buscam ”. Não cremos que os poderes da natureza, operam por si m esm os ind ep en d en tem en te das constantes emanações de poder do G rande e Poderoso, que é o criador e sustentador de todas as coisas. Longe de nós b an ir D eus de Seu p ró p rio u n iv erso . Tam pouco crem os n u m a deidade m eram ente nom inal, como fazem os que pretendem que todas as coisas são D eus, pois concebem os o panteísm o sim plesm ente como outra form a de ateísm o. C onhecem os o S enhor como um a existência pessoal definida, um D eus real, in fin itam en te m ais real que todas as coisas que se vêem e se tocam , ainda m ais real do que nós m esm os, pois não somos senão som bras; só Ele é o EU SOU, sem pre o m esm o pelos séculos dos séculos.

Cremos num Deus de propósitos e planos, que não perm ite que um destino cego tiran ize o m undo, e m u ito m enos que um a casualidade sem objetivo o leve daqui para lá. N em somos fatalistas, nem duvidam os da providência e da predestinação. Somos crentes n um D eus “que faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade” . N ão crem os que o Senhor ten h a Se afastado do m undo, abandonando-o ju n tam en te com os seus h a b ita n te s ; estam os c o n v icto s de que E le p re sid e c o n s­ tan tem en te todos os assuntos da vida. Pela fé percebem os a Sua m ão concedendo a cada fibra de erva um a correspondente gota de orvalho e a cada cria de corvo seu necessário alim ento. Vemos o poder de Deus presente no vôo de todos os pardais, e ouvim os Sua plenitude. Passam os po r ela, não pelos dom ínios de satanás, onde não chega a luz, nem por u m caos onde se desconhece a autoridade, nem por um m ar fervente onde as vagas irresis-tíveis do destino fazem caprichosam ente naufragar os m ortais; pelo contrário, andam os audaciosam ente, tendo a

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Fé D eus em nós e ao nosso redor, vivendo, m ovendo-nos e tendo o nosso ser nEle, e assim , pela fé, habitam os n u m tem plo da providência e da graça onde tudo fala da Sua glória. Cremos n u m D eus p re se n te on d e q u e r que estejam os, que age e atua cum prindo Seus propósitos de m odo constante e seguro em todos os assuntos, lugares e m om entos; realizando Seus d esígn io s ta n to no que p arece m au com o n a q u ilo que é m a n ife sta m e n te b o m ; em to d as as coisas a v an çan d o em Seu carro eterno até a m eta escolhida pela sabedoria infinita, sem jam ais d im in u ir o passo nem ab an d o n a r o co n tro le, mas p ro g red in d o sem pre, sem pausa, conform e a fortaleza sem piterna que há nEle. Crem os que esse D eus é fiel em tudo que p ro m eteu , que não pode m e n tir nem m udar. O D eus de A braão é o D eus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e é nosso D eus hoje. N ão crem os nas o p in iõ es in c o n sta n te s sobre o Ser divino que estão sendo adotadas pelas diversas filosofias. O D eus dos hebreus, Jeová, Jah, o Poderoso, o Deus que cum pre o pacto é o nosso D eus - “este D eus é o nosso D eus para sem pre; Ele será nosso guia até à m o rte”.

Se somos néscios ou não p o r crer nesse D eus, o m un d o o saberá um dia; e se é m ais razoável crer na natureza, ou em poderes po r si m esm o, deixarem os que a eternidade o decida. E n tretan to , para nós, fé em D eus não é apenas um a necessi­ dade da razão, e sim o fruto de um in stin to in fan til que não se detém a justificar-se a si m esm o po r m eio de argum entos, surgindo em nós com nossa natureza regenerada.

Ao m esm o te m p o , n o ssa fé se c e n tra liz a fe rv e n te e in te n sam e n te no Cristo de Deus. N ossa confiança está em Jesus; crem os em tudo o que a h istória inspirada afirm a a respeito de C risto, não fazendo dEle nem de Sua vida um m ito, mas aceitando como fato que D eus habitou plenam ente en tre os hom ens em carne h u m ana, e que na cruz do Calvário lbi realm ente oferecida, pelo D eus encarnado, um a expiação. No e n ta n to , p a ra nós, o S e n h o r Jesu s não é ap enas um

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UM M INISTÉRIO IDEAL, Vol. 2

Salvador do passado. C rem os que “ascendeu às a ltu ra s” e “levou cativo o cativeiro” e que “vive sem pre para interceder pelos que p o r ele se chegam a D eus”. Na catedral de Turim vi um a vez algo m uito notável, a saber, o suposto sudário do S e n h o r Jesu s C risto , o q ual é d e v o tam en te ad o rad o p o r m ultidões de católicos rom anos. Ao contem plar a relíquia, não pude evitar a reflexão de que os em blem as da m orte de C risto eram tudo o que dEle possuía a igreja católica rom ana. Em vão m ostram a verdadeira cruz, pois O crucificam de novo; in u tilm en te rezam no Seu sepulcro vazio, pois Ele não está ali, n em na igreja deles; em vão asseguram tra ta r-se do Seu su d ário , pois conhecem apenas um C risto m orto. E n tre ta n to , am ados irm ãos, nosso C risto não está m orto, nem dorm indo; ainda “anda en tre os candeeiros de ouro, e tem as estrelas na mão d ireita” .

