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Proposta de Reforma do PIS/COFINS é ameaça às empresas e empregos

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Academic year: 2021

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Proposta de Reforma do PIS/COFINS é

ameaça às empresas e empregos

Uma ameaça ao país

Em um contexto em que o desemprego ultrapassa a taxa de 13% e atinge mais de 14 milhões de brasileiros, é preciso que o Governo adote medidas em linha com a ideia divulgada pelo presidente da República, Michel Temer, de que o EMPREGO é um tema prioritário para o país. Diante disso, é importante que o Governo evite levar a frente a proposta de Reforma do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, que vem desde o Governo anterior e permanentemente se ameaça enviar ao Congresso. A proposta é uma “espada” sobre setores e empresas que geram mais de 20 milhões de empregos.

Caso as mudanças anunciadas (cujas bases serão explicadas nesse documento) sejam aprovadas, observa-se que o universo de empresas que teriam a vida “simplificada” é inferior a 3% do número total, enquanto grande parte das demais empresas passariam a lidar com mais complexidade tributária, sendo obrigadas a mudar para um sistema de débitos e créditos. A proposta complica e muito!

Além disso, muitas sofreriam uma elevação abrupta e insuportável da carga tributária, com consequências desastrosas. Tudo isso em um contexto em que as empresas estão fragilizadas pela maior crise econômica da história, da qual o país busca sair. Além disso,

Não há dúvidas que decisão judicial recente, que reduziu a base de cálculo do PIS/COFINS, especialmente para as empresas que pagam ICMS, podem gerar necessidade de rever alíquotas a médio prazo. Mas até esse realinhamento precisará ser feito com muita cautela. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) estima que, caso aprovada, a Reforma do PIS/COFINS implicaria na eliminação de cerca de 2 MILHÕES postos de trabalho. Importante frisar que os eventuais benefícios de longo prazo que se teria com a Reforma são

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Como funciona o PIS/COFINS

A tributação do PIS/COFINS se diferencia em função de setores e do porte das empresas. Via de regra, as empresas estão divididas em dois regimes:

REGIME CUMULATIVO – Nesse regime, a empresa paga uma alíquota total de 3,65% sobre sua

receita bruta (0,65% PIS e 3% COFINS).

Ele abrange:

• Diversos setores muito intensivos em mão de obra, como por exemplo: Educação, Saúde, Segurança Privada, Comunicação Social, Informática, Teleatendimento, Telecomunicações, Hotelaria, Construção Civil, Construção Pesada, entre outros. • Todas as empresas optantes do “Lucro Presumido”, de praticamente qualquer setor. • Todas as empresas do SIMPLES, cujas alíquotas são fixas e mais baixas que 3,65%.

REGIME NÃO CUMULATIVO – Nesse regime a empresa paga uma alíquota de 9,25% (1,65% PIS

e 7,6% COFINS) sobre sua receita bruta. Porém, para calcular a alíquota real a ser paga, ela pode compensar grande parte do que há de PIS/COFINS já pago nos produtos e serviços que adquiriu, gerando, em muitos casos, uma alíquota final próxima da aplicada no outro regime, ou seja, algo em torno de 3 a 4%.

ALÍQUOTA EFETIVA DEPENDE DE CRÉDITOS OBTIDOS NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NA CADEIA PRODUTIVA

• Abrange as empresas que praticam Lucro Real (em geral, grandes empresas) de setores como indústria, comércio e outros.

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A proposta de Reforma e seu impacto direto

A proposta de reforma do PIS/COFINS tem três eixos principais, que desorganizam diretamente a estrutura de custos de milhões de empresas:

1. Migração obrigatória de Setores do Regime Cumulativo e de empresas do Lucro Presumido acima de R$4,8 milhões para o regime NÃO CUMULATIVO

o Os setores intensivos em mão de obra do regime CUMULATIVO sofreriam um brutal aumento de carga tributária, pois são setores com poucos créditos de PIS/COFINS para compensar. Para eles, o principal custo na folha de pessoal, que chega a 65% dos custos em casos, mas como o PIS/COFINS não é um tributo que incide sobre a folha, não gera créditos para serem abatidos no cálculo do imposto.

o Assim, considerando a alíquota atual de 9,25% do regime “não cumulativo”, a alíquota do regime “Cumulativo” de 3,65% poderá subir para 7%, 8% ou até mais que 9% na mudança para o regime “Não-Cumulativo”. Isso significa um aumento de carga tributária de até 5% do faturamento, que é maior do que a margem de lucro de empresas em muitos setores.