Nossa fé em Jesus é m uito real. Cremos naquelas Suas rem idoras feridas m ais do que em qualquer o utra realidade; para nós não há nada m ais seguro do que o fato de que Ele foi m o rto e nos re d im iu p a ra D eus com o Seu p recio so sangue. Crem os no resplendor da Sua glória, pois nada nos parece tão certo, como justa recom pensa que fosse coroado de glória e de ho n ra A quele que foi obediente até à m orte. Por essa razão tam bém , crem os n u m Cristo verdadeiro que ainda há de v ir pela segunda vez, assim como subiu aos céus; e em b o ra não in te rro g u e m o s m in u c io sam e n te no que se refere aos tem pos e às épocas, sem dúvida estam os “esperando e apressando-nos para a vin d a do dia de D eus”, em cujo dia aguardam os a m anifestação dos filos de D eus e a ressurreição dos seus corpos da tum ba. Cristo Jesus não é ficção para nós; podem os cantar com o Dr. W atts:

“Enquanto os judeus em sua própria lei confiam, e se orgulham os gregos da sabedoria,

Nós amamos o mistério encarnado e nossa confiança pomos nele. ”

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Fé Temos igual confiança, irm ãos am ados, no Espírito Santo.

C rem os im p lic ita m e n te em Sua deid ad e e p erso n alid ad e. Falam os de Suas in flu ên c ia s, p o rq u e as p o ssu i, m as não esquecem os de que é u m a Pessoa de quem em an am tais influências; crem os em Suas funções, porque possui funções, mas nos alegram os na Pessoa que as realiza e as to rn a efetivas p a ra o n o s so b e m . C ad a u m d e n ó s q u is e r a a f ir m a r devotam ente: “Creio no Espírito Santo”. Não obstante, irmãos, vocês crêem no E sp írito Santo? “ Sim !” dizem u n ân im es, espontânea e enfaticam ente. “Sim”, tam bém o afirm o; porém não fiquem tristes se lhes in terro g o um a vez m ais se v er­ d a d eiram e n te e com certeza crêem n E le, pois h á m u itas m aneiras de crer. Posso acreditar nu m hom em , crendo nele com um a base m u ito frágil, sem arriscar n en h u m a parcela de m in h a substância; mas posso crer nele de outra form a, isto é, p o r estar certo que seria capaz de confiar-lhe m in h a p ró ­ pria vida, seguro de que m e seria fiel e que se dem onstraria um ajudador eficiente e bem disposto. Teríamos esse tipo de confiança no E spírito Santo? Acaso crem os que neste instante Ele pode revestir-nos de po d er como fez com os apóstolos no dia de Pentecoste? Será que acreditam os que através de nossa pregação m il almas poderiam nascer de novo nu m dia m e d ia n te o Seu pod er? Se to d o s crem os assim , podem os considerar-nos felizes p o r fazerm os p arte de tal grupo, pois se apenas doze pessoas exclam assem , depois de ouvir um sermão: “Q ue devemos fazer para ser salvos?”, a m aioria dos cristãos diria exatam ente como os judeus incrédulos. “Estes hom ens estão cheios de m osto.” C ondenaria o evento como sendo o resultado de excitação perigosa; nunca im aginaria que fosse atuação do Senhor. Por esta razão, lam ento não existir na Igreja a fé no E spírito Santo que deveria haver; e, no entanto, tendo ouvido a voz que diz: “O poder pertence a 1 )eus” como tam bém a voz divina do Filho afirmando: “Credes cin D eus, crede tam bém em m im ”, igualm ente é certo que

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a terceira Pessoa na T rindade b en d ita tem direito à nossa carinhosa confiança. E ai de nós se O entristecerm os com nossa incredulidade! Q uando tiverm os plena fé no Deus Trino, então serem os “ fortalecidos no Senhor, e na força do Seu po d er” .

A lém disso, q u e rid o s irm ão s, vocês e eu crem os nas doutrinas do evangelho. Temos recebido as certezas da verdade revelada. Estas são coisas m uito cridas en tre nós. Não nos inclinam os ante as teorias dos hom ens acerca da verdade, nem adm itim os que a teologia consista em “pontos de vista” e “opiniões”. D eclaram os que há certas verdades essenciais, perm anentes, eternas, das quais é perigoso desviar-se. Estou profundam ente entristecido ao escutar tantos m inistros falarem como se a verdade de D eus fosse um a quantidade variável, u m assunto de form ação cotidiana, u m a espécie de n ariz de cera a que se dá form a nova constantem ente, ou algo sem e­ lh an te à nuvem levada pelo vento. Não é dessa m aneira que creio! Tenho sido criticado como sendo um m ero eco dos p u ritan o s, mas prefiro antes ser o eco da verdade, que a voz da falsidade. Talvez seja a falta de capacidade intelectual que nos im pede de afastar-nos do antigo bom cam inho; mas ainda isso é m elh o r que a falta de graça, a qual é a razão porque os hom ens abandonam e m udam constantem ente suas crenças. Podem ter a certeza de que não há nada novo em teologia, exceto o que é falso, e que os fatos da teologia autêntica são hoje em dia o que eram há dezoito séculos atrás.

E m nossos dias, porém , os que a si m esm os se denom inam “hom ens de progresso”, que iniciaram pregando o evangelho, degeneram à m edida que avançam, e sua teologia, à semelhança dos caracóis, se derrete com o passar do tem po. Espero que nunca seja assim com n en h u m de nós. Tenho com parado a carreira de certos teólogos com o percurso de um b arril de v inho rom ano desde a vin h a até à cidade. Começa saindo do lagar como suco de uva p u ro ; mas na p rim eira parada, os condutores do carro precisam acalmar a sede; e quando chegam

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Fé a um a fonte, põem água a fim de com pensar o v in h o que beberam . N o povoado seg u in te, vários am an tes do v in h o pedem ou com pram um pouco, e o discreto carreteiro adiciona ou tra porção de água. E sta operação se repete várias vezes, de tal m odo que, ao e n trar em Rom a, o líquido é notavelm ente d ife re n te do q u e saiu da v in h a . H á u m a m a n e ira bem sem elhante a isso de “a d m in istra r” o evangelho. O m ite-se um pouco da v erd ad e, logo depois o u tra p a rte , e os h o m en s preenchem o vazio com opiniões, inferências, especulações e sonhos, até que seu v in h o está m istu ra d o com água, sem vantagem algum a para a água. Com am arg u ra afirm o que m u ito s p reg ad o res c o n stro em u m a to rre de especulações teológicas sobre a qual se sentam , como Nero, tocando a música de sua pró p ria filosofia, enquanto o m un d o está em cham as devido ao pecado e à m iséria. D ivertem -se com os joguetes das especulações enquanto as alm as dos hom ens perecem .

G rande parte da sabedoria h u m an a é m era fachada para encobrir a ausência de piedade vital. N a Itália viajei em vagões de p rim e ira classe qu e estav am co b erto s com b o rd a d o s preciosos, e pensei, a p rin cíp io , que aquilo era um privilégio para os passageiros, posto que sem dúvida m ãos delicadas haviam confeccionado tão luxuoso adorno; mas logo descobri que aqueles revestim entos enfeitados serviam sim plesm ente p ara en co b rir a graxa e a sujeira do tecido que havia po r baixo. G rande parte do precioso sentim entalism o e da religio­ sidade que m uitos pregam é u m m ero bordado para encobrir heresias detestáveis já rechaçadas há m uito tem po, as quais não ousavam su rg ir no v am ente sem um disfarce p ara sua deform idade. Com palavras de sabedoria h u m a n a e espe­ culações de invenção própria, os hom ens disfarçam a falsidade e enganam a m uitos. D em os ao povo o que D eus nos dá. Seja cada um de vocês como Micaías, que declarou: “Tão certo como vive o Senhor, que o que o S enhor m e disser, isso falarei”. Se c insensatez ater-nos ao que está nas Escrituras, e se é loucura

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crer n a in sp iração verbal, p ro p o m o -n o s c o n tin u a r sendo néscios até o fim , e esperamos encontrar-nos entre os néscios do m undo, que D eus escolheu para confundir os sábios, “para que n en h u m a carne se glorie na Sua presença”.

Irm ão s, nossa fé, descansando sobre as d o u trin as do evangelho e sobre o D eus do evangelho, abarca tam bém o poder da oração. C rem os no poder das súplicas. Receio que esta crença está caindo de m oda no cham ado m un d o cristão. A teoria de alguns é que a oração nos é útil, porém não pode afetar a D eus; e m uito tem sido dito sobre a im possibilidade dos propósitos divinos serem alterados e sobre a absoluta im probabilidade de que um ser fin ito possa afetar a D eus são invariáveis; mas, que direm os, se a oração faz parte do Seu p ro p ó sito , e se Ele o rd en a que Seu povo ore quando Se propõe abençoá-lo? A oração é um a das rodas necessárias na m aq u in aria da providência. O oferecim ento de orações é tão eficaz nos negócios do m undo e na produção de acon­ tecim entos, como o levantam ento das dinastias ou a queda das nações. Cremos que Deus realmente escuta as vozes dos homens. Q uanto a m im , se alguém disser: “Deus não ouve orações; essa idéia é supersticiosa”, eu responderei com plena convicção que o Senhor tem escutado e respondido m inhas orações dezenas e centenas de vezes, que as respostas vêm de m aneira tão constante e singular que não podem ser m eras coincidências.

N ão devem os p ro fessar sem p re nossa capacidade de dem o n strar verdades bíblicas aos ím pios, pois m uitas destas verdades ultrapassam o seu enten d im en to . Jam ais tentaria convencer um cego que a erva é verde e o céu azul, pois ele não pode ter idéia da proposição que estou provando. Em tal caso, argum entar é loucura para am bas as partes. Para nós, em todos os aspectos, a oração não é coisa vã; recolhem o-nos ao nosso aposento, crendo que ao o rar estam os efetuando um a operação elevada e real. Não dobram os os joelhos sim ples­ m ente p o r um dever e um exercício espiritual louvável; mas

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Fé porque crem os que ao tra n sm itir ao D eus eterno as nossas necessidades, Seu ouvido está ligado ao coração que pulsa p o r nós e à mão que age em nosso favor. Para nós a oração genuína é verdadeiro poder.

O u tro p o n to que creio ser essencial para a fé exercida por um m inistro é que cremos em nosso encargo de pregar o evangelho.

Se algum irm ão não está seguro de sua cham ada ao m inistério, que aguarde até alcançar essa convicção. Aquele que duvida que foi enviado p o r D eus, vacila; mas aquele que está certo da sua vocação do alto, exige um público e o orienta; não se escusa por sua existência nem po r suas palavras, porém desem penha seu labor como u m hom em , e fala corajosam ente a verdade de D eus em nom e do Senhor. Tem um a m ensagem a proclam ar, e sente ardente necessidade de tran sm iti-la, pois ai dele se não a n u n ciar o evangelho! A nte os ritualistas que se ufanam de possuir, unicam ente eles, a sucessão apostólica, declaram os ter a incum bência genuína, en q u an to as pretensões deles são falsas. N ão tem em os subm eter nossas afirm ações à prova que o Senhor m esm o in stitu iu : “Pelos frutos os co n h ecereis”. Crem os que D eus nos u n g iu para pregar o evangelho, e o p re­ gamos realm ente; mas, quem testificará que esses “sacerdotes” ao m enos conhecem o evangelho? Sob nosso m in is té rio o E sp írito de D eus regenera os hom ens, porém não atua da m aneira p o r m eio dos farsantes. N em sequer com preendem o que significa a regeneração, renova a natureza e consola a alma; todavia, podem esses hipócritas fazer o m esm o com os seus encantam entos? Se são apóstolos, que nos m ostrem os sinais. A firm am os que somos os m in istro s do Senhor, e nossas cartas de recom endação estão escritas em m uitos corações.