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o No caso de médias empresas de qualquer setor, que optaram pelo Lucro Presumido com faturamento entre de R$4,8 milhões e R$72milhões, a mudança seria a mesma. O impacto seria maior para as empresas de setores mais intensivos em mão de obra, a exemplo de toda a parte de serviços de advocacia, contabilidade, consultoria, administração, mas também bastante impactante em setores como publicidade, transportes, asseio e conservação, trabalho temporário, entre outros. o Além do aumento da carga tributária, essa mudança de regime significaria migrar

para um modelo mais complexo e burocrático de compensação de créditos.

o Apenas as empresas do Simples e as do Lucro Presumido, abaixo de R$4,8 milhões, que optarem pelo Regime CUMULATIVO, poderão permanecer nesse sistema.

OBS: O Secretário da Receita Federal afirmou em Maio/17 e em ocasiões subsequentes que considerava a possibilidade de

manter setores no regime cumulativo. Porém, haveria aumento das alíquotas e PIS e COFINS.

2. Compensação pelo Crédito Financeiro

o A proposta que, traz melhorias para menos de 3% das empresas, é a adoção do

Crédito Financeiro, no qual todo o PIS/COFINS, já embutido em qualquer produto

ou serviço adquirido, poderá ser compensado. o O modelo de Crédito Físico, que se pratica hoje, gera muitos litígios, porque somente o PIS/COFINS embutido nos “insumos” podem ser compensados. Há

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o Com a mudança para o crédito financeiro, não haverá mais dúvida se o PIS/COFINS embutido em um serviço contratado é ou não “insumo”, e portanto, se pode ou não ser compensado. Esse é o ponto principal de defesa da proposta.

o De qualquer forma, para as empresas hoje do regime CUMULATIVO, quem tem poucos créditos financeiros de PIS/COFINS para abater, continuará sofrendo forte aumento de alíquota com a mudança. Além disso, o regime de pagamento atual de

uma alíquota fixa das empresas no regime Cumulativo é bem mais simples.

3. Fim dos créditos FÍCTOS

o Há um terceiro tema, que são os créditos FICTOS, que não se relacionam com a discussão anterior. O sistema atual do PIS/COFINS permite que empresas do regime não cumulativo, que comprem de Microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES ou Lucro Presumido, possam efetuar a compensação considerando um crédito de 9,25% do valor da nota, quando na realidade o crédito correspondente ao valor pago efetivamente seria de 3,65% ou menos.

o Ou seja, quem compra de empresas pequenas e médias tem direito a um crédito fictício, pois elas pagam o valor menor, mas geram um crédito maior. Esse CRÉDITO FICTO foi um instrumento para estimular a compra de produtos e serviços de fornecedores menores, o qual será extinto na atual proposta apresentada.

o O fim do CRÉDITO FICTO geraria uma perda de competitividade de todas as empresas micro e pequenas que vendem produtos ou prestam serviços às empresas do regime Não Cumulativo. Naturalmente, os efeitos sobre o emprego nas micro e pequenas empresas serão muito negativos.

A quem interessa

A Reforma do PIS/COFINS interessa basicamente:

• À Secretaria da Receita Federal (SRF), ao reduzir o litígio sobre a compensação de alguns créditos. Importante ressaltar que parte expressiva dos conflitos derivam das interpretações “forçadas” da SRF no sentido de restringir ao máximo os créditos a serem compensados, visando arrecadar um pouco mais.

• Teoricamente..., às grandes empresas de Lucro Real de alguns setores do regime Não Cumulativo, especialmente à grande indústria com cadeias produtivas mais longas. Com a mudança, ela teria menos dificuldades com o atual modelo de crédito físico. Entretanto, parece claro que a hipótese de reduzi os impostos em função de mais

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créditos a compensar está descartada, pois haverá aumento na alíquota nominal dos tributos.

Não há dúvidas que o modelo atual gera problemas para um grupo delimitado de empresas, mas não há bom senso em querer ampliar esse problema para as demais empresas.

A elevada tributação no setor de Serviços

Não é incomum afirmações de que o setor de Serviços é menos tributado que outros, mas essa informação é bastante questionável.

Para entender a tributação do setor, é preciso observar que a maioria dos segmentos de Serviços, a exemplo da Educação Privada, tem 60% de seus custos com recursos humanos. No caso da indústria, por exemplo, esse valor dificilmente passa de 20% do faturamento.

Sobre as verbas salariais incidem um total de 25,8% de contribuições: INSS (20%); Salário Educação (2,5%); Sistema S (2,5%); SEBRAE (0,6%); INCRA (0,2%). Adicione-se a isso o Seguro Acidente de Trabalho (SAT), que pode chegar a 6% da folha. Se considerarmos, por exemplo, um SAT de 4,2%, os encargos totalizam 30%.

Sem considerar os pesados impostos e contribuições sobre lucro e sobre o patrimônio, é

possível verificar que o peso sobre a receita dos impostos pagos sobre a folha e o faturamento em uma empresa de Serviços é significativo.