Ora, havendo detalhado os pontos salientes da nossa fé, perm itam -m e que lhes diga, irm ãos, que crem os que p o r causa de tu do isso, não obstante as lim itações dos nossos recursos, o Grande Pastor das ovelhas nos concederá uma suficiência total com que alimentar a Seu povo. C rendo no D eus Todo-suficiente,

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esperam os ver a m u ltip licação dos nossos pães e peixes. Por conseguinte, não nos reservam os nada; damos agora tudo o que tem o s. E m R om a vi u m a fo n te que re p re se n ta v a um hom em su sten tan d o um b arril, do qual m anava cons­ tan tem en te copioso fluxo de água. N unca havia m uita água no b arril de m árm ore, mas o líquido corria continuam ente há quatrocentos ou quin h en to s anos. Portanto, derram em os de nossa p rópria alma tudo o que o Senhor nos concede. Faz mais de vinte anos que transm ito tudo o que sei até esgotar- -me cada vez, e, no entanto, meu coração ainda transborda cheio de boas coisas. Conheço irm ãos no m inistério com paráveis ao grande tonel de H eidelberg quanto à capacidade, porém o povo não recebe tanta verdade evangélica através deles como recebe de pregadores com aptidões inferiores, os quais cultivam o hábito de dar tudo o que possuem . Cremos que o E spírito de D eus em nós será um a fonte de água que salta para a vida eterna, e agimos de acordo com esta convicção. Não am biciona­ mos arm azenar m uitos bens para m uitos anos; mas, da m aneira como vivem os do pão cotidiano, assim tam bém alim en ta­ mos o nosso povo de provisões co n tin u am en te renovadas. D esprendam o-nos dos recursos mofados, pastos dos vermes, do m aná de ontem , e busquem os dia a dia nova provisão.

Irm ãos, nossa fé percebe ao nosso lado um a ação invisível.

E nq u an to estam os trabalhando, D eus tam bém está agindo. Não considerem os que as forças operando a nosso favor se confinem ao p úlpito; sabemos que, d u ran te toda a sem ana, D eus, e o consolo, está p reparando o povo para receber o que Ele nos encarregou de ensinar-lhe. C ontem plam os as nossas congregações, e talvez nos in clinam os a clam ar em nossa incredulidade: “M estre, que farem os?” Mas nossos olhos são abertos e vemos cavalos e carros de fogo em torno do profeta do Senhor; influências m isteriosas estão cooperando com o m inistério da graça. Q uando se estava construindo o tú n el do m onte Cenis, um grupo de técnicos trabalhava do lado italiano

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Fé duran te seis anos, esperando que, no final daquele período, veriam um a estrada aberta atravessando a m ontanha. Sabiam que, na velocidade em que trabalhavam , o esforço requeria pelo m enos doze anos, mas ao m esm o tem po estavam certos de que o co n clu iriam em apenas seis p o rq u e havia o u tro grupo do lado francês, trab alh an d o para reu n ir-se com eles; e efetivam ente, no tem po determ inado, se en co n traram p re ­ cisam ente no ponto program ado. Não posso en ten d er esses milagres da técnica, e não sei como dois grupos de perfuradores de tú n eis conseguem e n co n trar-se no coração dos A lpes; igualm ente ignoro como é possível que a atuação do Senhor nas consciências dos hom ens se alie ao m eu esforço, mas estou absolutam ente certo de que isso ocorrerá, e p o rtan to , p o r fé prossigo no m eu trabalho com todas as m inhas forças.

A fé nos leva a confiar que mesmo as dificuldades concorrem para o êxito. Pelo fato de crerm os em D eus e no Seu Santo E spírito, acreditam os que as dificuldades serão em grande m edida santificadas para nós, e que se transform am em degraus para atingirm os resultados m ais im portantes. M eus irm ãos, crem os nas derrotas; crem os em retroceder com o estandarte m an ch ad o pelo lodo, p ersu ad id o s de que este po d e ser o cam inho m ais seguro para o triu n fo duradouro. Crem os na espera, no p ra n to e na agonia; acreditam os que a falta de êxito nos habilita a executar um trabalho m aior e m ais elevado, para o qual não estaríam os aptos a m enos que a angústia houvesse afinado a nossa alma. Crem os em nossas fraquezas e até nos gloriam os nelas; dam os graças a D eus de não sermos tão eloqüentes quanto desejaríam os ser, e de não possuirm os toda a capacidade que alm ejaríam os, porque assim conhece­ mos que a excelência do po d er será de D eus, e não de nós. A fé nos capacita a nos regozijarm os no Senhor, p o rq u a n to nossas fraquezas se convertem em plataform as para dem ons­ tração da Sua graça. Crem os que m esm o nossos inim igos, nas mãos de D eus, servem aos nossos interesses m ais sublim es;

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estão atrelados ao carro de D eus. Talvez, de todos os poderes que realizam os propósitos divinos no m undo, nenhum o efetua mais do que o pró p rio diabo. Ele é apenas um serviçal na cozinha do Eterno; sem querer, realiza grande parte do trabalho que D eus não daria a Seus próprios filhos, tarefas essas tão necessárias quanto as executadas pelos serafins. Não pensem que o m al é um a potência rival de idêntico poder ao nosso bom D eus. Não, o pecado e a m orte, à sem elhança dos gibeo- nitas, são cortadores de lenhas e tiradores de água para os propósitos divinos; e quando os inim igos do Senhor mais deli­ ram e se zangam, cum prem Seus propósitos eternos para louvor e glória da Sua sabedoria e graça - m esm o que não o saibam.

Ainda, irm ãos, cremos no evangelho como poder de D eus para salvar. Sabem os que p ara q u a lq u e r caso de e n fe rm id a d e espiritual tem os um a cura infalível; não precisam os dizer a nenhum homem: “Não temos boas notícias de Deus para você”. Creio que há um a m aneira de chegar a todos os corações. H á um a fenda na arm adura de todo pecador, ainda que seja um Acabe, e podem os retesar o arco confiadam ente, rogando que o Senhor dirija a flecha a fim de que p en etre por essa brecha. Se crem os em D eus, nada pode ser dem asiadam ente difícil nem excessivam ente pesado para nós. Se confio tão-som ente em m im m esm o, então sin to que u m pecador end u recid o poderia recusar convencer-se dos m eus raciocínios e talvez seja com ovido an te os m eus afetuosos d iscu rso s; m as se confio no E spírito Santo, creio que Ele pode conseguir ser ouvido e p ro d u z ir convicção n a consciência dele. Irm ãos, crem os no p o d e r da v erdade. N ão esperam os que toda a h u m an id ad e ame a verdade; nem que o evangelho chegue a ser pop u lar en tre os grandes e os eruditos, pois recordam os as palavras do apóstolo: “N ão m uitos sábios segundo a carne, nem m uitos poderosos, nem m uitos nobres, são cham ados”; mas não cremos que o evangelho tenha entrado em decadência devido sua velhice. Q uando os néscios sabichões deste século

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Fé m e n o sp rez a m o e v an g elh o a n tig o , estão re n d e n d o um a hom enagem inconsciente ao seu poder. N ão acreditam os que nosso grande castelo e refúgio ten h a tom bado e caído ao solo, porque os hom ens assim o declaram . Recordem os Rabsaqué, e como ele desafiou ao Senhor; não obstante, aconteceu ao rei da A ssíria conform e o Senhor havia dito: “Não e n trará nesta cidade, nem lançará nela flecha algum a, não virá p eran te ela com escudo, nem há de levantar trin ch eiras contra ela. Pelo cam inho po r onde vier, p o r esse voltará; mas nesta cidade não e n tra rá , d iz o S e n h o r” . Tem os visto tan tas filosofias volverem “ao pó vil de onde b ro taram ”, para saber que toda a sua espécie é da n atu reza da ab o b o reira de Jonas. N ós, portanto, esperamos em confiança, aguardando pacientem ente, seguros da vitó ria no tem po oportuno.

Se o nosso evangelho é verdadeiro, prosperará e D eus agirá p o r nós; portanto, estam os “firm es e constantes, cres­ cendo sem pre na obra do S enhor” . Se não vemos alm as salvas no presente, prosseguirem os trabalhando. Nosso labor não se com para à tarefa ingrata de Sísifo, rolando a pedra m onte acim a, p ed ra que depois ro laria sobre ele, nem tam pouco sem elhante à ocupação das filhas de D anao, que conduziam um vaso sem fundo. N osso tra b a lh o talvez não seja m ais p ro n tam en te visível do que as ilhas que os zoófitos de coral estão co n struin d o sob as ondas azuis do m ar austral. Mas o e s c o lh o c o n tin u a s u b in d o , e m b o ra m u ito a b a ix o do fundam ento da estru tu ra maciça, de onde sobem as paredes até à superfície. Estam os trab alh an d o para a eternidade, e não calculam os o nosso serviço pelo que cresce cada dia, como os hom ens m undanos m edem o deles; é a obra de D eus, e deve ser m edida conform e as Suas norm as. A ssegurem -se de que quando o tem po, as coisas criadas e tudo quanto se opõe à v erd ad e do S e n h o r te n h a m d e sa p a rec id o s, to d o serm ão fervorosam ente pregado, toda oração persistente dirigida e toda a form a de serviço cristão fielm en te desem p en h ad o

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perm anecerão incrustados na poderosa estru tu ra que Deus desde a eternidade resolveu erig ir para Sua pró p ria honra.

II. E agora, irm ãos, nossa segunda pergunta é:

O QUE É

QUE A NOSSA FÉ OPERA EM NÓS?

Prim eiram ente, produz em nós uma gloriosa independência do homem. Estam os contentes de ter fervorosos ajudantes, mas podem os passar sem eles. Somos gratos por nossos excelentes diãconos, mas não ousam os fazer com que a carne seja o nosso braço. Temos satisfação se D eus levanta irm ãos noutras igrejas que m a n te n h a m laços frate rn o s conosco, p o rém não nos apoiam os neles. O hom em que crê em D eus, em C risto e no E spírito Santo, se apoiará u n icam en te no Senhor. Ele não deseja ser u m solitário nem p reten d e distinguir-se, mas pode p o r si m esm o con ten d er p o r seu M estre; m esm o que ten h a a m áxim a ajuda h u m an a, ain d a se esforça d ilig en tem en te em esperar com paciência em D eus. Se você se apoiar em seus auxiliares quando os tem , é possível que experim ente o terrível significado daquelas palavras de Jerem ias: “M aldito o varão que confia no hom em , e põe a carne p o r seu braço, e seu coração se aparta do S en h o r” . Como diz o apóstolo: “O que resta é que, os que possuem m ulheres sejam como se não as tivessem ” ; assim podem os afirm ar que nós que tem os co- operadores zelosos sejamos como se não os possuíssem os, e que nossa confiança em D eus seja tão sim ples, e nós m esm os tão livres de toda a confiança carnal, como se, à sem elhança de A tanásio, tivéssemos de en fren tar o m un d o sem ninguém que pronunciasse um a palavra favorável sobre nós ou que levasse um a p arte da nossa carga. D eus é suficiente para sustentar o firm am ento sem colunas. Ele sozinho m antém as nuvens nos céus. A cen d e as lâm p ad as n o tu rn a s e dá ao sol sua cham a de fogo. Só D eus é su ficien te p ara nós, e em Seu poder alcançarem os o propósito do nosso ser.

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circunstâncias. Q uando o jovem N elson voltava à casa depois de um a expedição em busca de nin h o s, sua tia o repreendeu por chegar tão tarde, e observou: “A dm iro-m e de que o m edo não te fizesse regressar m ais cedo” . “O m edo?” respondeu o adolescente - “não o conheço.” Essa é a m aneira adequada de um crente expressar-se, quando está trab alh an do para Deus. “O m edo?” - “não o conheço.” Q ue significa? “O S enhor está do nosso lado; que tem erem os?” “ Se D eus é p o r nós, quem será contra nós?” Se D eus tem algo a dizer através de você, Ele sabe qual a tro m b e ta m ais a p ro p ria d a p a ra Seu uso. Q ue im p o rta os tip o s de o u v in tes que vão escu tar? Pode acovardar-se d ian te de D eus? Jam ais. A convicção de que tem u m m andato de D eus, e de que o E sp írito do Senhor está sobre você o tom ará m u ito ousado. A fé em D eus fará que h o n re m o s nosso c h am a d o a ta l p o n to q u e não nos atreverem os a profaná-lo com nossa covardia.