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Modelo Atual Tributos sobre Faturamento ISS 5,00% PIS/COFINS 3,65%

Impostos não compensados (ISS, ICMS, PIS/COFINS, etc) de produtos e serviços adquiridos

3,35%

Tributos sobre Folha

Contribuição patronal sobre a folha (20% de 50% do faturamento)

10,00%

Outras contribuições sobre folha (Salário Educação, Sistema S, Sebrae, Incra, SAT = 10% de 50% do faturamento)

5,00%

Total 27,00%

Olhando apenas o PIS/COFINS, por exemplo, a Indústria paga em média 3,37% de PIS/COFINS, pois apesar da alíquota base mais alta (9,25%), após as compensações, o valor reduz bastante. O comércio atacadista fica em 3,65% (o mesmo que os setores no regime CUMULATIVO) e o comércio varejista 4,16%. Esses dados são de estudo do IBPT e da FENACON. Apenas alguns Serviços, enquadrados no passado como Não Cumulativos, a exemplo dos segmentos de Asseio e Conservação e de Trabalho Temporário que pagam alíquotas finais bem mais altas.

Proposta de Reforma do PIS/COFINS

Até agora, as propostas apresentadas por membros da Receita Federal seguem a linha aqui exposta, e sobre elas se baseiam todas as críticas apresentadas.

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Consequências para a população

As consequências para a população desse aumento da carga tributária de setores serão: • Aumento do desemprego;

• Elevação dos preços das mensalidades escolares, do plano de saúde, da conta de celular e internet, do custo da casa própria, de transportes e todo os serviços em geral; • Aumento da inflação;

• Aumento da insegurança;

• Redução de investimentos e consolidação da recessão.

Profissões que serão muito afetadas

Das mais graduadas, às mais simples, a Reforma significará perdas de empregos e aperto nos salários de: • Professores; • Vigilantes; • Médicos; • Enfermeiros; • Advogados;

• Atendentes de call center; • Jornalistas; • Trabalhadores temporários; • Engenheiros; • Serventes de obras; • Pedreiros; • Publicitários; • Faxineiros; • Porteiros; • Contabilistas; • Técnicos de instalação; • Técnicos de informática; • E muitos outros!!!

Prejuízo aos cofres públicos e à população

Do ponto de vista fiscal a Reforma mostra-se um grande equívoco, pois reforça o modelo de um Estado inchado e ineficiente, que a sociedade não aceita mais.

Pegando o exemplo da Educação Privada: devido à crise e o elevado custos suportados pelas escolas privadas, o setor perdeu um milhão de alunos em 2015, que foram para o setor público. Além da insatisfação dos pais e alunos e aumento dos gastos governamentais, houve perda de arrecadação pela redução do faturamento das escolas e universidades e pela redução de impostos (INSS, IRPF e outros) com o desemprego de professores (seguro desemprego). Com a proposta de reforma do PIS/COFINS, esse fenômeno se agrava. Estima-se que o

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elasticidade preço-demanda, isso levaria a queda de 13% nas matrículas, segundo o SEMESP. Para a manutenção das condições atuais, seria necessário reduzir em 26% o custo da folha, o que passaria por demissões e menores salários. Ou seja, menos receitas e mais gastos.

Fenômeno parecido se repetiria com a Saúde, que já perdeu 1,8 milhões de planos desde 2015. O aumento de impostos impactará no custo dos serviços de Saúde. No caso da Segurança Privada, haveria aumento de custos diretos para o próprio Estado, que contrata um terço da mão de obra desse segmento, e aumento da informalidade, com perda de arrecadação e demandando mais recursos para combater a elevação da insegurança pública. Ademais, há serviços como Construção Pesada, informática, teleatendimento, entre outros, que também são contratados pelo Estado e que as mudanças onerariam os custos públicos.

Congelando investimentos

Não há espaço para mais impostos sobre as empresas no Brasil. Segundo o IBPT, de cada R$1,00 distribuído em lucros aos empreendedores em 2013, o Governo recebeu R$4,54 de impostos. Não dá para sufocar mais os investidores. Pelo contrário, é preciso sinais claros de que a Reforma do PIS/COFINS não é pertinente, permitindo que os setores intensivos de mão de obra formal possam destravar, com confiança, seus planos de investimentos. Por outro lado, a Reforma do PIS/COFINS não representaria um ganho tão significativo para o ambiente de negócios, nem seria fator de decisão para investimentos.

Mobilização contra o aumento do PIS/COFINS

Há cerca de dois anos a equipe da ex-presidente Dilma anunciou a Reforma do PIS/COFINS. Desde então os setores impactados foram se unindo para mostrar que a proposta não é pertinente. Os setores estão atentos.

É fundamental fazer as escolhas corretas e afastar ameaças ao ambiente de negócios do país. A proposta de Reforma do PIS/COFINS mostra-se absolutamente inoportuna para o momento, criando um grande problema para muitos, sobre o pretexto de resolver uma dificuldade localizada em poucos. O país não pode errar. Não há espaço para mais impostos e não se pode, especialmente nesse momento, colocar milhões de empregos em risco.

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