A v erd ad eira fé em D eus nos fará tam bém abundantes em boas obras. O cap ítu lo onze de H eb reu s é dedicado ao e n a lte c im e n to da fé; to d av ia, eu afirm o que tam b ém dá te s te m u n h o das boas o b ras dos san to s. P o d e ria alguém contradizer-m e? N ão seria ig u alm en te um te stem u n h o de obras tan to como de fé? Sim, porquanto onde existe m uita fé, haverá sem dúvida abundância de boas obras. D esconheço fé genuína que não produza boas obras, sobretudo no prega­ dor. D u v id o que satanás te n h a na te rra , com o canais de c o n d e n a ç ã o , in s tru m e n to s m ais ap to s p a ra fo m e n ta r a in cred u lid ad e e fazer que os hom ens condenem o evangelho com desprezo, do que os que professam crer nele, e logo atuam como se sua crença fosse algo sem im portância.

H á filan tro p o s que sem pre nos dizem o que deve ser feito, no e n tan to , não o fazem: qual a sua fé e qual a sua fila n tro p ia ? C om o qu e a farem o s se m e lh a n te ? Faz m e lem brar de u m naufrágio ocorrido na costa toscana alguns anos atrás. O guarda-costas toscano inform ou a seu governo

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de te r h a v id o u m la m e n tá v e l d e s a s tre n a su a á re a , acrescentando: “A pesar de eu ter prestado à tripulação do barco toda a ajuda possível por meio do meu megafone, lam ento in fo rm ar que n a m an h ã seguinte apareceu na p raia certo n ú m e ro de cadáveres”. E stu p e n d o , não é m esm o? E sem dúvida, este é o tipo de ajuda que m uitos que professam ter fé prestam às pessoas. O ferecem -lhes o auxílio da retórica, as flores da dicção, as citações poéticas; porém os hom ens persistem na im penitência. Não há verdadeiro am or pelas alm as. O serm ão foi preg ad o , m as não houve oração em secreto pelo povo; os hom ens não foram buscados como se procuram as coisas preciosas. Não se chorou p o r eles; certa­ m ente não houve interesse p o r eles. Afinal, era a ajuda do megafone, e nada mais.

C ontudo, nossa fé nos faz abundantes em boas obras. Posso dizer-lhes: se já estão fazendo tudo que podem p o r Cristo, que se esforcem ainda m ais? Creio que um cristão geralm ente tem razão quando está fazendo m ais do que pode; e quando vai até mais longe, ultrapassando aquele ponto, estará ainda mais perto de ter razão. Q uase não há lim ites para as possibilidades de nosso serviço. M uitos hom ens que estão agora fazendo pouco, po d eriam , com o m esm o esforço, realizar o dobro m ediante um a coordenação sábia e um a iniciativa decidida. N ecessitam os, como os apóstolos, lançar-nos ao m ar alto, ou do contrário nossas redes jamais apanharão grande quantidade de peixes. Se apenas tivéssem os o ânim o de sair de nossos esconderijos para enfrentarm os o inim igo, logo alcançaríam os êxitos imensos. Precisamos de m uito mais fé no Espírito Santo. Ele nos abençoará se confiarm os in teiram en te nEle.

A fé em Deus nos capacita a suportar muitas dificuldades e a exercer a abnegação, e ao m esm o tem po a persev erar no m inistério. M eu coração se alegra p o r m uitos irm ãos aqui, os quais D eus tem feito ganhadores de almas. Q uisera acrescentar que estou firm em ente persuadido que as privações que têm

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Fé sofrido e o zelo que dem onstram no serviço de seu Senhor, em bora não hajam recebido a recom pensa de u m sucesso externo, são cheiro suave a Deus. A verdadeira fé faz que um hom em experim ente que é bom ser um sacrifício vivo para com D eus. Só a fé podia m anter-nos no m inistério, pois nossa vocação não é das que são acom panhadas de um salário elevado; não é u m cham ado que os hom ens que am bicionam honras e vantagem seguiriam. Temos que suportar toda espécie de males, tão num erosos com o os que Paulo in clu iu em seu famoso catálogo de provas; e posso acrescentar que nos espreitam certos perigos que ele não m enciona, a saber, os perigos das reuniões de igreja, os quais são provavelm ente piores que os perigos de ladrões. M al pagos e pouco apreciados, sem livros e sem c o m p a n h e iro s a d e q u a d o s, m u ito s p re g a d o re s ru r a is do evangelho m orreriam com os corações quebrantados, se sua fé não os cingisse de fortaleza do alto.

Bem , irm ãos, para resu m ir m uitas coisas n u m a só, a fé significa p ara nós uma ampla dilatação de nossas almas. Os q u e s e n te m u m a â n s ia m ó r b id a de p o s s u ir u m c re d o c o e re n te - o q u al eles p o ssam c o m p o r até fo rm a r u m a figura quadrada, à sem elhança de um quebra-cabeça - podem m u ito fa c ilm e n te d im in u ir a cap acid ad e de suas alm as. Im aginando que toda a verdade pode ser abarcada em m eia dúzia de fórm ulas, rejeitam , como sem valor, toda a declaração d o u trin ária que não possa apresentar-se de m aneira sim ples. Os que só querem crer n aq u ilo que podem com preender, necessariam ente deixarão de aceitar grande parte da revelação divina; sem sabê-lo, estão seguindo a lin h a dos racionalistas. Os q ue recebem pela fé tu d o que se acha nas E scritu ras, acolh erão duas v erd ad es, v in te v erd ad es e até v in te m il verdades, ain d a que não possam c o n stru ir um a teoria que harm onize todas elas. Esse processo da form ação de teorias e um a in sen satez custosa; a invenção de m eios term o s é uni desperdício de en g en h o ; seria m u ito m elh o r crer nas

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verdades e deixar que o Senhor m ostre sua harm onia.

A lém disso, os que crêem firm em ente, são os hom ens

fortes para o serviço. P orventura já viram a famosa estátua do rapaz sen tad o tiran d o um esp in h o do pé? Faz v in te anos que o vi, e há pouco o contem plei novam ente, e continuava tentando extrair o seu pequeno atorm entador. Conheço irmãos desse tipo no m inistério, sempre ocupados em extrair espinhos; têm dúvidas acerca disto, escrúpulos a respeito daquilo... mas aquele que diz: “Sei em quem tenho crido, e sei o que experi­ m en tei”, é o hom em que pode aten d er às ordens do Senhor.

A fé tam bém é nosso refrigério. Nossa fé em Deus nos alivia o cansaço. M esmo a fadiga n atu ral é superada pela fé. Por certo, o abatim ento do espírito não precisa de m elh o r re- co n stitu in te do que a confiança em Deus. Ju n to ao Coliseu estão as ru ín a s de u m a a n tig a fo n te de b a n h o ch am ad a M eta Sudans. Para lá se dirigiam os gladiadores que escapa­ vam com vida dos com bates do anfiteatro; cobertos de sangue, lavados de suor e sujos da poeira da arena, m ergulhavam no b a n h o e e x p erim en tav am delicio sa restau ração . A fé em D eus opera de igual m odo em nossos corações.

III.

M inha perg u n ta final será:

QUE NOS DIZ NOSSA

FÉ NESTE MOMENTO?

Em prim eiro lugar, ela afirma estar bem fundamentada.

D esejo p erg u n tar-lh es em palavras m u ito sim ples: seria o D eus vivo digno de confiança? Seria a onipotência digna de sua dependência dela? Seria justo que creiam na onisciência? Seria correto confiar na im utabilidade? Se eu trouxesse aqui o m elhor dos hom ens, cujo nom e fosse para vocês sinônim o da virtude, e se tivesse de aconselhar-lhes que lhe confiassem suas vidas, teria de falar com alento entrecortado, pois quem confiaria no ser hum ano? Ainda mais, se aqui estivesse Gabriel, o angélico m ensageiro de D eus, e nos dissesse que nos iria defender zelosam ente, é possível que eu vacilasse antes de

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Fé afirm ar: “Filhos dos hom ens, repousem na força dos anjos e confiem no zelo dos serafin s!” M as quan d o m e refiro ao Pai, ao F ilh o encarnado e ao etern am en te ben d ito E spírito, quem se aventuraria a sugerir um lim ite à nossa confiança em D eus? Q ue arrazo ad o r nos acusará de in sen satez p o r confiar na Trindade D ivina?

Com o passar dos anos, sinto-m e m ais e m ais seguro das coisas que creio, não m eram ente - como alguns in sin u ariam - porque m e acostum o a dizê-las e p o rtan to penso que as creio, mas p o rq u e concordam com as m elhores experiências da m in h a alma. As vezes leio algum as das produções do gênio relacionadas com a frívola religião do pensam ento m oderno; no entanto, quando m eu corpo está enferm o ou o espírito se acha abatido, nada me satisfaz senão o evangelho do Senhor Jesus C risto, que para nossos pais foi a própria verdade de D eus; e creio que a d o u trin a que a experiência m ais ín tim a de um hom em confirm a no dia da provação, e do m om ento em que m ais se aproxim a de D eus, é para ele, sem qualquer dúvida, realm ente a verdade de D eus, totalm ente digna de sua confiança.

Q uando m e encontro com intelectuais, que m e reputam m ero pregador de palavras ocas, n u nca ten h o a im pressão de que ten h am d ireito a fazê-lo. N ão lhes concedo m in h a subm issão nem po r um a hora. Tenho de rep rim ir a propensão de olhá-los com su p erio rid ad e em vez de se n tir qu alq u er complexo de inferioridade. Para nós, as verdades do evangelho são certezas absolutas para as quais não desejamos tolerância, mas que exigim os subm issão.

Q uando lhes disserem que um sábio fez um a descoberta que contradiz as E scrituras, não se alarm em . Não pensem que se trata realm ente de um grande hom em , porém creiam que é apenas um idiota educado ou um néscio presunçoso. Se vocês d isp u serem de tem po p ara ler as obras dos céticos e ru d ito s , logo d e sc o b rirã o q ue suas afirm açõ es não são

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fidedignas, suas deduções não são lógicas, suas inferências são m o n stru o sas e suas especulações loucas. Se alguém julga q u e m e e x p re sso de m o d o d e m a s ia d a m e n te e n é rg ic o , responderei que deve ser assim , pois creio que digo o que D eus m esm o avaliaria. Ele não aplicava term os suaves aos incrédulos jactanciosos. Q uando os considera, é para taxá-los de néscios. A expressão que sem pre usou, tan to no Velho Testam ento como no Novo, com referência aos ím pios, é: “D izendo-se sábios, tom aram -se loucos” . E quando ouço ao Pai celestial afirm ar que u m hom em é insensato, não me atrevo a p e n sa r que ele seja p ru d e n te . N ão pensem os de m aneira diferente da de Deus.

M esmo que possamos ser confundidos em argum entações, não podem os ser contestados na experiência, nem nos afastar daquilo que tem os provado e confirm ado da boa Palavra de Deus. Tampouco somos confundidos em nossa fé. Sabemos que está bem fundam entada, e portan to ouvim os o que ela nos diz: “N ão m e trate como se eu fosse um sonho. Não proclam e su a m e n sa g e m co m a le n to e n tr e c o r ta d o . A p re s e n te -a audazm ente, pois o que a contradiz é um em busteiro!” Se é de D eus, deve ser verdadeira. Não somos adeptos de um a igreja infalível que funde sua fé em sua p rópria autoridade, ou de um papa infalível que se reputa a im agem da verdade; se nos gloriássem os nisso, o m un d o teria razão em rir-se de nós; mas havendo aprendido a verdade de D eus po r revelação d iv in a , desafiam os o desprezo do m u n d o , e nem seq u er dizem os: “Com sua perm issão, cavalheiros?” Não, mas com sua perm issão ou sem ela, anunciam os o que D eus revelou.

E m se g u n d o lu g a r, n o ssa fé n o s d ir ig e a s e g u in te p e rg u n ta : “Já enganei algum a v e z a u m de vo cês?” Vou estender a interrogação. D eus apresentou a seu antigo povo a questão: “Tenho sido solidão para Israel?” Perm itam -m e que lhes interrogue: “O S enhor já lhes tem falhado? Tem-lhe dado as costas no dia da calam idade? Q uando se apoiaram

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Fé no Seu braço, Ele tem Se revelado insuficiente?” Se D eus tem falh ad o , se Sua v erd a d e se to m o u em m e n tira p ara q u a lq u er u m de vocês, te stifiq u e -o , diga o qu e sucedeu. Mas se vocês não podem acusar ao Senhor de infidelidade p o rq u e d etestam tal p en sam en to , devido sua ex p eriên cia n eg ar isso, e n tão , irm ão s, sig am c re n d o , e c re iam m ais firm em ente; descansem m ais im p licitam en te no seu Deus sem pre fiel.

Em terceiro lugar, a fé tam b ém afirm a: “D á-m e maior margem. Confiem muito mais em seu D eus”. Até agora apenas e n tra m o s n a su p erfíc ie da fé; a água só nos ch eg o u aos tornozelos. Julgávam os que estava m u ito fria quan d o nos aventuram os a e n trar tem erosam ente; mas havendo chegado até ali, a acham os boa e agradável. Avancemos até que nos chegue ao peito, e ainda mais profundam ente. Bem -aventurado o hom em que chega até o fundo, nadando na corrente onde não existe o u tra esperança senão o seu D eus, e n em um a outra confiança nem ajudador senão o Invisível que sustenta todas as coisas. A fé clama: “P o n h a em m im sua confiança, filho m eu, p ara que eu lhe faça pregar m elhor. Seja m ais e m p re e n d e d o r e m a is o u sad o . N ão p e le je su a p ró p r ia b a ta lh a nas re u n iõ e s de ig re ja ; deix e-o com seu D eu s; d eposite confiança n E le em todas as coisas. N ão tem a ir fa la r à q u e le h o m e m in s o le n te ; eu lh e d a re i a p a la v ra oportuna para dizer-lhe. Confie em m im e aja com prudência, com o, tam b ém com zelo, e vá aos a n tro s dc vícios m ais tenebrosos. B usque os piores hom ens e pro cu re levá-los à salvação. Não há nada que você não possa fazer se tão-som ente confiar em D eu s”. Se fracassar, teu fracasso se origina em sua fé. O ar diz à águia: “P o n h a sua confiança em m im ; estenda as longas asas; eu lhe sustentarei até chegar ao sol; so m e n te p o n h a sua c o n fia n ç a em m im . R e tire o pé da rocha que está tocando debaixo de você. D istancie-se dela, e d e ix e-se s u s -te n ta r p elo e le m e n to in v is ív e l” . Irm ão s,

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e rg a m -s e ta m b é m às a ltu r a s , p o is D e u s lh e s c o n v id a . Subam ! N ão têm n ad a a fazer senão c o n fiar n E le. U m a glória desconhecida descansa sobre Ele, e Seu, resplendor re p o u sa rá sobre os que a p re n d e m a c o n fia r p le n a m e n te nEle.

E a fé acrescenta (e com isto term ino): “Alimentem-me!

alim entem -m e!” A fé tem sido tudo para vocês; alim entem -se com o pão do céu. E la se a lim e n ta de C risto . C erto dia observei um grupo de preciosos fetos n u m a gruta, do teto da q u al c o n tin u a m e n te d e stila v a u m a ch u v a c ris ta lin a , fresca e clara; aqueles fetos estavam sem pre viçosos e belos, p o rq u e as suas fo lh a s e sta v a m s e m p re b a n h a d a s pelas g otas re fre s c a n te s. M esm o e sta n d o n a época em que o verde era escasso, aqueles fetos perm aneciam com um a cor d e b e le z a a d m irá v e l. C o m e n te i com o a m ig o q u e m e acom panhava que eu desejava viver sob o gotejar incessante da graça, p e rp e tu am e n te b an h ad o e regado na com unhão tran sb o rd an te de D eus. Isso faz com que u m hom em esteja ch eio de fé. N in g u é m in d a g a se M oisés p o ssu ía fé, pois p erm an eceu q u a re n ta dias no m o n te com D eus; e se nós m anterm os com unhão com Ele, jam ais duvidarem os; pelo c o n trá rio , crerem o s. A lim e n te m a fé com a v e rd a d e de D eus, mas especialm ente com Aquele que é a Verdade.

R ogo ao S e n h o r q ue e n c h a o C olégio dos P a sto re s dessa fé. Q ue sejamos confirm ados e estabelecidos; consoli­ dados com as bênçãos do pacto da graça, e estabelecidos na rocha. L em brem -se que dependem os agora inteiram ente da nossa fé; é dem asiado tard e p ara desistirm os. Estam os na situação do p ereg rin o de B unyan - temos que avançar.

H á m uitos perigos diante de nós; aproxim am o-nos do vale da so m b ra da m o rte ; as flech as dos in im ig o s p assarão em ab u n d ân cia p e rto de nós ao atravessarm os os lugares escuros. E penoso prosseguir, po rém não podem os re tro ­ ceder, pois não tem os proteção para as costas. Suponham os

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